terça-feira, 27 de julho de 2010

Rio : UPP reduz armas, mas tráfico não pára

Amanhã será inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora do Andaraí, que fica no conjunto de comunidades que margeiam parte do Grajaú e Andaraí. Desde junho os morros foram tomados pela polícia, desde o Borel, na Tijuca, passando pelo Morro da Cruz, Andaraí e indo até a Divinéia, fechando o arco daquela vertente montanhosa.

Aqui na banda do Grajaú onde moro, que é mais próxima do Andaraí, desde abril não se ouvem os pontuais tiroteios das 6 da tarde. Agora, nem o foguetório anunciando a chegada de drogas. Está tudo muito tranquilo. Na Tijuca tenho amigos e parentes que relatam que a tomada dos morros anteriormente dominados por facções do tráfico também reduziu os tiroteios. Na Zona Sul, idem.

A política de segurança estadual está atingindo o principal objetivo estratégico, que é recuperar para o domínio do estado as áreas dominadas acintosamente pelo tráfico. O Secretário Beltrame, da Segurança Pública, sempre disse que tráfico existe em qualquer lugar do mundo, mas como no Rio, com domínio territorial por exércitos muito bem armandos de criminosos, não existe em lugar nenhum. Somem os bandidos encapuzados com fuzil, ficam visíveis os policiais, mas o tráfico continua. Como em qualquer lugar do mundo.

Os traficantes recolheram seus armamentos para complexos como a Maré e o Alemão, e ficam tranquilos porque onde já tinham suas bocas sabem que não haverá mais tentativas de invasão por outras facções. A ilusão de pacificação também permite que a população suba o morro sem problemas, frequente bares e lugares com vistas muito bonitas, como no morro do Pavão-Pavãozinho, e compre drogas sem os riscos do tempo do confronto.

Serra paga militância e usa servidores

Já se foi o tempo que o PT tinha na sua militância o seu principal diferencial. Lula chegou a dizer que um militante era "mil e tantos", e era verdade. Fazíamos campanhas suicidas, sem dinheiro, sem veículos e até sem material. Os tempos mudaram e hoje o PT perdeu boa parte da militância pela descrença em muita coisa do partido, mas ainda tem gente que faz campanha espontaneamente.

Já os tucanos nunca tiveram militância. O DEMO, nem pensar, já que para eles militância é coisa de comunista. E o modo de fazerem campanha estava explícito hoje em Palmas, Tocantins, onde militantes pagos e funcionários públicos em horário de expediente foram forçados a engrossar uma passeata com o candidato tucano, apoiado pelo governador. Caso para o Tribunal Eleitoral apurar. Falando em campanha irregular, Serra foi multado pelo TSE em R$ 15 mil por campanha antecipada e o PSDB- RS em R$ 40 mil por ter usado o programa partidário local para promover o candidato ainda não registrado.

domingo, 25 de julho de 2010

O Brazil de Stallone não é tão bonzinho assim

Não foi novidade o ator Silvester Stallone falar bobagens sobre o Brasil em entrevista onde falava do seu filme "Os Mercenários" que estreará no Brasil em 13 de agosto. Andou fazendo piadinhas para o nível do seu público entender, dizendo que o Brasil é um lugar onde se pode explodir tudo que as pessoas agradecem, esculhamba a segurança do Rio, que desperdiçou recursos públicos para garantir sua equipe, enfim, algo muito pouco inteligente do ponto de vista do marketing para quem vai vender ingressos em salas de projeção brasileiras.

Para ele deve ter sido perfeitamente natural o comentário, haja vista a natureza da sua obra cinematográfica. Nos filmes "Rocky, o Lutador", a mensagem é a capacidade do norte-americano de se superar e vencer seus inimigos. Em "Rambo" vai mais além: tenta mostrar que as autoridades americanas foram burocráticas e fracas no trato da guerra do Vietnam, e um só soldado vai lá, explode tudo, mata todos e liberta prisioneiros que o governo relutava em aceitar que existissem.

Stallone personifica a truculência imperialista no cinema. A América é a número 1 e os outros são o resto do mundo. Brasileiros, franceses, italianos, ingleses, vietnamitas, africanos, japoneses e outros povos são sistematicamente discriminados por esse tipo de cinema, que vende muito no segmento que frequenta o péssimo sistema educacional americano e que desconhece onde fica o Oriente Médio e até hoje diz que a capital do Brasil é Buenos Aires. Stallone agora já sabe que é o Rio de Janeiro...

O inédito nisso foi a reação organizada, em especial dos jovens que frequentam as redes sociais e o microblog Twitter, que fizeram tantos acessos com a campanha "Cala a boca Stallone" que rapidamente o assunto atingiu a marca dos 220.000 comentários, o que chama a atenção da imprensa mundial ligada em manifestações desse gênero. Os comentários vão da indignação ao chamamento ao boicote ao filme, passando pela crítica ao comportamento dos brasileiros que abrem as portas a qualquer estrangeiro que chega por aqui, faz o que quer e ainda tem os agradecimentos da plebe tupiniquim.

O fato é que Stallone acabou pedindo formalmente desculpas aos brasileiros, demonstrando que existe vida inteligente na sua assessoria de imprensa. Brasileiro é muito bonzinho, como dizia a atriz Kate Lira num programa humorístico de alguns anos atrás, e isso é verdadeiro. Somos hospitaleiros, recebemos bem (nem todos, mas a maioria) e gostamos de mostrar as coisas boas do nosso país. E, a não ser que concordemos com Stallone, que diz ao mundo, no atacado, que somos um bando de idiotas e depois nos pede desculpas no varejo, deveríamos nos abster de ver seus filmes, e, o pior, ainda pagar por isso. Há coisas melhores no cinema.

sábado, 24 de julho de 2010

Datafolha aposta no empate de Dilma e Serra

Pesquisa publicada hoje mostra Serra com 37% das preferências e Dilma com 36%, em empate técnico. Marina aparece com 10% e Zé Maria (PSTU) com 1%. Ontem a pesquisa do Vox Populi apresentou Dilma 8 pontos percentuais à frente de Serra. No segundo turno, Dilma teria 46% e Serra 45%.

Por que tanta divergência entre as pesquisas, já que a técnica estatística é semelhante? A diferença principal está na metodologia de coleta de dados das pesquisas. Enquanto o Vox Populi vai aos domicílios e segrega a pesquisa por faixas de renda, etárias, por sexo e educação, o Datafolha entrevista nas ruas.

Como a pesquisa do Vox Populi é veiculada pela Band e a do Datafolha tem mais divulgação pela grande mídia como a Globo e a Veja, a verdade a ser construída manterá a hipótese do empate.

Combate à corrupção : pingo d'água no oceano

Denunciar corrupção é muito bom, especialmente se for ao vento, sem qualquer responsabilidade pela apuração dos fatos e criação de mecanismos de supervisão para evitar novos eventos. Para a imprensa, significa audiência garantida. Para as pessoas, ficam as sensações de indignação ao ódio, passando pelo prazer sádico de ver gente indo presa ou sendo levada à execração pública. O difícil é zelar por fazer as coisas direito, em um mundo onde as oportunidades estão escancaradas aos ladrões.

Participei da Conferência Latino-Americana Brasil -OCDE que teve como foco a integridade empresarial. Mesmo com inscrições livres e gratuitas, o evento não atraiu um grande público. Os que lá estavam eram brasileiros de ministérios, da CGU, de tribunais, de grandes empresas e uns poucos de entidades representativas de trabalhadores. Havia os estrangeiros membros de governos e de entidades multilaterais. Pouca imprensa. Umas 300 pessoas no máximo. Na abertura estavam representantes da ONU, OEA, Banco Mundial, OCDE, o Ministro da Transparência do Equador, o Ministro de Administração do México, o vice-presidente da Colômbia e o ministro da Controladoria Geral da República, Jorge Hage.

A corrupção é um fenômeno global, e por isso as iniciativas de maior vulto partem de organizações multilaterais, buscando estabelecer padrões de controle e supervisão entre os países. Tudo começou com o escândalo do suborno de ministros do Japão pela empresa americana Lockheed, na década de 70. Em seguida vários casos de propina entre empresas e países do primeiro mundo passaram a prejudicar a livre concorrência entre as empresas, e a causar grandes prejuízos aos países. Esses e outros aspectos da corrupção, associados ao tráfico de armas e drogas, lavagem de dinheiro e a aspectos ético-morais desestabilizantes de sociedades engrossaram os esforços que levaram à confecção da Convenção da ONU contra a Corrupção, que o Brasil assinou em 2003. Essa convenção foi ratificada por decreto presidencial de 2006 e deve ser cumprida pelo Brasil e pelos países-membros signatários. Virou lei para o Brasil.

O evento realizado em São Paulo foi muito denso e informativo. Um dos painéis tratava do preço pago pela sociedade pela corrupção. Empresas de grande porte como a Petrobrás, Siemens, Nokia e Philips mandaram representantes para falar das políticas e posturas anticorrupção adotadas no âmbito corporativo. A representante da Siemens falou do imenso prejuízo material e de imagem causado à empresa ao ser flagrada num escândalo de pagamento de propinas a autoridades de diversos países da ordem de US$ 1,4 bi. Só em multas e prejuízos, a empresa teve US$ 1,6 bi, fora os custos de processos, etc. Depois do ocorrido, a empresa resolveu tomar medidas para proibir as práticas anti-éticas e patrocinar um programa da ONU para a educação anticorrupção.

A idéia do encontro, onde a CGU tem a parceria com o Instituto Ethos, entidade empresarial com 12 mil associados com a missão de promover a integridade corporativa, é de estimular acordos setoriais de empresas para que não aceitem envolvimento em situações de suborno e corrupção, além de buscar um patamar ético para as disputas no mercado. Considero que essa é uma missão quase impossível, pois o capital não tem ética: escraviza, corrompe, mata, tudo em nome dos lucros acima de qualquer consideração moral ou ética. O máximo que se pode conseguir é uma "paz armada", onde todo mundo vigia todo mundo, até porque acordos amistosos entre concorrentes para dividir mercados significam cartelização.

