sexta-feira, 22 de junho de 2012
Rio + 20 : Mídia manipula palavras de Dilma às mulheres
Quem vir a capa do jornal carioca "O DIA" de hoje lerá em destaque: "Dilma manda homens irem para a cozinha". Abrindo a matéria no site do jornal, a manchete diz "Dilma defende direito sexual e ataca maridos preguiçosos". Na matéria, está escrito : "A presidenta Dilma Rousseff afirmou também que a participação maior das mulheres do mercado de trabalho depende do “engajamento dos homens nas tarefas domésticas e no cuidado não remunerado dos filhos”. Parece aquelas coisas de brincadeira de telefone sem fio, onde a primeira mensagem vira uma coisa completamente diferente no final, mas a nossa imprensa não tem pudor com esse tipo de prática.
Já a Globo, através do site G1 preferiu atacar Dilma pela esquerda, defendendo as feministas que queriam ver no documento das Mulheres da ONU a liberdade do direito reprodutivo, ou seja, a possibilidade de aborto. A manchete diz que Dilma só criticou o documento sob pressão, ou seja, numa construção que aponta para a presidente não ter opinião própria, e ficar a todo momento agindo pela vontade de outros. O link da matéria tem uma idéia, mas a manchete deve ter sido alterada para ficar mais agressiva contra Dilma : http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/dilma-se-reune-com-lideres-mulheres-por-chamado-de-acao-na-rio20.html.
A Agência Estado, por sua vez, tem na manchete que "Dilma defende documento que omite direito reprodutivo", e explica que o texto é resultado de consenso entre todas as líderes presentes, e que houve barganha por pressões religiosas para trocar a possibilidade de aborto por outras questões. E coloca o texto do discurso de Dilma melhor contextualizado, que os outros meios não mostraram para não perderem a contundência oposicionista:
"Um momento curioso dos discursos foi quando a presidente Dilma Rousseff defendeu a divisão de tarefas em casa com os maridos e foi fortemente aplaudida, com gritos efusivos das presentes. A presidente Dilma falou ainda sobre a isonomia salarial com os homens e a autonomia econômica das mulheres para a construção de sua cidadania plena, respeitando-se as culturas e os costumes de cada sociedade. O encontro terminou com uma espécie de grito de guerra entre as presentes :"os direitos das mulheres são universais"."
Já a Globo, através do site G1 preferiu atacar Dilma pela esquerda, defendendo as feministas que queriam ver no documento das Mulheres da ONU a liberdade do direito reprodutivo, ou seja, a possibilidade de aborto. A manchete diz que Dilma só criticou o documento sob pressão, ou seja, numa construção que aponta para a presidente não ter opinião própria, e ficar a todo momento agindo pela vontade de outros. O link da matéria tem uma idéia, mas a manchete deve ter sido alterada para ficar mais agressiva contra Dilma : http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/dilma-se-reune-com-lideres-mulheres-por-chamado-de-acao-na-rio20.html.
A Agência Estado, por sua vez, tem na manchete que "Dilma defende documento que omite direito reprodutivo", e explica que o texto é resultado de consenso entre todas as líderes presentes, e que houve barganha por pressões religiosas para trocar a possibilidade de aborto por outras questões. E coloca o texto do discurso de Dilma melhor contextualizado, que os outros meios não mostraram para não perderem a contundência oposicionista:
"Um momento curioso dos discursos foi quando a presidente Dilma Rousseff defendeu a divisão de tarefas em casa com os maridos e foi fortemente aplaudida, com gritos efusivos das presentes. A presidente Dilma falou ainda sobre a isonomia salarial com os homens e a autonomia econômica das mulheres para a construção de sua cidadania plena, respeitando-se as culturas e os costumes de cada sociedade. O encontro terminou com uma espécie de grito de guerra entre as presentes :"os direitos das mulheres são universais"."
Paraguai : Golpe branco contra Lugo
Pelo que pude me informar até aqui sobre a crise política no Paraguai, que poderá ter desdobramentos imprevisíveis caso o presidente Lugo tenha seu mandato cassado por impechment-relâmpago hoje, há paradoxos que deixam evidências de um golpe de estado vendido como punição por má gestão.Tudo começou quando o movimento dos sem-terra de lá ocupou um latifúndio de 100 mil hectares pertencente a um ex-senador. A polícia tinha uma ordem de desocupação para cumprir, e houve o conflito que resultou na morte de 11 sem-terra e 6 policiais num tiroteio. Por conta desse incidente o congresso paraguaio, dominado pela direita, resolveu abrir o processo para cassar o mandato de Lugo.
Qual o paradoxo? Lugo, que é bispo da Igreja Católica, foi eleito com 41% dos votos como o candidato dos oprimidos e dos movimentos sociais. Assim sendo, deve ter evitado ao máximo o cumprimento da tal ordem judicial de desocupação do latifúndio, e a última coisa que ordenaria seria a perda de vidas humanas num eventual conflito. Os sem-terra, cujo movimento está em crescimento por não ter a repressão do governo de Lugo, certamente não desejarão que o governo passe a ser ocupado por alguém ligado ao latifúndio. A direita latifundiária, promotora do golpe de estado em andamento, teria mandado fazer coisa muito pior, e se chegar ao governo reprimirá violentamente os sem-terra, sendo previsíveis bem mais mortes que as ocorridas.
Os dirigentes dos doze países da UNASUL, entre eles o Brasil, reunidos emergencialmente em meio à Rio + 20, resolveram mandar seus ministros de relações exteriores ontem para o Paraguai para acompanhar o processo. Lugo terá apenas duas horas para se defender das acusações, diante de um congresso pré-disposto a cassá-lo de qualquer maneira. Manifestantes pró-Lugo estão nas ruas de Assunção e pode haver mais conflitos caso a direita casse o mandato do presidente eleito. ¨
O absurdo poderia ser exemplificado assim: Lula manda a polícia tirar os sem-terra de uma fazenda de um latifundiário demo-tucano, e tem um conflito com mortes. Os demo-tucanos, oposicionistas a Lula, abrem um processo de impeachment contra Lula pelo episódio... Se isso não é oportunismo e golpe, o que será?
