terça-feira, 30 de junho de 2009

Fora Sarney V : até tu, DEM?

Quem pariu Sarney que o crie, era a regra até hoje. Fundador do Partido da Frente Liberal, o PFL ou Pefelê, para participar na chapa de Tancredo Neves na transição do regime militar, a velha raposa da Arena e tradicional aliado de qualquer governo, Sarney não poderia contar com as punhaladas que os seus velhos camaradas do DEM lhe deram hoje, ao pedirem o seu afastamento da presidência do Senado.

Quem o colocou na presidência do senado, disputando com o senador Tião Viana do PT do Acre, foi o DEMo, que compõs a chapa colocando o senador Heráclito Fortes como substituto imediato de Sarney. O PSDB tem outras razões para pedir a sua saída, já que se essa agonia durar mais, não sai CPI para fazer escândalo contra o governo. Acaba o ano, e Sarney fica lá, combalido, mas segurando as pontas.

Por incrível que pareça, Sarney agora vai depender do PT para sobreviver. Não que isso seja conseguido por piedade, mas sob ameaça do PMDB subscrever a CPI do DNIT, que o governo não quer. Chantagem é com eles mesmos. Sarney vai esperar tocar o gongo, já que está perto do recesso, e vai tentar ganhar fôlego nesse período.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Brasil não reconhece golpistas de Honduras

Além de uma dura nota do Itamaraty exigindo a imediata e incondicional reposição do presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, o presidente Lula disse no programa de rádio hoje que o Brasil não reconhecerá o governo dos golpistas. "Não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o do presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia. E nós não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe", disse Lula.

A declaração do Brasil, junto com a posição norte-americana, da OEA e da União Européia de isolar o governo golpista é um duro recado às tentativas aventureiras, em especial das direitas, de tentar tomar o poder na marra derrubando governos legalmente eleitos. Hoje Honduras deve estar sob greve geral. Aqui em Brasília, circulam pela internet convocações para uma vigília em frente à Embaixada de Honduras, que fica na SHIS QI 19 Conj. 7, casa 34 - Lago Sul. Há consulados no Rio e em São Paulo (vide link). Todo apoio ao povo hondurenho!

Internet: a mídia da Multidão?

Multidão, no caso, é o conceito usado pelo filósofo italiano Antonio Negri em livro do mesmo nome para caracterizar os que estão à margem do poder do Império. Conceito este que também desenvolveu em livro homônimo. De formação marxista, Negri participou de movimentos libertários na Itália, entre os quais o Poder Operário e o Autonomia Operária, grupos de esquerda que divergiam do Partido Comunista Italiano. Foi preso e exilado por "crimes de pensamento" contra o estado italiano. Nos livros tem a co-autoria do filósofo americano Michael Hardt

Eu estava tentando ordenar os fatos recentes de resistências civis aos resultados das eleições do Irã e agora, ao golpe em Honduras, onde as pessoas comuns enfrentam forças poderosas e emitem pedidos de socorro ao mundo e se organizam por redes baseadas em internet e telefonia celular, mostrando imagens normalmente censuráveis pelos governos, que não conseguem controlar tais meios. Cheguei à obra de Antonio Negri que, se explica algumas coisas, é contestada filosoficamente por outros intelectuais e correntes marxistas.

Encontrei num artigo da Carta Maior o seguinte texto: "Ao colonizar e interligar de maneira cada vez mais profunda um número maior de aspectos da vida, o Império está na realidade criando a possibilidade de um novo tipo de democracia. Convergindo numa comunidade globalmente interligada em redes, diferentes grupos e indivíduos podem associar-se em fluidas matrizes de resistência; deixando de constituir ‘massas’ silenciosas e oprimidas, podem formar uma multidão, com o poder de forjar uma alternativa democrática à atual ordem mundial. "

Em síntese, Negri considera que o mundo está irreversivelmente globalizado e que uma só nação, entidade ou grupo empresarial sozinho não dá as cartas no todo. O Império seria o guarda-chuva do capitalismo sem fronteiras. Do outro lado, os povos nacionais também estariam se globalizando na Multidão, passando por cima do tradicional conceito de luta de classes e englobando os excluídos como os de gênero, raças, os pobres não proletários, etc. Polêmico, dá o que pensar. Tem muito mais coisas interessantes, que ficariam extensas aqui. Vale a viagem pelos links.

Bancos : os verdadeiros ladrões

Na atual crise, a ajuda a bancos em 1 ano superou a ajuda dos últimos 50 anos a países pobres. Essa ajuda pública chegou aos US$ 18 trilhões aos bancos. O Brasil paga juros escorchantes que alimentam a agiotagem nacional, que nada de braçada em meio à crise.

Merece leitura o artigo do jornalista Milton Temer, presidente da Fundação Lauro Campos, ligada ao PSOL, entitulado "O verdadeiro ladrão". O título vem de uma citação de Bertold Brecht, não sabia se o verdadeiro ladrão era o que assaltava ou o que fundava um banco.

domingo, 28 de junho de 2009

Militares de Honduras sequestram e exilam presidente

Poucas horas antes do plebiscito sobre uma reforma constitucional, militares tomaram o Palácio Presidencial de Honduras, prenderam e deportaram o presidente Manuel Zelaya para a Costa Rica. Os movimentos populares convocaram greve geral a partir de amanhã. O golpe teve como motivação a possibilidade da aprovação de reformas sociais que desagradariam à elite conservadora local. O congresso conservador e o judiciário são cúmplices do golpe.

Obama disse que os EUA não têm nada a ver com o golpe e pede respeito às instituições democráticas . O governo brasileiro rechaçou o golpe e pede a imediata reposição do presidente Zelaya. Este, por sua vez, pede que o povo resista pacificamente. A União Européia e a OEA condenaram o golpe. Já o presidente do congresso de Honduras leu uma carta falsa de renúncia de Zelaya, e declarou que não houve golpe, apenas se fez cumprir uma determinação judicial para prender o presidente por julgarem o plebiscito ilegal.

As próximas horas dirão se teremos um revés dessa ação marginal de sequestro e desestabilização democrática de Honduras, um péssimo precedente que remete aos anos de chumbo da América Latina. A ordem institucional tem que ser respeitada e os golpistas punidos. Se a moda pega, aqui no Brasil podemos ver grupelhos de fascistas incitando os militares à aventura de fechar o congresso e destituir o presidente, como se isso fosse resolver a origem da bandalha. Pelo contrário, o que está aí foi gestado em plena ditadura, na falta de liberdade democrática.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fora Sarney IV - Roseana foi fantasma por "ato secreto"

A bandalheira do Senado vem de longe. Quando Sarney ainda era vice de Tancredo, sua filha ganhou um emprego no Senado por um "ato secreto", conforme mostra a Revista Veja de 14/05/1986 . (edição 923). No mesmo trem da alegria entrou um primo do então governador e hoje senador Agripino Maia, mostrando que agora estamos vendo práticas consolidadas há muitas décadas.

O "trem da alegria" aconteceu em 14/01/85, às vésperas do Colégio Eleitoral do congresso que elegeria indiretamente o sucessor do ditador militar João Figueiredo. O presidente do Senado, Moacyr Dalla, do PDS do Espírito Santo, resolveu agradar aos seus colegas para angariar apoios, e criou 60 cargos de "assessor técnico" com salários de R$ 25 mil cruzados (uns US$ 1.800 da época, que valiam muito mais que hoje), cujo preenchimento se deu mais por critérios genealógicos que curriculares, diz a matéria.

O marido de Roseana, que à época da reportagem era secretário particular do já presidente Sarney, disse que "nem Roseana sabia disso". Ou seja, assim como Sarney não sabia do dinheiro que entrava na sua conta, nem da nomeação do neto para um cargo no senado, nem do mordomo de Roseana, Murad não sabia que a sua mulher "trabalhava" no Senado!

O Brasil perdeu uma grande oportunidade de varrer parte da corrupção quando se demoliu ( na ditadura Geisel) no Rio o Palácio Monroe a pretexto da passagem do Metrô. Nesse prédio funcionou o Senado no tempo que a capital era no Rio. Poderiam ter implodido com a instituição Senado junto. Como dizia o ex-senador Darcy Ribeiro, o Senado é o paraíso, com a vantagem de não se precisar morrer para chegar lá. Fora Sarney! Não precisamos de Senado.

Praia de Maragogi (AL)




Maragogi fica no litoral norte de Alagoas, quase na fronteira com Pernambuco. É uma das muitas praias bonitas da região, mas tem uma boa infra-estrutura hoteleira com preços razoáveis. Tem um folclore rico, e sua história é muito interessante. E ainda os corais, que podem ser acessados por barcos em passeios na base de R$ 40 por cabeça. Há passeios mais longos,de dia inteiro, percorrendo diversas praias, um pouco mais caros. Os principais corais estão com visitas restritas pelo Ibama, podendo ser visitados apenas a partir de certas alturas de marés.





Optamos pelo passeio oferecido pelo restaurante Ponto de Embarque, porque tinha uma lancha rápida e o tempo era curto. Levam no barco cervejas, refrigerantes e água, vendidos à parte. Também oferecem máscaras para mergulhos "snorkel"
e equipamentos para mergulho com tanque de oxigênio. E o serviço de fotografia subaquática, que achei muito bem pago pelo resultado obtido. Mais informações turísticas neste link.







quarta-feira, 24 de junho de 2009

MP da Grilagem : Pressão para Lula vetar itens

Lula tem até amanhã (quinta) prazo para assinar a Medida Provisória que irá privatizar 67 milhões de hectares da Amazônia. Originalmente concebida para regularizar as terras de pequenos agricultores, foi manipulada pelos interesses do agronegócio para expandir os benefícios para empresas e pessoas que não moram nas propriedades. A pressão popular terá um papel importante na tomada de decisão do Lula que ainda não decidiu o que vetar, portanto ainda há chances de convencê−lo a vetar as partes mais perigosas.

