domingo, 31 de janeiro de 2010

Fla 5 x 3 Flu : o Cuca é nosso!

Jogo emocionante, mais pela falha dos técnicos que pelas jogadas em si. No primeiro tempo, o Flamengo jogou muito mal armado, e deixou o Fluminense criar chances de gol que só não emplacou no primeiro tempo por ruindade mesmo. Fred não jogou, coisa e tal, e esperar de Conca grandes coisas é querer milagres. Fecharam o 1° tempo em 3x1, com o Flamengo livrando unzinho porque teve um pênalti imbecil sobre Adriano, que bateu e marcou.

No segundo tempo, Andrade deu uma reforçada com Willians e o nosso grande conhecido Cuca, o retranqueiro, tentou administrar a diferença recuando o time. Em vez de sair consagrado do Maracanã com uma goleada esculachante sobre o Mengão, Cuca cometeu o erro de sempre, e acabou vendo uma fila de gols do Flamengo, que desde os 17 do segundo tempo jogava com um a menos. Uma virada histórica, que contou com os talentos de Adriano, Wagner Love e a burrice do Cuca, para a nossa felicidade. E a galera comemora: esse Cuca é nosso!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Flamengo vence mas decepciona

Fui ao Maracanã ver goleada. O Americano, time de Campos, perdeu de 5 para o time do Olaria, por que não tomaria uma saraivada do melhor time do Brasil, com Adriano, Wagner Love, Pet e grande elenco? Encontrei por lá até uns militantes de esquerda que também foram ver o Americano se lascar. E o que vimos foi uma atuação pífia, displicente, desorganizada e medíocre do Flamengo, com alguns lances geniais que valeram o ingresso de R$ 40,00 da arquibancada. Um deles foi o do terceiro gol, numa tabelinha de grandes craques a partir do meio de campo entre Adriano e Wagner Love, concluida com um golaço por este.

Mesmo considerando que o juiz parecia fazer parte do outro time, expulsando sem critério o jogador Leo Moura e tendo dois pesos e duas medidas na marcação de faltas, nada explica, por exemplo, o comportamento e posicionamento de Juan, onde morria boa parte das jogadas por falta de iniciativa do jogador. A defesa, mesmo jogando bem, permitiu o segundo gol numa bobeada geral. E a torcida não merecia passar pelo sufoco do fim do jogo, quando no último minuto o Americano quase empatava o jogo, fazendo um gol anulado por impedimento.

Alguns acharão exagero, afinal, o Mengão ganhou todas as 4 partidas que disputou, e é forte candidato ao título, daí a minha visão parecer perfeccionista. O fato é que em todas as partidas a torcida passou por sofrimento. Hora de rever as táticas, e de observar o técnico Andrade, que até aqui vem dando a sorte de contar com uma equipe de ótimos talentos e que se auto-organiza. Foi um 3 x 2 com gosto de derrota.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Venezuela : turbulência à vista

Aparentemente os distúrbios de rua mostram conflitos entre simpatizantes e opositores de Hugo Chavez por causa do fechamento da principal emissora de TV da oposição na Venezuela. Paralelamente, acontece a licitação para a exploração das reservas de petróleo pesado da Bacia do Orenoco, com potencial para a extração de 1,2 milhões de barris diários, quase a produção brasileira inteira. Com a condução soberana pelo governo Chavez, as empresas terão que se enquadrar em quesitos que não seriam exigíveis caso o governo fosse mais "amigo" das multinacionais. Isso reduz lucros e tira poder dos cartéis. Heresia pura, para eles.

Com bases americanas na Colômbia, 7 mil "marines" no Haiti tomando conta de aeroportos e portos, mais essa licitação que será aberta no dia 28 envolvendo negócios da ordem de 20 bilhões de dólares, o fechamento da TV da oposição pode servir de argumento para "forças democráticas" fazerem uma aventura por lá. Como a direita venceu em Honduras, primeiro com o golpe sobre Zelaya e depois com a eleição de um presidente mais à direita, e depois no Chile, na eleição onde a esquerda se dividiu, a gorilada pode estar se animando, tendo no menu também a Argentina.

Vasco goleia o Botafogo e é favorito...

Com a vitória por 6 x 0 no último domingo, o Vasco tenta recuperar seu lugar de vice-campeão carioca, conquistado pelo alvinegro nos últimos 3 anos. Com o Flamengo partindo para o tetracampeonato do Rio, os dois tradicionais vices estão numa disputa acirrada pela honra do vice-campeonato inédito. O Botafogo não quer deixar barato e aposta na recuperação para sagrar-se tetra-vice.

domingo, 24 de janeiro de 2010

DF : Arruda e a Copa de 2014

Hoje saiu no O GLOBO uma reportagem com novas denúncias envolvendo o governador do DF, Arruda, desta vez com fatos estranhíssimos ocorridos na disputa de Brasília para ser uma das sedes da Copa de 2014. A matéria trata de um contrato sem licitação com uma pequena empresa de eventos, envolvendo pagamentos de R$ 9 milhões, para a promoção do evento do jogo Brasil x Portugal, no fim de 2008.

O governo Arruda é uma árvore de frutas podres esperando pela colheita. No mesmo episódio, uma grana pública do GDF muito maior foi usada para reformar o estádio do Gama, clube de natureza privada, que está na terceirona do campeonato brasileiro, e depois do evento não foi usado para mais nada de importante, e não será utilizado para a Copa, talvez para treinamentos. Essa reforma, orçada em R$ 30 milhões, teve seu valor aumentado por serviços complementares pedidos pelo próprio Arruda.

O Ministério Publico e o Tribunal de Contas do DF deveriam entrar no assunto com lentes mais possantes. A omissão no esclarecimento dos fatos envolvendo dinheiro para a Copa de 2014 pode afastar eventuais interessados em investir no evento.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Bolívia : Morales toma posse oferecendo terras

Sem muito alarde na mídia, hoje aconteceu a posse do segundo mandato do presidente boliviano Evo Morales, eleito com 65% dos votos. Menos espetaculoso que Hugo Chávez, e mais focado e radical que Lula, Morales teve um primeiro mandato de resgate da soberania da Bolívia sobre seus recursos naturais, aumentando os preços das suas "commodities" como o gás. Tais recursos permitiram a criação de programas sociais de distribuição de renda e educacionais, que melhoraram as condições de vida de amplos setores da população.

Morales também promoveu a atualização da constituição, criando o conceito de estado plurinacional, com respeito às culturas de cada povo que habita a Bolívia. Na posse, Morales fez um chamamento aos bolivianos que vivem no exterior para voltar ao país, oferecendo terras que foram desapropriadas ou expropriadas por terem sido adquiridas irregularmente ou por serem consideradas improdutivas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Haiti : a exposição das mediocridades

Hoje nas sempre bem escolhidas "cartas do leitor" do jornal "O Globo" algum destaque é dado a um tipo de opinião que compara a ajuda humanitária do Brasil ao Haiti com a carência de recursos por aqui. Numa delas se diz que enquanto aqui os remédios estão mais caros "e pesam no bolso dos aposentados", estamos mandando remédios de graça para lá. Outras criticam o estado dos nossos hospitais, que estariam sendo preteridos pelo envio de médicos e equipamentos para o Haiti. Essa é a mesquinharia humana, amplificada pela mídia para tentar de alguma forma tirar uma casquinha da situação para dar porrada no governo Lula.

De longe a nossa observação fica limitada aos relatos da mídia e de testemunhas ligadas a organizações sociais daqui, e o que vemos é uma dissonância entre o que aparentemente acontece e o que se propõe. Do lado do governo federal, após a visita do ministro da Defesa Nelson Jobim ao Haiti é a vontade de reforçar o destacamento atual com mais 1300 pessoas, entre policiais, engenheiros, médicos, bombeiros e soldados, além da ajuda material em remédios e alimentos. Junto vai o interesse brasileiro em ficar bem na foto para conquistar a vaga no Conselho de Segurança da Onu e se firmar como potência regional. Parte da mídia direitista vê o Haiti como oportunidade de negócio, e a presença do Brasil como necessária para assegurar futuros quinhões, não no mercado deles, mas como plataforma de exportação para a América do Norte.

