sábado, 31 de agosto de 2013

Mídia Bandida 0029 : PIB cresce "acima do agourado"

Uma das armas mais poderosas da mídia sem escrúpulos é a que manipula as intenções de produtores e consumidores. Ao insistir num cenário futuro de pessimismo e crise, os consumidores de protegem poupando e deixando de consumir e os empresários deixam de investir e se preparam para uma recessã
o. Isso a Globo faz com maestria desde a campanha eleitoral de 2002, e fez o dólar chegar na época à faixa dos R$ 4. O mercado é feito de expectativas, e quando manipuladas, podem levar ao desastre econômico.

A economia elege e destitui dirigentes. Dilma não caiu na recente onda de protestos manipulada porque, além de habilidade política ao responder imediatamente ao que se pedia nas ruas, não havia qualquer bandeira de "mais emprego" ou "melhores salários". Pleno emprego e poder de compra mais elevado não deixaram sensibilizar a grande maioria que está apostando no sucesso do governo, apesar de todos os percalços.

Se você manipula as expectativas e trava a economia, derruba dirigentes. Essa é a estratégia da Globo, que não conseguiu nesses 10 anos de Lula e Dilma pautar o governo como gostaria para atender aos interesses da classe que a sustenta. Encheu-se de pulhas que se fazem "analistas", "especialistas", "doutores", além de "pesquisas" que fazem das mídias do grupo um partido político do desastre.

Se Lula e Dilma foram fortes para segurar o tranco do ataque diário da Globo, ela também resiste bastante, porque mente e é desmentida em toda iniciativa. Ela, Veja, Folha, Estadão, vivem armando factóides, supervalorizando mesquinharias, tudo para denegrir o governo, e ainda não quebraram, afinal, jornalismo se faz com credibilidade. O fato novo é que as redes sociais conseguiram quebrar essa blindagem dos grandes meios de comunicação e a verdade aflora com velocidade a cada atentado que fazem à verdade.

Agora foi a vez do PIB de 1,5% do trimestre. Como é que nenhum "expert" previu isso, sejam os da Globo, economistas de bancos que desfilam pela telinha, ex dirigentes financeiros, Mervais e Mírians? Eles conseguem transformar a verdade em "surpresa", na lógica do "vai dar errado". E perdem credibilidade. Como não entendem a força do novo momento das mídias alternativas, vão perdendo espaço até desaparecerem. Já vão tarde.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

YOUTROUXA 0045 : "Médico cubano é escravo"

Para quem está acostumado a achar que todo negro é escravo a idéia dos médicos cubanos não serem uma exceção passa fácil. O difícil é entender que os escravos de verdade estão no Brasil, de todas as etnias, e são explorados pelos chicotes invisíveis da submissão a planos de saúde e hospitais particulares.

A mídia sem caráter nem pudor tomou as bandeiras do mercenarismo de jaleco e implantou nas
cabeças de algumas pessoas com espaço de sobra na caixa craniana a idéia de que os médicos cubanos
terceirizados seriam escravos. Há na declaração uma forte contradição com a escravidão
historicamente praticada pela direita, seja pelo modo de produção escravagista ou capitalista.

Seria bom os brasileiros olharem para seus próprios rabos e verem que os planos de saúde, esses
que vivem esfolando os participantes e a toda hora tentando aumentar os preços e excluir serviços,
dão um imenso lucro aos seus donos. E de onde vem isso? Uma parte do sobrepreço cobrado aos usuários.
Outra vem da exploração pesada sobre os médicos. Pagam a eles uma micharia perto do que ganham.
Aí vêm falar de "escravidão cubana" porque na terceirização o governo de lá fica com boa parte
do que o governo brasileiro paga?

Deviam ter coerência e defender os médicos brasileiros da exploração desenfreada que está aí,
há anos, desde que saúde virou negócio acima da ética. Por que as entidades de médicos não vão
às ruas para denunciar o assédio de planos que exigem metas de exames desnecessários para ser feitos
nos laboratórios próprios? Nessa hora, tudo caladinho. Não interessa a eles mostrar que é
possível fazer saúde pública de qualidade, a preços baixos, sem desrespeitar a dignidade profissional dos médicos

Maratona Báltico 2013 - 015 : Vilna e a República de Uzúpio

Logo que chegamos pegamos um roteiro de um tour a pé e fomos conhecer Vilna, capital da Lituânia. Um cuidado que recomendo a quem usa mapa de empresa de turismo, desses esquemáticos desenhados à mão, é que não respeitam escala nem proporcionalidade, e isso induz a erros que a gente só conserta com um GPS ou mapa bem melhor. Foi o caso. Perdemos uns 20 min, mas em compensação descobrimos um local que jamais iríamos conhecer se não fosse pelo erro. 
Placa na entrada de uma das pontes sobre o rio Vilna
O objetivo era um mirante. Lugar bonito. Vilna em termos topográficos lembra Ouro Preto, só que com buracos menos profundos. Tem um centro histórico relativamente grande com muitas igrejas e a área renovada com prédios da era de ocupação soviética e os mais atuais, da ocupação imperialista das multinacionais estrangeiras. No meio de tudo passa o rio Vilna, que nos surpreendeu com águas transparentes, gente pescando e brincando, já na cidade. 

Descendo do mirante entramos na chamada República de Uzúpio, uma área boêmia onde estão assentados vários ateliês de artistas, bares e um clima que lembra Montmartre, em Paris, não apenas pela placa, mas parece mesmo, com a diferença de não ter um morro íngreme. Fim de tarde, cansaço da viagem, restaurante na beira do rio pegando a luz do por-do-sol. Cerveja e tira-gostos a preços honestos, mesmo considerada a quase paridade de poder de compra da Lita, moeda local, com o Real. 

Por que República? A boemia tem dessas coisas. Um grupo de bebuns proclamou a "independência" do bairro em 1998, escreveu uma Constituição que fica numa parede de casa, criaram governo, polícia e até exército e leva o local com espírito libertário. Dizem até que se a polícia local abordar alguém sóbrio na rua leva a pessoa para um bar para que só saia de lá convenientemente bêbado.  Lembrou as gozações que a turma do jornal Pasquim fazia no início da década de 70. 

Gostamos. Vamos voltar lá à noite nesta sexta para ver qual é. Por toda a cidade, em especial na área histórica, há muitos bares agradáveis com mesas no meio da rua.




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Furo do BRASIL 247 : Míriam Leitão ministra do planejamento?

O mundo anda muito doido e tudo é possível, mas daí a não desconfiar em erro da matéria do jornal da web Brasil 247, quando em matéria chama a ministra do planejamento de Miriam Leitão, que é colunista da Globo, é ser mais maluco ainda.

O fato é que tem gente que trocando Miriam Belchior porque não tira a outra Míriam da cabeça.  Um verdadeiro furo de reportagem, no sentido de mancada mesmo.

Duvida? http://www.brasil247.com/pt/247/economia/113272/Mantega-prev%C3%AA-um-2014-cor-de-rosa-para-Dilma.htm

YOUTROUXA 0044 : "Médico goiano demitido para dar vaga a médico cubano"

Essa farsa circulou hoje em mais uma tentativa de um Dick Vigarista de jaleco fazer crer que tem gente sendo demitida para dar vaga aos médicos estrangeiros. Durou pouco. O tal Dr. Perillo, que pelo sobrenome trabalhando em Goiás, amigo de prefeito do PSDB, apoiador de Aécio, que participou da tentativa de sabotagem ao "Brasil Mais Médico", serviu de "vítima" numa farsa nas redes sociais. O Tijolaço detonou a patifaria. http://tijolaco.com.br/index.php/como-se-desmonta-uma-farsa-de-jaleco/

Meu amigo, minha amiga, não entre nessa onda porque o prejudicado vai ser você mesmo, pois se precisar de atendimento numa grande cidade pode ser atendido por um profissional carente de caráter, que vai te jogar para fazer muitos exames inúteis mas que pagam jabás a quem encomenda, que estarão no consultório com ponto batido no hospital do SUS, etc. Eu não teria coragem de me consultar com um "profissional" desses. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

BRASIL VIRA-LATAS 0015 - "Médicas cubanas têm cara de empregada"

Deplorável o ódio de profissionais médicos brasileiros contra colegas que chegam ao país para fazer o que não tiveram coragem, interesse ou vergonha na cara para fazerem: seguir a vocação e ir onde as pessoas precisam de saúde. Tentaram sabotar o programa "Brasil Mais Médicos" com falsas inscrições. Tentam na justiça de tudo para barrar o atendimento às comunidades carentes a  pretexto de defender a qualidade da medicina. Agora foram ao Aeroporto de Fortaleza xingar os profissionais. O cúmulo da baixaria foi uma jornalista dizer que "as médicas cubanas se parecem com empregadas".