Diversas manifestações foram feitas pelo país e no exterior pedindo o veto aos itens que os ruralistas colocaram de contrabando no projeto original. Uma delas está no link a seguir, para enviar uma mensagem padronizada à Presidência da República. O teor da mensagem é:

"Prezado Presidente Lula,
Eu estou escrevendo para expressar a minha preocupação com a Medida Provisória 458. A MP 458 deve regularizar as terras de pequenos agricultores e não de empresas privadas ou pessoas que não moram na propriedade. Além do mais, o tempo mínimo para venda das propriedades de todos os tamanhos deve ser 10 anos, para assim se evitar a especulação comercial na região. É sensato beneficiar pequenos agricultores que irão trabalhar com o governo para proteger a floresta, mas certamente não especuladores e empresas que não tem compromisso nenhum com a preservação da Amazônia.
Eu gostaria de pedir portanto que vossa excelência:
1. Vete os incisos II e IV do artigo 2º que permite a “ocupação e exploração indireta”
2. Vete artigo 7º que permite título às empresas privadas
3. Mantenha o prazo para venda de terras regulamentadas em 10 anos para todos os tamanhos de propriedades
Nos próximos dois dias você terá a oportunidade de tomar uma decisão que irá afetar as futuras gerações, não somente do nosso país, como do mundo todo. Esperamos que vossa excelência cumpra as expectativas do povo brasileiro, mostrando o seu compromisso com o bem do qual mais temos orgulho – a floresta Amazônica.
Por favor, faça a escolha certa e vete os pontos acima.
Atenciosamente,"

Clique no link para ver essa mensagem e coloque os dados pedidos. Essa movimentação já conseguiu até agora quase 7 mil assinaturas. Vale a pena.

http://www.avaaz.org/po/lula_prazo_final/98.php/?cl_taf_sign=927d7e75a9f5794be03105919687d03e

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lula : melhor dar dinheiro a pobre que desonerar

"O Cara" voltou a ser elogiado por Obama, que o acha um exemplo de pragmatismo e faz um bom governo. Bem, para quem viu agência de risco dizer que, por enquanto, os EUA continuam com classificação AAA+, como quem diz que isso pode ser revisto e a solidez americana ser questionada, olhar para o que parece dar certo parece dar algum alento. Assim como Obama, muitos investidores e aplicadores estão acreditando no que Lula diz lá fora sobre o Brasil, e acham que estamos no caminho certo, até trazendo dinheiro para cá.

O fato é que a desoneração de impostos como a CPMF não trouxe benefício aos preços finais. O volume que deixou de ser pago ficou nos lucros das cadeias produtivas. Não é qualquer desoneração que dá bons resultados, como no caso do IPI dos produtos da construção civil e da linha branca, e mesmo dos automóveis, que merece ser revisto a favor da produção de modelos mais eficientes, que deveriam ter menores impostos. O maior imposto que pagamos é a taxa de juros, que sangra dinheiro que deveria ir para investimento para pagar gordas rendas a especuladores. Nem baixando bastante a SELIC vimos resultados bons para os tomadores de dinheiro. O cartel dos bancos continua praticando altas taxas de juros, altas tarifas, penalizando a economia.

Hoje o noticiário mostrou que a arrecadação da Previdência bateu novo recorde, por causa da geração de novos empregos em meio à crise. E que o rombo da previdência ficará em R$ 40 bi neste ano. Esse é o maior programa de transferência governamental, maior que o bolsa família e todas as desonerações a pequenas e micro empresas. E os programas de renda mínima têm contrapartida, combatendo o argumento preconceituoso da elite exploradora tipo "dar dinheiro a pobre gera preguiça e engorda o dono do boteco".

Não é isso que a economia mostra. Aliás, boa parte desse povo que fala contra os programas de renda mínima ou é mal intencionado ou desconhece macroeconomia. Nunca viram o que os R$ 465 do velhinho do Funrural fazem pela economia de um pequeno município do nordeste, quando se considera o agregado. Há lugares onde o dinheiro de aposentadorias que circula no comércio supera o Fundo de Participação dos Municípios, o ISS e o IPTU somados.

Lula está correto quando diz que cada centavo dado a pobre vira consumo. Está falando de menos de R$ 100 por mês! Dinheiro para comprar praticamente nada, mas que é todo gasto, gerando efeito multiplicador na economia desde os mais longínquos pontos da cadeia do mercado capitalista. Isso é melhor que investimentos concentrados em grandes obras, para a economia e para a difusão da riqueza. Ambos têm que ser feitos. E é essa combinação que não deixou o Brasil ir para o atoleiro na mesma intensidade das grandes economias, que não têm como fazer políticas públicas por terem optado pelo tal "estado mínimo" e entregado à "mão invisível" do capital a tarefa de fazer justiça social.

Infelizmente, muita gente pensa como um empreiteiro que desabafou comigo que o Bolsa Família estava encarecendo a mão-de-obra, porque o peão não queria mais trabalhar pela merreca que ele oferecia. De fato, para quem trabalha explorando a necessidade de famintos, tais programas são uma subversão, porque trazem um mínimo de dignidade. Nossos liberais não têm nada de modernos defendendo a desoneração de impostos. Querem isso para eles, impostos para os outros e benesses governamentais para os seus negócios, e muita mão-de-obra indigente de baixo custo e pouca resistência à exploração. Além do mais, quem paga mesmo imposto é pobre, seja no seu salário, seja na comida ou nas tarifas públicas. Rico cria caixa-2, suborna fiscais e lava dinheiro. Nem todos, mas muitos fazem isso porque acham injusto pagar impostos para não darem dinheiro a pobres.

Gripe suína : na iminência de um morto

O morto, no caso, não é do jogo de buraco. O Brasil ultrapassou os 300 casos de gripe suína sem óbitos. A Argentína já tem 10! E a nossa classe média, aproveitando a miséria que está por lá com a moeda deles valendo a metade da nossa, foi no feriado de Corpus Christi e voltou trazendo muita contaminação. Os casos se multiplicaram.

Até aqui, a doença não causou maior estardalhaço. Ninguém está batendo no governo, por não ter prevenção, etc e tal. Mas, como a estatística é algo que funciona, em algum momento algum contaminado será requisitado pela morte. E tudo mudará: faltam hospitais, faltam políticas de saúde, o governo não faz nada, e por aí vai.

Hoje o Ministério da Saúde recomendou: visitar a Argentina e o Chile pode ser fatal à saúde. Já tem cidade na fronteira do Rio Grande do Sul em estado de emergência, e escolas em São Paulo antecipando férias porque seus alunos importaram o vírus. Um andar inteiro do prédio da Vale foi mandado para casa, porque apareceram casos da gripe. Todo cuidado é pouco, para não se virar estatística nem ficar negativamente famoso.

Paraty (RJ) : Praia de Trindade












A Vila de Trindade fica numa praia na divisa RJ/SP, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. É distrito de Paraty, distando uns 40 km de lá. Fica a umas 4h de viagem do Rio, vindo pela Dutra e descendo por Lidice e Angra dos Reis.

Conheci o lugar em 1979, quando a Rio-Santos era muito precária, e o acesso à praia era uma ladeira íngreme e enlameada, mas que não era problema para um Fuscão 72. Salvo se chovesse, o que era iminente. Deixei a barraca e os mantimentos na praia, e deixei o carro no alto da ladeira, pois sabia que não sairíamos de lá se a pista enlameasse, voltando a pé para a praia. Na descida, vimos que haviam pessoas nos acompanhando clandestinamente, pelo meio do mato. Num certo momento, vi sobre a mata o cano de uma espingarda. Continuamos andando, e chegamos à barraca sem abordagens.


O lugar era muito selvagem. Não tinha energia. E parecia fantasma, não se via quase ninguém, apesar de vermos casas dos nativos caiçaras. No único boteco do lugar, que era tipo quiosque rústico, de palha de coco, soubemos que havia uma multinacional reivindicando a posse do lugar, para construir um condomínio de luxo, e que os caiçaras se armaram e patrulhavam a estrada para combater eventuais pistoleiros enviados pelos grileiros. Era sinistro. Quase guerrilha. Considerando que era tempo de ditadura, os caiçaras tiveram muita coragem de encarar uma multinacional da especulação imobiliária.


Conseguimos sair de lá no dia seguinte numa caminhonete que foi comprar peixe, e tivemos que empurrá-la bastante nos atoleiros da ladeira, pois chovera muito à noite. Tirei poucas fotos e mal vi o lugar. Só pensava em sair de lá. Recentemente estive lá 3 vezes, e pude conferir que os caiçaras ganharam a disputa com os grileiros, o local virou uma Área de Preservação Ambiental e hoje tem um punhado de boas pousadas, algumas diretamente na frente do mar. De preferência fora de feriadões e de finais de semana. Come-se boa comida do mar.


Hoje o problema é a superlotação de turistas, que exaurem os recursos do lugar e deixam poluição, alojados em grandes acampamentos O ecossistema é frágil. Os nativos já pediram ao Ibama para tentar controlar a quantidade de pessoas que descem por lá, a exemplo de Fernando de Noronha. As belezas naturais não são narráveis por fotos. A estrada da ladeira está asfaltada, mas não é qualquer carrinho 1.0 que sobe se estiver cheio.



CARAS de pau: Agaciel e seus amigos senadores

Consultório de dentista não deixa muita opção: ou se fica tenso ouvindo o barulho agudo da broca torturando o paciente anterior, ou se lê revista Caras para não ter que ler alguma revista de produtos odontológicos. Hoje fui ao dentista e vi que, na Caras da semana passada, havia uma matéria sobre o casamento da filha do ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, que teve como padrinho o senador José Sarney e contou com a presença de vários senadores, como Renan Calheiros, Garibaldi Alves e Mão Santa.

