sexta-feira, 18 de março de 2016

Lula e o Judiciário em xeque

A atitude ilegal do juiz Sergio Moro ao divulgar uma escuta telefônica onde uma das pessoas era a Presidente da República já mereceria seu imediato afastamento do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça. Os grampos feitos em 25 advogados do escritório que defende Lula são execráveis, ferindo o sigilo entre advogados e 300 clientes. São dois fatos que levaram juristas de renome a serem unânimes sobre tais crimes. Teve quem dissesse que deveria ser preso. A presidente Dilma chegou a sugerir que se o grampeado fosse o presidente americano Obama a pessoa seria presa.

Moro sai do episódio como rasgador de Constituição e vingativo porque aproveitou para liberar áudios de Lula sem nenhuma relação com o que quer que esteja investigando contendo ligações particulares. Numa delas Lula critica a Dilma o STJ e o STF, chamando-os de acovardados diante de Moro, e diz temer a "República de Curitiba", referindo-se à força-tarefa da Lava Jato. Essa vingança de Moro nas mãos da Globo foi combustível  para intrigas e manipulações insuflando o ódio no povo. Juízes fizeram severas críticas a Lula, esquecendo que terão que julgá-lo mais cedo ou mais tarde por algo que ainda não se sabe mas procura-se obstinadamente provas.

Em uma sessão do STF o ministro Gilmar Mendes faz discurso político  atacando Lula dizendo que está sendo ministro para ter foro privilegiado, ou seja, prejulgando Lula.  Após o prejulgamento hoje decidiu numa ação do PPS suspender a posse de Lula como ministro da Casa Civil e devolver o processo ao juiz Moro, entendendo que Lula não tem foro privilegiado e dando a senha para seja preso, como queria Moro antes do dia 13/3 para inflamar espetáculo midiático dos coxinhas nas ruas. Foi atrapalhado por três procuradores que, em busca de fama, pediram a prisão de Lula e o deixaram impedido de fazer a prisão. Dias depois a juíza de São Paulo mandou para ele a cabeça de Lula em bandeja de prata. Lula tomou posse como ministro e frustrou de novo Moro.

O juiz cometeu um erro cujo desdobramento foi avenidas cheias de manifestantes hoje ao tentar o sequestro de Lula no dia 4/3 em uma operação midiática ilegal. Os militantes do PT acordaram e programaram os atos de hoje. Nesse meio tempo Moro cometeu o erro de grampear Dilma. O tom aumentou. Hoje já não se protesta mais só contra o golpe contra Dilma, mas em defesa da democracia, bandeira que amplia bem mais o leque de pessoas nas ruas.

Um juiz de primeira instância, sem olhar para o processo e decidindo em 28 segundos suspendeu a nomeação de Lula para ministro. Tinha um vasto acervo no seu perfil do Facebook de críticas ao governo, a Lula e Dilma. O processo caiu por suspeição.

E agora, mesmo com o mundo jurídico reclamando dos desmandos de Moro desrespeitando o estado de direito e do partidarismo de Gilmar anti-Lula, como ficam as decisões do STF? Vão julgar com base nos autos ou vai prevalecer o corporativismo ferido pelas declarações de Lula? Teremos mais julgamentos políticos e personalíssimos? Como fica a imagem do judiciário se condenar Lula em alguma coisa? Vão passar por vingativos.



Brasil : As estrelas na Noite de Cristal

Nazistas classificavam judeus com estrelas na roupa. E todos os outros
inimigos para que fossem humilhados e agredidos pelas ruas. Comunistas,
ciganos, homossexuais e outras etnias que não fossem da "raça pura" também
eram identificados. Hoje no Brasil basta uma peça de roupa vermelha.
Desde as primeiras greves no ABC, ainda na ditadura Geisel, a mídia e os politícos de direita trataram as lideranças como criminosos. Já faziam antes, mas como seus aliados militares reprimiam fortemente qualquer mobilização apenas deduravam os que se elevavam. Foi o caso de Herzog, dedurado pelo deputado Marin (aquele da CBF), preso e "suicidado".

Lula sempre foi tratado como criminoso por fazer luta de classes, mas atacá-lo por esse prisma ampliava sua liderança. Era preciso desqualificá-lo, esmagá-lo com uma força descomunal, para que servisse de exemplo. Como Tiradentes: enforcar, esquartejar e mandar seus restos para todo o país para dar o recado a quem tentasse se sublevar. Lula tinha que ser analfabeto, nordestino, cachaceiro, apedeuta, e finalmente, ladrão. O pobre que traiu os ideais e enriqueceu com um maravilhoso triplex em Santos e um sítio de altíssimo luxo em Atibaia, que não são seus mas a mídia o presenteou. Além de incompetente e ignorante, ladrão!

Se Mandela passou 29 anos na cadeia sem liberdade e esquecido, Lula há 29 anos é lembrado e caçado diuturnamente. Sua chegada ao governo foi um milagre em meio a todos os truques sujos usados pela direita e pela mídia para miná-la. A mídia passou a atacar cada realização sua. Veio o mensalão e o primeiro herói, Joaquim Barbosa, que se incumbiu de dar elementos ao imaginário popular do "PT criminoso", mesmo num processo onde provas foram desprezadas e correndo em paralelo a outro, envolvendo o PSDB, que só agora terminou com condenações sem alarde.

Apesar de tudo, Lula se reelegeu em 2006 e em 2010 e 2014 elegeu Dilma, que continuou o projeto de melhoria das condições de vida do povo porém sem a ajuda do ambiente externo, que desde 2008 se deteriorou. O massacre midiático tirou o nexo causal entre melhoria da vida de milhões de pessoas e ações políticas de governo. O carro na garagem, a casa própria, os bens de consumo, o poder aquisitivo mais elevado, tudo isso passou a ser "Deus quem deu" ou "consegui por mérito".

Com Dilma a misoginia entrou em campo. Se era um absurdo um trabalhador ser presidente, o que se dizer de uma mulher? Dilma sempre foi na mídia e na direita a fraca, incompetente, burra, mulher mal amada, etc, etc. Mais dura que Lula no enfrentamento com políticos corruptos de base aliada e com a mídia, teve que enfrentar desde manifestações de rua legítimas que foram engolidas por um levante fascista, boicotes e até uma operação juridico-midiática criada para ser o tribunal do PT, Lula e dela própria e tirar-lhe a eleição em 2014. Ela está aí até hoje e mudou o foco para Lula porque é o candidato mais contado para 2018. Acabar com o registro do PT, botar Lula na cadeia e depor Dilma passou a ser a estratégia da direita e da mídia.

Interesses estrangeiros evidentes também pesaram nessa guerra. Patrocínios a grupos de direita brasileiros e a políticos corruptos para entregar o pré-sal, acabar com o programa nuclear, com a defesa nacional e retornar o Brasil à condição de mera colônia do imperialismo são pautas em andamento.

Em meio a tudo isso a incessante campanha de calúnias e difamação não encontrou freio por parte dos movimentos sociais. Uma parte da esquerda, decepcionada e traída pelo PT, lavou as mãos e passou a jogar pedras que se encontraram com as da direita nos mesmos alvos.

Com a Lava Jato veio a sabotagem econômica. A Petrobrás teve seu fluxo de investimentos interrompido paralisando diversas cadeias econômicas. A construção pesada parou em grande parte. Desemprego em massa, queda no consumo, queda no PIB comemorado como prova de incompetência, perseguições a empresários, tortura em cárcere público buscando confissões que criminalizassem o PT, Lula e Dilma.

