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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

MÍDIA BANDIDA 0067 : Globo tenta golpear Sindicato dos Jornalistas do RIo de Janeiro

O Sindicato dos Jornalistas do RJ levou o jornal O GLOBO à justiça do trabalho por atitude antissindical ao incentivar abaixo-assinado para destituir sua diretoria, por insinuar participação dos dirigentes em ações de vandalismo e por difamações. Ontem deve ter havido a primeira audiência no TRT. Todo apoio e solidariedade ao sindicato e à sua diretoria contra os ataques patronais!

Jornal ‘O Globo’ terá que se explicar à Justiça sobre conduta antissindical

 
‘O Globo’ terá que se explicar à Justiça trabalhista sobre acusação de conduta antissindical. A 1ª Vara do Trabalho realiza nesta quinta-feira (07/08) audiência sobre ação movida em março pelo Sindicato contra o jornal por reportagens e editoriais publicados em fevereiro deste ano e que tinham o claro objetivo de criminalizar a entidade de defesa dos jornalistas cariocas. As matérias vieram em resposta à atuação do Sindicato sobre empresas e Estado para garantir a segurança dos profissionais logo após a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade, que foi atingido por um rojão disparado por manifestantes ao registrar um protesto na Central do Brasil. Se for condenado, ‘O Globo’ terá que pagar R$ 100 mil ao Sindicato e publicar um direito de reposta com o mesmo número de linhas e colunas das acusações.
Reportagens do ‘Globo’ à época diziam que o sindicato havia se tornado alvo de críticas da categoria por não condenar o suficiente os culpados pela morte do jornalista e atuar mais na cobrança por segurança e paz. Além disso, o jornal levantou suspeitas sobre a conduta da presidente Paula Máiran, tentando associá-la a manifestantes que acenderam o rojão que matou Santiago. Um editorial chegou ao ponto de, sem apresentar provas, mencionar ‘sindicatos de jornalistas aparelhados e desconectados da profissão’. As matérias sugeriam ainda a destituição da atual diretoria e a criação de um novo sindicato – que não se concretizaram.
De acordo com Cláudia Duranti, advogada do Sindicato e responsável pela ação, as matérias publicadas ferem não só a Constituição, que determina a primazia da liberdade sindical, como também a convenção 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe a criação de organizações de trabalhadores dominadas por um empregador ou por uma organização de empregadores.
“Há toda uma ação discriminatória, intimidatória, difamatória e com a finalidade de obstaculizar a ação sindical, de denegrir a imagem do Sindicato frente aos jornalistas, principalmente no momento em que a campanha salarial se instaurava”, afirma Claudia Duranti.
Condenada por ‘O Globo’, a atuação firme do Sindicato por medidas de segurança para os jornalistas foi uma das poucas ações de entidades representativas da categoria, em nível nacional, a atingir um objetivo concreto. Investigação do Ministério Público do Trabalho, a partir de denúncia do Sindicato, resultou em uma lista com 16 recomendações de segurança a serem seguidas pelas empresas jornalísticas, entre elas o respeito à cláusula de consciência – que garante ao profissional o direito de recusar tarefas em desacordo com o Código de Ética sem sofrer represálias-, a adoção de equipamentos de proteção individual adequados às realidades da cobertura jornalística na cidade e a realização de cursos de capacitação. As 12 recomendações foram enviadas a todas as empresas jornalísticas do Rio em junho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

BB : Deputado Ivan Valente denuncia práticas antissindicais

Nestes tempos de sindicalismo cooptado e de ouvidos moucos do governo Dilma em relação ao que acontece nas empresas do governo coube ao deputado Ivan Valente, do PSOL, fazer um discurso corajoso mostrando ao parlamento o que está acontecendo no Banco do Brasil. No PT, silêncio cúmplice. Segue a íntegra do discurso:

"BANCO DO BRASIL: BOM PARA TODOS?

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,

Subimos a tribuna neste dia com uma série de questionamentos ao Banco do Brasil e, por conseguinte, ao governo federal. Chegou ao nosso conhecimento, através do movimento sindical, que os abusos trabalhistas cometidos pelo banco tem causado aos seus funcionários a lembrança temerosa dos anos FHC. Uma época em que a exploração continuada, a pressão por resultados, a falta de diálogo e a criminalização do movimento chegaram ao seu auge. Agora a história se repete sob o governo Dilma e, não por coincidência, com o mesmo objetivo: aumentar os lucros para pagar os juros da dívida.

Os relatos dos trabalhadores são realmente impressionantes, e assustam inclusive aqueles que entram no Banco do Brasil por concurso, acreditando em condições melhores de trabalho em comparação ao setor privado. Segundo os sindicatos, a empresa pública tem um enorme passivo trabalhista por não respeitar a jornada de 6 horas diárias para os bancários, expressa no artigo 224 da CLT. O cumprimento da lei tem sido a maior luta dos trabalhadores do setor em tempos recentes, dado o grau de desrespeito praticado pelo BB.

