Vale a pena conferir o clipe do músico Leandrade, "Flamengo Eternally", onde adapta e verte para o inglês o hino do Flamengo de autoria de Lamartine Babo, misturando samba, blues e funk, com um resultado muito bom, em especial para "the red n' black nation". Vai fazer sucesso. Veja em http://www.youtube.com/watch?v=weL5SO6i9xI. A maior torcida do mundo merece.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Emir Sader : As ilusões da esquerda
Gostei muito do artigo "As ilusões da esquerda", do sociólogo Emir Sader. Detona o catatrofismo de setores de esquerda cuja visão de história é mecânica, a partir de leituras equivocadas de Marx. Para essas visões, a recente crise econômica é o velório do capitalismo, que será sucedido pelo socialismo como se fosse obrigatória essas substituição, quase de forma mágica. E ainda caracterizam o governo de Lula como apenas mais um do neoliberalismo, e que deve ser radicalmente combatido, mais até que os da direita, porque estaria enganando a esquerda e dificultando a marcha inexorável da história rumo ao socialismo. Esse discurso sectário acaba servindo de reforço à crítica de terra arrasada da direita.
Vale a pena ler o artigo no blog de Sader . E a entrevista dele no JB. No início de 2009 lançou o livro "A Nova Toupeira: Os Caminhos da Esquerda Latino-Americana", onde analisa as novas tendências políticas após a derrota das experiências neoberais. Não li, mas, pelo conjunto da obra, deve valer a pena.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Taxa assistencial : denúncia de centrais sindicais à OIT
CUT, Força Sindical e outras centrais sindicais brasileiras apresentarão à Organização Internacional do Trabalho (OIT), da ONU, denúncia de interferência indevida do Ministério Público do Trabalho na organização sindical. O MPT tem se colocado contra a cobrança da chamada "taxa assistencial" os trabalhadores não-sindicalizados. Esse valor normalmente é debatido e votado em assembléias a título de cobrir custos com as campanhas salariais. O MPT alega que o trabalhador não-sindicalizado não pode pagar algo imposto por uma entidade à qual não está filiado.
A sustentação de entidades sindicais livres passa pela identificação dos trabalhadores com a disposição política das suas representações em defender seus interesses. Nenhuma organização sobrevive sem receitas maiores que as despesas, daí ser obrigação do filiado pagar mensalidades para sustentar o seu sindicato, algo da ordem de 1% do salário ou algum valor fixo estipulado em assembléia. Além disso, os sindicatos de base recebem 60% do valor da Contribuição Sindical (antigo Imposto Sindical) paga por todos os trabalhadores de sua base, filiados ou não. Esse imposto é cobrado sobre a folha salarial todo mes de março e equivalente a um dia de trabalho.
Já a Taxa Assistencial é cobrada dos trabalhadores ao final das campanhas salariais, como forma de recompor os cofres dos sindicatos após os grandes gastos da mobilização. Sindicatos bem administrados e identificados com os interesses dos trabalhadores conseguem empatar os gastos correntes mensais com as receitas de mensalidades e fazer da Contribuição Sindical um recurso para investimentos ou campanhas.
Dependendo da categoria e da qualidadade do sindicato, o custo de uma campanha salarial com a realização de congressos, propaganda, negociações e apoio a piquetes pode representar um impacto muito alto nas finanças sindicais, não cobertos pelas contribuições mensais, o que exige aporte de mais recursos e justifica a Taxa Assistencial. Uma grande greve duradoura pode falir um sindicato.
O sucesso na conquista da pauta de reivindicações não deve ser atrelado à contribuição extra, já que há situações onde a conjuntura não permite grandes ganhos, mesmo com uma mobilização forte e radicalizada. Já vi greves derrotadas onde o reconhecimento da categoria com o empenho da entidade trouxe grandes doações. O contrário também acontece, quando campanhas onde há "ganhos reais" não satisfazem os trabalhadores, que entendem que poderiam conquistar mais se a direção sindical se identificasse mais com os seus objetivos. O resultado é a romaria que fazem aos sindicatos para entregar as cartas de negação das contribuições.
Sindicatos dirigidos por oportunistas, carreiristas em busca de estabilidade e liberação do trabalho e por lacaios dos patrões ou do governo não conseguem manter uma grande quantidade de filiados, desequilibrando as contas, mesmo porque criam mordomias para os dirigentes que aumentam os custos. Como essas entidades inúteis para as categorias também não conseguem fazer grandes mobilizações, não têm respaldo político para convencer os trabalhadores a pagar a Taxa Assistencial, daí buscarem a imposição como forma de garantir o recurso desatrelado da luta sindical.