Que tipo de gente é esse? Preconceito, ódio, rancor, prepotência. Inflados pela mídia picareta, que tem pregado todo tipo de agressão contra os médicos estrangeiros.  Têm que ser rechaçados pela sociedade, em especial pelos médicos fiéis ao juramento de Hipócrates (os que estão aí na mídia são hipócritas mesmo). Cadê os prefeitos, os movimento sociais das cidades carentes, que não estão fazendo um barulho bem mais ensurdecedor que o dos coxinhas e das entidades elitistas dos médicos do mercado?

Cadê o povo na rua exigindo melhoria na saúde? Falta a sociedade dar um basta e impor uma grande derrota à direita de jaleco.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/113047/Jornalista-diz-que-cubanas-t%C3%AAm-cara-de-empregada-dom%C3%A9stica.htm

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Maratona Báltico 2013 - 0014 : Auschwitz : A lucrativa e eficiente indústria da morte

"O trabalho liberta" - frase no portão de Auschwitz I
Cada campo tinha subcampos, com indústrias próximas
Visitamos o campo de concentração de Auschwitz, que fica a 70 km de Cracóvia, na Polônia. Um passeio que deixa muita gente deprimida com a demonstração de tanta crueldade. Acho que qualquer ser humano, por ética, repudia tudo que foi feito ali, como também no grande campo de concentração que é a Palestina nos dias de hoje.

A questão que pude perceber da visita, e em especial das palavras dramáticas da guia, que deixou de ser professora para levar às pessoas a história dali, é que na segunda guerra mundial  se fez de Auschwitz, em especial de  Auschwitz II- Birkenau, uma indústria da morte servindo a interesses econômicos.

E em Auschwitz-Monowitz estava a chave do processo: indústrias alemãs montadas especialmente para sugar o trabalho escravo dos campos de concentração. A história fala em "trabalhos forçados", como se aquilo fosse uma penitenciária, mas era escravidão mesmo, com descarte programado. Havia campos de concentração em todas as áreas conquistadas, onde o trabalho escravo tinha como perspectiva exclusivamente a morte. E não apenas de judeus, ciganos e outros historicamente discriminados, mas dos povos dominados em geral.

Câmaras de gás liquidavam os que não podiam trabalhar
O que a gente ouve falar sobre campos de concentração nazistas foca na crueldade contra seres humanos com base na discriminação ideológica, étnica e política. Foram mortas mais de 20 "categorias" de humanos, com maior número de vítimas judias. Só em Auschwitz morreram industrialmente quase 1 milhão de pessoas.  Mas, se era para exterminar, por que construir dezenas de campos com alojamentos? Qual a razão da sobrevida para alguns?

O capitalismo desde suas origens explora pessoas pagando-lhes algo em troca do trabalho, como se compensassem o esforço físico e mental despendido na produção de mercadorias, sempre abaixo das necessidades do trabalhador, apropriando-se da diferença. Nos primórdios do capitalismo não existiam direitos trabalhistas, os ambientes de trabalho eram insalubres, pagavam migalhas do que exploravam, mas tinham algum custo com a produção advindo do emprego de mão-de-obra.
Cercas eletrificadas em volta do campo

Paredão de fuzilamento em Auschwitz I
Currais desumanos alojavam trabalhadores
Revoltas dos trabalhadores obrigaram à melhoria das condições de trabalho e salários, legislações, etc, e os capitalistas reformularam seus modelos de exploração à medida do crescimento dos custos. Enquanto no campo prevaleciam as relações feudais de trabalho, com semi-escravidão de trabalhadores livres, nas cidades a concentração de operários e sua capacidade de mobilização impediam tal exploração. Os capitalistas, por sua vez, procuravam com o apoio de governos manter sempre mão-de-obra ociosa, miserável, de modo a funcionarem como exército de reserva para rebaixar os direitos sociais.

Mesmo nos modelos escravagistas, onde os trabalhadores eram comprados como mercadorias e tratados como ativos, era necessário mantê-los vivos e saudáveis. A morte de um escravo era uma perda de patrimônio. Numa guerra uma das riquezas que se trazia para venda era o povo derrotado escravizado.

O que houve no nazismo foi a mais radical forma de exploração já experimentada nos modos de produção capitalista ou escravagista. Mão-de-obra quase infinita, gratuita, sem nenhum valor patrimonial, descartável. O que davam aos trabalhadores era insuficiente para repor suas energias. Preocupação com família, previdência, saúde, educação, transportes? Nada disso. Não presta mais, joga na câmara de gás e chama outro.

Se um capitalista "civilizado" e "moderno" consegue ter mais-valia e lucros mesmo pagando tudo o que as leis atuais impõem, imaginem quanto não ganhariam com a redução brutal desse custo?
Crematório dos corpos dos mortos nas câmaras de gás

Desde os tempos mais primórdios as guerras costumam trazer bons negócios para os vencedores. O mais forte conquista e saqueia, depois cobra impostos e explora as riquezas com mão-de-obra escrava. Quem bancou o esforço de armamento da Alemanha, falida após a 1a grande guerra? Como acumulou tantos recursos bélicos? Para quem financiou isso, a guerra seria um investimento, um empreendimento.

A Alemanha incorporou riquezas inimagináveis saqueando toda a Europa e o norte da África. Esse esforço move cadeias produtivas nacionais na produção de bens para viabilizar as investidas.  Esses bens são comprados pelo país aos empresários, que têm lucros. Os recursos para as compras vêm dos impostos locais, a princípio, e depois das remessas enviadas pelos dominados. Os capitalistas do lado vencedor também ganham mercados nas áreas dominadas. Bancos em paraísos fiscais recebem depósitos de empresários e de políticos e militares corruptos. Se perderem a guerra, vão para outros países e usam suas fortunas acumuladas. É um "bom prá quase todos". Menos para os que perdem.
Livros à venda em Auschwitz mostram eficiência na morte

Alguém ganhou muito dinheiro matando toda essa gente. Focando nos judeus o saque era garantido: historicamente era um povo que acumulava riquezas como garantia previdenciária. E portáteis, pois eram perseguidos por todo lado, necessitando a qualquer momento fugir levando bens preciosos como jóias para recomeçar a vida em outro lugar.

Pacíficos, sempre acuados por perseguições na Europa. Odiados pelo anti-semitismo. Eleger os judeus como vilões e a partir daí, com o apoio da sociedade majoritária, tirar-lhes tudo seria moralmente justificável. O que os alemães comuns talvez desconhecessem era a que ponto isso chegou. E que muitos foram enganados pela propaganda para a guerra e extermínio com propósitos lucrativos, pagando com as próprias vidas e de suas famílias um preço que não entrou nos custos dos que lucraram .

Os campos de concentração resolviam vários problemas desse projeto: eliminavam adversários políticos, angariavam simpatias dos povos retirando dos convívios os "indesejáveis", e principalmente permitiam que empresas, militares e políticos nazistas ganhavassem muito dinheiro. Que era mandado para as contas numeradas da "neutra" Suíça.

Não era só eugenia, supremacia ariana ou anti-semitismo. Muito mais em jogo. Mercados, espólios de guerra, remessas de tributos, expropriação de imóveis, empresas, etc.

Banheiro coletivo em Auschwitz II - Birkenau
A estrutura dos campos de concentração, se só tivessem finalidade de extermínio, seria lucrativa para os empreendedores. Cada judeu, teoricamente detentor de algum tipo de riqueza portátil,
só poderia levar 25kg de bagagem na deportação, ou seja, só levavam o que havia de mais valor. Em Aschwitz II - Birkenau o processamento era tecnicamente perfeito: já ficavam nos trens os bens, havia a triagem dos que viveriam e dos que seriam imediatamente mortos, depois lhes tiravam os cabelos, óculos, dentes de ouro, alianças, roupas e sapatos que seriam reciclados para gerar receitas. As cinzas dos mortos eram usadas como adubo. Baixa despesa de manutenção, porque a grande maioria era imediatamente morta. E os demais, para que preservar?

