segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rio : Imposição da paz?

O BOPE hoje tomou os morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na fronteira entre Copacabana e Ipanema, ponto de distribuição de drogas mais bem situado em termos de mercado consumidor da classe média alta. Vão colocar lá uma Unidade Policial de Pacificação, a UPP, a exemplo de outras comunidades. Como já tomaram as comunidades do Leme, na outra ponta de Copacabana, fica claro que a polícia quer sufocar o tráfico eliminando as bocas mais rentáveis. Pelo mesmo raciocínio, logo vão tomar (ou retomar para o controle do estado) o Vidigal e a Rocinha.

Vi uma autoridade falando que nesta etapa, com o BOPE, haverá a "imposição da paz". Fico imaginando o que seria isso. Algo como "ou fica em paz ou leva tiro". Faz lembrar a célebre frase do ex-ditador Figueiredo, que, perguntado se ele restauraria a democracia, disse: "quem for contra a democracia, eu prendo e arrebento"...

domingo, 29 de novembro de 2009

Taxa de estímulo à reciclagem de vasilhames

Revendo a papelada que trouxe da viagem à Alemanha, deparei-me com a cobrança de 0,25 euros numa nota de supermercado, a título de "einwegpfand", palavra que não tem nos dicionários, mas quer dizer algo como "taxa de estímulo à reciclagem". Ela é cobrada em diversos países europeus, EUA e Austrália, com valores e propósitos variados. Para entender melhor, acesse este link (container-deposit legislation) que fala da legislação americana sobre o assunto (em alemão é mais complicado...). Merecia ser discutido para implantação no Brasil.

Pode ser ressarcida em parte ou no todo se a pessoa que comprou produtos com embalagens tipo de leite longa vida, plásticas, metálicas ou de vidro levá-las de volta aos mercados. Alguns dão também sacolas plásticas em troca de recicláveis, já que a maioria dos estabelecimentos não fornece gratuitamente bolsas para embalar as mercadorias. De fato, vi várias pessoas entrando nos mercados trazendo garrafas e latas, achando que era só prá trocar por sacolas, mas tem o ressarcimento da tarifa também para estimular a coleta para reciclagem.

sábado, 28 de novembro de 2009

DF : Há malas que vêm para o DEM

Os flagrantes sobre o governador Arruda (DEM) foram coisa de profissional. Aqui por Brasília todo mundo já sabe quem fez tudo, e só botou o material na mão do juiz e da polícia para colher os frutos do plantio. O profissional, no caso, conhece tudo de patifaria, corrupção e fraude, mas quer sair de tudo isso como bom moço, e se candidatar à eleição de 2010, talvez com a bandeira da ética.

Dois videos já estão rolando na internet. Um, de Arruda botando a mão na bufunfa, outro, do seu assessor enchendo uma mala de dinheiro. Nunca a corrupção foi tão explícita, a gente sabe que existe, mas nunca viu um governador diretamente na cena. Quantas crianças esses bandidos deixam fora das escolas? Quantos reajustes salariais deixam de dar aos servidores? Quantas obras vagabundas e produtos de baixo nível não são empurrados aos cidadãos, para permitir a locupletação? De qualquer maneira, é bom que se denuncie isso, mesmo que choque as pessoas. Há malas que vêm para o DEM, mostra o video deste link,

O PT quer uma CPI e o impeachment. A OAB também quer a saída de Arruda. Pelo visto, poderemos comemorar os 50 anos de Brasília com um outro governador. Arruda já tem a ficha suja: quem tem memória, lembra que ele renunciou ao mandato de senador por ter sido flagrado na fraude do painel eletrônico de votações. O ex-governador Roriz também teve que entregar o mandato do senado por acusações de corrupção. Logo em Brasília, onde temos um eleitorado dito esclarecido...

Cesar Benjamin : o Mark Chapman de Lula?

O filme "Lula, filho do Brasil", mesmo antes da estréia, já está causando reações iradas. O pouco que vi do treiler é de fazer emocionar. Parece "2 filhos de Francisco". Promete forte identificação com os 80% de brasileiros que certamente irão se identificar com alguma das desgraças da narrativa, e que dão popularidade a Lula.

Que a Veja 2040 tenha dedicado sua capa para colocar Lula com uma auréola de santo, com o título "Lula: o mito a fita e os fatos" e subtítulo "Pago por empresas privadas com interesses no governo, o filme sobre a vida do presidente é um melodrama que depura a sua biografia, eudeusa o político e servirá de propaganda em 2010", é perfeitamente normal para a linha editorial da publicação de direita. As páginas que dedicou à destilação de ódio na tentativa de desconstrução de Lula, idem.

Agora, ver uma pessoa de credibilidade como o jornalista César Benjamin, que foi um dos fundadores do PT e ainda é um valoroso companheiro de esquerda, assacar contra Lula a acusação de assédio sexual contra um militante durante a prisão, sem testemunhas, sem provas, sem gravações, nada, em meio às tentativas de desconstrução de Lula que virão com o filme, é uma coisa que preferia não ter visto, ainda mais em artigo especial para a Folha de São Paulo.

Quantos de nós não vimos as nossas esperanças se dissiparem com a chegada de Lula ao poder? Quantos de nós não gastamos dinheiro, tempo, nos queimamos nos empregos, nas carreiras, perdemos vidas, para fazer do operário símbolo da luta de classes chegar lá, e depois vimos o abandono do programa de esquerda, a adesão aos valores do capital em boa parte das suas ações, o modo de governar com políticos corruptos comprados por mensalões, expurgos no partido, e muito mais coisas que nos dariam razões muito mais fortes que as da direita para odiar Lula?

Para a direita, Lula é o apedeuta, o iletrado, aquele que jamais deveria ter saído das senzalas do capital, pois entendem que o poder é coisa para gente culta, para os doutores e para os ricos. Lula é simplesmente desprezível, e deve ser destruído especialmente no campo moral e ético, já que o seu governo, infelizmente para eles, mostrou-se muito mais competente que os das oligarquias dos últimos 500 anos, mesmo jogando o jogo deles. O ódio deles é de classe, do preconceito, da arrogância.

Na esquerda, a figura mais odiada é a do traidor, a daquele que nos arrebatou os sonhos e os entregou ao patrão. Para muitos de nós, esse sentimento é forte o suficiente para querer ver a destruição do "companheiro", principalmente se estivemos muito próximos dele. O combate político ao que ele passou a representar deve ser feito em cada trincheira de sindicato, movimento social, dentro do PT (ainda há os que resistem), nos partidos dele derivados e na mídia, com base num programa mais avançado, pela oposição de esquerda, entendendo que, apesar de tudo, Lula não é a pela expressão da burguesia no poder, já que a desagrada e muito. Sem ilusões de disputá-lo, pois seu caminho para o centro é irreversível, apesar de aqui e ali vermos alguma conquista social ou posicionamento mais avançado.

Não conheço pessoalmente o César Benjamin, mas leio o que escreve e considero-o um dos bons quadros da esquerda com capacidade de elaboração. Teria tudo para dar credibilidade às suas acusações a Lula, não tivesse visto hoje os depoimentos de pessoas que têm grande divergência com o presidente, mas esteve presa com ele e deram seus depoimentos desmentindo a matéria de ontem, como o Zé Maria, presidente do PSTU e futuro candidato à presidência, e que tem razões de sobra para querer ver Lula se arrebentar.