Rio - 20 : Traficantes vão proibir venda de crack
Apesar das UPPs, o tráfico no Rio ainda tem poder a ponto de ordenar, até com cartazes, a proibição da venda de crack nos pontos de drogas. Nada de pena dos consumidores que são condenados à morte inalando a mistura de cocaína e bicarbonato de sódio das pedras. Pura estratégia negocial: as pedras custam R$ 5, enquanto um papelote de cocaína custa R$ 50. Os usuários de crack acabam se estabelecendo perto dos pontos de venda, formando cracolândias, o que afasta os consumidores das drogas mais caras que temem o risco de ir ao local comprar maconha ou pó.
Os bandidos chegaram à conclusão que não vale a pena ter uma base de muitos clientes pobres que acabam rebaixando a imagem dos seus pontos de drogas. Preferem ter poucos clientes que comprem produtos de maior valor agregado e de maiores margens de lucro, como a cocaína, vendida aos mais ricos. Como tráfico de drogas não tem a flexibilidade, por exemplo, do sistema bancário, que deixa os pobres nas filas em agências lotadas, loterias e correios, o chamado "lixo bancário", criando unidades de luxo para os mais ricos (seletividade de clientes), o jeito foi acabar com o "lixo viciado".
Os bandidos chegaram à conclusão que não vale a pena ter uma base de muitos clientes pobres que acabam rebaixando a imagem dos seus pontos de drogas. Preferem ter poucos clientes que comprem produtos de maior valor agregado e de maiores margens de lucro, como a cocaína, vendida aos mais ricos. Como tráfico de drogas não tem a flexibilidade, por exemplo, do sistema bancário, que deixa os pobres nas filas em agências lotadas, loterias e correios, o chamado "lixo bancário", criando unidades de luxo para os mais ricos (seletividade de clientes), o jeito foi acabar com o "lixo viciado".
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Egito : Rebelião à vista
Três dias antes das eleições presidenciais o "judiciário" egípcio resolveu considerar o parlamento ilegal, e devolveu o poder aos militares. Na eleição para presidente em segundo turno entre o candidato ligado ao regime de Mubarak e o oposicionista ligado à Irmandade Muçulmana não faltaram denúncias de fraudes. Apesar do suspense sobre o resultado, o povo já toma as praças para protestar contra a dissolução do congresso, e hoje os militares anunciaram atraso na publicação do resultado das eleições. Para quem já armou para cima do Congresso, onde os representantes islâmicos eram maioria, fraudar para "eleger" o seguidor de Mubarak não é muito difícil. Resta saber o preço que pagarão por isso, porque quem fez uma rebelião popular faz outra, mesmo que os EUA apoiem os militares.
Rio + 20 : Documento final fraco é culpa do Brasil?
Imaginem a dificuldade para fazer um documento consensual para 196 países, que têm seus interesses, suas diferenças culturais e focos diferenciados na questão ambiental. Como a mediação foi feita pelo Brasil, a quem interessava ressaltar a inclusão social e erradicação da pobreza como parâmetros de sustentabilidade e conseguiu isso, e o documento desagradou a quem não estava lá negociando, a mídia passou a explorar o filão de atacar a diplomacia brasileira, fazendo coro com insatisfeitos de governos, ONGS, jornais estrangeiros, etc. Se o documento é fraco, a culpa é de quem não transigiu, negando-se a participar do esforço global em defesa do planeta. Tem gente criticando a falta de ambição, mas não se compromete a botar dinheiro para cumprir metas e prazos mais incisivos. O texto ruim é o que sairá da reunião, que já frustra por conta do que foi possível para salvar o encontro.
Libertadores : Corinthians pode chegar a título inédito
Vi o jogo Corinthians 1 x 1 Santos, valendo a vaga na final da Libertadores, sem nenhuma preferência. Tanto fazia se o Santos ganhasse ou se o Coringão perdesse. No final, um enorme sofrimento da fiel torcida sofredora, que nunca viu seu time chegar a uma final nessa competição. Parecia a infeliz torcida do Vasco, que acredita, acredita e, no final, perde. Quem sabe desta vez o Coringão não chega a um inédito vice-campeonato da Libertadores, já que o time do morro de São Januário não teve competência para chegar lá neste ano?
terça-feira, 19 de junho de 2012
SP : Lula vende a alma para ganhar prefeitura
Que Lula tenha algum problema com o PSB pois não haverá coligações nem em Fortaleza ou em Recife é uma coisa. Que não queira Luiza Erundina como vice de Haddad na chapa à prefeitura de São Paulo e não tenha ido à convenção que lançou a candidatura dela, é uma outra coisa mesquinha mas razoável. Agora, ir à casa de Paulo Maluf pedir o seu apoio à chapa, causando a natural desistência de Erundina, beira a loucura. Mesmo considerando o pragmatismo, tipo "fins justificam meios", para tomar a prefeitura das mãos dos demo-tucanos agora travestidos de PSD, a dose foi forte demais até para os poucos petistas que ainda são completamente fiéis a Lula. Será que a doença dele chegou ao cérebro? Será efeito colateral da quimioterapia? Ou apenas amnésia, ao esquecer tudo que disse de Maluf no passado? Vê se te orienta, Lula. Desse jeito nem a Articulação do PT te aguenta.
domingo, 17 de junho de 2012
Mensalão tucano e o silêncio da mídia
Enquanto a mídia orquestrada da direita faz carnaval com a iminência do julgamento do "mensalão do PT", oculta que no último dia 6 de junho o STF colocou na pauta o "mensalão tucano", esquema da campanha do candidato tucano Eduardo Azeredo ao governo mineiro, considerado como o pai de todos os mensalões. Por que será esse silêncio?