A reação do banco à campanha salarial de 2012, no entanto, ao invés de cumprir a legislação, foi propor um acordo draconiano aos trabalhadores: adequar os cargos que seriam criados em 2013 à jornada de 6 horas, o que significa que os atuais trabalhadores, que tem cumprido 8 horas, continuariam na mesma situação.

Mas o escárnio do Banco do Brasil para com as justas reivindicações de seus funcionários não parou por aí. No fim de janeiro, o banco “sugeriu” que, para fazerem jus à jornada de 6 horas, os assistentes – mais de 15 mil trabalhadores – teriam uma redução salarial de 16,25% no seu salário bruto e que chega a mais de 80% nas verbas internas que compõem a remuneração de cada trabalhador. A “opção” oferecida aos seus funcionárias é a manutenção da jornada de 8 horas ou a redução salarial. Uma proposta que afronta a própria Justiça, que tem dado razão aos bancários e exigiu do BB a redução da jornada sem redução salarial.

Tentando estancar a enxurrada de processos, o banco ainda impôs aos que trabalham na gerência média – mais de 40 mil trabalhadores – alterações nas atribuições dos cargos, imputando mais responsabilidades com o intuito de caracterizar tais cargos como funções de confiança. A medida mira justamente dificultar que estes trabalhadores venham a pleitear a jornada de 6 horas na Justiça sem, contudo, aumentar adequadamente a remuneração. Muito pelo contrário. Em caso de migração de local de trabalho, pode até haver redução, já que muitas verbas que compõem a remuneração passaram a ser temporárias.

Para cerca de 4 mil trabalhadores (analistas e cargos outros), o BB deu um prazo absurdo de apenas seis dias para a assinatura de um termo de migração. Caso não o fizesse neste tempo, o bancário seria sumariamente descomissionado, perdendo assim até 70% do seu salário. Alguns sindicatos entraram na justiça e conseguiram a extensão do prazo de assinatura, mas o banco continua praticando a coação.

O governo Dilma trata o BB como uma empresa privada qualquer. Por todo o país aumentam os casos de descomissionamentos (perda de cargo e salários) arbitrários de trabalhadores. Não bastasse isso, a pressão por metas é insuportável, pois o banco tem um modelo de gestão de pessoas idêntico ao dos bancos privados. A consequência deste modelo de gestão interna é multiplicação dos casos assédio moral nas dependências do banco, configurando uma situação estrutural de violência organizacional.

Segundo a Intersindical, as consequências do péssimo tratamento dado pelo BB têm causado uma série de problemas se saúde aos seus funcionários, como adoecimento exponencial e principalmente doenças psicossomáticas ligadas ao stress no local de trabalho. Os casos de suicídio na categoria dos bancários chegam a ser de um a cada 21 dias e a geração que trabalha hoje no BB leva a alcunha de “geração tarja preta”, dado o número de trabalhadores que precisam de remédios ansiolíticos e antidepressivos.

Há ainda denúncias relacionadas aos trabalhadores terceirizados, os quais o BB simplesmente se desresponsabiliza pelos abusos trabalhistas cometidos pelas empresas, e aos estagiários, que ganham uma bolsa estágio de pouco mais de R$ 320,00, ticket de similar valor e vale transporte de R$ 3,00.

Diante do descalabro da situação enfrentada pelo funcionalismo, a categoria tem se manifestado. Em março ocorreu paralisação de 24 horas na base do sindicato de São Paulo, Osasco e Região. No fim de abril, paralisação de 24 horas que, além de São Paulo, contemplou as principais bases sindicais do país. Em outros dias deste ano já ocorreram manifestações contrárias as arbitrariedades perpetradas pelo banco.

O fato é que o Banco do Brasil atua como um banco privado qualquer, tanto na sua gestão financeira quanto na gestão dos seus recursos humanos. Mesmo quando o governo federal usa o banco para financiar a expansão do consumo, este encargo não pode cair sobre os seus trabalhadores. Ainda, de acordo com o ajuste fiscal do governo Dilma, os lucros do BB – R$ 12,2 bi em 2012 – assim como de outras estatais, é destinado para o pagamento da dívida pública como manda a Lei 9.530/97, um saque ao patrimônio público assinado por FHC em nome da pagamento da dívida. Ou seja, nenhuma política pública é financiada pelos lucros do BB.

Manifestamos nosso apoio ao movimento dos bancários por condições dignas de trabalho e de acordo com a legislação trabalhista. Que o governo faça do slogan do Banco do Brasil, o “bom pra todos” mais do que uma peça publicitária paga pelo povo na grande mídia. Que seja bom e decente para seus trabalhadores também.

Muito obrigado."

Leia também em nosso site: http://www.ivanvalente.com.br/blog/2013/05/banco-do-brasil-bom-pra-todos/