

Há quase 40 anos, quem andava pela estrada Rio-Santos, sem asfalto a partir de Itaguaí (RJ), deparava-se primeiro com a visão panorâmica de belas praias, como Itacuruçá e Muriqui, e mais adiante com uma praia com uma península, espremida entre a verde Serra do Mar e a Baía de Sepetiba, no litoral sul fluminense, onde havia uma placa junto a uma descida, que dizia : "Ibicuí, a Capri brasileira".
Quem botou aquilo lá fazia referência à ilha italiana de Capri, no Mar Tirreno, que, guardadas as imensas diferenças, tem um povoado de mesmas configurações geográficas, e tem águas azuis e verdes que não vemos em Ibicuí. Mas não deixa de ser comparável enquanto recanto isolado, limitado, espremido, com águas tranquilas, quase paradas. Diferentemente de outras praias mediterrãneas italianas, Capri não tem linha de trem passando próxima à praia, aproveitando a planície. Ibicuí tem uma linha que liga Santa Cruz a Mangaratiba, que já teve trem de passageiros e hoje é utilizada pela MBR para transportar minério de ferro para um terminal numa ilha próxima. Infelizmente, a estação não foi preservada e hoje parece ter virado uma casa.
Por essa linha de trem passou a minha família nos anos 40. Meu avô construiu uma casa depois do atual Ibicuí Iate Clube, já demolida para retificação do trecho da ferrovia, de onde tenho no memorial da família fotos de toda a enseada. No início dos anos 70, ia com amigos numa longa viagem acampar na praia de Ibicuí e em Junqueira, praia que fica entre Ibicuí e Mangaratiba, onde há uma ilha bem em frente à costa.
Os acampamentos não eram bem vistos por contrabandistas que desembarcavam mercadorias de navios na baía com lanchas possantes, e tinham um certo poder local para mandar as autoridade tirar a gente de lá. Nem precisava: tínhamos muitos colegas de escola com casa por lá, e passamos a acampar em quintais.
No verão de 1975 fiz com um colega uma aventura que quase me custou a vida. Fomos do Rio a Ibicuí de bicicleta. Saímos do bairro de São Francisco Xavier às 3 da manhã para fugir ao sol causticante de janeiro. O caminho mais curto seria a Avenida Brasil, mas o tráfego intenso seria um risco grande. Como alternativa, subimos o Alto da Boa Vista, Barra, Grota Funda ( a serra), baixada de Guaratiba, chegando a Santa Cruz por volta de uma da tarde, com o sol castigando.
Detalhes: eu estava numa Monareta, bicicleta de cross que tinha aro 18, e o meu colega estava numa Monark aro 28. Nada de marchas para aliviar. De carga, mochilas, uma barraca, cantis com água, biscoitos e sanduíches. Até acabar o asfalto em Itaguaí, a uns 30 km de Ibicuí, a coisa foi até bem. Depois, acabou-se a planície e começou o poeiral. Parávamos mais que andávamos, esperando a poeira baixar. Carregamos mais as bicicletas montanhas acima que pedalamos.
Chegamos a Ibicuí às 7 da tarde (no horário de verão carioca o sol se põe quase às 20h). Encontramos os amigos e amigas que não acreditavam na façanha. Fomos até a praia onde entrei de bicicleta e tudo. Aí começou a cobrança do exagero: cãimbras por todo o corpo. Eu tinha perdido muita água e peso na aventura. Passei quase 3 dias estirado numa rede. Quase morri na brincadeira.
Se fosse falar de tudo de bom que Ibicuí deixou nas minhas lembranças precisaria de muitos posts e espaços para fotos. Passei décadas sem ir lá. O transporte de passageiros acabou, a estrada foi asfaltada, a especulação tomou conta, a orla foi urbanizada e os verões tornaram a pequena praia intransitável, lotada por veranistas. Agora tenho disponível a casa de pessoa da família, a meia-encosta, de onde pode-se ver toda a baía, com Ibicuí como uma pequena jóia encrustada na montanha, à beira do mar tranquilo. Andando pelas suas ruas, cenas do passado retornaram à mente, trazendo saudades e, ao mesmo tempo, a felicidade por ter vivido bons momentos ali, sentado na areia, vendo o mar, a Restinga da Marambaia e a Ilha Grande emoldurando a baía de Sepetiba, curtindo boas companhias.