Todo esse prestígio mostra que, apesar dos dissabores, Agaciel ainda tem sólidas amizades entre os senadores. Passado o casório, alguns daqueles a quem serviu pedem a sua prisão ou o acusam de chantagista. Vide a matéria em http://www.caras.com.br/edicoes/815/textos/filha-de-agaciel-maia-se-casa-na-capital-federal/

Fora Sarney III - funcionário da Fundação Sarney recebe do Senado

Sarney é a bola da vez mesmo. O escândalo do dia foi a descoberta de um funcionário da Fundação Sarney, que trabalha no Maranhão, recebendo do gabinete do senador maranhense Epitácio Cafeteira. Era a ponta do iceberg. Essa Fundação, que abriga o memorial do ex-presidente, foi instalada num prédio público reformado pelo governo estadual, e doado a Sarney por uma lei do então governador Cafeteira. É fácil o compadrio com dinheiro alheio, já que Cafeteira também aparece no rolo do neto de Sarney empregado pelo Senado em "atos secretos".

A maré não está mesmo boa para Sarney: a Justiça Federal, a pedido do Ministério Público, anulou a doação do prédio público à Fundação Sarney por ilegalidade. Hoje o senador Cristóvão Buarque pediu o afastamento de Sarney do cargo por 60 dias, alegando que as investigações estão muito lentas. Hoje diversos senadores cobraram de Sarney agilidade, e alguns se disseram chantageados por Agaciel, o ex-diretor geral. Chegaram a pedir prisão para Agaciel. Tem gente com muito medo, já que pode haver muito mais bandalheira "secreta" envolvendo gente que tenta mostrar seriedade, mas tem o rabo preso.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Brasília : o discurso sem prática da coleta seletiva de lixo

O prédio onde moro tem separação de lixo orgânico e outros materiais, oferecidos à coleta em dois contêineres na rua. Quando o caminhão passa, leva tudo junto. Antes disso, a miserável indústria da catação de lixo carrega o que pode nas suas carroças, muitas vezes com crianças misturadas aos restos do consumo da classe média. O material é levado para áreas públicas ao longo das vias, onde em acampamentos improvisados o lixo é separado para venda aos sucateiros, que pagam ninharias aos catadores.

Isso acontece em Brasília, no Plano Piloto. Lixo residencial. E na máquina pública, responsável por grande parte do PIB do DF? Hoje uma manchete do Correio Brasiliense mostrou mais um escândalo nosso de cada dia: nem o Ministério do Meio-Ambiente dá fim adequado aos seus rejeitos, apesar do discurso da sustentabilidade. Em toda a Esplanada dos Ministérios há o mesmo padrão. E o que dizer do prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, que nos últimos tempos serve de substituto ao Palácio do Planalto, que está em obras, onde até documentos institucionais se misturam a outros lixos sem serem fragmentados? Desse edifício saem as políticas de responsabilidade sócio-ambiental do BB, e também não fazem o dever de casa.

Falta a Brasília um programa de coleta seletivo que incentive as pessoas e empresas a disporem seus resíduos de forma que permita o máximo de reciclagem, com agregação de valor, criando emprego, renda e acabando com as condições indignas de trabalho dos catadores e com a sua exploração pelos atravessadores de sucatas. Sem que as pessoas e gestores vejam que o discurso se traduz numa prática "prá valer", vamos ver mais e mais discursos vazios e muito lixo jogado em aterros sanitários ou em lixões "in natura", contribuindo para vários tipos de poluição.

sábado, 20 de junho de 2009

Fora Sarney II : o mordomo de Roseane

Que tal ter um mordomo que ganha R$ 12 mil de dinheiro público para cuidar das suas coisas particulares? Os Sarney têm, na casa da atual governadora do Maranhão em Brasília. Além, claro, dos empregos para cunhados, sobrinhos, etc e tal, sem a obrigação de ir trabalhar.

Não adianta o governo defender Sarney, como nos processos anteriores onde se deixou a corda esticar até o fim, porque desta vez há um interesse maior: a defesa da instituição Senado, cidadela maior do legislativo conservador. É lá que se barram os projetos de interesse popular, e de lá que saem os privilégios da elite. Até a Globo já andou fritando o seu concessionário do Maranhão.

Para não entregarem os dedos, vinte senadores pediram uma comissão externa para apurar os casos que Sarney não queria, envolvendo Ministério Público e TCU. E alguns tentam salvar o barco com uma reforma administrativa que, no frigir dos ovos, trocará seis por meia dúzia. Falta pressão social, nas ruas, e isso é difícil, porque quem tem o controle do movimento social é o PT, e a direita só faz movimento em aeroporto, e todos são cúmplices dessa bandalheira, por ação ou omissão. Fora Sarney, punição para todos os envolvidos e fim do Senado, é o mínimo que se pode propor para botar um perfuminho nessa podridão.

Paraty (RJ) : A cidade histórica


A cidade foi fundada em 1667, e era o principal porto de escoamento das riquezas extraídas de Minas Gerais através da Rota do Ouro. Também tinha importantes engenhos de cana de açúcar e até hoje fabrica excelentes cachaças. Decaiu após a abertura de outra estrada de acesso a Minas a partir do Rio de Janeiro.



O seu centro histórico data do século XIX, com ruas em calçamento tipo "pé-de-moleque" fechadas ao tráfego para melhor preservação. Sucessivas intervenções eliminaram elementos urbanos que descaracterizavam a cidade, no esforço de candidatura ao reconhecimento como Patrimônio Mundial da UNESCO, o que pode acontecer no próximo dia 30 de junho, em Sevilha.






Paraty (RJ) : Feira Literária Internacional















Vai acontecer de 01 a 05 de julho, na cidade histórica de Paraty, litoral sul do Estado do Rio, a FLIP 2009, reunindo autores renomados da literatura brasileira e internacional. Estive lá na versão do ano passado, e considero que a beleza de Paraty junto com a movimentação dos eventos da Feira fica melhor ainda. A cada versão, a feira vem melhorando tanto em público como em debates e atividades culturais paralelas.


No ano passado, o homenageado foi Machado de Assis, mas também teve homenagem aos 50 anos de Bossa Nova. Recomendo reservar hotéis e comprar os ingressos com antecedência, para evitar sufoco na hora. A prefeitura disponibiliza rede de internet sem fio em todo o centro histórico, bastando acessar o site indicado acima e fazer o cadastro. Neste ano uma das atrações será Chico Buarque. No dia 3/7, haverá show com Francis e Olivia Hime. Vide fotos da decoração do centro histórico da cidade, no evento do ano passado.











sexta-feira, 19 de junho de 2009

Esporte: da paixão popular a negócio


Ganhei um ingresso para ver o jogo de vôlei Brasil 3 x 2 Finlândia que foi hoje em Brasília. Eu não ia a um jogo de vôlei desde antes do marketing descobri-lo como filão. Naquele tempo, a coisa era semi-profissional, com muita garra dos atletas, muito suor na camisa e pouca badalação. O jogador tinha uma profissão e tocava o esporte nas horas vagas. Com o vôlei dando ibope como esporte da juventude, tornando-se o segundo esporte nacional, a transmissão de jogos passou a fazer parte de um modelo de negócios milionário.








Hoje a TV marca o horário para o jogo, não importando se as pessoas poderão frequentá-lo. Os melhores jogos só passam nos canais por assinatura, ou seja, para ver se paga. Para um patrocinador a visualização da marca por mais de duas horas por jogo custa pouco, comparada à propaganda comercial em meio à programação das emissoras. E o retorno torna atrativos outros patrocinadores. E faz os jogadores virarem mercadorias, negociados para o exterior por altos valores.




A dificuldade para a torcida começa pela quantidade pequena de ingressos posta à venda. Metade do Ginásio Nilson Nelson foi reservada a convites distribuídos pelos patrocinadores, com direito a ganhar um kit de camisa e dois troços de plástico inflável que serviam para bater um contra o outro para fazer barulho. Uma ampla faixa da arquibancada foi dedicada a alunos da rede pública de ensino. Um setor para o SESI. Devem ter sobrado poucos ingressos para venda, de cadeiras, para deleite dos cambistas que os vendiam abertamente nas entradas do ginásio.

Como o importante era o espetáculo, e não o foco no jogo, não faltaram as brincadeiras de animadores, musiquinhas de academia de ginástica e muita coreografia. Se perguntassem às pessoas por que estavam ali, a grande maioria diria que veio porque ganhou o ingresso, ou porque a escola botou ônibus. Ali não estava jogando o Brasil. Quando terminou o segundo set, houve uma debandada dos alunos de escolas, porque os ônibus deviam ter horários de retorno. Como o jogo se arrastou para o "tie-break", ao meio-dia houve outra debandada das pessoas que tinham algum compromisso. No fim, creio que havia metade do público inicial.



Bastava o jogo parar por tempo pedido por algum técnico que entrava em campo o circo do merchandising, tipo Chacrinha, onde pessoas jogavam de tudo para a platéia, usando estilingues, bazucas de ar comprimido ou simplesmente arremessando com as mãos. Num momento entrou um jacaré, símbolo do time, voando amarrado a uma corda no teto. Um grupo de percussão da Universidade de Goiás teve que se submeter ao ridículo de entrar na quadra e tocar 30 segundos, porque o merchandising ocupou o resto do tempo. Depois entraram num intervalo e tocaram mais uns 2 minutos. Em poucas oportunidades de ouviu o côro "Brasil, Brasil". Era mais festa que jogo. O mais importante, para efeito da transmissão de TV, era mostrar uma platéia de figurantes muito energizada valorizando o espetáculo, e lançaram mão de várias técnicas para manter o povo gritando o tempo todo, por emoções do jogo ou não.