No caso dos bancários, as assembléias normalmente aprovam percentuais de desconto a título de fortalecer as entidades, aplicáveis a filiados ou não, e dão um prazo para que os trabalhadores manifestem seu desacordo com a contribuição, o que permite que a direção sindical seja avaliada pelo seu desempenho nas campanhas salariais. A contribuição é facultativa, e apela para a necessidade de manter a força das entidades. Considero essa a forma mais correta, pois obriga a direção sindical a mostrar empenho. Em outras categorias as contribuições são impostas em assembléias de fachada, de forma compulsória, e servem para sustentar uma casta de burocratas sindicais parasitários dos trabalhadores.
A organização sindical deve ser independente dos Estados, governos e partidos, e autônoma na sua sustentação. No Brasil isso não acontece, pela imposição da Contribuição Sindical, que sustenta uma estrutura de federações e confederações oficiais sem controle dos trabalhadores de base. As centrais sindicais estão certas em exigir que o Ministério Público do Trabalho não venha a interferir em assuntos de livre organização sindical, mas erram quando tentam impor a Taxa Assistencial de forma não-voluntária, criando um novo imposto.
Dia de São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo
Na mitologia católica romana, São Judas Tadeu é o santo patrono das causas perdidas e desesperadas, sendo a sua festa litúrgica em 28 de outubro. No Rio, a igreja dedicada ao santo fica no Cosme Velho, e teria sido construída com grande apoio dos rubronegros a partir dos apelos do Padre Góes, flamenguista sadio, tendo se convertido ao longo do tempo em local sagrado para romarias da maior torcida do mundo.
Muita gente acredita que essa devoção tenha sido a responsável pelo Flamengo ser o único time carioca que nunca frequentou a segunda divisão no futebol. Coincidentemente, hoje terá uma rodada do Campeonato Brasileiro onde uma conjugação de resultados quase impossível pode deixar o Flamengo na liderança, bastando "apenas" que os times à sua frente na tabela tenham maus resultados e que ganhe do Barueri por mais de 3 gols. Da parte do Mengão a meta é possível pela qualidade do time. Para os outros resultados, haja fé.
Possivelmente a festa do santo contará com a presença maciça das torcidas do Botafogo e do Fluminense, desesperadas com a possibilidade de novamente verem seus times sofrerem as agruras da segunda divisão, de onde o Vasco já está emergindo com mais reza que futebol.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Bolsa Família : Globo ataca novamente
Manchete principal de O GLOBO de ontem: "Bolsa Família inibe expansão de emprego formal no interior". Subtítulo: "Em cidades onde o programa beneficia 71% das famílias, trabalho chega a 1,3% da população". Na página 3, a matéria da jornalista Regina Alvarez, é explícita na negação do que se lê na capa: " A precariedade do emprego formal nessas cidades - municípios pobres, com população abaixo de 30 mil habitantes - não tem relação direta com a concessão do Bolsa Família. Existem barreiras anteriores ao programa que impedem o acesso dos trabalhadores aos empregos: a baixa escolaridade e a falta de capacitação profissional. As parcas vagas com carteira assinada exigem ensino médio".
Mais adiante, a matéria dá uma visão mais global do problema na cidade de Presidente Vargas (MA) : "Não é só emprego formal que falta em Presidente Vargas: faltam estradas, infraestrutura, presença do estado e da iniciativa privada na geração de emprego". Procurei mais no Google com as palavras "presidente vargas ma" e a única notícia que apareceu na primeira página foi a condenação de um ex-prefeito pelo TCU por falta de prestação de contas de verbas de educação. Não é o Bolsa Família o inibidor dos empregos formais. Falta de tudo por lá.