Já o "companheiro Obama" foi direto ao assunto: a ajuda americana será controlada pelos americanos, e mandou um grande destacamento militar para lá. Com razão, não confiam nas autoridades locais para garantir o acesso das pessoas aos mantimentos, que sistematicamente são disputados ora pela fome, ora para abastecer as redes de câmbio negro do crime organizado. Já de certa parte da esquerda (uns bem à "esquerda") brasileira vejo coisas incríveis para quem tenta liderar seres humanos pela sua libertação. No auge da anarquia e da barbárie, alguns propoem a imediata retirada das tropas brasileiras (e por extensão, de todos os que compoem a "força de intervenção capitalista" da Minustah) de lá, e que o povo se auto-organize para fazer a distribuição da ajuda internacional e, se possível, aproveite o clima para fazer uma revolução socialista. E para não ficar mal na foto, o Brasil deveria doar a "comitês populares" o valor do que gastaria com as tropas para ajudar na recuperação.

Dizem que é nas crises que aparecem as oportunidades para alguns de maior visão investirem para, no momento seguinte, faturar muito. No caso do Haiti, não há "ganha-ganha". Até o cônsul haitiano em São Paulo falou em oportunidade do país dele ficar "mais conhecido", num video ultrajante pelo racismo e intolerância religiosa explícitos feitos pelo SBT, disponível neste link. Se fosse na África, e não tivessemos gente nossa morrendo por lá, dificilmente estaríamos tão envolvidos. Com estamos com um pé por lá, e tem a poucos quilômetros os interesses geopolíticos dos EUA, Cuba, Venezuela, os nossos, os das gangues haitianas e de políticos corruptos que querem ser novos "Papa Docs", os perdedores serão os de sempre: os miseráveis excluidos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Rio de Janeiro (RJ) - Mirante Dona Marta

O Mirante Dona Marta fica numa das subidas
da Floresta da Tijuca para o Corcovado, vindo
de Santa Teresa ou do Cosme Velho. Tem a melhor vista dos cartões postais do Rio : o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. E muito mais vistas muito bonitas.

Do Mirante partem vôos panorâmicos de helicóptero, a preços individuais que vão de
R$ 150,00 por 6 minutos a R$ 865,00 por uma hora, passando por todo o litoral da cidade do Rio de Janeiro e de Niterói.

Na base do Mirante fica a favela Dona Marta, que virou vitrine do programa Unidade Policial Pacificadora, onde foi erradicado o domínio dos traficantes, no bairro de Botafogo. No Mirante há policiais de plantão e boa quantidade de vagas para estacionamento. A visita é gratuita.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Globo: indenizações de anistiados são "investimento rentável"

Enquanto manifestantes fazem protesto em São Paulo com fotos de militantes desaparecidos durante a ditadura, porque Lula mudou o texto do Plano Nacional de Direitos Humanos para aparentemente agradar aos que fogem à verdade, o jornal de direita "O Globo" coloca sua opinião junto à matéria da pág. 8, de hoje, uma pérola do revanchismo :

"Generosidade : A cada pagamento a título de indenização por supostos danos causados pela ditadura fica mais evidente que a resistência aos militares virou um rentável investimento. Agora, a Comissão de Anistia distribuiu dinheiro público a filhos e até netos de perseguidos políticos. Ainda chegará a vez de bisnetos."

Ficou claro que a campanha de "O Globo" contra a busca da verdade no período da ditadura vai além da mudança no texto do PNDH-3, mas quer, se possível, cassar as indenizações às famílias das vítimas dos crimes cometidos pelo estado brasileiro ou pela sua omissão diante de paramilitares e civis que destruiram vidas, famílias, carreiras, e até agora estão dispostos ao revanchismo. Se é um bom investimento, deveria estar na página de economia, incentivando a burguesia a entrar na luta contra a gorilagem na próxima vez que houver uma ditadura.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PNDH-3 - mudanças de vírgulas e bodes

Muito ruim para os militares brasileiros que pressionaram o Ministro Jobim a pretexto de "descontentamento da tropa" com o texto do PNDH-3, com a satisfação na retirada da Comissão da Verdade e mais alguns bodes colocados na sala, ou melhor, no texto. Quem ler a história do Brasil no futuro verá que nossos valorosos militares temeram a "Comissão da Verdade", que pretendia resgatar a memória dos períodos ditatoriais. E cuja aprovação ainda dependeria do Congresso, com grandes chances de não ser aprovada.

Quem também perdeu no episódio foi o bloco ruralista, que não quer saber do governo mediando conflitos agrários, e os donos de rádios e TVs, que não querem produzir programas que respeitem a dignidade humana, e mentem sobre censura e controle de linhas editoriais como se fosse para jornais, revistas, enfim, um "Big Brother" maior que o deles. Sem os militares reclamando, o bloco dos "contra" perderá sua componente política golpista e tudo ficará do jeito que está, com eles chorando que nem torcida de um certo time alvinegro carioca que sempre se diz injustiçado.

Moral da estória: criaram a marola, na prática nada muda, porque o período de resgate da memória, com ou sem Comissão da Verdade, abrangerá de 1946 até os dias atuais, e fica nas mãos do STJ, como sempre ficou, com ou sem decreto, a tarefa de aprovar ou não a investigação dos crimes de tortura da ditadura militar, apesar da Lei da Anistia. Para azar da direita, entrou na pauta da mídia a tragédia do Haiti, que levará tempo suficiente para que se esqueça da "crise" do plano de direitos humanos.

Haiti : a tragédia da tragédia

As poucas imagens disponíveis até agora dos efeitos do terremoto que acabou com o praticamente nada que existia de organizado e público no Haiti, mostram como uma nação pode condenar seu povo à morte pela corrupção dos seus dirigentes, pela falta de interesse da comunidade internacional porque é um país sem recursos. Na TV não é possível diferenciar se as pessoas que sofrem são as que sempre sofreram porque não tinham nada, ou se são as que agora perderam tudo.

O fato das nossas forças armadas não terem um canal de comunicação próprio com o Brasil, apesar dos 1200 homens da força de paz que lá garantem a ordem, é mais um sintoma da precariedade da infra-estrutura para as tarefas do nosso pessoal. E o que é pior para eles: mesmo sob impacto da morte de vários dos nossos soldados e da destruição parcial das instalações, terão que se superar rapidamente para organizar a baderna geral que tomará conta de tudo. Saques, câmbio negro, hordas de famintos agora mais famintos, isso é assunto para as forças brasileiras e da ONU administrarem.

As doações internacionais são pífias, da ordem de dezenas de milhões de dólares. Muito pouco perto dos bilhões gastos em guerras diariamente apenas pelos EUA. Essa miserabilidade tem a ver com a certeza do desvio dos recursos nas mãos das autoridades corruptas do local. Sabendo disso, Lula articula com Obama a centralização da coordenação da ajuda através do comando brasileiro, reorganizando a logística e evitando as perdas, além de obter, com uma credibilidade que falta ao governo local, mais apoio para os primeiros socorros e depois para a reconstrução.

O empenho brasileiro na coordenação da ajuda internacional pode ser a demonstração de qualificação que falta para pleitear a vaga no Conselho de Segurança da ONU. A gente tem a capacidade para administrar, vide o bom resultado em Timor Leste. Isso certamente fará que Lula acabe indo por lá, para chamar a atenção para o problema.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rio de Janeiro : o verão é aqui

Eu estava reclamando dos 30 gras de Brasília e agora, com 40 graus no Rio, a sensação de andar na rua é de abrir a porta de um forno. Um bom horário para ir à praia é a partir das 4 da tarde, pois o sol ainda está muito forte, dura até as seis, anoitece às 7 e meia, e todo mundo que está de férias está lá. Água do mar quente, dias perfeitos, esse é o Rio do verão. Uma dica daqui: ir para a Ilha Grande. A maioria das pousadas fica na praia do Abraão, onde não tem nenhum morro próximo ameaçando desabar, ao contrário dos preços, que estão de promoção poque quem não conhece, cancela o pacote. O único porém é a Rio-Santos, mas pode-se pegar a barca em Mangaratiba, sem precisar ir a Angra.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DF : recomeça a guerra do panetone

Hoje Brasília amanheceu com os displays de propaganda dos pontos de ônibus pichados com os dizeres "Fica Arruda". Nos arredores e em frente à Câmara Legislativa, que hoje volta à ativa em convocação extraordinária, manifestantes contra e a favor de Arruda criam o clima de tensão. Na cidade envergonhada amadurece a idéia de que Arruda não cairá se não houver muita pressão, porque tem nas mãos o controle da Câmara, em cuja presidência reassumiu o deputado Prudente, conhecido como o homem do dinheiro nas cuecas e nas meias.