Por fim, o jogo teve poucas emoções e muitos erros do time brasileiro, que poderia ter fechado a partida por 3 x 0 se tivesse focado no objetivo. Foi cansativo. Rolou um pouco de sofrimento. Acho que todo esse circo acaba prejudicando a concentração até dos jogadores. Havia momentos de muita garra e disposição para ganhar um ponto, que no momento seguinte era desperdiçado com um saque na rede ou para fora. Novamente, em suma: vôlei só na televisão ou a gente jogando.








quinta-feira, 18 de junho de 2009

Lula na Playboy com Valesca Popozuda

Agora a oposição enlouquece: a revista Playboy fez um ensaio fotográfico com a cantora de funk Valesca Popozuda, que aparece numa posição sensual beijando uma foto de Lula num quadro. Já tem advogado dizendo que, se quiser, Lula pode até tirar a revista de circulação, por dano à imagem do presidente. Imaginem se "o cara" vai querer tirar de circulação uma das poucas publicações onde aparece sendo desejado por alguém? Já posso ver as vestais do Congresso dizendo que só compraram a revista para ver o Lula ... Para quem quiser conferir se a barba do presidente foi pelo menos retocada com "photoshop", aqui vai o link.

Carne desmata a Amazônia

Ninguém gasta dinheiro para desmatar a Amazônia apenas por vilania. Tudo é para abrir espaços para atividades de exploração econômica, a começar pela venda das madeiras extraídas. E o governo é ineficiente no combate ao desmatamento, pois sequer há um mapeamento de propriedades confiável, muita grilagem, pouca estrutura de fiscalização e muita corrupção.

Essa luta chegou ao Congresso, onde os ruralistas enxertaram numa Medida Provisória que tinha como objetivo regularizar o uso da terra alguns itens que facilitam a entrega de terras públicas à grilagem. Tentaram até derrubar o ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, porque ele também vem combatendo a proposta dos ruralistas de alterar o código florestal para reduzir as áreas de preservação em cada propriedade.

A ONG Green Peace tomou a iniciativa de estudar a cadeia produtiva da carne, gerou o documento "A farra do boi na Amazônia" e repassou ao Ministério Público um relatório que aponta a relação entre o desmatamento irregular e o fornecimento a frigoríficos e destes a supermercados como Wal Mart, Carrefour e Pão de Açúcar, que já se comprometeram a exigir dos fornecedores a certificação de origem dos produtos a partir de fazendas regulares. Simples e eficiente. Poderiam fazer o mesmo com as cadeias produtivas da soja e do etanol.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Chapa quente no Irã

Vi na TV ontem um programa da Fox americana onde o apresentador, um sujeito falador tipo Datena, questionava se os americanos iriam às ruas para lutar por um candidato derrotado numa eleição de vice-presidentes. Depois vi Obama falando que o resultado das eleições iranianas seria indiferente para o seu país, que não se envolveria em assuntos internos deles. Juntando o que disseram os dois e mais o que vi no documentário "Ligações Perigosas", que passou ontem na Discovery Civilizations, sobre a história recente do Irã e seu envolvimento como Hezbolah libanês, mais algumas análises, e tirei algumas conclusões.

Os iranianos têm razões de sobra para não gostarem dos americanos nem dos europeus. Em 1953, o governo do primeiro-ministro Mohammad Mosaddeq nacionalizou as companhias de petróleo estrangeiras, contrariando principalmente a Inglaterra. com quem cortaram relações. No ambiente de guerra fria e boicote ao petróleo iraniano pelo mundo ocidental, a União Soviética passou a comprar o seu petróleo. Mosaddeq acabou deposto por um golpe militar patrocinado pela Inglaterra e pelos Estados unidos, que colocararam o xá Reza Pahlevi no poder como ditador.

Até a queda diante da Revolução Islâmica em 1979, a corrupção se espalhou pelo regime do xá, trazendo grande insatisfação popular e às lideranças religiosas fundamentalistas. Verdadeiras farras feitas com dinheiro público, como a comemoração dos 2500 anos da Pérsia, chocaram o povo. O Xá trouxe "socialites" do mundo todo para uma rica festa, e era visitado frequentemente por líderes do ocidente. Praticamente todos os presidentes americanos do período andaram por lá.

Veio a revolução que libertou o país do xá e do mando do ocidente, mas implantou o estado teocrático de hoje. A embaixada americana foi ocupada pelos revolucionários, que tomaram 64 americanos como reféns, que foram libertados em 1980 numa negociação que envolveu o descongelamento dos bens iranianos pelos americanos.

Como a revolução islâmica poderia se alastrar para o Iraque, ameaçando estrangular boa parte do fornecimento de petróleo do mundo, o ocidente novamente atacou o Irã, desta vez terceirizando o trabalho sujo com outro títere, o ditador iraquiano Saddam Hussein, a quem armaram até com as armas de destruição em massa que depois serviriam de pretexto para invadir o Iraque depois que Saddam resolveu fazer "carreira solo", invadindo o Kwait. Morreram 400 mil iranianos na guerra, que não alterou fronteiras e terminou em 1988.

Dentro da revolução iraniana houve conflitos. O grupo de Khomeini liquidou a oposição de outros grupos, com a morte de 13.000 dissidentes. Fez o atual líder supremo, Ali Khamenei seu sucessor, mais moderado, que permitiu que governos eleitos rompessem o isolamento com o ocidente e abrandassem questões relativas a costumes. O atual presidente Ahmadinejad é tido como linha-dura , alinhado com as posições mais radicais do regime.

Os aiatolás são o poder de fato e de direito. Estão acima dos presidentes, assim como a Guarda Revolucionária está acima do exército. O aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo, fez uma triagem entre 700 propostos candidatos para escolher os quatro que disputaram a recente eleição. O opositor de Ahmadinejad, que agora lidera protestos nas ruas contra os resultados eleitorais, Mir Hossein Mousavi, tem o apoio da juventude e das mulheres que querem reformas, além de intelectuais e outros grupamentos liberais. As eleições aconteceram em meio a muita baixaria política e pessoal, e Ahmadinejad teve o apoio do Conselho Religioso.

A reeleição de Ahmadinejad já é um fato para a burocracia teocrática. O problema agora será calar as pessoas que estão nas ruas protestando. Não farão nenhuma concessão, e tenderão a esquentar a chapa para os manifestantes, com mais repressão. Os americanos declaram não estarem apoiando os opositores, porque esse apoio só fará as coisas piorarem, para quem quer conversar com o mundo islâmico sobre muitas outras questões. Obama lavará as mãos, o que não impede a CIA de fazer o servicinho de sabotagem de sempre.

A oposição iraniana, que não pode ser considerada manipulada pelo ocidente, já que Mousavi não questiona o regime teocrático, talvez não tenha a exata dimensão da onda de terror que pode vir se tentarem bater de frente achando que podem derrubar o regime dos aiatolás. Ahmadinejad pode ter uma dupla vitória: um novo mandato, e a mão-de-ferro sobre as liberdades conquistadas pela cidadania até aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

ONU : Lula critica a direita européia e defende direitos

No discurso ontem no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, Lula disse que a direita européia tem usado a perseguição a imigrantes pobres como argumento eleitoreiro. E isso dá voto, basta ver a recente votação para o Parlamento Europeu, onde a direita teve um expressivo crescimento. Disse que, enquanto na Europa há perseguições, no Brasil o Congresso está aprovando a legalização dos imigrantes ilegais Só em Portugal há 150 mil brasileiros em condições irregulares.

Na Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lula disse que não se deve aproveitar a crise para flexibilizar direitos dos trabalhadores, e desceu a ripa no Consenso de Washington e no neoliberalismo. Apesar de ter sido aplaudido de pé por várias vezes e de ter 4 matérias sobre ele na BBC, os jornalões brasileiros não estamparam absolutamente NADA nas edições de hoje. As mídias também esconderam o prêmio entregue a Lula pela ITU - International Telecommunication Union - pelo esforço brasileiro na inclusão digital para crianças e no combate à pedofilia.

Senado : nem tudo são más notícias...

A gente só ouve falar em bandalheiras no Senado, mas os senadores não se deixam abater, e aprovam matérias de imensa relevância, que fazem valer cada centavo dos seus salários, verbas indenizatórias, gabinetes, assessores, passagens aéreas e escritórios de representação nos estados. Dessas que a pessoa fica orgulhosa de ter uma classe política preparada, preocupada com os cidadãos. E a gente ainda fala mal deles.... Vejam como somos injustos.

Por iniciativa do tucano Artur Virgílio, e se a Câmara aprovar, o país terá um único fuso horário. Hoje são três. Isso será extremamente relevante para melhorar as condições de vida dos acreanos, por exemplo, que terão de madrugar para acompanhar os horários naturais do sudeste, e dormir quase com o dia claro, no verão. Seus ciclos biológicos se adaptarão perfeitamente, afinal, lei é lei. Do jeito que a coisa vai, em breve discutirão a revogação ou mesmo atenuação da Lei da Gravidade, para permitir que os rios corram do mar para as nascentes, ou se gaste menos energia com elevadores.

Fora Sarney!

O Senado é uma aberração: dá a cada ente federativo (estados e DF) a igualitária quantidade de 3 senadores, obrigatoriamente cidadãos brasileiros acima dos 35 anos, com mandatos de 8 anos reelegíveis indefinidamente. Por definição, uma instância conservadora, onde praticamente não há jovens, e o poder das unidades menos populosas e menos influentes economicamente se multiplica. Por fim, a aberração das aberrações: um dos estados mais miseráveis do país tem 4 senadores, sendo três pelo próprio território, e um pelo Estado do Amapá. Quem? José Sarney, atual presidente do congresso, e um dos maiores caudatários eleitorais do atraso político do Maranhão. Para não dizerem que nada faz pelo Amapá, seu site no Senado tem uma meia dúzia de artigos sobre o estado. O último é de 2004... Um escárnio com o Amapá.