O fato de 80% das famílias estarem enquadradas no Bolsa Família também se deve à grande obra dos Sarney, que fizeram do Maranhão um dos estados de população mais miserável do país, mesmo com grandes riquezas em potencial. Tirar qualquer conclusão estatística para o país baseada no interior do Maranhão é uma perigosa extrapolação. A amostra é ruim. Apesar da matéria da página 3 estar próxima das minhas impressões sobre a realidade do interior do Nordeste, quem fez o título aproveitou a oportunidade para tirar uma casquinha e dar porrada no Bolsa Família. A manchete de capa não tem nada a ver com a matéria. O jornalão já foi melhor nisso. Desta vez, nem botaram as "Cartas dos Leitores" para repercutir o assunto.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Lula : alianças de Jesus aos romanos
Lula não perde a oportunidade de criar contra si polêmicas desnecessárias através das suas parábolas. Tentando justificar a existência de contradições em sua base de apoio, falou que se Jesus viesse para cá teria que se aliar até a Judas para governar. Aí entrou a CNBB no caso, falando que Jesus não se aliou nem aos fariseus , ortodoxos judaicos, ferrenhos opositores do cristianismo, nem aos aristocratas saduceus, revisionistas em relação aos preceitos judaicos. E a mídia fazendo o estrago possível entre a população católica.
Se Lula falasse que as alianças teriam que ser de avestruz a vaca, cairiam de pau nele dizendo fazer apologia à contravenção do jogo do bicho. Se dissesse que a governabilidade exigiria uma verdadeira arca de Noé, com tudo que é bicho dentro, também diriam que estava chamando político de bicho e tome críticas dos procuradores do patrimônio bíblico. Bastava dizer que é complicado governar, porque precisa ter maioria no legislativo e isso é conseguido com alianças mesmo que incoerentes com a história política dele, com os 300 picaretas que um dia denunciou.
Cristo defendeu idéias que lhe renderam perseguições pelas elites da Palestina e pelos romanos, que dominavam o Oriente Médio há séculos e mantinham uma política de aliança com a classe dominante local. Se formos levar a fundo a sua analogia, ele estaria se comparando a Jesus mas a referência a Judas seria inadequada, pois este era seu discípulo e o traiu entregando-o aos romanos. Não me lembro de algum petista que tenha o tenha traído de forma similar, entregando-o às forças de ocupação estrangeira.
Em termos de base aliada, Lula já foi bem além do que disse : aliou-se tanto às elites locais como ao capitalismo das superpotências. Para completar o "embroglio", Dom Dimas Barbosa, secretário-geral da CNBB, ao falar de fariseus e saduceus que não estavam no discurso de Lula, quis referir-se às práticas políticas dos partidos, e também vai levar seu troco, pelo menos dos fariseus.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Rio: Quem confia na Polícia?
Imagens gravadas mostraram ontem o assassinato de um dos coordenadores do Movimento Afroreggae por dois homens, que em troca da sua vida levaram um par de tênis e sua carteira. Na cena seguinte, um carro da PM passa por eles na mesma rua estreita onde o corpo do homem jazia no chão, faz a abordagem e um policial aparece entrando no carro com o tênis roubado, sem dar assistência à vítima e deixando os criminosos irem embora. Esse é um exemplo de maus policiais que mancham toda a imagem da corporação, prejudicando a relação com a sociedade
A vigilância comunitária é uma experiência de bons resultados no mundo, a exemplo do "Neighbourhood Watch" inglês. O cidadão é encorajado a relatar atitudes suspeitas, crimes e vandalismo às autoridades policiais locais, que mandam efetivos para investigar. Vi um exemplo desse tipo de relacionamento cidadão-polícia na pequena cidade americana de Key West, quando parei o carro numa rua residencial secundária para arrumar as coisas dentro do carro, com mulher ao lado e uma criança dormindo, e, em poucos minutos, uma patrulhinha veio nos abordar para saber o que fazíamos ali. Depois foi que vi a placa no poste indicando que naquela área funcionava um sistema de vigilância de vizinhança. Algum paranóico de plantão achou tudo muito suspeito...
Como crer na polícia? Um amigo tentou comunicar à polícia um sequestro relâmpago, seguindo o carro com a vítima. Tinha visto 3 pessoas entrarem no carro ao lado do seu, com arma na cabeça do motorista, e acabou perdendo o carro de vista porque a polícia deu mais prioridade à identificação do denunciante que ao fato em si. Levou uns 15 minutos até registrar a ocorrência. Coincidentemente, dois dias depois viu no jornal que a quadrilha tinha sido presa numa favela próxima ao local informado. Pode ter sido a sua informação que levou à solução do crime.
