quinta-feira, 31 de maio de 2012

31 de maio - Dia Mundial sem tabaco

Moscou - Parque All Russia - Pavilhão da Armenia - 2011
No dia 31 de maio em todo o mundo há mobilizações contra o tabaco. É o DIA MUNDIAL SEM TABACO. A Convenção Quadro da ONU, ratificada em 2003, foi o mais importante acordo internacional para reduzir o tabagismo, seja no controle do consumo como na produção do tabaco, incentivando a substituição dessa lavoura por outras mais saudáveis.

Da Convenção Quadro surgiram ações como : proibição da propaganda; educação e conscientização da população; proibição de fumar em ambientes fechados; controle do mercado ilegal de cigarros; tratamento da dependência da nicotina; inserção de mensagens de advertências sanitárias fortes e contundentes nas embalagens dos produtos de tabaco; regulação dos produtos de tabaco quanto aos seus conteúdos e emissões, entre outras.

Mais ou menos nesta época, em 1992, parei de fumar pela última vez. Por que não "para sempre"? Porque cigarro é uma desgraça: o ex-fumante, se der uma tragada, tem tudo para voltar.

A maior falácia é "agora que parei, sei dominar o vício e paro quando quiser". Não dá para vacilar. Acho que se hoje fumasse um cigarro, voltaria tudo novamente, na base de um maço por dia. Até hoje, de hora em hora, tenho vontade de parar o que estou fazendo para tomar um café, que era o vício complementar ao cigarro. Impressionante a perda de concentração caso não faça essa pausa herdada do cigarro.

Além dos problemas de saúde, o cigarro custa muito caro. Na base de um maço por dia, que é o normal para um fumante contumaz, o gasto é de R$ 3 por dia, ou R$ 1.095 por ano. Em 20 anos deixei de queimar R$ 21.900, ou seja, quase um carro popular ou duas viagens à Europa.

Felizmente, os jovens de hoje não usam mais o hábito de fumar como diferencial de auto-afirmação. Hoje para se diferenciarem há  opções como esportes radicais, tatuagens, piercings, exposição nas redes sociais e outras formas de exacerbação do individualismo que não o antiquado e mortal cigarro.

Quantas vidas foram ceifadas pelo cigarro? Perdi pai e avô prematuramente por conta dele. Antes dos cigarros com filtro, coisa dos anos 70, fumaram por décadas cigarros muito fortes, sem filtro, com muito mais nicotina e alcatrão que os atuais. Lembro-me do meu avô usando uma piteira Tar Gard, nos anos 70, transparente, fumando Minister. No fim do dia, tirava a parte interna, que retinha o alcatrão, e colocava num copo com álcool para limpar. No dia seguinte, o álcool estava marrom escuro, parecia um lodo. E era aquilo ali que diariamente ia para os pulmões.

Hoje quando vejo um fumante, desses que ficam excluídos, expostos ao público nas portas de empresas e restaurantes, tenho uma sensação que vai da pena à condenação pelo lento suicídio. Parecem doentes. Nunca foi tão fácil parar de fumar, porque a exclusão da companhia de colegas e amigos pesa muito para o sentimento de auto-exclusão. Fumar deixou de ser bonito, de ser o caminho para o sucesso, de ser um exemplo. Exceto na Armênia, onde os cigarros da marca Grand Tobacco têm como slogan " life for you" (vide foto) . Absurdo? Não. Tivemos coisas bem parecidas por aqui até uma década atrás. 

CPI do Cachoeira : Aparecem as primeiras rachaduras

Ontem na CPI do Cachoeira foi aprovada a convocação dos governadores do DF, Agnelo Queiroz, e de Goiás, Marconi Perillo, para depoimento na próxima semana. A empresa Delta nacional também deverá prestar esclarecimentos.

Em represália ao PT ter proposto a convocação da DELTA, que tem muitos contratos com o governo do Rio de Janeiro e protagonizou turismo e farras do governador Sérgio Cabral, o PMDB se aliou aos tucanos para blindar o seu governador, e jogar Agnelo na fogueira.

A convocação de Cabral será uma questão de tempo. A partir da convocação da DELTA, mesmo que se calem novas pressões virão para o governador carioca depor e explicar, por exemplo, como no seu governo a empresa ampliou em 10 vezes sua participação em contratos.

Começou a rachar o bloco da base aliada, sem nenhum estrago até aqui ser feito na oposição além do que já existe nas investigações policiais. O depoimento do senador Demóstenes Torres à Comissão de Ética do Senado foi um festival de "não" e "nunca", rebatendo todas as evidências. A cara-de-pau do senador chegou a extremo quando se disse um "carola de igreja". Um santo.

Outro fato interessante é o ensaio-geral da mídia golpista para quando começar o julgamento do Mensalão. O micro-ondas da VEJA já deve estar requentando uma porção de matérias contra Dirceu e sua trupe (para não dizer outro tipo de organização). Vão tentar criar um volume de escândalos que reduza a CPI do Cachoeira a segundo plano.

Como isso não vai ficar sem troco, a base governista deverá fazer da CPI uma espécie de Comissão da Verdade da Corrupção. Pode entrar na pauta a privataria tucana. Ontem, numa entrevista, José Serra nem quis comentar o caso de Lula com o seu amigo Gilmar. É aquela coisa de não se mexer, senão fede. 

COPOM reduz juros, que continuam absurdos

Não adianta contar vantagem de termos atingido a menor taxa básica de juros desde o Plano Real, com o corte de meio ponto percentual que trouxe a SELIC a 8,5%. Nem dizer que deixamos de ser o país que mais pagava juros reais aos credores, e hoje estamos pagando 2,8%, abaixo de Rússia (4,3%) e China (3,1%). Isso ainda está muito acima do que Dilma acha razoável comparado a outros países como o Brasil, que é de 2% ao ano. Nos Estados Unidos, os títulos públicos agora pagam ZERO%, ou seja, não pagam nada para o investidor, que em meio à crise quer botar o seu dinheiro num lugar seguro, fora de bancos ou aplicações de risco.

Tudo que os economistas ou palpiteiros da mídia disseram há um ano atrás foi por terra. Os juros caíram e a inflação não subiu, e os fatores do mercado que agora usam para justificar como algo fortuito eram previsíveis desde análises passadas, ou seja, tem gente mentindo muito. A indústria não se recuperou da última subida dos juros, as famílias estão com menos recursos disponíveis para o consumo por estarem pagando por bens a prazo, e diante da incerteza e mesmo com a mudança das regras da poupança seus depósitos continuam a crescer.

Com a desaceleração do consumo, o jeito para aliviar as famílias será a renegociação de dívidas contraídas a juros muito mais altos que os atuais, e novos créditos menos onerosos. Como as indústrias estão com ociosidades e estoques, e não conseguem desovar seus produtos no mercado internacional, os preços deverão se manter mesmo com aquecimento do consumo, sem expandir a inflação.

O mercado especulativo agora já vê juros de 8% no fim do ano. Como a decisão de baixar 0,5% a SELIC ontem no COPOM foi unânime, é de se esperar, no mínimo, na próxima reunião daqui a 40 dias, uma nova queda de 0,5%, daí supor que viraremos 2013 com os juros na faixa de 7% ser bastante crível. Se os juros ao consumidor realmente baixarem, depois deste momento de resistência inicial dos bancos privados e do corpo mole de alguns bancos públicos, o Brasil poderá chegar a uma conjuntura econômica de juros e inflação baixas em patamares históricos inéditos, sem aventuras de planos econômicos. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

GOLPE : TAM Fidelidade - Milhas em Dobro

Para o incauto ganancioso que quer ganhar milhas em dobro e ir num vôo só de ida para o inferno depois de roubarem seus dados, senhas, etc, a dica é clicar em qualquer coisa na promoção falsa que circula na internet como na figura abaixo. De problemas com caracteres na mensagem a ofertas incríveis para ingênuos, como multiplicar por 10 os pontos de milhagens e dobrar todos os pontos de parceiros da rede Multiplus, o crédulo ainda pode se animar em receber mais 5 mil pontos no próximo trecho! Só falta a TAM ficar devendo!