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/06/mensalao-tucano-e-o-silencio-da-midia.html
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Grécia : A opção pela submissão aos bancos
Amanhã as bolsas européias irão ter uma alta eufórica, pois os eleitores da Grécia resolveram apostar na continuidade do Euro como moeda e, por tabela, no plano de arrocho de direitos sociais para garantir o fluxo de pagamentos aos bancos. Há indícios da possibilidade de formação de um governo conservador afinado com o Banco Central Europeu, a Comissão Européia e o FMI, a partir dos resultados eleitorais de hoje.
Bancos : Privatização de ganhos, socialização de perdas
Impressionante o esforço dos países para esterilizar dinheiro no salvamento de bancos enquanto arrocham as condições de vida dos povos em nome de honrar compromissos com os mesmos bancos. Segue o link de um artigo do economista Luiz Gonzaga Beluzzo sobre a crise no sistema bancário europeu.
http://www.cartacapital.com.br/economia/ganhos-privatizados-perdas-socializadas/
http://www.cartacapital.com.br/economia/ganhos-privatizados-perdas-socializadas/
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Brasil avança na inclusão energética
Enquanto na Rio + 20 se discute como frear o consumo de energias cuja produção compromete o meio-ambiente, bilhões de pessoas ainda vivem na escuridão, sem acesso à eletricidade. No Brasil ainda há milhões nessa situação, mas desde o governo Lula algumas ações reduziram muito esse número na perpectiva da inclusão energética.
O primeiro passo foi o programa Luz Para Todos, cuja meta era atender 10 milhões de pessoas, e até março deste ano já chegou para mais de 14 milhões. Segundo o site do programa, estima-se que o programa tenha gerado mais de 400 mil empregos, usando mais de 1,4 milhão de km de cabos elétricos, colocados inclusive dentro de rios.
Em termos de qualidade de vida, uma pesquisa de 2009 mostrou que 79,3% dos atendidos pelo programa compraram televisores, 73,3% passaram a ter geladeiras e 24,1% compraram bombas d'água. Os gráficos do Luz Para Todos ilustram essas melhorias.
Além de levar a energia aos mais remotos pontos, o custo da energia é subsidiado através da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que já beneficia 9,8 milhões de usuários de baixa renda. Esses esforços não são vistos porque acontecem em locais muito distantes dos grandes centros, e certamente contribuem para a elevação social de uma parte da população que estava sujeita à luz de velas em pleno século XXI.
O que não dá para aceitar no discurso ambiental é a negação do acesso energético ao se buscar frear a construção de hidrelétricas de baixo impacto e usinas nucleares de alta tecnologia, porque ainda não há como atender a todos. Sustentabilidade deve ser atender às necessidades de todo garantindo a manutenção de recursos dos planetas para as gerações futuras. Ontem na abertura da Rio + 20 a presidente Dilma deixou isso bem claro, opondo-se à visão dos países mais ricos que querem impor limites ao crescimento dos mais pobres. Ela disse que no Brasil ainda há muito consumo a satisfazer.
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/12/globo-mostra-milagre-de-natal-e-esconde.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/03/energia-hora-do-planeta-leva-reflexao.html
O primeiro passo foi o programa Luz Para Todos, cuja meta era atender 10 milhões de pessoas, e até março deste ano já chegou para mais de 14 milhões. Segundo o site do programa, estima-se que o programa tenha gerado mais de 400 mil empregos, usando mais de 1,4 milhão de km de cabos elétricos, colocados inclusive dentro de rios.
Em termos de qualidade de vida, uma pesquisa de 2009 mostrou que 79,3% dos atendidos pelo programa compraram televisores, 73,3% passaram a ter geladeiras e 24,1% compraram bombas d'água. Os gráficos do Luz Para Todos ilustram essas melhorias.
Além de levar a energia aos mais remotos pontos, o custo da energia é subsidiado através da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que já beneficia 9,8 milhões de usuários de baixa renda. Esses esforços não são vistos porque acontecem em locais muito distantes dos grandes centros, e certamente contribuem para a elevação social de uma parte da população que estava sujeita à luz de velas em pleno século XXI.
O que não dá para aceitar no discurso ambiental é a negação do acesso energético ao se buscar frear a construção de hidrelétricas de baixo impacto e usinas nucleares de alta tecnologia, porque ainda não há como atender a todos. Sustentabilidade deve ser atender às necessidades de todo garantindo a manutenção de recursos dos planetas para as gerações futuras. Ontem na abertura da Rio + 20 a presidente Dilma deixou isso bem claro, opondo-se à visão dos países mais ricos que querem impor limites ao crescimento dos mais pobres. Ela disse que no Brasil ainda há muito consumo a satisfazer.
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/12/globo-mostra-milagre-de-natal-e-esconde.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/03/energia-hora-do-planeta-leva-reflexao.html
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Rio + 20 : Conferência começa sem sustentabilidade
| Rio de Janeiro - Aeroporto Tom Jobim (Galeão) hoje |
Na Linha Vermelha, trânsito lento mas andando. Linha Amarela parada, como sempre, no sentido para a Barra, onde acontecerá, no Riocentro, a parte oficial da conferência. Mais adiante, próximo à entrada da Ponte Rio-Niterói, um carro da polícia estreitava a pista, com mais retenção. Depois, engarrafamentos na Paulo de Frontin, Rebouças, Jardim Botânico, etc. O prefeito Eduardo Paes pediu à população que evite ir à Zona Sul e à Barra da Tijuca, para não piorar o previsível tumulto por falta de infra-estrutura de transportes.
Nesta época do ano é comum a ocorrência de nevoeiros pela manhã, tanto no Rio como em São Paulo. Ontem o Aeroporto de Congonhas fechou para pousos à noite, trazendo caos. A probabilidade de falta de teto para pousos e decolagens no período da conferência á razoável. No Galeão foi suspensa a exclusividade de táxis da cooperativa, permitindo que qualquer um atenda, para evitar o sufoco. Em compensação, conhecendo o histórico de oportunismo da bandidagem carioca, a bandalheira deverá tomar conta dos serviços.
| Acesso ao Aeroporto Tom Jobim - obras na pista |
Diversos vôos deverão ser cancelados ou remanejados entre 20 e 23 de junho (infelizmente estou nessa, ainda sem saber o que acontecerá com a minha viagem), para priorizar os pousos e decolagens de autoridades.
