sexta-feira, 31 de julho de 2009

EUA : mais presença militar na América do Sul

Ao final do governo Bush, os EUA reativaram a sua Quarta Frota, que tem na sua jurisdição as águas do Atlântico Sul, ou seja, todo o litoral brasileiro. A medida coincidiu com a descoberta de imensas jazidas de petróleo na camada pré-sal na plataforma continental do Brasil, numa conjuntura de redução mundial das reservas descobertas e de maiores dificuldades americanas para obter o insumo e hoje praticamente tem petróleo para fins estratégicos. E, o que é mais grave para eles: quase todo o petróleo está em mãos de regimes pouco democráticos, com potencial anti-americano.

Nesta semana, a Colômbia anunciou mais facilidades para militares americanos ocuparem bases aéreas e navais no país, bem como o aumento de contingentes e participação no combate à guerrilha das FARC. O acordo também facilitaria a compra de armamentos americanos de alta tecnologia. O presidente venezuelano Hugo Chávez protestou e retirou o seu embaixador de Bogotá, o que foi ridicularizado pela nossa mídia como mais um dos seus arroubos anti-americanos.

Ontem o presidente Lula demonstrou insatisfação com o aumento da presença americana na Colômbia, e teve a concordância da presidente do Chile, Michele Bachelet. No caso brasileiro, a presença militar americana na região amazônica seria um foco de ameaça à soberania sobre as riquezas da região, já que a idéia de uma "Amazônia internacionalizada" alimenta teorias conspiratórias com base em evidências concretas de tentativas de tirá-la da gestão nacional. O uso de bases colombianas permitiria, por exemplo, a bombardeiros americanos cobrirem metade do continente sem necessidade de reabastecimento.

Lula disse que o governo brasileiro terá que se reunir com Obama para discutir a questão da Quarta Frota, já que não teve resposta do então governo Bush a uma carta onde se questionava a presença militar americana com jurisdição praticamente em cima das reservas de petróleo da camada pré-sal. O discurso pacifista de Barack Obama para a região perde sentido com esse acordo, e alimenta as desconfianças em relação aos possíveis interesses imperiais americanos sobre recursos estratégicos do que consideram "seu quintal", e do potencial intervencionismo político, a título de combate ao que definirem unilateralmente como "terrorismo".

Nossa imprensa colonizada não deixou por menos: O GLOBO de hoje chama de "vezo ideológico" a preocupação da diplomacia lulista com o acordo Colombia-EUA, dizendo que "o ministro Celso Amorim pendeu para o lado de quem é suspeito de armar o grupo narcoguerrillheiro das Farc", e que "não fica bem pra um governo cujo presidente deseja ter influência mundial". Ou seja, para a direita, qualquer ato que vise a defesa da soberania contra a presença americana tem a marca de Hugo Chavez e, portanto, não interessa ao Brasil, que tem que ficar sempre disponível aos interesses americanos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Fora Sarney XI - Os grilhões do PT

Num raro gesto de mínima autonomia política, a bancada de senadores do PT expediu há poucos dias uma nota onde se posicionava timidamente pela licença do presidente do senado, José Sarney, dados os indícios de quebra de decoro por envolvimento do cacique maranhense com um "ato secreto" que nomeou para uma boquinha da casa o namorado da sua neta. Mesmo esse pequeno gesto não foi perdoado pelo Planalto, que botou o ministro da articulação política, José Múcio, para desautorizar os senadores do PT.

Os senadores reagiram, e Múcio, que não é do PT, recuou. Foi então acionada pelo Planalto a alta burocracia do PT para "centralizar" Mercadante, Arns, Suplicy e outros, com o presidente do partido, Ricardo Berzoini, vindo a público dizer que a nota atribuída a Mercadante seria "infantil", e lembrando que, se Sarney sair, o controle do senado ficará com a oposição. Reforçando o rolo compressor da burocracia partidária, o ex-dirigente petista José Dirceu disse ontem no seu blog que o que os senadores do PT fizeram não seria coisa do PT, e concordou com Berzoini.

Mesmo com seus direitos políticos cassados por envolvimento no escândalo do Mensalão, José Dirceu continua atuando nos bastidores do Planalto e influindo no PT como antes. E mostra coerência com a direção política que imprimiu ao partido na sua descaracterização programática e na supressão da democracia política interna, ao reforçar o centralismo de viés estalinista sobre qualquer voz distoante da vontade do governo, mesmo que tímida e envergonhada. Foi o principal causador do desgaste que o PT teve junto às suas bases, liquidando a militância, em troca do servilismo incondicional a qualquer acordo que viabilizasse a chegada de Lula ao governo, e, depois da posse, no balcão de negócios montado para garantir a governabilidade, rasgando todas as formulações táticas acumuladas por anos na discussão democrática das instâncias partidárias. Dirceu fez do PT um partido "igual aos outros" no que há de pior.

Pelo desserviço prestado ao PT, Dirceu não tem as qualificações para criticar qualquer atitude coerente de petistas. Nem para amordaçar ou agrilhoar aos que construíram suas trajetórias políticas com base na credibilidade, na honestidade, na coerência com os princípios e o programa daquele partido que já representou algo de novo na organização dos trabalhadores no mundo. Essa política perversa, suja, que faz o Planalto defender corruptos e apoiar candidaturas da base aliada sem consultar a vontade do PT, intervindo se necessário para enfiar goela abaixo suas táticas, é que não tem nada a ver com o partido.

Mesmo sob forte pressão e reagindo a enquadramentos, a maioria dos senadores do PT deve resistir e buscar apoio na sociedade e na imensa maioria de petistas desgostosos e calados para aumentarem o tom de voz e pedirem, claramente, em nome da história do partido, a saída incondicional de Sarney, a apuração de toda a bandalheira e mais respeito de dirigentes e governistas. E a José Dirceu que volte ao merecido ostracismo.

Eletrobrás patrocina de Vasco a Sarney

Fechado há poucos dias o estranho patrocínio de R$ 14 milhões anuais da Eletrobrás ao Vasco, time rebaixado no ano passado para a segunda divisão do campeonato brasileiro e que teve como intermediador o vascaíno governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O contrato terá a duração de 4 anos, ou seja, a Eletrobrás, empresa pública, repassará ao time do governador a bagatela de R$ 52 milhões de dinheiro público, queimando sua imagem na camisa do time da segundona. Não houve sequer critério técnico de marketing para a opção pelo Vasco, já que a estatal poderia patrocinar qualquer outro time. Pura politicagem com dinheiro dos outros.

O Flamengo tinha um contrato no mesmo patamar de valores com a Petrobrás, com a diferença de ter a maior torcida do mundo e nunca ter caído para divisões inferiores. Enquanto empresa de economia mista, a Petrobrás deve satisfações legais aos mecanismos de fiscalização pública, aos seus acionistas e ao mercado internacional, enquanto a Eletrobrás somente presta contas a entes governamentais. Os dirigentes vascaínos alegam ser a mesma coisa em ambos os casos, mas há uma flagrante diferença que coloca a Eletrobrás como patrocínio público politiqueiro, obtido pelo governador do PMDB junto ao Ministério das Minas e Energia, dirigido por Edson Lobão, do PMDB do Maranhão, e escudeiro fiel do presidente do senado, José Sarney.

Hoje os jornais estampam que uma auditoria do Ministério da Cultura no Instituto Mirante, de Fernando Sarney, apurou fraude em patrocínio da Eletrobrás para essa ONG. Além disso, pelo menos R$ 116 mil foram parar em contas de empresas ligadas à família Sarney. Fernando Sarney está sendo investigado pela Polícia Federal pelo envolvimento em tráfico de influência em contratos da Eletrobrás que, além de feudo do PMDB, parece não ter fiscalização pública dos seus cofres. O que será que o TCU, tão diligente em paralisar obras do PAC, teria a dizer desses casos suspeitos?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Gasto público : a direita espuma de raiva com Lula

A direita tem poder porque é unida e uníssona, apesar de se dividir em diversos partidos por problemas disputas feudais internas. Isso não turva a visão estratégica, nem impede as ações políticas para garantir, através da manutenção das desigualdades sociais, os privilégios de uma casta que explora a grande maioria. Já a esquerda é plural, fracionada ideologicamente, e tem imensa capacidade de perder o foco e se autodestruir por questões secundárias, o que também fortalece mais a direita.

Com sinais de superação da crise pelo Brasil, justo no governo daquele que apelidam de "apedeuta" (ignorante; estúpido; sem instrução), e do sucesso dos programas sociais, agora usam seus canais de mídia para incutir na sociedade que o gasto público é lesivo ao país, e que o correto é o investimento em infra-estrutura. O que é, para eles, esse investimento? Construir estradas com dinheiro público para depois privatizá-las? O mesmo com portos, aeroportos, usinas energéticas, indústrias de base? Já não pagam muitos impostos, que recaem em grande parte sobre a classe média e sobre os assalariados em geral, e ainda querem levar a maior parte do bolo?