Arruda fez uma provocação numa cerimônia pública há alguns dias dizendo que "perdoava as acusações" e também pedia perdão. Seu cinismo jogou mais gasolina na fogueira do impeachment, e deixou a população que acompanha o episódio com mais disposição para pressionar e se manifestar. Nos próximos dias o andamento dos trabalhos de investigação na Câmara dirá se Brasília partirá para uma verdadeira Guerra do Panetone.

O orgulho brasiliense está premido pelo calendário, pois em 21 de abril a cidade comemoraria os seus 50 anos e, com Arruda nos palanques, o mínimo que acontecerá será o luto. Desde já a opinião pública e os movimentos sociais deveriam pressionar Lula a não participar de atividades com Arruda, mesmo que sejam as alusivas aos 50 anos da cidade. Arruda e Paulo Octávio, seu vice, têm que cair antes, para que Brasília festeje sua maturidade dizendo ao mundo que repudia a corrupção e que exige a punição dos políticos envolvidos em bandalheiras.

DF : A vergonha de Prudente

Ontem um grupo de manifestantes que pede a punição dos envolvidos no escândalo do Panetone foi à pacata rua onde reside o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, e fez uma manifestação em frente à casa dele. As cercas elétricas de segurança viraram um varal onde se jogaram cuecas e meias, em alusão à sua atitude flagrada em vídeo colocando dinheiro de natureza duvidosa nessas peças de roupas.


Nunca tinha visto alguém do poder ser apurrinhado em casa, onde moram esposa e filhos. Em geral as casas dos políticos são inacessíveis, como a Casa da Dinda, do Collor, que além da muralha tinha um imenso jardim escondendo as edificações. O mesmo acontece nos palácios da Alvorada e do Buriti, residências do presidente e vice-presidente da república, na Granja do Torto, também da presidência, e na residência oficial do governador do DF, que fica em Águas Claras. Nas imagens da TV, vizinhos acompanhavam com palmas os coros entoados pelos manifestantes.

Fico imaginando se isso fosse comigo. Como poderia sair à rua, esposa, sendo visto por todo mundo como bandido, odiado por ser pilhado e mostrado em imagens inegáveis recebendo dinheiro e enfiando-o na roupa? E meus filhos e esposa, apontados na escola, no trabalho, na rua, como parentes do homem do dinheiro na cueca e na meia? E, pior, apesar de tudo isso, como me sentiria passando por cima de tudo como se nada tivesse acontecido e reassumindo o cargo de presidente de uma Câmara Legislativa com a função de instalar as Comissões Parlamentares de Inquérito para apurar denúncias de corrupção contra mim e os meus parceiros?

Nos Estados Unidos, na Inglaterra e outros países onde a população é mais exigente em relação aos políticos, coisas bem menores que as que envolvem Prudente são motivo de imediata entrega do cargo, pedido público de desculpas, confissões de culpa e fim de carreira política, isso se não rolar uma cadeia no meio. No Japão, políticos em situação de desonra aqui e ali tiram suas próprias vidas. No presente caso, infelizmente, o que pode acontecer é o político vender a casa e se mudar para outro lugar mais distante do julgamento público. Será que esses caras não têm um pingo de vergonha?


domingo, 10 de janeiro de 2010

PNDH-3 - Muita histeria, pouca informação

Pretendo colocar neste post alguns elementos para quem quiser realmente fazer um debate sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, escopo do Decreto n° 7.037 de 21/12/2009. Inicia o Decreto a citação à Constituição Federal, que confere ao Presidente da República, com base no art. 84 inciso VI, alínea "a", a competência privativa para dispor, mediante decreto, sobre a organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar em aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.


O referido plano, portanto, é uma política de governo, revogável a qualquer momento por um outro decreto de mesma natureza, e não tem a força de uma lei ordinária ou da Constituição. Tanto que esse decreto, no seu art. 7°, torna sem efeito o Decreto n° 4.229, de 13/05/02, do governo FHC, que criou um PNDH que valeu até sua substituição. Esse, por sua vez, tornou sem efeito o Decreto 1.904 de 13/05/96, que foi o primeiro também no governo FHC, sobre a mesma matéria. Na prática, cada PNDH veio a substituir o anterior, detalhando mais os eixos orientadores e as diretrizes para as diversas áreas de governo. O máximo que esses planos podem fazer, em respeito à autonomia dos poderes, é remeter projetos de lei ao Legislativo, caso se queira mudar ou acrescentar algo à legislação.

O Plano mais recente contempla ações orientadoras para todas as esferas do Poder Executivo, tratando de assuntos de interesse da igualdade de gênero, raça, da diversidade, do respeito às culturas e etnias, da segurança pública, justiça, idosos, educação, igualdade de oportunidades, minorias, tráfico de pessoas, trabalho escravo, tortura policial, enfim, é um conjunto de políticas que reforçam tudo que está previsto na Constituição para a cidadania. Em nenhum momento o Plano passa sobre as leis, mas propõe que se constituam comissões para elaborar projetos a enviar ao Congresso Nacional. O Decreto, portanto, não acaba com a Lei da Anistia nem cria qualquer tipo de controle aos meios de comunicação, como uma parte da imprensa afirma com certa histeria.

O que deixa os meios de comunicação da direita nervosos e aos alarmistas mal informados em polvorosa está no Eixo Orientador VI - Direito à Memória e à Verdade. O governo elaborará projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso propondo a criação da Comissão Nacional da Verdade, que terá a tarefa principal de examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período fixado pelo art 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988. Essa comissão teria acesso aos documentos históricos do período, e buscaria informações sobre mortos, desaparecidos e torturados, buscando resgatar a a verdade. Outras medidas no mesmo sentido são o levantamento dos atos de exceção ainda remanescentes na legislação brasileira, para discussão no Congresso buscando sua revogação.

O ataque furioso mais recente ao Plano diz que o governo vai controlar os meios de comunicação. A Diretriz 23 do Eixo Orientador V objetiva promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento do seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos. E coloca em uma das suas ações a criação de um marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição Federal, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para a sua outorga e renovação, prevendo penalidades que vão desde a advertência à cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas. Mais uma vez a bola é passada ao Congresso Nacional, que tem o poder para regulamentar o art. 221 da CF, que diz:

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Trocando em míúdos: alguns estão confundindo, por ignorância ou má-fé, o art. 221, que trata da baixaria, dos programas que ofendem a dignidade humana, com o art. 220 da Constituição, que trata da liberdade de imprensa, da censura, da criação, e que ainda tem o curioso parágrafo 5° , que diz algo bastante esquecido pela grande mídia e por todos nós, que deveríamos cobrar a bem da democracia:

§ 5º Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Uma outra falácia é a da possibilidade da PNDH-3 tornar letra morta a Lei da Anistia, de 1979. O governo Lula, a ONU, a OEA e diversas entidades internacionais de Direitos Humanos consideram que a tortura é um crime comum, e portanto não anistiável nem prescritível, mas a palavra final sobre o assunto está nas mãos do Supremo Tribunal Federal desde 2008, a partir da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n° 153, solicitada pela Ordem dos Advogados do Brasil.