Sarney chegou à Presidência da República por um golpe...de sorte. O presidente eleito indiretamente pelo colégio eleitoral, Tancredo Neves, do MDB, morreu de diverticulite em 21/04/85 sem tomar posse. Sarney era o vice. A chapa tinha sido um arranjo para fazerem uma transição civil palatável ao regime militar. Sarney pertencia às oligarquias da Arena, partido de apoio à ditadura, e tinha apoio dos militares. Tancredo era da tradicional política mineira, cobra criada que negociou o parlamentarismo em 1961 para tirar poderes de João Goulart e acabou primeiro-ministro. Era contra a ditadura. Foi um político tão eficiente que as duas pessoas que o velavam na hora da morte elegeram-se governadores: Antônio Brito, o porta-voz, pelo RS, e Aécio Neves, no neto, por MG.




Sarney fez um péssimo governo e praticou um golpe eleitoral com base econômica: o Plano Cruzado, de 1986. O Congresso que se elegeria naquele ano teria poderes constituintes. A inflação era galopante. De repente, num passe de mágica, o Plano Cruzado zerou a inflação, aumentando instantaneamente o poder de compra da população mais pobre. Toda uma jogada de marketing político montada sobre o Plano fez o MDB eleger 22 dos 23 governadores e uma enorme bancada no Congresso que, junto com outras forças conservadoras, esculpiu a Constituição de 1988. Passada a eleição, o controle da inflação acabou e ficou claro o estelionato eleitoral.




Sarney também decretou a moratória da dívida externa em 1987 e fez os Planos Bresser e Verão, que confiscaram salários e poupanças, gerando ações judiciais que correm até hoje. Em 1988, houve o movimento FORA SARNEY, puxado pelos partidos de esquerda. Foi o ano em que o salário mínimo chegou ao menor valor histórico, e eclodiram greves gerais contra o arrocho salarial e os planos de confisco. Em 1989 grandes greves foram feitas em resposta ao Plano Verão, também conhecido como Plano Ladrão, que mais uma vez roubou salários dos trabalhadores.

Sempre aliado a quem esteja no poder, hoje Sarney está na base aliada de Lula. E foi novamente eleito Presidente do Senado, e enfrenta uma forte crise de corrupção e desmandos começados exatamente na sua gestão anterior. Centenas de cargos em diretorias, apadrinhamentos, aparelhamento, verbas indenizatórias abusivas, nepotismo, tudo isso cerca Sarney, que a cada momento quer eleger um culpado para ver se atenua os escândalos. Agora surgem os "atos secretos", decisões administrativas não publicadas, até por serem impublicáveis, como a nomeação de parentes de Sarney para bons cargos do Senado.

Nosso povo passivo assiste a tudo esperando uma auto-regulamentação, que não virá porque o esquema de corporativismo político não deixa sequer que a Polícia Federal acesse as informações para investigação de malversação de dinheiro público. Depois da morte de Antônio Carlos Magalhães, Sarney é a personificação da política coronelista mais arcaica. Está há 50 anos em cargos eletivos. Sua filha ganhou agora de presente o governo do Maranhão, depois da cassação do governador eleito Jackson Lago. Mesmo que deixe a presidência pela pressão popular, continuará mandando muito.
Isso não é motivo para ficarmos olhando os fatos sem interferir. Uma campanha FORA SARNEY e a pressão para que o senador Cristóvão Buarque leve adiante sua idéia de consulta popular para colocar em discussão o destino do Senado são coisas que se pode fazer, com atos públicos no Congresso, campanhas com adesivos nos carros, divulgação pela Internet. O sistema é corrupto, mas deve temer a reação dos cidadãos. Não podemos ficar assistindo Sarney jogar toda a bandalheira para debaixo do tapete e perpetuar as práticas corruptas pagas com o nosso dinheiro.

UNB : pichação politicamente burra

Nos tempos da ditadura pichar um muro com uma mensagem política era uma atividade arriscada. Não havia como expressar qualquer mensagem, pois a imprensa era censurada e quem pensasse diferente ia em cana só por estar pensando. A mensagem tinha que ser curta e grossa, e de fácil entendimento. Normalmente os dizeres "Abaixo a ditadura" ou "Fora Fulano" diziam tudo.

Hoje qualquer imbecil compra um spray e bota seu jamegão numa parede, assim como um cachorro mija num poste ou num pneu para marcar seu território. Não há preocupação com mensagens, servindo apenas para mostrar aos seus pares que chegaram a um lugar mais difícil que os outros, e, portanto, tiveram mais ousadia ou coragem. De tão difundidas, as pichações de gangues ou anárquicas, diferentemente do grafitti, ganharam a repulsa das pessoas, por enfeiarem mais os seus cotidianos. Hoje existem faixas, bem baratinhas, que podem ser feitas em qualquer fundo de quintal, e, melhor, podem ser remanejadas para outros locais de concentração, onde se podem fazer mensagens até com revisão de texto. Ninguém mais é preso por dizer o que pensa, podendo até serem assumidas as autorias, pelo. Num ambiente de repressão e perseguição, o protesto com palavras de ordem não tem muita escolha de hora e local.

Fazer uma pichação política hoje envolve certos cuidados. A mensagem pode ter o efeito contrário, pela censura das pessoas ao ato de depredar um patrimônio público, como nessa da foto, feita numa parede de um belo prédio da UNB, o da Faculdade de Tecnologia. Pior: o autor mostrou desconhecer o que escrevia. Sua mensagem deveria ser "A UNB náo deve ser conivente com o GDF corrupto", ao invés de "conveniente". GDF, para quem não sabe, é a abreviação de Governo do Distrito Federal. Eu que vivo na cidade não sei do que se trata. Muitos podem concordar que o GDF seja corrupto, e que a UNB não deva ser conivente com qualquer tipo de corrupção, afinal, recentemente seus alunos derrubaram um reitor que morava numa cobertura de luxo bancada pela Universidade, que tinha até lixeiras eletrônicas de R$ 1000 a unidade. Mas a UNB ser "conveniente" com a corrupção não tem sentido, é pura burrice. Coisa de maluco avulso ou de corrente ultra-sectária do tipo "eu sozinho".

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Brasília : terminal de ônibus tosco na Asa Norte



Na falta de praia, o domingão de Brasília tem a pista do Eixão liberada para caminhadas, bicicletas, etc. E caminhar nesta cidade é muito bom, já que se pode andar por grandes espaços sem atravessar ruas. Neste domingo saímos da ponta da Asa Norte, e andamos pela via L4 norte, que costeia o Lago Paranoá, até a UNB, e voltamos pelas superquadras, num percurso de 12 km que não chegou a cansar. Pelo caminho vimos diversos restos de fogueiras e latas queimadas, inclusive em passagens suberrâneas, mostrando como o consumo de crack está avançando. Também passamos por embriões de favelas em áreas públicas. E também chegamos a uma "rodoviária" improvisada, onde param os ônibus de diversas linhas regulares, sem qualquer infra-estrutura, como mostram as fotos.
Pois é. Em algum momento um gestor parece ter mudado a destinação das áreas públicas destinadas ao terminal rodoviário da Asa Norte, e hoje não tem como resolver o problema sem desepropriações. Na Asa Sul tem um terminal integrado com o metrô, mas na Asa Norte há esse "terminal" e outro numa roça em frente ao futuro bairro rico do Noroeste, onde terrenos já são vendidos a R$ 5.000 por metro quadrado. Essas cenas não são nas cidades-satélites ou no faroeste caboclo do chamado "entorno de Brasília". São dentro do filé mignon. Quem mais sofre são os motoristas e cobradores, sujeitos a péssimas condições de repouso e à falta de segurança. A quase perfeita Brasília, tão planejada, também tem seu lado tosco.

Música : as 100 mais dos últimos 100 anos

Dica de site para os saudosistas relembrarem as músicas que tocavam nas diversas fases da vida: http://www.planetarei.com.br/100anos/index.htm . Uma boa parte tem links para páginas do Youtube com shows. Recomendo.

PAC : o apagão da Engenharia

Desde que Lula chegou ao governo, em meio à herança maldita de FHC já havia gente pensando em como seria um projeto de desenvolvimento que se traduziria no tão propalado "espetáculo do crescimento". O país estava sem investimentos, com a infra-estrutura sucateada, a área técnica da administração federal praticamente dizimada, sem capacidade de propor projetos, e o acervo técnico desenvolvido no período do "milagre", disperso.

Para completar o cenário, a Casa Civil, que deveria ser a coordenadora das estratégias para as diversas áreas de governo, estava mais preocupada com a construção da governabilidade nas mãos de José Dirceu que nos projetos de interesse nacional. Lula só começou a inaugurar obras depois que a ministra Dilma Roussef assumiu a Casa Civil, com a queda de Dirceu no escândalo do mensalão.

Apesar disso, em algumas áreas do governo, nas estatais e empresas de economia mista foram feitas iniciativas espontâneas preocupadas com a retomada do crescimento. Em 2004 o Banco do Brasil teve a iniciativa de tentar organizar os recursos da engenharia consultiva pública para oferecer ao governo condições ao deslanche de projetos de desenvolvimento. .

O Ministério das Cidades, a Caixa e outras áreas de governo pensavam num grande plano de construção popular onde a preocupação com a formação de mão-de-obra básica em meio a projetos de mutirão seria uma diretiva, pois os projetos de desenvolvimento careceriam até de operários, dada a estagnação da economia. No mundo acadêmico, o diagnóstico era que a formação de engenheiros e arquitetos estava cedendo espaços a outras, como as da área de informática, que tinham mais opções e pagavam melhor.

Em 2006 o CONFEA lançou o projeto Pensar o Brasil e Construir o Futuro da Nação, através do qual realizou diversos fóruns para diagnosticar os desafios do desenvolvimentos e a preparação dos recursos técnicos para isso, e começou um amplo trabalho de pressão sobre as esferas governamentais e de conscientização da necessidade de promover os profissionais.