Basta abrir qualquer programa de debate, jornal ou noticiário, para ver "autoridades" falando da "irresponsabilidade" do governo Lula ao defender reajuste de 10% no bolsa-família, bem acima da inflação do período, e de mudanças positivas no benefício da previdência social, assim como de pagar o reajuste prometido aos servidores públicos, que o governo já disse que honrará. Isso sem falar na redução do superávit primário, aquele que o governo tirava para garantir pagamento de dívidas, e agora, finalmente, começa a dispender em coisas úteis à sociedade. Isso em meio a um cenário onde Barack Obama, dos EUA, perde popularidade porque pegou dinheiro público para ajudar bancos e grandes empresas em dificuldade, sem nenhum retorno à grande maioria dos americanos.

Apesar dos pesares, o governo do "apedeuta" começa a exibir resultados de políticas que começam a aparecer. Hoje na TV o governo usou cadeia nacional para falar de um programa que a direita esconde dos seus meios de comunicação, mas tem um forte impacto social: o Luz para Todos. Mais de 10 milhões de pessoas foram beneficiadas, tiradas das trevas, e passaram a ter isonomia de qualidade de vida com os demais. Isso não interessa à direita, pois é gasto público... com pobres!

A direita odeia os "dalits" brasileiros. Espumam de raiva ao verem o crescimento da classe média, que compra fogões, geladeiras, máquinas de lavar, carros e casa própria como nunca. Para eles, melhorar a dignidade dos pobres significa menor exploração, já que as pessoas não se sujeitam ao aviltamento na relação assalariada se tiverem alguma proteção social. Essa é, no fundo, a razão de tanto ódio a Lula e aos gastos sociais do seu governo.

Fora Sarney X - megapizza à vista

Apesar do recesso parlamentar, Sarney continua fritando com a falta de decoro explicita do ato secreto que nomeou o namorado da sua neta para uma boquinha no Senado, abonado pelo velho coronel maranhense. Hoje o PSDB entrou com 3 representações contra Sarney por falta de decoro, o que pode forçar o desfecho do caso. A medida deve gerar represálias do PMDB. Renan Calheiros, outra peça boa do PMDB, teria ameaçado entrar com representações contra Artur Virgilio e Tasso Jereissati do PSDB também por falta de decoro, um por acolher funcionário fantasma no seu gabinete, outro por mau uso de passagens.

Da parte do governo, a bancada do PT, por maioria, resolveu reeditar o tímido pedido para Sarney se licenciar. O ministro José Múcio, da articulação política, disse que a nota não expressava o desejo da maioria dos senadores do partido, o que gerou nova reação dos senadores do PT e a desculpa esfarrapada do ministro, dizendo que não tinha tentado enquadrar ninguém. Lula hoje fez discurso pedindo o desfecho do caso, lavando as mãos ao dizer que o senado já tem maioridade para cuidar do caso.

Da parte da grande imprensa, em especial das organizações Globo, a campanha midiática é para infligir o maior estrago possível à base aliada e ao governo, nem que para isso tenha que enaltecer a atitude "rebelde" dos senadores do PT numa manobra para jogá-los contra Lula, e pregar Sarney ao máximo junto à imagem do presidente. O interesse da Globo, evidentemente, não é apenas de aniquilar um velho sócio seu, concessionário de TV da empresa no Maranhão e aliado dos seus interesses desde os tempos da Arena, mas remover o obstáculo para iniciar a CPI da Petrobrás e inviabilizar a criação do marco regulatório da exploração do petróleo na camada pré-sal na esperança postergá-lo para um eventual futuro de direita, como José Serra, por exemplo. Com Sarney renunciando ou licenciado, assumiria o suplente, do PSDB, por cerca de 30 dias, até uma nova eleição, tempo suficiente para muito estrago.

A megapizza viria na "solução negociada" para a saída de Sarney, que envolveria a retirada de todas as acusações a ele, a transição para a eleição de um novo presidente do senado dos quadros do PMDB, sem o oportunismo do PSDB na eventual vacância. O resultado seria Sarney fora, mas "limpo", assim como Renan Calheiros, e toda a sujeira do senado varrida para baixo do tapete, para alívio da quase totalidade de picaretas que usaram e abusaram de benesses e esgarçaram a moralidade do dinheiro público em benefício próprio. Isso frustraria os anseios da sociedade por uma política mais honesta, e absolveria a camarilha de corruptos, que, impunes, continuariam a rir das nossas caras.

domingo, 26 de julho de 2009

Tráfico de drogas é menos rentável que bancos

A Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro fez o estudo "A economia do tráfico na Cidade do Rio de Janeiro : uma tentativa de calcular o valor do negócio", um estudo inédito sobre a contabilidade do tráfico de drogas no município do Rio de Janeiro. Os dados têm imprecisões, já que partem de estimativas de valores, de usuários por drogas, de número de "profissionais" da "cadeia produtiva", de armamentos necessários para a segurança, de perdas por apreensões e de "impostos"(subornos), mas são uma boa tentativa de quantificar a rentabilidade do "negócio" e possibilitar a análise do comportamento dos traficantes em busca de maiores lucros. A revista Superinteressante 267, de julho, traz um infográfico muito esclarecedor do modelo de negócio.

A conclusão do estudo é que o lucro anual de R$ 26,54 milhões resulta de um faturamento de R$ 316,68 mi deduzidos R$ 290,14 mi de custo total. O lucro sobre receitas seria de 8,38% anuais, ou seja, seria melhor que o tráfico aplicasse no mercado financeiro para ganhar sem fazer nada. Por isso, deduz o estudo, o narcotráfico procura expandir seus negócios aproveitando melhor seus "pontos de venda", aumentando o "mix"de produtos e serviços com a venda de botijões de gás, tv a cabo pirata e segurança, entre outros. É muita desgraça para pouco dinheiro.

Os banqueiros não devem ter gostado do estudo. É que fica cada vez mais patente que o melhor negócio no Brasil é banco, que desgraça a vida de muita gente, suga recursos das famílias, vicia, escraviza e, por mais imoral que pareça a usura praticada aos níveis nacionais, o negócio continua legalizado. Confirmados os dados do estudo da Secretaria de Fazenda, estará detonado o mito do tráfico como o melhor negócio do mundo. No governo do "esquerdista" Lula, a rentabilidade dos bancos atingiu números generosos, obscenos comparados aos países capitalistas centrais. No primeiro trimestre de 2008, a média chegou a 21,8% para a rentabilidade da intermediação financeira, muito superior à merreca de 8,38% da intermediação de drogas.

sábado, 25 de julho de 2009

Brinquedos científicos fazem falta

A década de 60 foi bem servida de brinquedos relacionados a atividades de engenharia. Não havia quase nada de informática, e o que empolgava era a eletrônica, a astronáutica, a aeronáutica, a mecânica, a química e a construção civil. Quem foi da minha geração deve se lembrar de jogos como Monte-brás, de madeira com parafusos plásticos, que possibilitava a construção de guindastes, veículos diversos. Ou do Mec Brás, ou Meccano, com peças em metal, ou o seu similar, o Erector, jogo americano que existia desde o início do século XX. E os modelos de montar e pintar da Revell?

O Laboratório Quimico Juvenil incentivou muita gente a fazer até 50 experiências, misturando substâncias diversas. Da mesma época também era o Autorama, que até hoje a gente vê em versões ampliadas em lojas especializadas. Ainda tínhamos aeromodelos, o foguete Apolo, da Estrela, que voava propelido por água ejetada por ar comprimido bombeado. Quando passei para o ginásio, ganhei o Philips Electronic Engineer, em cujo manual havia instruções para a montagem até de rádio. Esse tipo de brinquedo, que mexe com as habilidades infanto-juvenis fora do mundo virtual, deveria voltar para incentivar as profissões de engenharia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Longa vida a José Alencar !

Um dia depois da alta da última internação, o vice-presidente José Alencar voltou ao hospital novamente com problemas relacionados ao câncer que o compromete há vários anos. A preocupação com o seu estado de saúde transcende à solidariedade humana, e ao desejo da sua sobrevida com qualidade. O eventual falecimento de José Alencar comprometerá a estratégia do final do governo Lula, pois, na vacância da presidência, assumirá o presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB .

A muito curta memória nacional já não se lembra mais que Temer apoiou Alckmin contra Lula em 2006, e hoje faz parte da base aliada graças ao fisiologismo do PMDB. Além disso, como o PMDB não tem qualquer pudor mesmo em breve espaço de tempo, basta uma viagem de Lula ao exterior para decisões serem tomadas para beneficiar os apaniguados do partido. Exagero?