A OAB
busca por meio da ação que o Supremo responda se a Lei da Anistia, editada no final do regime militar, abrange apenas os crimes políticos ou abrange também os crimes de tortura, praticados por agentes do Estado na repressão. O processo está parado desde 2008, e essa definição poderá criar ou não as condições para o processo aos torturadores. Não depende, portanto, da vontade do Governo Lula. A Associação dos Juízes para a Democracia tem no seu site um abaixo-assinado destinado ao STJ pedindo que não se anistie os torturadores.


Uma leitura de cima a baixo no decreto mostra uma excepcional qualidade da política de Direitos Humanos proposta, visando beneficiar a cidadania. Evidentemente que há os que devem, e temem, e infelizmente têm capacidade de fazer grande alarde propagando suas visões distorcidas dos fatos. Nenhuma lei será alterada pelo Decreto, cabendo esse papel ao Congresso Nacional. Assim sendo, cabe aos que têm algo a perder com as políticas fazer a democrática disputa junto aos seus representantes no Legislativo, mas parece que democracia não é bem a praia deles.

Londres : Darwin Centre

Anexo ao Museu de História Natural, e com entrada igualmente grátis, está o prédio futurista do Darwin Centre, onde se destaca o Cocoon (casulo), uma espécie de Arca de Noé de caixa-forte onde se guarda materiais coletados ao longo da história do Museu e informações sistematizadas sobre a vida animal e vegetal de todo o mundo. São mais de 20 milhões de espécies compondo o acervo. Nele trabalham centenas de cientistas que eventualmente participam de expedições para buscar novos conhecimentos pelo mundo, a exemplo de Darwin.

Londres : Museu de História Natural

O Museu de História Natural de Londres reúne acervos que vão de répteis pré-históricos a animais e plantas de todos os continentes e de diversas épocas, coletadas pelos seus cientistas, sendo o mais famoso Charles Darwin, autor da Teoria da Evolução das Espécies. A entrada é gratuita. O prédio lembra cenário de filme de Harry Potter, até porque os colégios fazem visitas constantes e as crianças se parecem muito com os personagens do filme.

Uma grande área é destinada aos animais pré-históricos, com esqueletos gigantescos, reconstituições de animais extintos, painéis informativos multimídia, e um Tiranossauro Rex robótico, que faz pequenos movimentos e assusta os visitantes. Essa visita leva pelo menos uma hora para adultos. Quem leva crianças fica muito mais. Na saída tem uma loja enorme de livros e produtos do museu.


Londres : Earls Court, bom lugar para ficar

A hospedagem em Londres é extremamente cara. Hotéis de duas estrelas cobram na faixa de £ 80.00 a £ 120.00 (R$ 243 a R$ 363), preços que no Brasil pagamos em hotéis ou pousadas de bom padrão em praias. Como descartamos os albergues, mais por desconhecimento que pelo que a gente já viu aqui pelo Brasil, optamos por reservar logo pela Internet um quarto num hotel no bairro de Earls Court, onde há muitos de 2 a 3 estrelas. Olhando no Google Earth a localização, consideramos a melhor opção custo-benefício, já que a distância ao centro é caminhável (coisa de 4 km), e tem um entroncamento de metrô com trens disponíveis para muitos lugares .



A reserva em mãos evitaria problemas com a imigração, já que chegar sem ter onde ir poderia criar problemas como os que vimos com pessoas que foram para a Espanha e foram mandados de volta. No aeroporto de Heathrow não nos pediram nada disso, mas é melhor errar por excesso que por falta, nesse caso. Do aeroporto pegamos um metrô para Earls Court pela linha Picadilly Circus, levando uns 40 min de viagem. Mesmo com malas grandes conseguimos embarcar no trem, evitando assim pegar um táxi na faixa de £ 100 (R$ 310), pagando apenas £ 2.60
(R$ 7,83) por cabeça. Esse é um grande macete. A estação de metrô local também é uma das que dispõe de instalações de acessibilidade, o que não é comum a todas as estações do Underground.

Sem maiores informações sobre o bairro, e com uma experiência anterior ruim, quando fiquei num hotel perto do Museu de Mme Tussaud, que na época era barra pesada, saltamos na estação Earls Court com a grata surpresa de ver que o lugar era muito bom, com uma rua de comércio variado, bons restaurantes e fast-foods, supermercados, e um verdadeiro nicho de hotéis instalados nos prédios de arquitetura vitoriana onde os leiautes dos apartamentos levam os hóspedes a exercícios de contorcionismo

Depois de alguns dias descobrimos um hotel por £ 48 (R$ 148) a diária, suficiente para as nossas necessidades de dormir e guardar com segurança as coisas, bem situado, com calefação, jarra elétrica para aquecer água (essencial para café e sopa), e banheiros onde pessoas mais espaçosas certamente teriam problemas. Nas andanças a pé consultamos outros hotéis em Chelsea e Notting Hill, mas eram poucos e até mais caros. No hotel mais barato, quase todos os funcionários de atendimento eram brasileiros, o que agregou mais valor pelas informações mais detalhadas que pudemos obter.

No local é possível andar a pé à noite, sempre com alguns cuidados, evitando ruas mais escuras e desertas. Os hotéis ficam num raio de 300 m da estação, e próximos ao Earls Court Convention, onde acontecem exposições e shows. A mais ou menos 1 km fica o estádio de futebol do Chelsea. A 200 m da estação de metrô Earls Court fica a Cromwell Street, que no sentido do centro tem muitos hotéis mais caros das grandes redes internacionais. Andando por essa rua chega-se sem cansar ao Museu de História Natural, ao Museu de Albert e Victoria, à loja de departamentos Harrod's, ao Albert Hall e ao Hyde Park (3 quadras à esquerda) e, seguindo nela, chega-se ao Monumento a Wellington, de onde se pode partir para vários passeios, como o Palácio de Buckingham, Abadia de Westminster, Parlamento, Big Ben, numa caminhada de uns 6 km.

Gabeira quer apoio do PSDB para o senado

O balaio de gatos do PV vai ter que segurar essa onda do tucano pintado de verde carioca. Uma olhada no site do deputado Gabeira dá idéia do tipo de engenharia política que pode sustentar o palanque de Marina Silva: http://www.gabeira.com.br/gabeira/politico/1662-gabeira-quer-apoio-do-psdb-para-aumentar-tempo-na-tv-definicao-para-senado-sai-em-fevereiro . Essa matéria não está nos sites da mídia de direita, mas no do próprio político.

Gabeira acha que ser candidato ao governo do Rio com o apoio do PSDB, como foi na eleição para prefeito que perdeu em 2008, não será possível já que o partido terá uma candidatura à presidência concorrente com a do PSDB. Mas, já para o senado, vale tudo! Marina Silva, que é uma pessoa digna, deve estar se contorcendo com isso. E o PSOL que vai ser aliado, vai ter que se explicar muito a boa parte da sua base e aos grilos falantes do PSTU...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Direita quer militares contra Dilma

O ano eleitoral de 2010 começou com jogo pesado da direita. Sem condições de bater em Lula por falta de condições morais e de propostas, e pela popularidade inédita do presidente, que não será candidato a nada, concentram-se na derrubada da pré-candidata Dilma Roussef apelando ao que há de mais reacionário: a tentativa de envolver militares em algum tipo de aventura contra a ex-guerrilheira.

Primeiro, inflou-se na mídia a importância de um decreto que cria uma política de direitos humanos, que na prática pode trazer aos tribunais os criminosos de guerra que torturaram durante a ditadura, em nome do Estado. Entre estes estão laranjas podres das forças armadas, todos já de pijama, cuja impunidade pode contaminar a caserna com uma pretensa convicção de constituirem um poder autônomo acima das instituições democráticas. Uma meia-dúzia de criminosos pelos quais nenhum militar digno deveria botar as mãos no fogo. Dizem que a Lei da Anistia será considerada letra morta, privilegiando os ex-guerrilheiros de esquerda, como Dilma Roussef.

Mais gasolina foi jogada com o vazamento de um relatório da FAB favorável à compra do jato sueco com peças americanas, contrariando interesses do governo de estabelecer parcerias com a França para fugir à dependência e eventual suspensão de suprimentos e peças para as aeronaves em caso de confronto com os EUA. A mídia já diz que isso seria uma represália à política de direitos humanos, para deixar Lula com a espinhosa tarefa de opor-se ao parecer dos militares, caso decida comprar os Rafale.