Como tem gente que cai nisso, aí vai o alerta. Se clicar no e-mail original (tirei os links da cópia abaixo) em "Cadastre-se agora", e no rodapé onde tem "duvidas" e para rejeitar receber e-mails, o descuidado é mandado para http://www.madammeroses.com/images/?MILHAS%EM%DOBRO, sabe-se lá o que ou onde é isso. Só não é na TAM.


De: Equipe TAM Fidelidade <book@tam.com.br>
Para:
Enviadas: Terça-feira, 29 de Maio de 2012 22:28
Assunto: Cadastre-se agora e ganhe mais 5.000 pontos de bonus no proximo trecho.

Se você não conseguir visualizar este e-mail corretamente acesse aqui.
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Chegou a Promoção Milhas em Dobro. Confira as vantagens:

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Ao contrário dos outros programas, o nosso é simples e fácil. O motivo? Isso porque você acumula pontos e não milhas, o que significa menos contas e mais viagens.
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Equipe TAM Fidelidade
  
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Leonardo Boff : O viver melhor ou o bem viver?


Interessante texto de Leonardo Boff que contrapõe o consumismo ao atendimento sustentável das necessidades humanas, apesar de considerações místicas no seu bojo que contaminam sua argumentação.


Leonardo Boff: O viver melhor ou o bem viver?

quinta-feira 26 de março de 2009.

Leonardo Boff *
Na ideologia dominante, todo mundo quer viver melhor e desfrutar de uma melhor qualidade de vida. Comumente associa esta qualidade de vida ao Produto Interno Bruto (PIB) de cada pais. O PIB representa todas as riquezas materiais que um país produz. Se este é o critério, então os países melhor colocados são os Estados Unidos, seguidos do Japão, Alemanha, Suécia e outros. Este PIB é uma medida inventada pelo capitalismo para estimular a produção crescente de bens materiais a serem consumidos.

Nos últimos anos, dado o crescimento da pobreza e da urbanização favelizada do mundo e até por um senso de decência, a ONU introduziu a categoria IDH, o "Índice de Desenvolvimento Humano". Nele se elencam valores intangíveis como saúde, educação, igualdade social, cuidado para com a natureza, equidade de gênero e outros. Enriqueceu o sentido de "qualidade de vida" que era entendido de forma muito materialista: goza de boa qualidade de vida quem mais e melhor consome. Consoante o IDH a pequena Cuba apresenta-se melhor situada que os EUA, embora com um PIB comparativamente ínfimo.
Acima de todos os países está o Butão, espremido entre a China e Índia aos pés do Himalaia, muito pobre materialmente mas que estatuiu oficialmente o "Índice de Felicidade Interna Bruta". Este não é medido por critérios quantitativos mas qualitativos, como boa governança das autoridades, eqüitativa distribuição dos excedentes da agricultura de subsistência, da extração vegetal e da venda de energia para a Índia, boa saúde e educação e especialmente bom nível de cooperação de todos para garantir a paz social.

Nas tradições indígenas de Abya Yala, nome para o nosso Continente indioamericano ao invés de "viver melhor" se fala em "bem viver". Esta categoria entrou nas constituições da Bolívia e do Equador como o objetivo social a ser perseguido pelo Estado e por toda a sociedade. O "viver melhor" supõe uma ética do progresso ilimitado e nos incita a uma competição com os outros para criar mais e mais condições para "viver melhor". Entretanto para que alguns pudessem "viver melhor" milhões e milhões têm e tiveram que "viver mal". É a contradição capitalista. Contrariamente, o "bem viver" visa a uma ética da suficiência para toda a comunidade e não apenas para o indivíduo. O "bem viver" supõe uma visão holística e integradora do ser humano inserido na grande comunidade terrenal que inclui além do ser humano, o ar, a água, os solos, as montanhas, as árvores e os animais; é estar em profunda comunhão com a Pacha Mama (Terra), com as energias do universo e com Deus.
A preocupação central não é acumular. De mais a mais, a Mãe Terra nos fornece tudo que precisamos. Nosso trabalho supre o que ele não nos pode dar ou a ajudamos a produzir o suficiente e decente para todos, também para os animais e as plantas. "Bem viver" é estar em permanente harmonia com o todo, celebrando os ritos sagrados que continuamente renovam a conexão cósmica e com Deus.

O "bem viver" nos convida a não consumir mais do que o ecossistema pode suportar, a evitar a produção de resíduos que não podemos absorver com segurança e nos incita a reutilizar e reciclar tudo o que tivermos usado. Será um consumo reciclável e frugal. Então não haverá escassez.

Nesta época de busca de novos caminhos para a humanidade a idéia do "bem viver" tem muito a nos ensinar.

*Teólogo, filósofo e escritor Fonte: www.adital.org.br

Mensalão : Julga, Britto!

Apesar do ministro do STF Gilmar Mendes ter desmentido pressões de Lula, num jogo de troca de blindagem na CPI por adiamento do julgamento do Mensalão, esse tipo de barganha é muito possível. Tenho escrito sobre essa possibilidade desde que o escândalo do Cachoeira/ Demostenes/ Veja/ Delta/ Perillo/ Cabral/ Agnelo eclodiu. A CPI está travada, esperando os resultados do balcão de negócios que envolvem vários partidos, a governabilidade de Dilma, a extinção dos partidos de oposição e  a impunidade no mensalão, entre outras coisas.

Há um equilíbrio instável na politicagem, e se alguma coisa sair de controle, começará uma luta sem fim, onde os maiores beneficiários seremos nós, porque teremos maior clareza das falcatruas e da bandidagem que a pratica. Alguém terá que dar o primeiro passo para começar essa guerra de quadrilhas.

O presidente do STF, Ministro Carlos Ayres Britto, tem sido enfático em julgar logo o Mensalão. Diz ele que assim que receber o relatório do Ministro Lewandowsky, começará o julgamento. Isso poderá ser agora em junho. Se os "aloprados" do PT não conseguirem adiar o julgamento para que o processo prescreva por decurso de prazo, deixando todos impunes, ainda há a expectativa de um juiz "amigo" pedir vistas e se sentar em cima da papelada, deixando o tempo passar. Essa possibilidade ficou explícita com esse episódio Lula x Gilmar.

A primeira pressão tem que ser sobre o Ministro Lewandowsky para terminar logo esse relato, que se arrasta há meses. Depois, sobre Britto, para começar o julgamento com um cronograma que impeça a prescrição. No julgamento, contra toda e qualquer manobra de advogados e juízes para retardar o processo. Será desastroso para o país, que busca a verdade histórica, terminar 2012 vendo o Mensalão empurrado para baixo do tapete e o maior escândalo de corrupção, envolvendo executivo, legislativo, judiciário e a mídia, terminando numa pizza de CPI.

http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2012/03/dem-cachoeira-vira-tromba-dagua-para.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/04/cpi-do-cachoeira-so-anda-se-mensalao.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/05/cpi-do-cachoeira-goteja-mas-pode.html

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Gilmar Mendes desmente VEJA no JN

Bastou as águas de Cachoeira chegarem ao primeiro degrau da Globo, através do uso da revista Época para forjar notícias, que aconteceram coisas muito estranhas no Jornal Nacional desta noite. Na abertura do noticiário deram como manchete a denúncia da VEJA onde Gilmar Mendes acusa Lula de pressão sobre o mensalão. Fiquei para ver, e desde já estranhei a ênfase num evento de comunicação onde foi ressaltado demais o tema "liberdade de expressão", colocando em destaque as falas do bispo e Prêmio Nobel Desmond Tutu, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito.

