domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rio : Mengão campeão, de novo...


Deve ser muito chato fazer parte da 2a maior torcida do Brasil, a anti-Flamengo, que hoje teve que torcer pelo segundo melhor time do Rio de Janeiro e ver, mais uma vez, o Mengão recebendo uma taça. Parabéns ao Boavista, segundo melhor time do Rio, que roubou o lugar de vice dos habituais Vasco e Botafogo.


São agora 19 Taças Guanabara do Mengão, contra 11 do... como é mesmo o nome daquele clube que há 11 anos não ganha nenhum título carioca? Virou rotina. Mais uma vez invicto. O Mengão devia jogar na Europa, porque desperdiça talento no Brasil. Podia ir para a Bélgica, afinal, lá a maioria da população é de Flamengos.

Tunísia : povo derruba agora o primeiro-ministro

O processo de derrubada de regimes ditatoriais sustentados pelos Estados Unidos começa a entrar na segunda fase: a do enfrentamento com os governos de transição, como o da Tunísia, onde caiu o ditador-presidente mas ficou o primeiro-ministro Mohammed Gannouchi, que pela pressão popular hoje se demitiu.


Essa segunda onda de revolta possivelmente acontecerá nos outros países onde as populações têm o mesmo propósito de acabar com as imensas injustiças sociais que permitem a existência de um pequeno grupo de ricos e uma imensa massa de pobres sem perspectiva de futuro. O povo não é bobo, e logo percebe que se trocou seis por meia-dúzia. Se o novo governo não se mostrar sintonizado com os anseios populares, uma terceira onda virá, e assim por diante.

Empresas americanas sustentam Kadafi

Líderes da oposição líbia e documentos do Wikileaks afirmam que grandes empresas americanas das áreas de petróleo e armamentos que ganharam muito dinheiro com Kadafi no poder são um dificultador para a sua saída, pois o lobby pró-ditador é poderoso. A denúncia está no site Huffington Post em uma longa matéria.

Esses grupos do grande capital criaram a USLBA - US-Lybia Business Association, que é administrada pelo Conselho Nacional de Comércio Exterior americano, instituição que facilita oportunidades internacionais para companhias dos EUA no mundo.

O time é pesado: BP, ExxonMobil, Halliburton, Chevron, Conoco, Marathon Oil (petróleo); Raytheon and Northrop Gruman (defesa); Dow Chemical and Fluor (química), entre outros, são parceiros de negócios com o regime de Kadafi. O comércio bilateral EUA / Líbia totalizou US$ 2,7 bi em 2010, enquanto em 2003 não havia nada.

A queda de Kadafi sem um acordo prévio de transição com a frente oposicionista é o objetivo desses grupos, daí a razoável tolerância do governo americano no prolongamento da crise, sem tomar medidas militares, apenas boicotes e ameaças. Obama ontem pediu para Kadafi sair já, como quem fala com um empregado que, por sinal, não obedeceu. Congelaram as fortunas do ditador nos EUA, Inglaterra e Suíça, e isso dificulta a solução.

Matar Kadafi é possível, dado o potencial de assassinos dos serviços secretos do ocidente, mas não resolve a crise com as oposições, que não se colocam como anti-ocidentais nem fundamentalistas religiosos, mas têm um viés nacionalista que não interessa aos grupos de investidores. Em algum momento as oposições vão dar alguma garantia a esses grupos, e Kadafi será descartado, seja para uma cova na areia do Saara, ou para um exílio dourado.




A trégua petista a Dilma nos cortes orçamentários

Quando começou o governo Lula, correu nos movimentos sindical e social a idéia da "trégua tática", ou seja, de dar ao novo governo um tempo para se estabelecer, e para não alimentar, com a confrontação, o discurso das forças derrotadas, que falavam na anarquia que viria com greves, já que o PT, no entendimento deles, só fazia isso. E o dólar estava a R$ 4, com ameaça de fuga de capitais, etc. Na militância havia a paranóia com o golpismo da direita que alimentou a tese de "deixar o homem trabalhar".

Na campanha salarial dos bancários de 2003, a primeira pós-Lula, os sindicatos ligados à CUT arrefeceram a luta pelas perdas salariais do período FHC, evitando greves, e aceitando reajuste inferior à inflação do ano anterior. Na campanha de 2004, o Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil realizado em São Paulo, por orientação dos grupos ligados ao Planalto, enterrou-se, no voto, a reivindicação por perdas salariais anteriores, também no sentido da trégua, e a greve de 30 dias teve primores de traição com nítido acerto entre dirigentes sindicais e as direções dos bancos públicos, ocupadas por alguns petistas. Já não era mais trégua: era pacto social comprado com concessões fisiológicas.

Nos anos seguintes, a traição continuou, mas aqui e ali se criticava o governo. Isso aconteceu em todas as categorias, e Lula reinou tranquilo até o fim do seu mandato. Esse controle social e a idéia de "trégua" já faz parte do início do governo Dilma. A CUT, apesar de se colocar com o conjunto de centrais sindicais que pedia o mísero salário mínimo de R$ 560, nada fez após a derrota da proposta para os R$ 545 impostos pelo governo. Não se fala mais nisso.

Dilma está fazendo de tudo para usar sua popularidade e mesmo credibilidade junto à mídia para buscar o equilíbrio fiscal, bandeira histórica dos neoliberais e da direita, e tentar, civilizadamente, baixar a taxa de juros e reduzir gradativamente as fortunas que são pagas anualmente a bancos, especuladores, etc, na forma de financiamento das dívidas. Para isso já anunciou cortes orçamentários que já chegam à cifra de R$ 80 bi, e serão detalhados na próxima quarta, coincidentemente dia da reunião do COPOM que definirá a nova taxa de juros.

Esses cortes, que segundo o governo não atingirão o PAC, os programas habitacionais, os programas de transferência de renda e as grandes obras dos eventos esportivos, deverão freiar os avanços do governo Lula em áreas como a educação e saúde, muito carentes de recursos, além de compras para as forças armadas e emendas parlamentares. A mídia quer mais: reforma da previdência, redução de impostos, redução dos programas sociais, etc.

Logo surgirão descontentamentos nos setores atingidos, que não encontrarão no PT nem nos movimentos sociais dirigidos pelo partido o suporte para a canalização em lutas de peso. A crítica ficará para a mídia da direita e para os pequenos grupos de esquerda sem base social, e a caravana das reformas do capital continuará passando indiferente aos latidos dos cães.

Será que vale a pena apostar no superávit nominal para redução das taxas de juros que parece ser a estratégia, através do corte orçamentário ? Antes que se fale nos resultados, a classe trabalhadora já está pagando o preço : reposição de inflação no salário mínimo sem ganho real, tabela do imposto de renda ajustada apenas pela inflação, ou seja, apenas o básico para congelar os resultados do fim do governo Lula. Os servidores públicos também deverão encontrar dificuldades para reajustes, bem como nas estatais, economia mista, etc, que serão chamadas a dar imensos lucros para reforço do superávit pretendido.

A herança bendita de Lula continuará mostrando indicadores positivos por pelo menos dois anos. Na próxima quarta será divulgado o PIB de 2010, com algo em torno de 7,5%, o que é excelente, e dá à economia inércia para manter o crescimento sustentável até a metade do governo Dilma. O nível de emprego também continuará bem, e o poder de compra dos salários deve ser mantido. A oposição de direita perdará poder de fogo com o desmonte do DEMo e do PSDB, fazendo crescer a base de apoio ao governo. Num cenário favorável como esse, Dilma teria dois anos para fazer as maldades, e dois para distribuir as benesses na estratégia da reeleição em 2014.

Com o grande aumento das receitas que vem se verificando com a economia em crescimento desacelerado e a freiada drástica nas despesas, a equipe econômica do governo pode arriscar essa cartada e até conseguir reduzir os juros que tiram do estado a capacidade de gasto. Reduziria o acesso do capital especulativo internacional, desvalorizando o Real e reequilibrando as contas externas. O efeito também seria benéfico para o crédito de longo prazo e para o consumo. Investimentos em políticas sociais poderiam ser incrementados. Por todas essas vantagens, a classe trabalhadora deveria dar aval a Dilma?

Se o PT ainda fosse o de antigamente, estaria, no mínimo, exigindo uma auditoria nas dívidas responsáveis pela montanha obscena de juros e a renegociação soberana como alternativa a tirar dinheiro dos investimentos necessários ao país e aos trabalhadores em especial. Algo como o Equador e a Argentina fizeram, baixando muito o montante devido e permitindo à economia recuperar sua capacidade de investimento, sem sangrar os contribuintes com mais impostos. O partido virou mero espectador do governo, desde Lula, fazendo das instituições de classe meras correias de transmissão das políticas do Planalto.

O momento de cobrar as políticas sociais seria agora, no início do novo governo, até para estabelecimento de uma nova correlação de forças que não deixe as massas a reboque das concessões do estado. No mundo inteiro os povos estão nas ruas contra as desigualdades estruturais do capital, mas parece que no Brasil superamos, com esse tipo de pacto social implícito, a histórica luta de classes. Sem mobilização, especialmente num momento propício à redução soberana das dívidas públicas, assistiremos à aplicação do velho receituário que sacrifica o povo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rio : Morro do Borel em tempos de paz








Com a tranquilidade que as UPP trouxeram à região onde moro no Rio, tomei coragem para conhecer incríveis pontos turísticos que, em linha reta, distam 2 km da minha casa, mas como ficam em áreas historicamente dominadas pelo crime, eram muito perigosas para se transitar. O Morro do Borel, que fica no vale do Rio Maracanã, na Tijuca, sempre foi um tabu, pelas lendas que corriam dos marginais que deram péssima fama ao local.