Aí vão duas jogadas perigosas: a primeira depõe contra a credibilidade da FAB, já que seu parecer deveria ser sigiloso por questões de segurança nacional, denotando que alguns militares entraram no jogo da politicagem; a outra é colocar militares para pressionarem o presidente constitucional por uma política que deveria ser abraçada pelas forças armadas em defesa da democracia, afinal, duvido que algum oficial queira ter o "direito" de torturar e matar pessoas ao arrepio da lei.

Tudo isso desemboca na criação de uma ofensiva de direita contra a candidata Dilma Roussef, contra quem será tentado colocar a pecha de inimiga das forças armadas e, seguindo a lógica da inimputabilidade pela pretenção de "poder acima dos poderes" dos militares, ela seria inimiga da Pátria. Os próximos dias dirão se Lula irá se submeter à chantagem da direita ou se tomará as providências cabíveis, como a abertura de inquérito para punir os responsáveis pelo vazamento de relatório sigiloso da FAB e negar qualquer alteração na política de direitos humanos, que veio para impedir que novas barbaridades aconteçam.

Londres : Rio Tâmisa à noite

Depois de uma longa caminhada que começou no Museu da Torre de Londres (London Tower), passando pela Ponte de Londres, Queen's Walk, Southwark, St. Paul's Cathedral, continuamos a pé rumo à estação do metrô Westminster, que fica em frente ao Big Ben. No caminho, encontramos a Golden Jubileum Bridge, que recebeu o nome em homenagem aos 50 anos de ascensão da Rainha Elisabeth II ao trono britânico. É uma ponte estaiada de pedestres, apoiada nas fundações da vizinha ponte ferroviária Charity Cross Bridge, que oferece uma visão excepcional do Rio Tâmisa, tendo de um lado a London Eye, roda-gigante que se tornou cartão postal da cidade, e do outro o relógio Big Ben e o Parlamento. Apesar das limitações da máquina fotográfica, consegui tirar essa fotos do visual a partir da ponte.

Londres : St. Paul's Cathedral

A catedral de St. Paul está no local da atual, construída em 1700 depois do último grande incêndio de Londres, desde o ano de 604. Chega-se lá de metrô pela estação St. Paul, ou vindo da outra margem do Tâmisa pela Millenium Bridge.


É uma catedral anglicana, muito similar às da igreja católica romana, onde tivemos a sorte de chegar no início da Evensong, às 17h, que é uma liturgia cantada por um coral tradicional, acompanhada pelo som de órgão, entrecortada pelas palavras de um clérigo. Mesmo para quem não tem nada a ver com a religião, é um espetáculo que vale a pena ver.

No subsolo da catedral há uma cripta com loja de produtos religiosos, lanchonete e espaço para recepções. No entorno da catedral St. Paul's Church há uma área comercial chamada Paternoster, com prédios comerciais modernos, restaurantes e a London Stock Exchange, bolsa de valores da Inglaterra.

Londres : Southwark, Millennium Bridge

Chegando ao final da Queen's Walk, entramos pelo bairro de Southwark em busca do tradicional Borough Market, um mercadão que servia ao bairro com hortifrutis, carnes, peixes, etc. À tarde não tinha praticamente nada aberto, até porque boa parte está fechada para obras, mas deu para ver a bela construção em estrutura de aço.

Continuando a caminhada por ruas meio esquisitas (o lugar é meio caído, antigo) seguimos a rota do Shakespeare Global Theatre pelas placas indicativas, e retornamos à margem do Tâmisa seguindo ruas com boas lojas de bebidas, restaurantes e pubs, como o The Anchor, um dos mais antigos da cidade. Logo depois fica o teatro, construído em 1599 e reconstruído em 1990, que fica aberto das 10h às 17h para visitação com ingresso de adulto de £ 10.50 (R$ 33). Não visitamos porque havia muita coisa pela frente, e começava a anoitecer (às 16h as fotos já tinham que usar flash).

Logo a seguir vem a Millennium Bridge, ponte metálica moderna, que atravessa o rio até a Peter's Hill, onde está a Catedral de St. Paul. Na entrada da ponte fica a Tate Gallery, de arte moderna, que deixamos para ver noutro dia. Essa ponte foi feita em homenagem à virada do milênio, e, apesar de ser de pedestres, teve que ser reforçada porque originalmente balançava muito. E ainda balança.
Ao fundo da foto da Millennium Bridge, vemos a Catedral.

Londres : The Queen's Walk


A cidade de Londres tenta revitalizar as antigas áreas portuárias com a construção de calçadões e adaptando antigos armazéns a atividades comerciais ou residenciais. Saindo da London Bridge uma opção é caminhar à margem do Tâmisa pela Queen's Walk, passando pelo futurista prédio da prefeitura de Londres, pela Hay's Galleria, pelo navio de guerra HMS Belfast (exposição permanente), chegando ao bairro de Southwark.

Tempo adequado de passeio de 1h, considerando até um lanche na Hay's Galleria e as muitas fotos cabíveis da paisagem.

Londres : Tower Bridge

Quem sai do Museu da Torre de Londres (London Tower) tem a opção imediata de conhecer a mais famosa ponte sobre o Rio Tâmisa, andando pela calçada externa do museu e subindo a escadaria até o nível da ponte. Pagando £ 7.00 (R$ 22) de ingresso e subindo uma escadaria numa das torres, chegamos a um patamar onde é exibido um video contando a história da ponte, desde a discussão política para a implantação, aprovação do projeto, construção e inauguração. Recomendo levar por mais £ 2.50 (R$ 7,80) o livreto "Tower Bridge Exhibition", especialmente para quem gosta de engenharia e arquitetura. Mais uma subida e chegamos à plataforma que interliga as torres sobre o vão levadiço, onde temos uma boa visão a montante e a jusante do Rio Tâmisa.










O projeto da ponte obrigava a continuidade da navegação no Tâmisa sem interrupções. Cerca de 50 projetos foram apresentados e a solução adotada, com a parte central basculante, foi aprovada em 1876 e inaugurada oito anos depois. Vale a pena o passeio, que é complementado com a visita à casa de máquinas que fica abaixo do nível da pista, e a loja de souvenirs, na saída da torre. Deve ser reservada no mínimo 1 hora para a visitação. Mais informações em www.towerbridge.org.uk.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Londres : Museu da Torre













Para chegar ao Museu da Torre de Londres (London Tower) , pega-se o metrô até a estação Tower Hill, onde logo na saída encontra-se um sítio arqueológico com pedaços da antiga muralha romana de Londres. Também há um relógio de sol com inscrições no chão mostrando os principais eventos da história da cidade.

O ingresso para a Torre a a exposição Henry VIII - Dressed to Kill, custa £ 17.00, mais ou menos uns R$ 53. Para uma visita razoável, deve-se reservar umas 3 horas, no mínimo. Fotografias não são permitidas na maior parte da visita, por isso, prepare a memória para guardar muita coisa.

Como não fomos ao Museu de Londres nem ao Museu Histórico da Inglaterra por falta de tempo, concentramos a atenção nessa visita, já que pela história da cidade passaram os principais acontecimentos da Grã-Bretanha.

A visita é extensa porque são visitados vários prédios com diversas histórias e acervos. Há a parte de fortificação, os belos pátios internos, o museu dos fuzileiros navais, a caixa-forte que é museu das jóias da coroa britânica, e a exposição de Henrique VIII, aquele que rompeu com a igreja católica romana, fundou a anglicana e teve uma penca de mulheres. Também foi criador de armamentos, armaduras, projetista de fortificações.

Na saída dessa exposição está uma outra, referente a 1000 anos de arquitetura militar. A lojinha de souvenirs tem muita coisa interessante, de livros a réplicas em metal de soldados, cavaleiros, armamentos e outros objetos bonitos e caros.