Em dezembro de 2008 foi realizada no Brasil a 3a WEC - Congresso Mundial de Engenharia, onde na abertura Lula falou das iniciativas do governo para criar mais vagas em universidades e na expansão das escolas técnicas. Apesar da consciência governamental para o problema, tais profissionais chegarão ao mercado daqui a uns 4 anos, não servindo a resolver o atual gargalo.

Em 2007 ouvi de um executivo da área de desenvolvimento urbano da CEF, num evento da ANEAC - Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da CEF, que 85% dos municípios brasileiros não tinham sequer um engenheiro ou arquiteto, inviabilizando os estudos e projetos até para conseguir as verbas de programas de infra-estrutura governamentais. A Caixa já tinha ampliado seu quadro para cerca de 1300 profissionais, pensando em prestar consultorias aos municípios, já que quase toda a verba do Ministério das Cidades para habitação, saneamento e infra-estrutura é de sua administração, e nada sai se não houverem licitações baseadas em projetos.

Em 12/04/2007 a AEABB - Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Banco do Brasil - junto com o CONFEA, teve uma audiência com o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, onde foi levada a preocupação com a previsível falta de profissionais e o oferecimento de colaboração das entidades para encarar os desafios. Apesar da cordialidade e do cafezinho, ficou no ar a proposta. Dias depois cerca de 25% dos engenheiros e arquitetos mais experientes do BB aderiram a um plano de afastamento antecipado, pelo desestímulo dos baixos salários e falta de perspectivas de carreira, dispersando-se no mercado.

Em dezembro de 2008 a sanção da Lei 11.888 criou mais demanda técnica difícil de ser provida. A lei trata da assistência técnica pública e gratuita para projetos de habitação de interesse social, atendendo a famílias com renda de até 3 salários mínimos. É uma espécie de SUS da engenharia, para fazer cumprir o direito à moradia previsto no art. 6° da Constituição Federal. Só não criou problemas ainda porque foi muito mal divulgada essa conquista social.

Quando saiu o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, a economia como um todo já se levantava e, com ela, a demanda por técnicos, piorando a disponibilidade para os novos projetos, essenciais às licitações. Numa recente disputa política com base em números, a ministra Dilma Roussef disse que 14% do orçamento do PAC estariam executados, enquanto a oposição do DEMO fala em 3% do total de obras concluídos. Eles fazem uma campanha de combate ao governo e à candidatura Dilma através da Caravana da Transparência, que corre o país destilando ódio. Quem diria que viveria para ver esse povo falando em transparência...

Anteontem, li num jornal que o presidente da Funasa estaria sendo pressionado para soltar um grande número de obras do PAC. Além disso, o programa "MINHA CASA, MINHA VIDA" também caiu na responsabilidade da CEF, com mais de R$ 30 bi para empréstimos, piorando a situação que já era crítica. Por fim, os engenheiros e arquitetos da CAIXA entraram em greve há mais de um mês por salários compatíveis com o mercado, por mais profissionais e melhores condições de trabalho. Eles são os principais braços e olhos do governo na execução de milhares de obras de interesse social, e estão sobrecarregados. E o governo não resolve o problema de forma satisfatória, atrasando mais ainda os programas sociais.

Chegaremos ao absurdo de ter orçamento para investimentos e as verbas serem devolvidas por causa do apagão da engenharia. Ou de ver projetos de investimentos privados executados por técnicos estrangeiros. Essa é a triste consequência de várias décadas perdidas no desenvolvimento nacional. Um ufanista diria que, nunca na história deste país, tivemos um "bom problema" como este.

domingo, 14 de junho de 2009

Flamengo : adeus, Cuca!

Agora o jogo Curitiba 4 x 0 Flamengo está nos 35 min do segundo tempo e não sei mais quantos gols o meu time vai levar ainda, mas uma certeza se cristaliza: Cuca está nos seus últimos momentos no clube. Depois do time fazer 2 x 0 no Sport, no domingo passado, os rubronegros que estavam próximos diziam que iria ser goleada. Eu tive que sair para o aeroporto, mas deixei a previsão sinistra: Cuca, o retranqueiro, vai recuar o time e vamos levar muitos gols. Nos 30 min entre o Grajaú e o Galeão o Sport já metia 4 x 2. No primeiro tempo. E, não fosse Sâo Bruno, faria bem mais.

A torcida não merece um técnico sem perspectiva de vitória. Cuca tem o histórico de ter sido tantas vezes vice em times de sofredores, e só viu um campeonato agora, já no Flamengo, e, mesmo assim, com muito sofrimento para a nação rubronegra. A hora de tirá-lo é agora. O time precisa de bons resultados para conseguir um bom patrocinador, e para fazer valer o investimento em Adriano. Um bom técnico que está quase disponível na praça é o Luxemburgo, apesar de ser uma pessoa de difícil trato e de usar um salto muito alto, mas é um excelente profissional capaz de fazer do time razoável do Flamengo um grande vencedor. Ele já está pela bola sete no Palmeiras mesmo...

Recordar é viver : o movimento "Cansei" de 2007

De tanto meus amigos entulharem minha caixa postal com e-mails e anexos de muitos megabytes, lotaram o Gmail, que tenho desde 2004. Tive que fazer uma triagem, e encontrei algumas preciosidades, como o link de um site de sátira aos riquinhos e patricinhas que tentaram derrubar Lula em 2007 a partir de uma rebelião nos aeroportos, faturando em cima das vítimas do vôo da TAM que caiu em Congonhas.

Os "companheiros" do Cansei estavam cansados de tanta corrupção, de tanta irresponsabilidade, de tanta impunidade, que queriam fazer algo para mudar. Mudar de país, é claro. Sua principal bandeira parecia ser : "O Brasil precisa de uma saída! Aeroportos Já!" Afinal, ficava ruim para um cucaracha de nariz empinado chegar a Miami ou aos paraísos fiscais de ônibus ou a pé.
Divirtam-se com essa palhaçada em www.tocansadinho.blogspot.com/

Mídia : Petrobrás contra-ataca com blog

Enfim parece que o governo começou a colocar as pessoas pensantes nos lugares certos. Um deles certamente foi responsável pela criação do Blog da Petrobrás, o Petrobrás Fatos e Dados, onde a empresa publica suas versões sobre os questionamentos das mídias, sem dar espaço à manipulação tão nossa conhecida pela grande imprensa da direita.

Normalmente, as empresas de notícias mandam questionamentos às empresas e pessoas, que são respondidos mas, via-de-regra, distorcidos para atender aos interesses políticos dos donos dos meios de comunicação. Quando a pergunta é respondida diretamente, sem a filtragem manipulatória, aborta a tentativa política de malversação.

Falta alguém acompanhar Lula de perto, que até agora não aprendeu que tudo o que disser será usado contra ele pelos meios de comunicação de uma oposição desesperada, que faz de tudo para derrubá-lo mas se depara com índices crescentes de aprovação, apesar das bobagens qoe "O Cara" fala por aí. Ele até hoje não aprendeu que temos uma elite que não aceita nordestino, pobre e de baixa escolaridade bem sucedido. Por mais que tente ser palatável aos donos da mídia, não será, pois trata-se de um príncípio de classe.

sábado, 13 de junho de 2009

Irã : ocidente vai ter que engolir Ahmadinejad

O atual presidente do Irã foi reeleito com 62% dos votos contra 34% de um dos candidatos da oposição, que agora diz que houve fraude e bota seus simpatizantes nas ruas para exigir um novo pleito. A oposição fez sua campanha acusando o Ahmadinejad de fragilizar a economia e de isolar o Irã em relação ao ocidente com sua postura radical na defesa do programa nuclear.

Fazem côro com o derrotado candidato Moussad a secretária de relações exteriores americana Hillary Clinton e outros porta-vozes de governos das grandes potências. Agora terão que engolir essa manifestação de apoio popular eleitoral, e também o apoio do líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, que é, no sistema iraniano, a maior autoridade do país, ao candidato reeleito.

O atual governo iraniano apóia o Hezbolah no Líbano e o Hamas na Palestina. Obama declarou no Egito que quer uma solução rápida para o conflito entre israelenses e palestinos, e esperava ter no Irã uma liderança mais aliável, como Moussad, para neutralizar os problemas no campo árabe. Com o resultado, a política americana vai ter que conversar com Ahmadinejad, com a Síria e demais partes interessadas na destruição do estado de Israel, e botar na mesa soluções para a estabilização do Iraque e até do Paquistão. Hillary vai ter muito trabalho...

Nem tudo está perdido. O governo brasileiro vai promover, na Palestina, um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians, em nome da paz. Já fez isso uma vez com a Seleção no Haiti, e os nossos atletas saíram vivos e o povão gostou do circo. Fazer um jogo desses com Ronaldo, Adriano e outros craques é tranquilo, pode não acrescentar em nada ao processo de paz, mas dá Ibope ao Brasil na campanha por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.

Caruaru (PE) - Feira de Artesanato

A região do Agreste próxima a Caruaru tem fábricas que vão dos jeans de Toritama às confecções de Santa Cruz do Capibaribe, também conhecidas como "sulancas", que originalmente eram roupas de baixa qualidade feitas com retalhos de helanca, trazidos de São Paulo. Agora o termo se aplica de forma genérica a confecções baratas, que atraem milhares de compradores à Feira da Sulanca de Caruaru, que acontece às terças-feiras, contando com mais de 10 mil pontos de venda.