O supermercado Carrefour foi vítima
disso: abriu uma loja em frente ao Borel,
numa rua que não era adjacente, e teve que fechá-la porque as pessoas não tinham coragem de fazer compras lá. Além do mais tinha uma esteira rolante com vista panorâmica para o Borel que fazia as pessoas se sentirem como patinhos de tiro-ao-alvo de parque de diversões... Havia também as guerras com os bandidos do Morro da Formiga, que fica na encosta do outro lado do vale, com batalhas campais e arrastões nas ruas próximas.

Essa expedição exploradora radical também foi facilitada pelo meu ve
ículo de aventuras, um Escort 91 com motor 1.8, de lataria camuflada para parecer carro de pobre, sem o qual não conseguiria subir as íngremes ladeiras bem pavimentadas de concreto, com frisos que ajudam na aderência. Não tente fazer isso com um carro 1.0, porque pagará mico. Para chegar ao topo do morro só com Kombi, moto, pequenos caminhões e carros com motor de, pelo menos, 1400 cilindradas.

Depois de uma parada no mirante do Morro do Cruz, que fica no topo da Rua Maria Amália, contraforte do morro que divide a Tijuca do Andaraí, subi pela rua feita num desses projetos de urbanização de comunidades carentes e, com muita adrenalina mais por causa das rampas íngremes que por receio de bandidos, cheguei ao local chamado Chácara do Céu, que era estratégico para o crime, mas onde hoje há uma das UPPs e está sendo urbanizado pela prefeitura, com a construção de quadra de esporte. O local é a linha de cumeada do morro que separa a Tijuca do Andaraí e Grajaú, com vista excepcional da zona norte da cidade, do centro, da Baía de Guanabara, Serra dos Órgãos, ilhas, etc.
Cruzando a praça e descendo para o lado do Morro do Borel, há uma bela
vista de toda a região da Rua Conde de Bonfim entre a rua Uruguai e a Usina, e o vale da estrada do Alto da Boa Vista. Desci a pirambeira bem pavimentada até sair na Rua São Miguel, na entrada principal do Borel. O único sufoco foi manobrar quando vinha carro no sentido contrário, porque é quase impossível dar uma marcha-a-ré naquele aclive. Tem lugares tão íngremes onde não dá para parar para tirar fotos, porque mesmo como freio de mão acionado e marcha engatada, é preciso coloca pedras sob as rodas para evitar o deslizamento do veículo.

No mais, tudo tranquilo. O Borel que a gente vê não tem a desordem urbana de outras favelas. Praticamente tudo é pavimentado, e não há a superlotação de casas de outras comunidades. O serviço de limpeza da Comlurb é frequente, não havendo lixo acumulado ou espalhado. Crianças brincam nas ruas, e em boa parte das casas há algum veículo, antenas de TV por assinatura, ar condicionado e outros confortos.
As pessoas parecem tranquilas, sem medo. Há muitas obras de contenção de encostas, mas há habitações precárias com risco de desabamento em caso de tempestades. Não vi em nenhum lugar pessoas em atitudes suspeitas, nem nenhum lugar com características de boca-de-fumo, que já vi em outras áreas pacificadas.

Bem-sucedido nessa empreitada, resolvi pegar outro caminho outrora temerário, que passa pela comunidade da Casa Branca, e vai de novo à Chácara do Céu por outro contraforte do morro. Mais uma vez o sufoco é com a rampa, nada que um carro 1.8 não tire de letra, mas a impressão que dá é de estar subindo uma parede. Na descida para o Morro do Cruz, há bares com mirantes, outrora de uso exclusivo da bandidagem, que agora teria coragem de parar e tomar uma cerveja apreciando a paisagem. Da próxima vez, vou a pé.


Rio : Museu do Banco do Brasil


Nos andares superiores do CCBB do Rio há exposições permanentes muito interessantes de moedas e das salas ocupadas pela presidência do Banco do Brasil.


Destaco a área de moedas históricas, onde encontramos coleções completas dos meios de pagamento usados no Brasil, dinheiro estrangeiro de todos os lugares do mundo, cofrinhos, porta-moedas, e até a tradicional "bala de troco" está lá representada. Muito bom para levar crianças e adolescentes.

Nas salas da antiga direção geral do BB há móveis, máquinas de escrever, telefones e equipamentos não tão antigos assim (cheguei a vê-los em uso quando comecei a trabalhar no
banco há 34 anos), absolutamente estranhos para os mais jovens, cabendo explicações contextuais e operacionais sobre cada um desses elementos de tecnologia superada que nos fazem sentir como dinossauros.

O prédio como um todo é belíssimo, em mármore, com grandes espaços do piso ao teto, e elevadores com portas pantográficas difíceis de se encontrar hoje em dia.

Trabalhei em de 1978 a 1979 nesse prédio, que era a antiga Agência Centro Rio, onde entrava às 7 da noite e só saía quando acabava o movimento da compensação, normalmente de madrugada. E também falar dos fantasmas do prédio, onde trabalhei por um tempo à noite e madrugada. Como corriam lendas sobre fantasmas que habitariam o edifício centenário, tinha gente que não andava sozinho nem para ir embora.


Rio : O mundo mágico de Escher no CCBB



Mais uma excelente exposição fica em cartaz no Rio até o dia 27 de março: O mundo mágico de Escher, no CCBB. É para todas as idades, intrigante, surpreendente, único. Uma grande quantidade de trabalhos do artista gráfico holandês Mauritius Escher está exposta, ilustrando cada fase da sua arte, a maioria em xilogravuras.


A ilusão de ótica e os elementos geométricos sobrepostos são a sua marca registrada, criando imagens tridimensionais em planos bidimensionais, absurdas. Fora do papel, há esculturas, deformações de espelhos e a curiosa casa que fica no térreo do CCBB, onde por ilusão de ótica duas pessoas aparecem nas fotos com tamanhos muito diferentes.

Dica: assista ao filme que passa dentro da caixa-forte do CCBB. Leva uns 30 minutos, e mostra a evolução da mente do artista ao longo de quase 50 anos. Dentro da exposição não é possível fotografar, mas na internet há uma grande quantidade de imagens onde estão algumas das obras expostas.

Poder público tem que respeitar salários mínimos profissionais

O Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (CONFEA) e entidades da área tecnológica estão coletando assinaturas em um manifesto em apoio à PEC 02/2010, de autoria do Senador Sadi Cassol (PT-TO), pela qual as instâncias do poder público ficam proibidas de oferecer em concursos valores de salários abaixo dos pisos profissionais estabelecidos em lei. A proposta do senador é abrangente, obrigando a observância dos salários profissionais em concursos públicos para todas as categorias.


No caso de engenheiros, arquitetos, geólogos, agrônomos, químicos e veterinários, o piso salarial legal é de 6 salários mínimos para uma jornada de 6 horas para graduados em cursos de 4 ou mais anos de duração. O piso profissional, a partir de março, passa a ser de R$ 3.270 para 6 horas.

Ao desobedecer a legislação, o poder público perde profissionais para a iniciativa privada, o que é gravíssimo no atual momento econômico, onde há escassez de técnicos e uma forte demanda pelo setor privado para obras do PAC, Minha Casa, Minha Vida, grandes eventos esportivos e fortes investimentos na iniciativa privada.

A PEC 02/10 está parada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, no aguardo de relator. O autor do projeto de emenda constitucional, Sadi Casol, não é mais senador, e o projeto, portanto, precisa do apoio e pressão das categorias interessadas em garantir na lei maior aquilo que os governos descumprem na lei ordinária.

Seguem abaixo o link e a íntegra da petição, para coleta de assinaturas, que podem ser feitas em vias impressas e entregues nos CREA. Anexamos também o texto da PEC 02/10 e a Lei 4590-A, que no seu artigo 2° diz claramente que o salário mínimo profissional é devido qualquer que seja a fonte pagadora, o que já enquadra o setor público. Sem a pressão, o a proposta ficará parada. Passe adiante esta mensagem, para contarmos com a adesão em massa dos profissionais.

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MANIFESTO DE APOIO À PEC 02/2010

Encontra-se tramitando no Senado Federal a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 02/2010), apresentada em março de 2010 pelo senador Sadi Cassol (PT-TO), que pretende estender a Lei 4950-A, do Salário Mínimo Profissional (SMP) aos profissionais da ENGENHARIA, ARQUITETURA, AGRONOMIA, QUÍMICA E VETERINÁRIA que trabalham na administração pública.
O não atendimento a esta Lei, tem causado migração dos profissionais das áreas tecnológicas para profissões mais atraentes financeiramente. A presente escassez desses profissionais se faz notar, principalmente, no Setor Público causando impacto no desenvolvimento do País, notadamente nas obras dos PACs e do Minha Casa Minha Vida.

Os abaixos assinados, profissionais do Sistema Confea/CREAs, vêm manifestar seu apoio à Proposta de Emenda à Constituição – PEC 02/2010.


Os signatários
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PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº , DE 2010
Estabelece como princípio do sistema remuneratório do servidor público a observância do piso salarial
nacional das diversas categorias, nos termos da lei federal.