A London Tower fica às margens do rio Tâmisa, perto da London Bridge, aquela famosa ponte levadiça que virou o símbolo da cidade. Até lá a caminhada é de uns 4oo m.






Kassab enfrenta protestos em área alagada

As imagens televisivas do Jardim Romano, em São Paulo, lembram em pequena escala as de New Orleans (EUA) após a passagem do furacão Katrina, com grandes áreas que ficaram permanentemente alagadas. No caso do bairro paulista, há um mês que tudo está alagado, sem furacão. Hoje o prefeito Kassab (DEMO) foi ao local justificar o injustificável, e teve que enfrentar moradores que lhe cobraram pelo descalabro.


Como é que a prefeitura autoriza a construção numa área alagadiça, sem escoamento? Quem deu a licença para a obra, e depois o "habite-se"? Alguém na prefeitura fez isso, e agora todos sofrem com a falta de condições técnicas que teriam que ser verificadas pelas autoridades quando da autorização para a construção. Na falta de providências imediatas possíveis, o prefeito poderá mandar trocar o nome do bairro para Jardim Veneziano, afinal, Roma e Veneza ficam relativamente próximas, é tudo na Itália...

Angra dos Reis (RJ) - a lama dos deslizamentos

Não foram apenas os maciços rochosos que afloraram com a tragédia que matou mais de 50 pessoas em Angra. Há os erros humanos que vão da falta de licença ambiental para a Pousada Sankay (e certamente para outras da região), há o relatório do Tribunal de Contas do Estado considerando a posição da pousada irregular e solicitando a sua demolição, há as lições não aprendidas com a tragédia anterior da cidade, há o populismo permitindo construir qualquer coisa em qualquer lugar e agora se fala em demolir 3.000 casas em risco, mais a flexibilização da lei para construir em áreas de proteção, enfim, não há só terra e pedras, mas muita lama nos fatos trágicos de Angra.


Apenas 6,5% da verba federal do Ministério da Integração Nacional para prevenção de desastres naturais foram gastos em 2009. Destes, o Rio de Janeiro aplicou 1%, e 40% foram para a Bahia, coincidentemente terra natal do ministro Geddel. O governo federal vai jogar nas mãos dos mesmos irresponsáveis que cuidam mal da cidade a quantia de R$ 80 milhões para reparar os estragos, e depois virá mais do Minha Casa, Minha Vida para a construção de novas casas. Estradas, contenções, agora tudo vem nas promessas. E a cidade, que é polo nuclear e naval do Rio, agora fala em sistema de prevenção de catástrofes.

São tantos os erros e omissões de autoridades, associadas à ganância da especulação imobiliária e do comércio que não respeita limitações ambientais, que parece que querem jogar um pano rápido sobre os fatos para não ficarem patentes a incompetência e a irresponsabilidade deles todos. Agora que os corpos foram praticamente todos encontrados, Angra sumirá do noticiário em alguns dias, e tudo voltará ao "normal". Ninguém será punido, e a culpa recairá sobre aqueles que, infelizmente, estavam no lugar errado na hora errada e foram tragados por toda essa lama.

Argentina : governo não manda no Banco Central

A gente critica o fato dos juros brasileiros não caírem a níveis que a economia real permite, por ter um tucano dirigindo o Banco Central e ser uma espécie de embaixador dos banqueiros no governo. A coisa é maior: o BACEN está a um passo de ser autônomo em relação ao governo brasileiro, e essa possibilidade faz parte de um pacote que FHC e sua turma implantaram para permitir que o Brasil tenha dois governos: o do mercado e o formal.


No Brasil ainda há poder para o presidente destituir o presidente do Banco Central, mas o mesmo não ocorre com as Agências Reguladoras criadas por FHC, verdadeiras interventoras em setores estratégicos da economia. Na Argentina a presidente Cristina Kirchner está travando uma guerra para destituir o presidente do Banco Central local, chegando a baixar decreto para destituí-lo. Martín Redrado disse que irá recorrer da decisão, e juristas questionam se a presidente teria poder para fazê-lo. O Banco Central argentino é autônomo desde 1994, e o seu presidente só pode ser destituído, antes do fim do mandato, pelo Congresso.

Não podemos deixar que o Banco Central brasileiro seja autônomo, como na Argentina, apartado das estratégias do governo. O assunto envolve a regulamentação do Art. 192 da Constituição Federal e se arrasta no Congresso, talvez porque o governo Lula preferiu não bater de frente com os banqueiros e interesses estrangeiros que, mesmo sem autonomia, fazem do BACEN uma verdadeira mãe para os parasitas do lucro fácil. Diferente da Argentina, que se recusou a pagar as montanhas de juros aos credores, Meireles continua no cargo porque Lula não quer tirá-lo, e não por imposição legal.

Boris Casoy ofende garis no ar : uma vergonha!

Fim de ano nas emissoras de TV parece sinal de férias coletivas. Bom para os titulares, que passam as festas descansando, e bom para alguns reservas, como repórteres e apresentadores, que têm a oportunidade de mostrar os seus trabalhos. Em contrapartida, mostram erros também. Mas quando a equipe técnica de apoio fica reduzida, parece que ninguém substitui e os erros são risíveis. É a reportagem anunciada que não entra na hora, é a troca da matéria, e o cara que deveria fechar o áudio no intervalo do noticiário.


Foi nessa que dançou o apresentador Boris Casoy, no Jornal da Band da véspera do ano novo. Na hora de um intervalo, apareceu uma saudação de dois garis desejando um feliz ano novo. Sem saber que estava com o áudio, Boris fez um comentário arrogante e preconceituoso, dizendo rindo " que merda, dois garis desejando feliz ano novo, do alto das suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho". No dia seguinte, comentou a gafe e pediu desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band ... Isso é uma vergonha!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Hoax : O "Ratimbum" satânico

Tem gente que parece que não me conhece e manda umas bobagens que acabam me tomando tempo porque sou intolerante com crendices. A última foi um caô que diz que, ao cantarmos o tradicional "Parabéns prá você", cometemos um grande erro no trecho "é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, ra-tim-bum" seguido do nome do aniversariante, porque ratimbum seria uma palavra mágica usada por bruxos persas que significaria "eu amaldiçôo você". Ou seja, ao cantarmos a musiquinha de parabéns, estamos abençoando e amaldiçoando a pessoa. A coisa vai a ponto de dizerem que coisas estranhas sempre acontecem depois dos aniversários, e que "o maligno adora festejar a ruína do homem".


O programa infantil "Castelo Ratimbum", que passava na TV Educativa, por essa lógica, deveria ser um programa satânico, maldito. E o Nescau, que tinha um slogan "Nescau, Nescau, Nescau, pararátimbum, deve ter amaldiçoado toda uma geração de crianças. Pior ainda se os pequenos vissem o programa, tomassem o achocolatado e tivessem a musiquinha cantada no seu aniversário na íntegra. Ratimbum é uma onomatopéia, a imitação de um som, no caso, do repique de um tambor, encerrando a música. O pior é ver pela Internet a quantidade dessa bobagem repetida em blogs, twitter e comentários. Tenham dó da nossa inteligência, por favor.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Rio : Light é reincidente em baixa qualidade

Durante todo o mês de novembro o Rio passou por blecautes na distribuição de energia, de responsabilidade da concessionária Light. A ANEEL comunicou no seu boletim Energia n° 396, de 04/12/09 a aplicação de multa de R$ 3,9 milhões à empresa por descumprimento dos indicadores de meta de qualidade de 2008. Entre elas, a interrupção do fornecimento de energia aos consumidores por um período maior ou por mais tempo que alguns parâmetros determinados pela Agência.


Diz ainda o boletim : "A Aneel também reforçou a equipe que apura as causas dos blecautes que estão atingindo a área de concessão da empresa. O grupo irá analisar as condições dos equipamentos das redes subterrâneas dos bairros afetados pelas interrupções. A fiscalização fará visitas in loco para identificação das causas dos defeitos apresentados e análise dos relatórios gerenciais das últimas manutenções. A agência estima que no prazo máximo de dez dias o relatório esteja concluído. Caso a fiscalização emergencial constate falhas de planejamento, manutenção e/ou operação a empresa está sujeita à multa de até 1% do seu faturamento, segundo procedimentos estabelecidos pela Resolução nº. 63/2004."