O Planalto já se pronunciou, achando o epísódio coisa de psicopata, e já disse que não processará o jornalista. Talvez por que, ao contrádio de Cesar, tenha se preocupado em preservar a figura do importante quadro da esquerda, minimizando o episódio, que está fazendo a festa nos sites e publicações da direita. Estranhamente, até de sites mantidos por gorilas saudosos da ditadura, que foram responsáveis pela sua própria prisão. Seria bom que o jornalista pedisse desculpas, para não correr o risco de ser uma espécie de Mark Chapman de Lula. É lamentável que tenha servido a esse papel, de contribuir para o preconceito contra o trabalhador no poder.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

DF - Operação Caixa (dois) de Pandora - mensalão do DEM

Por ordem de juiz federal, a Polícia Federal apreendeu documentos e computadores nos gabinetes de diversos deputados distritais, na casa do governador José Roberto Arruda (DEM) e de secretários do seu governo, em busca de evidências de distribuição de propinas para a base aliada, na chamada Operação Caixa de Pandora. A investigação começou a partir de gravações feitas por um secretário do Governo do Distrito Federal, onde Arruda orientaria a distribuição de valores.

O dinheiro seria arrecadado de empresários e repassados a deputados e até a membros do Tribunal de Contas do DF, órgão que fiscaliza as contas do governo. Arruda é o único governador do DEM, e disputaria a reeleição no ano que vem, com risco de perdê-la para um forte adversário, o ex-governador Roriz, que na eleição passada elegeu-se senador e teve que renunciar para sustar denúncias de corrupção e evitar a cassação dos direitos políticos. Logo depois do incidente, Roriz já teve a cara-de-pau de declarar à imprensa: "Nunca imaginei que fosse ter corrupção no governo do Arruda".

Mesmo com o apoio do governo federal nas suas maiores obras, o governo de Arruda tem sido medíocre, com sensível queda de qualidade na educação, saúde e segurança. Com a revelação do caixa dois e do mensalão, o pouco que o DEM ainda tinha de argumentos para bater no governo federal acabou-se. Correm o risco de extinção nas próximas eleições, o que seria um avanço histórico para o Brasil, mas teríamos a ameaça da volta de Roriz ao DF como contrapeso. Seis por meia dúzia.

Moratória de Dubai : mais crise?

O governo de Dubai anunciou a reestruturação da sua empresa Dubai World, e como medida imediata propôs a moratória das dívidas até abril de 2010. Coincidentemente, os bancos do país ficarão fechados por 4 dias, a título de comemoração de uma data nacional. Como a Dubai World tem negócios e parceiros espalhados pelo mundo, e é devedora de vários bancos europeus, ontem as bolsas de valores do velho continente despencaram, temendo que esse calote seja o primeiro de vários previsíveis a partir do colapso das economias de países por causa da crise.

O que chama a atenção no caso é que Dubai apresenta ao mundo uma imagem de luxo e pujança, com seus hotéis fantásticos, condomínios feitos em aterros no mar, pista de esqui em pleno deserto e outras extravagâncias para os muito ricos. Mais ainda: Dubai é uma porção de terra que tampa uma gigantesca jazida de petróleo, e até aqui tinha um dos maiores canteiros de obras do mundo. Uma subsidiária da Dubai World, não atingida pelo calote, tem no Brasil uma parceria com a empreiteira Odebretch num empreendimento no Porto de Santos e praticamente nada mais, tendo o ministro Mantega afirmado que não seremos atingidos por ele.

Como ontem as bolsas americanas ficaram fechadas por causa do feriado de Ação de Graças, hoje é que vamos ter noção dos desdobramentos do problema, que pode jogar água fria na tímida retomada das economias dos principais países capitalistas, e abrir a porta para uma temporada de calotes, em especial dos países do leste europeu. Dubai tem lastro para cobrir as dívidas de 60 bilhões de dólares, e tem no momento um problema de fluxo de caixa. É como se a Petrobrás tivesse um momento de iliquidez, mas do jeito que os mercados estão sensíveis, o estrago pode ser maior.

Honduras : Obama mostra os seus limites

Em termos de mudar a postura americana com o que considera o seu quintal, a América Latina, o governo Obama manteve a reativação da frota naval que pode ameaçar o petróleo do pré-sal brasileiro, vai instalar bases militares na Colômbia, mantém o embargo a Cuba e vai legitimar o golpe de Honduras, reconhecendo o novo presidente que será eleito sob regime de exceção nos próximos dias. Seu lema passa a ser : "Change, we can't". Obama não tem margem de manobra para mudar nada, mesmo que queira, pois o poder real do capital, que manda nos EUA, não aceita.

O governo brasileiro, firme desde o início na postura de reverter o golpe ao acolher na sua embaixada o presidente deposto Zelaya, já disse que não reconhecerá o novo governo. Para algumas mentes colonizadas brasileiras, isso é uma grande bobagem, e ser pragmático neste momento seria o adequado, devendo o Brasil se alinhar com os Estados Unidos e não criar conflitos "à toa". Essa posição de submissão fortalece a postura americana de patrocinar golpes contra governos legitimamente eleitos e impor ditaduras, política que nos vitimou em 1964 com a imposição da ditadura militar.

Zelaya perdeu a parada, porque superestimou sua liderança sobre os movimentos sociais, que tiveram pouca força para reverter nas ruas o golpe. Mesmo que as eleições sejam tumultuadas, o eleito será empossado e, como quer Obama, isso passará uma borracha em todo o processo. Resta saber o que acontecerá com Zelaya, que teve sua volta ao governo vetada pela suprema corte hondurenha mesmo com a renúncia de Micheletti. Como a divergência entre o Brasil e os EUA virou notícia internacional, fica que temos um governo soberano que finalmente diz "não" a tudo que o Tio Sam manda.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Estacionamento gratuito em shoppings

O caso da lei estadual paulista que foi publicada e que horas depois teve seus efeitos suspensos por liminar da justiça é mais um episódio na luta pela gratuidade das vagas públicas de estacionamento. O de São Paulo resultou da aprovação pela Assembléia Legislativa de uma proposta que determinava a gratuidade do estacionamento de shoppings se comprovada a compra em valor superior a 10 vezes o do estacionamento, por até 6 horas, que foi vetado pelo governador José Serra, e promulgado pela Assembléia.

Os códigos de zoneamento urbano orientam a instalação das edificações conforme critérios de adensamento, gabarito, índice de ocupação e, além de outros, de criação de vagas de estacionamento. Para cada X metros quadrados de área construída, deve o autor do projeto disponibilizar Y vagas para uso público. Essa legislação existe para evitar impactos sobre as vizinhanças, como o uso das ruas próximas para estacionamento, sufocando o tráfego e tirando dos moradores e comerciantes as vagas já contabilizadas para as suas atividades.

Com os shoppings não é diferente. São obrigados a criar as vagas, e essas são de uso público, subentendo-se a sua gratuidade. Em São Paulo há shoppings que cobram até R$ 11 de estacionamento. Se a pessoa vai ao cinema de carro, gasta praticamente o valor da sua compra com o estacionamento. Acaba parando o carro nas ruas próximas, mesmo que o estacionamento do shopping tenha vagas. Se a justiça entender que os shoppings têm razão, logo veremos lojas que funcionam em ruas fechando as vagas públicas da rua ou de recuos e cobrando por elas, numa absurda privatização do espaço público.