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Art. 1º O § 1º do art. 39 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido de inciso IV, com a seguinte redação:
“Art. 39. ....................................................................................
§ 1º ..............................................................................................
.....................................................................................................
IV – o piso salarial das diversas categorias profissionais, fixado por lei federal, na forma do art. 7º, V.
(NR) “..........................................................................................
Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
O § 1º do art. 39 da Constituição Federal relaciona os princípios a serem observados na fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes dos sistemas remuneratórios a serem instituídos pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. O objetivo desta proposta é a inclusão, entre tais diretrizes, da obrigação de ser observado o piso salarial nacional das diversas categorias profissionais, conforme fixado nas correspondentes leis federais.Com isso, pretende-se superar uma injustiça inaceitável, sofrida pelos profissionais cuja categoria tem piso salarial fixado em lei, que vêem
esse direito desprezado solenemente pelo Poder Público. Ou seja, exatamente aqueles de quem se deveria esperar a conduta exemplar no cumprimento da legislação, infelizmente, não levam em consideração o piso salarial ao abrirem os editais dos concursos públicos.

Assim, por exemplo, os profissionais de Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Química e Veterinária têm a profissão e a remuneração regulamentada por meio das Leis n os 4.950-A, de 22 de abril de 1966, e 5.194, de 24 de dezembro de 1966. Não obstante, essas normas não têm sido observadas, especialmente, quando se abrem concursos nas prefeituras e nos Estados brasileiros. Esses profissionais são muitas vezes, então, recrutados com salário muito menor que o piso salarial, às vezes em valor equivalente
até mesmo à metade dele.

Não é justo que haja decréscimo na remuneração de um desses profissionais simplesmente porque ele resolveu seguir o serviço público. O trabalhador deve receber um salário digno, pelo que ele se propôs a cursar o nível superior, e deve ter uma retribuição a altura da qualificação que obteve.

É, portanto, um equívoco se imaginar que o Poder Público esteja economizando ao não pagar o piso salarial. Ao contrário, essa postura leva ao desestímulo do profissional, que deixa de prestar um bom serviço e pode, até mesmo, procurar outra atividade para complementar a renda, o que resultará
na diminuição de sua dedicação e na queda da qualidade de sua produção.

Por essas razões, conto com o apoio dos meus pares para a aprovação desta Proposta de Emenda à Constituição.

Sala das Sessões,
Senador SADI CASSOL,
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LEI No 4.950-A, DE 22 DE ABRIL DE 1966.

Vide RSF nº 12, de 1971.

Dispõe sôbre a remuneração de profissionais diplomados em Engenharia, Química, Arquitetura, Agronomia e Veterinária.

Faço saber que o CONGRESSO NACIONAL aprovou e manteve, após veto presidencial, e eu, AURO MOURA ANDRADE, PRESIDENTE do SENADO FEDERAL, de acôrdo com o disposto no § 4º do art. 70, da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei:

Art . 1º O salário-mínimo dos diplomados pelos cursos regulares superiores mantidos pelasEscolas de Engenharia, de Química, de Arquitetura, de Agronomia e de Veterinária é o fixado pela presente Lei.

Art . 2º O salário-mínimo fixado pela presente Lei é a remuneração mínima obrigatória por serviços prestados pelos profissionais definidos no art. 1º, com relação de emprêgo ou função, qualquer que seja a fonte pagadora.

Art . 3º Para os efeitos desta Lei as atividades ou tarefas desempenhadas pelos profissionais enumerados no art. 1º são classificadas em:

a) atividades ou tarefas com exigência de 6 (seis) horas diárias de serviço;

b) atividades ou tarefas com exigência de mais de 6 (seis) horas diárias de serviço.

Parágrafo único. A jornada de trabalho é a fixada no contrato de trabalho ou determinação legal vigente.

Art . 4º Para os efeitos desta Lei os profissionais citados no art. 1º são classificados em:

a) diplomados pelos cursos regulares superiores mantidos pelas Escolas de Engenharia, de Química, de Arquitetura, de Agronomia e de Veterinária com curso universitário de 4 (quatro) anos ou mais;

b) diplomados pelos cursos regulares superiores mantidos pelas Escolas de Engenharia, de Química, de Arquitetura, de Agronomia e de Veterinária com curso universitário de menos de 4 (quatro) anos.

Art . 5º Para a execução das atividades e tarefas classificadas na alínea a do art. 3º, fica fixado o salário-base mínimo de 6 (seis) vêzes o maior salário-mínimo comum vigente no País, para os profissionais relacionados na alínea a do art. 4º, e de 5 (cinco) vezes o maior salário-mínimo comum vigente no País, para os profissionais da alínea b do art. 4º.

Art . 6º Para a execução de atividades e tarefas classificadas na alínea b do art. 3º, a fixação do salário-base mínimo será feito tomando-se por base o custo da hora fixado no art. 5º desta Lei, acrescidas de 25% as horas excedentes das 6 (seis) diárias de serviços.

Art . 7º A remuneração do trabalho noturno será feita na base da remuneração do trabalho diurno, acrescida de 25% (vinte e cinco por cento).

Art . 8º Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, 22 de abril de 1966; 145º da Independência e 78º da República.

AURO MOURA ANDRADE
Presidente do Senado Federal

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Libia : a difícil transição para tirar Kadafi

Kadafi já teve o amor e ódio das superpotências em vários momentos. Nos últimos 10 anos, o terrorista inimigo do mundo ocidental, apoiador de grupos guerrilheiros em várias partes do mundo, manobrou para voltar ao bom relacionamento com o ocidente. Refez relações com a Itália, Estados Unidos, Grã Bretanha, implicando na atração de investimentos do grande capital.


Tendo o controle férreo do país, já que a Líbia é em parte um arranjo de tribos rivais que historicamente se digladiam, Kadafi garantiu a "paz social" para o capital ter seu retorno em investimentos com menos riscos. O Brasil, mesmo sem ter interesses do mesmo porte, segue a atitude de condenar a violência sem exigir a saída de Kadafi. Mendes Júnior, Odebrecht e Petrobrás estão por lá, sem muito peso.

A saída de Kadafi, portanto, poderá significar o mesmo que a Iuguslávia pós-Tito, ou as repúblicas da URSS com o colapso da União Soviética, com o esfacelamento do poder central. Kadafi mantem a "Iuguslíbia" unida com mão-de-ferro, e isso pode acabar, para desespero dos analistas de negócios estrangeiros.

A relativa passividade dos Estados Unidos, Grã Bretanha e outros, a saída ordenada dos seus cidadãos em Tripoli, área dominada pelas forças leais ao governo, e o esforço para manter o fornecimento de petróleo ao ocidente parecem mostrar que Kadafi ainda tem utilidade ao capital, mas precisa ser substituído porque há clamor mundial contra o massacre de civis. Kadafi chegou a dizer que Al Qaeda, inimiga número 1 dos EUA, está contra ele, como quem busca apoio, mas já é tarde: as potências já o rifaram, e agora buscam alternativas para sua substituição.

Os grupos de oposição que podem chegar ao poder estavam todas no exílio, pois o estado policial de Kadafi eliminava os dissidentes. Não há sindicatos ou organizações independentes operando abertamente na Libia. Os militares líbios não têm a expressão dos egípcios ou tunisianos, a quem as superpotências elegeram para a transição democrática mantendo sob controle os interesses econômicos e os acordos com Israel. As lideranças tribais são sobreviventes a Kadafi, e não faziam oposição a ele. Os líderes religiosos também se submeteram ou esconderam. E aí, qual a alternativa de poder?

Um dos grupos mais ativos, a NFSL (National Front for Salvation of Lybia), parece confiável aos americanos. O noticiário da CNN tem nos últimos dias um dos seus membros como comentarista dos acontecimentos. Hoje na sua entrevista disse que não querem a intervenção estrangeira, mas o bombardeio das bases de onde partem os ataques das milícias de Kadafi e o fechamento do espaço aéreo para evitar bombardeios. Em alguns sites que pesquisei há referências ao patrocínio da central de inteligência americana CIA no treinamento, apoio material e logístico e outros recursos para a NFSL.

A NFSL é uma das sete entidades que compõe a National Conference of Lybian Oposition (NCLO), onde estão grupos de direitos humanos e até pró-restauracionistas monárquicos, cujo programa tem basicamente três elementos:

- o desmonte de todas as forças revolucionárias, políticas, militares e de segurança de Kadafi;

- a formação de um governo de transição formado por indivíduos reconhecidos por serem confiáveis e por terem capacitação para dirigir o país por um período não maior que um ano, com a tarefa de restaurar a vida constitucional;

- estabelecer um estado constitucional e democrático, fundado em conceitos como a diversidade política e cultural e pacífica transição de poder; um estado que garanta os as liberdades fundamentais e os direitos humanos, que estabeleça o regime da lei, igualdade e iguais oportunidades para todos os cidadãos líbios sem qualquer forma de discriminação; que proteja e desenvolva os recursos nacionais, e tenha relações internacionais equilibradas, baseadas no respeito mútuo.

A oposição tem sido competente em manter as áreas "Kadafi free" organizadas, sem saques nem desordens, com a formação de comitês de ativistas para suprir as diversas necessidades. No vácuo que se estabelecerá com a saída de Kadafi, é natural que um grupo organizado preencha os espaços, tanto com os seus quadros como com gente do antigo regime detentora das informações vitais do país.

Isso não atinge o pessoal dos conselhos revolucionários de Kadafi, sua guarda pessoal, aqueles que estavam com ele hoje de platéia no comício que fez em Tripoli, e são os responsáveis diretos por anos de repressão. Essa é a turma que vai ter que passar pelas "comissões da verdade" em breve, e arcar com as responsabilidades pelos crimes cometidos durante o regime depressivo.