A Light tentou jogar a culpa dos blecautes nos consumidores das áreas mais ricas do Rio, que estariam comprando muitos aparelhos de ar condicionado, sobrecarregando a rede existente, e a defeitos em cabos subterrâneos, ao se defender dos apagões dos dias 13, 23 e 24/11. O presidente da Light chegou a dizer que os moradores do Leblon deveriam usar menos ar condicionado, e que são mais exigentes que os da baixada, deixando a entender que quem reclama, tem, e quem não reclama, fica por isso mesmo.

Pelo andar da carruagem, vão tomar outra multa e o problema de distribuição de energia no Rio vai sendo empurrado com a barriga, sem planejamento, previsão de ampliação, com manutenção deficiente a partir dos eventos de falha, e a população sofrendo. Como o Rio de Janeiro ficou décadas sem investimento e agora vai receber refinaria, siderúrgica, novo polo petroquímico e mais demandas energéticas por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, acho que seria o momento das autoridades pensarem no interesse público e tomarem uma decisão mais efetiva.

A Lei n.º 8.987/95, que rege a concessão e permissão de serviços públicos, prevê punições mais severas, como a intervenção do poder concedente (Art. 32) com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço. Também são aplicáveis:
-> a encampação (Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento da indenização, na forma do artigo anterior);
-> a caducidade (Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a critério do poder concedente, a declaração de caducidade da concessão ou a aplicação das sanções contratuais, respeitadas as disposições deste artigo, do art. 27, e as normas convencionadas entre as partes.) . Neste caso, pode-se enquadrar uma concessionária reincidente em diversos quesitos:

I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo por base as normas, critérios, indicadores e parâmetros definidores da qualidade do serviço;II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou regulamentares concernentes à concessão; III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força maior; VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido de regularizar a prestação do serviço.

O problema não é de falta de leis, mas de gestores para fazê-las cumprir a bem do interesse público.








terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tragédias "naturais" : a conta amarga da irresponsabilidade

Vi anteontem na Globonews um meteorologista da UFRJ dizendo que há ótimos técnicos em diversas instituições com teses e pesquisas sobre o clima de Angra e sua correlação com os desabamentos, mas que não há coordenação suficiente para que se estabelecer um parâmetro pluviométrico que dispare um alerta. Isso em Angra, onde a presença das usinas nucleares deveria ter criado na população e nas autoridades a cultura da prevenção de catástrofes e exercícios periódicos de evacuação, etc. No Japão, que tem terremotos, furacões e outros incidentes climáticos críticos, a prevenção e o treinamento minimizam as vítimas. Por que não nas nossas áreas sujeitas a surtos?

Outra coisa que a gente vê na cobertura da TV é a fila de autoridades reclamando das posturas populistas que favorecem a ocupação de várzeas alagáveis ou de encostas instáveis. Alguns falam que políticos, cabos eleitorais, milicianos e traficantes "vendem" áreas públicas e privadas para as ocupações, e alguns até dão o chamado "kit favela", com tijolos e telhas para criar comunidades que futuramente serão currais eleitorais.

Antes que o clima emocional da tragédia deixe os noticiários, autoridades agora correm atrás de dinheiro para a reconstrução, em cifras que as cidades vitimadas dificilmente veriam nos seus orçamentos anuais. A policitagem que agrava as tragédias climáticas por votos, corrupção, incompetência, omissão ou tudo junto, fatura também em cima da destruição e das mortes. Se não fosse assim, uma cidade como Angra, arrasada há uns 10 anos por uma outra chuvarada, não teria agora que demolir 80 casas emergencialmente e realocar mais alguns milhares de moradores a custos elevados.

Já se foi o tempo em que a principal batalha para regularizar o uso do solo em Angra era a construção de servidões e demolição de muros para acesso a praias privatizadas pelos bacanas. Depois da desgraça, agora a prefeitura proíbe a construção de qualquer edificação em encosta sem sua autorização. E antes, podia? Agora a gente paga a conta do retrabalho, e pode vir a pagar de novo, porque "esfriada" a cena da tragédia, ninguém mais vai atrás de como foram aplicados os recursos arrecadados no clima emocional onde todos querem ajudar.

Burj Dubai - entregue o maior prédio do mundo

Apesar da crise de caixa, investidores de Dubai inauguraram com uma festa digna de conto das mil e uma noites o prédio mais alto do mundo, o Burj Dubai, com 660m de altura, ou seja, mais do dobro do tamanho do Empire State Building, de Nova Iorque. Custou 1,5 bilhões de dólares, e tem mais de 1000 apartamentos de luxo, dois hotéis e andares para empresas. Mais detalhes em www.burjdubai.com.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Datafolha : Flamengo amplia torcida com hexa


Pesquisa do Datafolha após a conquista do Hexa mostra que a torcida do Flamengo cresceu 2% em relação a 2008, passando a 19% da preferência das pessoas com mais de 16 anos, na média nacional. No norte e centro-oeste, é o time preferido por 30% , e no nordeste, de 25%. Na faixa dos jovens, de 16 a 24 anos, é o preferido de 23%.

Segundo a pesquisa "Time de Preferência", no Rio de Janeiro os números a favor do Flamengo são arrasadores:

"No Estado do Rio de Janeiro, o Flamengo é o primeiro colocado com quase três vezes o percentual obtido pelo segundo colocado. São 46% que declaram torcer para o rubro-negro, ante 16% que torcem para o Vasco. Botafogo e Fluminense atingem 9%, cada. Na capital os resultados são parecidos: Flamengo é o time preferido de 43%, afirmam torcer para o Vasco 18%, citam o Fluminense como time do coração 11% e declaram torcer para o Botafogo 9%."

Em Brasília o Flamengo tem 31% das preferências, e é o preferido também no Ceará, Santa Catarina e diversos outros estados. A maior torcida do mundo cresceu mais, e na pesquisa não foi considerada a criançada nem os adolescentes rubro-negros que terão um futuro melhor, sem os sofrimentos nem as humilhações dos que trilham os caminhos da paixão pelos times de perdedores. A estes está reservado o papel de chorar e questionar os seis títulos nacionais do Mengão (seria "só" Penta na conta deles) e os dados da pesquisa do Datafolha. Faz parte.


















DF : revistas com novo escândalo somem das bancas

Corre em Brasília que assessores do senador do DF Gim Argello teriam comprado o máximo possível da edição da revista ISTO É n° 2094 de 23/12/09, que trazia matéria questionando o seu enriquecimento fantástico desde que assumiu o mandato em 2007, para abafar a repercussão das denúncias. Gim Argello assumiu o senado no lugar do ex-governador Joaquim Roriz, que teve que pedir para sair para não ser cassado por falta de decoro em virtude de processos por corrupção.


A matéria "O homem de R$ 1 bilhão" diz que Argello declarou em 2006 à Justiça Eleitoral que seu patrimônio somava R$ 805.625,09, o que contrasta com apenas um dos seus imóveis, uma casa na Península dos Ministros avaliada em mais de R$ 5 milhões. Argello também teria muitos imóveis e negócios em nome de parentes e assessores, entre eles emissoras de rádio, tv e uma das mais rentáveis franquias dos Correios.

Uma denúncia gravíssima partiu da dona de um loteamento irregular que afirmou que Gim Argelo exigiu 100 lotes no Condomínio Pousada das Andorinhas, para que ele, quando era deputado distrital, encaminhasse na Câmara Legislativa um projeto para a legalização da área. Ela disse também que antes da legalização um lote era vendido por R$ 30 mil, e depois, por R$ 300 mil.

O governador Arruda vem alardeando que no seu governo dezenas de áreas irregulares foram legalizadas, e o Ministério Público do DF já abriu processo para apurar as denúncias que envolveram propina para deputados distritais para aprovação do novo Plano Diretor, merecendo estender a investigação às regularizações feitas pelo governo. Aí pode estar um imenso filão de enriquecimento, corrupção e ganhos para a especulação imobiliária do Distrito Federal.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Angra dos Reis (RJ) - Depois da porta arrombada...