O gás Zyklon se solta das pedras a 27 graus nas câmaras lotadas
A indústria farmacêutica tinha nos presos um laboratório perfeito para testes de medicamentos em cobaias humanas. Sem nenhuma restrição ética, moral, nada. Se morresse alguém não era problema. Se desse alguma reação adversa o estudo era científico.

O fabricante do gás Zyklon das câmaras de extermínio era a IG Farben, que empregava milhares de escravos de Auschwitz. Depois da guerra foi desmembrada (era a fusão de várias empresas) e dela saíram novamente a AGFA, BASF, Bayer, Hoescht e outras menores, poderosas no pós-guerra.

Janela de um escritório do  campo de Auschwitz 1
As demais indústrias com uso intensivo de mão-de-obra tinham escravos praticamente sem custos. Descartáveis. Sem direitos, nada. Os capitalistas, como nunca na história, produziram mercadorias com praticamente nenhum custo de mão-de-obra e sem necessidade de mercado, pois havia um grande comprador que imediatamente consumia tudo que se fabricava. E conhecendo-se a praxe das ditaduras, deviam vender seus produtos ao governo a preços superfaturados. Não é à toa que acabada a guerra várias dessas empresas ressurgiram das cinzas, mesmo com todas as fábricas destruídas.

Pìor: hoje na Polônia vemos multinacionais alemãs no mercado comprando empresas polonesas privatizadas a preço de banana desde o governo do "sindicalista" Lech Walesa.

Era o bonde sem freio do capitalismo. Um experimento ímpar. Se o nazismo tivesse ganhado a guerra hoje seríamos mais ou menos como os humanos que forneciam energia em Matrix.

domingo, 25 de agosto de 2013

YOUTROUXA 0043 : Forbes desmente bilhões de Lula e Lulinha

Meu amigo, minha amiga, você que foi usado para divulgar a mentirosa campanha difamatória da direita contra Lula e seu filho Lulinha, dizendo que tinham bilhões, compraram fazenda, avião, sociedade no frigorífico Friboi, etc, chato dizer que a casa dos caras que te usaram caiu : a revista Forbes, cujo nome era indevidamente usado para "validar" as mentiras, publicou matéria ridicularizando tudo isso. Para quem andou passando essas "gracinhas" da direita achando bonitinho e agora não se lembra, aí vão alguns refrescos de memória.

http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/08/hoax-forbes-e-os-bilhoes-de-lula.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/12/hoax-lulinha-o-mega-campeao-de.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2013/06/youtrouxa-0022-lulinha-comprou-um-aviao.html

O site Cafezinho, o mesmo que denunciou a sonegação de impostos da Globo, publicou o desmentido da Forbes. A revista ainda afirma que o único político brasileiro bilionário é o dono da Natura, que foi vice de Marina Silva nas eleições de 2009 à presidência da república. Segue o texto do Cafezinho:

Forbes publica texto ridicularizando coxinhas anti-Lula

Enviado por  on 23/08/2013 – 11:59 pm0 comentários

Essa é daquelas para rir durante uns seis meses. A Forbes, revista dos ultra-bacanas, dos bebedores de champagnes de vinte mil dólares, dos jantares de trezentos mil euros, das amantes de três milhões de dólares, publicou um artigo ridicularizando os coxinhas que ainda acreditam que Lula é um bilionário.
Reproduzo abaixo texto do Renato Rovai, publicado em seu blog:
Revista Forbes: Lula e Lulinha não são bilionários e vice de Marina é o único político no ranking
Nesta sexta-feira, 23, a revista Forbes publicou um texto, assinado pelo colaborador Ricardo Geromel, que na sua apresentação “afirma que cobre bilionários e tudo relacionado ao Brasil”. Na nota, intitulada Is Lula, Brazil’s Former President, A Billionaire? (Lula, ex-presidente do Brasil, é um bilionário?), Geromel explica a metodologia da revista para elaborar o seu ranking de bilionários e aborda as insinuações de que Lula e seu filho, Lulinha, seriam bilionários.
“Depois de ter explicado a nossa metodologia, gostaria de destacar que, embora existam alguns bilionários que são políticos, Lula não é um deles. Caso contrário, ele teria, obviamente, que estar presente na lista anual da Forbes. Alguns exemplos de políticos que são bilionários: Sebastian Piñera, presidente do Chile, US$ 2,5 bilhões; e Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, US$ 27 bilhões”, escreveu Geromel.
“Depois de deixar o cargo de presidente do Brasil, Lula recebeu cerca de US $ 100.000 para um discurso de 50 minutos, da LG, em 2011. Ele também deu palestras para a Microsoft e para a Tetra Pak, e foi pago pelas maiores empresas de construção do Brasil, como a Odebrecht, para viajar por seis nações da África e dar palestras para os executivos locais. No entanto, não há evidência que sugere que Lula esteja perto de se tornar um bilionário”, esclarece o colaborador da Forbes. A assessoria o ex-presidente tem informado que parte desses recursos teriam sido destinados ao Instituto Lula e não a ele pessoa física.
Apesar dos insinuações que circulam em redes sociais de que Lulinha, filho de Lula, teria comprado um jato de US$ 50 milhões e que seria um dos donos do Grupo JBS-Friboi, o texto publicado pela Forbes afirma que nenhum dos rumores sobre a riqueza da família do ex-presidente são baseados em fatos reais.
Boatos que circulam nas redes sociais afirmam que Lulinha comprou um jato de US$ 50 milhões. Compra para bilionário não? Coisa que a Forbes afirma que o filho do ex-presidente não é
“O filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, apelidado de Lulinha, não se tornou (ainda) um bilionário também. Recentemente, Lula negou publicamente os rumores de que Lulinha é dono de um jato de US$ 50 milhões e que é um dos donos do JBS, o maior produtor mundial de carne bovina, por venda, com capital de mercado em US$ 10 bilhões. Antes que seu pai fosse eleito presidente do Brasil, Lulinha trabalhou como estagiário em um zoológico. Em 2004, um ano após a primeira eleição de Lula, Lulinha lançou a Gamecorp, empresa que produziu conteúdo para TV e internet. Em 2005, a Gamecorp recebeu mais de US$ 2,3 milhões da Telemar, hoje conhecida como Oi. Mesmo que o próprio Lula tenha afirmado que seu filho era o “Ronaldinho do mundo dos negócios”, a Gamecorp não foi muito bem e suas perdas já somaram mais de US$ 4 milhões. Tem havido uma série de rumores sobre a riqueza da família de Lula, mas nada baseado em fatos reais”, diz o texto.
Geromel ainda enfatiza que o único brasileiro presente na lista de bilionários da Forbes que lida com política “em tempo integral” é Guilherme Leal, que fez fortuna com a Natura, famosa empresa do setor de cosméticos. Leal foi candidato pelo PV à vice-presidência da República em 2010. Entretanto, antes de oficializar sua candidatura se desligou da Natura.
Por fim, o colaborador da Forbes comenta sobre a ajuda que o governo brasileiro tem dado a bilionários através do BNDES, como o empresário Eike Batista, e afirma que dicas sobre novos bilionários, políticos ou não, são sempre bem-vindas.
Só para constar, Forbes é uma revista liberal dos EUA.
- See more at: http://www.ocafezinho.com/2013/08/23/forbes-publica-texto-ridicularizando-coxinhas-anti-lula/#sthash.iv4heJ0T.dpuf



YOUTROUXA 0042 : "Só falta o PT trazer as ambulâncias cubanas"

Além da atitude prepotente de algumas ditas lideranças de médicos contra o atendimento aos mais pobres com médicos estrangeiros, agora vem o senador Álvaro Dias (PSDB) postar nos seu perfil no Facebook uma imbecilidade ímpar, tipo vingança medíocre, dizendo que "se trouxeram médicos cubanos deveriam trazer também as ambulâncias". Na foto é mostrada uma ambulância sucateada atribuída a Cuba, como quem quer dizer que tudo por lá é ruim e é isso que o governo brasileiro tem a oferecer.