Mais uma vez refresco a memória nacional: em 1989, num breve lapso de 3 dias, o então presidente Sarney viajou ao exterior e, como não tinha vice, já que era o vice de Tancredo Neves, o presidente da Câmara, o deputado cearense Paes de Andrade, do PMDB, assumiu na vacância. Seu primeiro ato foi transferir temporariamente a capital para a sua cidade natal, Mombaça, no interior do Ceará, levando no avião seus ministros. Aproveitou a oportunidade ímpar para ordenar a construção de uma barragem para abastecimento, que vinha sendo postergada desde 1910. A República de Mombaça foi um exemplo do que o PMDB pode fazer numa interinidade.

A demanda de Lula por viagens ao exterior vai ser forte até o fim do seu governo, já que o Brasil vem se colocando como potência soberana e ensaiando dar cartas nas decisões globais. Quem é de reza vai ter que orar muito para nos livrar do câncer que debilita José Alencar e do câncer político do fisiologismo peemedebista, na sua ausência.

Rio: Médicos do tráfico x ética médica

Duas "enfermarias do tráfico" foram estouradas nos dois últimos dias, no Rio. Foram encontrados materiais para cirurgia e curativos, e a polícia procura por médicos que prestam serviços particulares a criminosos, que podem ser indiciados por formação de quadrilha. Caso estes sejam identificados, responderão também a processo ético a ser instaurado pelo Conselho Regional e Medicina, podendo ter o registro profissional cassado.

Por curiosidade, procurei ver o que diz o Código de Ética Médica sobre o assunto. No seu artigo sétimo, diz que "o médico deve exercer a profissão com ampla autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços profissionais a quem ele não deseje, salvo na ausência de outro médico, em casos de urgência, ou quando sua negativa possa trazer danos irreversíveis ao paciente". Claro que a autonomia perde sentido quando o profissional está cercado de gente armada e estressada, e é sequestrado até o local. Isso certamente será alegado em defesa dos médicos. Enfermeiros envolvidos passarão por processo similar.

Ainda no Código, encontrei dois artigos suficientes para acabar com boa parte da assistência médica no país, se aplicados com rigor:

Art. 9° - A Medicina não pode , em qualquer circunstância, ou de qualquer forma, ser exercida como comércio.
Art. 10° - O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros com objetivos de lucro, finalidade política ou religiosa.

Adeus, Cuca. Siga o exemplo, Sarney.

O futebol parece mais democrático que a política. Um político pode enterrar um estado, fazer todo tipo de bandalha no Senado, e ficar 50 anos no poder, mesmo que a sua cabeça se pedida pela sociedade. No futebol, um técnico não dura muito pelos maus resultados, mesmo que os cartolas insistam em mantê-lo. Assim foi com Cuca, técnico do Flamengo, finamente demitido ontem, depois de mais um medíocre empate para um time pequeno, em pleno Maracanã. No fim do jogo, a torcida gritou "Fora Cuca" em alto e bom som. Aí náo teve cartola que segurasse.

O que diferencia a política partidária do futebol é a paixão, o valor que representa na mente das pessoas. As torcidas sofrem mais objetivamente com os maus resultados do time que com as políticas partidárias. Chegam a invadir treinos e ameaçar técnicos, cartolas e jogadores em busca de soluções, mas não fazem o mesmo com a política, onde reina a passividade e a esperança de que apareçam "salvadores da pátria" que façam por eles os seus deveres.

Se houvesse clamor popular pela saída de Sarney e pelo fim da bandalheira estrutural chamada Senado, o cartola Lula não seguraria a barra. Jogando prestígio e biografia na lama, Lula, referindo-se ao episódio mais recente de patrimonialismo da família Sarney, disse que "uma coisa é matar, outra é roubar, outra é pedir um emprego, outra é relação de influências e outra é lobby". Refém das chantagens do PMDB, Lula parece aqueles pedintes de sinal de trânsito que têm um discurso padronizado, tipo "moço, eu podia estar matando e roubando, mas estou aqui só pedindo um auxílio". No caso Sarney, é "só um empreguinho". Coisa pequena...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fora Sarney IX - a grande família no Senado

Até aqui, Sarney está firme no seu cargo, tanto pelo apoio irrestrito do PMDB como pelo do Governo Lula, a quem não interessa ver um tucano no cargo, na sua vacância, em meio à CPI da Petrobrás. Enquanto isso, o inesgotável manancial de denúncias vai fritando o velho coronel da politica. A maracutaia do dia de ontem foi a publicação das gravações telefônicas envolvendo Sarney, seu filho Fernando e a neta, Beatriz, num "assunto de família": arranjar um empreguinho do Senado para o namorado da neta, para o lugar do irmão de Bia.

As gravações mostram o diálogo do filho do presidente do Senado, Fernando Sarney com Aluísio Mendes, ajudante de ordem do pai: "O irmão de Bia, quando papai era presidente do Senado, eu arrumei emprego prá ele lá. Ele tá saindo, e eu liguei pro Agaciel ver a possibilidade de colocar namorado da Bia lá. Porque me ajuda, viu, é uma forma de dar uma força para mim. E o irmão tá saindo, é uma vaga que podia ser nossa". Noutra gravação, o próprio José Sarney avaliza a transação entre Fernando e o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia. O fato: o namorado de Bia foi nomeado por "ato secreto"! Falta de decoro explicita, mas ainda não será suficiente para o algoz do povo maranhense sair do cargo. É o famoso "batom na cueca".

Se a família Sarney alega direitos hereditários para manter seus parentes em boquinhas pagas com dinheiro público, a grande "famiglia" de pizzaiolos do Senado continua querendo fazer do seu presidente um escudo para continuar com as mesmas práticas. Os tucanos querem o seu cargo para um dos seus. O DEMo se finge de morto, mas mantém a poderosa primeira-secretaria há 14 anos, aquela que faz os contratos. O PT envergonhado e submisso fica naquela de "se não for incômodo, a gente sugere umas férias". Para completar o faz-de-contas da busca de moralidade, o senador Cristóvão Buarque, depois de ter feito um discurso onde pedia plebiscito para o povo dizer o que fazer com o Congresso, agora está mais comedido: quer um "plebiscito entre senadores" para que se posicionem no plenário sobre a saída de Sarney. Ridículo. Não precisamos de Sarney, nem do Senado.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

UNE : da luta estudantil à submissão ao governo

Os mártires da história da UNE devem estar se revirando em suas covas com a completa falta de pudor do seu novo presidente, Augusto Chagas, ao declarar que o movimento estudantil deve ser mantido pelo governo, e que a UNE irá fazer campanha pelo país para ressaltar as vantagens do governo Lula sobre o de FHC. Não bastasse a grande maioria do movimento sindical, o MST e as ONGs (agora traduzidas como Organizações Neo-Governamentais, em sua maioria) se submeterem aos "arregos" fisiológicos do governo Lula, agora a UNE passa da posição submissa passiva a submissa ativa. Tá tudo dominado...

Os movimentos sociais e partidos de esquerda resistem bem a ditaduras e a governos "democráticos" de direita, mas num governo com "verniz de esquerda" se entregam ao aparelhismo sustentado por verbas e cargos. Não existem mais nem a autonomia política nem a independência de sustentação das entidades, o que é preocupante sabendo-se que governos passam e seus sucessores podem eliminar todos os poucos avanços do atual governo. Quando isso acontecer, os movimentos não terão credibilidade para dirigir a resistência aos ataques.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Lula critica privatização de bancos a troco de nada

Ontem o presidente Lula criticou a privatização de bancos públicos, como o Banespa, e disse que tem pena de Obama por não ter um Banco do Brasil para dar credito em momentos de crise. E quer que o BB continue comprando bancos e abra filiais nos países parceiros na América Latina, África e Ásia.

O presidente esqueceu de dizer que no seu governo foram privatizados o BEC - Banco do Estado do Ceará, em 2005, e o Banco do Estado do Maranhão - BEM, em 2004 . Ambos estavam sob intervenção do Banco Central, federalizados, e foram adquiridos em leilão pelo Bradesco. Também se esqueceu de dizer que o hoje elogiado Banco do Brasil esteve à deriva no mercado , praticando juros altos e retendo crédito como o oligopólio privado, até a nomeação do atual presidente em abril de 2009, e ainda não eliminou as diretivas tucanas que até aqui o preparam para a privatização.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os 40 anos da incrível viagem à Lua


Até hoje há quem diga que foi tudo armação, com cenários de estúdio e muita propalação de uma superioridade tecnológica americana na corrida espacial disputada contra a União Soviética, e que a Apolo 11 não teria chegado à Lua. No simbolismo ideológico, significaria a vitória do capitalismo sobre o comunismo. Como a URSS não contestou nada, e, caso tenham ocorrido de fato, tais missões devem haver vários equipamentos deixados por lá, fico com a possibilidade da incrivelmente incipiente engenharia da época ter realizado o "grande passo para a humanidade", como disse o astronauta Neil Armstrong, da Apolo 11, o primeiro a pisar o solo lunar há exatos 40 anos.