A Globonews fez hoje bom jornalismo, e dedicou bons espaços em tempo real para o acompanhamento da crise provocada pelas chuvas na região da Rio-Santos, que atingiu Cunha (SP), Paraty (RJ) e, principalmente, Angra dos Reis (RJ), onde a cada momento se contabilizam novos mortos retirados de áreas onde houve deslizamentos de encostas. Mostrou muitas imagens, acompanhadas por um engenheiro ou geólogo da COPPE - RJ, que trabalha na análise desse tipo de riscos, e levantou informações ao vivo, permitindo avaliar melhor o que acontecia.


Também entrevistou autoridades, que disseram coisas muito importantes para identificar as causas das tragédias e para mostrar que os riscos dos moradores da região são muito maiores que se pensa. Agora há pouco o prefeito de Angra pediu o desligamento das usinas nucleares de Angra I e II (foto), porque a região está sem acessos, com a Rio-Santos interditada. Noutra entrevista, o vice-governador do Rio disse que falou com o presidente Lula e que uma proposta para evitar maiores estragos a Angra seria a duplicação da Rio-Santos até Paraty. Outra seria uma a construção de uma nova estrada ligando Resende a Angra, por conta da ampliação do parque nuclear com a construção de Angra III (o urânio é enriquecido em Resende).

Do governador Sérgio Cabral, ouvi que os deslizamentos eram fruto de muitos anos de populismo, onde se permitia a construção ou se ofereciam casas à população carente em áreas reconhecidamente de risco. E que o governo faria programas de habitação popular para minorar o problema de ocupação das encostas. E que seria necessária a revisão da política de ocupação do solo. Além dessas declarações, houve outras que reforçaram a tese da fatalidade, da chuva excessiva no período, como se tudo estivesse muito bem construido, geotecnicamente correto, e que o ocorrido foi um acidente imprevisível.

De tudo isso, fica a impressão que esperaram a casa ser roubada para reforçarem a porta arrombada. A Rio-Santos cruza uma área de instabilidades geológicas, e na sua construção, por economia, não foram feitas as obras de estabilização dos maciços que seriam necessárias a uma perfeita segurança. Será que a duplicação piorará os problemas, com a realização de mais cortes e aterros sem as devidas salvaguardas técnicas? E os planos de contingência para emergências nas usinas nucleares, continuarão reféns da péssima condição das estradas e de uma defesa civil pouco estruturada? E as eventuais soluções habitacionais eliminarão todas as construções em áreas de risco, que são muitas e bastante povoadas? Na hora da crise, todo mundo promete tudo.

Planaltina (DF) - Vale do Amanhecer


O povoado do Vale do Amanhecer fica a 45 km de Brasília, na cidade-satélite de Planaltina. Tem cerca de 23.000 habitantes, entre os quais 90% são seguidores da Doutrina do Amanhecer, fundada em 1959 pela médium clarividente Tia Neiva. A doutrina, espiritualista cristã, contém elementos de várias religiões, médiuns indígenas e extra-terrestres.


Os trabalhos espirituais acontecem todos os dias, mas é aos sábados que as atividades são mais intensas. Os seguidores vestem roupas que lembram cavaleiros cruzados ou franciscanos e as mulheres usam trajes que lembram ciganas. Há diversos tipos de vestimentas conforme a função de cada um dos participantes. O vilarejo tem toda infra-estrutura urbana e os seus moradores levam vidas normais, trabalhando nas cidades próximas.














No local há 3 espaços notáveis : o morro onde fica a "elipse", de onde se vê a bela vista de todo o vale; um centro com várias edificações que servem aos trabalhos espirituais, além de lanchonetes e lojas de souvenirs, e uma grande área em torno de um lago, onde há uma pequena pirâmide e espaços demarcados diferenciados por cores.

Há pessoas atenciosas que fazem a recepção dos turistas e curiosos que visitam o local, e têm toda a boa vontade de tentar explicar como funciona cada área de trabalho, mesmo assim é muito difícil o entendimento do que acontece por lá. Assemelha-se às sessões espíritas e da umbanda, com recebimento de entidades, canalização de energias para curas, etc.

É um daqueles lugares que você vai, não entende nada, e depois sai correndo atrás de saber mais sobre aquela cultura. Nesse sentido, encontrei este vídeo do Fantástico sobre o Vale do Amanhecer.

Planaltina (DF) : 150 anos



Fundada possivelmente em 1790, a atual cidade satélite de Planaltina comemorará seus 150 anos ao mesmo tempo que Brasília faz 50 anos. Fundada na corrida por ouro e esmeraldas, a cidade serviu de ponto de apoio para as expedições que mapearam o Distrito Federal e para o início das obras de construção da capital federal. Era o único povoamento com sede no quadrilátero do atual DF. A cidade tem no centro a secular igreja de São Sebastião e o Museu Histórico e Artístico de Planaltina, que até o dia 13 de junho de 2010 manterá a interessante exposição "Casa Histórica de Planaltina", com mobiliário do início do século XX. Planaltina dista 38 km de Brasília pela BR-020, que liga a capital a Fortaleza (CE).

Planaltina (DF) : Pedra fundamental do Distrito Federal

Brasília fará 50 anos em 2010 e pouca gente sabe que por séculos se pensou em tirar a capital do litoral por motivos de segurança, já que tanto Salvador como o Rio de Janeiro eram vulneráveis a ataques estrangeiros. Segundo a Wikipedia, em 1822 "José Bonifácio de Andrada e Silva, tão logo viu proclamada a independência do Brasil, ofereceu à assembléia constituinte, a que então presidia, uma Memória, onde demonstra as vantagens "de uma nova capital do Império no interior do Brasil, em uma das vertentes do rio São Francisco, que poderá chamar-se Petrópole ou Brasília...".

Na legislatura de 1852 a questão tornou a ser ventilada, despertando a atenção do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, que defendeu ardorosamente no compêndio "A questão da capital marítima ou no interior?". Coube-lhe a primeira verificação prática no local (1877). Apontou então como local mais apropriado "para a futura capital da União Brasílica o triangulo formado pelas lagoas Formosa, Feia e Mestre d'Armas, das quais manam águas para o Amazonas, para o São Francisco e para o Prata!". Determinava assim, com oitenta e três anos de antecedência, o ponto onde se iria instalar a nova capital.

Com o advento da república, volta a velha questão à tona, sempre ligada à defesa e ao desenvolvimento do país, afirmando-se expressamente, no art. 3o.da constituição republicana de 1891; "Fica pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.000 km², que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal." Floriano Peixoto (segundo presidente da república) deu objetividade ao texto, constituindo-se a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil (1892), sob a chefia do geógrafo Luís Cruls, que apresentou substancioso relatório, delimitando, na mesma zona indicada por Varnhagen, uma área retangular que ficou conhecida como Retângulo Cruls."


Para a comemoração do primeiro centenário da Independência, o presidente Epitácio Pessoa mandou colocar, em 7 de setembro de 1922, um marco fundamental (foto) num local próximo à cidade de Planaltina , em Goiás, mas nenhuma outra providência foi tomada no sentido de iniciar a construção da nova capital. A constituição de 1934 também dispôs sobre a nova capital, mas a idéia não foi colocada na constituição de 1937, voltando a aparecer na de 1946. Uma comissão técnica, em 1954, definiu os limites da futura capital. Em 1955 o presidente em exercício Nereu Ramos constituiu a Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal. Em março de 1957 o projeto urbanístico do arquiteto Lúcio Costa foi escolhido em concurso público, e iniciadas as obras de construção da nova capital, que foi transferida do Rio para Brasília em 21 de abril de 1960.

O marco histórico é acessado pela estrada DF-128, passando pelo Instituto Federal de Brasília (antigo Colégio Agrícola). Fica a cerca de 9 km do centro de Planaltina, e a estrada está parcialmente asfaltada, com uma parte em obras que merecem atenção do motorista.