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domingo, 10 de março de 2013

Viagem : De Arraial do Cabo ao Rio pela Via Lagos

Mais uma vez relato uma viagem normal, sem o movimento de férias, feriados, etc. No outro post relatei, nas mesmas condições, os tempos de uma viagem normal a Arraial do Cabo pela Rodovia Amaral Peixoto, que é estadual, mão dupla, sinuosa e cheia de elevações, com muitos obstáculos e limitação de velocidade. Agora narrarei a volta pelo caminho mais usual, que é a Via Lagos.

Antes de começar a viagem verifique se o seu vidro da frente do carro está perfeitamente limpo, pois até que o sol se ponha sua visão será ofuscada com o rumo ao poente. Qualquer sujeira irá distorcer imagens.

O momento zero da viagem foi às 17h na saída de Arraial , no posto de gasolina na Prainha. Em 10 minutos entrava em Cabo Frio. Aos 25 min, cruzei a ponte sobre o canal. Aos 35, entrava na Via Lagos em São Pedro da Aldeia, que é uma rodovia estadual. Nessa estrada a velocidade máxima permitida em quase todo o percurso, para veículos leves, é de 100 km/h. Tem um pedágio escorchante, de R$ 14,90 nos fins de semana e feriados. Há duas faixas em cada pista, sem obstáculo central. Bem sinalizada, nem sempre tem acostamento. Há radares previamente avisados.

Sem qualquer problema cheguei com uma hora ao fim dessa estrada, em Rio Bonito, percorridos 80 km. A partir daí, já na BR-101, o tráfego fica mais lento, e o limite de 100 km/h passa a ser um teto raramente atingivel. Com 1:10h estava pagando o pedágio de R$ 3,30, coisa de deixar os paulistas revoltados diante do que pagam por lá, mesmo numa estrada com o nome do seu ex-governador Mário Covas. Imaginem em São Paulo alguém andar 158 km pagando "apenas" R$ 18,20 (durante a semana seriam R$ 12,20), porque na volta não tem o pedágio de R$ 4,90 da ponte Rio - Niterói.

Poucos km após o pedágio há uma obra numa ponte, que deixa o trânsito mais lento (na base de 40km/h), mas depois flui bem até Itaboraí, onde fica lento de novo (60 km/h) e vai bem até São Gonçalo, onde segue lento (40 km/h) praticamente até a entrada da ponte, onde com 2:05h de viagem. Mesmo com tráfego intenso, a ponte manteve uma boa média, em torno de 80 km/h. Cheguei ao Rio (descida da ponte no gasômetro) com 2:20h de viagem, um percurso de 158 km.

Para muita gente que ler isso, o relato será uma novidade , porque o normal, em época de férias ou feriadão, é sofrer por mais de 4 horas nessa viagem. Interessante notar que uma considerável quantidade de mulheres estava ao volante, reduzindo o risco de barbeiragens normalmente estimuladas por testosterona, como andar pelo acostamento, coisa que raramente vimos. Sinal de civilidade. Muita atenção quando o tráfego estiver lento com a passagem de motos em alta velocidade pelo centro da pista, entre os carros, um risco grande quando se muda de faixa.


sábado, 9 de março de 2013

Viagem : Do Rio a Arraial do Cabo pela Amaral Peixoto

Resolvi postar essa viagem porque ninguém de sã consciência escolhe esse caminho hoje em dia. Há 30 anos não tinha jeito, mas hoje tem a alternativa da Via Lagos, que é pedagiada. Mesmo assim a RJ 106, estrada Amaral Peixoto, ainda tem seus encantos e passa em lugares interessantes. O mais interessante é que hoje ainda tem os mesmos problemas de tráfego do passado, pois pouco foi feito para melhorá-la. Outra coisa a considerar no post é que o tráfego foi totalmente normal, sem acidentes que causassem engarrafamento, horários de pico ou movimento de turistas de fim de semana.

Considerando o momento zero da viagem a entrada na Ponte Rio - Niterói, em 10 minutos chegamos à descida da Alameda São Boaventura, em Niterói. 20 minutos depois, chegamos à subida no final da Alameda. Com 40 minutos estávamos em Tribobó, onde há a derivação de quem vai para o norte fluminense (Campos, Macaé) ou para o litoral (Maricá, Saquarema, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio). Mais meia hora passamos pela entrada de Maricá (Km , ou seja, uma hora e 10 minutos desde a ponte.

