

Simples assim: tira-se do Rio (do Espírito Santo e outros estados também) para dar uma migalha a cada estado e município não produtor. Pior: no dia que houver um desastre ambiental, cada estado e município terá que arcar com os custos de recuperação. O que importa, para os saqueadores, é chegar na base no seu estado ou município com um "souvenir" do Rio.
O projeto subiu para a sanção pela Presidente Dilma, e a manifestação de ontem no Rio era para pedir o veto ao projeto que até 2020 trará perdas da ordem de R$ 77 bilhões. Justo quando o Rio começava a sair do atraso de mais de 50 anos, desde que perdeu a capital federal para Brasília e depois, quando teve que arcar com o ônus da fusão com o antigo estado do Rio de Janeiro, vem um golpe desses. Com Copa e Olimpíada agendados, projetos de infra-estrutura em andamento, etc.


Uma passeata 60% "chapa branca", com uma infra-estrutura impecável de palco na Cinelândia, telões, som, banheiros e segurança, sendo que os policiais e guardas municipais também eram parte interessada. Viaturas com sirenes ligadas entraram no ritmo.

Os discursos oficiais, que ecoavam na avenida pelos potentes carros de som, falavam da injustiça e da covardia de alguns deputados, e que esse saque ao Rio era coisa de uma minoria, que não representava a vontade dos outros governos, etc. Não houve nenhuma provocação contra outros estados, nada de discurso de guerra de secessão. O governador do Espírito Santo, Casagrande, participou do ato junto com o governador Cabral e diversos prefeitos.
Pequenas participações de militantes do PT, PDT, PV, PMDB, DEM, CUT, UGT e sindicatos em apoio ao veto. Quem não foi lá nem para marcar posição foram PSDB, PSTU, Conlutas. Associação comercial, Clube de Engenharia, CREA-ES e entidades de funcionários também presentes. Muita música na animação (funk, gangnam style, samba), que acabou atraindo pessoas que saíam do trabalho para engrossar a multidão, um bom público para um dia de segunda-feira chuvoso.

Os partidos da base aliada de Cabral tiveram espaço para falar. Muitos dos discursos faziam terrorismo com as perdas que a população teria caso os 8,5 bi de reais não entrem nos cofres por ano: fim das UPPs, fechamento de UPAs, fim de reformas de escolas e hospitais, paralisação de obras do metrô, enfim, o Armagedon. Ninguém falou em parar as obras da Copa e da Olimpíada.
Enquanto isso, havia outros protestos dentro do protesto. O único consenso era a necessidade de Dilma vetar o projeto lesivo ao estado e aos municípios. Militantes do PSOL levaram faixas com "Fora Cabral, Veta Dilma" e distribuíram nota à população questionando o destino dos royalties e a falta de transparência no uso dos recursos. Indios e militantes que apoiam a Aldeia Maracanã no antigo prédio do Museu do Índio, que está para ser demolido para obras da Copa, protestaram fortemente, chegando a haver início de conflito com policiais e defensores de Cabral.
Petroleiros distribuíram nota questionando a privatização da exploração através de leilões de bacias. Militantes ambientais da ilha de Paquetá (sempre atingida em desastres ambientais, na baía de Guanabara) também queriam os royalties para prevenir acidentes. O movimento foi engrossado por uma passeata puxada pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas para denunciar as demissões na WEBJET e irregularidades no processo de fusão com a GOL.
Apesar de concordar com o veto, mesmo morando na região sul do país, eu não acredito que esta postura, estas manifestações com feições bairristas e elitistas, contribuem para a opinião pública fora do Rio.
ResponderExcluirCom o 3º maior PIB total do país, 2º maior PIB per capita, o estado do Rio de Janeiro está longe de ser um estado pobre e afirmar que é um saque é o mesmo que equiparar os beneficiados - os outros municípios do Brasil - de ladrões. Isso não contribui em nada para a causa do veto.