O ilustre senador tucano do Paraná parece não ter muita noção ao abordar o assunto, acreditando talvez na memória fraca do eleitorado. Seu partido esteve à frente de uma grande roubalheira de superfaturamento na compra de ambulâncias, o chamado "Escândalo das Sanguessugas", quando José Serra era ministro da Saúde e FHC era presidente. Para conhecer ou rever o caso clique aqui: http://limpinhoecheiroso.com/2012/10/15/recordar-e-viver-ministro-serra-a-operacao-sanguessuga-e-o-escandalo-das-ambulancias/

Quanto aos reacionários das entidades médicas que a cada dia se desmoralizam mais sem argumentação convincente para barrar os médicos estrangeiros, seria bom não mexerem muito no assunto porque hoje Cuba exporta medicina de qualidade. E por que há tantos médicos por lá? Porque metade dos profissionais, que faziam parte da elite nos tempos do ditador Fulgêncio Batista, simplesmente se mandou com malas e bagagens para Miami quando Fidel o derrubou. Che  Guevara era médico, e nunca se importou em trabalhar em condições precárias porque a vocação superava o dinheiro. E para superar o problema, Cuba passou a investir na formação de profissionais e em programas de saúde da família, que hoje são copiados por todo o mundo.Vide mais em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130608_cuba_medicos_pai.shtml

O PSDB também não deveria se esquecer que o seu ministro José Serra, no governo FHC, importou médicos cubanos e ninguém falou nada contra. Vide em http://noticias.terra.com.br/educacao/em-1999-jose-serra-defendia-importacao-de-medicos-de-cuba,7fe3124f2ec7f310VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

Quanto a ambulâncias, também é bom refrescar a memória: Em 2003 foi implantado o SAMU 192, no governo Lula, e hoje há ambulâncias de qualidade e equipes de médicos e paramédicos atendendo em todo o país. Essa turma tem que tomar vergonha e deixar de criar dificuldades para que as pessoas mais necessitadas tenham o direito de viver com mais dignidade.

Meu amigo, minha amiga, não repassem esse tipo de lixo porque queima o seu filme. Não fique como o presidente da associação médica mineira que disse que vai orientar seus associados a não atenderem casos onde houver erro dos médicos importados, ou seja, a ordem é deixar morrer. E ainda quer enquadrar os estrangeiros como curandeiros. Acha absurdo? Leia isto também. http://www.viomundo.com.br/denuncias/crm-de-minas-vai-denunciar-cubanos-como-curandeiros.html

sábado, 24 de agosto de 2013

Protestos : Entre mortos e feridos, Dilma sobrevive

A avaliação  "ótimo / bom" do governo Dilma cresceu de 31% para 38% segundo pesquisa Ibope publicada hoje no Estadão. Por que sua popularidade cresce enquanto governadores estão no fundo do poço? Cadê o "fora Dilma"? Quem perdeu, de fato, nos protestos de junho.

Daqui a alguns anos o idealismo tratará de dar alguma roupagem épica ao que aconteceu em junho no Brasil, mas desde já as estatísticas mostram quem morreu, ficou ferido ou sobreviveu ao clima dos protestos.

Relembrando: tudo começou com o Movimento Passe Livre lutando contra o aumento das passagens em São Paulo. Não era só pelos 20 centavos. Era todo o transporte. A população, indignada com a piora crescente da qualidade de vida nas cidades por conta principalmente da mobilidade, aderiu ao movimento. A polícia reprimiu. Mais gente aderiu. Chegou a um ponto explosivo. A mídia aderiu buscando manipular as bandeiras para um "Fora Dilma". A classe média foi às rua no oba-oba patriótico empurrado pela mídia. O movimento cresceu por todo o país. As passagens baixaram de preço. Mascarados surgem, uns para vandalizar e outros para tentar dirigir as bandeiras contra os políticos tendo ao centro Dilma.

Dilma reage com discurso à nação elogiando o movimento. Propõe 5 medidas, entre elas o plebiscito para mudar o sistema político, o que seria o sonho de quem quer mudar o modo de fazer política no país. O movimento se mostrou vazio porque não pegou essa bandeira para exigir radicais mudanças. Nem plebiscito passou, por conta dos políticos que sentiram que parte do povo nas ruas era só "tsunami cívico", sem consistência. Dilma conseguiu aprovar que todo dinheiro dos royalties fosse dedicado à saúde e educação. Mandou bilhões para obras de mobilidade urbana. Teve a oportunidade de ir à TV mostrar que seu governo tenta fazer o que as ruas pedem mas encontra obstáculos. Sob paus e pedras concluiu a etapa da Copa das Confederações com sucesso. Suas medidas econômicas maturaram, a inflação caiu, a indústria voltou a crescer, os juros devem parar de subir. Vendeu a batalha contra o corporativismo médico e vai atender às populações mais carentes.

Do outro lado, dos que tentaram golpeá-la, temos a extrema direita que quis fazer greve geral e foi um fiasco. Agora querem no 7 de setembro ocupar as paradas para pedir intervenção aos militares. Para os meios de comunicação o coice foi forte, com a denúncia da sonegação pela Globo, manifestações contra a manipulação, expulsão dos atos pela distorção que faziam, etc. Para os governadores e prefeitos sobrou a conta da incompetência, pois Dilma explicou que o dinheiro existia, e eles é que não usavam. Joaquim Barbosa, que poderia ser peça-chave numa quebra institucional à paraguaia, foi fortemente atingido por denúncias de nepotismo, investimentos irregulares, etc. O pior para a direita: o julgamento do Mensalão volta justo quando a população enxergou que Dilma não é vilã, portanto nem ela nem Lula deverão receber respingos do julgamento dos  petistas, mesmo com a Globonews transmitindo ao vivo direto do STF com comentários parciais de toda a sua força de mídia, inclusive nos demais canais.

A expectativa dos investidores melhorou, apesar de todo o agouro de mídia, e agora a atividade econômica pode começar a ser orientada pelo ambiente de juros mais baixos, que veio para ficar. Perderam também os banqueiros e rentistas, que embora ainda tenham altos retornos não terão mais a orgia de antes. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Maratona Báltico 2013 - 013 : De Cracóvia a Varsóvia

Máquinas de venda de bilhetes de trens em Cracóvia
Com base nas viagens anteriores do tipo extensa passando em diversas cidades (esta terá 45 dias com 14 hospedagens diferentes, e visita de um dia a mais 6 cidades) resolvemos perder menos tempo nos deslocamentos. Optamos por hospedagens próximas aos locais de desembarque mais fáceis. Em quase todos os lugares o padrão é aeroporto com trem, metrô ou ônibus chegando ao centro no mesmo lugar, daí escolhermos algo no entorno de rodoviárias ou ferroviárias num raio de até 1km, fácil de transitar carregando uma mala. Isso traz bem mais confiabilidade nos horários para pegar os meios de transporte e reduz incertezas.

Paisagem rural típica entre Cracóvia e Varsóvia
Em Cracóvia não foi diferente. Pegamos um hotel novinho de rede internacional que fica a 300 m da estação central (na Polônia é Glowny ou Centralna), que é conectada com o um grande shopping e fica a 200m do perímetro da Cidade Velha (Staro Miesto), onde estão praticamente todas as coisas obrigatórias para ver. Para Auschwitz e a Mina de Sal optamos por pacotes turísticos pois haveria problemas logísticos se fôssemos individualmente (mais de um meio de transporte, contratar guia nos locais obrigatoriamente, perder tempo nos transbordos). Acabou sendo muito bom. E a opção mais barata. Ganhamos tempo com isso.

Máquina de bilhetes de ônibus em Varsóvia
Compramos o ticket para viagem numa máquina de auto-atendimento. É simples, mesmo para nós que não temos tradição de andar de trens de longo curso porque acabaram com as nossas ferrovias. Nessas máquinas a primeira coisa é procurar uma bandeira de língua mais amistosa, como espanhol ou inglês. Em seguida pedem local de destino e data, além de uma hora a partir da qual serão mostradas as opções. Por termos comprado em cima da hora só havia a opção de cabine. Segunda classe, claro. Preferimos as poltronas normais, porque a cabine é uma loteria: são seis lugares e você não sabe com quem ficará confinado durante as horas de viagem. Lugares reservados, o que evita o empurra-empurra na hora do embarque, ainda mais com malas. A máquina dá opção de escolher janela, meio ou corredor. Ao final, pede para botar notas ou cartão de crédito ou débito. Aceita VTM (Visa Travel Money) na boa.

Estação central de trens em Varsóvia
Ainda pela falta de costume, o embarque é uma operação arriscada. Como acessamos pelo shopping não passamos no saguão, e não havia ninguém para informar nada. Mesmo quando aleatoriamente subi em uma das plataformas o painel indicava apenas o número da plataforma para o nosso trem, sem dizer o lado, setor, etc. Na plataforma não sabíamos prever onde o nosso vagão pararia (são numerados, por conta da reserva). Se você errar de plataforma ou vacilar na hora de entrar, dança mesmo. Trens saem pontualmente e a operação de embarque e desembarque dura uns 3 minutos. E ninguém na plataforma ou na porta do trem para informar. Na dúvida, embarque de qualquer jeito e depois transite pelo trem até achar o seu lugar.