No Riocentro a pressa para conclusão dos estandes e pavilhões causou bizarrices, como no Pavilhão Brasil, inaugurado pela presidente Dilma hoje, onde a letra "B" do Brasil caiu. Fora isso havia espaços vazios, faltou energia, a internet wi-fi teve problemas, apenas para falar do local da conferência. Ontem a TV Record fez uma reportagem do entorno do Riocentro, mostrando riachos cheios de lixo, manchas de poluição e esgotos lançados "in natura" na lagoa.
| Bandeirola na saída do acesso ao Aeroporto Tom Jobim |
O Rio tem que se superar, e correr contra o prejuízo depois de mais de 30 anos de estagnação na sua infra-estrutura. Passada a Rio + 20, a cidade entrará num caos pior, com a interdição de estações do metrô em Copacabana e Ipanema, demolição do elevado da Perimetral, obras no entorno do Maracanã, metrô da Barra. Toda essa correria, entretanto, não reporá o passivo de formação de pessoas para o turismo, de adaptação do comércio para responder à altura o desafio de fazer do Rio uma cidade global, etc. Do jeito que está é insustentável.
CPI do Cachoeira : Agnelo abre sigilos e desmoraliza Perillo
Ontem o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) se recusou a abrir seus sigilos bancários, e a sua claque raivosa quase parte para o tapa quando o relator fez essa sugestão. Diante dessa negativa, um movimento no Twitter, que atingiu o primeiro lugar no Topic Trendings, durante a noite exigiu de Perillo a entrega dos dados. Hoje pela manhã o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), logo no início do seu depoimento autorizou a abertura dos seus sigilos. À tarde, sentindo que ficaria muito mal na fita, Perillo comunicou à mesa da CPI que também fornecerá seus dados.
Acusando o golpe, o deputado Onix Lorenzoni (DEM_RS), fez uma palhaçada truculenta exigindo que Agnelo assinasse um documento abrindo o sigilo, porque poderia não honrar a palavra, etc. Pensou que estava tratando com pessoas do seu partido, que não honram suas próprias palavras, como Demóstenes e Arruda. Sem problemas, Agnelo assinou a autorização. No final dos depoimentos o máximo que oposição se esforçava para fazer era dizer que ambos os governadores foram chamados à CPI inutilmente, que nenhum dos dois tem envolvimento com Cachoeira, etc. Tentam salvar Perillo abraçando-o a Agnelo.
Na minha avaliação, Agnelo saiu limpinho do depoimento, para ódio da oposição. Passou recibo em Perillo ao abrir o sigilo, forçando-o envergonhadamente a tomar a mesma atitude. Já o governador de Goiás saiu devendo, por receber cheques de uma empresa de organização criminosa na compra da casa, por não combater a contravenção no seu estado, em especial no entorno do DF, e por ter no seu governo diversas pessoas do esquema Cachoeira, principalmente na polícia. Se era essa a cartada que tinham para tentar virar o jogo da CPI, perderam.
Acusando o golpe, o deputado Onix Lorenzoni (DEM_RS), fez uma palhaçada truculenta exigindo que Agnelo assinasse um documento abrindo o sigilo, porque poderia não honrar a palavra, etc. Pensou que estava tratando com pessoas do seu partido, que não honram suas próprias palavras, como Demóstenes e Arruda. Sem problemas, Agnelo assinou a autorização. No final dos depoimentos o máximo que oposição se esforçava para fazer era dizer que ambos os governadores foram chamados à CPI inutilmente, que nenhum dos dois tem envolvimento com Cachoeira, etc. Tentam salvar Perillo abraçando-o a Agnelo.
Na minha avaliação, Agnelo saiu limpinho do depoimento, para ódio da oposição. Passou recibo em Perillo ao abrir o sigilo, forçando-o envergonhadamente a tomar a mesma atitude. Já o governador de Goiás saiu devendo, por receber cheques de uma empresa de organização criminosa na compra da casa, por não combater a contravenção no seu estado, em especial no entorno do DF, e por ter no seu governo diversas pessoas do esquema Cachoeira, principalmente na polícia. Se era essa a cartada que tinham para tentar virar o jogo da CPI, perderam.
CPI do Cachoeira : Globonews censurou Collor?
Muito estranha a coincidência ontem na transmissão ao vivo, pela Globonews, do depoimento de Marcone Perillo (PSDB). Mudaram toda a grade de programação e foram poucas as pausas para propaganda ou entrevistas. Nem noticiários houve. Quando o ex-presidente e atual senador Fernando Collor interviu, sublinhando a necessidade da Revista Veja ser ouvida na CPI sobre o conluio com o esquema Cachoeira, e acusando o procurador-geral da República, Roberto Gurgel de cúmplice por não ter encaminhado as denúncias, misteriosamente entrou o apresentador Sidney Resende dizendo que tinham perdido o sinal da transmissão.
Normalmente as interrupções técnicas são imprevistas, e a emissora leva algum tempo para colocar alguém no ar dizendo que houve a falha. Do que vi, a interrupção foi praticamente uma edição, pois o apresentador parecia já esperar por ela. Cerca de 1 minuto depois o sinal foi retomado, o suficiente para ver Collor apresentando as seis representações que deu entrada contra Roberto Gurgel e sua esposa, que é subprocuradora, para quem o procurador passa todos os processos que ficam encalhados, sem arquivamento nem despacho. Para mim, tentaram censurar Collor, porque atacava o esquema de mídia oposicionista no qual as empresas Globo participam.
Collor conseguiu de Perillo uma opinião muito importante: o governador disse que se Gurgel tivesse tomado as providências na época correta, poderia haver mudanças no resultado eleitoral de 2010 em Goiás.