Nada disso teve efeito devastador. Atacar Lula como golpe final passou a ser a tática. Devassaram tudo. Já têm a sentença pronta, só falta colocar o crime e as provas. Lula vai ser preso, como numa obra de Kafka. A tentativa ilegal de sequestro de Lula para Curitiba acordou os petistas para a marcha do golpe. Depois veio a trapalhada dos 3 patetas que impediu Moro de prender Lula antes da manifestação da direita em 13/3, que seria apoteótica nesse caso. Não deu certo e lideranças de direita foram vaiadas por todo o país. A massa foi mais à direita ainda e quer sangue.

O que era episódico e limitado às altas faixas de renda passou a se generalizar. Perseguir personalidades identificadas com o PT, como Chico Buarque, nos restaurantes e aviões, agora é caçar qualquer um que tenha uma peça de roupa vermelha, use barba ou qualquer outra coisa que lhe dê "cara de petista". Na ditadura Pinochet chegaram a proibir o uso de barba por lembrar "coisa de comunista".

O papel da mídia na criação desse clima é evidente. De vários anos para cá se nota que nas eleições para presidente a votação no exterior, coincidentemente onde tem a Globo internacional, é muito mais à direita que no Brasil. É a única informação que recebem, sem contraponto. Vi muito disso, chega a ser um discurso padrão. O que faz hoje haver, simultaneamente, pessoas com ódio aptas à violência de Roraima ao Rio Grande do Sul, em tempo real? Por que na quarta-feira, dia 16, quando Lula foi anunciado como ministro frustrando o "gran finale" da Lava Jato: a imagem de Lula algemado!

A partir dessa frustração a Globo passou a exibir em tempo real qualquer coisa que lembre uma manifestação contra Lula, Dilma e PT. Não importa se são neonazistas, skin heads, senhoras udenistas, fascistas militarizados: o que servir para incitar mais pessoas a irem às ruas será bem-vindo.

Desesperado, o Juiz Moro publica gravações obtidas ilegalmente a partir de um grampo no telefone da Presidente Dilma e, junto com outras gravações que podem ser exploradas por mesquinhez ou preconceito de Lula, jogou na mídia, que manipulou tudo e aqueceu o clima do golpe. Ontem Lula tomou posse mas não levou, porque um juiz inimigo político deu uma liminar em 28 segundos para impedir que assuma suas funções. Outras do mesmo tipo estão pipocando pelo país para piorar a crise. Como Pôncio Pilatos, entregou ao povo na rua o julgamento a partir de "provas" selecionadas.

Fazem de 300 pessoas jantando filé oferecido pela FIESP fechando a Avenida Paulista o epicentro do golpe. A PM de Alckmin mostra passividade, quando em outros tempos com outros atores já teria baixado o cacete. Essa mesma polícia já mostrou a que veio quando intimidou pessoas reunidas em sindicatos e na sede do PT. Coincidentemente, as sedes da UNE, Instituto Lula e PC do B foram pichadas.

Se do lado da direita há essa escalada de violência que não quer esperar pelas vias institucionais de impeachment ou cassação de chapa no TSE, na esquerda ainda há quem ache que isso é coisa de petralhas x tucanalhas e que se deve esperar passivamente pelo resultado. O terrorismo campeia pela população, na forma de boatos para estocar alimentos, etc.

A violência é explicitamente incentivada pelo grupo criminoso Revoltados On Line, que pede espancamento de quem for aos atos pela democracia nesta sexta, 18 de março, que pode ir para a história como a nova Noite das Garrafadas. Na Alemanha nazista, bem antes da guerra, nos anos 30, policiais das guardas nazistas (SA e SS) pintaram em todos os estabelecimentos de propriedade de judeus uma estrela, enquanto os meios de comunicação pediam que se boicotasse esses estabelecimentos.

A partir daí grupos nazistas andavam pelas ruas cantando músicas anti-semitas. Em1935 foram proibidos casamentos entre judeus e alemães de "raça ariana". Em 1938 veio o ápice da violência que ficou conhecido como a Noite dos Cristais. Usando como pretexto a morte de um alemão por um judeu na França, foi dado o sinal para atacar sinagogas, lojas e casas de judeus. No caso, o partido nazista organizou isso.

No Brasil, a Globo pode dar a o sinal a qualquer momento. Escolha sua estrela, entre as tantas que usaram nos campos de concentração para separar judeus, comunistas, ciganos, negros, etc. A do pessoal do PT já está escolhida, mas nós poderemos ganhar uma. No fascismo, não há inteligência, só morte... Vamos às ruas defender a democracia, o estado de direito, as liberdades individuais e combater a ditadura judicial-midiática que mergulha o Brasil em clima de guerra civil.





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

CPMF : Trabalhadores não têm nada a perder

Se você é trabalhador não tem o que se preocupar
O bombardeio diuturno da mídia vem deixando os brasileiros desnorteados. Esse é o objetivo de quem descarrega terrorismo econômico, destruição de reputações de pessoas e empresas, ataca o estado de direito e a democracia invertendo valores, enfim, desarma-se o povo para lutar pelos seus direitos e, pior, coloca na boca do cidadão comum trabalhador o discurso da minoria rica.

Circula pelas redes sociais um texto dizendo para não votar em político que aprovar a CPMF. Isso em meio a uma pauta que vai ao Senado suprimindo direitos de cidadania, agredindo a soberania nacional, como na entrega do pré-sal, e literalmente roubando do trabalhador praticamente tudo que a CLT garante através da terceirização ampla, geral e irrestrita. Contra isso não há campanha, o que mostra que os manipuladores só querem mesmo o direito de não pagar mais imposto e de ter suas transações financeiras vasculhadas.

Banqueiros, especuladores e parasitas em geral sustentam a mídia para defender seus interesses. Inclusive nas redes sociais, para enganar as pessoas predispostas a atacar o governo por conta da imensa campanha de ódio promovida por eles.

Pauta de ricos, entreguistas e reacionários que tramita no Congresso
A CPMF foi herdada por Lula do governo FHC com alíquota de 0,38% incidindo sobre todos os débitos, inclusive de salários depositados em bancos. Em 2007, através do art 5o da lei 11.482, passou a haver isenção de CPMF para contas de depósitos de salários, livrando os assalariados do imposto ao sacar o valor. Também isentou o imposto da transferência entre contas de mesmo CPF.

Essa Contribuição Provisória de Movimentação Financeira não tinha data determinada para acabar. Terminou em dezembro de 2007 numa votação no Senado onde o PMDB quis mostrar força e traiu Lula votando em maioria pelo fim da CPMF. Essa ação custou cerca de R$ 40 bi em recursos para a saúde. O estrago foi tão grande que só recentemente a saúde voltou a ter os recursos de 2007.

A nova CPMF foi mandada por Projeto de Emenda Constitucional (PEC 140) ao Congresso pelo governo Dilma em setembro de 2015. Além de recriar a contribuição ela incorpora as modificações positivas de 2007 (lei 9311/1996 e suas modificações) É diferente da que existia nos anos FHC nos seguintes aspectos:

Nós quem? Os sonegadores, especuladores e outros parasitas?
- contas de proventos (salários, soldos, etc) estão isentos da cobrança, ou seja, o trabalhador que sacar ou pagar em cheque o que recebe num banco não paga nada;
- aposentadorias e pensões também não têm CPMF;
- a alíquota é de 0,20%, e não mais 0,38%;
- a CPMF termina em 31/12/2019, quando antes não tinha prazo determinado.
- os recursos serão integralmente repassados à Previdência Social e não farão parte das receitas líquidas da União, sem chance de serem desviados para outra finalidade.