Contrariando a ordem normal da programação do noticiário, que termina com o bloco de esportes, foi mostrada a Fórmula I, os gols e deixaram para o último instante a tal notícia. A entrevista mostrou um Gilmar Mendes muito tenso, botando panos quentes na reunião que teve com Lula no escritório do ex-Ministro do Supremo Nelson Jobim, que também foi Ministro da Defesa de Lula.

Disse que não sofreu pressão, negou que a viagem dele a Berlim tivesse o patrocínio de Cachoeira, e que Lula teria apenas comentado que o adequado seria o julgamento do Mensalão depois das eleições. Foi praticamente lida toda a matéria da VEJA, onde se insinua que outros ministros teriam sido pressionados por Lula. Depois leram o desmentido de Lula e o desmentido dos juízes. Como o ex-Ministro Jobim se recusou a falar e disse que já tinha dito tudo, informaram que Jobim também negou as tais pressões.

Para fechar a matéria, nada como o tucano Álvaro Dias fazendo-se de indignado e propondo que a CPI investigue as denúncias da VEJA. Depois do que foi dito na matéria, a proposta de Dias soou falsa. Talvez tenha participado da encenação pensando que o esquema seria o de sempre: VEJA inventa, Globo propaga e a oposição fatura. A Globo falhou. Alguém poderia dizer até que começou a rolar a blindagem da Globo e do Gilmar em troca dessa matéria arregada. 

ENEM 2012 : Abertas as inscrições

Quem quiser concorrer a uma vaga nas universidades federais que estão no ENEM deve fazer sua inscrição de hoje até o dia 15 de junho pelo site do INEP. Segundo o site, estão automaticamente isentos do pagamento da taxa de R$ 35 os alunos matriculados no último ano (concluintes) do ensino médio em instituições federais, estaduais e municipais de ensino. Mediante declaração de carência, os demais participantes poderão requerer a isenção ao INEP.

As instruções para o concurso estão no Manual ENEM Passo a Passo. As provas serão em 3 e 4 de novembro, com o resultado divulgado em 28 de dezembro. Quem é maior de idade e não tem o segundo grau completo pode fazer a prova para obter a certificação do segundo grau, desde que obtenha a pontuação necessária.

Vamos ver se desta vez não acontecem as falhas dos anos anteriores, que ganharam enorme repercussão porque o formato do ENEM contraria muitos interesses. Qualquer erro no processo vira um escarcéu na mídia, que combate o certame por ser democrático ao permitir que estudantes de escolas públicas tenham, com uma única inscrição isenta de pagamento, a oportunidade de concorrer às melhores universidades do país.


Para que servem os partidos políticos?

Recomendo a leitura do texto "Para que servem os partidos políticos", do professor do dep. de Ciências Sociais da Univ. Federal de Maringá e escritor Antonio Osaí. Bem didático, qualifica os diversos tipos de partidos e suas funções na sociedade. E defeitos, também. Aí vai o link.
http://antoniozai.wordpress.com/2012/05/26/para-que-servem-os-partidos-politicos/,


domingo, 27 de maio de 2012

São Paulo - Marcha das Vadias 2012


Ontem em São Paulo aconteceu a Marcha das Vadias, na Av. Paulista, protesto que acompanhou outras 19 cidades pelo mundo contra a violência física, sexual, psicológica e simbólica contra as mulheres O movimento começou quando, diante de várias denúncias de abuso sexual na Universidade de Toronto, um policial disse que as mulheres não deviam se vestir como vadias para não serem atacadas. A forma de protestar contra o machismo é a passeata anual com mulheres vestindo pouca roupa. Nas fotos estão os cartazes espalhados pela cidade convocando o evento.



Cachoeira também municiou matérias falsas da Época

A maré não está boa para as revistas do esquema de mídia golpista. Depois de se fingir de morta por umas semanas, a VEJA voltou a atacar, desta vez dizendo que Lula procurou o ministro Gilmar Mendes, do STF, para pedir o adiamento do julgamento do Mensalão. Gilmar disse que o ex-ministro Nelson Jobim seria testemunha da tentativa de blindar Gilmar na CPI do Cachoeira em troca do adiamento. Jobim desmentiu. Jogada ao vento, mais essa mentira repercute nos esquemas Globo, Folha, Estadão e, claro, no PSDB e no que sobrou do DEM

A revista Carta Capital desta semana, numa reportagem de Leandro Fortes, mostra que Cachoeira também plantou informações na revista Época, do grupo Globo, para derrubar uma empreiteira concorrente da Delta em Goiás. A água de Cachoeira começa a entrar pelo portão da Globo. Agora até o vice de Dilma, Michel Temer, começa a aparecer como elo entre a Globo e o Planalto.


Temer, os Marinho e a CPI


Encontros. Em três semanas, o vice-presidente e João Roberto Marinho jantaram duas vezes no Jaburu. Foto: Adriana Scapa/AE
Na tarde da terça-feira 22 um assessor do vice-presidente da República, Michel Temer, Márcio Freitas, fez uma ligação urgente para a redação em Brasília de Época, revista semanal da Editora Globo. Do outro lado da linha, o diretor da sucursal, Eumano Silva, ouviu a informação de que circulava um zunzunzum entre alguns repórteres da capital: a Polícia Federal havia localizado nos autos da Operação Monte Carlo interceptações telefônicas nas quais Silva e Idalberto Matias Araújo, o Dadá, combinavam a publicação de uma reportagem contra uma concorrente da Delta Construções, a empreiteira-mãe da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Freitas informou ainda a Silva sobre a suspeita de que as informações colhidas pela PF haviam vazado para CartaCapital. “Há o boato de que você está sendo demitido por isso”, disse o assessor de Temer ao chefe da sucursal de Época. “Eu não sei de nada, continuo diretor”, respondeu Silva, segundo relato do próprio Freitas.
A essa altura você já deve ter se perguntado sobre o motivo do interesse de um assessor do vice-presidente em conferir com o diretor de Época a veracidade ou não de um boato sobre suposta reportagem de revista concorrente. Simples: desde o início de maio, Temer tornou-se uma espécie de mensageiro da família Marinho. O vice de Dilma Rousseff tem ouvido e repassado os recados do grupo que comanda a Globo ao governo e aos integrantes da CPI do Cachoeira. E que pode ser resumido em um ponto: a mídia não pode virar alvo na CPI. Como naquelas brigas de gangue, vale o ditado “mexeu com um, mexeu com todos”. Isso inclui deixar de fora a mais explícita das relações do bando de Cachoeira com os meios de comunicação: aquela estabelecida com a revista Veja.
*Leia matéria completa na Edição 699 de CartaCapital, já nas bancas

Raul Seixas : O início, o fim e o meio

São Paulo : Ontem vi o documentário Raul : O Início, o Fim e o Meio. Está no Espaço Unibanco da R. Augusta. Duas horas de pura história dos anos 70 e 80 vista pelo ângulo da contracultura. A história do Maluco Beleza é contada com músicas, fotos, filmes e depoimentos de familiares, amigos, fãs e pessoas do mercado cultural que fizeram parte da sua trajetória. Muito bom. Vale a pena ver.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Código Florestal : Dilma não vetou tudo

Ainda bem que não foi na onda do "VETA TUDO", senão teríamos voltado à estaca zero, ou seja, ao Código Florestal de 1965, com base no qual todo o desmatamento posterior foi validado e muita gente ficou impune. Dilma fez o que devia: vetou tudo que não dizia respeito ao projeto aprovado pelo Senado, evitou a anistia aos desmatadores e com a medida provisória deverá arredondar o que falta não para termos o Código Florestal ideal, mas o que a correlação de forças permite, considerado o poder de articulação dos ruralistas. Será um avanço, de qualquer forma, e a pressão popular tem que continuar, senão nem essa meia-sola ficará. Os ruralistas têm bancada e dinheiro para derrubar os vetos e passar tudo que quiserem, e só a mobilização impedirá isso.