Nos demais dias, os quiosques dessa feira ficam vazios, mas na vizinha Feira do Artesanato o movimento é intenso, com turistas de todo o Brasil e do exterior buscando principalmente as estatuetas de barro que fizeram a fama da cidade a partir de Mestre Vitalino. Há também criações em palha, couro, vime, madeira, vidro e metal, numa grande variedade.
Vale a pena visitar, e comprar umas lembrancinhas para aqueles amigos que você vier a se lembrar.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Caruaru (PE) : a arte figurativa do Alto do Moura







Alto do Moura é um bairro que fica a 7 km do centro de Caruarú, no maciço da Borborema, em Pernambuco. Logo na entrada um portal diz que se trata do "maior centro de arte figurativa do mundo". Não se trata de grandiloquência de Caruaru, que diz fazer as maiores comidas do mundo, por exemplo. Lá estão mais de 1.000 artesãos distribuídos em dezenas de casas com ateliês, representando de tudo. A principal atração é a casa-museu de Mestre Vitalino, mas há muito mais. Uma das fotos mostra os instrumentos simples usados para o artesanato.


Diferentes estilos estão presentes nos trabalhos, como os de Mestre Galdino, que são exibidos numa Casa de Cultura específica, situada no outro extremo do povoado. Esculpiu em barro diversos seres que poderiam servir de inspiração a seres extraterrestres em filmes de ficção. Ele era pedreiro de obras quando viu os artistas de Caruaru vendendo suas peças na feira, e resolveu fazer esculturas como forma de complementar sua renda. Criou um estilo próprio, estranho, que ele mesmo chamava de "catrevage", palavra que no nordeste quer dizer algo como entulho, restos, uma coisa mais estranha que feia.
Em frente ao Museu de Mestre Vitalino fica o ateliê do ceramista Luiz Galdino, que tem na representação de mulheres (namoradeiras, estátuas) a tônica mais comercial da sua obra. Foge aos padrões rústicos dos demais artistas, que fazem peças normalmente pequenas, com pouco acabamento. Suas criações recebem pinturas de outros artistas, e atingem valores mais elevados.







Caruaru (PE) : festas vão até julho






Caruaru disputa com Campina Grande (PB) a realização da maior festa de São João do mundo. Começou no dia 31 de maio a temporada de festas, que terminará em 10 de julho, data do centenário de Mestre Vitalino, pioneiro em esculturas de barro que fez do bairro do Alto do Moura uma referência nessa arte, onde se encontram ateliês de diversos artesãos que foram seus discípulos ou o imitam.


No início da temporada, cada bairro faz alguma comida "maior do mundo", como os maiores cuscus, pamonha, bolo de milho e outras iguarias regionais nordestinas. A cidade recebe milhares de turistas que se concentram no Pátio do Forró, uma grande área aberta que fica entre o Museu Luiz Gonzaga e o prédio da Fundação Cultura (onde são feitos os enfeites para as festas), para dançar forró toda noite. Praticamente não há rede hoteleira com capacidade para absorver o turismo, daí ser um mercado forte a locação de casas por temporada para os forasteiros.

No Museu do Forró Luiz Gonzaga estão peças que pertenceram ao Rei do Baião e contam a sua trajetória como um dos maiores compositores e músicos brasileiros. No mesmo prédio, há uma pequena ala com peças da cantora Elba Ramalho. Noutra seção está o Museu do Barro, com as peças que consagraram Mestre Vitalino ao esculpir na argila muitos personagens e situações do cotidiano nordestino. Vale a pena conhecer tudo.

ONU x Coreia do Norte : jogo perigoso

Resolução unânime do Conselho de Segurança da ONU valida a iniciativa da Coreia do Sul no sentido de inspecionar os navios da Coreia do Norte, em busca de armas, que foi o estopim para a recente onda de demonstrações de força e ameaças de Kim Jong Il (mísseis, teste nuclear). Também restringiram mais a venda de armas ao regime norte-coreano.

Desta vez, China e Rússia não se opuseram às sanções da ONU, deixando muito claro para o ditador da Coreia do Norte que ninguém quer chantagens envolvendo armas nucleares, em especial sendo vizinhos. Uma experiência atômica mal-sucedida ou um ataque nuclear à Coreia do Sul ou ao Japão liberará nuvens de material radioativo que poderão comprometer os territórios dos demais vizinhos, com reflexos incalculáveis para a saúde da densa população e até para a economia global, já que nessa região concentra-se boa parte da produção mundial de bens.

Ficam para os próximos dias os desdobramentos da chantagem com as duas jornalistas americanas (jornalistas mesmo?) que foram presas e condenadas pela Coreia do Norte a 12 anos de trabalhos forçados por invadirem o seu território, e se a ditadura nada comunista de Kim Jong Il continuará a jogar perigosamente mais lenha nessa fogueira.

Vôo 447 : Coitado do Pitot

O Engenheiro Henri Pitot, que foi membro da Academia de Ciências da França, deve estar se revirando na cova de tanto falarem no seu invento, o Tubo de Pitot, que veio à baila acusado de causar o acidente com o Airbus do vôo 447 da Air France. Falecido em 1771, Pitot é um dos pais da Mecânica dos Fluidos, ciência que estuda o comportamento dinâmico de gases, líquidos, etc. Pitot inventou esse dispositivo para medir a velocidade da água em rios, e a partir daí calcular sua vazão e outros dados necessários a obras de engenharia. O dispositivo também foi usado para medir a velocidade de gases.

Pitot morreu muito antes de ser construído o primeiro avião. Talvez tenha visto balões, mas a velocidade destes talvez não gerasse a diferença de pressões necessária à medição com o seu tubo. A engenharia aeronáutica moderna tornou corriqueiro o uso do Tubo de Pitot pela falta de outra técnica para medir a velocidade do aparelho, que é importante para as decisões do piloto, mas não é tudo. Hoje já existe o GPS - Global Positioning System (Sistema de Posicionamento Global), que afere com boa precisão a localização de pontos na superfície e atmosfera da terra, presente até em celulares e acessível remotamente para localizar seus usuários(Google Latitude). O Airbus acidentado foi feito em 2005, quando esse sistema já era largamente difundido, e acho estranho que uma máquina com tanta tecnologia embarcada não tenha um sistema auxiliar de navegação com base em referenciamento por satélites, tipo GPS. Além disso, encontramos na literatura que os tubos de Pitot normalmente têm sistema de aquecimento para evitar congelamento.

A variação de velocidade num avião é sentida pelo piloto, tanto pela aceleração (positiva ou negativa) como pelo ruído dos motores. O fato de ter-se congelado um ou todos os Tubos de Pitot e, acredito, ter gerado uma mensagem de erro por falha, deveria ter despertado o piloto para usar seus conhecimentos de vôo "às antigas", quando não havia toda essa parafernália eletrônica, a não ser que algum erro construtivo do aparelho bloqueasse seus sistemas hidráulicos de comando. Ao sentir a freiada, o piloto poderia baixar o manche e aumentá-la manualmente, creio, se isso fosse possível. Seja o que for, aconteceu tão rápido que não deu chance ao piloto. O invento de Pitot está levando a culpa, mas deve haver algo mais importante que tenha causado o desastre, inclusive suas mensagens de erro enviadas ao fabricante pouco antes da queda.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

COPOM corta juros, mas...

Com a redução de 1% hoje, a taxa SELIC baixou para 9,25% ao ano. Descontada a inflação prevista, continuamos com a taxa real de 4,9% a.a., a terceira maior do mundo. Considerando que as agências de classificação de risco perderam a moral com a quebra de grandes bancos americanos, a quem davam "rating" AAA, o melhor de todos, ninguém mais fala no Risco Brasil, que anda aí pela casa dos 300 pontos e serve para o capitalista estrangeiro se orientar na hora de aplicar. Com Lula vendendo até petróleo para árabes, muita gente está acreditando na recuperação brasileira mais rápida que das economias centrais, e arriscando uns trocados por aqui, nessas taxas excepcionais.

Quando vem essa avalanche de dinheiro, o dólar cai, e prejudica as exportações. Houve uma queda de 16% no valor das vendas ao exterior, e, o que é pior, o que se vende é basicamente mercadoria sem valor agregado, como minérios, grãos, etc. Vai prejudicando a indústria brasileira, levando-a a forte ociosidade. Isso, por sua vez, deveria fazer o COPOM baixar mais rapidamente os juros, já que a possibilidade de uma retomada da inflação no curto prazo é remota. Não o faz, porque há os interesses dos que se viciaram ao capitalismo sem risco do Brasil, lastreado no financiamento da dívida pública, que cresce porque o governo tem que cada vez emitir mais para pagar mais.

Com a queda nos juros, o montante da dívida cai, e a quantidade de juros pagos idem. É por isso que boa parte dos investimentos especulativos está para perder muita rentabilidade, até para a poupança. E também é isso que dá margem ao discurso dos detentores das boquinhas que acusa o governo de querer meter a mão na poupança, como fez Collor, para mascarar que desejam ganhar sem produzir, e apostam na redução de impostos sobre ganhos especulativos. Mais uma vez o COPOM foi bondoso com os come-dormes da especulação. E mantém a atratividade dos juros altos, prejudicando o câmbio, a exportação e a indústria nacionais. De quebra, ajuda a manter as extorsivas taxas praticadas pelo cartel dos bancos.

Gerald Thomas quer privatização da Petrobrás

Há algum tempo, queria que o governo botasse dinheiro público na Varig para salvá-la e à polpuda verba de patrocínios culturais. Depois, mostrou a bunda ao público que vaiou uma de suas peças teatrais, levando um processo que chegou ao STF (que coisa, julgar um bundão!), sendo absolvido em situação de empate. Agora quer a privatização da Petrobrás, porque diz estar cheia de petistas. E cheia de dinheiro para patrocínios culturais também que, criteriosamente, que esperamos estarem sendo destinados a produções artísticas de qualidade. Gerald Thomas, para a imensa maioria que não o conhece, é produtor teatral. Produz para poucos, mas faz estardalhaço para muitos, o que o torna ao mesmo tempo desconhecido no que faz e popular pelo que diz.