Normalmente as interrupções técnicas são imprevistas, e a emissora leva algum tempo para colocar alguém no ar dizendo que houve a falha. Do que vi, a interrupção foi praticamente uma edição, pois o apresentador parecia já esperar por ela. Cerca de 1 minuto depois o sinal foi retomado, o suficiente para ver Collor apresentando as seis representações que deu entrada contra Roberto Gurgel e sua esposa, que é subprocuradora, para quem o procurador passa todos os processos que ficam encalhados, sem arquivamento nem despacho. Para mim, tentaram censurar Collor, porque atacava o esquema de mídia oposicionista no qual as empresas Globo participam.
Collor conseguiu de Perillo uma opinião muito importante: o governador disse que se Gurgel tivesse tomado as providências na época correta, poderia haver mudanças no resultado eleitoral de 2010 em Goiás.
CPI : Cachoeira em banho-maria
Ontem deixei a TV com o som alto e ouvi bastante do depoimento do governador de Goiás, Marcone Perillo. A primeira conclusão que tirei assim que ele acabou de expor é que temos péssimos políticos, mas, em compensação, há ótimos advogados e excelentes atores. Tentando se fazer de inocente, apelou à técnica de Lula no Mensalão : disse que não sabia que Cachoeira era bicheiro, e que não sabia de influência dele no seu governo. Depois tentou faturar em cima de Dilma, dizendo que faxinou do seu governo as pessoas acusadas de envolvimento com o bicheiro.
As perguntas feitas pelo relator foram precisas, cirúrgicas, que deixaram Perillo à vontade. Como hoje haverá o depoimento do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, ficou um cheiro de acerto entre o PT e o PSDB, tipo "eu não bato no seu e você não bate no meu governador".
No mais, o grande fato novo foi a exposição dos cheques recebidos por Perillo pela venda de uma casa em Goiânia. Tudo muito esquisito, porque vendeu a casa para uma pessoa, sem promessa de compra e venda nem nada, recebeu dessa pessoa três cheques de uma empresa, e fez a escritura para um terceiro, que depois vendeu para o bicheiro Cachoeira. Enquanto a CPI colhia o depoimento, as assessorias cruzaram dados e descobriram que a empresa Excitant, dona dos cheques, recebeu depósitos de outra empresa laranja do esquema do bicheiro em datas próximas à compensação.
O clima só esquentou quando o relator perguntou a Perillo se abriria seus sigilos telefônico e bancário. A claque do tucano gritou muito, teve bate-boca e a turma do "deixa disso" aplacou os ânimos. No episódio pareceu que alguém passou dos limites do conchavo PT- PSDB.
Além de não explicar direito a enrolada da sua casa que Cachoeira comprou, também não respondeu de forma convincente à pergunta do deputado Cândido Vacarezza, do PT, sobre se havia reprimido o jogo do bicho. Sua resposta sempre foi a de haver apreendido centenas de máquinas de jogos eletrônicos ilegais como prova do empenho da sua polícia no combate à contravenção. Vacarezza lembrou que a Polícia Federal descobriu que Cachoeira comandava a polícia goiana, e a usava para reprimir seus concorrentes no jogo eletrônico, enquanto nada foi feito contra o jogo do bicho.
A CPI é tão controlada que fala-se das falcatruas da Delta Construções, mas em Goiás apenas 4% dos contratos estão sob seu controle, segundo Perillo. E no Rio, onde há relações pessoais sem pudor entre o governador Sérgio Cabral e os dirigentes da empresa, com direito a fim de semana em Porto Seguro e bocas livres em Paris. Fica a necessidade de uma CPI da Delta, mas isso não interessa a ninguém no congresso, ainda mais em período eleitoral, para formar o caixa dois dos candidatos.
Com a marcação do julgamento do Mensalão para o início de agosto, coincidindo com o período eleitoral, essa CPI, que é uma espada que pende sobre o PSDB e o DEM, terá que ficar em banho-maria. andando lentamente, pois é moeda de troca política para reduzir os prejuízos de eventuais condenações de petistas expoentes.
As perguntas feitas pelo relator foram precisas, cirúrgicas, que deixaram Perillo à vontade. Como hoje haverá o depoimento do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, ficou um cheiro de acerto entre o PT e o PSDB, tipo "eu não bato no seu e você não bate no meu governador".
No mais, o grande fato novo foi a exposição dos cheques recebidos por Perillo pela venda de uma casa em Goiânia. Tudo muito esquisito, porque vendeu a casa para uma pessoa, sem promessa de compra e venda nem nada, recebeu dessa pessoa três cheques de uma empresa, e fez a escritura para um terceiro, que depois vendeu para o bicheiro Cachoeira. Enquanto a CPI colhia o depoimento, as assessorias cruzaram dados e descobriram que a empresa Excitant, dona dos cheques, recebeu depósitos de outra empresa laranja do esquema do bicheiro em datas próximas à compensação.
O clima só esquentou quando o relator perguntou a Perillo se abriria seus sigilos telefônico e bancário. A claque do tucano gritou muito, teve bate-boca e a turma do "deixa disso" aplacou os ânimos. No episódio pareceu que alguém passou dos limites do conchavo PT- PSDB.
Além de não explicar direito a enrolada da sua casa que Cachoeira comprou, também não respondeu de forma convincente à pergunta do deputado Cândido Vacarezza, do PT, sobre se havia reprimido o jogo do bicho. Sua resposta sempre foi a de haver apreendido centenas de máquinas de jogos eletrônicos ilegais como prova do empenho da sua polícia no combate à contravenção. Vacarezza lembrou que a Polícia Federal descobriu que Cachoeira comandava a polícia goiana, e a usava para reprimir seus concorrentes no jogo eletrônico, enquanto nada foi feito contra o jogo do bicho.