O ocidente não vai ter outra opção senão apostar nesse balaio de gatos da NCLO, que não tem nada contra o capital, mas embute potencial para futuras crises quando forem governo, a exemplo do parlamento do Iraque, que ficou meses sem definir o governo.

Se as potências vacilam em forçar a saída de Kadafi, setores da esquerda também se opoem à sua saída. Cuba e Nicarágua deram seu apoio a Kadafi, talvez pelos velhos tempos em que o coronel confrontava os americanos. No Brasil, o PT não tem posição oficial até agora. O fato é que, tirando as seitas de esquerda que apóiam qualquer um que diga que é contra alguém, o assunto Kadafi é espinhoso pelo seu passado de alinhamento com forças marxistas.

O que fazer com o velho ditador, que hoje fez discurso dizendo que seu destino é morrer, junto com a família, na Líbia? Na próxima segunda-feira, o secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, irá reunir-se com o presidente americano Obama para discutir sanções, etc. Enquanto isso, Kadafi vai matando muita gente, ainda na esperança de manter uma área do país sob controle. Pelo menos enquanto estiverem evacuando os estrangeiros, parece que ninguém quer dar um passo adiante para afastar Kadafi.

Mínimo de R$ 545 : a direita coerente

No episódio da votação do salário mínimo no Congresso, a proposta do governo do PT de R$ 545 teve que ser confrontada com a do DEM + centrais sindicais de R$ 560 e com a dos tucanos de R$ 600. Incoerências para todo o gosto, pois os que dizem defender o trabalhador e estão no governo estão mais preocupados com o equilíbrio fiscal que com o aumento da renda dos mais pobres; as centrais sindicais, aliadas com o DEM, chutando para cima a regra de reajuste automático anual com aumento real dependente do PIB; os tucanos, que batem no peito para se dizerem neoliberais, defendendo um reajuste que nem os governadores e prefeitos do próprio partido se propoem a pagar, apenas para marcar posição e fazer demagogia.

Chamou a atenção a votação de alguns parlamentares identificados com a direita, que foram extremamente coerentes, apoiando a proposta do governo, que entre todas era a pior para os trabalhadores, de R$ 545. Embora discorde, acho correto que votem no que defendem, ou seja, o arrocho salarial para os mais pobres para forçar o superávit fiscal e aliviar os impostos.

São eles: a senadora ruralista Kátia Abreu (DEM-TO) e os deputados Jairo Ataíde (DEM-MG), Vitor Penido (DEM-MG), Luis Carlos Leréia (PSDB-GO) e Manuel Salviano (PSDB-CE). Alguns desses deputados, entretanto, votaram além da ideologia: alinharam-se com o governo para buscar mudar de partido e fazer, em breve, parte da base aliada. Já a senadora atendeu a pedido de prefeitos da base do partido, que pressionaram pelo menor mínimo possível para não comprometer as contas das prefeituras.

Copa / Olimpíada : a farra das licitações flexibilizadas

O político brasileiro é mestre em criar demandas "emergenciais" para fazer uso de instrumentos legais excepcionais e contratar obras e serviços fora dos processos normais, praticamente sem fiscalização. Isso é uma indústria antiga. Em algumas áreas praticamente nada se faz para combater a seca, e quando ela ocorre, os cofres públicos se abrem para os contratos emergenciais. Em outras, prefeitos não fazem obras de prevenção contra enchentes, mas decretam imediatamente o estado de calamidade pública assim que começam as chuvas para entrar no regime de excepcionalidade da lei e contratar à vontade.


A Copa e a Olimpíada não fogem a isso. Logo que o Brasil garantiu que faria os Jogos Olímpicos de 2016, as autoridades já diziam que não iria haver tempo para fazer as obras, por causa na burocracia nos processos licitatórios, etc. Para a Copa 2014, Jogos Militares 2011, mesma coisa.

A obra da reforma do Maracanã para a Copa de 2014, por exemplo, foi licitada praticamente sem projeto, dificultando a fiscalização pelos órgãos competentes e facilitando a vida dos empreiteiros, que depois colocam adicionais com preços que não são os melhores do mercado. Recentemente o TCU deu uma dura no governo do estado para botar projetos que permitam dar precisão ao orçamento, e o côro pela bandalha eleva seu tom com coisas do tipo "é muita burocracia, vão inviabilizar a Copa, a obra vai parar se continuarem com muitas exigências", etc.

Vai à votação no Congresso até 7/4 a Medida Provisória 510, onde o governo tentará incluir artigos para flexibilizar a Lei de Licitações (8666 de 21/06/1993), com o argumento da urgência para atender ao alto nível exigido pelo Comitê Olímpico Internacional para a realização dos jogos. O assunto seria discutido com a MP 503/10, aprovada ontem, que cria uma nova autoridade olímpica para facilitar as decisões no planejamento e execução da infra-estrutura para os jogos, mas foi jogado para a discussão da MP 510 para evitar a obstrução pela oposição. É a declaração de falência na gestão de grandes projetos!

Antes do Brasil se candidatar a sediar os jogos, o COI apresentou o seu caderno de encargos com as especificações e exigências básicas para atender ao seu padrão, e as autoridades brasileiras e cariocas tiveram acesso a isso para estimarem orçamentos e fazerem estudos de viabilidade e montarem os projetos econômicos e financeiros para realização do evento.

O que mudou de lá para cá foi a crise financeira mundial, que afastou patrocinadores privados, obrigando os governos a tirar dinheiro do nosso bolso para dar lucro à FIFA e construir coisas de difícil utilização após os eventos. Exemplo: o novo estádio de Brasília, de R$ 1 bi, que depois da Copa ficará ocioso porque os campeonatos locais não enchem nem o estádio do Gama, bem menor.

Todo mundo sabia qual era o patamar de qualidade exigido, os prazos, os preços, toda a demanda. Agora querem fazer parecer que há novas exigências, o que é falso: tudo já estava descrito antes do contrato com o COI para a Olimpíada de 2016. Então, para que mudar a Lei 8666 para tornar os projetos mais imprecisos e escancarar a porta para serviços extra-contratuais acima de 50%, máximo permitido hoje?

Na lei 8666, em vigor, há uma clara definição de emergência, caso onde a legislação se flexibiliza para permitir a dispensa ou inexigibilidade de licitação, no seu art. 24:

IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos;

A urgência alegada pelas autoridades está associada à falta de planejamento, e não à iminência de risco à segurança de pessoas, bens, etc. E mesmo assim, a lei fala em prazo máximo de 180 dias contados da ocorrência da emergência, sem prorrogação. Além disso, para caracterizar a emergência, é necessária a urgência e mais riscos, etc. A urgência, por si só, não permite o uso excepcional da lei, principalmente quando as situações eram previsíveis e os cronogramas viáveis quando da concepção dos contratos.

Mudar a lei para dar status emergencial a problemas criados pela falta de planejamento e a desídia de gestores será a premiação da incompetência e o escancaramento das portas para a corrupção em níveis inéditos, dada a envergadura das obras. A bem dos princípios constitucionais da moralidade e da transparência, esse projeto deveria ser barrado no congresso. Se o cronograma está atrasado, que se coloquem gestores competentes para aumentar a eficiência na gestão dos contratos, ao invés de liberar a bandalheira.

HOAX : O 13° salário não existe

Em geral os criadores de boatos da internet tentam dar credibilidade às bobagens que empurram aos incautos a quem pedem repassar a toda a lista de e-mails. O post a seguir, entretanto, é uma manipulação algébrica da pior qualidade, mas que a patuléia vê e acredita, porque tem predisposição contra o governo e os políticos em geral, e sai divulgando até com acréscimo de comentários. O autor tenta criar indignação dizendo que o governo quer acabar com o 13° (?), criado em 1962, assunto requentado de um outro hoax que circulou com o título "Fim do 13° aprovado".


Qual é o macete? Na "demonstração" dizem que o salário do exemplo, de R$ 700, dividido PELAS QUATRO SEMANAS DE UM MÊS, resulta em R$ 175 semanais. Esse valor, multiplicado pelas 52 semanas do ano, resulta em R$ 9100, o mesmo que 13 x 700, ou seja, se o salário fosse pago por semana, já incluiria o valor do 13°, "provando" que o mesmo não existe. Os otários de plantão olham isso e ficam irados, e saem disparando o e-mail para espalhar a indignação aos amigos e parentes, levando junto, de presente, algum vírus do tipo "cavalo de Tróia" para bisbilhotar senhas, etc.

Uma atenção mínima aos números mágicos mata a armação facilmente. Um mês não tem 4 semanas, mas aproximadamente 4,333... semanas. Pelo cálculo do criador do hoax, como o mês tem 4 semanas, logo o ano teria 48 semanas (4 x 12), e não as 52 aproximadas (num ano de 365 dias, há 52,14 semanas, e no bissexto, de 366 dias, 52,29 semanas). Assim, sobram no cálculo 4 semanas, que multiplicadas por R$ 175 do salário semanal, resultam nos R$ 700 do 13° salário que tentou provar que não existia. O cálculo correto do salário semanal seria R$ 700/4,3333..., cujo resultado é R$ 161,53846153846153846153970414201 , que multiplicado por 52 semanas é igual a R$ 8.400, valor de 12 salários de R$ 700.

Se você chegou a este post através de um link que coloquei em resposta ao seu e-mail, tenha a gentileza de repassar a minha mensagem a quem você mandou e a quem te mandou o hoax, para que repliquem e fiquem mais espertos quando receberem esse perigoso lixo.
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Subject: 13º Nunca Existiu


> REPASSANDO....., REALMENTE NADA É DE GRAÇA!!!!!!!
>
>
>
> Façam as Contas !!!!