Nossos companheiros de cabine não deram um pio durante a viagem. Uma freira simpática (Cracóvia tem muitos religiosos pelas ruas), dois jovens e um lugar vazio. Não tem tomada, nem internet, coisa para alguns trens de primeira classe. As paisagens são de uma Polônia rural de pequenas propriedades, quase plana, muito bonita. Trem meio velho, sacolejava mas deu pro gasto.

Shopping ao lado da estação com cobertura de vidro
Saímos às 11:22h e chegamos à estação Warsawa Centralna pontualmente às 14:41h. Ela fica conectada com uma estação central de ônibus urbanos e a um grande e luxuoso shopping. A localização é estratégica, na esquina da Av. Jerozolimskie, que é a principal do centro da cidade, com Jana Pawla II, que é o nome em polonês do papa João Paulo II, e é área de expansão da cidade com prédios modernos e muito altos. Aí veio a cilada: a rua do apartamento que alugamos, apesar de ser a meros 400 metros da estação, foi seccionada por modificações de quarteirões para caber a nova linha do metrô. Não havia essa atualização no Google Earth nem no Google Maps, e até encontrarmos alguém que soubesse explicar perdemos um razoável tempo. Pior: fizemos esperar a pessoa que nos daria a chave do apartamento, e se ela fosse embora ficaríamos no vácuo.

Palácio da Cultura - Varsóvia
Achado o prédio, recebido o apartamento, saímos atrás de mapa, informações mais detalhadas, etc. Voltamos à ferroviária, vasculhamos tudo e nada de posto de informações. Resolvemos comprar logo o bilhete dos transportes urbanos. Mais uma vez não encontramos quem nos dissesse qual seria a máquina correta para a compra. Vi nos ônibus a sigla ZTM e uma das máquinas tinha essas letras. Mais uma vez a operação é simples: bandeira da linguagem, ticket para curta temporada, 3 dias, dois tickets, total 60 zlotys (uns R$ 45, pela conta simplificada "divide por 4 e multiplica por 3"), bota o VTM, senha, tira os tickets, beleza. Válidos para ônibus, tram e trens dentro da Zona 1, que abrange tudo que queremos ver.
Varsóvia - Stare Miasto

Aí vem o outro problema: na pesquisa do planejamento vimos que o site de transportes públicos não é muito claro com as rotas e fomos ao mapa da estação. Novamente complicado. Por sorte vimos um imenso prédio em estilo soviético próximo, onde havia a indicação de um posto de informações. Fomos lá. O prédio foi um presente da União Soviética à Polônia e é o centro de cultura, além de abrigar o Museu Técnico. Igualzinho ao prédio do Ministério das Relações Exteriores de Moscou, a cara das coisas monumentais do Stalin. Tem um terraço de onde se vê toda a cidade e é uma das atrações da cidade.

Varsóvia - Cidade Velha (Stare Miasto)
No posto de informações pegamos mapas, guias, etc. E conseguimos a informação preciosa: para chegar à Cidade Velha (Stare Miasto) pega-se o ônibus 160 bem em frente. Ótimo. Entrando no ônibus a primeira coisa a fazer é enfiar o ticket numa máquina bem visível que carimbará a data e hora de início da validade do seu cartão. Compramos na quinta, vai até as 23:59h do sábado, terceiro dia. Normalmente os ônibus e trams (veículo leve sobre trilhos) têm displays informando muita coisa que o turista não tem a menor noção do que seja, inclusive a próxima parada. O mapa não ajudava muito, e o jeito foi ficar esperando até aparecer a expressão "Stare Miasto".

Saltamos logo depois de um túnel, subimos a escadaria e o paraíso nos esperava: a cidade é linda, mesmo parcialmente reconstruída depois da segunda guerra mundial. Para a esquerda, seguindo a rua Krakowskie Przedmiescie, estão prédios governamentais e igrejas, terminando na Academia de Ciências que tem uma estátua de Nicolau Copérnico em meio a uma praça onde está representada no chão a sua proposta de representação do sistema solar.

Voltamos pelo mesmo caminho e fomos a partir do ponto inicial para o outro lado, onde está Stare Miasto propriamente dita. Conjuntos arquitetônicos fantásticos, predominando as pinturas que lembram a técnica de afrescos, com desenhos nas fachadas. Depois vamos voltar para conhecer melhor e tirar fotos. Haja memória e bateria para as câmeras. Só vendo.

Noutro dia faremos o caminho a pé da estação pela Jerozolimskie até a Nowy Svat, passando por todo o centro. Essa rua vai até o Museu Copérnico, e aí sairemos entrando nos museus, etc. Por falta de tempo aí vão poucas fotos. Temos 2 dias para ver tudo. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dilma detona projeto de terceirização geral de Mabel

Desde o governo Lula se vem reduzindo no setor público a terceirização, reconhecida como forma de supressão de direitos, de dignidade, fragilização do emprego e principalmente forma de aumentar lucros dos patrões. O governo federal vem desde então fazendo concursos em cima de concursos para reequipar a máquina pública com funcionários próprios, revendo planos de cargos e salários, etc.

A reação contrária e enfática da presidente Dilma ao projeto do deputado Sandro Mabel, que propõe o escancaramento da terceirização até para a atividade-fim, reforça o movimento das centrais sindicais pela rejeição à proposta da PL 4330. Mais em
http://www.brasil247.com/pt/247/goias247/112278/

Maratona Báltico 2013 - 012 : Visite a Polônia antes do Euro

Se os brasileiros já terão dificuldades em viajar ao exterior com a previsível desvalorização do Real, o que se dirá sobre visitar países pobres da Comunidade Européia que ainda não entraram na Zona do Euro e ainda têm preços relativamente baixos, como a Polônia? Se a desvalorização da nossa moeda acompanhasse a inflação brasileira hoje teríamos um Real à base de R$ 5. O governo está deixando a moeda flutuar até onde não oferecer risco demasiado à inflação, para melhorar as exportações e aumentar a produção industrial. Os turistas vão sentir isso. E pode ser duplamente.

A Polônia historicamente dá tiros nos pés e parece gostar de suicídios. Chegou a ser um império, mas perdeu poder quando um parlamento corrupto, servil aos aristocratas e às potências estrangeiras, emperrou as principais decisões e um século de estagnação e degeneração econômica e militar a levaram a ter seu território humilhantemente dividido por três vezes entre as potências vizinhas : Áustria, Prússia e Rússia. No século XX, aproveitando-se da fraqueza dos vizinhos com a 1a guerra mundial e a revolução russa, e por força de diversas revoltas populares, a Polônia voltou à vida, e ainda foi agraciada pelo Tratado de Versalhes com concessões territoriais alemãs nunca perdoadas por eles.

Um acordo nefasto entre Hitler e Stalin dividiu novamente a Polônia, invadida em 1939 pela Alemanha e pela URSS. Com a derrota posterior dos nazistas em Stalingrado e a reação soviética que varreu todo o leste europeu expulsando as forças de Hitler, no pór-guerra a Polônia ficou na "cota" da URSS pelo Acordo de Yalta, onde Stalin (União Soviética), Churchill (Inglaterra) e Roosevelt (EUA) redividiram o mapa-mundi. Stalin colocou um governo dito comunista na Polônia que começou a cair com as revoltas de 1979 no Estaleiro Lênin, em Gdansk, com a criação do sindicato independente Solidariedade. O ocidente deu uma mãozinha com um papa polonês e com um líder anti-comunistas. O movimento foi reprimido mas depois conseguiu derrubar o regime estalinista e Lech Walesa foi eleito presidente com a expectativa de mudar o país. Usou a receita liberal e saiu privatizando praticamente tudo, desempregando milhões de pessoas e escancarando a Polônia ao capital estrangeiro, em especial dos inimigos históricos. Na eleição seguinte Walesa não elegeu sequer um deputado. Os comunistas também não se levantaram. Ficou o país nas mãos de vertentes de direita que continuaram a entrega.