Nesse episódio houve uma certa armadilha política. Os ambientalistas que trabalham por avanços na regulamentação ambiental florestal apoiavam, até certo ponto, o projeto que veio do Senado e foi descaracterizado na Câmara. Esses eram o "VETA, DILMA" .Um outro grupo, onde se insere a transnacional ONG Greenpeace, montou a onda do "VETA TUDO DILMA", que conquistou adesões de muita gente boa que achava ser o caminho certo. É aquela coisa de criar expectativa, e depois de frustrada, crucificar quem não fez o que o movimento queria. Se dependermos do Greenpeace, nenhuma árvore mais será tirada da Amazônia, mesmo na perspectiva de uso sustentável dos recursos. Não acho que seja por aí.

Segue a nota do Greenpeace. Entendo o ponto de vista deles, mas não aceito que venham a dar a direção ao movimento ambientalista no Brasil, quando há tanta gente capaz e preparada para propor o melhor para o país. Até os atores globais chegaram a querer fazer política ambiental por aqui, parando obras, etc. 

Nota do Greenpeace sobre o veto parcial da Presidente Dilma:

Código Florestal: mais um capítulo infeliz


Notícia - 25 - mai - 2012
A saga das mudanças no Código Florestal ainda não acabou. Mas teve direito à teatro no Planalto.

A presidente Dilma Rousseff colocou três ministros em um tablado para falar que retalhou o texto que saiu da Câmara a fim de recuperar o projeto de lei que havia saído do Senado. Como o que os senadores produziram era ruim para as florestas e o governo não mostrou na coletiva com que retalhos pretende costurar no texto, o Brasil continua desconhecendo como fica o futuro de suas matas. 

Ao que parece, o resultado se aproxima de um Frankenstein, que ainda depende de uma medida provisória – também desconhecida – para preencher um vácuo jurídico provocado pelo corta-e-cola. Não foi o que o povo pediu. 

Dilma precisava vetar o texto e iniciar um novo processo, começando por eliminar o desmatamento e com base técnica e social desde o início. “O governo fez hoje um anúncio vazio. E esse nada apresentado é o retrato do governo, que durante dois anos não deu as caras enquanto o Código Florestal era retalhado pelo Congresso”, afirma Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Dilma falhou com o povo brasileiro.” 

Desde que o processo começou, há dois anos e meio, a presidente ignorou os avisos de diversos setores da sociedade, de que uma lei tão importante não pode ser reescrita sem a participação de todos. Ela aceitou que um dos maiores tesouros do país – a floresta e a decisão constitucional de protegê-la pelo bem comum e futuro – fosse destruída pelo interesse de apenas um setor da sociedade. 

Tanto é que, apenas quando o texto saiu no Congresso, o governo foi ver exatamente quantos seriam beneficiados pelo projeto de lei. Quanta surpresa: percebeu que 81% das propriedades são pequenas, e que elas ocupam apenas 16% da área agrícola do país – e que, portanto, o código escrito no Congresso falhava em proteger os pequenos produtores, pois fora escrito para proteger os grandes. Como se todos não soubessem disso.

Nesses quase 18 meses de Presidência, essa não foi a única omissão nem pecado ambiental de Dilma. Seu governo não criou, até agora, um palmo sequer de unidades de conservação. Mas diminuiu o tamanho de várias, sobretudo na Amazônia, para plantar nelas grandes hidrelétricas e projetos de mineração. Dilma solapou poderes do Ibama, órgão que fiscaliza crimes ambientais, e ainda permitiu o ataque da bancada ruralista a terras indígenas. 

“A decisão de não exercer o veto total é sinal de que ela aceitou o tratoraço ruralista”, diz Astrini. “Há doze anos, o Congresso tenta modificar o Código Florestal. Dessa vez, encontrou um campo livre para atuar, sem resistência da pessoa que senta na cadeira mais importante do país. Não é o que se espera de um presidente.” 

Agora, na véspera da Rio+20, o governo faz da principal lei ambiental uma colcha de retalhos, e tenta desesperadamente vender a decisão como o melhor texto que se poderia obter para o Brasil. Apresenta uma tabela de APPs (áreas de proteção permanente) como grande feito – mas não expõe um plano para conservar a floresta. E recusa-se a mostrar o texto para passar pelo escrutínio da sociedade. “É o fim da lei das florestas em doses homeopáticas. O Brasil hoje dorme sem ainda saber qual será o novo Código Florestal”, afirma Astrini. 

No fim das contas, a floresta não ganhou nem um centímetro a mais de proteção. Em nenhum momento o governo olhou para o que acontecia sob seus olhos, nem para os 13.500 km2 de área desmatada nos dois anos e meio de revisão do Código Florestal. 

A lei de proteção das florestas partirá, então, dos brasileiros. Uma iniciativa popular pela lei do desmatamento zero, nos moldes do Ficha Limpa, é hoje o principal instrumento da população para combater a sanha antifloresta que tomou conta do governo e do Congresso. Quase 300 mil eleitores já assinaram a petição.

Brasil : Nem todos são contra a escravidão

Foi aprovada na Câmara dos Deputados a proposta de emenda à Constituição (PEC) 438/01, que é conhecida como PEC do Trabalho Escravo. Essa proposta se arrasta há 17 anos, e finalmente foi aprovada em segundo turno, seguindo agora para o senado. Por alterar a Constituição, o quorum exigido era de 2/3, ou seja, 308 votos. Teve 360 votos favoráveis. E os outros, afinal, são 513? Dos 153 deputados restantes, numa votação histórica como essa que repudia a escravidão no país, incrivelmente 29 foram contra, 25 se abstiveram e outros 100 simplesmente não deram as caras por lá para votar.

O governo e todos os partidos orientaram suas bancadas à aprovação da PEC. Os escravagistas normalmente são pessoas de direita, latifundiários, inimigos de trabalhadores e dos seus direitos.

Considerada a votação por partido, vemos um deslocamento do que chamamos de "direita" para o PSD, partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, onde dos 37 parlamentares votantes 7 foram contra e 8 se abstiveram, ou seja, 40% não votaram pela aprovação da PEC. Líder da UDR, Ronaldo Caiado do DEM foi um dos 5 do partido que votaram contra a PEC. Considerada uma abstenção, o DEM não contou com 6 dos 20 votantes para a aprovação (30%).

No PSDB apenas 1 foi contra e 1 se absteve numa bancada votante de 42. PPS votou todo a favor. Na base aliada o PMDB foi onde houve maior resistência. Dos 62 deputados que votaram, 7 foram contra e 8 se abstiveram, ou seja, 24% desobedeceram à orientação. PT, PC do B, PSOL, PV, PT do B, PSL, PRB, PMN e PSB foram unânimes a favor da aprovação. No PDT teve 1 contra. Paradoxalmente, o único deputado presente do PHS - Partido Humanista da Solidariedade, votou contra.

O estado de Minas Gerais deixou de contribuir com 7 votos (abst/não/obstrução) para o fim da escravidão, seguido de Paraná e Roraima (6), São Paulo (5), Pará e Mato Grosso (4), Goiás, Rondônia e Tocantins (3). Amazonas, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Sergipe não tiveram deputados contra o fim da escravidão presentes à votação.

Por região, o Nordeste teve menos gente colaborando com o latifúndio que outras regiões, com a negação de apenas 7 votos. Na região Norte foram 13, na Centro-Oeste foram 10, na Sudeste foram 13 e na Sul foram 9.

A matéria volta agora para apreciação e segunda votação no Senado. Precisa de pressão popular, senão vamos comemorar 200 anos de fim oficial da escravidão amargando esse passivo histórico.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Brasil : Amazônia tem fronteiras ainda inexploradas

Com tanto discurso de ameaças na Amazônia, e com tantas décadas de presença militar nas fronteiras, chega a ser surpreendente a informação de hoje do jornal "O Globo" sobre áreas onde pela primeira vez o Exército está chegando. E não é no trecho mais inóspito: fica na tríplice fronteira Brasil / Suriname / Guiana, no norte do Pará.