Nesta semana passei num local público de bastante afluxo e vi um bar com umas 8 máquinas caça-níqueis. É uma daquelas situações onde a coisa é tão escancarada que só a corrupção policial pelo pagamento de proteção pode justificar. Como falar com a polícia que pega os teus dados e ao mesmo tempo protege o criminoso? Isso está na raiz da Lei de Murici (cada um cuida de si) que implica no "não sei, não vi, não ouvi" que a gente vê na TV toda vez que se tenta entrevistar alguém quando acontece um crime. Por outro lado, a polícia tem razão de tentar saber um pouco mais sobre o denunciante, porque tem um bando de desocupados que passam trotes e geram falsas ocorrências, minando o esforço policial. Essa sacanagem também é muito frequente com o Corpo de Bombeiros e o serviço 192, e ninguém é preso por esse tipo de crime.
Jogar milhões de reais em armamentos e novos policiais mal remunerados equivale a combater a miséria do Nordeste dando dinheiro aos coronéis da indústria da seca. Hoje a polícia carioca entra em ação provocada ou por uma comoção como a da queda do helicóptero no Morro dos Macacos, de repercussão internacional, ou em autodefesa, já que os bandidos matam policiais à paisana se os identificarem. Apenas 4% dos homicídios são elucidados no Rio, enquanto em São Paulo o índice é de 65%, refletindo a falta de polícia técnica e fomentando a impunidade. Na comparação também é patente que no Rio a polícia mata muito e prende pouco, com a relação de mortos por presos na ordem de 3 vezes a de São Paulo, para um mesmo contingente policial "per capita". Quem pode confiar nessa polícia?
CPI do MST : Pizza rural ou CPI do Campo?
Enfim o latifúndio conseguiu abrir a CPI do MST. Bois devem ser sacrificados em churrascos de comemoração em algumas sedes de fazendas improdutivas, já que o feito é histórico e demandou uma ampla campanha de mídia para forçar os parlamentares a assinarem a CPI. O objetivo da bancada do atraso ruralista é travar a reforma agrária, fortalecer o agronegócio extensivo em detrimento do pequeno produtor, e criminalizar a organização dos trabalhadores, como disse o deputado Ivan Valente (PSOL).
Passada a euforia, a bancada do latifúndio e do desmatamento vai perceber que a CPI pode ter o fim da já esquecida CPI da Petrobrás, onde não mandaram nada, e acabaram fazendo muito alarde e pouco estrago ao governo. Sem o controle da CPI, a vida mostra dois caminhos possíveis: uma investigação burocrática dos repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao MST ou o tiro na culatra, com a ampliação do foco para os baixos índices de produtividade de setores do agronegócio que agora lutam contra a sua elevação, o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, os transgênicos, a grilagem de terras, a escravidão de trabalhadores rurais, a criação de milícias armadas e o assassinato de lideranças rurais e mais um monte de mazelas creditadas aos grandes donos de terras.
Eu aposto mais na pizza em fogão de lenha feita na roça, já que o governo tem maioria e a bancada ruralista não vai dar oportunidade de ver questionados os privilégios que adquiriu ao longo de quase 500 anos de subsídios sem a contrapartida de modernização e produtividade, acumulando terras para especulação e enriquecendo com o modo de produção escravagista que vige até hoje. E o ruralistas ainda podem ter uma reação mais forte do movimento pela reforma agrária, já que mais da metade do que se fez até hoje em termos de distribuição de terras foi no governo Lula.
Guerra do Rio : traficante é inquilino?
O Morro dos Macacos continua sob domínio de uma facção criminosa. Os invasores, ou "alemães", na gíria carioca (para ser mais exato, fala-se "os alemão") foram rechaçados e agora a ação policial se resume a procurar quem derrubou o helicóptero da PM, matando 3 policiais. Diversas comunidades estão sendo vasculhadas, e o policiamento ostensivo foi retirado dos acessos ao morro. Escolas da região ainda estão sem aulas, com a insegurança.
Fica a pergunta: quem chamou a polícia na madrugada do sábado, durante a invasão? No Rio, não existe comunidade sem poder paralelo. Se o traficante sai, entra a milícia, grupo de criminosos oriundo das polícias, bombeiros, forças armadas, que cobram proteção e um "mix" enorme de produtos e serviços de extorsão. No Morro dos Macacos, e no vizinho Morro São João, a polícia não retirou os "inquilinos", apenas apartou a briga, e logo tudo voltará ao "normal": polícia no quartel, bandido no tráfico, fazendo o papel do estado no território dominado.
