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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

FANOAPÁ 0055 : "Não dê esmolas, dê anticoncepcionais para os pobres"


O desconhecimento do que seja a miséria associado à crueldade criam mais um triste exemplo de Falta de Noção que Assola o País - FANOAPÁ . Pena que ainda não exista remédio para pessoas que sofrem de analfabetismo midiático.

A figura ao lado circula nas redes sociais colocando uma solução "fácil" para a pobreza: conter a "produção" de miseráveis com anticoncepcionais. Nas mentes miseráveis essa medida, associada com o genocídio dos que escaparem à eliminação no nascimento, vai trazer um mundo melhor para os demais. Essas mesmas pessoas são capazes de dizer isso e depois irem a um culto de religião que proíbe anticoncepcionais e abortos como se isso só fosse aplicado às pessoas "de bem". Ou "de bens".

Mesmo nas famílias de classe média e alta, com acesso a todo tipo de informação e uso seguro de contraceptivos, acontecem os engravidamentos indesejáveis e aí aparecem as "soluções" como abortos feitos sem higiene com grave risco à saúde das mulheres e eventuais crianças que nasçam a partir de tentativas frustradas.

A distribuição de anticoncepcionais já existe há décadas, com ou sem condenações religiosas, através de políticas públicas. A esterilização de mulheres também, com farta distribuição de DIU, etc, por entidades "beneficentes". Toda intervenção merece acompanhamento médico. A pílula pode levar até à morte por acidentes vasculares, etc.  Dar anticoncepcionais como quem oferece um doce pode ser o mesmo que oferecer veneno. Bem, isso tanto faz para quem quer ver pobre morto mesmo.

Para completar o rol da falta de noção vem a máxima: "mulheres não param de ter filhos para ficar vivendo de Bolsa Família". Diziam o mesmo no tempo que o Salário Família valia alguma coisa. Isso não é verdade. Aqui vai a conclusão de um estudo feito pela ONU e o Governo Federal que relaciona distribuição de renda e natalidade, que vale a pena ser lido na íntegra:

"O Programa Bolsa Família e a Transição da Fecundidade no Brasil

... A fecundidade mais elevada entre a população pobre, menos escolarizada, com menor nível de consumo

e piores condições habitacionais é uma realidade constatada em todas as pesquisas sobre o comportamento
reprodutivo no Brasil. A literatura mostra que, em grande parte, esta maior fecundidade se deve não apenas
à falta de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, mas também acontece em razão da falta de
perspectivas profissionais e educacionais, assim como de um projeto de vida que possibilite o progresso cultural e material destas mulheres jovens.


... Embora o Programa Bolsa Família tenha um desenho que pode ser considerado pró-natalista, na prática,

a população pobre coberta pelo Programa continua reduzindo suas taxas de fecundidade. Isto acontece em
função da reversão do fluxo intergeracional de riquezas, da redução das desigualdades de gênero e dos ganhos da inclusão social no país. A história está repleta de exemplos de que a cidadania é o melhor contraceptivo e que a efetiva autodeterminação reprodutiva contribui para o processo de mobilidade social ascendente."

O estudo associa melhoria da renda e cidadania à redução da taxa de natalidade (quantos nascem) e de fecundidade (quantos filhos uma mulher tem). Quanto à fecundidade, em 1970 as mulheres brasileiras tinham, em média, seis filhos. Hoje essa média mal chega a dois.

Seguem declarações absolutamente desprovidas de noção sobre o tema, dignas daquelas redações que os coxinhas mostram para atestar ignorância do povo:

"Só ir no posto de saúde!!Camisinhas e anticoncepcionais de graça!o q acontece é q quanto mais filhos mais dinheiro do bolsa família,mais gente pra pedir esmola!!aff povo brasileiro"

"será q ja esta gravida do 6º filho?" (referindo-se à figura)

 "Cara, é muito simples.. Se vc é pobre, não tenha filhos! Se nunca melhorar de vida, nunca tenha filhos! Meus pais não se estruturaram antes de eu nascer, por isso sou muito pobre, e ,por mais q eu corra atrás, sei que só vou chegar a uma boa condição financeira lá pelos 40 anos ou mais. Se eu fosse homem poderia ter filhos nesta idade, mas, como não sou, sei que não poderei ter filhos biológicos, este nunca foi meu sonho, mas mesmo se fosse, teria q me conformar, pois não iria colocar alguém pra sofrer nesse mundo só pra satisfazer um capricho. Quando minha condição melhorar, se eu viver até lá, talvez adote uma criança, pois o que não falta é gente escrota que põe filho no mundo sem poder criar. Tenho muita raiva disso!"