Mais impostos sobre bancos, menos sobre o consumo e salários

As políticas de favorecimento de grandes cadeias produtivas através de renúncia tributária deram resultados tão surpreendentes que já se fala em crescimento do PIB brasileiro em 2% no último trimestre de 2009. Mantida essa tendência, Lula poderá terminar o último ano do seu governo com uma taxa de crescimento anual da ordem de 8%, patamar inédito desde os anos do " milagre econômico" . A indústria automobilística, por exemplo, terá em 2009 o seu melhor ano da história.

Acabo de chegar de uma visita a três capitais do filé do capitalismo europeu: Londres, Paris e Berlim, onde a imersão por alguns dias serviu para aferir um pouco da extensão da crise sobre as pessoas. Na Inglaterra a TV mostra as enormes filas para disputa de poucos empregos oferecidos. Em Paris, os desempregados estão ao alcance da visão em qualquer local turístico, na forma de esmoleres, batedores de carteiras, camelôs de quinquilharias, quase sempre migrantes ou descendentes de cidadãos das colônias francesas. Na Alemanha a situação não é tão visível de testemunhar, mas deve-se dar o desconto por Berlim estar em franco processo de transformação a partir de grandes obras, e dos ocidentais terem herdado uma imensa reserva de mais-valia na exploração do povo da antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik), ex-títere do estalinismo soviético. Talvez por ter essa grande massa de empobrecidos os preços encontrados tenham sido os mais baixos.

De qualquer forma, não se vê pessoas consumindo além do necessário nos supermercados e lojas de uso dos nativos, que frequentamos diariamente. Nos bistrôs parisienses o padrão é cafezinho e água, algo em torno de 5 euros, ou R$ 14, e ocupação da mesa para ler jornal e ostentar cara de intelectual. As "formules", que constam de combinações de entradas, pratos principais e refeições, não saem por menos de 15 euros por pessoa, ou seja, se um casal quiser comer no mais barato desembolsará cerca de R$ 80, fora a cerveja, na faixa de R$ 12, ou o refrigerante, na base dos R$ 6.

Esse nível de consumo está fora de cogitação para as classes médias nativas, e mesmo para certos turistas brasileiros que viajam a partir de promoções de passagens aéreas, hospedam-se em hotéis de duas ou três estrelas, andam muito a pé e comem na base de 8 euros por refeição (R$ 22) coisas que vão de alimentos tipo sanduba com fritas e refri de "fast-food" a comida "halal" dos árabes e coisas do mar feitas por asiáticos, fora as saladas e coisas para comer no pão compradas nos supermercados. Nesses países, os governos preferiram injetar dinheiro para salvar bancos que melhorar as condições de consumo.

Chego ao Brasil com a boa notícia da prorrogação da isenção de IPI para os carros flex, materiais de construção e agora para as cadeias produtivas de móveis, o que aquecerá a indústria de transformação em especial no sul do país, e permitirá aos novos ascendentes à classe média melhorar suas condições de habitação. Como a redução de IPI para a linha branca de produtos doméstico também foi um sucesso, no ano de 2010 vai ter muita gente satisfeita com o governo, e isso renderá potencial votação nos candidatos ligados a Lula. A classe operária só não está indo ao paraíso do consumo porque paga um poderoso imposto, paraestatal, o famigerado juro do crédito, bancário ou não.

Os bancos vão para o sétimo ano de obscenos lucros na era Lula. Têm no Banco Central um forte aliado na manutenção das altas taxas de financiamento da dívida pública, alimento rico para os bancos viciados em dinheiro fácil sem risco. Essas taxas pagas pelo governo balizam por baixo os juros cobrados do consumidor. Com a cartelização dos bancos na manutenção de altos juros no crédito mesmo com a redução da SELIC, o pobre coitado que quer se beneficiar da isenção de IPI para comprar materiais de construção, móveis e eletrodomésticos e até um carrinho acaba perdendo a vantagem para pagar aos bancos o "imposto" bancário.

A mídia do capital não fala mal das reduções de impostos, mas exacerbam a preocupação com o equilíbrio fiscal e com a inflação. E querem que o governo, ao invés de "jogar dinheiro fora" permitindo o consumo dos mais pobres, invista em infra-estrutura, usando o recente apagão como exemplo de necessidade imediata de mais recursos para o setor elétrico.

Outra notícia que me surpreendeu foi a da alta nas taxas de juros bancários, mesmo com todos os indicadores da economia mostrando recuperação. O processo é imoral. O banqueiro, aliás, todos eles mancomunados com o Banco Central, avaliam que o crescimento projetado poderá gerar inflação, e que o governo independente de Meireles irá aumentar os juros. O ovo ainda está em formação no interior da galinha e eles já estão aumentando os juros.

Falta ação do governo para submeter os bancos aos interesses da população, e há duas formas para isso: continuar a baixar os juros do BB e da Caixa para estimular a competitividade, e/ou taxar de forma mais incisiva os lucros de bancos, para gerar a receita que permita a redução permanente dos impostos sobre as cadeias produtivas de bens de consumo de maior necessidade popular. Taxou-se o capital especulativo que estava entrando aos turbilhões nas bolsas de valores, atrás de grandes retornos, como forma de evitar a supervalorização do Real, mas pouco adiantou. Poderiam aumentar mais a dose.

Nossos liberais de botequim começam a reclamar com muita cautela, afinal, redução da carga tributária é uma bandeira deles. Alguns falam que não se devia estimular alguns setores, e sim a economia como um todo. Entenda-se: aplicar linearmente cortes, o que favoreceria muito aos grandes e praticamente não beneficiaria aos que só pagam impostos indiretos sobre o consumo. Lula deveria ir para a história tomando medidas ainda reformistas, como a redução dos impostos sobre as cadeias produtivas dos alimentos, dos materiais escolares, dos remédios, elevação do piso da tabela do imposto de renda, favorecendo os assalariados da classe média, entre outros, e equilibrar o orçamento tirando de quem tem muito às custas da especulação e da exploração.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ressaca de viagem

Algumas pessoas sentem o chamado "jet lag", um mal-estar por viajar vários fusos horários rapidamente. De Londres para Brasília até que o fuso era de apenas 2 horas, mas a sensação de ressaca ficou por causa do tamanho do dia. Lá o sol estava nascendo quase às 9h, e se punha pouco depois das 3 da tarde. Oito da manhã e 4 da tarde era noite fechada. Imagino que no inverno o dia deles dure das 9:30h às 15:00h. Ao chegar a Brasília, onde no horário de verão anoitece quase às 8 da noite e calor é de quase 30 graus, o organismo se desorganiza todo.

Trouxe na bagagem 10 kg de papelada e muito poucas compras, porque por lá está tudo muito caro para os nossos padrões brasileiros. Em Londres alguns produtos eletrônicos ainda valem a pena, tipo HD externo de 1 Tb, a 70 libras (R$ 210), alguns whiskies de puro malte e perfumes franceses, no free-shop. Em Paris tudo está caro, inclusive os perfumes. Em Zurich, na Suíça, o free-shop tem perfumes mais baratos que em Paris, mas mais caros que em Londres. Exemplo: um vidro de CK Be 200 ml está por 37 euros, enquanto na Galeries Laffayette, em Paris, está por 64,5 euros, e no free-shop de Heathrow por 27 libras, o que dá uns 30 euros. Os chocolates Lindt, fabricados na Suíça, estão com os melhores preços no free-shop do aeroporto de Tegel, em Berlim.