Aí vem a questão: por que diabos um trabalhador assalariado, a grande maioria da população produtiva, tem que ficar contra um imposto que atinge quem opera com bancos para investir e especular. Segue a íntegra da PEC 140:

PEC 140

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO

Acrescenta o art. 90-A ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

Art. 1º O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 90-A. A contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, prevista nos arts. 74, 75, 84, 85 e 90 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e instituída pela Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, será cobrada até 31 de dezembro de 2019.
§ 1º A alíquota da contribuição de que trata o caput será de 0,20% (vinte centésimos por cento).
§ 2º O produto da arrecadação da contribuição de que trata este artigo, no período estabelecido no caput, será destinado ao custeio da previdência social, no âmbito da União, e não integrará a base de cálculo da Receita Corrente Líquida. §
3º Fica restaurada, no que não for contrário ao disposto neste artigo, a vigência da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, e de suas alterações. § 4º À contribuição de que trata o caput não se aplica o disposto nos art. 153, § 5º, e art. 154, caput, inciso I, da Constituição.” (NR)

Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor no primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação. Brasília, PEC-ACRESCENTA ART. 90-A ADCT - CPMF (L5) EMI nº 00116/2015 MF MP Brasília, 21 de Setembro de 2015

Excelentíssima Senhora Presidenta da República,

Temos a honra de submeter à elevada consideração de Vossa Excelência Proposta de Emenda à Constituição que autoriza a União a reinstituir a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira – CPMF, em caráter temporário, com vigência até 31 de dezembro de 2019. 2. Consigne-se, preliminarmente, que a presente proposição não aduz novo tributo no Sistema Tributário Nacional. Com efeito, a CPMF já integrou a estrutura de exações do país, tendo sido instituída pela Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, com sua cobrança prorrogada por diversas vezes até 2007. Os recursos da aludida contribuição foram originalmente vinculados ao financiamento de ações e serviços de saúde, e posteriormente também à Previdência Social e ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza instituído pela Emenda Constitucional nº 31, de 2000. 3. O cenário macroeconômico atual, em âmbito internacional e doméstico, tem explicitado importantes desafios para o setor público, notadamente pela deterioração da trajetória da dívida pública e dos termos de troca da nossa economia, com a consequente desaceleração da atividade econômica. No contexto verificou-se a necessidade de um importante realinhamento de preços, ao tempo em que o mercado de trabalho, em particular o formal, apresenta significativa acomodação. 4. As modificações nos parâmetros macroeconômicos em 2015 impactaram, destarte, a programação orçamentário-financeira da União de forma considerável. A vigorosa ação de contingenciamento das despesas autorizadas pelo Orçamento Geral da União, em montante acima de R$ 78 bilhões tem permitido economias substanciais ao Tesouro Nacional e serve de base para as despesas discricionárias previstas no Orçamento Geral da União para 2016. De fato, a previsão dessas despesas em 2016 deverá exceder em apenas R$ 2 bilhões aquelas previstas pela programação financeira para 2015, não obstante o aumento de preços verificado no período. A manutenção da parcimônia no gasto, assim como o atingimento da meta de superávit primário manifestam-se como essenciais para garantir a estabilidade da economia e o bem-estar da população. 5. Não obstante a disciplina renovada em relação ao gasto discricionário, a maior parte do gasto público da União inclui-se entre os gastos ditos obrigatórios por força de lei. Dentre estes gastos avultam aqueles associados à Previdência Social. A Previdência Social, além de seu caráter intertemporal, é um importante amortecedor dos impactos cíclicos, fazendo parte dos estabilizadores automáticos da demanda existente nos países com uma economia mais desenvolvida. No Brasil, a estabilidade proporcionada pelo pagamento pontual dos benefícios previdenciários e da seguridade social é uma das vigas mestras da economia e da higidez do tecido social. 6. Ocorre que o forte aumento do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor (INPC) previsto para 2015, da ordem de 10%, terá impacto significativo nas despesas da Previdência Social, dado que influenciará o piso dos benefícios da Previdência Social, determinado pelo Salário Mínimo, assim como todos os outros benefícios, estes corrigidos pelo INPC. Assim, não obstante importantes esforços de melhoria da gestão do INSS, que deverão se traduzir em economias de mais de R$ 7 bilhões, o custo do pagamento dos benefícios da Previdência deve subir de R$ 438 bilhões em 2015 para R$ 489 bilhões em 2016, um aumento de R$ 51 bilhões. Esse substancial crescimento se explica pelo reajuste dos benefícios, assim como pelo aumento do número de benefícios por conta da evolução demográfica brasileira, a alta incidência de situações de doença que ensejam o pagamento do Auxílio Doença, assim como o acentuado número de aposentadorias por invalidez ainda concedidas pelo sistema, entre outros fatores. 7. A evolução da arrecadação líquida para o RGPS, por outro lado, deverá ser de apenas R$ 22 bilhões, passando de R$ 350 bilhões em 2015 para R$ 372 bilhões em 2016. Destarte, o déficit da Previdência Social deverá aumentar de R$ 88 bilhões para R$ 117 bilhões, caso a economia não venha a apresentar deterioração maior. Esse incremento do desequilíbrio fiscal não pode ser corrigido pelo corte de outras despesas, não obstante a aludida disciplina nos gastos discricionários e outras medidas legais visando reduzir gastos obrigatórios. 8. A expansão do déficit da Previdência Social deve persistir nos próximos anos, até que a economia se recupere, ainda que se avance com reformas estruturais nesta área. A expectativa de aprimoramentos nos regramentos para o acesso à aposentadoria, assim como para a concessão de pensões por morte, terão efeito substancial, mas gradual, sobre o equilíbrio financeiro da Previdência Social, indicando a necessidade de fonte adicional de receita nos próximos anos. Tal exigência se manterá, mesmo com a retomada do crescimento da economia e da arrecadação da previdência, em vista da necessidade de se fortalecer o desempenho fiscal do país nos próximos anos. Assim, apesar da expectativa de gradual melhora no déficit da Previdência nos próximos anos, ele dificilmente alcançará patamar abaixo de R$ 30 bilhões até 2019. É, portanto, indispensável para o equilíbrio fiscal e garantia do bem-estar da população a produção de nova fonte de receita, ainda que de natureza provisória, até que a retomada da economia e os efeitos das projetadas reformas estruturais se façam plenamente sentidos. 9. Assim, propõe-se a inclusão do art. 90-A ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que autoriza a União a cobrar a Contribuição instituída pela Lei nº 9.311 de 24 de outubro de 1996, em caráter temporário, até o exercício de 2019.. Trata-se, com efeito de tributo que engendra, na forma dos elementos constitutivos e essenciais que o conformam, grandes vantagens comparativas, relativamente às demais modalidades tributárias, especialmente na atual quadra econômica. A experiência precedente com a adoção da CPMF revelou que a base de transações financeiras apresenta boa relação custo-benefício, seja para o contribuinte ou para o fisco. 10. A CPMF tem entre suas virtudes a facilidade administrativa para a arrecadação de tributos. A literatura econômica tem destacado que os custos para a Administração Tributária são bem menores com a CPMF do que com os demais tributos. Não há necessidade de controle de notas fiscais, da renda de milhões de contribuintes e nem de uma infinidade de declarações. Para os contribuintes responsáveis pelo recolhimento do tributo, os custos de cumprimento da obrigação tributária também são baixos e podem ser facilmente informatizados. Já para os contribuintes que suportam economicamente o tributo, a CPMF não impõe nenhum custo para cumprir a obrigação tributária. 11. A CPMF é um instrumento de arrecadação com pequeno impacto pró-cíclico sobre a economia, visto que não onera particularmente nenhum setor e é de modo geral inelástico a variação de comportamentos localizados por setor ou grupo de contribuinte. Além disso, ao não incidir majoritariamente sobre preços administrados tem um impacto difuso, amortecendo os efeitos sobre a inflação típico de impostos indiretos sobre o consumo. Desse modo, é um instrumento adequado para dar segurança fiscal em um período de desaceleração da economia, com impacto reduzido sobre a indústria o comércio ou outros serviços, e uma influência sobre a inflação bastante sensível às condições de demanda, podendo-se esperar pequena transmissão para os preços domésticos (baixo “pass through”). 12. Outro benefício da CPMF é sua capacidade de tributar as rendas que escapam da Administração Tributária. Desta forma, recursos ilícitos, sonegados ou evadidos são alcançados por esta contribuição. A CPMF também é capaz, como nenhum outro tributo, de alcançar a economia informal. 13. Outro ponto que favorece a criação da CPMF é que, como ressalta a literatura econômica aplicável, países com sistemas financeiros mais desenvolvidos são mais propícios à introdução da contribuição já que se torna mais custoso para as empresas e indivíduos utilizarem canais alternativos para transações financeiras. Este fato reduz as distorções potenciais do tributo, já que poucos contribuintes deverão alterar o seu comportamento por conta do tributo. 14. Há ainda a se considerar a alta produtividade da contribuição, medida como a relação entre a arrecadação em percentual do PIB e a alíquota do tributo. Isto significa que com uma alíquota relativamente baixa é possível obter receitas substanciais. Informações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Centro Interamericano de Administrações Tributárias (CIAT) relatam que a produtividade da CPMF ficou em torno de 4,5 em 2007. 15. Em vista das considerações acima, mesmo que no caso da CPMF deva ser considerada a sua cumulatividade, destaca-se o seu baixo impacto distorcivo sobre o consumo diante dos resultados de sua arrecadação. 16. Com referência às demais diretrizes do mencionado dispositivo constitucional - inclusão do art. 90-A ao ADCT - cabe mencionar: (i) Caput - Dispõe sobre a vigência do tributo, que deverá vigorar até 31 de dezembro de 2019; (ii) § 1º - Estipula a alíquota da CPMF em 0,20%; (iii) § 2º - Define a destinação do produto da arrecadação da CPMF, como fonte de financiamento para a Previdência Social, com vistas a compensar o aumento do déficit da Previdência na esteira do substancial reajuste das aposentadorias em um ambiente mais débil no mercado de trabalho e consequente arrefecimento das receitas previdenciárias. Estabelece-se, ainda, que, dada a destinação dessa receita para a Previdência Social, a receita da CPMF não integrará a base de cálculo da Receita Corrente Líquida; (iv) § 3º - Restabelece, no que mantiver consonância com a presente proposição, a vigência da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, e suas alterações; (v) § 4º - Manutenção da inaplicabilidade da CPMF às disposições constitucionais atinentes ao ouro, quando definido como ativo financeiro e à incidência sobre base de cálculo de tributos discriminados na Constituição. 17. Essas são as razões de urgência e relevância que justificam o projeto de Emenda Constitucional que ora submetemos à elevada consideração de Vossa Excelência. Respeitosamente, Assinado eletronicamente por: Joaquim Vieira Ferreira Levy, Nelson Henrique Barbosa Filho