Voltado à questão do turismo, agora o primeiro-ministro Donald Tusk está propondo acabar com a moeda nacional, o Zloty, e aderir ao Euro. As consequências serão desastrosas (vide este texto de Paul Krugman), mas o parlamento, seguindo a tradição corrupta e entreguista do passado, pode vir a aprovar a medida e com isso, a exemplo dos demais países pobres que aderiram ao Euro, os preços vão disparar porque o câmbio deixa de flutuar. Se hoje a gente vê preços menores que o do Brasil por aqui, em breve tudo poderá estar indexado ao Euro.

Cracóvia é maravilhosa. Seguimos agora para Varsóvia. 

Fascismo X Violência Revolucionária

Quando nos posicionamos sobre a violência que vimos num ato político no Rio como fascista, quando da vinda do Papa Francisco, qualifiquei um grupo mascarado de fascista porque parecia desconhecer os demais e agir como se fossem iluminados, ungidos, os revolucionários que os demais não entendem e com os quais não dialogam.

Escrevemos sobre isso em :
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2013/07/protestos-o-fascismo-dos-herois.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2013/06/mpl-ve-fascismo-no-protesto-e-pula-do.html

Apenas agem seguindo uma lógica de justiçamento. Destroem "símbolos": um certo banco porque patrocina a Copa do Mundo, uma loja de roupas porque usa mão-de-obra superexplorada, e por aí vai. Pior: não fazem questão de sequer divulgar esses eventuais nexos entre os ícones e o que representam. Marilena Chauí também vê uma vertente para o fascismo nisso, e nada de violência revolucionária, ato extremo na destruição de uma forma de sociedade para o nascimento de outra.


http://www.advivo.com.br/node/1476282

A diferença entre violência revolucionária e fascismo


Sugerido por mcn
A diferença entre violência revolucionária e fascismo, segundo Chauí
Nassif e amigos do blog, uma das coisas que mais tem me incomodado nas manifestações de rua é a violência gratuita e toscamente justificada de certos grupos contra instituições, bancos, edifícios públicos e determinados políticos. Sou contra (1) porque é anticonstitucional, (2) porque há outros canais de manifestação não violenta disponíveis e (3) porque não estamos vivendo - nem de longe - uma revolução estrutural, que justifique a violência.
Na entrevista para a Revista Cult deste mês (link), a filósofa Marilena Chauí analisa esse tema, a partir das manifestações recentes de rua.
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E há uma espécie de incitação à violência por parte de alguns líderes de movimentos sociais e intelectuais de “esquerda”.
Olha, existe a violência evolucionária. Ela se dá no instante em que, pelo conjunto de condições objetivas e subjetivas que se realizam, pela própria ação revolucionária, se entra num processo revolucionário. E, durante o processo revolucionário, a forma mesma da realização é a violência. O baixo da sociedade diz “não” para o alto e não reconhece a legitimidade do alto da sociedade. Esse é o movimento revolucionário, com operação de violência no interior dele, porque é um movimento pelo qual se destroem as instituições vigentes, a forma vigente da propriedade, do poder etc., para criar outra sociedade. E isso se faz com violência; não é por meio da conversa e do diálogo. Mas tem de haver organização. Primeiro a classe revolucionária tem de estar organizada e saber quais são as metas e quais os alvo físicos. Você não quebra qualquer coisa. Eu me lembro de uma frase lindíssima do Lênin em que ele dizia assim: “Há uma coisa que a burguesia nos deixou e que nós não vamos destruir: o bom gosto e as boas maneiras”. Ora, não estamos num processo revolucionário, para dizer o mínimo! Se não se está em um processo revolucionário, se não há organização da classe revolucionária, se não há definição de lideranças, metas e alvos, você tem a violência fascista! Porque a forma fascista é a da eliminação do outro. A violência revolucionária não é isso. Ela leva á guerra civil, à destruição física do outro, mas ela não está lá para fazer isso. Ela está lá para produzir a destruição das formas existentes da propriedade e do poder e criar uma sociedade nova. É isso que ela vai fazer. A violência fascista não é isso. Ela é aquela que propõe a exterminação do outro porque ele é outro. Não estamos num processo revolucionário e por isso corremos o risco da violência fascista contra a esquerda (mesmo quando vinda de grupos que se consideram de “esquerda”!).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cresce produção industrial, para desespero de bancos e mídia

Motivos para Mervais e Mírians chorarem ao dar notícias com "mas" de meia hora manipulando dados: mais uma vez a produção industrial cresceu. O índice de atividade da CNI subiu de 46 para 52,1 pontos no último mês, e a capacidade ociosa caiu de 44,4 para 42,9 no período. As medidas tomadas por Dilma há mais de um ano finalmente começam a surtir efeito, e essa turma vai ter que inventar muita coisa para nos situar "à beira do colapso".

O capital financeiro e sua mídia  perderam a mãe das grandes batalhas, que era derrubar Dilma no movimento das ruas, e agora vão ter que amargar derrotas em cima de derrotas. O castigo veio de metrô paulista. O que está acontecendo agora é fruto de políticas de governo, as mesmas com as quais tentaram derrubar Dilma nos movimentos de rua manipulados. Escrevemos sobre isso bem antes em http://blogdobranquinho.blogspot.com/2013/05/revolucao-capitalista-de-dilma-provoca.html

terça-feira, 20 de agosto de 2013

BB obriga funcionários a vender Big Mac "filantrópico"

Banco no Brasil virou canal de distribuição de produtos e serviços que nada têm a ver com a intermediação financeira, impondo ritmo de trabalho alucinante aos seus funcionários com metas crescentes. Doenças funcionais grassam enquanto os lucros se multiplicam. No último  balanço o BB apresentou R$ 10 bi de lucros, e agora os funcionários reclamam porque estão sendo pressionados para empurrar pela goela da clientela e dos parentes um vale da rede de lanchonetes norte-americana Mc Donalds para o "Mc Dia Feliz", no qual toda arrecadação da venda do sanduíche seria destinada à filantropia.

Filantropia parte da vontade individual. O MC Donalds tem seus instrumentos de mídia para fazer marqueting societal, associando atos de boa vontade com a sua marca. E o que o BB tem a ver com isso? Sua "filantropia" é botar mais coisas para os funcionários fazerem entre muitas outras, sobrecarregando todo mundo? É doar mais-valia adicional? A denúncia é do Sindicato dos Bancários de Santos.
http://www.santosbancarios.com.br/index.php?det=detalhes&id_titulo=2&id=3372

Caso Itaú 18,7 bi : A gente paga os juros dos bancos e a sonegação dos ricos

Já vi gente no Facebook dizendo que só estão cobrando a dívida de R$ 18,7 bi do banco Itaú porque tem uma diretora apoiando a potencial candidata Marina Silva, do partido Rede. Também já vi quem critique a Receita Federal por cobrar 600 milhões de reais sonegados pela Globo, dizendo que é perseguição política. E algumas dessas pessoas ficam indignadas ao verem a família Marinho acumulando R$ 52 bi, segundo a revista Forbes, e no varejo reclamam porque a tabela do imposto de renda da pessoa física não acompanha a inflação.

Com tantas revoltas nas ruas parece que os verdadeiros alvos das misérias continuam rindo à toa. Bancos sugam países e seus contribuintes. Sugam as pessoas físicas e empresas com juros extorsivos, mantidos pelos poderosos lobbies que sustentam através da mídia e do apoio a campanhas políticas. E ricos podem contratar equipes técnicas, aprovar leis através da grana e pagar proporcionalmente menos impostos. É um pacote só, mas parece que apurrinhar um ou outro político é mais importante que cortar o mal pela raiz. Cadê os mascarados falando em ricos pagando impostos? 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Maratona Báltico 2013 - 011 : Varejos de Estocolmo & região