Fazer Unidade Policial de Pacificação no Morro Dona Marta é relativamente fácil. Comunidade pequena, isolada, quase um apêndice de Botafogo, com poucos acessos e com acesso a uma das melhores paisagens do Rio. São necessários poucos efetivos policiais e logo a classe média e o turismo tomará essas áreas dos atuais pobres, com a compra de imóveis regularizados. Difícil é a Cidade de Deus, que consome quase 600 policiais, onde ainda há focos de tráfico por ter muitos acessos. Ou o Complexo do Alemão, onde a polícia não entra há um ano para não prejudicar as obras do PAC, num daqueles acordos com a facção criminosa inquilina do pedaço que a gente se acostumou a ver desde o governo Brizola I .
Mesmo paliativa ou ação de vitrine, a instalação de uma UPP em todo Morro do Macaco, Morro São João e no vizinho Morro do Encontro, que também domina o vale da estrada Grajaú-Jacarepaguá e o acesso à zona norte pela R. Barão de Bom Retiro seria uma demonstração de soberania territorial do estado. Não se pode dizer que a polícia agirá para evitar novas invasões, como se a bandidagem existente fosse inquilina ou tivesse adquirido a área por usucapião. Tem que ocupar e ficar, e assim fazer em todos os pontos próximos a mercados onde a droga consegue melhores rendimentos, para estrangular o tráfico pela queda nas receitas. Afinal, só existe todo esse problema porque os consumidores têm acesso aos pontos de venda.
Agripino : Brasil na zona de rebaixamento?
Perfeitamente perdível o artigo do senador Agripino Maia do DEMo no jornal O Globo de hoje. Diz que o Brasil patina com a estagnação do Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), que o governo Lula fez menos investimentos que FHC e vem aumentando a despesa pública com queda de receita, e conclui magistralmente que ficamos atrás de Honduras no crescimento entre 2002 e 2008, com 38,4% contra deles contra 26,4% nossos.
Com essa comparação a um país de economia tão diversificada e pujante da América Central, de elevado PIB, democrático para os seus valores e de IDH significativo, Agripino diz que estamos indo para a zona de rebaixamento do mundo. Acho que se acostumou a ler notícias esportivas apenas do ABC de Natal, e deve estar achando que o Palmeiras, por ter perdido 3 partidas seguidas, na liderança da Série A, vai se encontrar na segundona ou na terceirona com ele.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Lendo a mente da Globo
No filme "Homens de Preto", um departamento secreto era responsável pelo relacionamento com os alienígenas na Terra, que estavam disfarçados entre a população civil usando formas humanas, tudo cadastrado e pacífico. Para buscar evidências de novas chegadas de extra-terrestres ou de delinquência entre os já cadastrados, seus agentes consultavam os tablóides sensacionalistas e suas notícias aparentemente fantásticas sobre OVNIs e fenômenos surreais.
Faço o mesmo com as Cartas dos Leitores do principal tablóide sensacionalista da direita, o jornal "O Globo", uma das faces impressas do chamado PIG - Partido da Imprensa Golpista, atrás de saber o que se passa na mente dos "capas-pretas" (membros da cúpula dirigente) que criam as versões das notícias que a gente consome. A partir de longa observação, notei que existe uma forte correlação entre as Cartas e o conteúdo das campanhas de lobby e de oposição política da empresa jornalística.
Cuidadosamente selecionadas, as cartas complementam o editorial e a pauta oposicionista que o sistema Globo tenta impor como poder paralelo. Hoje temos 3 temas ocupando 60% da página seis, indicando a importância dos temas pela sua concentração: "Em Campanha", onde se reforça a necessidade de punir Lula e Dilma por viajarem às obras do PAC e de esclarecer os gastos com o deslocamento; "Taxar capital", onde se acusa o governo federal de ceder ao lobby dos exportadores, prejudicando a população com a desvalorização do real com o aumento dos preços dos produtos importados, e de ameaçar taxar minérios e de estar criando novas taxas para dar empregos a petistas; "A guerra do Rio", esculachando as autoridades e tentando opor o governo do Rio ao federal no episódio do Morro dos Macacos, além de reforçar a tendência segregacionista que cria o estereótipo das comunidades pobres serem escolas de bandidos e de genocídio contra todos os que ali se encontram.
