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quinta-feira, 6 de março de 2014

FANOAPÁ 0060 : "Se grávida pode desfilar no carnaval não precisa de privilégios em filas"

É inacreditável o que pode a mente humana cruel e sem-noção. Desta vez o perfil de extrema-direita Faca na Caveira se apropriou da imagem de uma mulher grávida de 8 meses que foi destaque numa escola de samba no carnaval carioca para difundir a seguinte "tese": "se pode desfilar, pode esperar na fila ou ficar em pé no ônibus". Claro, "no Brasil é assim".

O mais impressionante como a Falta de Noção que Assola o País - FANOAPÁ - encontra adesões de mulheres, favoráveis à supressão da legislação que assegura aos vulneráveis algum tipo de preferência. Há comentários diversos nesse sentido.

Se a mulher avaliou os riscos e resolveu desfilar, é uma questão pessoal. Se uma mulher grávida acha que pode ir em pé no trem sem  usar o assento exclusivo, vai da sua condição física e da sua opção. O que não se pode é a partir de uma exceção condenar a regra.

Torço para que essas pessoas um dia precisem de um assento preferencial e encontrem um deles mesmos fingindo que está dormindo porque acham que gestante, idoso e deficiente físico "aguentam". 

sábado, 18 de janeiro de 2014

YOUTROUXA 0072 : "Mulheres grávidas aguardam hora do parto no chão no Hospital de Base de Brasília"

A desonestidade para criar matérias comoventes está no DNA da direita. Não conseguem ganhar por argumentos, instilam o ódio para criminalizar os adversários. Mais uma farsa está circulando nas redes sociais, desta vez envolvendo mulheres deitadas no chão de um corredor, grávidas, esperando pela hora do parto.

O fato ocorreu no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, em Rondônia, HÁ QUASE DOIS ANOS, devido à falta de anestesistas em outro hospital, o que acarretou na transferência de 50 gestantes de uma só vez, superando a capacidade do hospital. Aí vem algum calhorda e diz que é no Hospital de Base de Brasília para botar a culpa no governo federal e na administração petista da capital.

Meu amigo, minha amiga, ao receber o link deste post não se ofenda. É para o bem da sua imagem. Imaginem como é danoso algum amigo receber isto de você sabendo que é uma farsa?  Pare, reflita e pense muito antes de mandar essas coisas adiante, porque há interesses poderosos em te deixar ofendido, indignado e contar com a sua inocência para disseminar o ódio fascista.

Segue a nota do Hospital de Base de Rondônia:

http://www.sesau.ro.gov.br/?p=1260

COMUNICADO: Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro

sexta-feira, 13 de abril de 2012 - 19:52

O diretor geral do Hospital de Base Ary Pinheiro, Jean Negreiros, vem a público esclarecer que durante a madrugada desta sexta-feira (13), foi surpreendido, com a entrada de um grande número de gestantes, num total de 50, advindas da Maternidade Municipal Mãe Esperança. Segundo informações, elas deram entrada, relatando que foram orientadas a procurar o HB, em virtude da falta de anestesistas na Maternidade Municipal de Porto Velho, para os procedimentos necessários às parturientes.
Faz-se necessário informar que em momento algum o Hospital de Base foi informado por representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) sobre a circunstância. Tal situação gerou uma demanda, que por ser inesperada e acima da normalidade ocasionou uma falta temporária de leitos.
A Maternidade do Hospital de Base está preparada para atender casos de alta complexidade. Os partos comuns e rotineiros são de responsabilidade da Maternidade Municipal.
Até as 11h30 desta sexta-feira, nenhuma autoridade municipal de saúde havia contatado a direção do Hospital de Base e apesar das gestantes continuarem chegando a grande número, elas estão sendo atendidas. As equipes médicas e de enfermagens foram reforçadas e não há mais pacientes pelo chão.
Nas fotos que circulam pela mídia são nítidas a presença de cadeiras de rodas disponíveis e embora não sejam adequadas, são um apoio e oferecem conforto.
A responsabilidade deste desserviço às grávidas de baixa e média complexidade é da Secretaria Municipal de Saúde. O diretor geral do Hospital de Base, garante que no momento não há gestantes no chão e que até os sofás do seu gabinete foram removidos para a clínica de obstetrícia para acomodar mais gestantes que possam dar entrada no Hospital de Base.
Informa ainda que às 12h15, por ordem do Secretário de Estado da Saúde, Gilvan Ramos, buscando solucionar a questão, determinou o envio de dois anestesistas do Estado para realizar os procedimentos na Maternidade Municipal até as 8h da próxima terça-feira (17), prazo hábil para que a Semusa possa tomar as providências necessárias.