> Os ingleses recebem os ordenados semanalmente!
> Mas ... há sempre uma razão para as coisas - e os ingleses NÃO FAZEM NADA POR ACASO!!!
> Ora bem, aqui está um exemplo aritmético simples, que não exige altos conhecimentos de Matemática,
mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.
> Uma forma de desmascarar os brilhantes neo-liberais e os seus técnicos (lacaios) que recebem pensões de ouro para nos enganar com
> as suas brilhantes teorias.
> Fala-se que o governo cogita acabar o 13º salário.
> Se o fizerem, será uma roubalheira sobre outra roubalheira.
>
Perguntarão por quê?
> Respondo: Porque o 13º salário não existe.
> Ele é uma das mais escandalosas mentiras do sistema capitalista, justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam.
> Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.
> Suponhamos que você ganhe R$ 700,00 por mês.
>
Multiplicando-se esse salário por 12 meses, receberá um total de R$ 8.400,00 por um ano (doze meses).
> R$ 700 x 12 = R$ 8.400,00
> Em Dezembro, o generoso patrão manda então pagar-lhe o 13º salário.
> R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00
> R$ 8.400,00 (salário anual) + R$ 700,00 (13º salário) = R$ 9.100 (Salário anual mais o 13º salário)
> O trabalhador vai para casa todo feliz com o patrão.
> Agora veja bem o que acontece quando o trabalhador se predispõe a fazer uma continha que aprendeu no Ensino Fundamental:
> R$ 700,00 por mês, o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.
> R$ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = R$ 175,00 > (Salário semanal)
> Num ano há 52 semanas. Se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas no ano) o resultado será R$ 9.100,00.
> R$ 175,00 (Salário semanal) x 52 (número de semanas anuais) = R$ 9.100.00
> O resultado é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º > salário.
>
Xurpreja, Xurpreja ! ? Onde está o 13º Salário?
>
É simples, embora os nossos conhecidos líderes nunca se tenham dado conta desse fato.
> A resposta é que o patrão tira uma parte do salário durante
> todo o ano, pela simples razão de que há meses com 28, 29, 30 e 31 dias,
> também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas o
patrão só paga todos como se fossem com quatro semanas), o valor é o mesmo tenha o mês 28 a 31 dias, quatro ou cinco semanas.
> No final do ano o generoso patrão presenteia o trabalhador com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.
> Se o governo retirar o 13º salário dos trabalhadores roubo será duplo.
> Daí que, a palavra final para os trabalhadores inteligentes:
> Não existe 13º salário, o patrão apenas devolve o que sorrateiramente surrupiou do salário mês a mês.
> Conclusão: Os Trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.
>
>

MG : PSDB fez caixa 2 com Enduro da Independência

Cada vez mais há convicção da existência do caixa 2 mineiro do PSDB. A campanha para reeleição do então candidato e atual senador Eduardo Azeredo contou com recursos não contabilizados de estatais mineiras, injetados no Enduro da Independência, evento privado de automobilismo e motociclismo. Bemge, Cemig e Copasa teriam apoiado o evento com R$ 3 milhões, para um custo estimado de R$ 400 mil, sobrando recursos para destinar à campanha tucana. As informações foram obtidas através do depoimento de testemunhas à Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais. Mais em http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/pesquisas/mg/testemunhas+reforcam+tese+de+mensalao+mineiro+diz+promotor/n1238113187352.html


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

EUA : Direita considera Obama comunista...

A gente no Brasil acha que direitista é o povo do DEM, da UDR, o Zé Serra e todo o esgoto que ele destampou na sua campanha, etc, porque colocam Lula na conta do "comunismo" junto com Chávez, Ahmadinejad, Evo Morales, Fidel, etc. Só que esse povo todo, na hora de votar o salário mínimo, não tem nenhuma coerência com o que seria o pensamento liberal da direita, e faz demagogia propondo valores maiores para deixar o governo em saia-justa. Nos Estados Unidos, a direita é bem diferente, e faz dos nossos direitistas verdadeiros amadores.


Hoje vi na Fox News, que é de direita ferrenha anti-Obama, o programa do apresentador Glenn Beck. O cenário é cheio de telões e quadros-negros com gráficos e esquemas, e tem ainda um quadro magnético onde estão os símbolos de entidades e retratos de lideranças, algumas com um distintivo com a foice e o martelo ao lado. O apresentador parece ter saído de uma daquelas sessões do congresso americano nos anos 50, no auge da Guerra Fria, onde se caçavam as "bruxas comunistas" a partir do patrulhamento ideológico praticamente sem provas, que redundava em demissões e até em prisões dos "conspiradores". Detalhe: a direita americana faz caça às bruxas até sem existir mais a União Soviética...

O apresentador começou mostrando um recorte do jornal New York Times com uma matéria dizendo que o Tesouro americano seria o responsável pela inflação nos alimentos no mundo. Aí fez o link com as revoltas que estão acontecendo nos países árabes, que têm como uma das razões o aumento dos preços. Depois pegou o depoimento de um líder egípcio agradecendo à central sindical americana AFL-CIO o apoio na rebelião. Imagens de protestos na India se ligam a isso, e vem a Líbia no bolo, e logo está lá, fora do contexto, o discurso de ontem de Obama.

O apresentador é teatral, parece um Datena menos dependente do ponto no ouvido, e tenta construir uma lógica em meio a fatos isolados para provar que Obama foi complacente com Mubarak e com Kadafi, porque faz parte da conspiração junto com os servidores públicos de Ohio e Wisconsin que estão protestando, e no final botar todo mundo no mesmo saco do comunismo. Até o Tesouro faz parte do esquema! O programa é um primor da manipulação, de fazer os nossos direitistas babarem. Pensando bem, a turma demo-tucana poderia ser pior. A Globo, também.

Vendo esse e outros programas da Fox, todos na mesma linha, botando em evidência o Tea Party, Sarah Palin e outros expoentes da direita raivosa, a gente até acha o Obama um cara legal, socialista, um revolucionário marxista. E até tem vontade de apoiá-lo contra essa turma, que se chegar ao poder com o sangue na boca fará o maior estrago no mundo. Eles já teriam distribuído bombas à vontade pelo Oriente Médio, atacado o Irã, acabado com sindicatos, demitido boa parte do serviço público e arrochado salários para baixar os impostos que os ricos deveriam pagar. Espero não chegar o dia que teremos saudades de Obama, Hillary e cia.

HOAX - Caiu a casa da Mega-Sena

Esse velhíssimo boato de internet vem pelo menos de 2005, dizendo que a Caixa Econômica Federal falsifica os resultados da Mega-Sena para favorecer a alguém, e que toda a mídia está censurada, que isso seria a denúncia feita por um advogado, e pedindo às pessoas para não jogar mais em nada porque tudo seria uma grande armação. Pacientemente, respondi a cada amigo que me passou esse lixo sem ter a decência de verificar do que se trata, atendendo ao "passe para toda a sua lista" que o sacana que inventou colocou no pé da mensagem. Além do mais, o tal e-mail fazia phishing, ou seja, era o mecanismo para instalar um sofisticado vírus nos computadores para simular páginas de bancos e outros serviços para roubar senhas.

Agora tem uma derivação, atribuída ao mesmo advogado, por conta de uma coincidência ocorrida nos testes 1225 e 1226 da Mega-Sena, em outubro de 2010. Num, os números foram 31-32-34-40-50-55, no outro, 10-31-40-50-55-56, ou seja, houve a coincidência de 4 dos seis números. Aproveitando a ignorância estatística do povo, que não sabe o que são eventos independentes e que nada impede que dê o mesmo resultado da Mega-Sena ou de qualquer loteria em sucessivos sorteios, renasceu o HOAX com toda a força, que recebi de um bando de manés que, se lerem este post, devem imediatamente passar o anti-vírus nos seus micros, porque também pode dançar num "phishing".

O primeiro HOAX foi analisado pelo TCU em 2006, que isentou a CEF. A Caixa acionou a Polícia Federal para tentar localizar o autor do spam, e processou jornais que divulgaram o boato.
Segue o despacho do TCU:

TCU CONSIDERA IMPROCEDENTE DENÚNCIA DE IRREGULARIDADES NAS LOTERIAS

Brasília, 23 de novembro de 2006
O Tribunal de Contas da União concluiu, no último dia 13 de novembro, as apurações quanto à suspeita de irregularidades nos sorteios e distribuição de prêmios das loterias da Caixa Econômica Federal, levantadas pela imprensa há alguns meses. Em seu despacho, o ministro Ubiratan Aguiar considerou improcedentes as denúncias e determinou pelo arquivamento do processo: “após realizada diligência junto à Caixa Econômica Federal para apurar eventuais irregularidades nos sorteios e distribuição de prêmios das loterias, a Unidade Técnica concluiu que não prosperaram os indícios concernentes à irregularidade apontada”.
A apuração feita pelo TCU tem base nos levantamentos da Equipe de Inspeção da 2ª Secex – com despacho do Secretário de Controle Externo.
Veja transcrição do despacho:
“Considerando, que a segurança das rotinas de captação das apostas, de sorteio, de apuração do resultado e de pagamento do prêmio são parte intrínseca das funções de jogos; que a CAIXA já adotou providências quanto a apuração das denúncias e adoção de procedimentos de segurança, que o processo de internalização do sistema de loterias já foi concluído, alterando os procedimentos anteriormente adotados e que este processo de mudança já está sendo acompanhado pela 2ª SECEX no bojo do TC nº 18.630/2004-5, e ainda obedecendo a determinação contida no art. 5º da Resolução nº 185/2005, quanto às fiscalizações, entendemos deva o presente feito, com fulcro no art. 126 da Resolução TCU nº 191/2006, ser arquivado e que esta 2ª Secex, ponderando os aspectos de conveniência e oportunidade, decida sobre a realização de futuro trabalho de fiscalização nos termos do art. 5º da Resolução TCU nº 185/2005.”
A CAIXA já tinha adotado diversas providências em relação às denúncias veiculadas pela imprensa: acionou a Polícia Federal para identificação dos responsáveis; enviou nota de esclarecimento para a população, além de entrar com ações judiciais contra rádios e jornais que veicularam matéria caluniosa emitindo infundados juízos de valor.
A instituição considera extremamente importante as auditorias técnicas que constantemente são efetuadas na administração das Loterias Federais, principalmente pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Ao se validar a lisura e a transparência dos respectivos processos, a credibilidade desse serviço público é cada vez mais consolidada”, afirma o Superintendente Nacional de loterias, Paulo Campos.
Todos os processos que envolvem a captação de apostas, o sorteio e a apuração das Loterias Federais são rigidamente cumpridos para garantir a total segurança das informações envolvidas.
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Libia : Kadafi culpa Al Qaeda pela rebelião popular

Kadafi não sabe para que lado atira. No passado, a Líbia abrigou e apoiou diversos grupos de guerrilha, que renderam um boicote internacional e represálias militares. Nos últimos anos Kadafi apostou na diplomacia para voltar ao diálogo com as superpotências ocidentais, conseguindo investimentos estrangeiros e até conversar com Barack Obama num evento internacional. Agora, como quem diz ao ocidente que é melhor mantê-lo que deixar o país cair nas mãos de coisa muito pior, Kadafi tenta associar a rebelião popular à Al Qaeda. Só falta pedir o apoio da OTAN e dos EUA para reprimir o movimento...

O fato é que há uma guerra civil, com muitas baixas, especialmente do lado dos opositores, que estão menos armados. O fato de haver deserções militares para o lado rebelde não tem a gravidade que teria em outros países, já que Kadafi investiu mais nos grupos de defesa da "revolução" que no equipamento das tropas regulares.

Da parte rebelde, supomos que se não ganharem a disputa com Kadafi nos próximos dias, terão problemas de logística e começarão problemas políticos internos que poderão levar o levante a uma guerra de trincheiras. Mantendo Tripoli com mão-de-ferro e reprimindo manifestações como a de uma cidade próxima, Zawiah, onde uma mesquita foi atacada por tropas leais ao governo, Kadafi quer ganhar tempo e tentar estrangular a linha de fornecimento de suprimentos da oposição.

Segue o link de um interessante artigo da BBC de Londres sobre os arranjos de forças que sustentam Kadafi no poder. Interessante notar que, pelo artigo, Kadafi deu o golpe militar que o levou ao poder em 1969 e desde então não confiou mais nos militares, e sucateou as forças armadas temendo um golpe. Por outro lado, montou grupos paramilitares mais fiéis, e acolheu no país cerca de 500 mil africanos, quase 10% da população, onde recruta mercenários para defender seu regime.

SP : Polícia tira roupa de suspeita na marra e filma

Quando se trata de notícias infames envolvendo governos tucanos e DEMos, a mídia praticamente silencia e não investiga, resumindo-se a relatar e deixar esquecer. Vi no Jornal da Band no dia 18/2 e depois na internet, o vídeo feito pela Corregedoria da Polícia de SP onde policiais, todos homens, abordam uma escrivã suspeita de receber propina e, mesmo tendo à disposição duas policiais que poderiam revistá-la, como manda a lei, e a concordância da suspeita na revista por elas, resolveram algemá-la e deixá-la praticamente nua para procurar os R$ 200 que teria recebido. No vídeo da internet não fica claro de onde saiu o dinheiro que apareceu na forma de "flagrante" nas mãos de um dos policiais agressores.


O vídeo vazou para a Internet, expondo a ex-funcionária pública, já exonerada. Detalhe: a filmagem não fez parte do conjunto de provas. O processo por abuso policial dos dois delegados da Corregedoria foi arquivado. Nada disso teria chegado ao conhecimento público se não fosse a reportagem da Band, que mostrou parcialmente o vídeo humilhante. A partir daí, o governador de SP, Geraldo Alckmin, "pediu explicações" para o caso. A coisa fedeu, a Ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, ficou indignada e pediu investigação, o Ministério Público também quer reabrir o caso e finalmente os policiais foram afastados.

Fica a dúvida: se a polícia faz assim com os seus, dentro de uma delegacia, colhendo provas com a violação da lei, e tudo é arquivado, imaginem as atrocidades que podem ser feitas contra os cidadãos comuns. Além do crime de atentado violento ao pudor, o acobertamento pelas esferas superiores é hediondo. O governador fica indignado mas não toma as atitudes que o caso requer, como se a polícia não estivesse sob sua subordinação. Podia acontecer com qualquer mulher. O fato da escrivã ter cometido um crime não autoriza o poder público a expor a sua intimidade à execração pública. Como a mídia não cobra de Alckmin suas responsabilidades, resta aguardar os desdobramentos judiciais contra os agressores.

Dilma : em busca do superávit nominal

Dilma entende que o principal problema da economia brasileira é a elevada taxa de juros, que faz a alegria de banqueiros (vide lucros) e especuladores nacionais e estrangeiros. O problema é estrutural há anos, porque o setor público gasta mais que arrecada, e o dinheiro que falta é financiado por empréstimos, emissão de títulos e outros ativos que são comprados por bancos e especuladores a taxas atraentes, praticamente sem riscos. É como se todo mês uma pessoa precisasse rolar dívidas crescentes do cartão de crédito, porque não tem dinheiro para pagar em dia as faturas.


A aprovação do salário mínimo de R$ 545 e de uma regra clara de reajuste que não dependa do congresso faz parte do esforço de conter o gasto público (previdência, folha de pagamento) e permitir, com o aumento da arrecadação (bateu novo recorde em janeiro), o tão propalado equilíbrio fiscal dos discursos de DEMos e tucanos. A diferença é que eles venderam tudo, arrocharam salários, e não conseguiram, porque deprimiram o crescimento da economia.

Dilma herdou de Lula a economia aquecida, com poder aquisitivo reforçado nas classes médias, e pode tentar o superávit nominal sem maiores sacrifícios aos investimentos do PAC, Minha Casa, Minha Vida e programas sociais como o Bolsa Família. Como é previsto que a arrecadação cresça 11% em 2011, e o déficit nominal está na casa dos 2%, bastaria, em tese, uma pisada no freio para zerar o problema, e para isso se fizeram os cortes orçamentários e toda essa batalha do salário mínimo. Caso consiga, Dilma cessará a demanda por créditos a juros altos para equilibrar o orçamento, podendo finalmente o governo baixar de juros a níveis civilizados, acabando com a grande mamata que há décadas alimenta os parasitas financeiros de todo o mundo.

O problema disso é a criação de metas que restrinjam o gasto público e engessem o crescimento a partir do estímulo governamental, a exemplo do superávit primário, recurso para pagar juros, que foi imposto pelos banqueiros desde FHC e passou por Lula apenas reduzindo seu percentual, mas mantendo a política de submissão. Fixar meta para superávit nominal é dizer, em algum momento, que programas sociais, salários de servidores e benefícios previdenciários terão que ser reduzidos para manter o equilíbrio. O Ministério do Planejamento de Lula chegou a projetar a redução sistemática do déficit até 2014, quando se tornaria positivo, mas não chegou a propor metas. O corte de R$ 50 bi vai no sentido de acelerar esse resultado.

Senado aprova mínimo de R$ 545. Quem votou?

Ontem a base governista aprovou o novo valor para o salário mínimo que deverá vigorar a partir de março, de R$ 545. O reajuste apenas repôs a inflação de 2010, sem ganho real. Também foi votada e aprovada emenda que permite ao poder executivo fixar o valor do salário mínimo até 2015, sem passar pelo congresso, obedecendo à regra em vigor, negociada com centrais sindicais, de reajustes automáticos que reponham a inflação do ano anterior e a variação do PIB de dois anos anteriores. Veja aqui como votou cada senador.


A base aliada de Dilma passou o trator nas emendas do PSDB, de levar o salário a R$ 600, e do DEM junto com a Força Sindical, de R$ 560. A proposta do PSDB sequer era encampada por vários dos seus governadores, que temiam que o valor de R$ 600 desequilibrasse os orçamentos estaduais, e apenas São Paulo e Minas teriam condições de pagá-lo. Aécio Neves, que fica esquisito no papel de oposicionista, tentou explicar o inexplicável: que com Serra seria possível pagar os R$ 600, sem desequilibrar o orçamento, mas com Dilma isso não aconteceria, e achava que podia propor um valor menor que o da proposta eleitoreira de Serra.

A demagogia da campanha continua até hoje, porque DEMos e tucanos fazem e fizeram governos de arrocho salarial, e não querem saber de indexação para reajuste e ganhos reais, como a regra aprovada, que tira do congresso a oportunidade de todo ano virar um balcão de negócios e chantagens na hora de aprovar o salário mínimo.