Encontraram por lá pistas de pouso clandestinas, garimpos ilegais, trilhas para brasileiros trabalharem nas minas nos países vizinhos, tráfico de aves, etc. Isso a menos de 600km de Santarém, 700km de Manaus, 700 de Macapá e 1.000 de Belém. Há uma base militar em Tirios, a uns 200km, mas o caminho até lá é muito difícil, com rios encachoeirados, escarpas, etc. O Exército deve botar uma base por lá, nos próximos meses. Antes tarde que nunca. Quantas outras áreas desconhecidas dessas existirão?

CPI do Cachoeira goteja, mas pode inundar

Até agora a CPI do Cachoeira, que poderia ser também do Demóstenes, da Veja, do Perillo, da Delta, do Sérgio Cabral e do Agnello, anda de lado. Goteja. Até aqui quem falou foi quem investigou, no caso, o pessoal da Polícia Federal. Se do Congresso nada sai, na mídia a fonte também secou, com a prisão dos arapongas que forneciam material para a VEJA forjar as matérias que o resto da mídia repercutiria.

Moral da estória: hoje quase saem tapas entre os partidos. A oposição quer avançar mais rápido; o governo segura tudo, porque a CPI tem muita moeda de troca. Ela vai para onde o governo quiser, seja acusando gente da oposição, seja pressionando a base aliada. Virou um instrumento de controle parlamentar, por isso essa sensação de que nada avança. Se a oposição piar, toma ameaça. Se o PMDB quiser mais espaço, a chapa esquenta para o Cabral. Se a mídia chiar, sobra para a VEJA. Confortável para o governo.

Só fatos novos podem destravar a CPI. Da parte dos acusados, nada é esperado, pois a ordem é de calarem o bico usando prerrogativas constitucionais. Os dados disponibilizados na tal sala secreta do Congresso agora são acessíveis pelos assessores dos parlamentares, e de lá pode sair alguma coisa, porque com as canetinhas e óculos de espionagem que hoje se vende na Internet fica fácil fotografar os documentos. Mesmo assim, quem pegar a informação terá que arriscar o pescoço para repassar à mídia.

A esperança de ver alguém na cadeia não está no Congresso, mas no prédio vizinho, no Supremo, que está cozinhando o julgamento do Mensalão. As reservas de moedinhas políticas do governo estão sendo guardadas para tentar livrar a cara de Zé  Dirceu e seu bando, os caras que destruíram o PT por um punhado de mensalões. A justiça é uma instância política de poder, por isso as pressões externas podem influir nos resultados dos julgamentos, como já vimos antes.

Enquanto não forem dados passos no Supremo, a CPI fica parada, e tanto o governo como a oposição vão fazendo guerra de trincheiras, esperando a hora de um acordão (não confundir com acórdão) que abra o forno das pizzas no calçadão que separa os prédios da Praça dos Três Poderes. O episódio Gurgel, que inflamou a CPI nos primeiros dias porque ele nada fez contra Demóstenes mesmo com evidências de batom na cueca, estranhamente desapareceu. Dele será o relatório sobre os acusados do Mensalão.

Se o Supremo fizer alguma "gracinha" no entender do governo, como um julgamento independente do Mensalão, além da CPI do Cachoeira poder virar uma inundação, a da Privataria, que está na geladeira , pode ir para o forno e pode estragar a festa que a oposição faria pela condenação de Dirceu & caterva. Tá tudo dominado, até aqui, mas pode mudar de repente. Estão só estocando pólvora.  

Decepção : Vasco não será vice da Libertadores

Torcer prá time ruim é dose. Olha que a gente faz de tudo para ver o Vasco numa final e ser vice, mas o time não teve condições. Perdeu o clássico dos sofredores de 1 x 0 para o Corinthians.

Em São Paulo hoje já tinham até fechado o metrô para evitar destruição quando o Timão fosse desclassificado, mas isso não aconteceu, e agora eles vão quebrar tudo porque venceram. 

Pois é, Vasco, a gente tentou, porque para quem torce pelo Mengão, seria um desgosto profundo se faltasse o vice do mundo. Lamentável, mas não deve haver desespero: no Brasileirão, se não forem para a segundona, eu juro que torço para que sejam vices, de novo. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Europa : Grécia pode escapar da armadilha do Euro

Mercados em polvorosa, bolsas em queda, corrida a bancos , ameaças do governo alemão, do Banco Central Europeu, mas cada vez mais uma certeza: no mínimo, a Grécia vai decretar moratória. Depois das medidas impopulares adotadas pela coalizão de socialistas e conservadores, hoje o déficit primário grego é da ordem de 1% do PIB, ou seja, o orçamento está quase equilibrado. A questão é que os banqueiros querem mais arrocho para que sejam gerados superávits primários, ou seja, para que sobre dinheiro para pagar infindáveis dívidas. Uma espécie de renda certa para bancos e especuladores, é o que se deseja.

A Alemanha e os banqueiros querem definições logo agora, antes que haja novas eleições marcadas para junho. Querem compromissos pétreos, ou seja, coisas que não possam ser desfeitas por futuros governos, o que seria um forte golpe na democracia, uma intervenção estrangeira nos rumos da economia. Às vésperas de uma eleição, nem a atual coalizão, que já perdeu na última eleição, nem os partidos de oposição falam em piorar o que já está ruim, e fica essa pressão de mídia, com ajustamentos no mercado. Como disse Karl Marx, o penúltimo capitalista irá vender a corda que enforcará o último, daí ser crível que, se houver a moratória, muitos banqueiros ainda apostarão na Grécia, e não acontecerá o holocausto que o terror de mídia tenta criar.

Além da moratória, que seria uma saída "light", sem deixar a zona do Euro, há o passo seguinte, que é o calote. Na moratória é aquela estória de "devo, não nego, pago quando puder". No calote é "não vou pagar e pronto". Na sequência, tem a saída da zona do Euro, que os demais países da Eurozona são contrários, pois poderia haver o estouro da boiada. O cenário prometido pela mídia do capital é do apocalipse, com o país sem dinheiro nem para pagar os serviços públicos.

Será mesmo? Sem a obrigação dos juros a pagar, finanças equilibradas, com a volta da moeda local, o Dracma, desvalorizada, o país rapidamente se tornaria competitivo dentro da Comunidade Européia. Poderia exportar mais, e atrair investimentos para a substituição de importações, que ficariam caras. Capitalistas que têm investimentos diretos no país não abandonariam tudo. Descolada do Euro, a Grécia poderia baixar seus custos, que na prática são indexados aos mais altos da Eurozona, podendo, por exemplo, atrair muito mais turismo. O mais importante nisso tudo é que a Grécia, abandonando o Euro, pode mostrar o erro que cometeram países pobres da Europa em aderir a esse clubinho de ricos, onde a Alemanha, que tinha os maiores custos e a menor competitividade antes da moeda unificada, foi a maior favorecida no bloco.  

terça-feira, 22 de maio de 2012

Natal : Turbina de avião danificada durante decolagem

Para quem viaja muito de avião, a cena passada na TV de um avião da TAM perdendo a capa protetora da turbina do lado esquerdo durante decolagem ontem em Natal é arrepiante. O vôo ia para São Paulo. O piloto controlou a situação, dispensou o combustível e pousou novamente em Natal sem problemas.

