Frequentei Arraial do Cabo desde quando era distrito de Cabo Frio, hoje município emancipado. Na década de 70 era "point" de hippies e simpatizantes. A atividade econômica era baseada na fábrica da Alcalis, que produzia barrilha, essencial para a fabricação de vidro, no centro de pesquisas do mar da Marinha (que mantém um Museu Oceanográfico na cidade) e no Porto do Forno. No mais, uma vila de pescadores com turismo de jovens que acampavam nas suas praias.Há alguns anos estive por lá e vi a fábrica da Alcalis fechada, vítima da privatização em 1995, e da má-gestão posterior. Com o fim da fábrica, Arraial virou uma grande favela, passando por forte desordenamento dos espaços urbanos. Cheguei a subir um morro próximo à Alcalis para ver a paisagem e acabei vendo indícios de domínio por facção de traficantes. Sem as receitas de impostos da fábrica, o novo município teve muitas dificuldades. Hoje a realidade parece estar mudando para melhor.
A Praia dos Anjos, onde costumava acampar, ficou sem praticamente uma casuarina, tamanha a devastação de ocupação por bares, estacionamentos, etc. Felizmente, o Pontal do Atalaia está razoavelmente preservado, garantindo vistas maravilhosas e praias de areias muito brancas. A Praia do Forno também está intocada por ser área militar.Na Prainha praticamente foram expulsos todos os pescadores para dar lugar a prédios de veraneio. A Praia Grande, que tinha dunas e era o cenário de um por-do-sol belíssimo, agora tem uma avenida asfaltada batizada de Orla Flávia Alessandra em homenagem à atriz que nasceu lá. Ela não foi à inauguração, talvez por saber que é ilegal atribuir nomes de pessoas vivas a bens públicos.
Feriados fazem de Arraial um verdadeiro inferno. Cada casa ou apartamento alugado comporta mais de 10 pessoas, inchando a cidade. Não há espaço para tantos carros, a exemplo de Cabo Frio, no caso, a matriz do inferno por falta de infra-estrutura para tanta gente. Passadas essas datas de muvuca, Arraial volta a ser pacata, como vi na semana passada.Velhos problemas, como o monopólio do transporte pela 1001, dificultam a vida de quem quer fazer turismo por lá, levando cerca de 3,5 horas da Rodoviária Novo Rio até a cidade, parando em tudo que é cidadezinha do caminho, quando de carro, fora de temporada, se faz no máximo em 2 horas o percurso pela Via Lagos, onde há um dos pedágios mais caros do mundo.
Apesar dos pesares, vale muito a pena conhecer e ficar por lá descansando, passeando a pé, fazendo os passeios de barco. A natureza continua deslumbrante, e as pessoas continuam simples e solidárias, como no incrível episódio que aconteceu nesta segunda-feira na Prainha, quando 30 golfinhos encalharam na praia e foram salvos pelas pessoas que ali estavam, numa operação rápida e eficiente, espontânea. Veja o vídeo neste link.http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ekmMD8oYtJ0#!
Mais sobre Arraial e adjacências em
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/arraial-do-cabo-rj-prainhas-do-atalaia.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/arraial-do-cabo-rj-museu-oceanografico.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/cabo-frio-rj-praia-do-foguete.html
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| Prainha - Arraial do Cabo - 1976 |
Anexei ao post uma rara foto da Prainha, que tirei em 1976, mostrando as poucas casas, prédios e o morro praticamente limpo. Também tem outra da Prainha vista do mar, mais outras da praia, que tem ótimos restaurantes para quem gosta de comida do mar. Talvez os melhores de Arraial.