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Blog do Branquinho - balanço do 7o aniversário

Em 2015 o Blog do Branquinho continuou a tendência de queda na produção de conteúdo, dada a migração para o Facebook pela facilidade de publicação. De 260 postagens em 2014 declinou para 61 postagens em 2015, ou seja, 5 por mês. Um declínio contínuo desde 2011, quando foram 711 publicações. Os 3500 posts do blog ainda mantém uma média de acessos diários acima de 8 mil mensais.

Para 2016 o Blog do Branquinho no formato do Blogger complementará o do Facebook com artigos maiores e mais densos. O Blog do Branquinho - Facebook está ganhando fôlego, contando com 100 curtidas e média de 3 mil visualizações semanais. O volume de publicações diárias está aumentando através do clipping comentado de notícias e deve crescer mais quando o público de 800 amigos do meu perfil pessoal começar  a acompanhar política no Blog a partir de hoje, quando paro de postar tais matérias.

Mais uma vez os relatos de um grande viagem foram atropelados pela falta de tempo para envio e pela concorrência direta de postagem de fotos no perfil pessoal do Facebook.

E vamos a mais um ano. Obrigado aos amigos e apoiadores por mais esse aniversário.
Facebook : https://www.facebook.com/BlogBranquinho/



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Até onde vai o jogo (cada vez mais) perigoso do Golpe?

A tal "carta do Temer" confessando suas chantagens feitas durante o tempo e seus ressentimentos em relação a Dilma por tê-lo contrariado muda o rumo do tal processo de "impeachment". Temer, que até ontem estava calado, soltou a carta e foi fazer palestra para empresários expondo seu projeto "Ponte para o Futuro", que é um programa de governo que já meses propaga preparando o terreno para assumir o governo.
Ficou claro que o PMDB sabotava o governo, exigindo cada vez mais espaços controlando dinheiro e cargos, não para ser aliado do governo, mas para manter uma relação parasitária esperando a hora de matar o hospedeiro. Eram doença e "remédio" do governo. Desestabilizavam para vender estabilidade cada vez mais cara. E seguiriam assim se a base do PT não tivesse se rebelado e botado os três deputados da Comissão de Ética para votar contra Cunha. E exigido da maioria dos deputados compromisso contra mais acordinhos com o PMDB. Aí a casa caiu: o modelo do PSDB não prevê que o refém lhes diga: "quer matar, mata logo, porra!".

A partir daí as máscaras começaram a cair. Nada explica que a essa altura da crise política Cunha ainda tenha poder para manipular a composição da comissão que examinará o impeachment e continue correndo da Comissão de Ética que não seja a conivência da oposição, do seu partido, do Ministério Público e do Judiciário, aparentemente todos sócios dessa "joint-venture" golpista. Por muito menos um senador do PT, líder do governo, foi preso no exercício do cargo. 

Esqueçam as firulas jurídicas que o PT e Dilma parecem acreditar que são o motivo do pedido de impeachment. Isso pouco importa. Temer assinou os tais decretos sem data assim como Dilma, e no fim das contas isso não é crime de responsabilidade para derrubar governo. Tudo isso é só pretexto para o golpe em curso, e Dilma e o PT acham que o Congresso é o fórum adequado para o julgamento de um mandato democraticamente concedido pelo povo. 

O Congresso é uma arapuca repleta de marginais que se vendem por dinheiro, que não falta nas malas cheias que os grupos de interesses poderão prover à vontade. Quanto custa um voto no impeachment? R$ 10 milhões? Ora, com R$ 342 milhões se "elege" o sucessor de Dilma via golpe. Depois vem a cobrança: pré-sal prá um, BB e Caixa prá outro, mais juros, melhores negócios para a mídia, etc. Não se vota golpe, porque é um processo viciado. Se Dilma ganha, o golpe não pára; se perde, o golpe ganha.

Nossas elites ao longo da história se articularam para fazer as mudanças por cima, sem muito derramamento de sangue. Este só rolou quando havia uma ameaça classista, e toda a elite se uniu para matar, perseguir, torturar e prender trabalhadores e a esquerda. Nos demais momentos o que vimos foi um grupo contra outro grupo de elite. Assim foi na Independência, Proclamação da República, Revolução de 30, etc. O momento atual, a não ser que o PT continue com a esparrela de buscar um "acordão" onde cederá mais para não governar, aponta para um desfecho mais parecido com 1964.

Quase toda a esquerda e muita gente independente assumiu o discurso "tenho restrições ao governo  Dilma, sou a favor da democracia e contra o golpe". Nesta hora sumiu tudo o que de maldade se fez, por exemplo, no circo da Lava-Jato e nas prisões espetaculares de petistas. Ninguém pensa mais nisso. Se o Moro der na telha de prender o Lula agora, por exemplo, entorna o caldo, porque tudo que se fizer daqui prá frente que tente atingir o governo e Dilma será colocado na conta do golpe. E seus autores vão para a lata do lixo da história, que está generosamente aberta. 