Aí você vê o Bom Dia Brasil, o telejornal local daGlobo, o jornal popular Extra, da mesma empresa, e o Em Cima da Hora, na Globonews, e tudo fica redundante. Acima da pauta editorial de cada veículo há a estratégia política da empresa, que deve ser considerada em cada um dos seus meios de comunicação. Na falta de uma oposição congressual competente, legitimada por valores morais sólidos de representantes ilibados, a família Marinho ocupa os espaços com esse império de informações cujo poder de articulação e alcance supera o de todas as instituições da sociedade civil, fazendo da competência técnica e de eventuais campanhas de cunho social as qualificações para a sua confiabilidade.
A eficiência em tempo real e praticamente onipresente da Globo pode fazer o sucesso ou a desgraça instantânea de pessoas, instituições públicas, políticos e empresas. É o "Big Brother" do livro "1984"de George Orwell, e elite autoritária que tudo vê modifica e intervém na história ao sabor dos seus interesses. Aos demais meios de comunicação resta a repercussão dos fatos criados pelo grupo líder. Aos governantes, criar fortes assessorias de imprensa para responder no varejo o que a Globo espalha ao vento. À cidadania, a perplexidade em meio ao tiroteio de versões, sem condições de conhecer a verdade.
Já que ninguém consegue fazer nada para limitar o seu abusivo poder, saber o que eles pensam, o que eles querem e para onde querem nos levar pode ser importante para enxergar um pouco de realidade e construir opiniões descontaminadas do senso-comum imposto pela comunicação de massas..
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Truculência tucana : Aécio vai demitir grevistas
Interessante a mídia brasileira. Vi a matéria "Governo de Minas vai demitir agentes penitenciários em greve" no Globo e pesquisei no Google outras fontes com as palavras "Aécio" e "Greve". Não apareceu nada sobre o assunto. Quando coloquei "governo minas" no lugar de "Aécio" apareceu tudo. Nessas horas, Minas não tem governador. É que nem em São Paulo, que os noticiários mostram todas as mazelas de tráfego, inundações, violência e desordem urbana diariamente e as palavras "Serra" e "Cassab" parecem excluídas dos manuais de redação.
O fato é que os tucanos não aceitam desafios ao poder, partindo dos trabalhadores. Assim foi com os 8 anos de congelamento salarial na era FHC. Terceirizam tudo para adquirir mais poder de demitir em caso de greve, além de rebaixar salários, deixando para governos como o de Lula a tarefa de recompor a máquina estatal. A greve dos agentes penitenciários é legítima. Dos 14 mil trabalhadores, hoje 11 mil sáo temporários. Querem melhores condições de trabalho e a volta do tiquete-refeição cortado por Aécio em abril, a pretexto de queda de arrecadação com a crise. Deve ter sido para não parar as obras faraônicas da Neveslândia, novo centro administrativo mineiro que pretende ser usado para mostrar Aecinho como "empreendedor moderno" nas próximas eleições.
Lula arrocha a Vale por investimentos
A Vale é uma empresa privada, por obra e graça de FHC, que a vendeu a preço vil. No bloco que a comprou, e constitui a Valepar, que dirige a empresa, estão os fundos de pensão do BB, CEF e Petrobrás com 49% do controle. Isso não dá maioria, mas deve ser considerado na hora da estratégia da empresa, que tem sido de olhar apenas para o lucro sem considerar a maximização dos resultados para o país, como a geração de empregos. Com a crise, a Vale demitiu, fechou unidades e suspendeu investimentos, enquanto o governo, via Petrobrás e PAC, vem fazendo grande esforço para fazer o país sair da crise em posição de vantagem.
Fundo de pensão não deveria estar na conta do governo, mas a legislação suprime o poder dos funcionários no comando e dá às empresas controle da governança, fazendo-os, na prática, ser apêndices do poder governamental. Foi assim no governo FHC, quando esse mandou comprar ações das empresas em privatização, e agora no governo Lula, tem mais ingerência nos negócios das empresas participadas. Já que a coisa funciona assim, com o governo contabilizando como seus os 49% do controle, o bloco majoritário, apesar do poder sobre os destinos da empresa, não pode agir como se do outro lado houvesse uma participação acionária pulverizada, sem poder de pressão. Tem que ouvir e ponderar o que o outro lado fala, a bem da governança.