domingo, 1 de dezembro de 2013

BRASIL VIRA-LATAS 0016 : "Padrão FIFA não dá certo porque isto aqui é Brasil"

Toda vez que ouvir alguém decretar que "Isto aqui é Brasil..." pode ter certeza de estar diante de alguém querendo passar por cima do direito alheio ou de algum omisso justificando não poder fazer nada diante do esbulho alheio.

 Nos metrôs e trens é comum saudáveis sentados nos assentos prioritários para gestantes, idosos, deficientes, etc. Todos dormindo profundamente, mas estranhamente acordando quando as suas paradas chegam. As pessoas cutucam para que acordem para dar lugar a alguém que necessite, e nada... Às vezes acordam oferecendo impropérios e ameaças, com a afirmação definitiva que não vão levantar dali, que não aceitam tal regra, e que ... isto é Brasil.

Um dos legados que a Copa poderia nos legar seria uma elevação na qualidade do relacionamento entre pessoas, na educação, no respeito mútuo, provocada por uma série de exigências embutidas no chamado "Padrão FIFA", tão odiado por quem confunde os gastos sem prioridade com obras de estádio com a possibilidade de sairmos do evento melhor que antes em diversos aspectos. E por oportunistas que não querem mudar a realidade de péssima civilidade que temos no cotidiano.

Na contestação à Copa, no que tange aos estádios caros naquela lógica medíocre do "poderia estar construindo hospitais ou escolas", o Padrão FIFA também está sendo enterrado. Um exemplo é o Maracanã. Noutro dia fui comprar ingresso e a própria pessoa que orientava a fila me disse que apesar do ingresso numerado, aquilo não estava valendo.

O direito à "bunda numerada" é um avanço em relação à lei do mais forte que impera na maioria das relações interpessoais. Não raramente vejo crises nos aviões porque pessoas simplesmente ocupam as janelas sem respeitar numeração de assentos, às vezes com desdobramentos em barracos quando o prejudicado pede mediação dos comissários.

Em relação aos estádios, uma amiga quase foi agredida ao querer fazer valer o que estava escrito no ingresso, ou seja, o direito a uma cadeira no setor x, fileira y, número z. Ao chegar ao local um homem disse que ela fosse para outro lugar porque não se levantaria dali. Ponto final. Ela recorreu às pessoas da organização, que a princípio tentaram dissuadi-la da idéia de comprar a briga, oferecendo-lhe um lugar cativo de pessoas com necessidades especiais.

Ocorre que a torcida fica a maior parte do tempo em pé, e perde-se a visibilidade nesse local. Ela voltou à carga e exigiu se lugar. O homem quase a agrediu e a quem tentava auxiliá-la. Veio a sentença que tudo justifica : "Minha senhora, isto aqui é Brasil, essa coisa de assento numerado é coisa da FIFA para jogo de Copa". Com o apoio de outros torcedores, que viram o episódio de truculência se arrastar, o homem acabou cedendo e ela conquistou enfim o seu espaço. E o usurpador saiu sendo sacaneado pelos demais.

Interessante é que nunca na história deste país tantas pessoas das diversas classes sociais viajaram ao exterior vendo bons exemplos de disciplina e educação entre as pessoas, mas ao chegarem por aqui alguns se esquecem de tudo. E são os primeiros a reclamar "dos outros". Já vi chegada de vôo internacional com gente correndo para formar fila dupla para levar vantagem no despacho de malas na conexão. E acho que todo mundo tem um caso a contar. O importante é que fazer valer tais direitos é mais uma tarefa do cidadão que das autoridades, e muitos conflitos haverá até que se imponha o direito sobre a truculência.