Primeiro post do blog feito em um vôo. 
Estamos viajando neste momento de Estocolmo para Cracóvia contando com a facilidade de usar a internet wi-fi grátis do vôo da Norwegian, uma empresa norueguesa que entrou no mercado para disputar com as tradicionais e as low cost em preços. Aproveito para comentar algumas observações de varejo desses 7 dias na Suécia.
- idosos e gestantes não têm tratamento diferenciado - não vimos filas ou guichês preferenciais, nem no embarque do aeroporto;
- eficiência x dumping social - se o mercado considera o salário elevado não se busca preferencialmente saídas políticas para baixar os ganhos ou direitos dos trabalhadores. Investe-se em tecnologia para supressão de mão-de-obra. O auto-serviço é a norma geral. Agora mesmo no aeroporto fizemos o check-in sem passar por nenhum funcionário. Até a entrega de malas é o passageiro quem faz.
- se nos primeiros dias ficamos com impressão de Estocolmo ser uma cidade de jovens majoritariamente louros e saudáveis, bastou começarmos pegar transportes  coletivos e ver que há uma hetereogeneidade bem maior. A presença de descendentes de indianos, de árabes, asiáticos, africanos e de outras nacionalidades européias está em toda parte. Na área turística é que temos mais homogeneidade.
Mar Báltico - Sul da Suécia
- a licença-maternidade e/ou paternidade é de um ano e meio. Sim, o pai também pode requerer a licença remunerada, ganhando menos.
- há dois canais de TV estatais e 2 privados abertos. Vimos pouca TV, e não chegamos a ver programas de entrevistas, debates, novelas. Tem muito documentário. Nas estatais não há anúncios.
- a presença do rei, rainha, família real, só é notada nos tablóides, que se espelham nos britânicos para fofoca.
- nos jornais que vimos (e pudemos entender algo) em Estocolmo o foco é local. Pouca coisa do resto da Suécia e do mundo.
- as únicas coisas brasileiras que vimos foram a depilação (Brazil wax) e um anúncio de promoção de supermercado com carnes do Brasil.
- não adianta procurar pelo Brasil Bar porque ele é um escritório em Gamla Stan que promove festas e outros eventos, como o cruzeiro marítimo previsto para  setembro com shows de Jair Rodrigues e grupos de samba.
- a noção de subúrbio é muito diferente da nossa, pois um bairro longínquo, com metrô ou trem confortáveis, é uma opção às vezes melhor que morar próximo ao centro.
- carro para quê? Com ciclovias que funcionam, sistema de locação de bicicletas (público e privado), sistema de transporte público integrado relativamente barato e de uso ilimitado (barco, trem, metrô, ônibus, VLT) atendendo num raio de 100 km como região metropolitana, distribuição de estações e pontos de ônibus que colocam o usuário próximo ao sistema, não há necessidade de ter veículos.
- ônibus usam biogás, que vem da reciclagem de lixo orgânico.
- o sistema habitacional é um caso de estudo. Se você quiser um apartamento alugado pela prefeitura tem que entrar numa fila que pode durar anos. Uma vez contemplado o aluguel inclui água e manutenção e até renovação. No setor privado os prédios são feitos em terrenos cedidos pelo Estado e o proprietário na verdade tem o direito às chaves. Todos são administrados por empresas. Não vimos porteiros em nenhum prédio.
- os bancos servem apenas para se obter empréstimos e as tarifas para manter uma conta corrente são pesadas. Praticamente tudo se paga em terminais. Banco é só banco, não supermercado como no Brasil.
- não tem salário mínimo legal, e boa parte dos direitos dos trabalhadores é garantida por acordos firmados entre patrões e centrais sindicais. Um trabalhador pouco qualificado ganha de 3 a 4 mil dólares mensais. Há auxílio-desemprego de 6 meses.
- não vimos bairro ruim em Estocolmo, mas o conceito deles para qualidade de moradia não tem foco na segurança, como no Brasil, ou na degradação, que praticamente não acontece porque o morador praticamente não manda no seu prédio e a renovação é uma forma do locador aumentar os preços do aluguel. Bairro bom é o que tem mais serviços, como creches e escolas públicas de qualidade, lavanderias comunitárias, bons supermercados, proximidade de florestas e rios, marinas, etc.
- em termos de local para o turista conhecer a cidade o melhor ponto é onde estão os principais hotéis, próximos às estações centrais de trens e metrô. Num raio de 3 km se visita quase tudo.
- Estocolmo pode ser visitada no mínimo em 3 dias. O adequado seria 4 dias. Num deles fazer a visita aos museus e passeio de barco com o Stockolm Card e nos outros 3 dias usar o cartão 72h de transportes da SL para ir direto a focos de interesse, como parques, shoppings, etc.
- O Stockholm Card valeu a pena para nós. Visitamos os museus Vasa (arqueologia de um barco afundado no século XVII, muito interessante), Skansen (museu vivo, onde artistas fazem papéis de habitantes da época dos cenários reais, casas inteiras mobilidadas, etc. ), Histórico (visão geral da história sueca, bem didático, com poucos objetos e nada de arte e algo de Vikings), Palácio Real (aposentos da família real), Tesouro da coroa (pequeno mas interessante, no Palácio Real), Museu Nobel (pequeno, porém com terminais de acesso a toda a informação sobre os laureados e uma exposição sobre a paz mundial. Fechamos o roteiro com um passeio de barco pela região do porto (o cartão não contempla o passeio sob as pontes no centro histórico, que é mais caro) e o original passeio em uma cápsula subindo ao teto de um ginásio em forma esférica, o maior do mundo nesse tipo (Skyview). Além disso usamos e abusamos de transportes , inclusos no pacote, por 24 horas.
- Na casa de amigos experimentamos bacalhau fresco cozido, muito bom e diferente do que chega ao Brasil, pois não é salgado e não forma lascas. Se for grelhado pode ficar mais próximo do português.

Estamos chegando a Cracóvia. Cancelamos no roteiro os passeios da Noruega porque exigem, em especial na região de Bergen e fiordes, tempo muito bom para termos as melhores paisagens. Antecipamos a rota em 5 dias e vamos tentar ainda ir lá na volta. 

domingo, 18 de agosto de 2013

Maratona Báltico 2013 - 010 : Transporte de qualidade é bem mais que pelos 20 centavos

Zoneamento de transportes em Estocolmo (Fonte: SL)
O sistrema de transportes de Estocolmo (SL) é estatal e integrado. Subsidiado. Quem mora por aqui pode comprar um cartão válido por prazos grandes e viajar de trens, metrô, ônibus e barcas ilimitadamente. A gente se assusta com o preço da passagem unitária dentro da zona central (A), que abrange praticamente todo o centro da cidade: 36 kronor. Isso em reais dá uns R$13. Por trecho, e só uma vez!.

O visitante (ou qualquer pessoa que queira usar o sistema por poucos dias, mesmo local)  tem a possibilidade de comprar passes válidos por 24h, 72h ou 7 dias a preços mais em conta, com uso ilimitado no sistema:
TravelcardsFull price (SEK)Reduced price (SEK)
24 hours11570
72 hours230140
7 days300180

Para isso terá que comprar o cartão Acess por 20 kronor (ou SEK ou R$ 8). Os passes ficam respectivamente, por R 40, R$ 80 ou R$ 100. Muito caro? Depende do uso. Andamos a pé nas áreas próximas durante 4 dias, sem necessitar cartão, porque queríamos sentir a cidade. No quinto dia compramos o Stockholm Card, que serve para visitar até 80 atrações e no prazo de validade permite o uso ilimitado do transporte da SL. Ontem compramos o cartão 24 horas e fomos visitar amigos, rodar subúrbios, etc. 
Cartão Acess para créditos nos transportes
Como o turista deve proceder? Nas estações, nas lojas 7 Eleven e Presbyran vendem os cartões Acess por SEK 20, que já podem ser carregados com o tipo de tarifa desejada. Nas catracas é só passar sobre os locais indicados. O prazo passa a valer a partir da hora da primeira viagem, que fica registrada no cartão. Há locais onde não há catraca, e o esperto poderia pensar em entrar no trem sem pagar. O risco é de ser pego e pagar uma multa de algo em torno de R$ 500. Importante : OS ÔNIBUS E VLTs NÃO VENDEM PASSAGENS! Para compras em dinheiro só nas lojas e num guichê ao lado das catracas do metrô. Nas máquinas de auto-atendimento deve-se colocar o cartão Acess num local e o cartão de crédito em outro. Há menus em inglês e deve-se procurar a opção "All tickets', onde aparecerá a tela de uma das fotos onde ao se apontar uma delas aparecerá ao lado a informação dos preços.