O "fator povo" nunca é levado em consideração nos grandes jogos estratégicos das elites. Na hora que querem pagam a oportunistas e à mídia para botar ou tirar povo na rua defendendo o que querem. Funcionou até Cunha tentar a punhalada final. Agora tem "povo gratuito" nas ruas e isso vai crescer ao longo do processo de impeachment. 

As elites acham que se o processo demorar eles vão ter como botar "as massas deles" nas ruas, o que parece falso. Com as bandeiras vermelhas ocupando as avenidas os covardes da classe média de direita não aparecerão, mas mandarão paus mandados  e polícias para tentar calar os manifestantes. Aí não tem mais freio: o pau come, a rua fecha, o carro pega fogo, a estrada pára, o prédio pega fogo, gente importante não pode mais sair na rua, enfim, a situação fica imprevisível e aí, além de golpe, repressão violenta. 

O PT cometeu o erro de submeter o pedido de impeachment ao STF como "chantagem" de Cunha esperando o que? Que algum juiz parasse um golpe no qual o judiciário é interessado? Se fossem isentos já teriam prendido Cunha. Agora se entope de juristas da maior qualidade para dizer que a argumentação do impeachment é inócua. Enquanto isso Cunha e Temer, com os demais ratos da oposição, montam uma comissão viciada que levará a plenário o pedido de impeachment com indicação para afastamento de Dilma. 



O PT pode até "republicanamente" repetir a cena de Collor com Dilma, assinando o livro da destituição, coisa e tal, mas e as pessoas que estão sinceramente defendendo a democracia e as urnas? Muitos não aceitarão mais esse "acordo por cima", onde a ilusão será a da candidatura de Lula em 2018. Se o golpe vier, Lula será preso por qualquer coisa e terá os direitos políticos cassados. Simples e cruel assim! 

Pelo andar da carruagem os golpistas subiram no telhado e chutaram a escada. Não tem mais retorno. Ou ganham ou ninguém governa. Agora é Temer ou nada! Não tem mais "acordo Caracu de governabilidade por cima"! O PT, Dilma, esquerda e cidadania estão fora do modelo deles. Como o processo pode ser longo, é previsível a escalada da tensão e episódios de violência de lado a lado. Nessa hora gente ferida ou morta vira mártir, e aí pode vir guerra civil. 

Dilma não pode vacilar como Jango. Sendo golpe, deve ser tratado como tal dentro da legalidade do respeito às urnas. Não pode se eximir de sinalizar ao povo para reagir legitimamente à usurpação pelos inimigos da democracia. Se Temer e o resto da direita estão montando um governo sem respeito às urnas, Dilma tem o mesmo direito de montar um governo sem o PMDB com programa popular e democrático, apoiado pela força das ruas. Dilma deve aos brasileiros um governo que enfrente os banqueiros, latifundiários, especuladores, sonegadores, corruptos e mantenha e aprofunde os programas sociais numa perspectiva de desenvolvimento. Se o golpe for contido pela força e sacrifício do povo ela ficará devendo mais ainda. 

Não acredito em nada disso, conhecendo como a banda toca no PT e suas lideranças mais evidentes. Vão ficar nessa de apostar na derrota institucional do Impeachment como se fosse um turno eleitoral legítimo. Vão buscar alianças com outros setores tão ou mais corruptos que o PMDB oferecendo cargos e ministérios suculentos. Assim, desmontarão toda e qualquer chance de quem não é do PT mas defende a democracia e o fim da corrupção de se armar para rechaçar o golpe. Bom, vamos ver como é que isso se desenrola. Juro que não gostaria de vivenciar uma guerra civil, de irmãos contra irmãos. Como disse Dilma, a unidade nacional passa pela legalidade e esta pelo respeito às urnas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2016: Derrotar de vez o golpe e exigir um governo popular e democrático

Charge de Aroeira que traduz o momento atual: um terrorista contra Dilma





Jornadas de junho de 2013. Ilustração do livro Cidades Rebeldes
Se buscarmos as origens de tanto ódio a uma mulher honesta na vida pessoal e no trato da coisa pública teremos que voltar não à ditadura militar, onde foi presa, torturada e depois virou a página, mas a 2013. Insisto nessa minha visão porque aquele momento foi lido, creio eu, de forma equivocada por muita gente boa que queria faturar em cima do movimento das ruas que quase derrubou Dilma.

Poucos se lembram ou vão ligar uma coisa com outra, mas desde 2012 as condições macroeconômicas permitiram a gradual queda da taxa de juros. Até a poupança foi modificada para não prejudicar a rentabilidade de investimentos quando os juros baixassem muito. Nessa época começou o ódio, que os banqueiros e a mídia tentaram transformar em "golpe contra a poupança" a exemplo do que aconteceu no governo Collor. Dilma mudou a poupança e no dia seguinte a terra continuou girando na mesma velocidade da véspera.

Dilma vivia o melhor do seu primeiro mandato no início de 2013. Em 18 de maio daquele ano escrevi sobre a situação econômica favorável que já despertava ódio golpista na direita, que viria às ruas menos de um mês depois legitimada pela mídia. Vale a pena ver de novo: REVOLUÇÃO CAPITALISTA DE DILMA PROVOCA GOLPISMO DE DIREITA

Exemplo de "ISSO NÃO VEM AO CASO". Aécio não interessa.
Os juros continuaram a cair até que entramos em 2013 com valores reais abaixo de 2%. Para uma economia de parasitas que ganham dinheiro fácil em cima de títulos públicos isso foi um desastre, idem para os banqueiros. Era para terminar 2013 com taxas de juros civilizadas, já que as conjunturas internacional e nacional permitiam. Eis que, como tantos que há todo dia, um movimento reclamando de preços de passagens em São Paulo, que deveria ter ficado pela blindagem de mídia como a atual luta dos alunos contra o fechamento de escolas por Alckmin, isolado nas redes sociais.
De repente a mídia, que condenava, muda de idéia e aparelha a luta legítima com bandeiras como "fora Dilma, impeachment" e outras. Os movimentos sociais adotaram a Copa como bode expiatório e começaram um movimento contra a realização do evento, no que tiveram apoio parcial de mídia até o momento crucial onde a Globo perderia dinheiro se não ocorresse. Teve a Copa, mas Dilma foi xingada nos estádios. Teve a Copa, mas o Brasil não poderia ganhar senão fortaleceria Dilma na eleição. Acabamos tomando 7 x 1 num episódio que mereceria maior investigação diante da corrupção endêmica do futebol, mas a "cena do crime" foi rapidamente desfeita num "deixa disso" midiático. "Perdemos porque somos uns merdas", era o discurso vira-latas do povo da mídia.
A fraqueza de Dilma na "governabilidade" abriu os esgotos.
O fato é que o governo foi desestabilizado e a economia sofreu turbulência que inviabilizou termos juros baixos. Dilma ficou marcada pelo capital. Iniciou-se em 2014 uma operação rasteira, a Lava Jato, de primeira instância numa obscura vara em Curitiba que, com o conluio da Polícia Federal e da mídia no vazamento de informações seletivas, virou o "Tribunal do PT", com o objetivo primeiro de tirar-lhe a eleição. Fracassaram. Começamos 2015 com a fase da sabotagem da economia. Hoje vivemos o "não vai ter Petrobrás, não vai ter BNDES, não vai ter governo, não vai ter Brasil", pela parte dos seus autores.
Oposição faz de Cunha seu herói do golpe
Na retrospectiva de 2015 vamos encontrar em 15 de março o auge dos protestos pelo golpe. Centenas de milhares de coxinhas nas ruas com suas camisas da seleção num movimento crescente, articulado por grupos de extrema-direita na internet espalhando ódio e a mídia espalhando desinformação, calúnias e difamações. A Lava Jato bombando, parando a Petrobrás, inviabilizando a construção pesada, causando desemprego, engrossando o caldo contra Dilma.