Essa regra é uma faca de dois gumes para o movimento sindical: como as centrais perderam poder de mobilização popular, dificilmente arregimentariam forças para pressionar o congresso a cada ano. Por outro, se a conjuntura mudar e os trabalhadores conseguirem se organizar para exigir mais, o governo passará na cara que a regra foi acertada com as centrais. Como a previsão é de crescimento sustentável pelos próximos anos, com variações positivas do PIB, Dilma poderá governar aumentando o poder de compra do salário mínimo acima da inflação sem maiores pressões, principalmente da direita, que na hora do mínimo tenta ser pró-trabalhador, mas no cotidiano dos seus governos massacra os salários.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dominó Árabe : o pós-Kadafi

Procurei informações em fontes da Libia e do mundo árabe em geral para ter idéia do que está acontecendo por lá, já que a mídia ocidental é completamente anti-Kadafi desde antes da revolta popular. Apesar de ter o controle da capital Tripoli, onde hoje o aeroporto foi reaberto e há milícias pró-Kadafi nas ruas cerceando qualquer possibilidade de protestos, no lado leste, onde está Benghasi, a segunda maior cidade do país, cresce a tomada de cidades e a deserção de militares e autoridades para o lado rebelde. As forças leais a Kadafi bombardearam depósitos de armas e munições para que não caíssem nas mãos da oposição.


O número de mortos é difícil de apurar, porque reinam o caos e a contra-informação. Os rebeldes denunciam a existência de mercenários africanos que teriam sido contratados por Kadafi para matar os manifestantes. Em todo lugar há pessoas identificadas com Kadafi, o que deve estar rendendo linchamentos pelos rebeldes. Os rebeldes estariam controlando postos de fronteira com o Egito. Nada se fala sobre a logística do movimento popular (comida, armas, etc) e se estão recebendo ajuda de outros países.

A situação poderá tender para alguns cenários nas próximas horas e dias:
- ataque geral de Kadafi aos revoltosos - acho difícil, porque as forças armadas estão com problemas de deserção e poderiam não querer atirar contra o próprio povo;
- separação em duas Libias, do leste e do oeste - pode ser um cenário transitório, onde Kadafi garantiria para seu controle parte do território, e o lado oeste poderia buscar ajuda estrangeira nos EUA, OTAN, etc; é pouco provável, mas possível por um breve espaço de tempo;
- guerra civil - no caso de Kadafi conseguir consolidar parte do território e população em seu apoio e começar uma guerra entre os dois lados - possível diante do discurso do ditador;
- entrega do poder por Kadafi com rastro de destruição : seria a hora de detonar poços de petróleo para não cairem de imediato nas mãos ocidentais, e bombardear Israel, podendo Kadafi buscar o martírio - difícil, por contar com militares que não quererão ser condenados caso o movimento rebelde seja vitorioso;
- entrega do poder via negociação : muito difícil a essa altura dos acontecimentos, mediante anistias, exílio de Kadafi;
- rendição e prisão de Kadafi : impossível
- suicídio / assassinato de Kadafi : possível, abreviando o processo de vitória dos revoltosos
- vitória de Kadafi com banho de sangue : muito difícil, e o país ficaria isolado da comunidade internacional, o que não seria problema para Kadafi, daí essa hipótese não estar descartada.

E o que seria a Líbia pós-Kadafi? Há uma frente oposicionista heterogênea, que vai dos restauracionistas da monarquia, passando pelos liberais, pelos religiosos, grupos tribais, etc. O novo governo tentaria apagar os rastros de Kadafi, internos e externos. O regime atual beira a esquizofrenia religiosa, com Kadafi praticamente adorado pelos seus seguidores como um profeta. De socialismo não tem nada. Seu regime está mais para a deformação da Coréia do Norte que para outros regimes ditos socialistas marxistas.

No âmbito externo, é mais difícil ainda prever quais os alinhamentos do novo governo, que podem ser da submissão às potências ocidentais ao fundamentalismo religioso. Caso a revolta vença, a heterogeneidade da aliança anti-Kadafi se radicalizará e dessa disputa sairá a nova correlação de forças. Por ora, EUA, Israel e a Comunidade Européia estão radiantes com a possibilidade de eliminar Kadafi, mas ninguém aposta no que virá por aí.

De tudo isso, uma coisa parece certa: a vitória da revolta popular na Líbia jogará mais lenha na fogueira dos movimentos anti-tirânicos árabes. O dominó poderá começar a cair com mais velocidade, varrendo países com ditaduras e famílias reais. A revolta líbia dará esperança em todo o mundo de lutar e vencer os opressores. Isso vale para os árabes e até para países ocidentais. Seguem algumas fontes de diversas visões, sendo algumas em árabe que o Google traduz toscamente, mas dá para entender:
http://www.jananews.ly/ (oficial da Libia com acesso dificílimo por congestão)
http://www.libya-nclo.com/ (esta é a página dos movimentos de oposição)
http://www.aljamahiria.com/ (este é ligado ao Kadafi, mas só dá prá ver fotos)
http://english.aljazeera.net/ (a Al Jazeera é do Katar, contra Kadafi)
http://www.jpost.com/ (Israel - Jerusalem Post)


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mais um apagão paulista

As últimas chuvas têm deixado os paulistas molhados e, agora, apagados. Hoje havia na cidade de São Paulo algumas áreas onde a Eletropaulo não conseguiu resolver o apagão de ontem, chegando a 24 h de falta de energia. Como em Sampa os governos do PSDB e DEMO são amigos da midia, essas coisas não ganham muita importância, assim como o metrô e o ônibus mais caros do Brasil, e a máquina de ganhar dinheiro com pedágios. Sem falar, é claro, nas sessões de porrada em manifestantes que reclamam dessas coisas.

BBB 11 tem a pior audiência de todos

Enfim, uma possível mostra de maturidade do telespectador brasileiro: o Big Brother Brasil, da Rede Globo, não consegue emplacar o Ibope da novela que o antecede. É o de pior audiência da série. A fórmula, afinal, parece ter-se esgotado e, quem sabe, no próximo ano, não ficaremos livres dessa baixaria? Um otimista diria que é mais um indício do declínio do império global.

Oriente Médio : Não é hora de aventuras

As coisas no mundo árabe estão muito complicadas para qualquer um arriscar uma jogada mais ousada nesse tabuleiro de xadrez da política internacional. Até aqui, o combustível queimado pelas revoltas mais bem sucedidas é o da crise econômica e da desigualdade social entre etnias religiosas, e nada de fundamentalismo religioso ou sectarismo anti-israelense. Tanto na Tunísia como no Egito, até o momento, do caos se fez uma nova ordem provisória, que manteve acordos de interesse israelense intocados.


Manter acordos, entretanto, não significa submissão. O governo provisório egípcio autorizou a navegação pelo Canal de Suez de barcos da marinha iraniana, que já chegaram ao Mar Mediterrâneo, a princípio, para treinar seus cadetes na Síria. O governo ultra-direitista de Israel já está mandando avisos que agirá se ninguém fizer nada para evitar o que chamam de provocação iraniana. Os EUA, principal patrocinador e protetor de Israel, até agora não deram nenhum passo, até porque não sabem onde estão pisando e certamente aguardam os desdobramentos da crise na Libia para tomar alguma atitude.

Do pouco que os americanos sabem sobre o que está acontecendo, uma coisa é certa: a pior coisa neste momento seria unificar as energias desses movimentos libertários contra ditadores pró-EUA no discurso anti-imperialista e anti-israelense, onde os grupos mais radicais tenderiam a ganhar destaque e liderança. A turma de Obama investe na queda de Kadafi, que poderia pavimentar o terreno para o fomento a um levante popular no Irã para derrubar Ahmadinejad e os aiatolás, o que também é muito difícil, mas pode ser tentado.


A frente de combate líbia não se resolverá em poucos dias, seja qual for o resultado. Se nesse meio tempo Israel cometer algum desatino contra os seus vizinhos, um grande conflito poderá ter início na região. Como os seus líderes não são muito sensíveis ao que se passa fora das fronteiras, o mundo corre o risco de uma guerra mundial onde pouco vão interessar os povos judeu, árabe ou persa, mas o fornecimento de petróleo para as superpotências, que têm para a região a mesma visão dos Cruzados da idade média.

Líbia não é Egito : a chapa vai esquentar muito

O velho ditador Kadafi não é bobo: durante todo o tempo no poder, a CIA e outros serviços secretos do ocidente tentaram de tudo para matá-lo, sabotá-lo e boicotar a Libia, que é o 12° produtor mundial de petróleo. Tudo porque Kadafi sempre confrontou a política do ocidente para o mundo árabe, defendendo uma espécie de "socialismo árabe", que transferiu parte dos recursos do petróleo para melhorar as condições de vida do povo.


Parece muito com o que vemos contra Hugo Chávez e Evo Morales, que nacionalizaram riquezas na Venezuela e na Bolívia, contrariando interesses de multinacionais. Até agora, esses dois países não romperam as regras democráticas formais, ao contrário de Kadafi, que no seu discurso de uma hora de duração hoje disse que não tem cargo a entregar porque não é presidente, é um lider revolucionário.

No Egito, Hosni Mubarak não tinha nada a temer, porque governava com mão de ferro e tinha a seu favor as potências ocidentais e Israel. Não se preparou para a eventualidade de um golpe. Não tinha organizações populares de defesa do seu governo. Kadafi tem. Hugo Chávez está construindo isso. Fidel, nem se fala de tantas tentativas contra Cuba. Kadafi disse que lutará até o último homem.