Os 10 kg de papelada foram obtidos em todos os locais onde passamos, e servirão de matéria-prima para vários posts de dicas que farei por bastante tempo. Tenho quase 6000 fotos e filmes para organizar e divulgar. A viagem foi extremamente intensa, com poucas horas de sono por dia, muita movimentação a pé e por todos os meios de transporte, enfim, estou exausto e precisaria de uns dias de descanso para recuperar o corpo. Esse negócio de viajar para descansar não se aplica a lugares caros, onde o que vale a pena é aproveitar tudo ao máximo, e trazer lembranças e experiências que ficam para sempre.

domingo, 22 de novembro de 2009

Paris : da Babel ao caos

Depois de duas semanas passando em 3 grandes cidades européias, e praticamente sem ter contato com outros brasileiros, a gente começa a ficar comparando demais as coisas, não mais por referência no que tem no Brasil, mas no que o foro íntimo acha certo ou errado. Primeiro, nos lugares onde tradicionalmente os turistas andam não tem as pessoas do local, e a prática da conversação em língua do país fica prejudicada. Em Londres, por exemplo, você não encontrará muitos ingleses nos guichês de empresas aéreas, na esteira do raios-x do aeroporto, nos bares, nas lojas, nos ônibus e metrôs, nos locais de badalação.

Em Paris já é bem diferente, mas o afluxo de turistas é gigantesco. Peguei uma estatística que mostra que Paris recebe três vezes mais turistas que o Brasil inteiro em um ano. Não é como em Copacabana, onde a gente vê um ou outro gringo diluído na multidão de nativos. A diferença de Paris para Londres é que lá a maior parte dos de fora já fala a língua local, seja porque o inglês virou uma língua genérica em todo o mundo, ou porque são em grande percentual da Comunidade Britânica (Commonwealth) .

Enquanto a Inglaterra é uma ilha, a França tem fronteiras com uma porção de países, e a língua deles não é muito conhecida no mundo. Além de tudo, certos sistemas são fruto da evolução da cultura local, e não são entendidos pelos de fora, a começar pela grande quantidade de máquinas dispensadoras de praticamente tudo, de comidas e bebidas a ingressos de museus e passagens de metrô, que causam problemas aos estrangeiros até pela falta de opção. Exemplo: depois de certa hora não há gente atendendo em guichês, daí só ter a máquina dispensadora para você comprar coisas passagens de metrô. Quem não entende, fica na pior. Com mais tempo vou fazer umas matérias para o blog com dicas de sobrevivência nessas situações.

O caos vem da coexistência muito próxima das diversas culturas. Mulheres de burca, africanos vestidos com trajes típicos, italianos falando sem parar, asiáticos andando em batalhões com enormes máquinas fotográficas, indianos de turbante, tudo isso se mistura a algumas coisas praticadas pelos franceses, como levar cachorro dentro de metrô e lojas de departamentos, andar com carrinhos de bebês duplos ou triplos em todo lugar, submetendo as pobres crianças ao sobe-e-desce de escadas e aos amassos das multidões, fumar muito prá todo lado, etc. Mesmo assim, prefiro essa confusão à rigidez perfeccionista dos ingleses e alemães, que só atravessam as ruas na faixa e com o sinal aberto para pedestres e não têm qualquer "jeitinho" com horários. Não viveria confortavelmente num lugar assim, cheio de regras implacáveis.

sábado, 21 de novembro de 2009

Ahmadinejad no Brasil : esforço brasileiro de paz

Ontem a TV francesa mostrou matéria onde apareciam Lula e o presidente da autoridade palestina, Abbas, num encontro em Salvador onde o presidente brasileiro se pronunciou sobre o fim dos abusos israelenses com a construção de novas colônias em terras tomadas dos palestinos. Um jornal daqui também colocou uma charge interessante, com os pés de Obama e do secretário geral da ONU esmagados pelo trator do primeiro-ministro israelense Netanyahu, que não ouve ninguém e continua as atrocidades contra os bens e direitos dos palestinos sem nenhum freio.


Agora vi que neste sábado, no Rio, alguém pagou a um avião de propaganda para passar nas praias com a faixa dizendo " Ahmadinejad, respeite os direitos humanos e não volte mais aqui", alusiva à visita que o presidente iraniano fará ao Brasil nos próximos dias. Se a moda pega, o país não vai mais receber muitos líderes estrangeiros, a começar pelos americanos, que mantém na base de Guantânamo presos políticos estrangeiros sem julgamento, acusação, nada. Do Oriente Médio, não receberia nenhum, das tiranias do petróleo ao governo de Israel, pois todos têm muitos problemas descritos pela Anistia Internacional e até condenações pela Onu.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil e a investida de Lula na Palestina fazem parte do esforço da diplomacia brasileira para buscar soluções para as tensões no Oriente Médio, iniciativa onde já falharam todas as potências e organismos multilaterais. Não isolar o Irã neste momento e fazê-lo dialogar sobre limites às pretensões nucleares é importante, e a iniciativa brasileira tem até o apoio americano. Isso não interessa ao governo de direita de Israel, que quer manter o tensionamento na região a partir da sua hegemonia nuclear e atacar o Irã sem olhar para as consequências para o resto do mundo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Caso Battisti : STF dá palpite e devolve decisão a Lula

Muito interessante a divisão de poderes no Brasil. O ministro Tarso Genro, no uso das suas atribuições, concedeu asilo político ao italiano Cesare Battisti, negando sua extradição ao governo da Itália que o acusa de assassinato num processo duvidoso. Como está virando praxe, tentaram submeter as decisões do Executivo ao Judiciário, como se esse fosse o poder supremo acima dos demais. A Corte constitucional, depois de muita polêmica e expectativa, tomou uma resolução " de bispo", que cada um lê como quer: é a favor da extradição, mas a palavra final é de Lula.



Se era para reafirmar que o Executivo tem a palavra final sobre o assunto, prá que opinar sobre a extradição? O que deveria fazer era examinar se o Executivo tinha ou não o poder de dar asilo político. E agora Lula deve referendar a posição do Ministro da Justiça, mantendo o asilo. Quanto tempo, dinheiro e adrenalina não custou essa brincadeira de ficar mandando tudo ao STF para tentar desqualificar o governo como governo. Fica parecendo picuinha para dar material à mídia essa estória de STF dar palpite em tudo. Agora vão ficar colocando o Lula nos holofotes, sob pressão, para ver se ele vacila.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Berlim : museu dos crimes da SS nazista




Será inaugurado em abril de 2010 o museu Topografia do Terror, em Berlim. As obras estão em fase final, e parte do acervo está exposta em grandes painéis colocados numa passagem pública, tudo no terreno onde existiram os prédios da SA, polícia paramilitar do Partido Nazista, além das SS e Gestapo, que eram a polícia do Estado. A seu cargo estavam as perseguições, prisões, deportações e assassinato em massa de comunistas, judeus, ciganos, homossexuais e de desafetos do Fueher.

No site http://www.topographie.de/en/index.htm encontra-se bastante informação sobre o projeto, que é tocado com recursos do governo do estado de Berlim. Achei ao mesmo tempo chocante e necessário tal acervo, para que a barbárie não seja esquecida e novos crimes do mesmo tipo não sejam cometidos. O muro de Berlim passava pela fachada dos fundos do terreno, e ainda há um grande trecho preservado no local. Do prédio restaram umas poucas ruínas do subsolo, duramente atingido por bombardeios nos últimos dias da guerra.