Por um lado foi bom ter visto que há iniciativas institucionais para tentar freiar a corrupção, que carreia um bom pedaço do PIB mundial para o crime e submete países e pessoas à miséria. Por outro, ficou a impressão de utopismo da tarefa, pois tudo que se fez e se faz é embrionário, extremamente pequeno diante do problema, coisa de uma pequena vanguarda, e que não consegue trazer, até aqui, as pessoas comuns para uma grande mudança de posturas para eliminar a corrupção. A esperança está no sucesso do movimento que resultou na Ficha Limpa de candidatos ás eleições, que deu ao judiciário instrumentos para cortar pela raiz, mesmo que parcialmente, o acesso de corruptos às decisões sobre os recursos do estado.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vox Populi : Dilma amplia diferença sobre Serra

Pesquisa Vox Populi / TV Bandeirantes de hoje mostra Dilma Roussef (PT) com 41% (40% na anterior) contra 33% de José Serra (35% na anterior). No segundo turno, a candidata de Lula também teria 8% de vantagem sobre Serra. Dilma tem a menor rejeição (17% contra 24% de Serra), lidera entre homens e mulheres e escolaridades, e apenas é superada por Serra na região Sul (39% a 35%) e na Sudeste (36% a 34%) e entre os eleitores de maior renda (37% a 36%).

Em alguns dias vão sair as pesquisas do Datafolha e Ibope. É bom lembrar que às vésperas da confirmação da candidatura de Serra mostraram empate técnico entre os dois principais candidatos, mesmo depois de terem dado Dilma à frente. Acho até bom que deem alguma esperança aos demo-tucanos, senão a campanha vai baixar a um nível inimaginável, se a inexorável derrota ficar muito clara para eles.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mídia quer o "Eduardojorgegate"

O destaque dado pelo PRG (Partido da Rede Globo) ao acesso de alguém na Receita Federal a dados sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, ganhou requintes teatrais hoje no Bom Dia Brasil. Sem botar direto a culpa no PT e em Dilma, os apresentadores bateram bola com insinuações como " o acesso foi feito na região do ABC paulista" e outro disse que foi em Santo André. Ressaltaram que o acesso é crime. Por fim, uma apresentadora falou que a Polícia Federal só entrará no caso após a investigação pela Receita, e Renato sentenciou : "o resultado só deverá aparecer depois que o caso tiver esfriado". O que seria "esfriado"? Depois das eleições, impedindo o uso político-eleitoral pelos tucanos para vender a imagem do "estado policial" petista?

O ruim dos políticos terem rabo preso é a eterna paranóia de serem descobertos em alguma falcatrua ou crime, daí andarem sempre de antenas ligadas. Qualquer um de nós outros tem seus dados fuxicados por funcionários públicos e empresas privadas a todo momento, e a gente só sabe de alguma coisa quando acontece um problema. Há algum tempo era possível comprar bancos de dados de CPFs e do imposto de renda nas mãos de piratas de software. Também não é impossível que espiões do mercado furtem bases de dados de uma empresa e as vendam a concorrentes, daí recebermos tantas malas diretas oferecendo coisas de fornecedores para quem jamais passamos os nossos dados.

Essas coisas podem ser obtidas através do uso de senhas roubadas, que deixam seus donos como responsáveis pelos acessos, como pode ser o caso da funcionária da Receita que foi afastada da função pela acusação de ter "logado" o sistema para acessar irregularmente informações de Eduardo Jorge e agora estar servindo de "boi de piranha". Conhecendo a capacidade de armação dessa turma da direita, não seria demais também supor que um esquema bem articulado poderia criar essa situação para botar a culpa em algum aloprado do PT e criar um "Watergate" tupiniquim, com direito a toda a teatralização de CPIs e abordagem escandalosa na mídia para atacar o governo e a candidatura Dilma. O candidato tucano Serra já diz que não acha estranho o uso da máquina pelo PT para quebrar sigilos, em sintonia com a campanha da mídia.

Afinal, fica a pergunta: como é que a gente sabe se um remoto funcionário da Receita acessou nossos dados? Talvez tenha que perguntar ao jornalista Claudio Humberto, aos tucanos ou à Globo como proceder.

Desemprego cai a 7%

Em plena crise mundial, que destrói postos de trabalho principalmente na Europa e Estados Unidos, temos no Brasil a queda da taxa de desemprego de 7,5% em maio para 7% em junho, um dos melhores resultados históricos. Apesar da maior massa de pessoas aptas a consumir e demandar bens no mercado, o Conselho de Política Monetária reduziu o ritmo de elevação da taxa de juros SELIC para 0,5% na reunião de ontem, mostrando que o risco inflacionário que poderia se associar ao rápido crescimento da produção estaria sob controle.

Apesar dos resultados positivos excepcionais diante da conjuntura mundial, o ministro Guido Mantega tem sido alvo de críticas de ex-dirigentes da área econômica, que questionam a forte capitalização do BNDES pelo Tesouro Nacional e a forte concessão de crédito para o setor produtivo. Mantega diz que o BNDES empresta recursos que serão ressarcidos ao Tesouro e que essas operações seriam as responsáveis pelo aquecimento da economia e pelo nível de renda e emprego que tiraram o Brasil da crise antes dos outros países.

Esse é um debate que deveria ser colocado a limpo na campanha presidencial. Durante muito tempo os seguidores de FHC e a mídia insistiram na crença da continuidade dos fundamentos neoliberais do governo anterior a Lula. Durante a crise de 2008, insistiram que o Brasil deveria cortar gastos e aumentar as taxas de juros para suportar a crise, o que foi radicalmente negado pelo governo Lula, que apostou no crescimento e venceu a crise, que virou marolinha, sem prejudicar programas sociais e os níveis de emprego.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como os políticos enriquecem?

Alguns jornais publicaram recentemente dados sobre multiplicação de patrimônios de políticos nas declarações exigidas pelos tribunais eleitorais a cada eleição. Há casos de crescimento de até 774% em quatro anos. Muitos deles declaram bens por valores sub-avaliados para não chamar muito a atenção na comparação com declarações anteriores. Isso pode ser feito de forma lícita e honesta?

Um levantamento do site Congresso Em Foco de 2006 mostrava que o "custo deputado" mensal seria de cerca de R$ 100 mil, nele incluído o custo de todos os funcionários de gabinete (até R$ 50 mil), os proventos do deputado (cerca de R$ 12 mil), verba para cobrir despesas nos estados de origem (até R$ 15 mil), passagens, etc. Trabalhando com esses números teríamos ao fim de 48 meses de mandato o valor de R$ 4,8 milhões disponíveis por deputado.

O político não consegue transformar tudo isso em dinheiro, porque tem que usar as passagens, manter seus cabos eleitorais na sua base, manter funcionários efetivamente trabalhando no gabinete, imprimir materiais de divulgação, gastar com deslocamentos de carro, etc. Além disto, todo recém-eleito acumula dívidas, que pagará com parte desses recursos. Uma parte dos valores recebidos pelo político e assessores paga "pedágio" aos partidos, reduzindo o montante disponível ao enriquecimento individual. E há os que colaboram para movimentos, greves, etc.

Há o caso de pessoas que já tinham fortunas pessoais, ou eram capitalistas e continuam auferindo rendas mesmo no mandato ou aposentados. Nesse caso, os recursos obtidos no mandato só entrarão na despesa das pessoas se elevarem seus padrões de consumo, ou que é normal.

Supondo o caso de um deputado que tenha outras rendas e para quem os R$ 12 mil sejam excedentes, e não gaste nada mais que o normal pelo exercício do mandato. E que seja um político popular, cuja campanha tenha sido custeada pelo partido e apoiadores sem custos para o seu bolso nem dívidas a pagar. Ele acumulará R$ 624 mil ao longo do mandato. É possível que pague aluguel onde originalmente more, e possua um veículo de baixo valor. Neste caso especialíssimo, se poupar o valor do seu salário de parlamentar, sem embolsar mais nada das demais verbas, poderá haver significativo aumento de patrimônio, de forma legal. A questão é que vários políticos apresentam acréscimos superiores a R$ 1 milhão, e aí fica difícil explicar.

Serra paga caro pela aliança com o DEMO

Literalmente, o candidato José Serra fez um pacto com o DEMO ao aceitar como vice o deputado Índio da Costa, do DEMO-RJ, rifado pela família Maia para viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia a deputado federal. Hoje o comando da campanha de Serra precisou dar um "cala-boca" no moleque, que conseguiu críticas até dos aliados por ter dito que "o PT tem ligações com as FARC".

Que um político inexpressivo e agora sem futuro, face à iminente derrota, diga bobagens e se faça parecer radical de direita, é até razoável. Cada um diz o que quer, e as mentiras se desmancham com a negação dos fatos. O mais incrível foi Serra patinar na verborragia fecal do seu vice, para não deixá-lo sozinho, e reforçar dizendo que "Todo mundo sabe que o PT tem ligações com as FARC". Em 8 anos de governo Lula e do PT não ocorreu nenhum fato que comprovasse essa ligação. O PT vai processar Indio e o PSDB pela baixaria.

EUA : Obama sanciona lei de controle a bancos

O conjunto de medidas sancionado hoje pelo presidente americano Barack Obama para controlar o sistema financeiro pode parecer pífio perto da legislação brasileira em vigor há anos, mas considerada a cultura liberal e a história de não-intervenção governamental na economia dos EUA, foi um grande avanço. Pela reforma sancionada, o estado passa a ter mais poderes de fiscalizar a ação dos grandes conglomerados financeiros.

Desde a Grande Depressão, há quase 80 anos, não se estabelecia controles aos bancos e investimentos. Na época foi aprovada a Lei Glass Steagal, que restringia a atuação dos bancos comerciais, proibindo-os de atuar como bancos de investimentos e emitirem ações, derivativos e outros papéis de alto risco. Em 1999 o lobby dos banqueiros conseguiu derrubar essa lei, passando a imperar o "laissez-faire" no sistema financeiro que contribuiu para a grande crise de 2008.