A direita quer golpe sangrento, pior que 1964. Extermínio. 
Quando tudo parecia perdido para Dilma aparece ... Cunha! Ele e sua bancada de baixo clero fundamentalista aproveitaram o bom momento da direita fascista para empurrar a tal "pauta bomba", que ia da supressão de direitos trabalhistas com a PL 4330, aquela da terceirização, à supressão de direitos de mulheres, homofobia, criminalização de crianças, privilégios aos mercenários da fé, etc.

Junto com ele o governador Beto Richa do PSDB do Paraná acordou os movimentos com uma repressão brutal aos professores em greve quando tentava roubar-lhes o dinheiro da previdência. A ficha caiu prá muita gente que um governo tucano com Aécio seria uma guerra aos trabalhadores. Mesmo com blindagem de mídia, o desgaste foi grande e as atrocidades foram vistas por muita gente brasil afora.

Os movimentos sociais, que estavam paralisados em parte pela submissão da CUT e outros ao fisiologismo de governo e mais à esquerda pelos que queriam ver o circo pegar fogo e depois crescer sobre as ruínas do PT, não se opunham. As ruas e redes sociais estavam dominadas pela escória do Brasil espalhando até golpe militar,  desejos de matar, volta da ditadura, etc. Isso foi até abril, quando Cunha passou a ser o vilão dos direitos sociais e trabalhistas. Lentamente os movimentos populares se levantaram e passaram a protestar.
Ataques á Petrobrás geraram reações. 13/03/15 Rio

Voltamos a ter a cor vermelha nas ruas, até então ocupadas pelo verde-amarelo hipócrita dos pró-americanos. Eles, por sua parte, exageraram nas demonstrações com baixarias, declarações sem-noção de ódio, oportunismo, etc. Mesmo tendo apoio de mídia até hoje, os coxinhas foram deixando as ruas tanto por fim de uma "moda" mas também porque as coisas já não estavam mais tão fáceis com Cunha se seu saco de maldades. Mesmo com as pesquisas indicando Dilma praticamente sem apoio até da família, ela não caía. Aécio também deu sua colaboração expondo-se como oportunista, interesseiro, sem projeto para o país, apenas um menino mimado vingativo que queria a todo custo tomar o poder depois de ter perdido a eleição.

Globo estimulou ações dos coxinhas contra Dilma e blindou PSDB
Globo mergulhou de cabeça no apoio ao golpe, como em 1964
O cenário foi píorando para Dilma ao longo do ano. A mídia martelando sem piedade usando o canal direto com a Lava Jato para criar factóides e criminalizar o PT, Lula e Dilma. A situação econômica se deteriorou com a conjuntura mundial e com a deliberada sabotagem à nossa economia através de especuladores articulados com a mídia. O pacote econômico do ministro Levy, que poderia ser subscrito pela equipe econômica de Aécio por  penalizar os mais pobres, foi lentamente sendo tocado no congresso e não chegou a fazer efeitos. A liberação do câmbio aliviou as contas externas e começou a animar a indústria exportadora, mas os efeitos só acontecerão no ano que vem, justo quando o desemprego deverá continuar subindo com o fim das grandes obras de infra-estrutura e mais vinganças de CPIs e da Lava Jato.
O "timing" do golpe indicava abril ou maio para a deposição de Dilma, que mostrava debilidade em governar tanto pelo tsunami da direita como pela incompetência da equipe que escolheu. Sem ter mídia favorável sequer se armou com um bom porta-voz. O Planalto silenciou. A articulação política virou um balcão de despachos do PMDB, que foi achacando por mais e mais ministérios enquanto tramava derrubar Dilma e dar posse ao vice Temer. Na área da justiça um dia não será surpreendente saber que o ministro jogava do outro lado. Nunca impediu que a PF vendesse informações à mídia golpista, mesmo sendo o chefe. Deixou que em Curitiba a PF montasse um comitê pró-golpe, um ninho tucano que fez campanha para Aécio.

Antecipada candidatura de Lula 2018
A entrada de Lula em cena com seu lastro popular mudou o jogo mas não freou o golpe. O fato da imprensa ter desfocado de Dilma e ter passado a despejar todo o seu ódio de classe contra Lula o fortaleceu junto às base do PT e a muita gente de esquerda que passou a enxergar que a direita não era democrática: com o golpe viria uma ampla repressão aos movimentos sociais e populares, com o apoio de paramilitares e neonazistas. a exemplo do que aconteceu na Ucrânia. O filho de Lula foi achacado no dia do aniversário de 70 anos do pai, tarde da noite em casa, pela Polícia Federal... Contra ele a campanha de difamação também foi imensa. Até a filha de Dilma teve seu nome associado a enriquecimento inexplicável nas mídias sociais...

Lula fez o contraponto. Galvanizou a solidariedade da base petista descontente e descrente, que já dava o jogo como perdido dada a inoperância e falta de recuperação do governo Dilma. No meio desse tiroteio o Congresso parou. Lentamente as mulheres e outros segmentos atacados por Cunha se levantaram e foram às ruas a partir de outubro.

Os espertos faturam em cima dos otários
Ao longo do ano as máscaras foram caindo mais por erros da direita que por acertos de Dilma e do PT. Cristalizou-se o bordão "se é tucano não vai preso", traduzindo o sentimento popular de impunidade do PSDB mesmo em casos graves de corrupção, como no metrô de São Paulo, o arquivamento e prescrição de casos como o mensalão tucano, etc. A imagem do judiciário trincou, com o juiz Sergio Moro fazendo um circo de arbitrariedades, prendendo primeiro e procurando provas depo



is. A ele foi associado o bordão "isso não vem ao caso" quando os assuntos envolvendo corrupção remetiam a anos FHC. Ficou explícito que a Lava Jato é um tribunal tucano. Ainda há a emblemática imagem do helicóptero dos 450 kg de pó que não foi investigado ou punido porque chegou ao quintal dos poderosos.

O desgaste institucional chegou ao ápice em outubro com a aprovação da lei do direito de resposta e a denúncia das contas secretas de Cunha na Suíça. A máquina de mentir e caluniar da mídia foi parcialmente travada com os direitos de resposta, aumentando a crise de credibilidade que levou a Veja praticamente à falência e tirou dinheiro de patrocinadores da Globo. Esta chegou a perder audiência ao ponto de uma novela do horário nobre perder para um épico bíblico da Record... Foi um ano ruim para a mídia, que passou a ser vista por boa parte das pessoas como manipuladora e mentirosa.

Esposa de Cunha gastando nosso dinheiro
As atitudes diante do roubo explícito de Cunha ajudaram a desconstruir a dicotomia "bem=Mídia + judiciário x mal = Dilma e PT". A exemplo do caso HSBC e da corrupção no Carf, que envolveram bilhões em corrupção e interesses de grandes empresas e figurões "do bem", com Cunha o acobertamento veio para não prejudicar o impeachment em andamento por causa de "pedaladas fiscais" "julgadas" pelo TCU dirigido por um presidente suspeito em casos de corrupção. Graças à péssima imagem de Cunha a "operação abafa" não funcionou. Mulheres foram às ruas pedir sua cabeça. Na mídia houve aqui e ali algumas rebeliões contra Cunha. As imagens de sua mulher fazendo compras de luxo viraram escárnio. Mesmo assim, com o apoio da oposição e vista grossa do governo, Cunha continuou à frente da Câmara com o poder imenso de começar o processo de impeachment de Dilma, que cozinhou desde outubro.