Berlim : estranha cidade


No último dia 9 de novembro comemorou-se o aniversário de 20 anos da queda do muro de Berlim, o que simbolizou o fim da guerra fria e alguns entenderam como o fim da opção socialista (como se o estalinismo fosse isso) e a vitória final do capitalismo. Já que estava perto, em Paris, mudei os planos de viagem (o caminho se faz ao andar, é a melhor definição das minhas viagens) e resolvi vir a Berlim, aproveitando uma promoção da empresa aérea Swiss, que oferecia a vinda por 43 euros e a volta por 18 euros, ou seja, ida e volta por cerca de R$ 160, mais barato que um trecho Brasilia - Rio. Como saiu atrasado de Paris (precisão suiça...),tivemos a conexão remarcada e chegamos à noite.

Passado o impacto original de ler qualquer coisa e não entender nada de alemão, navegando pelos poucos fragmentos de informação em outras línguas e alguns símbolos universais, cheguei a um posto de informações onde o funcionário muito gentil pouco falava de inglês e não conhecia muita coisa da cidade. Esgotado o recurso, ganhei um mapa e disse "danka", que serve para qualquer eventualidade. Ao lado havia o guichê dos ônibus. Comprei um bilhete por 2,10 euros integrado ônibus e metrô. Quem sai do aeroporto de Tegel (que tem as linhas internacionais) pelo ônibus X-9 vai até o metrô do Zoológico. Metrô aqui é representado por um "U", trem por "S". Pegamos o U2, linha que vem para o centro. Antes de entrar no ônibus validamos o ticket numa máquina amarela que estava na parada, que carimba o ticket com a hora. Se não fizer isso e o fiscal te pegar, toma uma multa pesada.

Como a noite não estava fria, foi possível dar uma caminha a pé. Tudo muito deserto, amplo, acho que foi porque a destruição na guerra foi geral, e depois os terrenos ficaram vazios permitindo um planejamento na reconstrução. Em frente ao Portão de Brandemburgo há uma avenida muito larga, que lembra o Eixo Monumental de Brasília, no sentido da Berlim Oriental. Fomos até a torre de TV, descemos até um lugar sinistro, cheio de conjuntos habitacionais próximos à ilha dos museus, e voltamos para o hotel praticamente sem ver bares, restaurantes e gente. Muito esquisito.

De imediato, constatamos que os preços das coisas são menores que em Londres e Paris, a começar pelo hotel e pela cerveja. Agora pela manhã visitei o Museu do Muro, que fica ao lado do Checkpoint Charlie, que era a única passagem entre a Berlim Ocidental e a Oriental. Vou agora à parte oriental onde está o que restou do muro. Perto do hotel tem o terreno onde havia o quartel general da Gestapo, onde há uma exposição aberta de nome Topografia do Terror. Fui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cretinice midiática: Colômbia, Argentina, Israel

Vale a pena ler a matéria do jornalista Milton Temer entitulada "Cretinice midiática : mais exemplos". Ilustra alguns crimes que vêm sendo cometidos pela grande imprensa no que chamam de liberdade de expressão, mas que não passam de manipulação da informação mercantilizada a serviço de alguns privilégios.

domingo, 15 de novembro de 2009

Lula em Paris : acordo com França sobre clima

Lula esteve ontem aqui costurando alianças para o encontro mundial do clima em Copenhagen, e assinou um texto com Sarkozi com compromissos para a redução de emissões e acertou uma aliança para tentar enquadrar os dois maiores emissores do planeta - Estados Unidos e China. Sarkozy tenta hegemonizar uma ampla aliança dos países europeus e emergentes para obter dos países mais poluidores alguns compromissos com metas de redução de poluição.

O assunto foi manchete secundária nos jornais, e saiu na TV. Nada se falou sobre o assunto que mais interessa ao governo francês, que é a venda dos aviões Raffale ao Brasil. Acho que o Sarkozy não consegue dar respostas aos problemas internos, e busca cavar uma projeção externa. Por aqui o que vejo é uma Paris mais desleixada que quando estive aqui há 14 anos. Praticamente não se vê polícia, nem nos setores turísticos. É sensível o desemprego pela quantidade de gente pedindo esmolas, em grande parte imigrantes africanos ou árabes.

sábado, 14 de novembro de 2009

Paris : Argelinos comemoram derrota

Depois de um longo passeio a pé pela cidade, vimos um enorme contingente policial ao nos aproximarmos da avenida Champs Elysées, e ao chegar a ela, carros passavam mostrando a bandeira da Argélia, ex-colonia francesa, buzinando e soltando fogos. Por toda a avenida havia um contingente de policiais com roupas que lembravam o Robocop, e uma porção de jovens argelinos gritando, pulando e dançando em euforia. Perguntei a um deles, que me respondeu que haveria um terceiro jogo contra o Egito.

Quem via aquilo achava que a Argélia tinha metido uma goleada no Egito, mas depois fui ver que perdeu de 2 x 0, e que vai ter um terceiro jogo em campo neutro, já que terminaram empatados disputando a última vaga do grupo C da copa de 2010. Se terminasse 1x0, a Argélia se classificava. Imagino se esse povo não tivesse restrições religiosas à bebida como seria a comemoração, que tinha ares de provocação, com as pessoas fazendo questão de passar a bandeira da Argélia perto da Gendarmerie, e soltar fogos na direção deles, que se seguraram muito para não reagir.

Comparando com as coisas do Brasil, pensei: "a chapa vai esquentar", o que traduzido para o francês fica "la plaque va rester chaude". Tinha muita pólvora no ar e muita fagulha, mas incrivelmente nada aconteceu, mesmo quando passou um carro com bandeiras do Egito, que foi vaiado mas nada sofreu. Turistas e locais ficaram boquiabertos com a comemoração, muitos filmando sem ter a real noção do perigo que eu tinha ao me lembrar dos "costumes" da nossa polícia e do processo de independência da Argélia do domínio francês. Só um torcedor foi em cana, e não houve confrontos mais sérios, até a hora que saí de lá. Aí vai o video feito perto do Arco do Triunfo, cujo trânsito virou zona completamente.

PS: a França venceu a Irlanda por 1 x 0 na repescagem para a copa de 2010, e ninguém comemorou. No Brasil, o Vasco comemora o "título inédito" de campeão da segunda divisão, honraria que ninguém gostaria de ter. Sofredor tem cada coisa...
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Besteirol brasileiro, repercussão internacional

Ontem a notícia da jovem brasileira hostilizada pelos talibãs da sua universidade por usar uma saia curta ocupou 1/4 de página de um tablóide londrino, com direito a foto da moça com uma certa produção, que mesmo assim não a fez nenhuma grande beldade. Acho que são os tais 15 minutos de fama que o Andy Warhol disse que seria um direito de todos. E tudo isso é fruto de uma série de erros, que podem levar a outros numa espiral crescente do besteirol.

Todos os dias nas universidades brasileiras algumas mulheres vão com roupas extravagantes, da perua à exibicionista. Isso não distoa da realidade das ruas. Homens mexendo com elas também fazem parte do modelo de negócio, afinal, não é só para causar inveja às outras mulheres que elas se vestem dessa maneira. Outras mulheres invejosas ou temerosas da concorrência desleal, torcendo seus narizes e fazendo comentários jocosos também são "players". O que fez um episódio corriqueiro como esse ganhar as páginas da mídia? Os amplificadores institucionais.

Primeiro foi a imprensa, que na falta de coisa mais importante a mostrar resolveu dar espaço ao assunto. Depois, a direção da universidade, que disse que ia expulsar a moça, mostrando argumentos disciplinares, legais, ético-morais, e depois recuou, ou seja, houve uma falta grave à luz dos regulamentos, mas ... deixa prá lá. O Ministério da Educação entrou no circuito em defesa da estudante, entendedo arbitrária a sua punição. Entidades estudantis e de mulheres deram mais uma mãozinha a todo esse equívoco, buscando um pouco de lugar ao sol e surfar na polêmica.