Nasci poucos meses antes da URSS lançar o primeiro artefato a orbitar a terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957. Antes que os americanos contabilizassem o fato, a União Soviética mandou o primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika, e em 12 de abril de 1961, mandou o primeiro homem ao espaço, o astronauta Yuri Gagarin. Esta goleada dos comunistas, somada ao fracasso do ataque de mercenários e da CIA na tentativa de golpear o recente regime de Fidel Castro em Cuba e à suspeita do uso militar do programa espacial pelos russos, o então presidente americano John Kennedy, em maio de 1961, fez um discurso inflamado lançando à nação o desafio de chegar à Lua antes do fim da década. Com fartas verbas, a NASA tocou o Projeto Apollo no prazo.

A direção técnica do projeto coube ao engenheiro alemão Werner Von Braun, que já havia desenvolvido os sistemas de propulsão e direção dos mísseis V1 e V2 para os nazistas na segunda guerra mundial. A engenharia aprimorou as técnicas de gerenciamento PERT/CPM, além dos sistemas de computação e navegação, combustíveis, telemetria, materiais e diversos subprodutos no curto espaço de tempo de 8 anos.
No fim de 1972, a Apolo 17 voltou à Terra na última missão do programa. Tirando a Apolo 13, que teve problemas e sua tripulação não chegou a alunissar, foram 12 pessoas que caminharam no solo lunar, inclusive num jipe especialmente construído para a missão. Visitei o Centro Espacial Kennedy, em 1997, onde pude ver que as vedações da cápsula, por exemplo, não eram muito diferentes das borrachas de geladeira. O traje espacial chamou a atenção pela rusticidade. A sala de comando da missão foi preservada, e dá um tom heróico ao feito, porque toda a capacidade de computação usada nos cálculos caberia hoje num celular. Também está no centro uma réplica do gigantesco foguete Saturno V, que levava a carga ao espaço, soltando diversos estágios durante a ascensão.

Essa data é uma daquelas que a gente pergunta aos contemporâneos : onde você estava quando o homem pisou na lua? Praticamente todo mundo acompanhou ao vivo, na recente transmissão via satélite, o sucesso da missão. Lembro-me perfeitamente da imagem em preto e branco da TV, como o coroamento de uma expectativa, que certamente influenciou na minha opção por cursar engenharia.

Durante toda a década o sonho povoou a mente dos jovens e crianças, que viam na viagem espacial o futuro. Escolas obrigavam os alunos a lerem "Da Terra à Lua", de Jules Vernes. A série toscamente produzida "Perdidos no Espaço" era outra fonte de sonhos. Até os poetas fizeram alusões ao pisoteamento da lua dos namorados. Gilberto Gil compôs "Lunik 9" em 1967, antecipado a chegada do homem ocorrida em 20 de julho de 1969.








domingo, 19 de julho de 2009

Trem-bala Rio-S.Paulo - sai ou não sai?

Em agosto será lançado o edital para a construção do primeiro trecho de ferrovia de alta velocidade da América do Sul, ligando a Central do Brasil, no Rio de Janeiro, à estação da Luz, em São Paulo. O tempo estimado para a viagem é de 1:25h, e o preço será na faixa de R$ 115. Os US$ 9 bi orçados para a obra serão da iniciativa privada, sem dinheiro público, com a concessão por 35 anos. A obra deverá ficar pronta em 2015, mas certamente haverá pressão política para concluir até a Copa do Mundo em junho de 2014. O trem poderá atingir a velocidade de 360 km/h.

Hoje uma viagem de passageiros no mesmo trecho é inviável pela longa duração da viagem. O traçado da ferrovia tem que superar o aclive da Serra do Mar, e o faz através de longas curvas e túneis que aumentam a distância, já que o projeto ferrroviário usa rampas da ordem de 2% (2 metros de subida a cada 100 metros), enquanto o projeto rodoviário pode usar inclinações da ordem de 7% ou mais. Um exemplo de sistema ferroviário de alta velocidade é o Eurostar, que liga as principais capitais da Europa, e exigiu a construção de um túnel sob o Canal da Mancha que foi extremamente caro e consumiu recursos públicos e privados da França e Inglaterra.

O projeto do trem-bala tem seu valor elevado porque o traçado é o mais retificado possível, transpondo os obstáculos com caríssimos túneis e viadutos. As vantagens vão da redução da emissão de carbono na atmosfera, já que o trem terá propulsão a eletricidade, à redução do tráfego em rodoviárias, aeroportos e na Via Dutra, que liga as cidades, além da confiabilidade pela independência de condições atmosféricas para determinação do tempo de viagem.

A matriz de transportes brasileira, que privilegiou rodovias e sucateou ferrovias, é um atraso histórico que repercute nos custos da produção. Comparado a outros países continentais como os Estados Unidos e a China, nosso transporte de cargas e passageiros por trens é incipiente, o que contribui para os problemas de tráfego das cidades. Quase trinta anos sem investimentos fizeram com que o metrô do Rio, por exemplo, tenha apenas duas linhas de curto percurso, deixando de atender a grandes concentrações e a superar gargalos geográficos, como o tráfego para a Barra da Tijuca. Recentemente algumas ferrovias foram impulsionadas, como a Norte-Sul e a Transnordestina, mas o esforço é incipiente para superar as dimensões continentais do país.

Imprevistos na execução dessas obras podem elevar custos e inviabilizar todo o projeto econômico. Estimativas de tráfego equivocadas também. Há técnicos que afirmam que tanto o orçamento estaria furado, podendo chegar a quase o dobro do valor estimado, assim como a quantidade de passageiros poderia ser menor. O Tribunal de Contas da União aprovou o projeto do Ministério dos Transportes com a condição de não haver dinheiro público. O preocupante nas notícias é o interesse dos fundos de pensão, já que os ligados a empresas estatais são controlados pelo governo e podem vir a suprir a falta do dinheiro público jogando os recursos de pensões de trabalhadores numa eventual aventura.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Gaza : militares de Israel denunciam crimes de guerra

A organização de ex-militares israelense Breaking the Silence (Quebrando o silêncio) denunciou que, na operação em Gaza na virada deste ano, soldados foram obrigados a práticas ilegais e desumanas contra populações civis. O relatório confirma as denúncias feitas pela ONU, de uso de civis como escudos humanos, matanças indiscriminadas por armas de destruição maciça em áreas densamente povoadas (fósforo branco, artilharia pesada), impedimento de socorro a feridos palestinos, fechamento de fronteiras impedindo o refúgio de civis nos países vizinhos, demolição de prédios sem necessidade militar, entre outros.

O governo israelense desprezou as denúncias, alegando serem anônimas, e nega tudo. E o governo direitista de Netaniahu continua incentivando a ocupação ilegal de terras de palestinos, contrariando mesmo a política do governo Obama de buscar a criação de um estado para a Palestina. O apoio irrestrito dos EUA a Israel sem questionar suas políticas genocidas e expansionistas deixa a política externa do atual governo americano com a cara da desastrosa política de Bush.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lula denigre a imagem dos pizzaiolos

O companheiro Lula deveria ter mais cuidado com o que diz, especiamente quando se refere a uma categoria de trabalhadores honestos, que ganham a vida fazendo pizzas para alimentar o nosso povo. Chamar aquela turma do Congresso de "bons pizzaiolos", comparando o que fazem, em especial no Senado, com a labuta árdua, honesta e via-de-regra, mal remunerada dos pizzaiolos é um achincalhe. O sindicato da categoria deveria protestar por tamanha ofensa do presidente aos companheiros.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rio de Janeiro (RJ) - 100 anos do Theatro Municipal



Tive a sorte de estar no Rio neste 14 de julho para assistir à festa de reinauguração do Theatro Municipal. A reforma não foi concluída no prazo, o que forçou a realização do evento do centenário na praça em frente ao teatro, e à construção de uma passarela sobre a rua, entre o palco e a porta do prédio,para circulação dos músicos e artistas. O que está pronto ficou muito bom. A água dourada (foto) que adorna a cúpula principal ainda não foi suspensa, mas as partes possivelmente folheadas a ouro da cobertura mostram imponência ao prédio centenário.