A CPI é tão controlada que fala-se das falcatruas da Delta Construções, mas em Goiás apenas 4% dos contratos estão sob seu controle, segundo Perillo. E no Rio, onde há relações pessoais sem pudor entre o governador Sérgio Cabral e os dirigentes da empresa, com direito a fim de semana em Porto Seguro e bocas livres em Paris. Fica a necessidade de uma CPI da Delta, mas isso não interessa a ninguém no congresso, ainda mais em período eleitoral, para formar o caixa dois dos candidatos.
Com a marcação do julgamento do Mensalão para o início de agosto, coincidindo com o período eleitoral, essa CPI, que é uma espada que pende sobre o PSDB e o DEM, terá que ficar em banho-maria. andando lentamente, pois é moeda de troca política para reduzir os prejuízos de eventuais condenações de petistas expoentes.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Fim do Imposto Sindical : A CUT tem razão
Critico radicalmente a CUT - Central Única dos Trabalhadores - por ter virado braço sindical de apoio ao governo Lula e agora Dilma, freando as lutas de milhões de trabalhadores que construíram essa central para diferenciá-la do sindicalismo pelego e dependente do Estado. Na questão do fim do imposto sindical, entretanto, temos algo em comum. Desde a sua criação a CUT é contrária, pelo tipo de estrutura e concepção sindical que essa contribuição financeira compulsória sustenta: o sindicalismo cartorial, mafioso, estritamente pelego.
Não apenas a CUT é contra, mas cito-a pelo volume de campanha contrária á manutenção de impostos. A CONLUTAS também é contra. Há sindicatos que hoje devolvem sua parte do recurso aos associados, o que é um bom início, mas não destrói a estrutura perversa que sacrifica os trabalhadores a partir do bem mais sagrado na sua luta contra o capital: sua organização.
Tive a experiência de ser tesoureiro do Sindicato dos Bancários do Ceará por um mandato, em 1988. Coincidentemente, dois meses após a posse, foi promulgada a Constituição Federal que, em tese, assegurava o direito de livre organização e significaria a autonomia das organizações de trabalhadores em relação ao Estado. Sendo livres, os sindicatos buscariam fontes de financiamento junto aos trabalhadores, que somente aceitariam participar de entidades que realmente lutassem com eles pelos seus direitos.
A CUT, desde a fundação, lutou por essa autonomia e independência, mas no fim das contas prevaleceu o lobby do sindicalismo pelego que manteve o imposto sindical, com o nome de Contribuição Sindical, que é o salário de um dia de trabalho roubado do trabalhador no mês de março a cada ano.
Com essa dubiedade constitucional ficou uma insegurança jurídica. Pelo modelo anterior, as receitas do Imposto Sindical teriam que ser aplicadas em algumas rubricas contábeis referentes ao assistencialismo médico, jurídico, esportivo, educacional, etc. Não poderiam ser usadas para das despesas correntes da entidade, muito menos para patrocinar o enorme esforço de greves e eventos de organização das categorias.
Os planos de contas das entidades eram padronizados para permitir ao governo federal enxergar logo onde estava aplicado o recurso dito público ( o imposto era exclusivamente dinheiro dos trabalhadores). Na realidade, o montante do imposto sustentava o Ministério do Trabalho (20%), as confederações (5%), as federações (15%) e os sindicatos (60%).
Todo ano o balanço dos sindicatos tinha que ser apresentado ao Ministério do Trabalho e por ele aprovado. É aí que entra a parte mais cruel da coisa: se as contas não batessem, o Ministério poderia decretar a intervenção na entidade e destituir dirigentes legitimamente eleitos. Esse era o dispositivo que permitia, desde a era Vargas, que o governo intervisse em entidades que fugissem ao seu controle. Bastava fuçar algumas vírgulas e centavos nos balanços das entidades. Para a CUT, não haveria autonomia sem o fim do imposto, e estava correta.
A Consolidação das Leis do Trabalho veio num momento de ascenso do sindicalismo livre, de inspiração anarquista e comunista, na década de 30 do século passado. Espertamente, Getúlio Vargas copiou a Carta del Lavoro italiana, fascista, concedeu alguns avanços trabalhistas, criou uma estrutura sindical vertical (confederações, federações e sindicatos) e a controlou pelo imposto.
Na Era Vargas, os sindicatos atrelados ao governo faziam mais ou menos que que fazem hoje os cooptados por Lula e Dilma, ou seja, alguma agitação sem muito barulho. Elogiavam as ações sociais "concedidas" pelo Estado. Era diferente porque todo governo podia contar com esse domínio, enquanto agora, se entrar um governo de direita, haverá acirramento da luta de classes.
É uma situação paradoxal: hoje o governo não pode mais colocar um interventor e destituir uma diretoria, mas os seus instrumentos de fiscalização podem exigir a prestação de contas dos recursos da Contribuição Sindical, que por ser um imposto é considerado dinheiro público. O pior de tudo é que o trabalhador acaba sustentando compulsoriamente uma corja que se eterniza nas entidades fazendo o jogo dos patrões. Duplo prejuízo aos trabalhadores, que mesmo sem serem sindicalizados pagam para dar tiros nos próprios pés.
O que acontecerá com o fim do imposto sindical? Primeiro, um alívio para os trabalhadores, que não terão mais essa carga tributária. Segundo, os sindicalistas e sindicatos terão que sair da acomodação e mostrar serviço, pois o financiamento das entidades dependerá de mensalidade e descontos assistenciais definidos em assembléias pelos associados. Terceiro, e mais importante: irão à falência milhares de sindicatos de fachada, cartoriais, que têm diretorias eternas com mordomias "imexíveis" e que não precisam mobilizar ninguém porque o dinheiro vem de qualquer jeito via Contribuição Sindical. Como existe a unicidade sindical, a quebra dessas entidades inúteis dará espaço ao surgimento de outras em seus lugares, fortalecendo a representação dos trabalhadores. Esse é o sentido da coisa.