Antes de chegar à conclusão é bom lembrar que com as baixarias das demonstrações de rua, cada vez mais radicais e direitistas, o PSDB e outros partidos que surfavam na onda saíram de cena. Praticamente ficaram "resistindo" oportunistas e mercenários, que tentaram um "gran finale" com uma greve de caminhões seguindo o modelo chileno bancado pela CIA para derrubar Salvador Allende. Também espalharam pelo país bonecos infláveis difamando Lula e Dilma como criminosos. Foi o princípio do fim para eles. Setores de juventude passaram a atacar os tais bonecos e o governo (finalmente) deixou seu "republicanismo Caracu" de lado e inviabilizou a greve política. Os "revoltados" e heróis partiram para o tudo ou nada montando uma centena de barracas em frente ao Congresso Nacional sem ninguém, e juntando o que havia de pior, desde cachorros doidos de direita a gente armada, que chegou a atirar contra uma manifestação pacífica de mulheres negras.

Fim de linha. Mesmo apoiados por Cunha, que os tinha como milícia para pressionar pelo impeachment ao mesmo tempo que barganhava com o governo sua não cassação pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, foram enxotados de forma humilhante de lá. Mas pelas redes sociais o discurso radical continua beirando o terrorismo.

No front jurídico a criminalização do filho de Lula e de pessoas próximas a ele buscava um clímax com a prisão do "Chefe", do "Nine" (nove dedos)" ou "Brahma", como na codificação do circo da Lava Jato e mídia. Pressão máxima pelo impeachment antes do fim do ano. Prenderam o líder do governo no senado, Delcídio Amaral, com grampo de conversa onde entrega também o banqueiro André Esteves, padrinho de Aécio Neves, que bancou sua lua-de-mel em Nova Iorque. A mídia aliviou o banqueiro e centrou fogo em Delcídio, que apesar de ter cometido os crimes no governo FHC quando era do PSDB isso "não vinha ao caso".


O episódio serviu para acentuar o sentimento de haver uma justiça parcial, que prendia alguém do PT por crimes no governo FHC e não prendia um ladrão com consistentes provas, Cunha, que continuava à frente da Câmara, o terceiro nome na linha sucessória. Cunha só conseguiu essa proeza de não ser preso porque faz parte do esquema da oposição para derrubar Dilma. A coisa ficou tão ruim para o lado dele que passou a ser visto pelos seus pares como um obstáculo ao impeachment, ao usar o pedido como moeda de troca para fugir à cassação pela Comissão de Ética com os três votos de deputados petistas que desempatariam a seu favor o jogo.

Entrou dezembro nesse clima com os efeitos da peregrinação de Lula começando a serem sentidos na base petista. Na semana anterior o presidente do PT, Rui Falcão, já havia negado solidariedade a Delcídio quando foi preso, mas a bancada do PT no senado foi contra a sua prisão. Agora petistas iriam dar salvo-conduto a Cunha... uma dose muito forte até para os mais radicais militantes. Veio a reação que chegou aos parlamentares na forma de abaixo-assinado contra livrar Cunha. Os deputados da Comissão de Ética, que estavam vacilantes, foram pressionados a votar contra Cunha. Sentindo que seu esquema de chantagem havia falhado, Cunha tomou a atitude desesperada: iniciou o processo de Impeachment para garantir sua sobrevida com o apoio da oposição e da mídia.

Dilma imediatamente fez um discurso que o torpedeou, colocando sua honestidade contra a ficha suja de Cunha e que fez isso como vingança por uma chantagem mal-sucedida. Diversos setores da sociedade entenderam isso. Um bandido se vingando de uma mulher honesta, apesar de erros e vaciladas políticas. Partidos que lavavam as mãos esperando faturar na queda de Dilma se posicionaram contra o golpe, cujo apoiador mais visível e pessoalmente interessado passou a ser Aécio Neves, que está desgastado até entre seus eleitores e apoiadores.

Com a base do PT comemorando e militando novamente, agora virão os movimentos de rua contra o golpe. Os aloprados da direita vão tentar voltar às ruas a pedido de Aécio, que agora quer adiar a decisão do impeachment depois de ter dito que o Brasil não aguentava mais um dia com Dilma, porque está isolado. Precisa de 342 votos para derrubá-la, o que parece impossível hoje.

Direita ficou com Cunha mesmo depois de denunciado 
Do lado do empresariado, da sociedade civil, de trabalhadores e do povo em geral parece que o início do Impeachment foi um alívio, como quem diz : "bom, agora seja qual for o resultado vai parar essa sacanagem, esse mimimi, que está parando o país e sabotando a economia". Não importa mais Delcídio, Cunha, Aécio, nada. As pessoas querem encerrar esse assunto. Começar 2016 sem incertezas, para poderem se planejar sem ficar mais no "e se Dilma cair", que é explorado por especuladores para ganhar muito dinheiro. E parecem ter um "feeling" de que agora se Dilma cair num processo fajuto sem provas vai ter alguma reação popular podendo culminar numa guerra civil. Ninguém quer isso, mesmo que Dilma continue até 2018, que seria o razoável na democracia.

Dilma pode até não saber, mas está no seu melhor momento desde que ganhou as eleições em 2014. A situação econômica está sendo agravada pela sabotagem e isso afeta até os governos dos inimigos de Dilma. Se ela não pode pedalar, ninguém pode! Estados e municípios estão sufocados pela queda de arrecadação fruto da paralisação forçada pela crise política. Estão dependentes do governo federal. Sabem do risco de caos num processo turbulento de deposição. Tem eleições em 2016 e sem realizações para mostrar os políticos correm riscos de ser derrotados.

28/10/15 - Rio - Ato  das mulheres contra Cunha na Cinelândia
A equipe de Dilma e o próprio Lula buscam pessoas influentes dos partidos para combater o golpe. No PMDB de Cunha até agora não há posicionamento. Michel Temer, o vice de Dilma, não se posicionou. O secretário de Aviação Civil, Eliseu Padilha, que é do PMDB, deixou o governo. Se isso for uma tendência para achacar Dilma, pode virar mais um bumerangue como foi o impeachment aberto no pior momento para Cunha: novamente, vingança e irresponsabilidade.
Chuva de dólares em protesto contra contas na Suíça
De alguma forma os semblantes calmos de Dilma e outros da sua equipe quando fez o discurso que desancou Cunha no histórico dia 2 de dezembro passa a idéia de ter a situação sob controle. Ao fugir da chantagem de Cunha ela também depreciou a chantagem coletiva do PMDB sobre a governança e aí pode vir um novo tiro no pé: o abandono do governo por eles e debandada de vez para a oposição. Teriam que apostar tudo no golpe para entregar o poder a Temer. Fortalecer Cunha a ponto de se misturarem a ele no esgoto. Arriscar perder as eleições de 2016 justo onde são mais fortes: prefeituras!

Pode chegar o momento de Dilma se libertar do PMDB para poder governar. E aí, quem daria governabilidade? Existe vida após o PMDB. E escapando ao golpe Dilma estará devendo à sociedade que hoje se solidariza a ela. Terá que apresentar um programa de governo e começar tudo do zero, um novo mandato. É nessa hora que uma nova correlação de forças poderá ser estabelecida. O bloco liderado pelo PSDB está rachando com a possível saída do PSB, cujo governo em Pernambuco já subscreveu manifesto contra o impeachment. O Rede, que está na sua área de influência, se mostra contra o golpe. E sem Cunha, como fica sua milícia do baixo clero da Câmara, que não se submete aos partidos pelos quais elegeram? A tendência será de fidelização às lideranças que por sua vez buscarão acordos com Dilma.
Pesquisa diz que 81% querem Cunha na cadeia
O processo tem que andar rápido. Acabar logo com isso derrotando no congresso a tese de forma que Aécio não poderá mais tentar nenhum truque sujo. Estará destruído pelos seus próprios pares, que já começam a olhar para 2018 e preparam um luta interna poderosa entre Alckmin e Serra. Pior: sem poderem ostentar financiamento privado de campanha. Pior ainda: enfrentar nas urnas o PT com a militância revigorada, que não precisa de dinheiro para pedir votos. Junto com o DEM, PPS e os partidos do Paulinho e do Roberto Freire poderão ser varridos nas próximas eleições e chegar a 2018 depauperados.