Infelizmente, a produção cultural depende muito do patrocínio oficial e do mecenato, ou seja, de pessoas ricas bancarem os projetos, ou o próprio governo. A Lei Federal 8313, de Incentivo à Cultura, conhecida também por Lei Rouanet, prevê incentivos a quem queira financiar projetos culturais, com deduções de até 100% do valor do investimento no imposto de renda. Como o financiamento das empresas usa o benefício da lei, e ainda rende dividendos de marketing societal pela "promoção à arte e cultura" nos balanços e propagandas, quem banca mesmo tudo isso é o dinheiro do contribuinte, via abatimentos do imposto de renda. A gente é mecenas e nem sabe disso...

Isso leva uma parte dos produtores culturais a andar de pires na mão atrás desses recursos, e, nesse processo, acabam adaptando suas criações aos ditames dos patrocinadores e à ideologia dominante do Estado ou de governos. E também cria vícios, quando alguns figurões do "métier" cultural julgam que estão sendo discriminados, porque não conseguem acessar às fontes. E, claro, também cria muitos rancores. Tem um ex-cineasta muito conhecido que só conseguiu rodar filmes no tempo da ditadura com as verbas da Embrafilme. Hoje destila seu ódio ao governo como comentarista num programa de TV. Não sei se é o caso do Gerald Thomas, mas é estranho querer acabar com o que chama de "petismo" na Petrobrás entregando-a aos tubarões. Ainda bem que ele não é médico, porque seu método o levaria a matar os pacientes para curar as gripes. É um bom nome para ministro da Cultura tucano ou do DEMo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

PIB cai no 1° trimestre de 2009

Ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não arriscaria palpite sobre a variação do PIB no 1° trimestre de 2009. Só podia afirmar que seria negativo, e que não daria palpite, como economista, porque certamente iria errar como todos os demais. Nisso ele acertou. O mercado esperava uma queda entre 1% e 2,5% na comparação com o último trimestre de 2008, e deu -0,8%. Como há números e números e maneiras políticas de explorá-los, a mídia tratou de informar que "o Brasil entrou em recessão técnica", negada pelo IBGE, por estar há dois trimestres com o PIB em queda, como se estivesse nivelado com os desabamentos das economias centrais, que já afundam há mais de 3 trimestres como os EUA, que tiveram variação de -5,7% no primeiro trimestre de 2009. Não importa o que venha a ser "recessão técnica": o importante é a mídia dar combustível para a direita bater no governo.

O mercado reagiu diferente. O indicador foi muito melhor que os mais otimistas pensaram, e isso vai significar mais entrada de capital estrangeiro que está rodando o mundo em busca de oportunidades. Isso vai criar mais problemas cambiais, a não ser que a reunião do COPOM, que começa hoje, faça cortes mais corajosos na taxa de juros para adequar a demanda por títulos públicos às necessidades de financiamento das dívidas governamentais, evitando a entrada maciça de capitais especulativos.

Amanhã será dia de mais um "nunca na história deste país": os juros básicos devem cair para a casa de um dígito. Isso é bom, pois reduz o montante da dívida que compromete o orçamento público ao tirar dinheiro de investimentos e programas sociais para dar aos rentistas. É insuficiente, porque o crédito ao consumidor e aos pequenos produtores continua escasso e caro por causa do cartel dos bancos, que ainda mantém elevados "spreads", a despeito da tentativa do governo botar os bancos públicos para forçar a concorrência oferecendo crédito a juros menos extorsivos.

Os dados do IBGE mostram que, comparados os PIBs dos últimos quatro trimestres com os dos quatro trimestres imediatamente anteriores, o crescimento foi de 3,1%. Isso quer dizer que, com toda a crise, o crescimento anualizado conseguiu ficar no azul. Outro dado interessante é ver que houve forte queima de estoques (tabela II.1) nos dois piores trimestres da crise, o que tem forte correlação com a queda de 9,3% na produção industrial e no investimento. A crise fez a indústria parar de produzir e de investir, na expectativa de melhor visualização do cenário, e queimar os estoques, que agora terão que ser repostos com investimentos e produção. Como disse Mantega, os números apresentados são agora vistos "pelo retrovisor", ou seja, representam uma história já passada, e a tendência agora é de melhoria de indicadores. Tomara que, mesmo sendo economista, esteja certo.

Demorou, mas a Globo conseguiu...

Passada uma semana do acidente do vôo 447 da Air France, o trabalho de assistência aos familiares das vítimas, blindando-as do assédio da mídia sensacionalista para preservar a privacidade no momento de dor não resistiu mais à realidade dos corpos resgatados, e da certeza do pior para todos. As pessoas começaram a vir a público apontar culpados para a sua perda, e se tornam vítimas da vigarice midiática.

Ontem no portal G1, da Globo, finalmente os abutres conseguiram fisgar duas pessoas para esculachar Lula, colocando-se como povo desassistido, já que o rei da Espanha e o presidente francês foram falar com os familiares. No Brasil, a visita de vice-presidente não valeu, teria que ser do titular. Se Lula largar as tarefas institucionais para ir a todo velório de destaque na mídia, não fará mais nada. Mais virá por aí, mas, por ora, a amostra está em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1187487-5602,00.html

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vôo 447 : buscas mostram defesa frágil

Na entrevista coletiva do Ministro da Defesa Nelson Jobim na última quinta-feira, quando ainda não havia qualquer pista do paradeiro do avião e poucos destroços tinham aparecido, algum repórter perguntou se os eventuais destroços estariam em águas territoriais brasileiras. Jobim respondeu que sim, e disse que hoje o Brasil tem soberania sobre 200 milhas do oceano para efeitos de subsolo e de coluna d'água, ou seja, pesca e riquezas sob o fundo do mar são exclusivamente nossas. E disse que logo teremos uma extensão de soberania por mais 150 milhas de subsolo, e, nesse caso, as águas dentro dessa área não serão de nossa exclusiva soberania.

Com a nossa soberania sobre tamanha área oceânica, que precisa ser guardada pelo poder militar, em especial pela Marinha e Aeronáutica, o que vemos nas buscas ao AF 447 é o baixo poder de resposta das forças armadas. Navios militares levando 3 dias para chegar a um local dentro do nosso território, e poucos aviões com autonomia para buscas nessa área mostram que, se estivéssemos sendo invadidos por forças estrangeiras, praticamente chegariam ao nosso litoral sem nenhum obstáculo. Apesar do grande esforço da FAB e da Marinha, que têm mostrado capacidade técnica humana e profissionalismo no trabalho de resgate, faltam equipamentos e efetivos à altura do desafio de guardar as águas territoriais. O detalhe é que qualquer potência que nos queira ameaçar por mar virá pelo Atlântico norte, tendo como porta de entrada exatamente a região onde hoje temos dificuldades até de autonomia de aviões para chegar lá. Nossos ""amigos" americanos reativaram a Quarta Frota para patrulhar o Atlântico Sul e o Caribe, a pretexto de combater o tráfico de drogas e fazer missões de ajuda humanitária...

Quando militares vêm a público denunciar problemas para a segurança territorial, geralmente referem-se à Amazônia e, via-de-regra, são do Exército. Assim foi no recente episódio da reserva indígena Raposa Serra do Sol. A probabilidade de uma ação hostil de país vizinho com efetivo atingimento de alvos estratégicos, via Amazônia, é praticamente zero, dada a distância a percorrer em território brasileiro para atingir a primeira grande cidade, que é Manaus. Além disso, o SIVAM, Sistema de Vigilância da Amazônia, informaria sobre a invasão bem antes de qualquer ataque importante, que poderia ser dissuadido se tivéssemos bons aviões de combate.
Um ataque vindo da Argentina ou da Bolívia também seria detetado e poderia ser interceptado antes de atingir alvos estratégicos como refinarias, oleodutos, centrais nucleares, indústrias de base, etc.

Vindo pelo Oceano Atlântico, um ataque seria devastador, com potencial de atingir todos os grandes portos, estaleiros, plataformas de petróleo e gás, usinas de Angra, as capitais litorâneas e até capitais mais ao interior, como São Paulo e Porto Alegre, através de mísseis lançados por navios e bombardeios por aeronaves baseadas em porta-aviões. Em poucos dias o Brasil seria dominado pelo agressor, que, considerada a perspectiva de ataque em busca de recursos como o petróleo, certamente não seria um dos nosso vizinhos pobres, mas uma superpotência. Perto da importância estratégica do petróleo, as ameaças sobre a Amazônia são fichinha. Além do mais, se continuar a ganância dos ruralistas sobre as terras amazônicas, logo não haverá Amazônia para mais ninguém, pelo menos do ponto de vista da sustentabilidade ecológica.

Quando da descoberta de petróleo na camada pré-sal, Lula disse que os recursos dessa riqueza deveriam servir para a erradicação da miséria e para o reequipamento militar de defesa das águas territoriais. A oposição vem bloqueando a criação do marco regulatório para o pré-sal como forma de atrasar a sua exploração e, talvez, aguardar que um governo do estilo FHC ganhe em 2010 para entregarem tudo sem ninguém precisar vir aqui ameaçar. É o neocolonialismo travestido de neoliberalismo do DEMo e dos tucanos. A CPI da Petrobrás também tem o mesmo sentido de travar a exploração soberana e a criação, ainda neste governo, das bases para ambos os programas propostos por Lula.

O Brasil precisa continuar um país pacífico, mas isso não quer dizer indefeso. Os recursos do pré-sal devem financiar projetos sociais de combate à miséria com ênfase para a educação, e o reequipamento e a adequação de contingentes para termos uma força de dissuasão rápída, eficaz, que iniba qualquer plano de potências entrangeiras se apossarem das nossas riquezas, com ênfase para o pré-sal e a Amazônia, como previsto na Estratégia Nacional de Defesa, recém-lançado pelo governo federal.