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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mídia Bandida 012 - Tomates, inflação e juros

Tomei ciência do aumento abusivo do preço do tomate numa matéria televisiva honesta, que abordava o ponto de vista de um proprietário de cantina italiana ao boicotar o produto. Ele pedia desculpas aos clientes por faltar tomate no molho, mas a mensagem que queria passar é que não se compra coisas com preços extorsivos. Substitui-se por outras de melhor preço ou deixa-se de consumir até que encalhem os estoques e os preços caiam.

Circulando no Facebook
Uma lição de mercado. Os preços se estabelecem a partir do equilíbrio entre oferta e demanda. Quando a oferta cai, no caso pela baixa produção em função de preços pouco atrativos em safras anteriores, o preço sobe. Num primeiro momento alguns compram por inércia, depois começa o questionamento e o consumo cai, e o preço vai se ajustando até atingir um novo patamar de equilíbrio. Se o produtor se sentir estimulado pelo novo preço vai plantar e na nova safra o preço cairá.

Nas redes sociais o assunto rendeu muita brincadeira, com gente dizendo que o tomate tem que ser transportado em carro-forte, vendido em banco e outras, por ser um bem de luxo valioso. Assim, muita gente teve noção desse aumento, até a juventude que pega um sanduíche e a primeira coisa que joga fora é o tomate, mas reclama. E, claro, os oportunistas de plantão vendem suas análises capciosas.

Que tal dizer que o aumento do preço do tomate é um sinal do descontrole da inflação, de incapacidade do governo na economia, e que o remédio é elevar os juros para conter a alta dos preços? A inflação acumulada em 12 meses passou dos 6% e tende a beirar o teto da meta de 6,5%. Quando chegar por lá, com a SELIC em 7,25%, teremos a menor taxa de juros reais, de 0,75% ao ano, em muitas décadas.

Capitalistas estrangeiros, acostumados até a pagar para manter o dinheiro em bancos ou títulos públicos em meio a crises, acham essa taxa atrativa. Rentistas brasileiros, acostumados a ganhar sem nenhum trabalho ou risco acham isso abominável. Bancos acostumados a ganhar mais em títulos que em intermediação financeira estão apavorados com isso, e usam seu poder de pressão para aumentar novamente os juros. Como? Quase toda a mídia de informação de massas tem o seu patrocínio.

É nessa hora que o tomate vira vilão e para combatê-lo, a receita é aumentar juros, segundo a mídia bandida. Soa inacreditável alguém dizer que se os juros aumentarem, a dona-de-casa vai deixar de comprar tomates para investir em aplicações financeiras. Carestia se combate com aumento da produção ou importação, e boicote pelos usuários. Juros só alimentam bancos e especuladores. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Carestia : A hora boicotar preços altos

Pacote com 4 unidades custa R$ 3,68 em outro supermercado
Conversa para boi dormir. Os preços não estão baixando. 
O governo Dilma vem cometendo "heresias econômicas" aos olhos dos neoliberais, despertando a fúria dos capitalistas das principais economias como dos seus paus-mandados no Brasil. A toda hora o Financial Times debocha e pede a cabeça de Guido Mantega. Eles e outros criticam o modelo desenvolvimentista neo-keynesiano aplicado por aqui, e defendem as receitas clássicas para resolver crises: redução da massa salarial com aumento das margens de lucro, redução das despesas governamentais para diminuir impostos pagos pelos ricos, enfim, medidas duras contra os povos visando melhorar a rentabilidade dos investidores.
Preço do leite em Brasília. No Rio está na faixa de R$ 3. 

Dilma chutou a santa quando forçou a queda de juros para o patamar de 7,25%, porque muita gente grande parou de ganhar dinheiro sem fazer nada. Jogou pedra na cruz quando botou o BB e a CEF para oferecer crédito mais barato e mais acessível. Cuspiu na água benta quando baixou o preço da energia e manteve a política de investimentos da Petrobrás comprometendo a distribuição de lucros aos rentistas. Mordeu a hóstia quando manteve a política de reajustes do salário mínimo acima da inflação. Enfim, criou todas as condições para ser queimada em praça pública como bruxa pelos especuladores e rentistas que ganham dinheiro na moleza.