Lula disse que o presidente da Vale fica confortavelmente sentado num escritório com ar condicionado, deixando de trabalhar para agregar valor às "commodities" que exporta, enquanto os demais setores da economia ralam para crescer e ganhar espaços internacionais. O mercado e seus alto-falantes da mídia choram com as cobranças, pois entendem que empresa privada deve se preocupar com os lucros e lixar-se para as demandas sociais, que entendem suprir apresentando em belas páginas de balanço a participação em projetos paliativos na área social.
Em países capitalistas avançados os governos estabelecem relações de parceria com algumas empresas estratégicas para ganhar mercados, e isso exige contrapartidas do lado privado, já que do lado público, a princípio, a visão é social. Exigir que empresas atuem no esforço do país e não apenas para os lucros dos acionistas é papel do governo, e isso não é intervenção. Faz parte da soberania, coisa que os mercadejantes não sabem mais o que é.
Taxação a capital especulativo: 2% é pouco
No mundo inteiro a crise fez despencar os retornos sobre investimentos. Mais ainda: o risco sistêmico também aumentou, fazendo com que os capitalistas procurem opções que aliem alguma rentabilidade a pouca probabilidade de perda. Os países centrais do capital tinham retorno menor que os emergentes, mas aparentemente mais segurança, até o colapso do sistema bancário e da economia virtual trazendo recessão.
Nesse cenário ruim para lucros, aparece um país ocidental onde o governo intervém com efetividade na economia em crise, provocando a sua recuperação antes dos demais. E cujo presidente hoje transmite ao mundo uma imagem de confiança no Brasil e de liderança ao mesmo nível que os do antigo G-8, agora G-20. A venda da imagem de país que venceu a crise antes dos outros, aliada a altos rendimentos no mercado de ações, títulos públicos que pagam altos juros e recomendação de investimento por agências classificadoras de risco fizeram do Brasil um oásis para o capital especulativo internacional. As consequências estão aí: bolsa de valores em forte recuperação, atingindo os níveis anteriores à crise, e uma valorização excessiva do Real, trazendo problemas às exportações e ao saldo da balança comercial.
Está chovendo dólares por aqui nos cassinos da especulação. Esse dinheiro, que muito pouco contribui para a sustentabilidade da nossa economia, está participando de uma festa sem pagar ingresso. Durante vários governos se fez de tudo para pingarem uns trocados por aqui, com a criação de facilidades tributárias. O momento agora é outro. O Brasil é seguro e interessante, logo não será uma simples taxação de 2% que desestimulará os jogadores do capital internacional. Temos produto bom, escasso, e isso, na linguagem do mercado, significa que o preço deve subir.
Apesar do Risco Brasil ainda apontar para o investidor a necessidade de acrescentar aos seus cálculos de retorno mais uns 3%, o fato é que ele, na prática, não existe mais. A solidez e a segurança da economia brasileira são fortes atratores, e o lucro do investidor estrangeiro pode ser mais sangrado sem a perda da atratividade. Bom para o país, que melhora a qualidade do investimento e arrecada mais impostos para os necessários investimentos e programas sociais.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Flamengo : Libertadores é pouco
A vitória sobre o Palmeiras, atual líder da Série A do Campeonato Brasileiro, numa escalada invicta de 9 jogos, faz o Flamengo sonhar com o título. O Palmeiras, jogando um futebol medíocre, parece ter gastado todo o combustível, pode ter chegado ao topo da subida, permitindo a ultrapassagem por outros concorrentes em ascenso, como o Atlético Mineiro e o Flamengo. Ainda faltam 8 rodadas, com 24 pontos em jogo, e o título não está definido.
Vai ser uma pedreira para o Flamengo, que jogará 4 dos 8 jogos restantes fora do Rio, contra Barueri, Atlético Mineiro, Corinthians e Náutico. Em casa pegará o Santos, o Grêmio, o Goiás e o Botafogo. Se entrar no G-4 antes do dia 28 de outubro, dia de São Judas Tadeu, santo das causas impossíveis e padroeiro do Flamengo, o bicho vai pegar. Esse dia sempre foi tão importante para a definição das campanhas do Mengão que virou Dia do Flamengo no calendário da cidade do Rio de Janeiro. A igreja do Cosme Velho recebe romarias rubro-negras de todos os credos e, dependendo do desespero, até de ateus e gnósticos.