As imagens filmadas por um passageiro mostrando o momento do incidente e o pânico que veio a bordo a seguir estão neste link:
http://tvig.ig.com.br/noticias/brasil/peca-se-desprende-de-turbina-de-aviao-veja--8a498026374d354b0137712576c0051d.html

Espero que nenhum gaiato venha dizer que a peça se soltou porque o passageiro desobedeceu à ordem para desligar todos os dispositivos eletrônicos durante a decolagem. Ali faltou pressão no aparafusamento da peça, parafuso quebrou, ou coisa parecida. Típico problema de manutenção. Quanto à interferência pelo uso de aparelhos eletrônicos nos vôos, esse mito que persegue os viajantes, a polêmica persiste até hoje. No Brasil já há empresas que conseguiram autorização para permitir o uso de celulares acima de 3.000 m de altitude. 

Cápsula Dragon : Privatização chega ao espaço

Cápsula Dragon em órbita. Fonte: Space X
O espaço sideral sempre foi um território onde a única lei vigente é a gravitacional. Desde que se mandou o Sputinik ao espaço em 1957, somente agências espaciais ligadas a governos colocam seus materiais por lá, mesmo que sejam satélites privados. A corrida espacial também levou para lá instrumentação de espionagem, e por pouco não tivemos o projeto Guerra nas Estrelas (ou Iniciativa de Defesa Espacial) proposto pelo ex-presidente norte-americano George Bush, botando armamentos em cima das nossas cabeças.

O tráfego próximo à nossa atmosfera está congestionado por tantos objetos e fragmentos que já se encontram lá, um perigo para os próximos lançamentos espaciais. Há um mapeamento dessa poluição, mas nada impede que governos como o americano ou o soviético tenham mandado coisas para lá secretamente, na Guerra Fria. Vez por outra um bagulho desses despenca, como o laboratório Skylab dos americanos.

Agora começou a era dos lançamentos espaciais totalmente privados. Hoje foi lançada em Cabo Canaveral a cápsula Dragon, produzida pela Space X, não tripulada, que deverá se acoplar à Estação Espacial Internacional (ISS). Será reutilizável, podendo levar cargas de quaisquer tipos, inclusive passageiros. O mercado espacial nunca teve cenário tão favorável para expansão. A NASA teve cortes profundos de verbas, e liberou para o mercado milhares de engenheiros e técnicos que acumulam o acervo técnico de muitos anos de pesquisa. Com o fim dos ônibus espaciais, o monopólio de transporte de cargas para a ISS hoje é dos russos. Logo haverá concorrência.

É urgente uma regulação internacional para a exploração e colonização espacial, sob risco de termos, a uma geração de distância, diversos enredos de ficção científica virando realidade, mais para o mal que para o bem. De guerras por domínios a experimentos de geo-engenharia que modifiquem os ambientes nos outros corpos celestes. E a extensão ao espaço das políticas insustentáveis já aplicadas à Terra, fazendo dos planetas e satélites vizinhos um verdadeiro faroeste, lugar de aventureiros. Acordos de defesa da Terra contra a colisão com corpos celestes também deve fazer parte desse escopo. 

Golpe : Senha expirada do Bradesco

É tanta mensagem que a gente recebe de bancos avisando problemas com as contas que até dá para desconfiar se alguém abriu uma conta no nosso nome. Há algum tempo recebi um e-mail dizendo que a minha senha expiraria.


Agora, avisam que já expirou, e oferecem aquele botão mágico "Atualize sua Conta", que você clica e e vai direto ao inferno, podendo ainda chegar lá e entregar espontaneamente seus dados, se for um incauto.

Quem manda o e-mail é
 contato@urx.com.br por  hosting06.solnet.ch
e o link sob o botão é http://teerasak.rmutl.ac.th/media/system/%20/hVIZ/, nada a ver com o Bradesco. 


Não caia nessa. Bancos não mandam e-mails. Vide mais sobre golpe em nome do Bradesco em 
http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2012/04/golpe-seu-cartao-chaves-de-seguranca.html

segunda-feira, 21 de maio de 2012

DF : Aeroporto melhora segurança de bagagens e transporte

Em meio a tudo de ruim que se noticia de aeroportos, nos últimos tempos o Aeroporto Juscelino Kubistchek, de Brasília, teve duas grandes melhorias. Uma é o ônibus expresso para o centro da cidade, que passa nos setores hoteleiros norte e sul, na rodoviária e  Esplanada dos Ministérios, muito bom para quem vem a negócios na cidade, por apenas R$ 8,00. A opção anterior era pagar táxi na base de R$ 30 a R$ 40 pelo mesmo percurso.


A outra é a instalação de câmeras nas áreas externas às esteiras rolantes, mostrando em monitores na área de recepção das malas a descarga dos carrinhos que vêm com malas dos aviões. O bom é ter transparência da operação. O ruim é ver a sua mala jogada de qualquer jeito nas esteiras. Tomara que estejam monitorando todo o processo, para acabar com o roubo de bagagens, que está virando uma praga nos aeroportos brasileiros. 

Lula no Programa do Ratinho nesta terça

O ex-presidente Lula será entrevistado no Programa do Ratinho nesta terça, 22 de maio, às 21:15h. Será a primeira entrevista depois que se tratou do câncer na garganta. 

domingo, 20 de maio de 2012

Projeto contra corrupção nas empresas será votado

No proximo dia 23 de maio será votada em comissão na Cãmara o projeto de lei que propõe a criminalização de empresas que participam de atos de corrupção ( PL das Empresas) . Pode ir ao Senado direto, a não ser que mais de 10% dos participantes da comissão exijam e que o assunto vá a plenário. Se essa lei estivesse em vigor, o caso do envolvimento da Delta não ficaria restrito à criminalização de apenas um dos seus dirigentes. O que se espera é que as empresas, diante da ameaça de responsabilização por atos ilícitos, tenham mais cuidado com as suas políticas e coibam práticas corruptas dos seus funcionário. Mais em http://www.contasabertas.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=868&AspxAutoDetectCookieSupport=1


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Herrar é umano 0016 : Previsão da VEJA sobre Dilma em 2010

Colunistas e economistas podem render muito material para esta seção. Basta ver as previsões que fazem, registradas na mídia, e comparar com o que efetivamente aconteceu anos depois. Aqui vai um desses casos. Achei uma pérola da VEJA com o título "A candidata com que sonham todos os candidatos do mundo", do colunista Augusto Nunes, de 07/02/10. Esse trecho diz tudo:

... "Os partidos de oposição têm sorte: Lula escolheu por eles a adversária ideal. Como sabem há meses os frequentadores da coluna, como não demorarão a perceber milhões de brasileiros, Dilma Rousseff é incapaz de comunicar-se com cada parafuso da cabeça em seu lugar. Mais grave ainda, não tem nada de proveitoso a dizer. O mais popular dos presidentes entre os institutos de pesquisas de opinião acha que elege um poste. Até uma Dilma."...


É pouco? O viés preconceituoso, que tenta desqualificar Dilma porque fez um discurso falando em mau português, rendeu mais esta afirmação:

..."Dilma é muito mais desastrada que Mercadante, muito mais arrogante que Marta e ainda mais bisonha que o filme. A cada discurso improvisado, a cada declaração em reuniões ou entrevistas, o país é reapresentado ao espetáculo aflitivo do orador sem rumo. O sujeito agride o predicado, o substantivo não cumprimenta o verbo, a concordância é chicoteada sem dó nem piedade, os gestos colidem com a garganta, a palavra volta na mesma linha sem ser chamada nem pedir licença, a voz vive inutilmente à procura do ponto seguro que não aparece. Lula trata o português com selvageria, mas é fácil entender o que está dizendo. Dilma é incompreensível."...


Para concluir, a previsão definitiva:

... "O professor de eleição vem reiterando que quem se opõe ao governo não tem discurso. Tem de sobra, mas nem precisa de muito. Basta explorar, com alguma competência e um mínimo de ousadia, o trunfo bem mais poderoso que qualquer discurso:  a oposição ganhou de Lula a adversária com que sonham todos os candidatos do mundo."