Isso me faz lembrar aquela mulher a quem se atribuiu ter lançado um rojão no Maracanã e atingido um goleiro chileno num jogo da sua seleção contra o Brasil. O fato é que o goleiro não foi atingido, mas aproveitou para encenar uma grave lesão e esfriar o jogo. A desconhecida acabou parando nas páginas da Playboy, e depois sumiu das luzes. Vamos ver o mesmo de novo? A diferença é que se isso acontecer, vai ficar mal para a universidade, para os colegas e para os movimentos sociais terem participado como coadjuvantes nessa grande bobagem.

Apagão: Eletrobrás investiu errado

O apagão no Brasil apareceu em todos os jornais que vi em Londres. As desculpas do ministro Lobão não convencem nem a uma criancinha. Daqui a pouco um carro bate num poste ou um pássaro bate num fio e o país apaga. E nem adianta o que sobrou da oposição tentar culpar a Dilma pelo descalabro, porque, se esse foi um evento acidental, no governo de FHC faltou foi produção de energia mesmo, forçando ao racionamento, o que não é o caso agora.

Alguns acham que a falta de energia é coisa de ataque de hackers. Eu tenho a minha própria teoria conspiratória: o sistema foi pro brejo porque a Eletrobrás, ao invés de investir dinheiro na melhoria do sistema, torrou no patrocínio do Vasco, que acaba de voltar à primeira divisão. O Vasco atrai muito azar, e sua torcida sofre muito. A Eletrobrás entrou nessa, e quem sofre é o consumidor de energia. Sinistro, muito sinistro...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Armistice Day : dia de luto na Europa


Nesses dias que estamos por aqui vimos as pessoas portarem na lapela um "pin" que consiste de uma flor vermelha, chamada "poppy", que florescia nos campos de batalha enlameados da Europa na Primeira Guerra Mundial. É uma homenagem muito popular por aqui. Para ter idéia do impacto dessa guerra, cerca de 1/3 dos ingleses perderam parentes, o que faz a data muito sentida por aqui. Por toda parte em Londres há monumentos alusivos aos mortos dessa guerra, e todos estavam ontem com coroas de flores.


Os ingleses computam entre os seus mortos os milhões de indianos, sul-africanos, australianos e canadenses, súditos da coroa britânica. A homenagem se estende aos mortos de outras guerras, como a das Malvinas, Iraque e Afeganistão.

Apagão no Brasil : coisa de hackers?

O programa " 60 minutes" da CNN de 11 de agosto passado levantou a possibilidade dos dois apagões anteriores no Brasil terem sido obra de hackers, que teriam invadido os computadores do sistema de controle elétrico e forçado o desligamento de importantes trechos. A matéria da revista especializada Wired de 7/11 fala em tentativa de extorsão pelos hackers, e que o governo brasileiro teria negado tudo, atribuindo os problemas a causas atmosféricas ou falhas de peças das instalações.

O apagão de ontem foi gravíssimo e o governo brasileiro atribui a problemas climáticos a interrupção de Itaipu que paralisou diversos estados e prejudicou 10 milhões de pessoas. Pode ter sido, mas a possibilidade de um ciber-ataque não pode ser descartada, já que sistemas de controle sem a devida segurança podem ser manipulados para sair dos parâmetros normais de operação e causar desastres. Tratei do assunto no blog há alguns meses (http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/07/ciberterrorismo-ameaca-real-no-ambiente.html). Empresas vítimas de hackers normalmente negam os ataques para não exporem suas fragilidades.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Londres : Michael Caine no Blog do Branquinho

Britanicamente expulsos da National Gallery para que fechasse às 6 da tarde, caminhamos até Leicester Square quando vimos uma muvuca tipo barreira de isolamento com gradis, cheia de cartazes do filme "Harry Brown", em lançamento exatamente hoje neste horário. Fui andando até perto de uma entrevista e dei de cara com o protagonista Michel Caine. Tirei as fotos e fiz um pequeno filme, um absoluto furo de reportagem para a imprensa tupiniquim.





O tapete vermelho está esticado na praça em frente ao cine Odeon, na região dos cinemas e teatros de Londres. Um bando de tietes estava gritando sem parar para um mando de ilustres desconhecidos que entrava no cinema. Passou até uma das Spice Girls, que de perto não era lá essas coisas. Trata-se de filme policial, onde ele faz o papel de um marine aposentado que combate o crime organizado. O ingresso mais barato do Odeon é 9,5 libras, mais ou menos uns 30 reais, e aqui não tem negócio de meio ingresso. Só entra em cartaz amanhã.

Por sorte, encontrei uma internet sem fio liberada na sorveteria Rendezvous, que apesar do nome ter outros significados no Brasil, é familiar e tem sorvetes muito bons, com uma bola a 3,95 libras, algo em torno de R$ 12, o que ainda é mais barato que uma passagem de metrô por aqui.
















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Londres : notícia brasileira para inglês ler

No metrô londrino tem um jornal gratuito pela manhã. No fim da tarde, próximo às estações de trem e metrô, são distribuídos os jornais London Evening Standard, London Lite e até uma edição gratuita com coletânea de artigos da revista The Economist. Tudo free.

Quanto ao conteúdo, tirando a revista, é a mesma coisa: fofoca, escândalo, pau no governo, esporte, programação cultural e bizarrices. Na página 14 do London Lite de ontem estava a matéria "A dressing down", que dizia : " a Brazilian university expelled a woman and publicly accused her of immorality after she wore a short dress to attend a lecture. Bandeirante University, near São Paulo, took out newspaper ads saying Geisy Arruda, 20, has disrespected " ethical principles, academic dignity and morality".

Literalmente, uma matéria para inglês ler, porque a universidade desistiu de banir a estudante e tudo acabou em pizza depois de grande pressão da turma do "deixa-disso" para acabar com tamanho besteirol.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tablóides londrinos lembram mídia brasileira


O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, pertence ao Partido Trabalhista, que apesar do nome tem longo histórico de fazer praticamente a mesma coisa que os conservadores, com algumas nuances mais arrojadas. A gente conhece esse filme no Brasil com o PT e Lula. Assim como Lula, Brown tem contra ele a mídia conservadora, defensora dos interesses dos que viram o seu governo reverter o privatismo liberal herdado de Margaret Tatcher e fazer o estado intervir pesadamente para segurar a barra da crise, que aqui é bem pior que no Brasil.


A pancadaria do momento contra Brown foi gerada porque tem o hábito de diariamente mandar uma carta escrita de próprio punho aos parentes de algum soldado inglês morto nas guerras do Iraque ou do Afeganistão, e numa delas sua letra ruim deu a entender que havia errado o sobrenome da mãe do militar. Isso foi o suficiente para o The Sun e toda a imprensa cair de pau, dizendo que ofendeu a honra do morto, da família, o escambau. A coisa ganhou ares escandalosos, coisa para tentar derrubar governo, com o pessoal do Partido da Imprensa Golpista (PIG) tenta no Brasil.


Uma das razões para esses ataques está na proposta que Brown fez ontem de taxação das transações financeiras internacionais, com base na chamada Taxa Tobin, uma espécie de CPMF sobre os capitais especulativos, que além de dar transparência à jogatina também destinaria recursos ao combate à miséria no mundo. Os jornais daqui tratam o assunto como se fosse haver aumento de impostos para o cidadão inglês, e nesse ponto chegam a ser piores que alguns dos jornais mais à direita do Brasil.