A programação durou todo o dia. Pelas ruas próximas, atores desfilaram com vestuários lembrando as peças teatrais encenadas no teatro ao longo do tempo. Agora à noite houve a apresentação da Orquestra Sinfônica do teatro, que tocou o Hino Nacional e obras deVerdi, Carlos Gomes e Ravel, entre outras. No evento "100 anos de arte e emoção" também foram lançados um selo alusivo ao evento e uma medalha comemorativa e aceso um grande bolo. Uma grande multidão prestigiou o espetáculo, que também foi transmitido por telões no calçadão da Cinelândia. Muito bom.
Enquanto isso, na Barra da Tijuca, jaz inerte o monstrengo de concreto chamado Cidade da Música, que consumiu meio bilhão de reais na gestão de Cesar Maia, do DEM, e que ainda precisará de mais de R$ 100 milhóes para conclusão, superando em 5 vezes o orçamento original. A reforma do Theatro Municipal e sua afirmação como principal referência teatral no Rio são a prova cabal do desperdício daquela obra faraônica . Até hoje não houve uma CPI para apurar as responsabilidades por esse desastre para os cofres públicos cariocas.

Fora Sarney VIII - o cerco aperta

Flagrado com funções administrativas no estatuto da Fundação Sarney, que recebeu verba de patrocínio da Petrobrás para organização do acervo e repassou parte a empresas fantasmas, Sarney tem que enfrentar duas novas frentes de combate: a acusação por queda de decoro parlamentar e a investigação da sua fundação pelo Ministério Público.

Sarney está desesperado vendo ruir o seu império de 50 anos, construído às custas do Maranhão ser hoje um dos estados mais miseráveis do Brasil, mesmo sendo potencialmente rico. Primeiro, instalou a CPI da Petrobrás para tentar acalmar os opositores no Senado, que querem a sua cabeça para justificar toda a bandalheira e manter tudo como está, com o seu sacrifício. Ontem anulou os "atos secretos", o que trará mais e mais denúncias, já que o organismo vivo da burocracia do Senado retaliará tal ato, podendo sobrar para muito mais gente. Por fim, o PMDB, que assinou o pedido de CPI da Petrobrás para pressionar o governo Lula a criar a estatal do pré-sal e entregá-la aos seus feudos, sairá enfraquecido do processo com a possível queda ou continuada desmoralização de Sarney, sendo obrigado a atuar na CPI para blindar seu presidente de honra sem nenhuma condição de exigir vantagens do governo Lula.

Cabe ressaltar a hipocrisia que cerca o processo. O Senado, se vier a cassar Sarney, será porque ele mentiu ao negar sua participação ativa na Fundação Sarney, e não pelo "conjunto da obra" de apropriação do patrimônio público ao longo de sua carreira, onde apenas uma pequena parte está sendo exposta agora. Isso não acontecerá, porque lhe restará a alternativa de renunciar antes, e depois voltar a se eleger pelo infeliz estado do Amapá, onde mantém um endereço eleitoral frio, mais uma das suas armações, já que a memória do povo é curta e o dinheiro para eleição é grande.

sábado, 11 de julho de 2009

Brasília (DF) - 50 anos em 2010

Brasília completará 50 anos em 21 de abril de 2010. Além das festividades que poderão incluir um show da banda U2, vários eventos deverão marcar o aniversário da cidade cartão-postal. Brasília foi uma espécie de PAC do Juscelino Kubistchek. Sua construção buscou a interiorização do desenvolvimento. O investimento foi caríssimo, a toque de caixa, para inaugurar no curto espaço de tempo de um governo, com dinheiro correndo solto, para deleite das empreiteiras e crescimento da dívida pública. A ocupação foi feita com a migração forçada do funcionalismo público a partir da antiga capital no Rio de Janeiro.


Hoje a cidade, apesar dos altos custos, principalmente de moradia, é uma ilha da fantasia, onde não se encontram os principais problemas das demais cidades brasileiras. Apesar dos esforços dos especuladores, o plano diretor de Lúcio Costa resiste, mas está defasado perante os 1,1 milhão de automóveis que não foram previstos para o Distrito Federal. As fotos do site http://www.geocities.com/augusto_areal/minis_pc.htm mostram que do nada surgiu uma cidade. Muito interessante.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

G5+G8 : Obama quer Lula mediando programa nuclear do Irã

Nos jornais a foto das ruínas da cidade de L'Aquila, na Itália, devastada por um terremoto e visitada pelo presidente americano, Barack Obama, e por Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, merecia um balão de pensamento, tipo história em quadrinhos, apontado para a cabeça de cada um deles, com o texto: "A economia do meu país está igualzinha". No primeiro dia só o G8 se reuniu. Hoje e amanhã permitirão que a segunda divisão da economia mundial, o G5 (Brasil, India, China, África do Sul e México), se integre ao grupo.

A turma do G5 quer que o G8 assuma a responsabilidade pela crise mundial e suas consequencias, na forma de ajuda aos países que estão na pindaíba por conta da jogatina especulativa dos ricos. O Brasil já decretou que o G8 morreu, e defende que as soluções para a crise venham do G20, incorporando outros países do terceiro mundo. Uma espécie de "executiva ampliada da ONU". Também querem que os países do G8 reduzam drasticamente as emissões de carbono para a atmosfera e um novo padrão monetário internacional, que substituia o dólar.

Em meio a esse clima tenso, Lula distribuiu camisas autografadas da seleção para os presidentes de todos os países que o nosso time derrotou na Copa das Confederações, inclusive para Obama, que viu a seleção americana perder depois de estar à frente por 2 x 0 e agora levou gozação do presidente brasileiro. Se fosse FHC, entregaria também a seleção e o resto do país...

Como retaliação, Obama pediu a Lula para mediar junto ao Irã a crise nuclear, já que os EUA não encontram canais para diálogo com o regime dos Aiatolás. Essa missão impossível está sendo delegada a Lula porque o Brasil mantém boas relações econômicas com o Irã. O interessante é que a revista "Isto É" acusou o governo brasileiro de fazer um "acordo secreto" com o Irã que viabilizaria até a fabricação de armas nucleares, algo que se fosse realmente sério não passaria às vistas sempre atentas do serviço de inteligência de Tio Sam. Só queria ver como ficariam as mídias de direita brasileira e pró-direita israelense, que fazem campanha contra o encontro de Lula com o presidente iraniano Ahmadinejad, se "O Cara" conseguir algum avanço. E olha que o Brasil reprovou o discurso de Ahmadinejad que minimizou a existência do holocausto!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cyberterrorismo : ameaça real no ambiente virtual

Ontem os sites na internet dos governos americano e sul-coreano foram atacados por hackers, além do Pentágono e da bolsa de valores de Wall Street. Anteontem, um jornal israelense anunciou que Israel poderá usar meios virtuais para sabotar o programa nuclear do Irã. Organizações criminosas, terroristas e governos recrutam os melhores hackers para invadir sistemas de outros países, bancos, empresas, tanto para sabotar como para roubar segredos ou chantagear. Isso está ficando cada vez mais frequente. Muitos desses ataques são abafados pelas próprias empresas e governos, para não comprometerem suas credibilidades. Simples programas anti-virus não bastam mais, sendo necessários equipamentos especializados, criptografia, soluções de segurança de automação, etc.



O fato é que as vulnerabilidades são grandes, e, paradoxalmente, as empresas não consideram o gasto em segurança de TI um investimento, nem a possibilidade de irem à falência por espionagem industrial ou sabotagem dos seus produtos e serviços. À medida que se integram cadeias produtivas e se faculta o acesso externo a processos internos, aumenta o risco. Por exemplo, há 20 anos as empresas que tinham seus processos industriais informatizados, certamente usavam uma linguagens simples, e não tinham a preocupação com invasão, já que cada parte do processo estava isolada. Muitos desses ataques são abafados pelas próprias empresas, para não comprometerem suas credibilidades.


Com a integração de cadeias produtivas, tais sistemas foram interligados, e conectados à internet, permitindo, por exemplo, que um hacker penetre numa parte vital do sistema de automação e altere uma variável. Exemplo: parar um oleoduto, alterar parâmetros de segurança como temperatura ou pressão de controle de caldeiras, causando danos de grandes proporções aos equipamentos e colapsos na logística. Teoricamente é possível fazer disparar mísseis nucleares, parar os sinais de trânsito de uma cidade, desligar a energia de toda uma região, suspender o controle de tráfego aéreo, fazer um satélite de comunicações cair, desligar o suprimento de água, enfim, todo tipo de maldade.

Podemos voltar à Idade da Pedra a um "enter" no teclado, instantaneamente. A ficção, infelizmente, pode dar lugar a uma trágica realidade. Acha que é exagero? O livro "One Second After", ainda não publicado no Brasil, leva ao extremo as possibilidades apocalipticas do cyberterrorismo. A guerra virtual é mais real que a gente pensa.