Conclusão: ou o colunista errou porque não avaliou a conjuntura e escreveu de acordo com a sua linha política, ou a oposição é tremendamente incompetente e deixou Lula eleger um poste que não sabe sequer se comunicar. Aliás, o único poste que comunica é o que tem linhas telefônicas penduradas, assunto que a VEJA conhece bem.

Alemanha : "Blockupy Frankfurt" protesta contra exploração capitalista


O descontentamento com as medidas de austeridade adotadas em países endividados da Europa chegou ao coração financeiro da Alemanha, principal articuladora dessas medidas. A nova onda de protestos que varre a Europa desde a semana passada agora chegou a Frankfurt, onde estão a bolsa de valores alemã e as sedes dos principais bancos.

O movimento "Blockupy Frankfurt" traz novidades em relação aos "Occupy" que começaram em Nova Iorque no ano passado junto à bolsa de valores. A estratégia agora é de bloqueio de áreas adjacentes aos alvos do protesto. Segundo o site do movimento, a prefeitura de Frankfurt "organizou o caos", bloqueando duas estações de metrô, duas de trem e várias ruas no centro da cidade. Agências bancárias também estão fechadas na região.

A jornada de protestos, que culminará com uma demonstração internacional ao meio-dia de sábado, deverá continuar hoje. Ontem houve repressão e muitas pessoas foram presas. Para hoje a programação tem como objetivo fechar o centro financeiro. Estão pedindo para as pessoas levarem barracas para acampar por lá. Como apenas a marcha do sábado está autorizada, a polícia está se confrontando com os manifestantes em várias áreas da cidade onde há manifestações. Estão impedindo os ônibus com manifestantes de outras cidades, da Alemanha e de fora, de chegar à cidade, com bloqueios nas estradas.

O Blockupy, em nota no site (em alemão), denuncia que a polícia vem sistematicamente desrespeitando os direitos civis em Frankfurt, com revistas em ônibus e prisões sem qualquer acusação. Segundo eles, criou-se um estado policial de exceção na cidade. Os participantes têm em mãos cópias dos artigos da constituição alemã que asseguram o direito à irrestrita liberdade de expressão. Paradoxalmente, a manifestação reprimida ontem era em defesa dessas liberdades.

O que eles querem? Protestar contra as medidas de austeridade da Troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão  Européia) e do governo de Ângela Merkel, e pedir solidariedade internacional e democratização. Por que tamanha repressão? Para sufocar a contestação ao capitalismo e em especial aos bancos, que dirigem as políticas de sangria dos povos para manter seus lucros.



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Memórias Reveladas : Reconstruindo a História roubada pela ditadura

Criado em 2009, o Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985), denominado "Memórias Reveladas", foi implantado no Arquivo Nacional para reunir os fatos sobre a história política recente do Brasil. Acumula os acervos dos órgãos de segurança e repressão da ditadura (SNI, Conselho de Segurança Nacional, órgãos estaduais), de instituições e de pessoas que colaboram com documentos para a reconstituição histórica de um período dilapidado pela censura e pela repressão aos movimentos sociais. O acervo está em constante atualização, e pode ser acessado pela internet no site

Parece que antevendo a Comissão da Verdade, empossada ontem, o site Memórias Reveladas teve a Casa Civil, no período de Dilma Roussef, como mentora do projeto. É hora dos acervos pessoais e de entidades como os sindicatos saírem dos armários e contribuírem para a formação dessa base de dados que servirá de matéria-prima para pesquisadores. Diz o site:

"Todos podem contribuir com o Memórias Reveladas participando da campanha de doação de documentos e registros de informações sobre o período de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985, que:
- Sejam referentes às lutas políticas ocorridas durante o regime militar ou, ainda, que  possam contribuir para que seja traçado um panorama sobre a sociedade, a economia, a política e a cultura da época;
- Sejam referentes a atos de repressão a opositores ao regime que vigorou no período de 1964 a 1985;
- Digam respeito a toda e qualquer investigação, perseguição, prisão, interrogatório, cassação de direitos políticos, operação militar ou policial, infiltração, estratégia e outras ações levadas a efeito com o intuito de apurar ou punir supostos ilícitos ou envolvimento político oposicionista de cidadãos brasileiros e estrangeiros;
- Tragam informação relacionada a falecimentos ou localização de corpos de desaparecidos políticos."


"O Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil, denominado "Memórias Reveladas", foi institucionalizado pela Casa Civil da Presidência da República e implantado no Arquivo Nacional com a finalidade de reunir informações sobre os fatos da história política recente do País.

Dando continuidade a iniciativas dos últimos governos democráticos, em novembro de 2005, o Presidente Lula assinou decreto regulamentando a transferência para o Arquivo Nacional dos acervos dos extintos Conselho de Segurança Nacional, Comissão Geral de Investigações e Serviço Nacional de Informações, até então sob custódia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e passou à Casa Civil a coordenação do recolhimento dos arquivos.

O Centro constitui um marco na democratização do acesso à informação e se insere no contexto das comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um pedaço de nossa história estava nos porões. O "Memórias Reveladas" coloca à disposição de todos os brasileiros os arquivos sobre o período entre as décadas de 1960 e 1980 e das lutas de resistência à ditadura militar, quando imperaram no País censura, violação dos direitos políticos, prisões, torturas e mortes. Trata-se de fazer valer o direito à verdade e à memória.

A criação do Centro suscitou, pela primeira vez, acordos de cooperação firmados entre a União, Estados e o Distrito Federal para a integração, em rede, de arquivos e instituições públicas e privadas em comunicação permanente. Até o momento, em 13 Estados e no Distrito Federal foram identificados acervos organizados em seus respectivos arquivos públicos. Digitalizados, passam a integrar a rede nacional de informações do Portal "Memórias Reveladas", sob administração do Arquivo Nacional.

Essa iniciativa inédita está possibilitando a articulação entre os entes federados com vistas a uma política de reconstituição da memória nacional do período da ditadura militar. Os acordos firmados entre a União e os Estados detentores de arquivos viabilizam o cumprimento do requisito constitucional de acesso à informação a serviço da cidadania.

Estamos abrindo as cortinas do passado, criando as condições para aprimorarmos a democratização do Estado e da sociedade. Possibilitando o acesso às informações sobre os fatos políticos do País reencontramos nossa história, formamos nossa identidade e damos mais um passo para construir a nação que sonhamos: democrática, plural, mais justa e livre. 

Brasília, 13 de maio de 2009.

Dilma Vana Rousseff
Ministra-Chefe da Casa Civil"








Bancos privados aumentam tarifas para compensar juros menores

Os bancos não são contra baixar os juros, desde que não diminuam sua rentabilidade. O primeiro movimento após a queda dos juros anunciada (que na prática ainda não se tem noção se está acontecendo) foi aumentar as tarifas acima da inflação.

Em alguns bancos o que se vê é a maior seletividade no crédito para evitar inadimplência, com burocratização para quem quer dinheiro emprestado. Assim, podem dizer que praticam juros menores, sem muita expansão no volume de crédito.

Logo usarão outros artifícios, como enxugamento de rede de atendimento, demissão de funcionários e outros bodes expiatórios para "otimizar" despesas administrativas. A venda casada de produtos financeiros e seguros também deve aumentar, como contrapartida ao crédito. Com isso, o cliente pagará mais por um serviço pior. E os banqueiros jogarão a culpa no governo por isso.  

FANOAPÁ 0011 - Video erótico de Renatinha do BBB jogado na Internet

A Falta de Noção que Assola o País pega pesado na internet. Num dia uma atriz vacila e entrega os dados e senhas para um programa malicioso e acabou com suas fotos íntimas divulgadas após tentativa de extorsão. Agora, a Ex-BBB Renatinha, que está na revista Playboy deste mês, teve um filme vazado para a Internet contendo cenas de sexo com um ex-namorado. Ela o responsabiliza, mas ele diz que um hacker roubou os arquivos do seu computador. O assunto deve parar na justiça e deve bombar nos sites de fofocas e na mídia em geral, contribuindo indiretamente para a venda da revista nas bancas.