Para a direita americana, que suspeita que Obama seja um criptocomunista, essa seria a segunda grande guinada rumo ao socialismo. A primeira foi a extensão da cobertura do seguro-saúde a mais de 30 milhões de pessoas, mesmo deixando de fora muita gente, com recursos dos impostos que os liberais se recusam a pagar. Agora foi sancionada uma lei que limita o tamanho dos bancos e reduz riscos para os correntistas e investidores. A imprensa americana chama a medida de "populista". "Camarada" Obama ganhou mais uma...

terça-feira, 20 de julho de 2010

SP : Conferência debate combate à corrupção

Começa nesta quarta (21), em São Paulo, a Conferência Latino-Americana sobre Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate à Corrupção, promovida pela Controladoria Geral da União (CGU) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A conferência reunirá autoridades públicas, representantes e organizações do setor privado, associações profissionais e a sociedade civil para discutir sobre os riscos e as conseqüências associadas à corrupção nas transações comerciais, bem como contribuir para o aprimoramento da legislação dos países Latino-Americanos referente à responsabilização das empresas por atos de corrupção.

Há poucos dias foi lançado o Manifesto Anticorrupção na Engenharia, Arquitetura e Agronomia, subscrito pelo CONFEA e diversas entidades de representação dos profissionais dessas áreas, que deverão mandar representantes à Conferência. Paralelamente, os participantes do Manifesto se reunirão para desdobrar ações efetivas na promoção de práticas de integridade nas empresas e instâncias de governo responsáveis por obras e serviços de engenharia.

Flamengo : Bruno escapa de demissão ilegal

Há indícios do envolvimento do goleiro Bruno num crime hediondo, sob investigação da polícia. O jogador encontra-se preso preventivamente. Segundo depoimentos de testemunhas, a vítima, cujo corpo ainda encontra-se desaparecido, teria ficado em cativeiro e sido eliminada friamente, sem direito a defesa. No domingo, o Fantástico mostrou uma entrevista com Bruno onde ficou patente que a sua defesa (sem trocadilho) está bem estruturada, e tende a negar a participação do atleta na suposta morte da ex-amante e jogar a culpa no tal Macarrão.

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, bem ao modo tucano de administrar, julgou Bruno culpado e mandou eliminá-lo do quadro funcional usando ilegalmente a demissão por justa causa, aplicável quando encerrado o processo e condenado o trabalhador. Fora isso, cabe ao funcionário entrar na justiça contra o abuso e exigir reparação moral, reintegração, etc. Patrícia não deu direito de defesa a Bruno, e mandou entregar sua demissão na cadeia. Em uma escala diferente, e comprovadamente intencional, a decisão de Patrícia Amorim representou também uma eliminação de alguém "inconveniente". Essa todo mundo viu, e não precisa de processo para julgar o ato administrativo ruim.

Esse tipo de coisa pode ter sido apenas uma demonstração do despreparo da ex-atleta e atual vereadora pelo PSDB à frente de um clube de tradição que está muito acima de qualquer dos seus atletas ou torcedores. Ou uma decisão com base na ideologia liberal, do não reconhecimento dos direitos dos trabalhadores, do autoritarismo patronal, acima da lei e dos interesses do clube e da sua torcida. A gente viu muito isso no período FHC, onde pessoas eram demitidas sem justificativa e depois tinham que buscar na justiça os seus direitos.

Patrícia fez a lambança e viajou para os Estados Unidos. A diretoria do Flamengo fez uma reunião na sua ausência e decidiu reverter a decisão da demissão de Bruno para evitar a derrota certa em processos que o jogador poderia entrar contra o clube. Bruno não será mais demitido, aguardando-se o caminhar do processo, como manda a lei. Muito ruim para a imagem do clube essa trapalhada da demissão irregular.

Apesar de tudo, a torcida aguarda o resultado do processo, entendendo que toda a gozação que os outros torcedores possam fazer (UPP da Gávea, goleiro matador, etc) estão sendo respondidas pela força do time, que sem Adriano, Vagner Love e Bruno, venceu as duas últimas partidas e levou o futebol do clube à 4a posição na tabela, enquanto uns estão próximos e outros dentro da zona de rebaixamento.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

RJ : Visconde de Mauá, refúgio natural



Para quem quer se isolar do mundo a poucas horas de viagem do Rio, Visconde de Mauá é o endereço certo. Os 15 km de estrada em obra na serra da Mantiqueira ainda são um obstáculo à invasão por turistas. Os preços meio salgados, também. A precariedade do sinal de celulares (só o da Claro pega e não é em todo lugar) e a quase inexistência de conexão 3G para internet contribuem para que as pessoas larguem por um tempo a vida estressada da cidade e valorizem outras coisas, como o ar puro, o frio que atrai chocolate quente, lareira, vinho, fondue e a cachaça produzida na região pelo alambique da Capelinha. Ainda há as caminhadas a pé ou a cavalo pelas muitas ruas de terra batida.

As muitas pousadas são freqüentadas basicamente por cariocas e paulistas, que pegam a Via Dutra até Resende (RJ), entram para Penedo (lugarejo de colonização finlandesa) e sobem os 26 km até a Vila de Mauá, podendo optar por ficar do lado fluminense da fronteira interestadual, que é definida pelo Rio Preto, ou do lado mineiro, do município de Bocaina de Minas. Os preços variam bastante, de uns R$ 60 até mais de R$ 400. Por R$ 150 de diária é possível ficar num chalé com 3 lugares em hotel de campo, com salão de jogos, café da manhã, sauna, piscina, lareira e muita área verde para caminhadas. Os mais simples são próximos a áreas de concentração urbana, como Maringá (que tem o comércio mais intenso, restaurantes, bares, internet, etc), que se distribui pelas duas margens do Rio Preto, e Maromba, onde a cachoeira do Escorrega é o principal atrativo. Muito interessante, pelo lado mineiro, é uma fábrica de velas que fica no fim da rua principal de Maringá. Por toda parte há produtores de artesanato. Outra cachoeira que vale a pena conhecer é Santa Clara.

O lugar parece bastante seguro, até pela facilidade de bloqueios pela polícia. Tanto do lado do RJ como de MG há postos policiais. A única agência bancária é do Itaú. Cartões são aceitos em quase todos os lugares. Quando chove, dependendo do veículo, pode-se ter problemas de acesso a algumas atrações causados pela declividade das rampas e pela lama. Até na estrada de acesso por Penedo, que está bem nivelada por máquinas da obra, forma-se uma lama fina que ameaça tirar da pista os veículos. Passamos por esse sufoco na volta, tendo que andar muito devagar para não perder aderência na pista, descendo a serra.

Apesar de bem mais longe de São Paulo (310 km) que do Rio (210 km), os paulistas fazem de Mauá uma opção de turismo de serra fora da muvuca de Campos do Jordão (SP), que nesta época vira um inferno de tanta gente. Mauá é mais zen, mais natural, feita para o descanso, para a meditação, para a ioga e alimentação natural. E muita truta, produzida nos viveiros da região. E para aventuras também. Há passeios a corredeiras, ao Parque Nacional de Itatiaia, onde fica o Pico das Agulhas Negras (2700m) feitos por empresas de turismo por até R$ 250 por pessoa. Não tem badalação.

Depois de muitos anos na base da promessa, a estrada de acesso por Penedo parece que vai finalmente ser alargada e asfaltada. O tráfego está perigoso, porque há máquinas pesadas, comboios de caminhões com materiais para aterros, lama, encostas recentemente cortadas e sem contenção e principalmente falta de sinalização, que cria situações perigosas principalmente nos trechos onde passa apenas um veículo de cada vez.

Também merece comentário o fato do lado mineiro ter suas vias melhor conservadas que as do lado do Rio. No caminho para Maromba, que fica a 7 km da Vila de Mauá, há trechos sem asfalto e outros onde formam-se crateras por falta de conservação. Também notamos preços extorsivos junto à cachoeira do Escorrega, onde a estrada que dava acesso a um largo de estacionamento público foi fechada, e a única opção para parar um carro é num terreno particular que cobra R$ 5 por veículo. Tirando esses detalhes, vale a pena um passeio até lá, de uns 3 dias, no mínimo. Não há blog que resista a uma relaxada dessas.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Globo quer parar a Petrobrás

Que a ação partidária das empresas Globo combate as estatais não é novidade, nem que defendam uma visão colonizada de Brasil, publicando tudo que interessa aos grandes interesses do capital nacional e multinacional, combatendo ferozmente os governos que criam obstáculos aos seus negócios.

Hoje a capa do jornal O Globo traz a seguinte matéria: "O Brasil na contramão : produção no pré-sal começa enquanto EUA e Europa limitam projetos" . O texto diz que autoridades da comunidade européia propoem sustar novos projetos de exploração de petróleo no Mar do Norte, Mar Mediterrâneo e Mar Negro, seguindo os passos do governos dos EUA que proibiu novas explorações no Golfo do México por causa do vazamento de petróleo do poço da British Petroleum, que já se arrasta há 3 meses.

O vazamento americano já é o maior desastre ecológico da história da indústria do petróleo, e as autoridades dos EUA passivamente se limitam a multar a BP, sem intervir em nada. E a empresa vai deixando o vazamento correr, primeiro porque não tem tecnologia para fechá-lo, segundo porque não quer perder o poço a partir de uma solução radical, que seria detonar suas paredes e lacrá-lo. Na Europa há a justificada preocupação porque a BP tem muita coisa por lá, e erros do mesmo tipo podem acontecer.

E no Brasil, por que a Petrobrás, detentora da maior tecnologia de exploração em águas profundas do mundo, teria que parar seus trabalhos, se poderia oferecer até soluções para o problema americano? Aí entra o viés ideológico do O Globo : o primeiro mundo está certo, o Brasil está errado, afinal, a palavra "contramão" tem o significado de andar ilegalmente no sentido contrário. O Brasil, explorando o pré-sal enquanto as grandes economias capitalistas param de produzir, ganharia uma vantagem imensa no mercado de petróleo, cada vez mais escasso, e isso não interessa aos interesses coloniais externos nem a uma elite atrasada tupiniquim.

Falando em petróleo, o candidato da Globo anda fazendo dois discursos: no Espírito Santo, que pode perder royalties do petróleo se Lula não vetar a lei que os divide igualmente, Serra diz que é absurdo acabar com os royalties, e mente ao culpar o governo e a candidata Dilma pelo modelo aprovado no Congresso. No Ceará, que praticamente não será afetado pela perda de royalties, Serra defende a partilha igualitária e diz que Lula é contrário a isso. Oportunismo e demagogia, além de uma grande parcela de inveja, tomaramo o discurso do candidato da direita privatista.