FHC quer reconhecimento

Vez por outra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sai do merecido ostracismo para implorar alguma forma de reconhecimento pela sua obra política. A última foi nas comemorações dos 15 anos do Real, plano feito pela equipe do economista Edmar Bacha que fez FHC surfar e ganhar duas eleições, mesmo a um alto custo de endividamento. Recomendo a leitura do pertinente texto do também sociólogo, como FHC, Emir Sader, entitulado "Os reconhecimentos a FHC", disponível neste link.

Nota tímida do PT pede afastamento de Sarney

"Dr. Sarney, se não for incômodo para o senhor, a gente pede por gentileza que, num ato de grandeza, tire uns dias para descansar. Em nenhum momento a gente quer se indispor com o companheiro Lula, que já nos pediu numa boa para aceitarmos a sua pessoa à frente das investigações e medidas saneadoras. Mas, pense com carinho na nossa proposta. A gente promete que na sua ausência vai cuidar direitinho das providências para varrer para baixo do tapete toda essa "coisa miúda" que a imprensa inventa e jogar na culpa dos funcionários que nos ajudaram em cada ato que achamos de natureza legal, mas a mídia tacha de imoral uso de dinheiro público. Muito obrigado, e a gente promete que não vai decepcioná-lo."

Essa é mais ou menos a síntese da nota que a bancada do PT no senado soltou hoje. Tímida, envergonhada, inútil. Pelo tipo de texto, trata-se de uma autêntica "resolução de bispo", um tipo de escrita onde ninguém bate em ninguém e todos leem como querem, puxando sardinhas para cada brasa, por estar a bancada com sérias divisões e, principalmente, centralizada burocraticamente por Lula e Dilma. Se não era para marcar uma clara diferenciação com a posição de Lula e dizer que o PT não aceita Sarney porque quer a moralização, nem precisavam gastar tempo de reuniões e redigindo nota para mostrar submissão ao governo. Já foi tempo que o PT reivindicava, exigia, impunha alguma coisa.

Apagão da Engenharia: técnicos podem parar PAC por reajuste de 100%

Mesmo com os visíveis interesses políticos envolvidos no PAC, o governo parece não perceber que os engenheiros, arquitetos e geólogos que trabalham no sufoco para analisar e fiscalizar os projetos de infra-estrutura não ficarão nos seus cargos com salários desestimulantes, já que o mercado está com a demanda elevada pela crônica falta de técnicos. Agora a ANEINFRA - Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infra-Estrutura informa que os técnicos estão se mobilizando para paralisar as atividades por reajustes salariais de até 100%, o que certamente trará atrasos ao PAC. O indicativo de greve já foi aprovado, e os técnicos podem cruzar os braços a qualquer momento.

Quando o governo se deu conta do apagão da engenharia, por décadas de descaso com a formação de novos profissionais e pela demanda de obras pela retomada do desenvolvimento, criou a carreira de analista em infraestrutura. Fez um concurso com 16 mil candidatos, para 600 vagas, e aprovou 535. Destes, apenas 453 continuam nos cargos, sendo a evasão justificada pelos baixos salários. Os que ficaram têm a responsabilidade pela execução orçamentária de boa parte do contigente do PAC (R$ 650 bilhões) e de outros projetos e obras de infraestrutura de grande porte.

São responsáveis por um conjunto de projetos que podem chegar a até 20 bilhões cada um, como é o caso do TAV - Trem de Alta Velocidade Rio-SP, além de milhares de projetos dos programas de Integração de Bacias do Rio São Francisco, Luz para Todos, Programa Minha Casa, Minha Vida, Inclusão Digital - GSAC, e da proposição de novos projetos como o das estradas vicinais na Amazônia.

O pessoal da infra-estrutura segue o exemplo dos técnicos da Caixa Econômica Federal, que fizeram greve de 51 dias por melhores salários e conquistaram o salário inicial (retroativo a abril) de R$ 6.199,00 e de R$ 6.600,00 a partir de janeiro de 2010. Um bom começo para uma categoria que ficou por anos à mercê do sucateamento da máquina pública, de péssimos patrões e, principalmente, por falta de mobilização na luta pelos seus direitos.

Anistia a imigrantes ilegais:Brasil dá exemplo

Em época de crise, onde as oportunidades de trabalho e negócios minguam, a mesquinhez humana aguça preconceitos numa "ética de bote salva-vidas", onde a regra é: eu me salvo, você, não! É o caldo cultural onde os fascismos prosperam, e a história nos mostra que o ápice da direita como ideologia aconteceu após a 1a grande guerra, reforçado pela crise do capitalismo de 1929. Hoje na Europa o tema que tem elegido direitistas a cada urna aberta é a restrição a estrangeiros. A França tem cotas de expulsão mensais. A Itália incentiva a deduragem de estrangeiros com a aprovação de uma nova lei que criminaliza a imigração ilegal.

No Brasil, temos uma elite tão retrógrada quanto a que deu o golpe agora em Honduras, e que se manifesta no cotidiano espumando seu ódio ao "iletrado" presidente Lula, às cotas das políticas de afirmação racial e às transferências governamentais como o bolsa-família, Prouni, etc. E temos um governo que, apesar do grande defeito de não ter avançado mais nas conquistas sociais e de ter sucumbido aos defeitos da política tradicional, acaba de sancionar a anistia a cerca de 50 mil imigrantes ilegais que se encontravam no país até fevereiro de 2009, humanizando o problema migratório. Na contra-mão da discriminação, o Brasil se mostra como país acolhedor de imigrantes, dando exemplo ao mundo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Honduras : suspense e truculência ao vivo

Do jeito que os golpistas desprezaram o repúdio da OEA e dos 191 países-membros da ONU à quartelada do outro domingo, era mais que previsível que fechariam o aeroporto para impedir a chegada do presidente constitucional Manuel Zelaya ontem. Até ficou barato, porque poderiam derrubar o avião.

Para galvanizar o público interno que vê Zelaya como marionete de Chavez, alardearam que a Nicarágua estaria mandando tropas para a fronteira para intimidar a soberania de Honduras. O país foi base dos "contras" na revolução nicaraguense, e base de apoio dos Estados Unidos na região, daí o receio dos nicaraguenses entre as elites.

O bispo de Tegucigalpa publicou nota pedindo que Zelaya não retornasse, para evitar derramamento de sangue, atitude coerente com o apoio que os bispos católicos vêm dando ao governo ilegal. Já o gorila-mor das forças armadas ordenou que os soldados do aeroporto disparassem contra a multidão que se aglomerava junto ao aeroporto. Nada mais previsível numa república de bananas onde o triunvirato latifúndio-militares-igreja se uniu para evitar qualquer indício de reforma social.

Para ter idéia do nível de gente que deu o golpe, o ministro das relações exteriores do "governo" Michellet, Enrique Ortez, reclamando da intromissão americana nos assuntos hondurenhos, disse que " esse negrinho não sabe de nada". Também esculachou com o primeiro-ministro da Espanha, Zapatero, mandando-o "cuidar dos seus sapatos". O governo americano, depois do episódio de ontem, disse que não vai receber nenhum representante do governo golpista. Se os Estados Unidos e a Espanha resolverem fazer um embargo aos produtos de Honduras, a economia não resistirá. Um sinal disso é que ontem, na transmissão do frustrado retorno de Zelaya, foi noticiado pela Telesur que os empresários de Honduras retiraram o apoio ao governo.

Zelaya criou um fato político mundial, pois toda a ação foi acompanhada ao vivo pela equipe da televisão venezuelana Telesur, que tinha repórteres no avião venezuelano que o transportou, e equipes no aeroporto. Tudo foi transmitido em tempo real, inclusive os tiros do exército na população civil, matando e ferindo pessoas desarmadas. Todos viram também a colocação de caminhões na pista para impedir o pouso, e como as forças armadas locais desprezaram a ordem de Zelaya para permitir o pouso. Acabou pousando em Manágua, na Nicarágua.

Honduras é o segundo país mais pobre da América Central, que vive da agricultura, em especial do café e da banana, e tem nos Estados Unidos o principal comprador dos seus produtos (70%), e também principal parceiro nas importações de bens manufaturados, já que a indústria local é incipiente. Tem 50,7 % da população abaixo da linha de pobreza, e menos de 8 milhões de habitantes. Sua história é marcada de violência militar e caudilhesca, sendo a democracia formal uma exceção, e não se diferencia muito da história de outros países da América espanhola. Só está nas manchetes porque golpes de estado são considerados anacrônicos hoje.