Depois de isolado pela direção do clube por ter vencido ação trabalhista, indenização e ser integrado por acordo, Petkovich foi ocupando espaços e hoje divide com Adriano a liderança na boa fase do time. Além disso, a contratação de reforços como o zagueiro Álvaro fechou a defesa, que levou 3 gols nos últimos 9 jogos, fez do Flamengo um time coeso, eficiente no apoio ao ataque. É o melhor time brasileiro da atualidade, e deve chegar ao dia 28 de outubro com mais os 3 pontos que usualmente o Botafogo fornece. É nessas horas que a nação rubronegra sente falta do Vasco, que cumpre pena na segundona, habitual fornecedor de 6 pontos fáceis ao Mengão.
Do outro lado da tabela, apesar dos cálculos de probabilidades feitos por diversos especialistas com base em previsões para os futuros confrontos e a "certeza" que 45 pontos livram alguém da segunda divisão, o que se vê é que o baixo nível dos lanternas pode fazer alguém ir para a segundona, neste ano, com menos pontos que isso. O Botafogo, que momentaneamente emergiu do G (-) 4, tem 32 pontos, apenas 6 acima do lanterna absoluto Fluminense, que tem melhorado de desempenho nos últimos jogos, e pode, a exemplo dos seis pontos que separam o Flamengo da liderança no campeonato, escapar do rebaixamento que hoje é certo.
No andar de baixo, o Vasco está a uma derrota de ser vice-campeão da segundona. O Guarani vem com tudo, marcando colado, e bastará uma bobeira do time carioca para assumir a liderança. Terminada a Copa Sub-20, o Vasco recebeu de volta seus jogadores Alex Teixeira e Souza, que perderam os pênaltis na final contra Gana e deram ao time brasileiro o vice-campeonato. Graças aos vascaínos, o Brasil agora é Sub-Vice.
sábado, 17 de outubro de 2009
Guerra no Rio : o trabalho arriscado da imprensa
Guerra no Rio : Cadê o Baiano?
No filme Tropa de Elite, após a morte de um integrante do BOPE, foi desencadeada uma caçada ao traficante Baiano, chefe do morro onde o policial foi morto. Na sua busca, o filme mostrou torturas policiais numa ação de vingança, onde "cadê o Baiano" era o bordão. No fim, o bandido é capturado e pede que não o "esculachem", ou seja, sabendo da morte certa, pede para não atirarem na sua cara para não estragar o enterro.
Essas mortes do helicóptero derrubado pelo tráfico não deverão ficar sem resposta, a depender da vontade das autoridades do Rio e mesmo do Ministério da Justiça, que ofereceu a Força Nacional, helicópteros e tudo que for necessário para uma ação que mostre ao mundo que o Rio terá condições de fazer a Copa de 2014 e as Olimpiadas de 2016 com controle territorial de todas as áreas adjacentes e acessos aos locais de competição e logística.
Como disse o Secretário de Segurança, José Betrame, quem tem que prestar contas e se preocupar com a população é a polícia, já que os criminosos fazem o que querem sem nenhuma responsabilidade. Em suma, a polícia tem que agir dentro da lei e da civilidade contra quem não respeita nada disso. Então é de se supor que haverá uma grande ofensiva policial para sufocar o poder do crime, e que não terá o ritmo lento das atuais políticas de ocupação e pacificação. Hoje foi um exemplo disso: com os bandidos cercados no Morro dos Macacos, seus aliados tocaram fogo em ônibus fora da área para dividir o esforço policial.
Uma ação mais forte pode desencadear uma reação como a do PCC em São Paulo, mostrada no filme "Salve Geral" que está nos cinemas. Resta saber se o poder público pagará o preço por uma "mãe de todas as batalhas" contra o poder paralelo do crime, ou se continuará fazendo acordos para loteamento de áreas em troca de "segurança" garantida pela bandidagem. Vamos ver o que acontecerá nas próximas horas no complexo do morro de São Carlos e no morro de São João, de onde partiram os grupos que atacaram o Morro dos Macacos.
Rio : polícia desmoralizada
Rio : a banalidade da guerra
Rio : a batalha do Morro dos Macacos
Durante toda a madrugada deste sábado um pesado tiroteio apavorou os moradores da comunidade do Morro do Macaco e os bairros adjacentes de Vila Isabel e Grajaú, no Rio de Janeiro. Uma quadrilha de outra facção criminosa, apoiada por reforços de outras favelas, tentou invadir o morro para tomar os pontos de venda de drogas, daí a luta feroz.