Flamengo 1 x 0 Botafogo : valeu o ingresso

Não me lembro de ter visto o Flamengo perder para o Botafogo estando presente no Maracanã. Há 10 anos o Botafogo não vence o Flamengo no Campeonato Brasileiro. E hoje não foi diferente o resultado, apesar do ambiente estar muito esquisito. Para começar, a torcida alvinegra estava em número maior que a do Flamengo, coisa eu nunca vi. Até as torcidas organizadas do Mengão estavam acanhadas. A Torcida Jovem colocou sobre a sua faixa do alambrado uma tarja preta, de luto pelos fatos recentes que indignaram a nação rubronegra. E o que foi mais estranho, positivamente, foi ver o time do Flamengo muito bem armado, motivado, jogando para ganhar, como se quizesse dar a volta por cima, apesar de desfigurado da sua configuração que faturou o hexa, sem Adriano, Wagner Love e Bruno.

O único sinal de normalidade foi o Flamengo voltar a ganhar do Loco Abreu FC. Por sinal, alguns botafoguenses mandaram fazer camisas em azul, como a do time do Uruguai, com a sua estrela, em homenagem ao jogador Loco Abreu, por quem torceram na Copa. É muito pouco horizonte...

O jogo foi muito bom. Ataques e contra-ataques a toda hora, chances de gol como a gente não via nos jogos da Copa. Quase não houve faltas. O Flamengo dominou o primeiro tempo. No intervalo, o competentíssimo técnico do Botafogo, Joel Santana, reorganizou o time e reequilibrou a partida, valorizando o esforço do Flamengo para ganhar a partida. Fiquei nas cadeiras brancas da arquibancada, setor mais democrático do estádio, onde as torcidas se misturam e se toleram. Ou quase. Tinha um menino de uns 5 anos, sofredor infantil do Botafogo, que não parava de urrar nos meus ouvidos. Saiu do jogo quase chorando, mas não fez feio, afinal diz o refrão tradicional:
" E ninguém cala
Esse chororôoooooo
Chora o Presidente
Chora o time todo
Chora o torcedor"

O torcedor botafoguense tem um problema a cada ano eleitoral: quer votar, mas não tem títulos.

No mais, ainda bem que ambas as equipes são clube de regatas, porque o gramado do Maracanã mostrou falhas de drenagem, apesar de ter chovido pouco antes do jogo. O ingresso continua R$ 40, o sorvete mais barato é R$ 5, um copo de refrigerante é R$ 3. Do lado de fora, a ostensiva presença da operação Choque de Ordem da prefeitura. Desta vez não vi cambistas, e há uma campanha com faixas sobre o combate a essa prática. Também há as que pedem que não se faça xixi na rua. E uma novidade interessante: uma cabine de observação elevatória, que permite que se faça a vigilãncia a uns 5 m acima do nível da rua.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Globo : Ódio às estatais - ideologia ou oportunismo?

A campanha de hoje do partido global é contra a Empresa Brasileira de Seguros. Nem sabia que estava sendo criada, mas se não fosse atento ao ódio da Globo às estatais nem saberia do que se tratava, mas pela entonação dos apresentadores do Bom Dia Brasil ficaria com raiva dela. A matéria, no bate-bola dos apresentadores, soou assim: "o governo acaba de criar mais uma estatal, na área de seguros. Já são 12 estatais criadas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Outro apresentador reforça: "é muita estatal, né?".

O jornal "O Globo" traz a mesma manchete na capa, em destaque. A tal estatal seria para cobrir grandes empreendimentos, sem concorrer com o atual mercado de seguros. O jornal faz mistério, disse que teve acesso a informações sobre a medida provisória que criará a empresa, como se fosse algo na surdina. Já o Estadão, tão de direita quanto O Globo, fez a matéria "MP cria estatal do seguro com R$ 18 bilhões" com detalhes, mostrando a que vem a empresa.

Segundo o Estadão, a nova empresa estaria sendo criada às pressas para ter um papel fundamental na concessão de garantias para obras do PAC, do Minha Casa, Minha Vida, da Copa do Mundo, das Olimpíadas e da exploração do pré-sal, e a criação desse seguro estatal seria uma demanda das empresas do setor de construção civil. A EBS assumiria todas as garantias dos fundos garantidores já existentes e também faria seguros para setores de interesse social, não cobertos pelo mercado, como exportação de longo prazo, financiamento habitacional de baixa renda e capital de giro para micro, pequenas e médias empresas. Poderá fazer o seguro diretamente ou em consórcio com o setor privado.

De mais essa ação partidária da Globo, cabem algumas notas:
- quando as empresas Globo precisaram de dinheiro para salvar a Net da quebra, recorreram em 2002 (governo FHC) ao estatal BNDES para pegar um empréstimo. A estatal, segundo a Folha de São Paulo, aumentou seu capital na NET de 4% para mais de 22%. E a crise da NET desequilibrou o império global, que agora tem nas suas veias o sangue "impuro" das estatais. Isso sem falar na denúncia feita pela Igreja Universal do Reino de Deus, que diz que a CEF emprestou R$ 40 milhões à TV Globo, ilegalmente (concessão pública), para concluir as obras do PROJAC;

- fica a dúvida se a TV Globo atacou a nova estatal por questão ideológica (não jornalística, logo política) ou por pressão do lobby das seguradoras nacionais e estrangeiras, que certamente perderão uma fatia generosa de um mercado hoje incipiente, dos grandes projetos de investimentos públicos;

- outra dúvida: uma coisa é a emissora ter suas posições e interesse, e mandar os apresentadores dar a notícia de acordo com a sua visão manipuladora. Outra coisa é os apresentadores fazerem teatrinho com isso, como se fosse uma coisa absurda, nojenta, repulsiva e odiosa alguém falar em estatais. Isso já é babação.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DF : Gargalo no Aeroporto Juscelino Kubistchek



Hoje foi dia de balanço da Copa de 2010 e de início das preocupações com a de 2014 no Brasil. Na prática, serão dois anos e meio para tudo ficar pronto, de estádios a portos, hotéis e aeroportos. Quanto a estes, o governo já fala em fazer "puxadinhos", pois o investimento seria muito alto. A CBF já fala em dividir os jogos da fase de grupos em 4 áreas, evitando deslocamentos muito grandes e de difícil conexão. Esse foi um problema que fez muita gente perder os jogos por atrasos de vôos, pois o tráfego entre as cidades não tinha muitas opções.


Tirando as tentativas golpistas de uns para derrubar o governo de outros, o fato é que há gargalos hoje, talvez nem por falta de estrutura de aeroportos, mas por conivência da ANAC com empresas que conseguem emplacar diversas partidas de vôos com poucos minutos de diferença, economizando ao ocupar uma equipe intensamente em uma faixa do dia.


Em Brasília, a TAM sempre fez isso, nos vôos que vão das 18 às 22h. O problema é que dão o embarque no horário, para não ter multas, e os passageiros ficam muito tempo dentro dos aviões esperando a autorização para a decolagem. Já peguei mais de uma hora naquele aeroporto. Quando voava de Brasília a Fortaleza com freqüência, já sabia até estimar o atraso, tão pontual ele era.

Hoje saindo de Brasília para o Rio esperei 45 minutos além do horário para decolagem, num avião da Webjet, esperando a "fila" andar. Tirei umas fotos mostrando a fila à frente do avião onde estava, e na retaguarda, uma fila enorme. Para completar o problema, com a alta densidade de vôos num curto espaço de tempo ( e longos horários sem movimento), as salas de embarque não aguentam tanto movimento, e a maioria das pessoas espera em pé. Hoje teve até engarrafamento dos ônibus que levam as pessoas do terminal aos aviões. O problema não me parece tão físico, porque há uns 3 anos foi feita uma segunda pista que deveria solucionar os problemas de atrasos, o que não aconteceu.

domingo, 11 de julho de 2010

Holanda : vice, de novo!

Nem precisava do polvo Paul para prever que a Holanda seria vice de novo, pela terceira vez. Isso é uma espécie de sina que persegue os times de sofredores. Quem torce por Vasco e Botafogo sabe bem o que é isso, e o pior: ter que ouvir toda vez o refrão "Vice de novo!". A Holanda ganhou todas, menos a final. A Espanha, com bons jogadores e um futebol amarrado tipo brasileiro, foi mais eficiente.

Se a Holanda ganhasse, os brasileiros poderiam ter dito que perdemos para os campeões do mundo. Com a Espanha vencendo não ganhamos nada. Quem perde são os europeus, que terão que aturar os professores do modo de ser argentino no futebol.

Adeus, Jabulani, Jo'bulani, Polvo Paul, Mick Jagger, Cala boca Galvão, manhãs e tardes de vagabundagem, belas imagens em câmeras de alta definição, e um bando de malas sem alça da crônica esportiva. Agora começa o ano de 2010 no Brasil. Acabou a festa: vem aí a baixaria eleitoral.

sábado, 10 de julho de 2010

Resort tem piscina com "borda infinita" no 55° andar

Enquanto houver capitalistas ou governos com muito dinheiro para torrar, e bastante gente para dar retorno a empreendimentos suntuários, a criatividade de arquitetos e engenheiros tenderá ao infinito. Foi inaugurado em Singapura um resort composto de 3 prédios curvilíneos, com um deck cruzando os topos lembrando um navio. E a piscina fica na borda dessa cobertura, passando a impressão de infinitude, de onde se tem vista espetacular. Gastaram a bagatela de 4 bilhões de libras (cerca de R$ 12 bi) no Marina Bay Sands, de Singapura, o hotel de construção mais cara do mundo. A diária custará acima de 350 libras (uns R$ 1100). Veja mais fotos aqui. A âncora dessa maravilha moderna é um cassino luxuoso.