Sabemos das limitações de Dilma, sua equipe e do PT, A declaração hoje do ministro Ricardo Berzoini de começar em março a discussão sobre a regulamentação da propriedade da mídia não parece revestida da radicalidade que o assunto requer. Parece mais um blefe, um joguinho prá criar moeda política no trato com a Globo. Uma pequena chantagem, vem ao estilo Cunha.

O fotograma de hoje, 4/12, não serve para prever o que virá por aí na reação dos golpistas, que hoje perdem feio para Dilma, que tem que liquidar logo essa fatura e liderar as esperanças para começar um ano melhor em 2016.  Sempre haverá a mídia e a chaga aberta da Lava Jato, que poderá oferecer nas ceias de Natal das elites a cabeça de Lula numa bandeja de prata, preso por qualquer coisa. Alguém quer apostar nisso?




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

São Paulo : Derrubar Alckmin para melhorar o PIB Brasil?

Nordeste com crescimento em índices de padrão chinês
Fonte : Blog da Cidadania
A mídia bandida fez um escândalo com a queda do PIB do Brasil em 4,5% comparando-se o 3o trimestre de 2015 com o de 2014. Apoiando a tentativa de golpe de Cunha / Aécio através de impeachment de Dilma, constrói uma "verdade" que repetida pelos meios de comunicação cria um discurso safado ao estilo nazista de Goebbels. A síntese é : TIRAR DILMA RECUPERA O PIB E MELHORA A ECONOMIA.


 Vamos olhar números interessantes. O PIB do Estado de São Paulo vem desabando nos últimos trimestres. No mesmo período da comparação que serve de combustível ao golpe, O PIB DE SÃO PAULO CAIU 5,5%! A economia estadual contribui com quase um terço do PIB Brasil, logo, se não fosse pelo bom resultado de outros estados melhor administrados (na visão deles), a queda seria ainda maior.

 São Paulo já foi a locomotiva do Brasil. Nos anos Lula/Dilma o Nordeste passou a receber pesados investimentos que reduziram as desigualdades regionais, e isso é uma das causas da rejeição da vitória de Dilma sobre Aécio, o candidato dos coxinhas anti-nordestinos e "paulicêntricos".

Nos últimos anos, em meio à crise mundial avassaladora, o Nordeste teve polos de desenvolvimento crescendo a taxas chinesas. Não é à toa que TODOS os governadores do Nordeste se colocam contra a tentativa de golpe, que pode trazer consequências imprevisíveis à economia com risco de guerra civil e desmantelo completo da produção. Sabem que o golpe, mesmo se sobrasse alguma coisa depois da terra arrasada, poderia trazer um governo como o que Aécio Neves escancaradamente propaga, junto com o DEM, do tipo que já conhecemos de FHC e Alckmin, em São Paulo. Uma tragédia em cima de outras tragédias.

Notícia do UOL : PIB Brasil  cai 4,5% no 3o trimestre
Em 20 anos de governos tucanos São Paulo perdeu espaço
Fonte : Viomundo
São Paulo há 20 anos sofre com governos tucanos. Em 2005 o estado representava 37,3% do PIB nacional. Em 2014 encerrou com 28,7%, praticamente empatado com a soma das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Algo impensável há 20 anos. Isso foi o resultado de uma política de altos impostos, falta de investimento em infra-estrutura, custos de transportes extorsivos com pedágios maiores do mundo, corrupção em grandes obras como Rodoanel , metrô e trens e principalmente a incompetência tucana de governar que o Brasil já conhece dos anos FHC.

Vamos derrubar Alckmin e governar São Paulo com um governo competente e honesto. O Brasil melhora. É esse o discurso, mídia?



sábado, 28 de novembro de 2015

YOUTROUXA 0127 : "PT ROUBOU O PRÊMIO DA MEGA-SENA"

Toda vez que os fascistas são derrotados vingam-se com uma onda de mentiras para levantar ódio ao governo e ao PT com o objetivo de manter a chama do golpe acesa. Ou ganhar dinheiro promovendo crise e vendendo produtos. O mais recente lixo produzidos por eles é a onda de desconfiança sobre o prêmio de R$ 205 milhões da Mega-Sena acumulada, sorteado neste dia 25/11/15.

Site UOL às 20:57 h noticiava que havia um ganhador
Primeiro divulgaram que no site da Caixa havia sido informado no dia do sorteio que o prêmio tinha acumulado, e na madrugada do dia seguinte apareceu um ganhador. Pura estupidez. No dia do sorteio por volta das 22:30h os sites dos jornais já publicavam que um vencedor havia levado sozinho o prêmio. "Para completar (a suspeita) o ganhador ainda é de Brasília", diz o texto de um perfil falso Andreas Roddewig.

Até o senador Álvaro Dias engoliu isso. Fez um requerimento à Caixa pedindo esclarecer os "indícios de irregularidade", assinando em baixo a farsa sem procurar saber se havia algum resquício de verdade. Interessado em denegrir a imagem do governo sempre, o senador apostou em ganhar aplausos da galera que o acompanha. E passou por trouxa.


Aí vieram com um falso bilhete premiado mas em uma loteria inexistente. Outra fraude. E sempre o discurso de desconfiança para culpar a Caixa, o governo Dilma e o PT.

Depois veio uma "notícia" de um tal de IFATO.COM levantando suspeitas ao dizer que a lotérica onde foi feita a aposta já tinha há menos de dois meses sido onde foi feita outra aposta que ganhou R$ 47 milhões. Não sabiam dizer se  a aposta única, de R$ 3,50, era bolão. Pode ser... 7 apostadores jogando R$ 0,50 cada um. Claro, tudo em Brasília, onde só tem ladrão...

Para completar as várias tentativas de enganar as pessoas vieram com uma jogada digna de mágico através do site de extrema-direita Guerra Patriótica. . Foram ao site da Receita Federal com o CNPJ da Lotérica e encontraram como sócio Nasser Youssef Nasr. Quem é esse cara? Sei lá, mas os falsários dizem ser parente do doleiro Youssef, da Lava Jato, Dizem que foi deputado e condenado em processo lavando dinheiro em igrejas, etc. Numa rápida busca na internet encontramos uma pessoa com esse nome, um deputado estadual pelo PSDB do Espírito Santo, condenado por um esquema de máfia com outros dois deputados tucanos,sendo um deles o ex-presidente da Assembléia Legislativa, João Carlos Gratz. Do TRE obtivemos:

45699NASSER YOUSSEF NASRDeputado EstadualPSDB

Ainda na Internet encontramos um homônimo, de origem libanesa, comerciante, radicado em Brasília desde a década de 60, que deve ter uns 70 anos e é comerciante, através do link http://ronaldmansur.blogspot.com.br/2012/02/o-brimo-nasser.html

Procurando mais encontra-se um agrônomo da Emater do Espírito Santo e ou advogado de Brasília, também homônimos.

Para quem quer denegrir o PT não é bom encontrar no caminho da sua fraude um Youssef deputado criminoso do ilibado e intocável PSDB. Tiro no pé...

E assim caminha a ignorância de muitos servindo de terreno fértil para um grupelho de espertos. Espalhe a verdade para pessoas que, por algum tipo de insuficiência,é alvo para esse tipo de armação.

PS: Em 30/11/15 a Federação Brasileira de Loterias publicou nota de esclarecimento desmentindo o vídeo "Mega Sena a casa caiu" que propagava a mentira de fraude mostrando que o dono da loteria é homônimo do deputado capixaba condenado por fraude.
http://sinlopar.com.br/nota-de-repudio-video-mega-sena-a-casa-caiu/