"Desculpe mas as pessoas chegam nessa situação, muitas vezes, propositalmente, justamente para ganhar benefícios e não trabalhar. Eu trabalho com Recrutamento e Seleção e já cansei de escutar candidatos falando que não precisam trabalhar pq já recebem o bolsa família. Não digo que todos chegam a esse nível, mas muitos chegam. Como já mencionaram: Anticoncepcional e camisinha vc pega gratuitamente nos postos de saúde. Não há desculpa!"

"é isso mesmo pouca vergonha,lembra do tempo dos escravos,eles tinham varios filhos,mas eram pra trabalhar e ajudar nos sustento,mas hj quem e miseravel e tem varios filhos e para perdir esmolas e sustentar o trafico de drogas e a cachaça dos pais,eita brasil."



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Brasil Vira-Latas 0013 : "Quem recebe bolsa-família não deve votar"

A direita brasileira quer nos levar à modernidade da Europa e Estados Unidos (desemprego, arrocho salarial, privatizações, destruição de direitos sociais) e ao mesmo tempo à legislação do século XIX, restabelecendo o Sufrágio Censitário, legislação que dava direito de voto apenas aos ricos. Como o programa de transferência de renda Bolsa Família vem elevando as condições de vida dos pobres e alguns acham que esse dinheiro sai dos seus bolsos, querem que os beneficiários não votem porque seriam "curral eleitoral do PT". No fundo querem mais é que pobre morra de fome. Eles ficaram apavorados quando o boato do fim do benefício levou milhões de pessoas às agências da caixa, porque é sobrevivência para muita gente.

A direita não se entende. Enquanto uns defendem essa imbecilidade, indefensável em qualquer país do mundo, ou a sua variante, a do voto facultativo esperando que o pobre não vá votar enquanto a classe média vai para a praia e esta sim não vota, o presidente do PSDB, Aécio Neves, em toda oportunidade tenta tirar uma casquinha dizendo que o programa foi criado por FHC, beneficiou milhões de pessoas e depois foi copiado pelo PT. Ou seja, no tempo de FHC não era eleitoreiro, mas depois passou a ser.

Se é para tirar da jogada quem foi beneficiado por programas do governo, o leque poderia ser ampliado para impedir de votar todos os que foram beneficiados por Lula e Dilma e poderiam virar "curral", como:

- os que viajaram ao exterior últimos 10 anos porque o Real estava valorizado;
- os que viajaram de avião pela primeira vez porque o poder aquisitivo melhorou;
- os que compraram carro subsidiado com reduções de impostos;
- os que compraram mobília e eletrodomésticos com redução de impostos;
- os que compraram remédios baratos ou de receberam de graça na farmácia popular;
- os que compraram imóveis no programa "Minha casa, Minha vida";
- os que vão comprar eletrodomésticos e móveis a prazo com juro baixo no "Minha casa melhor";
- os que usaram  crédito com taxas menores nos bancos públicos;
- os que tiveram elevação de mais de 80% do poder de compra no salário mínimo;
- os trabalhadores que repuseram nos salários pelo menos a inflação do período Lula/ Dilma;
- os que compraram telefones, câmeras e computadores e outros produtos de ponta subsidiados;
- os que acessaram as redes sociais via inclusão digital;
- os usuários TV digital aberta;
- os que foram a estádios "padrão Fifa" ver a Copa das Confederações;
- os que frequentam as novas escolas técnicas e universidades;
- os que foram beneficiados pelo sistema de cotas;
- os que foram à universidade pelo PROUNI;
- os mais de 15 milhões de beneficiados por novos empregos;
- os 40 milhões de pessoas que saíram da miséria;
- os estudantes do Ciência sem Fronteiras, que estudam no exterior com tudo bancado pelo governo;
- os 8 milhões de famílias que chegaram à civilização pelo programa Luz Para Todos;
- os que comeram pelo programa Fome Zero;
- os que se beneficiarem pela riqueza do Pré-Sal;
- os que ganharam saneamento e estão para ganhar portos, aeroportos e estradas pelo PAC.
- outros que foram beneficiados por desonerações de impostos (passagens), etc.

ALERTA : Aos que chegaram até aqui e vão descarregar ódio em comentários esclareço que a parte do título entre aspas é questionada, ou seja, o blog não defende que quem recebe bolsa-família não deve votar. Para ficar mais claro, o blog afirma que não se deve discriminar ninguém no direito de voto.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

YOUTROUXA 0013 - "Pobres correm atrás do bolsa-família e fogem de empregos"

Felizmente não recebi até agora nenhuma dessas mensagens compartilhadas pelos fascistas alusiva ao tiro no pé que deram com o boato do fim do Bolsa-Família para tentar desestabilizar Dilma. Podia ter morrido gente nessa irresponsabilidade que se espalhou sincronizadamente por 12 estados, especialmente os mais pobres. Isso não impediu, entretanto, que fascistinhas avulsos não dessem o ar de sua graça.

Um deles teve o trabalho de postar uma foto de uma agência da Caixa entupida de gente por conta do boato. Escreveu embaixo: "se fosse para arranjar emprego não tinha essa fila". Mais ainda "esse bando de mulher recebe dinheiro prá ficar fazendo filho".

A professora Marilena Chauí há alguns dias fez uma declaração polêmica sobre o papel fascistóide e violento de setores da classe média. Não seria polêmico se ela usasse um termo como "CLASSE MÉRDIA" para ser mais exato, sem generalização, pois há setores da classe média que gostam mais de gente que de bicho. São aquelas pessoas que se acham socialmente ungidas. Param o carro em vaga de deficiente como se fosse "vaga vip" e compram briga com quem reclama. Baixam o nível com qualquer pessoa que entendam subalterna se não forem imediatamente atendidos.

São pessoas que não conhecem sequer o nome do porteiro do prédio. Botam a empregada para comer ovo para não gastar carne. Sonegam impostos, direitos sociais e falam em moralidade e corrupção alheia. Defendem o "higienismo social" (tirar os pobres da vista) e a eugenia (tirar os doentes e imperfeitos da vida). Felizmente ainda não são defensores da "solução final" de Hitler, ou seja, os campos de concentração do holocausto para pobres. Não aceitam que o país seja dirigido pelos representantes do povo, apenas por letrados e iluminados. Isso para não falar do racismo, xenofobia, homofobia, etc.

A condição primeira para o Bolsa-Família é ter filhos em idade escolar, e em troca do acompanhamento de desempenho das crianças se dá o benefício à mãe. A segunda condição é não ter renda acima da faixa que caracteriza a miséria. É um programa temporário para fazer a nova geração ter mais escolaridade que os pais e se candidatar a novas oportunidades. E aos pais há ofertas de treinamento e colocação no mercado de trabalho. 1,6 milhão de pessoas há deixaram o programa, que não é eterno: se a renda cresce ou as crianças saem dos critérios, estão fora.

Qual seria a opção? Para a "classe mérdia", campo de concentração seria razoável. Na impossibilidade dos seus esquadrões da morte eliminarem todos, resta a migração de áreas mais pobres para as cidades, lotando favelas, sinais de trânsito, pedindo esmolas em restaurantes, ocupam espaços urbanos com favelas, etc.  É isso mesmo que querem?

A propósito: Em São Paulo, desde 2005, mais de 600 favelas pegaram fogo. Muitas em áreas próximas de condomínios de luxo, em bairros nobres. A justificativa oficial para tais "acidentes" era o ar seco de São Paulo. Interessante é que na região metropolitana, com o mesmo clima, as favelas não eram tão inflamáveis. Depois da terra arrasada vinha a desocupação forçada. Bastou sair o governo demo-tucano da prefeitura que não houve mais nenhum grande incêndio. Coincidência?

Outra coincidência: a Caixa é o banco do governo federal mais fiel ao projeto de quebra do oligopólio dos juros do sistema financeiro, oferecendo as melhores taxas e bancarizando muita gente sem restrições. Foi sobre suas agências e loterias que recaiu a fúria popular em meio aos boatos do fim do bolsa-família. Seria um aviso? Ver mais em http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2013/05/revolucao-capitalista-de-dilma-provoca.html

Não bastam o desconhecimento e o preconceito. Têm que ter a arrogância de externar a estupidez como se fosse algo inteligente, culto, meritório. E são essas as pessoas que se acham "o melhor do Brasil", mas são as primeiras a dizer que vão se mandar para o exterior porque aqui está terrível para se viver. A saída para elas é o aeroporto.