Fundo de pensão da Johnnie Walker tem iliquidez

A empresa Diageo, fabricante do whisky Johnnie Walker, da cerveja Guiness e da vodka Smirnoff deve 862 milhões de libras ao fundo de pensão dos empregados, que está com sérios problemas de liquidez. Para evitar que o fundo vá para o ralo, a empresa depositou uma parte da dívida em libras, vai fazer aportes anuais e colocou como garantia, para resgate em 15 anos, 2 milhões de barris de whisky em fase de envelhecimento. Os funcionários aposentados não receberão bebida como pensão, mas a idéia de repassar produtos como ativos para tapar buracos em fundos de pensão está virando moda por lá. A informação é do Ig Economia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

EUA : TV vê Petrobrás em conspiração especulativa

Um programa sensacionalista da Fox News, que não se preocupa muito com a inteligência dos seus expectadores nem com a credibilidade, lançou uma teoria conspiratória onde o especulador George Soros e a Petrobrás estariam mancomunados para ganhar dinheiro com o vazamento de petróleo do Golfo do México. O nome da matéria: Crime S/A : Petrobrás. O assunto está na Folha de hoje.

Pela teoria, Soros teria investido 900 milhões de dólares em ações da Petrobrás, e sabia da existência de empréstimo do banco americano Eximbank à estatal brasileira, para comprar equipamentos americanos para agilizar as perfurações no pré-sal. Onde estaria a armação? Soros teria comprado as ações porque já teria informações de dentro do governo Obama que haveria uma moratória nas perfurações no Golfo do México.

Dedução do programa: enquanto se impede de explorar petróleo nos EUA, investe-se no aumento da produção da Petrobrás, aumentando seu valor para o lançamento de ações que acontecerá nos próximos meses e os lucros de George Soros. No melhor estilo extrema-direita patriótica, o apresentador brada que logo os EUA vão ter que importar petróleo do Brasil. Como besteirol não tem limite e sempre há um imbecil para crer nessas coisas e montar um Hoax acusando a Petrobrás, deixo logo aqui o anti-hoax.

O que talvez o apresentador não tenha levado em conta na sua teoria conspiratória é que se ontem, no encontro entre o primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu, e o presidente americano Obama, em Washington, tiver saído o sinal verde para Israel atacar o Irã, talvez o Oriente Médio fique por um tempo em meio a uma guerra que pode paralizar a maioria da produção de petróleo do mundo, e aí a Petrobrás vai ganhar muito mais.

DF: Sindicato fecha agência bancária sem condições de trabalho


Ontem vi uma agência do Unibanco no Setor Comercial Sul, de frente para o Pátio Brasil, com uma faixa do Sindicato dos Bancários dizendo "esta agência não funcionará hoje". Pensei tratar-se de greve parcial por banco, em cima de alguma questão específica, e ao conversar com pessoas do sindicato no local disseram que a agência foi fechada por falta de condições de trabalho. Não tinha ar condicionado, e nem por onde circular ar novo. Apenas o auto-atendimento funcionava.

O sindicato vem fazendo blitzes com técnico de segurança do trabalho em diversas agências. Essa é a segunda do Unibanco fechada no DF. Praticamente todas estão em reforma para se adaptar aos padrões do Itaú, e acabam submetendo funcionários e clientes a riscos diversos.

Se a moda pega, vai ter muita agência bancária fechada, e não é por reforma de adaptação, mas por falta de manutenção mesmo. Alguns bancos, na ânsia de melhorar balanços, relegam a segundo plano as manutenções dos seus sistemas de ar condicionado, deixam as instalações em péssimo aspecto para não gastarem com reformas, mesmo que depois venham a gastar mais pela depreciação antecipada de materiais e equipamentos.

Que a iniciativa de Brasília se espalhe pelo resto do país. Mais: na campanha salarial de setembro, deveriam colocar como cláusula no acordo que os sindicatos poderiam ter livre acesso para vistoria de condições de trabalho nas instalações bancárias, emitindo relatório para providências pelos bancos em um prazo a ser estipulado. Bancos ganham dinheiro demais para desleixarem com suas instalações e oferecer riscos às pessoas.

Dilma lá, Fulano cá - Serra está sendo abandonado

Apesar do Ibope e Datafolha empatarem Dilma com Serra, a vida real continua, e a debandada fisiológica de tucanos e outros bichos para o lado da candidata do PT, em busca de sobrevivência, está nos noticiários. A Folha de São Paulo noticiou que o PSDB paulista investigará a participação de prefeitos tucanos num ato de apoio a Dilma em Campinas no dia 1° de julho, organizado pelo PDT.

Segundo levantou a Folha, a partir da lista que conseguiu com um dos organizadores, de 117 prefeitos: 25 tucanos, 9 do DEM, 8 do PV, 8 do PPS, 22 do PT, 17 do PDT, 22 do PMDB, 5 do PSB e 1 do PP. Procurados pela Folha, alguns prefeitos declararam que não estiveram lá, e outros que foram iludidos achando que o ato era referente ao PAC-2.

Já o PV foi mais direto: suspendeu temporariamente a filiação do prefeito de Itapira (SP), por ter declarado apoio a Dilma nesse ato. Já Gabeira e outros apoiarem Serra à revelia da candidata do partido Marina Silva, é aceito...

O Estadão traz uma outra defecção, desta vez do lado dos DEMOs. O prefeito de Tanambi (SP), não só declarou apoio a Dilma, como criticou os governos tucanos de São Paulo. Está ameaçado de expulsão pela direção partidária. Diz o jornal :

"O prefeito de Tanabi (SP), José Francisco de Mattos Neto, do DEM, roubou a cena hoje no jantar de empresários e políticos em apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Além de declarar o apoio à candidata, o prefeito fez duras críticas aos governos tucanos no Estado de São Paulo. "São duas décadas de desmonte do Estado e de sucateamento do serviço público", disse Mattos Neto. Segundo ele, Dilma é a mais preparada para a Presidência e os servidores públicos estão mobilizados para eleger o senador Aloizio Mercadante governador paulista. O prefeito afirmou ainda, sem citar o seu partido, que a atual direita vai acabar no País e que vai haver uma nova direita "que escreve Brasil com ''s'' e que sabe negociar"."

DF: PSOL pede impugnação da candidatura de Roriz

Com base na Lei da Ficha Limpa, o PSOL deu entrada ontem numa ação junto ao TRE-DF, contestando o pedido de registro de Joaquim Roriz (PSC) como candidato a governador do DF. O pedido diz que a renúncia de Roriz ao cargo de Senador em 2007 para fugir ao processo de cassação por corrupção o enquadra no artigo 1° da lei complementar 135 de 04/06/10:
"k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura;"


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Isonomia : aprovado projeto na Comissão de Trabalho da Câmara

Reproduzo abaixo o texto do informativo da Câmara dos Deputados. Afinal, o projeto de isonomia dos novos funcionários com os antigos de bancos públicos começou a andar. Uma esperança para quem teve os direitos precarizados no governo FHC. O projeto vem se arrastando, tem baixo impacto financeiro e tomara que doravante ganhe velocidade para acabar com essa injustiça.

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http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/ADMINISTRACAO-PUBLICA/149491-TRABALHO-APROVA-ISONOMIA-DE-DIREITOS-PARA-BANCARIOS-FEDERAIS.html

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou hoje, na forma de substitutivo do relator, deputado Eudes Xavier (PT-CE), o Projeto de Lei 6259/05, que estende aos novos funcionários dos bancos públicos federais os mesmos direitos dos empregados antigos. Eudes Xavier defendeu a proposta, promovendo correções no texto, e recomendou a rejeição do PL 7.403/10, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apensado.

Segundo Eudes Xavier, o PL 6259/06 devolve a isonomia, internamente a cada uma das instituições, entre os empregados do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste do Brasil S/A e do Banco da Amazônia S/A. Os servidores da da Casa da Moeda do Brasil também serão beneficiados.

O deputado afirmou que a proposta elimina distorções decorrentes das Resoluções nº 10, de 30 de maio de 1995, e nº 9, de 8 de outubro de 1996, do Conselho de Coordenação e Controle das Empresas Estatais. Essas resoluções estabeleceram restrições à concessão de vantagens e benefícios aos novos ingressantes, no âmbito interno das instituições, gerando tratamento discriminatório entre os empregados mais antigos e os mais novos.

O substitutivo especifica que os funcionários terão as mesmas vantagens decorrentes de convenções coletivas e os mesmos critérios de contribuição proporcional e de acesso aos programas de previdência privada patrocinados pelas instituições, assim como de contribuições proporcionais e de acesso aos planos de assistência à saúde e de participação na distribuição dos lucros e resultados.

Impacto financeiro
Segundo estimativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), o impacto da concessão de isonomia sobre as folhas de pagamento das instituições financeiras públicas federais será da ordem de 0,5% a 1,5%, dependendo das estruturas internas de remuneração.

Já o PL 7403/10 busca conceder isonomia no âmbito interno entre os empregados de todas as demais estatais. Segundo Eudes Xavier, não foram demonstradas as desigualdades remuneratórias em outras estatais, razão pela qual o deputado recomendou a rejeição da proposta.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Copa 2010 : Valeu, Espanha!

Espanha 1 x 0 Alemanha não quer dizer que o jogo foi equilibrado a ponto de empatar. Estava mais para 2 x 0 que para 1 x 1, até porque a Espanha andou perdendo gols. Sua defesa não deixou o ataque alemão entrar como nos outros jogos, até porque ficaram com medo da Espanha, que os venceu na Copa da Europa, e jogou recuado, perdendo sua vantagem de jogar pressionando.

O grande vencedor foi o Brasil, que não terá nenhum tetra nesta Copa para ameaçar seu título de pentacampeão. Se a Espanha jogar a final como hoje, será campeã, sem dúvida, porque a Holanda não tem essa bola toda e certamente vai jogar recuada, o que pode ser um suicídio. Torço pela Holanda, mesmo sabendo que tem tudo para perder.

HOAX : Vazamento de petróleo dos EUA vai contaminar todo o oceano

Meu e-mail é um verdadeiro pára-raios de besteiras como um texto atribuído a um tal Tom Buyea do Florida News Service. Fala que em 18 meses, se o vazamento de petróleo do poço da British Petroleum no Golfo do México não for contido, todo o oceano será contaminado, as populações dos estados americanos vizinhos terão que ser evacuadas, enfim, um catastrofismo de dimensões bíblicas.

Na busca pela verdade, encontrei no site brasileiro Quatro Cantos (vale a pena clicar aqui), que tem farto material de desmanche de boatos (HOAX), o suficiente para suspeitar que o escândalo em torno do vazamento de óleo há 79 dias está sendo usado pela extrema-direita para atacar Obama. Um dos "cientistas" citados é pastor de uma igreja que defende idéias nazistas e racistas.