A pelegada tradicional enlouquece com essa possibilidade de perder as boquinhas, e vai às ruas defender a manutenção do imposto, alegando que haverá prejuízos ao movimento sindical, que os patrões vão se beneficiar com isso, que enfraquecerá a organização e todo esse chororô. Esses sindicatos corrompidos também servem de base para campanhas eleitorais, principalmente da direita ou do populismo demagógico. Têm lobby no Congresso Nacional e contam com o apoio de muitos parlamentares que os usam para conseguir votos. Já a CUT, apesar dos desvios desde a chegada de Lula ao poder, tem feito forte agitação contra o imposto, realizando recentemente um plebiscito popular sobre a manutenção do imposto.
Não apenas a CUT é contra, mas cito-a pelo volume de campanha contrária á manutenção de impostos. A CONLUTAS também é contra. Há sindicatos que hoje devolvem sua parte do recurso aos associados, o que é um bom início, mas não destrói a estrutura perversa que sacrifica os trabalhadores a partir do bem mais sagrado na sua luta contra o capital: sua organização.
Tive a experiência de ser tesoureiro do Sindicato dos Bancários do Ceará por um mandato, em 1988. Coincidentemente, dois meses após a posse, foi promulgada a Constituição Federal que, em tese, assegurava o direito de livre organização e significaria a autonomia das organizações de trabalhadores em relação ao Estado. Sendo livres, os sindicatos buscariam fontes de financiamento junto aos trabalhadores, que somente aceitariam participar de entidades que realmente lutassem com eles pelos seus direitos.
A CUT, desde a fundação, lutou por essa autonomia e independência, mas no fim das contas prevaleceu o lobby do sindicalismo pelego que manteve o imposto sindical, com o nome de Contribuição Sindical, que é o salário de um dia de trabalho roubado do trabalhador no mês de março a cada ano.
Com essa dubiedade constitucional ficou uma insegurança jurídica. Pelo modelo anterior, as receitas do Imposto Sindical teriam que ser aplicadas em algumas rubricas contábeis referentes ao assistencialismo médico, jurídico, esportivo, educacional, etc. Não poderiam ser usadas para das despesas correntes da entidade, muito menos para patrocinar o enorme esforço de greves e eventos de organização das categorias.
Os planos de contas das entidades eram padronizados para permitir ao governo federal enxergar logo onde estava aplicado o recurso dito público ( o imposto era exclusivamente dinheiro dos trabalhadores). Na realidade, o montante do imposto sustentava o Ministério do Trabalho (20%), as confederações (5%), as federações (15%) e os sindicatos (60%).
Todo ano o balanço dos sindicatos tinha que ser apresentado ao Ministério do Trabalho e por ele aprovado. É aí que entra a parte mais cruel da coisa: se as contas não batessem, o Ministério poderia decretar a intervenção na entidade e destituir dirigentes legitimamente eleitos. Esse era o dispositivo que permitia, desde a era Vargas, que o governo intervisse em entidades que fugissem ao seu controle. Bastava fuçar algumas vírgulas e centavos nos balanços das entidades. Para a CUT, não haveria autonomia sem o fim do imposto, e estava correta.
A Consolidação das Leis do Trabalho veio num momento de ascenso do sindicalismo livre, de inspiração anarquista e comunista, na década de 30 do século passado. Espertamente, Getúlio Vargas copiou a Carta del Lavoro italiana, fascista, concedeu alguns avanços trabalhistas, criou uma estrutura sindical vertical (confederações, federações e sindicatos) e a controlou pelo imposto.
Na Era Vargas, os sindicatos atrelados ao governo faziam mais ou menos que que fazem hoje os cooptados por Lula e Dilma, ou seja, alguma agitação sem muito barulho. Elogiavam as ações sociais "concedidas" pelo Estado. Era diferente porque todo governo podia contar com esse domínio, enquanto agora, se entrar um governo de direita, haverá acirramento da luta de classes.
É uma situação paradoxal: hoje o governo não pode mais colocar um interventor e destituir uma diretoria, mas os seus instrumentos de fiscalização podem exigir a prestação de contas dos recursos da Contribuição Sindical, que por ser um imposto é considerado dinheiro público. O pior de tudo é que o trabalhador acaba sustentando compulsoriamente uma corja que se eterniza nas entidades fazendo o jogo dos patrões. Duplo prejuízo aos trabalhadores, que mesmo sem serem sindicalizados pagam para dar tiros nos próprios pés.
O que acontecerá com o fim do imposto sindical? Primeiro, um alívio para os trabalhadores, que não terão mais essa carga tributária. Segundo, os sindicalistas e sindicatos terão que sair da acomodação e mostrar serviço, pois o financiamento das entidades dependerá de mensalidade e descontos assistenciais definidos em assembléias pelos associados. Terceiro, e mais importante: irão à falência milhares de sindicatos de fachada, cartoriais, que têm diretorias eternas com mordomias "imexíveis" e que não precisam mobilizar ninguém porque o dinheiro vem de qualquer jeito via Contribuição Sindical. Como existe a unicidade sindical, a quebra dessas entidades inúteis dará espaço ao surgimento de outras em seus lugares, fortalecendo a representação dos trabalhadores. Esse é o sentido da coisa.
A pelegada tradicional enlouquece com essa possibilidade de perder as boquinhas, e vai às ruas defender a manutenção do imposto, alegando que haverá prejuízos ao movimento sindical, que os patrões vão se beneficiar com isso, que enfraquecerá a organização e todo esse chororô. Esses sindicatos corrompidos também servem de base para campanhas eleitorais, principalmente da direita ou do populismo demagógico. Têm lobby no Congresso Nacional e contam com o apoio de muitos parlamentares que os usam para conseguir votos. Já a CUT, apesar dos desvios desde a chegada de Lula ao poder, tem feito forte agitação contra o imposto, realizando recentemente um plebiscito popular sobre a manutenção do imposto.
sábado, 9 de junho de 2012
Sem espião, VEJA copia e cola
O araponga Dadá está solto, o que pode garantir que o jornalismo da VEJA em breve terá novas "denúncias" e voltará a abastecer o esquema onde ela publica, a grande mídia espalha e a oposição fatura. Enquanto isso, e no aguardo de alguém na CPI do Cachoeira ter a decência de chamá-los a explicar o vínculo com o esquema do bicheiro, a revista requenta matérias. Pior: copia e cola descaradamente textos produzidos por outros meios de comunicação e publica como "matérias exclusivas" suas. Aqui vai o link da jornalista Cynara Menezes, da Carta Capital, denunciando mais essa prática de jornalismo de má qualidade.
http://www.cartacapital.com.br/politica/control-c-control-veja/?autor=28
http://www.cartacapital.com.br/politica/control-c-control-veja/?autor=28
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Pressionar Dilma é fácil. Derrotar as oligarquias é o desafio.