Para conferir Ibicuí e as praias de Mangaratiba, o caminho de quem sai do centro do Rio é pegar a Avenida Brasil até o fim (uns 55 km), pegar a estrada duplicada que vai até Itacuruçá e seguir pela Rio-Santos no rumo de Mangaratiba. Pelo caminho há outros lugares interessantes para visitar. Ibicuí fica a uns 100 km do centro do Rio. Evite o final de semana, porque a estrada fica muito cheia.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Ibicuí (RJ) - A Capri brasileira
Assinar:
Postar comentários (Atom)
FERNANDO BRANQUINHO,
ResponderExcluirTUDO BEM!
SUAS ESTÓRIAS E FOTOS SÃO FANTÁSTICAS, JÁ VI QUE VOCÊ É TÃO APAIXONADO POR IBICUÍ QUANTO EU.PORTANTO GOSTARIA DE CONVIDAR VOCÊ E TODAS AS PESSOAS QUE GOSTAM DESTE PARAÍSO, PARA VISITAREM MEU BLOG DE FOTOGRAFIAS ANTIGAS DE IBICUÍ. www.ibicui.bloggeiros.com TCHAU!
Paulo Lara,
ResponderExcluirVi seu blog. Suas fotos são verdadeiras raridades. Vou publicar umas bem antigas também, do início da década de 40.
Um abraço.
Ibicui apesar de ser um lugar lindo...as coisas sâo muito caras custo de vida altissimo. mas o que importa mesmo é a beleza do lugar meus pais tem casa lá mas eu prefiro mesmo é a praia do saco lugar do povâo onde as coisas sâo mas em conta e o mercado tem o preço do seus produtos barato.
ResponderExcluirOi
ResponderExcluirEu ainda me lembro, quando eu descobri que você estava fazendo iniciação científica, foi naquele dia, que você comemorou que o presidente Lula tinha reajustado as bolsas de iniciação científica. Foi então que eu fui pesquisar sobre o que era iniciação científica e eu notei que aquele tempo todo, você estava fazendo iniciação científica e estava escondendo isso de mim. Nesse dia, eu não fiquei com raiva de você, só por você ter me abandonado em orgânica 1. Eu fiquei com raiva de você também por você estar ganhando dinheiro graças ao CR 7 que você conseguiu colando usando o Photomath na prova de cálculo para a farmácia.
ResponderExcluirOlha que eu tentei te perdoar muito mesmo, eu ainda me lembro que quando eu estava fazendo PCI2, eu quase fiquei reprovado, porque você e os outros alunos da turma de PCI2 não queriam fazer trabalho em grupo comigo, mesmo eu fazendo tudo para te perdoar por você ter me abandonado em orgânica 1.
Eu ainda tinha que aguentar você falando, O PROFESSOR DE ORG 2 ISSO, O PROFESSOR DE ORG 2 AQUILO, PROVA DE BIOESTATÍSTICA. Eu ainda estava no grupo, eu que não estava fazendo nem org 2 e nem bioestatística por sua culpa.
Eu ainda me lembro aquele dia que eu saí da aula da Lages de orgânica 1 e te vi saindo da aula de orgânica 2 junto com os outros alunos da Fernanda, foi aí que eu notei que aquilo nunca iria acabar, que você não queria ser perdoada. Que no semestre seguinte, você estaria em orgânica 3 e eu não por sua culpa.
Você ainda publicou esse artigo científico:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40875641/
Sim, eu achei o seu perfil no currículo lattes:
http://lattes.cnpq.br/3528188041134518
Eu sei também que a sua orientadora de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) se Chama Helena.
Por causa da queixinha, que você fez na coordenação da farmácia junto com a Ana Carolina Vieira Metello, Gabriel Vasconcelos de Lucena e Julia Tavares de Azevedo, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece e que nem estuda mais na UFRJ.
Pode mandar o seu amigo, o Guilherme de Sousa Barbosa que ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito na contra ele, manda o seu amigo Guilherme de Sousa Barbosa me matar, manda o seu amigo vir na boca de fumo, que tem em cima da minha casa mandar o traficante dar um tiro na minha cabeça, em frente a minha casa tem um ferro velho clandestino, que fornecesse material furtado para os traficantes fazerem barricadas, eu não tem nada a perder. Quem vai se formar como farmacêutica é você e não eu. A vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. EU NÃO VOU PERDER A MINHA BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA.