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sábado, 16 de março de 2013

Rio : Homofobia e quase agressão no metrô

Sexta, 21:30h. Metrô saindo da S. Pena. Poucas pessoas no vagão. Estava cansado, sonolento, quando começo a ouvir um senhor no banco à frente do meu falando alto coisas incompreensíveis, agitando os braços. "Isso é um absurdo, uma indecência, vergonhoso!", etc. Olhando mais adiante para as poltronas do outro lado do vagão, que ficavam em frente à que eu estava, havia duas garotas de uns 20 anos abraçadas, uma com a cabeça no ombro da outra. Uma fazia carinhos com a mão no cabelo da outra, que respondia com beijinhos no rosto. Podiam ser irmãs, até eram parecidas. Nada que caracterizasse homoafetividade naquela cena.

Não era isso que esse senhor achava. Como elas estavam longe e o vagão antigo fazia muito barulho, as garotas não perceberam a ameaça iminente que representava o homofóbico possesso, que poderia a qualquer momento tentar agredi-las. Tentou conseguir a minha concordância para o seu preconceito, afinal, é assim que começam os linchamentos, com a adesão de mais gente para encorajar a tomada de atitudes violentas através do discurso. Da minha parte, tentei acalmá-lo, dizendo que não tinha nada de mais, que nada daquilo era obsceno, que as pessoas tinham direito de escolha. A fúria do homem nesse momento se voltou contra mim.

Tive receio dele ter um ataque cardíaco. Ofegante, olhos esbugalhados, suando. Devia ter uns 70 anos, mas era forte o suficiente para machucar as garotas se as agredisse. Quanto o metrô parou na Central do Brasil, ele se levantou de sopetão. Levantei junto, achando que ele iria se dirigir às garotas, para intervir em caso de ameaça física. As duas a essa altura já tinham se dado conta da revolta do homem em relação a elas e pareciam se preparar para levantar e correr. Ele parou na porta do vagão, disse alguns impropérios indecifráveis, saltou e ainda ficou na estação apontando para elas e falando indignado.

Fico imaginando o que aconteceria se o trem tivesse mais gente e o senhor conseguisse convencer mais alguns para apoiar o seu preconceito. Certamente ele se sentiria apoiado para ir lá tomar satisfações. Nunca vi uma cena assim. O fato é que o discurso homofóbico, estimulado por políticos, religiosos e direitistas de todos os matizes consegue atingir algumas pessoas que podem se propor à violência, que não se restringe mais a neonazistas, skinheads e outros marginais. E a Câmara dos Deputados ainda tem um homofóbico e racista à frente da Comissão de Direitos Humanos, para piorar a situação. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pelé pode ser patrulhado por gays

Ontem o Rei Pelé foi visitar a concentração do Santos, que embarca para fazer o primeiro jogo da semifinal da Taça Libertadores contra o Peñarol em Montevidéu. Brincando com Neymar, mostrou uma foto de 1958 que mostra que usava um cabelo do mesmo tipo do jovem craque, sem o detalhe pontiagudo, e disse que iria processá-lo, por plágio. Encerrou a brincadeira com a seguinte declaração, que nos dias de hoje pode ser alvo de patrulhamento ideológico:


"Só que naquela época a gente não usava brinquinho nem gelzinho, porque tinha que ser macho"

A uma semana da Parada do Orgulho LGBT em São Paulo Pelé insinua que brinco e gel são coisas de quem não é macho, ou seja, coisas de gay. Isso poderá lhe render alguns protestos por homofobia, machismo, etc. Dependendo das declarações de repúdio, o movimento negro poderá enxergar racismo dos homossexuais, soltar nota de repúdio, que poderá ser novamente entendida como homofobia, gerando nova nota que poderá ser interpretada como racismo e assim haver um "loop" infinito de repúdios.