Display na parada de ônibus informa chegadas
E como é que o cidadão sueco vive com um transporte desse preço? Tudo é de muito boa qualidade. Nos pontos de ônibus há painéis indicando quanto tempo falta para o transporte chegar. Se houver engarrafamento, ele atualiza. Na entrada do metrô há painéis que indicam quanto falta para os trens chegarem, permitindo que a pessoa corra ou não até a plataforma. Quando um ônibus para no ponto a lateral onde ficam as portas se inclina, reduzindo a altura do degrau para quem entra ou sai. Além do espaço para a cadeira de deficientes há duas vagas para carrinhos de bebê. Em algumas linhas é possível entrar com bicicletas. Deficientes podem pedir serviços de rampa por telefone para lugares de maior desnível. Mais: em ônibus, a pessoa que leva um carrinho de criança não pag(e ninguém fica dizendo que "tem mulher parindo só para ter ônibus grátis"
Ônibus em Estocolmo


, por aqui)! Você pode saber os horários dos trens pelo celular. Tudo muito pontual, limpo, organizado e principalmente sem o sufoco que vemos no Brasil. 

As decisões sobre os meios de transportes urbanos são descentralizadas. Na Suécia a divisão política tem a forma de municipalidades poderosas (o imposto de renda é municipal e a alíquota varia de um para outro) e governo federal que também tem seus impostos. Há 22 blocos de municípios que atuam como pequenos estados, mas só coordenam investimentos nas áreas de transportes, saúde e segurança. As ações de transporte mais importantes estão próximas do cidadão, porque cerca de 80% dos recursos está nas mãos dos prefeitos, ficando para o governo federal as estradas nacionais. 

Do site da SL extraímos: 
"Desde primeiro de janeiro de 2011 Tráfego Board é responsável pelo transporte público em terra, no mar e para pessoas com deficiência.O Conselho tem a responsabilidade global para o planejamento e contratação de serviços, e monitora o negócio.O Comitê é responsável para o tráfego do Conselho e elaborar propostas para o Plano de Manutenção Traffic. Ele também irá colaborar com os municípios vizinhos, conselhos municipais e outras partes interessadas para alcançar soluções eficientes de tráfego na região.A missão do Conselho é também para interagir com as pessoas com deficiência para torná-lo mais fácil para os idosos e pessoas com deficiência a usar o transporte público.O Conselho é composto por 17 membros nomeados pelo Conselho do Condado."

Espaço em ônibus para carros de bebês
Um desavisado poderia dizer:" o serviço é caro, por isso é bom!" ou "eles estão sempre expandindo o serviço, que já é bom, porque a tarifa cobre  isso". Ou ainda : "isso é muito caro, e as pessoas deveriam se revoltar para forçar baixar os preços, como no Brasil". Aí entra o pulo do gato, que o visitante praticamente não vê porque compra passagens de curto prazo: para quem precisa usar todo dia, o preço é outra coisa:

Ingressos para a temporada para períodos mais longos
BilheteInteiraRebaixados *
Passagem de 7-dias300 kr180 kr
Bilhete de 30 dias790 kr490 kr
Bilhete de 90 dias2300 SEK1400 SEK
Ticket verão de maio a agosto2400 SEKSEK 1450
Entrada anual8300 SEK4990
Sujeito a erros e mudanças.   * Você sabe quem pode viajar a preços reduzidos, leia mais na página Rebaixados e descontos .

Metrô em Estocolmo
Chamamos a atenção para o preço da passagem anual inteira: 8300 SEK. Isso quer dizer aproximadamente R$ 3 mil. Isso é o valor que um trabalhador ganha inicialmente (não tem salário mínimo) por aqui num mês. Mas se tiver, pagará R$ 8,33 por dia. Ilimitado. O bilhete de 30 dias custa uns R$ 270, ou seja, uns R$ 9 por dia. Fim de semana inclusive. 
Aí você tem no Rio de Janeiro um metrô onde o bilhete múltiplo não tem desconto nenhum. Uma integração de ônibus com metrô sai por R$ 4,30 (ida e volta = R$ 8,60). Isso para um serviço com horários irregulares, sem muitas informações, lotado, em veículos em geral antigos, poluentes, ruins. E vem a pergunta fatal: será que lutamos por apenas 20 centavos, ou isso é só a pontinha do iceberg? Os suecos lutaram para conquistar isso. Não foi nenhuma dádiva de um "rei bonzinho", que só existe em contos de fadas.

Post anterior: http://blogdobranquinho.blogspot.se/2013/08/maratona-baltico-2013-009-em-busca-das.html 

sábado, 17 de agosto de 2013

Maratona Báltico 2013 - 009 : Em busca das raízes da "honestidade sueca" - parte 1

No Brasil se fala muito do "padrão sueco" de fazer política como uma utopia diante dos péssimos exemplos que vemos. Os números ajudam nisso: o "ìndice de democracia" proposto pela revista inglesa The Economist indica que quadro países nórdicos são os mais "democráticos" do mundo. Pela ordem: Noruega, Islândia, Dinamarca e Suécia, considerados "democracias plenas". O Brasil, classificado como "democracia imperfeita", está e 45o na lista. Essa classificação é uma espécie de segunda divisão da democracia.

Pelos critérios da revista, segundo a Wikipedia, são analisados "o processo eleitoral e pluralismo, as liberdades civis, o funcionamento do governo, participação política e cultura política. De acordo com a Economist Intelligence Unit Democracy Index 2011, a Noruega marcou um total de 9,80 numa escala de zero a dez, que foi o maior resultado, enquanto a Coreia do Norte teve a menor nota, com 1,08.1 Os países são classificados em "democracias plenas", "democracias imperfeitas", "regimes híbridos" (todos considerados democracias) e "regimes autoritários" (considerados ditatoriais). A The Economist avalia os países em cinco critérios (processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis), com notas que vão de 0 a 10."

É evidente que a visão de democracia de uma revista econômica liberal também tenderá a premiar países capitalistas mesmo com distorções na estrutura social de classes. E até mesmo minimizar, ao nosso ver, o anacronismo desses países terem monarquias de fachada, constitucionais, opulentas, mantidas pelo estado. Democracia, ano nosso ver, não é transparência eleitoral: passa pelo bem-estar do povo do país e pela sua participação direta nas decisões, não apenas no voto em representantes ou no número de partidos. 

Coincidentemente dos quatro primeiros países da lista da The Economist aó a Islândia não é uma monarquia constitucional, e são países capitalistas de baixa regulação para os negócios (os quatro países citados estão entre os 20 melhores para fazer negócios, segundo a revista norte-americana Forbes). Já a Transparência Internacional ranqueia novamente os países nórdicos entre os primeiros de menor percepção de corrupção.  Quando falamos em distribuição de renda e desenvolvimento humano, lá estão os países nórdicos novamente no topo da lista dos melhores. 

A questão é : onde foi que eles acertaram e nós erramos? Em 4 dias de extensas andanças por Estocolmo não vimos praticamente nenhuma coerção do Estado sobre as pessoas na forma de lembretes de legislação, placas de "proibido", policiais em ronda, seguranças nos estabelecimentos e mesmo controles em diversas situações que para nós brasileiros seriam inacreditáveis. 

Ninguém joga lixo no chão por medo de punição. Idem sobre furar fila. Esqueci uma câmera no balcão de uma loja e vinte minutos depois retornei e ela estava lá, no mesmo lugar, e a funcionária me pediu desculpa por não ter visto e me alertado. Não tem praticamente câmeras de vigilância, nem no museu do tesouro real. Nem revista de bolsas. Detetor de metais? Só vimos no aeroporto. Aí vem uma pista: o político não tende a roubar porque as pessoas são indivíduos honestos. Isso vem da formação.

Aí vem outra pista: desde o século XVI (na Suécia, 1522) os países nórdicos romperam com a igreja católica de Roma e seguiram Lutero na reforma protestante. O Luteranismo cresceu questionando a corrupção, o autoritarismo e a corrupção da Igreja Católica. Nesses países virou religião oficial. Na Suécia até o ano 2000 estava na lei a ligação entre igreja e estado. Seria correto dizer que países de formação luterana tenderiam a mostrar pessoas com melhores valores? 

Isso é uma coisa a pesquisar, mas o fato é que na Suécia hoje 85% da população declaram "não crer em um deus" ou "não ter religião". Considerando-se que houve no pós-guerra uma forte imigração de poloneses católicos e de árabes islâmicos, o povo sueco originário parece não ter mais tão forte ligação com a religião, embora mantenha sua cultura. A Noruega vem na lista em terceiro com 80% e a Dinamarca em quarto, com 72%. Em segundo está o Vietnã, e mesmo assim a pesquisa "Ateísmo: Taxas e Padrões Contemporâneos, do sociólogo norte-americano Phil Zucherman considerou o budismo e o taoísmo como tradições e não como religiões. A Finlândia está em sétimo.

A questão continua e será alvo de novas observações.