Como política é igual em todo o mundo, hoje vi na porta da casa de máquinas na rua embaixo da ponte da Torre de Londres (Tower Bridge, que é pública) a inscrição da foto acima, muito ilustrativa da bandalha política global e atemporal. A própria ponte, construída há mais de 100 anos, foi motivo de forte polêmica na época. A mídia política também teu seu (baixo) padrão internacional.

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domingo, 8 de novembro de 2009

Londres : Chelsea x Manchester



Soube que o jogão de futebol Chelsea x Manchester iria acontecer a umas 8 quadras do meu hotel, no estádio do Chelsea, mas os ingressos já estavam esgotados. Aproveitei o clima para botar o Manto Sagrado, também conhecido como camisa do Flamengo, e tentar ver o jogo em algum "pub", o que não seria difícil porque todos passam jogos de futebol na TV. A novidade foi ver em todos por onde passei plaquetas como "only Chelsea fans", ou seja, torcedor do Manchester não poderia entrar. Até entendo algum receio dos donos dos bares, pois entre os torcedores do Manchester United estão os mau-afamados "hooligans", torcedores organizados que quebram tudo e todos quando o time perde, ganha ou empata.

Nunca vi esse tipo de discriminação no Brasil. Perto do Maracanã, no Rio, os bares passam os jogos com quaisquer torcidas presentes, inclusive caracterizadas com camisas e bandeiras. Apesar de não ter problemas para entrar com a camisa do Mengão, achei o clima fanático demais e dei um passeio por outros lugares, chegando ao estádio faltando poucos minutos para o fim do jogo, quando o Chelsea vencia por 1 x 0. Não entrei, mas o que vi por fora agradou muito, em termos de qualidade da construção, das medidas de segurança dos acessos, etc. Até aqui achava que o Engenhão, no Rio, construído para o Pan de 2007, fosse ruim de localização por não ter praticamente onde estacionar. O do Chelsea fica num bairro residencial, praticamente sem acessos largos, o que provocou um enorme engarrafamento.

Por coincidência, conversava com uma pessoa que vendia bandeiras que me mostrou, do outro lado da Fulham St, bem em frente ao estádio, o Café Brazil, que é da paulista Joana, radicada em Londres há muito tempo. Pequeno e agradável é um dos pontos de convergência de brasileiros em visita à cidade. Fiquei por lá um tempo depois que o jogo acabou para ver o comportamento dos torcedores e acompanhar a saída da galera do Manchester. Tudo foi tranquilo, garantido por um aparato policial muito forte.

Chegando ao hotel vi na internet que o nosso heróico Fluminense venceu o Palmeiras, que parece cachorro morto neste final de Brasileirão. Ou seria porco morto? Essa ajuda tricolor, mais a vitória do Urubu por 3 x 1 sobre o Galo, em pleno galinheiro mineiro, colocou o Flamengo em terceiro, atrás do São Paulo e do Palmeiras, respectivamente com 59, 58 e 57 pontos. Deixaram o Mengão chegar, agora têm que aturar. Por aqui só quem não deve gostar muito do Flamengo é a torcida do Liverpool, que foi nosso vice no campeonato mundial em 1981.

Viajando de Brasília a Londres


Pela TAM, o vôo para Londres sai de Brasília às 19:30h para pegar a conexão em São Paulo. Mandam chegar 2 horas antes do vôo, mas não adianta nada, porque você fica na fila única de todos os demais vôos, e acaba naquele estresse característico da empresa, que em cima da hora sai chamando o povo do vôo em mais atraso para atendimento correndo em outros guichês. E, como é praxe em Brasília, te botam prá esperar um dentro do avião até decolar. Botam todos os vôos na mesma hora e dá nisso. Mas, tudo bem, a conexão seria apenas às 23:55h, tempo suficiente para aguentar um pequeno atraso de 4o minutos.

Chegando a Guarulhos quase às 22h, desembarcamos normalmente e entramos novamente pelo embarque internacional em uma fila enorme que se formou porque, além do no nosso vôo, também embarcaram no mesmo horário os passageiros da United, os de algum vôo para o Japão ou adjacências, etc. Da fila de entrada entramos na fila do raios-x e depois na fila da imigração. Levamos 40 minutos desde que entramos na fila de entrada até sairmos da imigração. Assim que chegamos ao portão para embarque, encontramos outra fila gigantesca para o vôo de Londres. O avião é um Boeing 777, com capacidade para 356 passageiros, e foi quase lotado, daí a demora para o preenchimento.
O avião tem apenas duas turbinas, o que foi uma novidade, pois o usual para vôos de longo alcance é a aeronave de 4 motores. Mesmo sabendo que qualquer avião se sustenta com apenas uma turbina em funcionamento, se pifa uma do quadrimotor são 25% a menos, e ainda tem mais duas para queimar, enquanto no bimotor uma turbina representa 50% o empuxo, e aí tem só mais uma... Considerando que a rota passa por aquela rota do Atlântico onde noutro dia caiu o avião da Air France, uma pessoa que não tivesse a crença na capacidade humana de fazer uma boa engenharia poderia ficar com um justificado receio.

Apesar da TAM ter conseguido botar todo esse batalhão prá dentro do avião em tempo normal, esperamos 1:10 h num engarrafamento de aeronaves na pista, o que foi ruim porque só fomos jantar às 3 da manhã, mesmo assim um purezinho de abóbora com carne de sol e cerveja Sol, necessária para tentar dormir. Também distribuem, além das balinhas de praxe, um kit com escova de dentes, pasta, meias, pente e fone de ouvido, e um pequeno travesseiro com uma manta que não cobre nada.
O avião é o melhor que já viajei, em termos de arquitetura. Tem um pé-direito (altura do piso ao teto) de uns 2,5m, o que dá uma visão ampla e sensação de não estar enlatado. Até os banheiros são altos e bem mais espaçosos que os dos vôos convencionais. O espaço para as pernas e a largura dos bancos também são maiores, mas insuficientes para o conforto num vôo direto de 12,5 horas. A inclinação dos bancos também não ajuda.
O monitor individual interativo que fica nas costas da poltrona da frente é uma novidade interessante. Dá prá se distrair bastante com as opções que são acionadas por "touch-screen". O menu varia de músicas que podem ser selecionadas formando uma "playlist" extraída de uns poucos discos até filmes, documentários, joguinhos, diversões para crianças, displays de produtos vendidos pela Duty Free, entre outros.

Uma novidade interessante está no menu de informações, onde se pode ver a imagem de uma câmera que mostra o que está à frente do avião, e outro que mostra a imagem do chão na vertical abaixo do aparelho. Outra opção é ver os dados técnicos do vôo, como a altitude, velocidade, distância percorrida, tempo e distância que faltam, previsão de hora de chegada, além de gráficos com mapas mostrando a posição da aeronave, quase em tempo real. As opções de e-mail e mensagens SMS para celulares, apesar de existentes, não estão operacionais. No avião também não havia teclados / controles para jogos e essas opções de comunicação. Na hora que fui selecionar as músicas, o aparelho travou e não reiniciou nem com o "reset" geral da hora do pouso.