A recente mobilização social "Veta Dilma", para que o novo Código Florestal não piorasse mais a devastação praticada há anos, mostrou sua força mesmo com a solução "meia-boca" do veto com medidas provisórias adotado pela Presidente.
Dilma apostou no diálogo, cedendo em alguns pontos, cortando outros, acreditando que assim atenuaria as pressões quando da votação da Medida Provisória 571 e dos vetos. Ledo e caro engano: o debate sobre preservação não está sendo feito entre governo, ambientalistas e congresso nacional visando o melhor para o país. Nenhuma concessão poderia aplacar o desejo de uma bancada forte, suprapartidária, concentrada no melhor para uma minoria de produtores rurais que manda no Congresso Nacional.
Pedir a Dilma para ir lá e dar porrada no latifúndio e nos desmatadores é mole. Todo mundo vai prás ruas, acende velas diante do Palácio do Planalto, artista se pronuncia, tudo muito bacana. Agora é guerra, é o movimento ambientalista e o poder truculento dos herdeiros políticos das oligarquias que chegaram ao Brasil para fazer fortuna e ir embora, deixando um rastro de destruição.
Historicamente, o Brasil não acertou as contas com as oligarquias rurais. Há até quem diga que a Revolução de 1930 marcou o fim da hegemonia rural e iniciou uma revolução burguesa no país. Não é isso que vemos hoje, em pleno século XXI, quando trabalhadores sem terra ainda levantam a bandeira da Reforma Agrária, uma luta que existiu no século XIX nos países capitalistas centrais, a partir da qual as burguesias enterraram o poder dos donos de terras.
Os ruralistas dominam a comissão que irá analisar a Medida Provisória 571, e já existem mais de 600 emendas ao texto, que se aprovadas serão um retrocesso enorme. A bancada ruralista não tem o menor pudor de afirmar que não deixará pedra sobre pedra no Código Florestal, mesmo com o país acolhendo o maior evento ambiental do mundo nos próximos dias, a Rio + 20.
O que o movimento ambiental vai fazer agora? Pedir socorro ao Greenpeace? Chorar nas saias da Dona Dilma? Se for por aí, assistiremos a uma retumbante derrota da civilização e da sustentabilidade no Congresso Nacional, e ao fortalecimento político do que há de mais reacionário no país. É necessário um enfrentamento numa escala muito superior à do varejo dos sem-terra.
A sociedade não pode se acomodar e assistir passivamente políticos passarem o trator no Congresso e aceitar que o novo Código Florestal será democrático, porque trará no seu bojo a condenação do futuro. O desafio é parar a motosserra e deixar claro que a produção rural terá que se submeter a critérios de sustentabilidade. É derrotar historicamente o latifúndio e as oligarquias rurais. E agora, quem vai encarar?
Dilma apostou no diálogo, cedendo em alguns pontos, cortando outros, acreditando que assim atenuaria as pressões quando da votação da Medida Provisória 571 e dos vetos. Ledo e caro engano: o debate sobre preservação não está sendo feito entre governo, ambientalistas e congresso nacional visando o melhor para o país. Nenhuma concessão poderia aplacar o desejo de uma bancada forte, suprapartidária, concentrada no melhor para uma minoria de produtores rurais que manda no Congresso Nacional.
Pedir a Dilma para ir lá e dar porrada no latifúndio e nos desmatadores é mole. Todo mundo vai prás ruas, acende velas diante do Palácio do Planalto, artista se pronuncia, tudo muito bacana. Agora é guerra, é o movimento ambientalista e o poder truculento dos herdeiros políticos das oligarquias que chegaram ao Brasil para fazer fortuna e ir embora, deixando um rastro de destruição.
Historicamente, o Brasil não acertou as contas com as oligarquias rurais. Há até quem diga que a Revolução de 1930 marcou o fim da hegemonia rural e iniciou uma revolução burguesa no país. Não é isso que vemos hoje, em pleno século XXI, quando trabalhadores sem terra ainda levantam a bandeira da Reforma Agrária, uma luta que existiu no século XIX nos países capitalistas centrais, a partir da qual as burguesias enterraram o poder dos donos de terras.
Os ruralistas dominam a comissão que irá analisar a Medida Provisória 571, e já existem mais de 600 emendas ao texto, que se aprovadas serão um retrocesso enorme. A bancada ruralista não tem o menor pudor de afirmar que não deixará pedra sobre pedra no Código Florestal, mesmo com o país acolhendo o maior evento ambiental do mundo nos próximos dias, a Rio + 20.
O que o movimento ambiental vai fazer agora? Pedir socorro ao Greenpeace? Chorar nas saias da Dona Dilma? Se for por aí, assistiremos a uma retumbante derrota da civilização e da sustentabilidade no Congresso Nacional, e ao fortalecimento político do que há de mais reacionário no país. É necessário um enfrentamento numa escala muito superior à do varejo dos sem-terra.
A sociedade não pode se acomodar e assistir passivamente políticos passarem o trator no Congresso e aceitar que o novo Código Florestal será democrático, porque trará no seu bojo a condenação do futuro. O desafio é parar a motosserra e deixar claro que a produção rural terá que se submeter a critérios de sustentabilidade. É derrotar historicamente o latifúndio e as oligarquias rurais. E agora, quem vai encarar?
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