Obama parece dar muita moleza, porque o governo americano, liberal, é extremamente fraco. Não tem instrumentos para forçar a BP a tomar uma atitude drástica, como o uso de explosivos ou outras técnicas que sustem o vazamento, com consequente perda do poço e prejuízos grandes à empresa, nem de intervir e colocar uma outra empresa mais competente para fazer o serviço. Está há 79 dias olhando o problema acontecer, impotente. As agências governamentais de petróleo e ambiental minimizam os impactos, a favor da BP. Daí a contaminar a imensa massa de água do planeta com o conteúdo de apenas um poço ou bacia é um extremo exagero, explorado politicamente e replicado na internet ´pessoas de boa-fé.

7/7/77 - A superstição de um dia especial

Hoje dei de cara com a data 7/7 no relógio, e instantâneamente bateu um "flash-back" dessa data em 1977. Desde criança tinha superstição com o 7, que achava ser o número da sorte. Naquela data, 7/7/77, tudo de bom deveria acontecer. Tinha 20 anos, estudava na PUC do Rio e tinha uma prova de Mecânica Geral II. Livro estrangeiro, professor PHD que conhecia tudo mas era carente em pedagogia, matéria enrolada. Tinha estudado, mas não era o suficiente. Achei a prova tranquila. Escrevi o tempo todo, fiz tudo. Saí satisfeito, até que dias depois descobri que na data "perfeita" tinha tirado o meu primeiro zero numa prova. A superstição estava falida.

Não gosto muito de lembrar desse periodo na PUC, mas me veio tudo à memória e resolvi escrever sobre isso aqui, para me aliviar. Deu tudo errado. Fui parar lá por uma série de erros de avaliação. Gostava muito de eletrônica, estimulado principalmente por um brinquedo que ganhei ao passar para o ginásio, o Philips Electronic Engineer. Montava os kits do brinquedo, e depois passei a tentar consertar aparelhos elétricos quebrados, tomando muitos choques e errando mais que acertando. Empolgado com o meu gosto pela coisa, meu avô materno, que era como um patriarca da família, apostou que eu iria estudar eletrônica em Santa Rita do Sapucaí (MG), que já era uma referência na matéria.

A aposta era boa, mas eu não estava a fim de sair do Rio. Se dependesse do velho Alcides, teria feito o ginásio no Colégio Militar, mas preferi o Aplicação da UERJ, que além de civil, era misto. Com a minha resistência, a opção recaiu sobre a PUC, onde uma irmã mais velha já vinha cursando elétrica na área de sistemas e o curso era o melhor do Rio. Só que a PUC era particular, muito cara, ficava a dois ônibus e mais de uma hora de viagem da minha casa, e o curso era em tempo integral e até à noite, quando ficava mais disponível o Rio Datacentro para o estudo das cadeiras de computação. Meu avô disse que ajudaria. Fiz o vestibular unificado do Cesgranrio com primeira opção para a PUC elétrica, e segundo para a UFRJ, terceiro na UERJ. Coisa de louco. Ninguém fazia isso, trocar uma universidade gratuita por uma paga.

Tive pontuação para passar tranquilamente para a Federal, para a UERJ, mas fui para a PUC, onde logo de cara senti que a barra seria muito pesada. A estória que corria em 1975 dizia que as finanças da universidade ficaram combalidas pelo "boom" da Bolsa de Valores em 1972, onde se ganhou e se perdeu muito dinheiro. A partir das dificuldades, fizeram convênios com entidades estrangeiras, que exigiram uma mudança no perfil dos cursos tecnológicos em troca de recursos.

A PUC, justo no ano que entrei, não formaria mais com a visão de suprir o mercado, mas focaria principalmente para a excelência, para que o formado seguisse pós-graduação, mestrado, doutorado, formando bons mestres para o ensino. Logo de cara o coordenador do Centro Tecnológico fez uma palestra de boas vindas onde disse que o que viria pela frente faria a pedreira do vestibular parecer uma brincadeira. Só os realmente interessados em continuar a carreira de pesquisadores e professores sobreviveriam. Deviam ter dito isso antes do vestibular...

Tudo mudou justo quando entrei. Duas reprovações na mesma matéria significavam jubilamento. Contrataram professores estrangeiros que falavam precariamente a nossa língua, muitos PhD indianos, franceses, alemães, etc. A bibliografia era quase toda estrangeira, e muito cara. Em poucos semestres o pessoal que entrou comigo foi dizimado. A gente fazia a primeira prova, via a nota e corria para o trancamento, se não fosse muito boa, para fugir ao jubilamento.

Para completar o drama, eu era o mais pobre de todos. Meus colegas eram da zona sul, tinham carro, almoçavam em casa. Eu tinha que ficar lá o dia todo, comendo no bandejão, estudando na biblioteca, dependendo de carona, e não aguentava mais aquilo, mas meu avô me cobrava e insistia. Quem acabou pagando o curso foi meu pai, que não tinha condições. Acabei pegando uma bolsa de estudos de um convênio filantrópico, mas as dificuldades continuaram.

Apesar de tudo, a PUC tinha um dos poucos DCEs e Centros Acadêmicos que resistiram à ditadura por todo o período, sem fechamento. Haviam resistido ao período Médici, e quando entrei, o ditador já era o Geisel, que começou a relaxar a repressão, mas mesmo assim havia gente infiltrada e informantes conhecidos e visíveis pelo campus na Gávea. Logo que cheguei houve um boicote ao bandejão, e os alunos assumiram parte da gestão.

Houve uma greve onde helicópteros do exército pairaram sobre o campus com armas para fora, e felizmente não houve nada mais grave. Fizemos também uma luta contra a construção a auto-estrada Lagoa-Barra que iria cortar em dois o campus, barrando tratores e tudo. Acabou construída à meia-encosta, com muitas restrições e exigências para não afetar os equipamentos do acelerador de partículas Van de Graaff, que acho que era o único no Brasil na época.

Foi na PUC que conheci um movimento embrionário chamado Convergência Socialista, amplo, através de uma palestra do Lysâneas Maciel, que viria a ser candidato pelo PT ao governo do Rio em 1982. Ali tive contato com idéias trotskistas e adquiri uma visão critica ao estalinismo do leste europeu. No ano de 77 também começou a emergir o movimento social, com ocupações de terras e greves de trabalhadores. E também a virada na ditadura, com a prisão do general linha-dura Silvio Frota, abrindo o caminho para o processo de "transição lenta e gradual" para a democracia.

Os padres foram os responsáveis pelo respeito à integridade do campus. Não aceitavam intervenções. Havia claramente dois grupos de religiosos responsáveis pela universidade: os mais próximos da Teologia da Libertação, de esquerda, que apoiavam as lutas, e os mais conservadores, entre eles um bem idoso que dava aula de Iniciação à Bíblia e que exigia que todo mundo rezasse no início da aula. Em respeito à pessoa frágil e caridosa do professor, todos se levantavam e alguns rezavam, outros faziam mímica, outros simplesmente nada faziam. O hilário de tudo isso é que a turma tinha uma parcela de ateus e uns 20% de judeus. No final, todos passavam.

Deixando as memórias de lado, afinal ainda não sou velho o suficiente para escrever esse tipo de coisas, o ano de 77, que a crença me indicava como perfeito, terminou com o falecimento do meu avô, que também tinha me mandado fazer o concurso para o Banco do Brasil em 1975, no qual passei bem colocado e ele mesmo dizia para não tomar posse porque engenharia estava dando mais dinheiro. Com a sua morte em setembro, tomei posse no BB em outubro, tranquei a PUC e fiz novo vestibular para engenharia civil na UERJ, que era mais a minha praia. E nunca mais tive superstições. Hoje passo debaixo de escada só para escandalizar os crédulos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Copa 2010 : Holanda já pode ser vice de novo

Jogaço de bola esse Holanda 3 x 2 Uruguai. Não tinha Mick Jagger mas tinha a torcida do Botafogo apoiando o time do Uruguai, e isso dá muito azar. À torcida alvinegra resta torcer para a Holanda na final, para ela perder e eles ouvirem o glorioso refrão "vice de novo", desta vez em alemão. O Glorioso tirou do Vasco a condição de vice preferencial do Flamengo e não aceitou compor a chapa como vice de José Serra porque o tucano já é muito azarado e vai ser vice de novo também.

Vão dizer que o Uruguai perdeu porque o Lula disse que ia torcer pelos "hermanos", que é pé-frio também, etc. Não nos esqueçamos que ainda no seu mandato, o time do presidente foi campeão paulista em 2003 e 2009, campeão brasileiro em 2005 e da Copa do Brasil em 2009. E teve também aquele título que ninguém quer, de campeão da segundona em 1998. Considerando que o Timão já ficou 21 anos sem título, Lula não é tão pé-frio assim.

HOAX: 51% de votos nulos invalidam eleição

Corre há muitas eleições um hoax (boato de internet) que prega o voto nulo nas eleições, prometendo que se mais de 51% dos votos apurados forem nulos, a eleição é invalidada, e uma nova eleição tem que ser feita com candidatos diferentes dos anteriores.

A confusão é feita entre VOTO NULO, que é a manifestação individual do eleitor ao apertar a tecla NULO na urna eletrônica, e VOTAÇÃO NULA, quando feita em desacordo com o Capítulo IV - DAS NULIDADES DA VOTAÇÃO do Código Eleitoral (Lei 4737 de 15/07/65). No escopo deste capítulo, os artigos 221 a 223 falam de nulidades na votação, como votar com identidade de outro, impossibilidade de fiscalização das urnas, votação fora de horário e um rol de maracutaias possíveis no dia da votação. O Art 224 é o que traz a confusão às mentes menos favorecidas, e diz, no contexto das nulidades:
"Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.

§ 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.

§ 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados."

Em suma: se houver bandalheira na votação que anule grande parte das urnas ou seções eleitorais, deve ser convocada nova eleição, com os mesmos candidatos, já que o registro é uma etapa anterior. Não se troca qualquer candidato.

Para matar qualquer dúvida, a lei 9504 de 30/09/97 diz no seu artigo 2°:
Art. 2º Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.

§ 1º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição no último domingo de outubro, concorrendo os dois candidatos mais votados, e considerando-se eleito o que obtiver a maioria dos votos válidos.

§ 2º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.

§ 3º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer em segundo lugar mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.

§ 4º A eleição do Presidente importará a do candidato a Vice-Presidente com ele registrado, o mesmo se aplicando à eleição de Governador.

Art. 3º Será considerado eleito Prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos.

§ 1º A eleição do Prefeito importará a do candidato a Vice-Prefeito com ele registrado.

§ 2º Nos Municípios com mais de duzentos mil eleitores, aplicar-se-ão as regras estabelecidas nos §§ 1º a 3º do artigo anterior.

Art 4º Poderá participar das eleições o partido que, até um ano antes do pleito, tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral, conforme o disposto em lei, e tenha, até a data da convenção, órgão de direção constituído na circunscrição, de acordo com o respectivo estatuto.

Art. 5º Nas eleições proporcionais, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias.

Conclusão: no cômputo dos votos decisivos para definir candidatos majoritários (presidente, governador, senador, prefeito) são excluídos os nulos e brancos, razão pela qual a soma dos percentuais obtidos na apuração final pelo conjunto dos candidatos tem que dar 100%. Já para os proporcionais, são considerados os como válidos os destinados a candidatos e os das legendas, expurgados os brancos e nulos. Se numa eleição sem vícios houver mais de 50% de votos nulos, não implica em nova eleição.

A confusão vem de uma eleição ocorrida em municípios do Rio de Janeiro onde alguns candidatos tiveram seus registros cassados depois de ocorrida a votação, e seus votos foram anulados, atingindo um percentual maior que 50% que forçou a nova eleição na forma do art. 224 do Código Eleitoral. Os candidatos irregulares não puderam concorrer, daí a falsa impressão da proibição de candidatos concorrerem ao novo pleito.

Realidade aumentada : o futuro chegou

Imagine andar pela rua com um óculos ou capacete, olhar para um prédio, e aparecer em algum lugar no seu campo de visão o endereço, se há apartamentos para locação, etc. Coisa parecida a gente já viu em "O exterminador do futuro", em "Minority Report" e agora em "Iron Man 2", mas nos filmes de ação os pilotos de aviões já têm informações acrescidas ao que enxergam. É a Realidade Aumentada ou Expandida chegando. O olhar sobre a realidade não será mais o mesmo.

A Realidade Aumentada é um campo entre o mundo real e a realidade virtual, esta completamente gerada por ambiente de computador. Deverá aumentar a eficiência pessoal, e pode-se prever que esse recurso perturbará as mentes de trabalhadores, que hoje já são bombardeados por informações simultâneas e instantâneas, celulares, twitter, etc. Pode ser útil para alguns, e infernal para outros. Clique aqui para ver mais sobre essa nova tecnologia.

Ficha Limpa : TCM dá exemplo no Ceará

Mais de 3000 gestores públicos municipais cearenses e prefeitos fazem parte de uma lista entregue pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) do Ceará ao Tribunal Regional Eleitoral, como subsídio ao processo de cassação de candidaturas com base na lei da Ficha Limpa. A lista é pública e está disponível por nome, município, ordem alfabética e dados em aberto. Segundo o TCE, foram usados os seguintes critérios:

1. Prefeitos Municipais responsáveis por Prestações de Contas de Governo que receberam do TCM Pareceres Prévios Desfavoráveis que:
a) tenham sido mantidos pela Câmara Municipal;
b) estejam aguardando julgamento da Câmara Municipal, ou
c) os resultados de julgamento da Câmara Municipal não tenham sido informados ao TCM.

2. Prefeitos/Gestores Municipais responsáveis por Prestações/Tomadas de Contas de Gestão rejeitadas pelo TCM, por decisão definitiva.

3. Prefeitos/Gestores Municipais responsáveis por Tomadas de Contas Especiais ou Processos de natureza semelhante, instaurados para exame de ATOS DE GESTÃO praticados em decorrência da aplicação de recursos públicos, e que tenham sido julgados, por decisão definitiva pela procedência ou pela procedência parcial.

Na lista consta o candidato a governador pelo PV, ex-prefeito de Maranguape, Marcelo Silva, e ex-prefeitos de cidades importantes como Maracanaú, Caucaia, Juazeiro do Norte e Quixeramobim, sendo alguns deles atuais deputados estaduais ou federais, que correm o risco de não poder se reeleger.

Essa iniciativa deveria ser seguida por todos os Tribunais de Contas, para que o cidadão saiba quem fez mau uso do cargo e dos recursos colocados à sua disposição, para o banimento da vida pública.

domingo, 4 de julho de 2010

África do Sul : Estádios da miséria

O governo sul-africano gastou US$ 2,6 bi na construção e reforma de estádios, algo em torno de R$ 5 bi. No Brasil fala-se num gasto maior que isso, até porque o número de sedes excede ao mínimo estabelecido pela FIFA. O novo estádio de Brasília, por exemplo, deverá consumir cerca de R$ 700 milhões. E depois, o que fazer com um elefante branco como esse, já que no Distrito Federal o futebol é incipiente? Shows? Celebrações religiosas? Como gerar receitas para repor o investimento e fazer as manutenções nesses prédios?

Agora que a Copa está chegando ao fim, começa o questionamento na África do Sul. O estádio de Durban, por exemplo, necessitará de US$ 2 mi anuais para manutenção. De onde sairá esse recurso? Certamente do custeio da cidade, que já tem no orçamento o comprometimento com as demandas da miséria da população, que, por sua vez, perderá muitos dos empregos. Clique aqui para ver mais sobre essa estória.

sábado, 3 de julho de 2010

IBOPE empata Dilma e Serra

Mais uma pesquisa dá sobrevida a Serra. Agora foi o IBOPE, que apresenta números de incrível dinâmica para um período onde o noticiário só aborda a Copa. Serra, que segundo a série histórica do IBOPE teria caído e empatado em 37% com Dilma em 3/6, teria 35% contra 40% de Dilma em 23/6 e agora, ambos estariam empatados em 39%. Para o segundo turno, também deu empate de 43%. A justificativa seria que metade do eleitorado teria visto Serra na TV no mes de junho. Eu vi muito o Serra na TV, desesperado, levando bola nas costas dos seus aliados, correndo atrás de vice e aceitando se submeter ao DEMO. Será que isso dá voto? Believe or not.

Já a pesquisa do Vox Populi, publicada em 29/06, mantém a dianteira de Dilma na pesquisa estimulada por 40% a 35% para o primeiro turno, e 44% a 40% no cenário de segundo turno entre ela e Serra. A mesma pesquisa, detalhada no site, mostra que Serra tem uma forte rejeição, superior à de Dilma, e a estratificação por renda, escolaridade, região e faixas etárias do eleitorado. Muito interessante de ler, porque as demais só disponibilizam os resultados globais. No caso, globais mesmo.

Copa 2010 : Alemanha tetracampeã

Não que a gente queira, porque o time alemão de 2010 deve ser a base de 2014 e se ganhar agora pode faturar de novo na Copa do Brasil, mas deve-se admitir que, a não ser que Mick Jagger faça uma fé no time de Klose e cia, ou que a Jabulani arme uma das suas, a Alemanha já está com as mãos na taça. Simplesmente não há, hoje, adversário à altura da seleção alemã.

Essa convicção tive hoje ao ver o jogo dela com a Argentina, e depois o melodramático jogo Espanha 1 x 0 Paraguai, onde os espanhóis não mostraram muita capacidade ofensiva. Considerando que nas semifinais a Alemanha vença a Espanha, enfrentará na outra chave o vencedor de Holanda x Uruguai, outro duelo de times medianos. Ambos chegaram lá porque seus adversários nas quartas de final vacilaram.

A Holanda não venceu: o Brasil é que deixou de ganhar, porque seus talentosos jogadores amarelaram diante de um empate acidental e de uma expulsão. O Uruguai não venceu: Gana jogou mais, e perdeu um pênalti no último instante, causado pela defesa, em cima da linha, de um gol certo. O Uruguai tem o Forlan, e não mais que isso. Tem o Loco Abreu, que também joga no Botafogo, que não serve de balizamento de qualidade. Fica difícil prever quem ganhará esse duelo dos sortudos. E quem ganhar, na final terá que manter a sorte para encarar a Alemanha.

Copa 2010 : Xô Mick Jagger!

Na busca por culpados por fracassos vale tudo. A bola da vez é o cantor Mick Jagger, que foi visto em vários jogos torcendo por alguém que acabou perdendo. Assim foi quando torceu pela Inglaterra, pelos Estados Unidos, pelo Brasil e agora pela Argentina. Nesse caso específico, a orientação para torcer pelos "hermanos" deve ter sido do filho dele, que é brasileiro. A agência de notícias EFE, diante da performance do sinistro pé-frio, botou no site a matéria "Mick Jagger mantém 100% de aproveitamento: seleção pela qual torce, perde. " . Já a Globo bolou uma vinheta com o Cid Moreira dizendo "Mick Jagger" com voz sepulcral, que solta quando as câmeras da FIFA focalizam o Rolling Stones maldito. Sobre a Argentina chegou a elogiar sua "fantástica capacidade goleadora" antes do jogo.

Se estivesse por lá, daria a ele um panfleto de campanha do Serra para ele apoiar. Seria até exagero ajudar a enterrar o que já está morrendo sozinho. Se fosse alemão, lembraria ao britânico Sir Jagger as atrocidades que os nazistas fizeram com a Inglaterra na segunda guerra mundial. Jogaria uma V-2 nele para ficar com bastante raiva e torcer contra.

Copa 2010 : Alemanha esculacha Argentina

Ver Maradona sofrendo gol a gol da Alemanha não tem preço. Apesar do slogan ser do Mastercard, vale aquela musiquinha da Visa que não sai da cabeça: "voltar prá casa, que coisa triste, de goleada, que coisa triste...". Tomaram olé, e era tão fácil entrar na defesa argentina que os alemães tripudiavam. O Klose nem sabia o que fazer com a bola em cima da linha do gol, e acabou dando um chutinho displicente. Podia ter feito até de bunda, mas o "fairplay" condena essas práticas humilhantes.