Preço em Brasília. No Rio está na faixa de R$ 2,20, e a cerveja vem de lá. 
O ataque é pesado, e não tem tido a resposta adequada por aqueles que mais se sacrificariam caso Dilma fracasse: a grande população, não apenas a mais pobre. A campanha midiática chega às raias do absurdo. Em  dezembro diziam que os empresários deveriam parar de investir e comprar geradores, porque faltaria energia com a redução do preço. Hoje eles ainda dizem que a energia vai ficar cara, porque os reservatórios estão vazios, etc. Querem que o Brasil não dê "mau exemplo" aos EUA e à Europa falida, que, no caso de Chipre, até roubar o dinheiro dos depositantes para pagar aos banqueiros já estão tentando.

Um dos flancos mais perigosos para a política econômica de Dilma está na aparente combinação dos varejistas para aumentar os preços dos produtos sem qualquer crise de demanda, apostando na falta de noção do poder de compra da classe média. Tem supermercado que parece ter pegado seu banco de dados de preços e jogado 30%, apostando que o povo não vai deixar de comprar porque não quer baixar o nível de consumo.

O resultado está aí: tem grande cadeia de supermercado vendendo até 30% mais caro alguns produtos que outra. Exemplo: No supermercado Prix, no Rio, vi o sabão em pó de 1 kg por R$ 7,98, enquanto no Guanabara estava a R$ 4,99. O mesmo produto! Os preços do Extra estão pela hora da morte. E ainda têm a cara de pau de dizer que baixaram os preços após a redução dos impostos da cesta básica.

As pessoas reclamam dos preços altos, reclamam e continuam comprando, passivamente, esperando que alguém faça o que é o seu dever: organizar uma rede de informações de preços, boicotar, fazer compras no atacado para grupos, tudo o que já se fez no passado recente em tempos de inflação alta. Se não fizerem isso e a inflação subir por causa da especulação, os juros subirão e a política econômica será desmoralizada. O pior é que estão comendo os ganhos reais de poder aquisitivo dos mais pobres.

Que tal começar por um boicote aos artigos da Páscoa? A festa cristã não precisa de ovos de chocolate, bacalhau e outras coisas gostosas porém supérfluas, cujos preços subiram mais de 10% em relação ao ano passado, quando já estavam caras. Não é nenhum pecado fazer um almoço no domingo, reunir a família para celebrar sem nenhum desses apelos de consumo. Além do mais, 1/3 da população está na faixa de obesidade, em especial as crianças, e é um bom momento para a reeducação.

Um encalhe nesses produtos será um sinal claro de que as pessoas não vão pagar o preço da exploração. Cadê as associações de moradores, donas de casa com suas panelas vazias, sindicatos e todos os que se interessam em defender o poder de compra dos trabalhadores? Manifestações contra a carestia não são obrigatoriamente contra o governo. Pelo contrário, trata-se de defender uma política que aumenta o poder de compra, contra a ganância de capitalistas que só querem ganhar em cima da miséria dos outros. 

sábado, 2 de março de 2013

Rio : Carestia geral também na Páscoa

O clima de exploração previsível para os grandes eventos internacionais, como a Copa das Confederações, parece ter contaminado toda a economia carioca. As diárias dos hotéis já estão tão altas que, no ano passado, muitas delegações deixaram de vir à Rio + 20 por não poderem pagar pelas hospedagem. Os preços em bares e restaurantes estão superiores aos praticados em capitais mais caras do mundo. O transporte é caro (e ruim). Com o surto de crescimento, falta mão-de-obra e a que se consegue é muito cara (e ruim), pois a melhor está empregada. Os aluguéis e imóveis dispararam com a implantação das UPPs.

Hoje fui a vários supermercados, e me deparei com uma realidade cruel: os mais pobres pagam mais caro pela comida. Depois de ir a dois supermercados maiores, onde ovos custavam na faixa de R$ 4,20 e o leite longa vida estava na faixa de R$ 3, fui até um outro que fica próximo a uma favela. Os preços eram bem maiores, mesmo considerando-se que a clientela paga em dinheiro, não tem ar condicionado, estacionamento e outros confortos que significam custos. Por que se paga mais caro, então? Conveniência, porque dá para levar a pé ou no carrinho, até em casa.

Todos já estão vendendo chocolates para a Páscoa, com preços bem acima dos praticados no ano passado. Uma caixa de bombons que estava na faixa de R$ 6 pulou para perto dos R$ 8. Uma barra de chocolates (daquelas que já foram 200g, depois 180, 170 e agora já tem só 160g) pulou da faixa dos R$ 5 para R$ 7. Essa mesma barra custava na Páscoa passada uns R$ 4. Assim cada um vai botando uma pedrinha a mais nos preços e logo teremos retração no consumo, pois o ganho real dos salários está indo todo para a ganância dos supermercados e fabricantes.