Acredito nisso, e um grande banho de sangue está a caminho na Líbia, para deleite da mídia ocidental que enxerga a resistência líbia como "genocida", mas se cala quando o assunto é a ação repressiva criminosa, por décadas, de Israel e dos fantoches americanos no Oriente Médio. Kadafi só largará a rapadura morto.


EUA : Esquenta a luta de classes

Há mais de uma semana trabalhadores do estado americano do Wisconsin estão nas ruas, mobilizados contra a tentativa do governador republicano aprovar no legislativo local um projeto restringindo os direitos de representação sindical dos servidores públicos, e aumentando os descontos nos salários. No estado de Ohio um outro projeto semelhante está em andamento.


Diante do ataque, sindicatos de todo o país organizaram jornadas de solidariedade e protesto contra a ofensiva do capital sobre os direitos trabalhistas, que não se restringe aos trabalhadores do setor público. Os republicanos têm o apoio de grupos organizados de extrema-direita ligados à facção republicana Tea Party. Na visão deles, os cortes com gastos no serviço público devem significar redução de impostos, beneficiando os mais ricos.

Hoje há manifestações por diversos estados americanos, com ocupações de prédios públicos, e o governador de Wisconsin ameaça chamar a Guarda Nacional para conter os protestos. Já cortou a internet pública, e ganhou o apelido de Mini-Mubarak. Defensores dos direitos civis consideram a escalada anti-sindical dos governos de direita americana ofensiva um risco à democracia.

Recomendo a leitura do artigo do Prêmio Nobel de Economia Paul Kugman, que não é nenhum esquerdista, mas que coloca a luta contra os servidores públicos numa escalada para o fortalecimento de oligarquias nos Estados Unidos, que segundo ele foram responsáveis pela crise financeira, nos moldes do terceiro mundo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Golpe : 48 21060049 oferece de tudo para pegar CPF

Mais uma tentativa de bandidos estúpidos para dar golpes em trouxas de plantão: pelo telefone 48 21060049, que está na Telelistas como pertencente à Itaucard em Palhoça (SC), ligaram hoje para um antigo celular que possuo mas há quase 5 anos cedi a outra pessoa, que coincidentemente estava ao meu lado quando tocou a ligação. Sabiam meu nome completo, os três primeiros dígitos do CPF, os dois últimos, e queriam saber os outros números do CPF, a pretexto de participar de uma promoção da FORD com R$ 10 mil na compra de um carro novo, e mais um bônus de R$ 1 para cada centavo gasto nas manutenções.

O detalhe é que esse "bônus" poderia ser usado na compra do novo carro, junto com o "desconto" de R$ 10 mil, e para tê-lo, deduzi, antes você teria que possuir um carro FORD. A moça, que falava tão rápido que não dava tempo para a gente pensar, acabou se enrolando quando comecei a perguntar coisas, entre elas onde obtiveram meus dados, e desliguei. A moça chegou a dizer que, dependendo do que eu gastasse em manutenções, poderia ter o novo carro "de graça"! E que aceitariam meu carro usado como entrada... Facilidade demais!

O uso não autorizado de informações cadastrais é ilegal. Fere a Constituição Federal. Mais detalhes em http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/01/telemarketing-comete-crimes-de-violacao.html

Fui direto à internet procurar o tal número, e lá estava, num site onde as pessoas relatam esse tipo de casos: http://www.quemliga.com.br/telefone/48-2106-0049 . Nesse link há relatos de outras pessoas que falam do uso no número em golpes passando-se pela Mitsubishi, pela Vivo e outras. Foi lá que descobri que o tal número pertence ao Itaucard. Mandei um e-mail para o Itaú comunicando o ocorrido, para verem se há clonagem do telefone ou alguém está fazendo essas ligações de lá. Abaixo, a busca na Telelistas.


HomeBusca: itaucard (1)







Itaucard Financeira S/A-Crédito Financeiro e Investimento Tel: (48) 2106-0049

Av Pedra Branca, 744
Palhoça - SC - CEP: 88137-270


+info | torpedo
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Financeiras IB

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Hoje, Líbia. Amanhã, Cuba?

O ditador Muamar Kadafi, da Líbia, desagrada e desagradou por décadas as potências européias e os Estados Unidos. Nos anos que anteciparam a crise do petróleo de 1973, a Líbia, já com Kadafi no poder, foi um dos países que nacionalizaram as instalações das empresas estrangeiras que constituíam as "sete irmãs", e participou do boicote do petróleo ao ocidente depois da guerra do Yon Kipur, onde Israel tomou territórios do Egito, Siria e Jordânia.


Antes dos EUA transformarem o Irã no principal vilão da atualidade, esse papel era da Libia, acusada de financiar o terrorismo pelo mundo. Tentaram várias vezes assassinar o líder líbio, sem sucesso. Boicotaram a Libia por décadas, até que recentemente o país saiu da lista negra por aceitar pagar indenizações a vítimas de um atentado aéreo ocorrido em Lockerbie, na Inglaterra. Nada disso, entretanto, freiou as intenções do ocidente de eliminar um líder contrário a Israel, com influência na comunidade árabe.

O banho de sangue que está começando na Líbia, com a repressão aos protestos contra o governo de Kadafi, está sendo denunciado pelos países imperialistas, que através de serviços de inteligência fomentam tentativas golpistas. A julgar pelo método, se a coisa avançar na Libia, não pouparão esforços em outras aventuras, como Cuba e Irã. Logo virão boicotes e outras medidas contra a Líbia, caso não seja bem sucedida a tentativa de golpe apoiada pelas potências ocidentais.

Rio : Mengão despacha o Botafogo

Time que só tem um jogador que preste e que não sabe bater pênalti tem mais é que chorar a cada derrota para o Mengão. As duas melhores equipes do Rio disputarão a final da Taça Guanabara : Flamengo x Boavista. O poderoso time de Saquarema despachou ontem outro time que só tem um jogador e não sabe bater pênaltis, o Fluminense.


Uma pergunta que não quer calar: não é o primeiro jogo no Engenhão, administrado pelo Botafogo, que os ingressos se esgotam, mas pela TV se nota grandes vazios nas cadeiras. Quem explica?

EUA : a próxima rebelião?

Ontem no estado norte-americano de Wisconsin milhares de pessoas fizeram um ato de protesto contra o avanço do governo estadual (republicano, empossado em janeiro) sobre os salários dos servidores, na forma de aumento dos descontos, e sobre o movimento sindical que representa os trabalhadores, querendo reduzir seu poder de negociação. A rede de TV FOX, que defende a extrema-direita de Sarah Palin e do movimento Tea Party, foi vaiada e houve palavras de ordem do tipo que se lança no Brasil contra a Rede Globo.


No cenário federal, Obama não só não consegue fugir dos trilhos do neoliberalismo e fracassa nas reformas sociais, como se coloca nos mesmos trilhos da política externa de Bush no Oriente Médio, apoiando ditadores árabes e mantendo a política de apoio ao estado criminoso de Israel na expropriação de terras dos palestinos. Há dois dias, contra o voto de outros 14 membros do Conselho de Segurança da ONU, os EUA rejeitaram uma moção condenando a construção de novas casas de israelenses em terras roubadas dos territórios palestinos.

Obama também não consegue fazer o país sair da crise, porque enfrenta a direita que a todo momento impõe cortes orçamentários, sabota programas sociais e mantém aquecido o aparato político-militar com imensos gastos públicos, fomentando as guerras pelo mundo. O governo Obama está paralizado, e os dois anos que faltam para as próximas eleições poderão ser uma lenta sangria dos democratas, abrindo espaço para a ascensão da extrema-direita ao governo. No mundo, o que está ruim, pode piorar muito, com mais truculência imperialista na defesa dos interesses do Tio Sam.

O cineasta Michael Moore, ferrenho opositor da direita, publicou artigo convocando os jovens a manter o espírito que levou Obama ao governo, e a protestarem nas ruas exigindo reformas que tirem os EUA desse destino aparentemente inexorável, de tornar-se a mais ameaçadora potência direitista do mundo, tomando os poucos direitos sociais e sacrificando mais a classe trabalhadora para dar mais aos ricos. Não será surpresa se a onda anti-ditatorial que toma as ruas do mundo árabe vier a frutificar no país mais rico do mundo, onde a plutocracia capitalista e sua democracia de fachada podem estar ruindo junto com a economia.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

País rico é país sem pobreza


O novo slogan do governo federal é óbvio, mas parece ter sido esquecido pelas elites por quinhentos anos. A riqueza de um povo e de uma nação não se mede apenas pelos imprecisos índices estatísticos, pelos quais se uma pessoa come dois biscoitos e outra não come nenhum, na média o consumo é de um biscoito por pessoa.

Lula melhorou as condições de vida de razoável contingente, reacendendo a esperança de haver um futuro para as pessoas. Foi o recordista de índices de elevação de qualidade de vida que mereceram o bordão "nunca na história deste país" a todo momento. O Brasil sempre foi rico, mas até Lula nunca houve preocupação real com a distribuição dessa riqueza, mesmo prevalecendo imensas diferenças.

Lula construiu no exterior uma imagem positiva do país, ao contrário de FHC e Serra que andam pelo exterior pregando em palestras que o país está na pior. Essa turma, que governou e não conseguiu tais resultados, perdeu em tudo. Aqui vai o link de um programa norte-americano (60 minutes), que tem boa audiência, retratando a decolagem do Brasil como potência mundial a partir de Lula. É daquelas coisas para combater o complexo de vira-latas que durante muito tempo construíram nas mentes do nosso povo.
http://www.youtube.com/watch?v=DMM7OJ_Kj9I