Essa foi praticamente a final da Copa. Esperava que o Brasil fosse mais competente e tivesse chegado junto com a Alemanha à grande final, mas agora é reduzir prejuízos. Apesar da equipe alemã ser a melhor da Copa, se vencer vai ser tetra, igualando-se à Itália, e fazendo fila para ser penta, porque tem uma equipe jovem, que vai dar trabalho em 2014.

A imensa torcida germânica daqui de Brasília gastou os pulmões nas vuvuzelas a cada gol do seu time, e gastou fogos que parecem ter ficado sem função ontem. Apesar disso, agora é hora de torcer por Paraguai, Espanha ou Holanda, times que nunca venceram Copas. Com a Argentina e a marra de Maradona fora, a Copa para nós ficou indiferente. Valeu, Alemanha!

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copa 2010 : Gana quase despacha Uruguai

Um jogaço, que só terminou nos pênaltis. Gana botou o time do Uruguai literalmente debaixo da trave. Nunca vi um time sul-americano, ainda mais com fama de violento e manhoso, ficar tão acuado, desesperado, diante de uma outra equipe que mostrou mais força, determinação e principalmente agressividade. Gana sai da Copa com os méritos de ter despachado os Estados Unidos e, por um pênalti mal batido, poderia estar nas semifinais. O time do Uruguai sai de campo aliviado premiado com um resultado que não merecia.

Datafolha dá sobrevida a Serra

Pesquisa do Datafolha diz que Serra tem 39% contra 38% de Dilma, num empate técnico. Muito estranho, mas extremamente oportuno para os demo-tucanos, que agora que estão com a chapa completa e vão correr atrás de financiamento de campanha levando na pasta uma pesquisa positiva. As pesquisas do IBOPE e Vox Populi mais recentes já mostram a ultrapassagem de Dilma sobre Serra.

Na série de resultados do Datafolha, Serra tinha em dezembro de 2009 40% de preferências, contra 26% de Dilma. Foi a 42%, caiu a 37% na última pesquisa e agora subiu para 39%. Dilma entrou 2009 com 30% e depois de mais dois resultados no mesmo patamar pulou para 37% na última pesquisa, e agora teve 38%. O Datafolha atribui o "crescimento" de 1% de Serra à superexposição que teve em junho na TV, com as propagandas do PSDB e do PTB.

Copa 2010 : Quem não faz, leva!

Nos últimos jogos do time de Dunga permaneceu na torcida brasileira a esperança de uma campanha crescente, onde a cada momento se perdoavam as rebaixadas atuações anteriores. Chegamos ao jogo de hoje com um bom resultado contra o Chile, onde o ataque jogou uns 30% do que no nosso imaginário estimamos. Para hoje, a expectativa era de mais que isso, e o gol de Robinho e a grande jogada dele com Kaká que quase fez um segundo gol alimentou essa perspectiva.

Terminamos o primeiro tempo ganhando, e era natural que os holandeses entrassem na etapa final com mais disposição, e o fizeram, ganhando praticamente todas as disputas de bola mais pela força que pela técnica, enquanto alguns dos nossos jogadores esperavam as marcações de faltas que não vinham. De repente, um gol acidental, com a Holanda ainda inferior em campo, transformou a poderosa seleção brasileira num time de pelada, desestruturado, nervoso, incapaz de montar jogadas com o diferencial que todos achávamos que teria. Luiz Fabiano estava perdido em campo. Kaká não conseguia armar jogadas. Robinho trombou com uma marcação forte. Mas, de qualquer maneira, estávamos empatados.

Veio o segundo gol. Felipe Melo, que teve a infelicidade de cabecear uma bola cuja trajetória já seria o gol, trombando com Júlio César, falhou na marcação de Sneider, que cabeceou sozinho. Já nervoso, acabou pisando covardemente um jogador holandês e acabou expulso. Forte candidato a bode expiatório do fracasso brasileiro, assim como em outra Copa o jogador Roberto Carlos foi crucificado por estar ajeitando o meião ao invés de marcar o jogador que fez o gol da nossa desclassificação. A partir daí, virou pelada. Lúcio foi para o ataque, Júlio Cesar foi para o meio de campo, e não houve condição de armar um ataque realmente perigoso.

Agora vem o tribunal pós-copa. O desequilíbrio emocional do time, inclusive de jogadores mais experiente, tende a ser atribuído ao regime de clausura que Dunga impôs e ao autoritarismo do técnico. A investigação tem que passar pelas razões de tão baixo rendimento de um conjunto excepcional de jogadores. Eu colocaria, na conta das superstições, a camisa azul e amarela, cores do PSDB, que dão um tremendo azar e só levam a perdas.

E agora que não tem mais Brasil na Copa, o que fazer? Diminuir o prejuízo. Felizmente a Itália já rodou, e ninguém chegará a penta. A Alemanha pode ser tetra. A Argentina, tri. Uruguai, tri. Só nos resta torcer pelos algozes laranjas ou pela Espanha, que nunca venceram uma Copa. Vou de Holanda, claro, depois de Gana, se não conseguirem chegar ao fim. A Espanha teve uma política de hostilidade a brasileiros e não seria a ideal para nosso apoio.

O ruim disso tudo é que os meios-feriados dos dias de jogos chegaram ao fim, e, pior, agora a baixaria eleitoral vai começar a entrar na pauta da mídia. Agora a Folha de São Paulo pode publicar o anúncio do Extra com a despedida da seleção na Copa, que tinha sido publicado há poucos dias...

São Paulo : eletro-eletrônicos na Santa Ifigênia



A rua Santa Ifigência corta o Vale do Anhangabaú, no Centro, com o viaduto do mesmo nome, que é metálico e amarelo. O outro é o do Chá, em concreto. Tem no seu início a igreja de Santa Ifigênia, que por dentro é sóbria e silenciosa, um oásis no meio do burburinho externo. Fora isso, a rua é dominada de ponta a ponta pelo comércio de eletro-eletrônicos de todos os tipos, inclusive nas ruas secundárias. Muitas galerias com centenas de lojas, com tudo de sonorização, segurança, video, foto, informática, eletrônica, elétrica, música.

Procurei por um netbook para substituir o meu finado Eee PC 701, de relevantes serviços prestados, que morreu após uma violenta queda. Não encontrei muita variedade, mas em compensação vi muita assistência técnica para notebooks. Os preços estão nivelados com os da feira do Paraguai de Brasília. A confiabilidade, idem. Já na parte de som, é o lugar ideal para levar um projeto e comprar de conectores, cabos, alto-falantes, amplificadores, tudo.

São Paulo : coisas da Copa



Passei por duas grandes iniciativas de marketing da Copa 2010 andando por São Paulo. Uma está no Vale do Anhangabaú, coração da cidade, e consta de um grande palco onde em dias de jogos do time brasileiro há shows e telão para a torcida do centro se aglomerar. Ainda nesse espaço há uma atração da cerveja patrocinadora onde se passa um filme em 3D de 5 minutos sobre as seleções e muito merchandising. A plataforma onde a platéia fica se move, trazendo vibração tentando simular um estádio. Grátis e fraco.

Outra foi no Shopping Eldorado, e consta de uma enorme Jabulani em cuja base há uma porta e no interior as paredes da esfera tentam simular um estádio. Há algumas TVs com "touch screen" na horizontal, imitando mesas de futebol de botão, onde a brincadeira é empurrar uma Jabulani com o dedo até o gol, o que é relativamente difícil, pois a bolinha virtual imita a real e não segue a direção para onde se chuta. Grátis e muito fraco. Do lado de fora há vitrines com as camisas oficiais de diversas seleções, algumas muito interessantes. A curiosidade é que a bola da final da Copa 2010 não será a Jabulani, mas a Jo'bulani, que tem o desenho diferente e ninguém ainda falou nada sobre as suas eventuais propriedades paranormais.

São Paulo : férias e sol melhoram a cidade



Ontem caminhei pelas ruas de Pinheiros, Itaim Bibi e Jardins, em São Paulo. Ida e volta a partir do hotel na Consolação perto da Av. Paulista deu quase duas horas, mas valeu a pena por ver uma São Paulo diferente, ensolarada, verde, de pouco tráfego por andar em ruas secundárias e em período de férias. Sempre que vou a Sampa coincide do tempo estar fechado e tudo cinza, e o que vi mudou um pouco a impressão que tinha da cidade.

Para quem não conhece Sampa, esses bairros, principalmente Itaim e Jardins, concentram boa parte do PIB nacional, com mansões e prédios de luxo em ruas arborizadas. Ali moram os ricos realmente ricos do Brasil. Na região estão os shoppings Eldorado e Iguatemi, sendo este dedicado ao consumo de alta renda.

Na volta a Brasília, peguei um táxi na Brigadeiro Faria Lima para Congonhas e um trânsito pesado para os padrões brasilienses ou cariocas. Preocupado com a hora, pedi ao taxista uma estimativa do tempo até o aeroporto, e ele disse: "hoje está tranquilo, o trânsito está bom por causa das férias". De fato, na TV tinha visto que as retenções estavam na base dos 20km, contra os mais de 100km habituais. Quem dera os dias em São Paulo fossem sempre "tranquilos" assim.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DEMO sacrifica Indio

A desunião dos povos primitivos do continente americano historicamente levou a tragédias. A última foi causada pelos Maias do Rio de Janeiro, que sacrificaram um Indio com Serra. Longe de consolidar uma aliança política acrescentando um vice de peso à chapa de José Serra, o DEMO insistiu muito, para não ser mais uma vez humilhado, e emplacou como vice o deputado Indio da Costa, que é do grupo político do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, que já vinha apoiando os tucanos.

Se o nome de Indio não acrescenta nada à chapa falida de Serra, então para que colocar um deputado que poderia facilmente se reeleger para o sacrifício? A resposta é que não tem voto no Rio de Janeiro para Rodrigo Maia e Indio da Costa, que concorrem no mesmo eleitorado. Para livrar a barra do filho, o cacique político César Maia tirou Indio da disputa, e o pior é que o deputado (ou potencial ex-deputado) ainda agradeceu a indicação! Os Maias são canibais! Foi com espelhinhos e miçangas que os colonizadores europeus acabaram com os nossos indígenas, que achavam tudo muito bacana. O cara tomou uma mega-rasteira e ainda achou que foi prestigiado... Pelo menos o cara manteve o seu harém, que Zé Serra já se apressou a justificar.