Lula, embora ache inaceitável o golpe e mantenha a posição de não reconhecer o governo golpista, considerou um erro o retorno de Zelaya agora, e quer que a OEA medie a questão. Já Cristina Kirchner, presidente da Argentina, e Fernando Lugo, presidente do Paraguai, estavam a postos para ir a Honduras apoiar Zelaya. Chávez apostou pesado, dando o avião e a equipe de TV, e , claro, muito palpite na mídia, um verdadeiro "Xou do Xavez" de verborragia incontida. Numa entrevista em meio à crise, Chavez disse que o responsável por tudo seria o imperialismo americano. Depois disse que Obama não tinha nada a ver com isso, porque seria refém do império...

domingo, 5 de julho de 2009

Spaceport America - começa o turismo espacial


Está em construção no deserto do Novo México, estado do sul dos Estados Unidos, o Spaceport America, primeiro espaçoporto comercial do mundo. Com previsão para conclusão e operação em 2010, com custo total de US$ 500 milhões, possibilitará que os milionários terrestres paguem US$ 20 milhões por uma semana de estadia na Estação Espacial Internacional ou US$ 200 mil por um vôo de seis minutos fora da órbita da Terra. O empresário inglês Richard Branson, dono da Virgin Galactic, empresa que produz espaçonaves como a White Knight 2 e a Space Ship 2, é o principal parceiro do empreendimento.
O objetivo do espaçoporto é incentivar as tecnologias que encoragem a consciência ambiental, melhorem a qualidade de vida na Terra e crie um futuro mais brilhante para todos, diz a missão do empreedimento. Entendendo que o do ambiente de livre mercado e competição, estimula a inovação , eles acreditam que o o acesso comercial, mais barato e rotineiro, abrirá caminho para avanços em áreas como transportes, comunicações, medicina, agricultura, educação energia e exploração espacial. O espaçoporto está sendo construído dentro das mais modernas tecnologias de racionalização e sustentabilidade, dizem os realizadores no seu site.
O governo do Novo México aposta no espaçoporto para consolidar o estado como polo de desenvolvimento de tecnologias ligadas à indústria aerospacial. Fica em Novo México a base de Roswell, onde em 1947 teria sido escondido no hangar 51 uma nave alienígena cujo mito até hoje povoa de mistérios os aficcionados por discos voadores.

QR Code - Novo código de barras



Apesar de inventado em 1994 e largamente usado no Japão para fins de logística nas indústrias, o QR Code, ou código de barras bidimensional, agora está começando a ser usado no Brasil. Sua capacidade de informação é muito maior que a do código hoje amplamente utilizado, para o qual há leitoras em lojas que dão informações básicas, como o preço da mercadoria. O QR code pode ser reconhecido por softwares instalados até em celulares, que fazem a leitura pela câmera até em baixa resolução, fazendo aparecer o link da página da internet onde há mais informações.

Outra aplicação já vem sendo vista no jornal Correio Braziliense, de Brasília, onde o selo QR Code pode ser usado para acessar links de integração com outras mídias, como a página do jornal na Internet. Assim pode-se ver mais fotos, gráficos e ter links com mais informações. Como o serviço de telefonia tem avançado muito, e o QR Code é aberto para uso e sua patente não é praticada para uso pela Denso-Wave, sua inventora, é esperada a ampla difusão nos próximos anos. O programa para criação de códigos pode ser baixado gratuitamente da sua página na internet. Isso não vai substituir a necessidade de informações básicas e acessíveis ao consumidor nas mercadorias ou prateleiras.

Hoje é muito difícil comparar, por exemplo, duas embalagens do mesmo refrigerante, para saber o que é mais em conta. Em geral, as embalagens maiores têm menor custo unitário do produto, o que é vantajoso ao consumidor, mas nem sempre isso ocorre. E entre produtos iguais de marcas e embalagens diferentes a coisa é pior, porque as indústrias têm recorrido à malandragem de diminuir a quantidade oferecida e manter o preço. Chocolates são um exemplo disso. Há algum tempo, todos tinham barras de 200 gramas. Hoje tem de 190, 180, 170 e até 160 gramas, todos na mesma faixa de preços. Apesar da legislação existente exigir clareza nas informações, não há referência a esse importante dado, mas há iniciativas para tornar obrigatória a exibição. Na foto, de uma etiqueta de farmácia de Buenos Aires (Argentina), abaixo do preço há o valor por unidade, e isso tem em todos os produtos, facilitando a comparação.





sábado, 4 de julho de 2009

Praia de Coqueirinho (PB)

Se a praia já é bonita com chuva, imagino com sol. Coqueirinho fica a uns 5 km de Jacumã e a uns 30 de João Pessoa, e tem um acesso razoável a partir da estrada asfaltada. Tem boa infra-estrutura de barracas de praia, que oferecem principalmente comidas do mar. Mar tranquilo, água quente, muito bom.






Praia de Jacumã (PB)


Fica a 25 km ao sul de João Pessoa (PB), e é o local com infra-estrutura mais próximo da praia de nudismo de Tambaba. Litoral de falésias (escarpas), tem muitas boas pousadas, restaurantes e belo visual. A Prefeitura de Conde praticamente abandonou esse distrito, deixando quase sem acesso boa parte das pousadas por causa das ruas esburacadas de terra .
Carapibus, Coqueirinho e Tabatinga são praias vizinhas, a caminho de Tambaba, que merecem visitação por suas paisagens ímpares. Ficamos na pousada Enseada do Sol (foto), que tem boas instalações, localização privilegiada e uma boa relação custo x benefício (R$ 100 por pernoite)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pragmatismo de Lula salva Sarney

Desde a bandalheira do mensalão, o PT perdeu a moral até com Lula, que governa independente, ao sabor das engenharias políticas que saem da sua cabeça. Agora no episódio da fritura de Sarney, o PT até ensaiou pedir a Sarney para sair, mas o Planalto (Lula e Dilma) bateu na mesa e mandou salvar o coronel maranhense para manter a governabilidade, como se o mundo fosse acabar com a queda dele.

Lula faz o discurso como um refém de uma chantagem. Uma crise com o PMDB pode comprometer a eleição de Dilma, pensa ele. Por outro lado, uma ruptura do PMDB a essa altura do campeonato significará deixar um bando de governadores da sigla sem obras para inaugurar, já que todos dependem de verbas federais, e alguns milhares de cargos na máquina pública entregues a um ano das eleições de 2010. Para o PMDB, romper com o PT agora seria um desastre. Além do mais, hoje o candidato da direita mais à direita, José Serra, já tem o apoio de um bando de dissidentes do PMDB, como Jarbas Vasconcelos.

A operação de salvamento de Sarney está desviando o foco para o papel do DEM como operador da bandalheira, já que a 1a Secretaria do Senado está sob controle desse partido desde o tempo que era PFL, há 14 anos. E é de lá que parte toda a administração das contratações, os "atos secretos", os contratos superfaturados com fornecedores, enfim, toda a corrupção. E as vestais do DEM, com Agripino Maia à frente com uma cara de pau envernizada, dizem que não têm nada a ver com Sarney, que só botaram ele na presidência, mais nada...

O pragmatismo de Lula é a subestimação do poder que detém e da popularidade que goza. Nunca na história deste país foi tão fácil colocar em questão a instituição Senado, que tem como papel conservador o bloqueio ao poder do presidencialismo. Deixar Sarney sair e puxar uma forte campanha de moralização do Senado seria uma forma do PT angariar respeito e entregar à opinião pública toda a bandalheira, já que o partido tem pouco a dever. Mais ou menos como naquela definição de poder: ser poderoso é manter mais preso o rabo dos outros que o seu próprio. Isso o PT pode fazer, porque de bandalheira, a direita é secular no Senado.

Hipocrisia popular

Aqui e ali a gente encontra uma dessas figuras que reclamam de tudo, publicamente, fazendo qualquer aglomeração de platéia para suas verborragias. Via-de-regra, a culpa é do governo, da empresa, do colega, até para justificar os próprios fracassos. Falam como donos da verdade, com enorme coragem de espinafrar, mas na hora que se aproximam de autoridades, ficam mansinhos e se mostram bajuladores. Acho que todo mundo conhece alguém assim.

Ontem estava numa fila de loteria e um senhor roubou a cena ao apelar ao senso comum e à indignação para esculachar o senado, o Sarney, o governador, toda a classe política, etc. Disse que Lula tinha comprado uma fazenda de 900 milhões, que Lulinha comprou outra por 50 milhões, e as pessoas na fila aparentemente não discordavam de nenhum dado, já que é senso comum que políticos metem a mão, mesmo que as cifras cheguem a quase bilhão.

Depois de abrir até alguns diálogos, fechou com chave de ouro a discussão: disse que a saída seria o filho dele ser candidato a vereador e meter a mão também, no que teve até alguns acenos de concordância da fila. Impressionante que, a uma classe política vil, corresponda uma fração de pessoas que, no fundo, não acham ruim tomarem o que é de todos, mas invejam estar fora da boquinha...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fora Sarney VII - Ato público no Congresso

As 70 pessoas que compareceram ao Congresso Nacional agora há pouco para pedir a saída de Sarney certamente não serão as responsáveis pela sua desejável renúncia ou licença, mas tiveram a sensação de terem feito algo para isso, permitindo que outras coisas se sucedam e aumentem de intensidade. Minha curiosidade estava na organização do evento pelo sistema de mensagens Twitter, e, de fato, as pessoas com quem conversei disseram que compareceram articuladas por ele.