A falta de noção aqui não é a de vacilar com arquivos íntimos no computador para alguém roubar e jogar na internet, que parece ser geral. Num mundo com relações interpessoais cada vez mais superficiais e efêmeras, cheio de exibicionismos impulsionados pelas redes sociais e de narcisismos que ultrapassam os limites éticos, gravar um vídeo íntimo com alguém que a qualquer momento pode deixar de ser parceiro e, pior, pode se tornar um potencial inimigo, é muita falta de noção. O cracker que rouba as imagens é criminoso, mas não se pode deixar de dar uma parcela de culpa a quem produz materiais que viram alvos potenciais de chantagens, vinganças, etc, e os deixam sem proteção nos computadores. 

VEJA acusa PT de campanha negativa nas redes sociais

Mesmo se fingindo de morta no episódio Cachoeira / Demóstenes, a revista Veja não foi esquecida pelos que querem a verdade sobre as armações que fez a partir de arapongagens e forjamento de notícias para atacar pessoas e governos. Sua ação anti-democrática, aliada à cumplicidade de outros agentes da mídia que, de forma articulada, passaram a constituir um partido de direita e a conspirar contra dirigentes eleitos pelo povo, não ficará impune. Se não for na CPI, será pelo desmascaramento perante a opinião pública e os patrocinadores do seu jornalismo mentiroso, ideológico e principalmente golpista.

Há uma semana houve um tuitaço com a hashtag #VejaTemMedo atingindo o "topic trending" por várias vezes, ou seja, muita gente replicou a mensagem que falava do medo que a Veja está da CPI. A resposta veio na edição desta semana, com a acusação do PT estar manipulando as redes sociais com poderosos programas e tecnologias.

Disse que havia "robôs" forjando mensagens, acusou blogueiros, enfim, destilou ódio e mentiras contra tudo e contra todos, fazendo-se de vítima. Isso deve ser reação à perda da fonte (ou cachoeira?) de matéria-prima para "fazer" notícias, com a prisão de bandidos que usavam a revista como quadro de avisos. E da eventual perda de leitores e anunciantes.

Pelas calúnias publicadas, VEJA pode ser processada em diversas ações. Nem se deram ao trabalho de verificar se algumas das pessoas apontadas como "robôs" existiam, sendo facilmente desmentida. Mais em http://www.blogcidadania.com.br/2012/05/mentira-de-veja-sobre-robos-do-twitter-pode-gerar-acao-judicial/

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dilma : O bonde sem freio que atropela a política

Ouvi falar de Dilma Roussef pela primeira vez em 2004, quando era ministra de Minas e Energia no governo Lula. Na época participava de um grupo de trabalho que estudou cadeias produtivas no ramo de biocombustíveis, e o biodiesel era a grande novidade cujo marco regulatório estava travado na burocracia do Congresso. Tudo indicava que levaria anos para a aprovação de legislação, mas em poucos meses o que se viu foi uma pressão poderosa de Dilma sobre os políticos e o projeto saiu. Gostei do estilo dela, do foco no objetivo, passando por cima da politicagem.

Agora presidenta, Dilma parece já ter tomado as rédeas do cargo e começa a atropelar as firulas políticas como um bonde sem freio. Nos últimos meses comprou brigas poderosas com a base aliada, demitiu ministros corruptos, retomou o poder sobre o Banco Central e forçou a redução da SELIC, enquadrou o BB e a CEF para reduzirem juros e quebrar o cartel dos banqueiros, bancou a CPI do Cachoeira e nomeou os membros da Comissão da Verdade. Dilma também vetará a anistia aos desmatadores no código florestal, comprando briga com criminosos ambientais poderosos.

O mesmo estilo vale para a Petrobrás, cuja presidente falou em aumentar os preços dos combustíveis e o ministro Mantega ontem disse que por ora não há nada previsto.  E não nos esqueçamos da mexida na poupança, que aconteceu corajosamente em meio a temores espalhados pelos banqueiros na mídia, de um possível preço político que pagaria em ano eleitoral. A sensação de termos uma direção forte é uma das causas dos 80% de aceitação de Dilma.

A mídia hoje estampa com prazer : "Dilma vaiada por prefeitos". Numa reunião com a Frente Nacional de Prefeitos, perguntada sobre a distribuição de royalties do petróleo aos municípios, Dilma foi curta e grossa : não vai discutir nada sobre os contratos já feitos, e disse aos prefeitos para lutarem pelo que se fizer daqui para a frente. Quem estava ávido para receber dinheiro atrasado sobre algo que ainda nem está na lei vaiou, tanto da oposição como da base aliada.

Se fosse Lula nesse episódio, falaria uma gracinha, daria uns tapinhas nas costas, não diria nem que sim nem que não, e depois vetaria, como fez com uma proposta anterior que prejudicava principalmente os estados produtores de petróleo, como o Rio de Janeiro, onde os royalties são boa parte da arrecadação. Com o bonde sem freio de Dilma a sinceridade pesa e dói nos políticos, e o papo é reto, direto. Resta saber qual represália farão agora na Câmara dos Deputados, já que o novo projeto, que prevê repasses de royalties de contratos futuros,  já passou no Senado.

O que a mídia esconde com seu partidarismo explícito é que Dilma tinha sido muito aplaudida até que essa questão dos royalties foi levantada. Os participantes da XV Marcha a Brasilia em Defesa dos Municípios ouviram dela e aplaudiram, entre outras coisas, as seguintes promessas do PAC-2:
- distribuição de 3.591 retroescavadeiras, uma para cada município com até 50 mil habitantes;
- 1.330 motoniveladoras para municípios selecionados;
- R$ 5 bilhões de financiamento para obras de pavimentação com rede de água e esgoto;

Blindagem de Cachoeira resiste à CPI

Nesses primeiros dias de CPI já pudemos sentir que há muito mais coisas no ar que os fatos concretos que levaram o Congresso a investigar a rede criminosa do banqueiro Carlinhos Cachoeira. A primeira coisa estranha foi a mídia, a oposição e até juízes blindarem o Procurador Geral da República para que não vá ao Congresso explicar por que se sentou em cima das investigações da quadrilha de Cachoeira desde 2009.

A alegação de nada ter feito a pedido da Polícia Federal foi por terra através de desmentido em nota da PF. A mídia trata o caso como uma perseguição porque Roberto Gurgel também será o algoz de petistas no julgamento do Mensalão, que deverá acontecer nos próximos meses, e que a sua convocação seria uma forma de intimidá-lo.

Para completar o cenário de estranhezas, o ministro do STJ Celso de Mello criou um precedente perigoso para a investigação, ao permitir o adiamento do depoimento de Cachoeira na CPI por entender que a sua defesa não conhece todas as provas contra ele. Demóstenes irá pelo mesmo caminho, postergando e esvaziando o poder da CPI. Podem até sair impunes, por problemas técnicos que os advogados estão buscando nos autos dos processos.

Até o momento a revista VEJA está se fazendo de morta. Sem matéria-prima que garanta o seu diferencial competitivo, como eram os grampos criminosos que obtinha, agora a revista se coloca como vítima, faz movimentação no Twitter, alega interesses autoritários do governo na perseguição à revista, censura, etc. O resto da mídia, que era articulada como poder paralelo, sai em apoio à VEJA com o mesmo discurso.

Será que Cachoeira chegou à condição de intocável do banqueiro Daniel Dantas, e será mais um inatingível pela lei? As operações Vegas e Monte Carlos podem se tornar novas Satiagrahas, desmoralizando mais uma vez a autoridade da Polícia Federal, por questões técnicas? Do jeito que a coisa está, com a blindagem de Cachoeira e possível julgamento do Mensalão amplificado pela mídia da direita, criminalizando apenas a banda podre do PT, a direitona poderá sair vitoriosa do episódio.