Em algum momento do vôo vi uma velocidade de 956 km/h e altitude de quase 11 km. Apesar do esforço do piloto andando em velocidade acima da prevista para cruzeiro, pegamos uma turbulência sobre a Baía de Biscaia, na costa da Espanha, que forçou a redução da velocidade e a suspensão do café da manhã, servido quase na hora do pouso, mesmo assim parcialmente. Depois que a gente sai do território brasileiro, sobrevoa o oceano por 7 horas até avistar a terra da costa de Portugal, sobrevoando o continente europeu a partir de Vigo, na Espanha, depois sobrevoando o mar na Baía de Biscaia, e novamente no continente na Normandia francesa, o Canal da Mancha e, por fim, a ilha inglesa.

As aeromoças não deixam abrir as janelas até que resolvam servir o café da manhã. Se você abrir, elas partem para cima e mandam fechar, mesmo que seja meio-dia na hora local. O fuso horário, nesta época do ano, considerando os horários de verão, é de apenas 2 horas a mais no Brasil. Para quem dorme mal ou não consegue dormir em viagem de avião, o metabolismo nem sente essa diferença, já que o cansaço mascara tal diferença. Talvez devido à meia-hora de turbulência, as aeromoças se esqueceram de distribuir a ficha que temos que entregar na imigração. Só obtivemos porque pedimos. Quem vacilou teve que fazer na hora, na fila da imigração, o que é desconfortável de fazer em pé.

Chegamos ao aeroporto de Heathrow às 14:20h, hora local, com 55 minutos de atraso. Apesar da grande quantidade de passageiros, o desembarque foi relativamente rápido, e chegamos à imigração (apenas com a bagagem de mão) apenas 20 minutos após o pouso. Na imigração os brasileiros são encaminhados à fila dos párias que não pertencem à comunidade européia, formando uma grande fila junto com gente de todo o mundo. Na entrevista com o funcionário britânico fomos questionados sobre coisas básicas como : quanto tempo vão passar, o que vieram fazer, onde vão ficar (na ficha se coloca o endereço do hotel ou casa de destino), profissão, se têm parentes na Inglaterra, etc.

Falando inglês direitinho e demonstrando convicção é tranquilo de passar na imigração. Num guichê próximo havia um estudante brasileiro passando o maior perrengue, acho que não conseguia comprovar endereço de destino. Não pediram para declarar quanto havíamos levado em dinheiro, que era o nosso receio, já que portávamos apenas 100 libras (R$ 316), que são suficientes desde que o cartão de crédito internacional tenha sido destravado antes da viagem, uma providência que muitos desconhecem e depois passam sufoco, tendo que gastar ligações internacionais para o banco no Brasil.

Depois do OK da imigração, passamos por um pequeno (ínfimo, consideradas as dimensões gigantescas de Heathrow) free-shop do terminal 4 (onde a TAM opera), onde compramos apenas o adaptador de tomada, que será assunto de outro post. Os poucos produtos estavam aparentemente mais caros que no free-shop do Brasil. O próximo passo foi pegar a mala na esteira, que felizmente estava sob a vigilância de um funcionário da TAM. Caso contrário, qualquer um poderia sair com ela, pois dali passamos por uma porta onde uma placa mostrava que era a saída de quem nada tinha a declarar, e caía no saguão de desembarque, sem qualquer revista.
Do pouso às 14:20h à entrada no metrô da linha Picadilly, que passa no terminal, foram duas horas gastas em atividades obrigatórias e outras como informações, saque de dinheiro, banheiro, deslocamentos, etc. A surpresa foi ver que às 16:20h o dia já estava escurecendo, ficando noite às 17:10h. Frio tolerável, de uns 10 graus, apenas com calça jeans, tênis, meia, camiseta e um casaco acolchoado, na hora da saída do aeroporto. Conto mais depois em outros posts. Vide fotos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Época de viajar ao exterior

Em 1995 viajei à Europa com o Real valendo 1 dólar. Agora, a moeda americana tem valor nominal 75% superior ao da época, mas a inflação dos 15 anos de Real foi de 244,86%, o que mostra que hoje temos condições de viajar ao exterior com mais poder aquisitivo que na implantação da atual moeda.

Isso vale muito para viagem aos Estados Unidos, cuja moeda está bastante desvalorizada. Já para a Europa, mesmo com a crise o que se vê é que o Euro nivelou os preços nos países que o adotam, elevando alguns deles em lugares que antes tinham preços menores em relação à França e à Alemanha. Na Inglaterra, que manteve a Libra Esterlina como moeda, o custo para o brasileiro é mais alto que nos demais países europeus.

Nesta baixa estação algumas promoções melhoraram as condições para viajar. A TAM vendeu passagens de ida e volta na base de R$ 1.300 para Londres e Paris, com mais 10 mil milhas, oportunidade que aproveitei. A partir deste sábado, dia 7/11, mandarei posts para o Blog das impressões e dicas dos lugares por onde passar. Parece que lá tem muita facilidade de acesso à internet por redes sem fio.

Por problemas diversos, tive hoje e terei amanhã para planejar a viagem. Muito boas as ferramentas do Google Earth, que dão a localização dos hotéis, restaurantes, atrações turísticas eas distâncias e os roteiros para andar de carro. Muito úteis também os sites booking.com, o da Ryanair e da Easyjet, onde se podem reservar hotéis com descontos e passagens aéreas muito baratas comparadas às das grandes operadoras. Montei um roteiro para os 18 dias de viagem com custos e tudo, além de horários de funcionamento de atrações e preços com relativa facilidade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Brasileirão : coisas estranhas na reta final

Estranha expulsão do goleiro Marcos do Palmeiras ontem. Nem assim o Corinthians conseguiu vencer o jogo, o que favoreceria o São Paulo na conquista do heptacampeonato. Nos últimos dois jogos, o goleiro Bruno do Flamengo fez o milagre de defender 3 pênaltis discutíveis, sendo dois no jogo contra o Santos. Também foi denunciada a gratificação paga aos atacantes do Barueri, para vencer o Flamengo, atribuída a pessoas ligadas ao Cruzeiro.

Que os grandes interesses econômicos que envolvem o futebol conspiram para alterar os resultados das disputas não é novidade. O último fato estranho foi a vitória do Chapadinha, do Maranhão, que venceu um jogo por 11 x 0 onde o adversário parecia congelado, e o resultado o remeteu à primeira divisão, preterindo outro time.

Um campeonato traz dividendos políticos e/ou econômicos para a federação, para os dirigentes do clube, para os investidores, para os jogadores, e, subsidiariamente, alegria para os torcedores, na ótica do futebol como negócio. Uma vaga na Libertadores ou na Sul-Americana, idem. E a queda para a segundona é um grande prejuízo para o torcedor, mas nem sempre para os que vendem os principais valores dos clubes no desmanche que acontece ao final das temporadas.

Outras coisas esquisitas, mas insuspeitas, acontecem na parte de baixo da tabela, e colocaram o Flamengo no G-4 na última rodada. O glorioso Botafogo venceu o Inter em Porto Alegre, respirando melhor fora da zona de rebaixamento. O valoroso Fluminense foi a Belo Horizonte e venceu o Cruzeiro, que tinha ganhado as últimas 6 partidas, por 3 x 2 de virada. E saiu da lanterna, ficando a 3 pontos de fugir do rebaixamento. Tiveram o amplo apoio da energia da torcida do Mengão, que sabe defender o que é seu. O processo é simbiótico: a gente torce para que os times de segunda do Rio fiquem na primeira, depois eles nos fornecem os pontos necessários aos títulos. Se o Vasco estivesse na Série A, seus seis pontos colocariam o Flamengo na liderança. A gente teria um desgosto profundo se faltassem o Flu, o Bota e o Vasco no mundo.