Não havia lideranças. Aqui e ali as pessoas se organizavam em torno da equipe do programa CQC, das redes de TV que filmavam, do bandeirão do Brasil e de alguns cartazes. Foi difícil o trabalho de reportagem, pois normalmente visam os líderes para entrevista. Não havia megafone, carro de som, nada: só o gogó!

De mais velhos por lá só tínhamos eu e a minha mulher. Claro, também os repórteres, câmeras e os "personal policemen", já que tinha mais polícia que manifestante. Eles não se envolveram, apenas se deslocaram para barrar eventual invasão do Senado pelo grupo. Também estavam lá os famosos olheiros infiltrados, procurando informações e batendo fotos.

Na minha experiência de movimentos sociais nunca vi nada parecido. Em geral, os atos políticos têm uma ordem, um esquema conhecido. As palavras de ordem de hoje eram "Sarney, ladrão, político sem noção". Também faltaram coisas essenciais, como faixas dizendo o que a gente fazia ali.

Descemos com a bandeira até a beira do lago que protege a rampa do Congresso. Isso no escuro, já que o local não tem iluminação, daí as fotos precárias. De lá, subimos para a pista, e toda vez que o sinal em frente ao Ministério da Justiça fechava, todo mundo corria para a faixa de pedestres e gritava "Fora Sarney", o que era acompanhado pelo côro de buzinas dos carros, que certamente era ouvido lá do Senado.

Presenciei um diálogo interessante entre um ativista e o pessoal da Juventude do PDT. O rapaz pediu a eles para não colocarem a bandeira do partido na frente das filmagens, já que o movimento era apolítico. Não foi atendido, mas a preocupação demonstra que esse tipo de ato não comporta os esquemas partidários tradicionais, de aparelhar o ato e promover candidatos embrionários "dos jovens".


Uma das fotos mostra um repórter do Estadão sentado no chão, como um escriba do século XXI, fazendo o "upload" da matéria possivelmente para o site do jornal. Notícia instantânea! E boa parte da turma estava fazendo filmagens para o Youtube com certo grau de organização e equipamentos. Quanto aos resultados, esperamos que Sarney entregue o cargo após conversar com Lula nesta quinta. Até o PT já disse "pede prá sair" a ele.



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Ricos pagam metade dos impostos dos pobres

A mídia ontem publicou em uma só voz que "os pobres trabalham duas vezes mais que os ricos só para pagar impostos". Considerando que a tributação brasileira é composta em 2/3 de impostos indiretos, que incidem sobre os produtos e dos quais o pobre não pode escapar, e que 1/3 são sobre a renda e ganhos de capital, a informação poderia também ser escrita como "ricos pagam metade dos impostos dos pobres". O sistema tributário brasileiro é arcaico, e deixa brechas para que os mais ricos escapem aos impostos. E são justamente eles que mais reclamam da carga tributária...

BB tem maior valorização do semestre nas Américas

Os maiores bancos brasileiros se destacaram no ranking de valorização do semestre, mas o surpreendente foi ver o Banco do Brasil contrariar os agouros do mercado e estar em primeiro na pesquisa, acima do Morgan Stanley. Desde o final do ano passado, o governo percebeu que não teria o apoio da banca privada para oferecer crédito em meio à crise, e passou a intervir no BB, culminando com a destituição da sua diretoria por resistir às demandas governamentais.

O mercado esperneou, dizendo que o governo não podia fazer isso, porque não respeitava os acionistas, etc e tal. E o governo agora quando se refere ao BB o coloca no mesmo patamar de "banco público", junto com a CEF que o é de fato e de direito. O BB vem baixando juros, abrindo linhas de crédito de maior risco, e agora vai operar um fundo garantidor de R$ 1o bi, o que permitirá maior alargamento do crédito. E o mesmo mercado que temeu pelo desastre é o que agora compra ações do BB e o valoriza. Quem explica?

Plano Real : trocando inflação por dívidas

Há exatos 15 anos, a equipe do economista Edmar Bacha fazia valer o chamado Plano Real, que criava uma moeda provisória, a URV, e o próprio Real. O plano aproveitou que o país, após a queda de Collor, estava recuperando o fluxo de entrada de capitais, e bancou a retenção da inflação com a supervalorização da moeda, criando dívidas cobertas por esses fluxos. Era a chamada "âncora cambial".

Com a moeda valorizada, a princípio mantendo a paridade com o dólar e por um tempo mais apreciada que a moeda americana, as exportações caíram, e as importações passaram a ditar os preços internos, havendo muita quebradeira na indústria nacional. O déficit comercial crescente também virou dívida. Por fim, para continuar atraindo capitais, mesmo em meio à crise asiática e depois a russa, passou-se a praticar no Brasil as maiores taxas de juros, atraindo capitais especulativos e gerando mais dívidas.

Tudo isso fez parte da chamada "herança maldita" que Lula pegou em 2003. Com os bons ventos do exterior, com muita sorte e principalmente credibilidade, o governo Lula desmontou esse modelo que tirava a capacidade de investimento público e os recursos para programas sociais. Hoje há superávits comerciais consistentes, fluxos de investimentos diretos para a produção e a menor taxa de juros da história, em meio a programas sociais extensos, investimentos em infra-estrutura e a relação dívida x PIB também é das menores. O Brasil pagou o que devia ao FMI, e lhe emprestou US$ 10 bi das reservas internacionais, que são em volume superior ao montante da dívida externa.

O Plano Real serviu politicamente ao estelionato eleitoral que elegeu FHC. Sem ele, Lula teria vencido as eleições em 1994, já que as pesquisas mostravam sua vantagem na ordem de 41% a 4% sobre FHC em maio. Assim que saiu o Plano Real, o governo Itamar surfou no zeramento instantâneo da hiperinflação, que fez o poder de compra dos salários subir e levou a classe média ao paraíso do consumo, inclusive viagens ao exterior, aproveitando a moeda forte. Elegeu FHC, que manteve a relação real x dólar até a sua reeleição. Depois, explodiu, e a moeda americana chegou a valer R$ 4 pouco antes da posse de Lula. Hoje está a R$ 2, e caindo.

FHC também vendeu barato o Brasil para dar fôlego ao seu modelo, e não adiantou muita coisa. Deu a Vale, a telefonia, a energia e só não passou adiante a Petrobrás e o Banco do Brasil porque houve forte resistência. Hoje deve estar morrendo de raiva ao gritar ao vento que foi o "pai do Real", e ver que Lula conseguiu fazer muito melhor que ele.

Fora Sarney VI - Protestos hoje

O movimento Fora Sarney cresce, à medida que começa a sair do Senado o cheirinho de pizza, misturado a outros odores desagradáveis. Numa instituição onde todos são cúmplices, seja por ação, por omissão ou por tática política, Sarney não é melhor nem pior que ninguém, mas serve de bode expiatório para que se deixe tudo como está. Daí eu entender que a luta não para com a queda do Sarney.

Deve ser questionado o Senado como um todo. Por que manter essa representação retrógrada, conservadora, que tem a função de barrar as reformas mais importantes para destravar o país e melhorar as condições de vida da população, além de ser mais um balcão de troca de favores para aprovação de projetos legislativos. Basta a Câmara dos Deputados e, mesmo assim, com grandes reformas para dar legitimidade à representação popular.

As pessoas estão começando a se organizar fora do campo viciado dos partidos, através da internet. Isso é bom, porque esperar de qualquer parte desse sistema podre uma ação que ameace os privilégios é utopia. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já dizia o refrão de Vandré sobre a necessidade de deixar a passividade característica da nossa cultura política.
Aí vão as manifestações agendadas em vários lugares do país, coletadas de diversas fontes da Internet, como Twitter, Facebook, Orkut, etc. Como parecem ser espontâneas as manifestações, a quantidade de gente pode ir de gatos pingados a multidões.
Rio – 01/07, 13h, na Cinelândia.
São Paulo – 01/07, 19 h, MASP.
Belo Horizonte – 01/07, 14h, Praça da Liberdade.
Porto Alegre – 01/07, 12h30mim, Praça da Matriz.
Curitiba – 05/07, 15h, Praça Tiradentes.
Florianópolis – 01/07, 19h, Assembléia Legislativa.
Campo Grande – 01/07, 18h Praça do Rádio.
Natal – 01/07, 15h, Praça Cívica
Manaus – 01/07, 19h, Parque dos Bilhares.