A Serra de Ponta Negra tem paisagens rurais belas e trânsito horroroso, sempre. Basta ter um ônibus para se formar uma lenta fila. Descendo a serra há trechos retos onde é possível a ultrapassagem, até o km 70 - Bacaxá - entrada de Saquarema, onde chegamos com 1:50h de viagem. A partir daí o tráfego é lento, não só pela pista estreita em mão-dupla e sem acostamento, mas pela conurbação de diversas áreas residenciais, onde há quebra-molas e radares limitando a velocidade a 50 km/h.

 

Com 2:20h passamos por Araruama, onde a paisagem dos lagos começa a acompanhar a estrada. Por volta do Km 120 da estrada chegamos a S. Pedro da Aldeia (2:40 h de viagem), e no Km 150 entramos em Cabo Frio (3:10h). Dez minutos depois, passando por fora da cidade, chegamos ao portal de entrada de Arraial do Cabo, totalizando 160 kim desde a entrada da ponte. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Arraial do Cabo (RJ) - Prainha, um paraíso na baixa estação

Frequentei Arraial do Cabo desde quando era distrito de Cabo Frio, hoje município emancipado. Na década de 70 era "point" de hippies e simpatizantes. A atividade econômica era baseada na fábrica da Alcalis, que produzia barrilha, essencial para a fabricação de vidro, no centro de pesquisas do mar da Marinha (que mantém um Museu Oceanográfico na cidade) e no Porto do Forno. No mais, uma vila de pescadores com turismo de jovens que acampavam nas suas praias.

Há alguns anos estive por lá e vi a fábrica da Alcalis fechada, vítima da privatização em 1995, e da má-gestão posterior. Com o fim da fábrica, Arraial virou uma grande favela, passando por forte  desordenamento dos espaços urbanos. Cheguei a subir um morro próximo à Alcalis para ver a paisagem e acabei vendo indícios de domínio por facção de traficantes. Sem as receitas de impostos da fábrica, o novo município teve muitas dificuldades. Hoje a realidade parece estar mudando para melhor.

A Praia dos Anjos, onde costumava acampar, ficou sem praticamente uma casuarina, tamanha a devastação de ocupação por bares, estacionamentos, etc. Felizmente, o Pontal do Atalaia está razoavelmente preservado, garantindo vistas maravilhosas e praias de areias muito brancas. A Praia do Forno também está intocada por ser área militar.

Na Prainha praticamente foram expulsos todos os pescadores para dar lugar a prédios de veraneio. A Praia Grande, que tinha dunas e era o cenário de um por-do-sol belíssimo, agora tem uma avenida asfaltada batizada de Orla Flávia Alessandra em homenagem à atriz que nasceu lá. Ela não foi à inauguração, talvez por saber que é ilegal atribuir nomes de pessoas vivas a bens públicos.

Feriados fazem de Arraial um verdadeiro inferno. Cada casa ou apartamento alugado comporta mais de 10 pessoas, inchando a cidade. Não há espaço para tantos carros, a exemplo de Cabo Frio, no caso, a matriz do inferno por falta de infra-estrutura para tanta gente. Passadas essas datas de muvuca, Arraial volta a ser pacata, como vi na semana passada.

Velhos problemas, como o monopólio do transporte pela 1001, dificultam a vida de quem quer fazer turismo por lá, levando cerca de 3,5 horas da Rodoviária Novo Rio até a cidade, parando em tudo que é cidadezinha do caminho, quando de carro, fora de temporada, se faz no máximo em 2 horas o percurso pela Via Lagos, onde há um dos pedágios mais caros do mundo.

Apesar dos pesares, vale muito a pena conhecer e ficar por lá descansando, passeando a pé, fazendo os passeios de barco. A natureza continua deslumbrante, e as pessoas continuam simples e solidárias, como no incrível episódio que aconteceu nesta segunda-feira na Prainha, quando 30 golfinhos encalharam na praia e foram salvos pelas pessoas que ali estavam, numa operação rápida e eficiente, espontânea. Veja o vídeo neste link.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ekmMD8oYtJ0#!

Mais sobre Arraial e adjacências em
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/arraial-do-cabo-rj-prainhas-do-atalaia.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/arraial-do-cabo-rj-museu-oceanografico.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/cabo-frio-rj-praia-do-foguete.html
Prainha - Arraial do Cabo - 1976


 Anexei ao post uma rara foto da Prainha, que tirei em 1976, mostrando as poucas casas, prédios e o morro praticamente limpo. Também tem outra da Prainha vista do mar, mais outras da praia, que tem ótimos restaurantes para quem gosta de comida do mar. Talvez os melhores de Arraial.