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sexta-feira, 4 de abril de 2014

YOUTROUXA 099 : "Petrobrás tem dívida de R$ 270 bi e diretores vão ganhar mais 120%"

Mais uma desonestidade do perfil Fora PT do Facebook, contribuindo para o terrorismo em torno da Petrobrás. Quando estoura a manada da mídia bandida, associada com a oposição e a grana farta dos interesses estrangeiros, todo mundo se acha à vontade para jogar pedras no linchamento.

Para começar os caluniadores do Fora PT deveriam se entender no próprio texto da mensagem: na manchete falam em reajuste de 120%, e em letras miúdas falam em 10% nos honorários de diretoria.

Para quem não entende nada de gestão empresarial, a imagem assusta, afinal, a dívida é maior que o patrimônio. No entanto, toda vez que a Petrobrás vai
ao mercado pedir empréstimos, ninguém nega. Estariam os banqueiros e investidores loucos? Estão fazendo filantropia? Ou alguém está te enganando mesmo?

Quem tem noção do que é empresa, mercado, financiamentos, sabe que a Petrobrás tem condições de pagar os empréstimos. Está investindo pesado desde o governo Lula em prospecção, plataformas (cada uma custa R$ 1,5 bi), navios, refinarias e principalmente desenvolvendo poços no pré-sal. No ano que vem uma boa parte do investimento começa a gerar caixa e virá o alívio da empresa.

Mas não é isso que se pretende com toda essa onda de terrorismo contra a Petrobrás e criminalização do governo. Querem que ela abra mão dos campos que tem direito pelo modelo de partilha adotado para o pré-sal, para favorecer empresas estrangeiras. Querem que ela saia vendendo esses direitos. E como a empresa tem ações na Bolsa de Nova Iorque, os acionistas estrangeiros pressionam para que se aumente o preço dos combustíveis por aqui. Se o governo aumentasse a gasolina isso tudo parava, porque os lucros no próximo balanço aumentariam mais (já são elevadíssimos) e os mesmos que hoje aterrorizam com esse tipo de mensagem seriam os primeiros a atacar o governo com aquela estória de "gasolina mais cara do mundo".

No mais, interessa a esses grupos parar a Petrobrás, porque é a maior indutora de desenvolvimento no Brasil hoje. Os inimigos do Brasil entendem que sabotando a empresa pararão a economia, gerarão desemprego e criarão insatisfação eleitora. São os mesmos que nunca foram punidos no afundamento da plataforma P-36, nem pela tentativa de privatização da empresa (Petrobrax). Não é à toa que o candidato Aécio Neves já fala em mudar o modelo de partilha do pré-sal para o anterior, que era bem mais favorável aos estrangeiros. Traidores e vendilhões não têm moral para criticar. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Brasil : Ou se derruba os juros ou eles nos derrubam

O Brasil fechou julho acumulando no ano o pagamento de R$ 128,462 bilhões de juros apenas em 2012. Só em julho pagamos R$ 17,435 bilhões aos banqueiros e rentistas, que ganham sem risco e sem esforço como em nenhum lugar do mundo. O Brasil não tem dinheiro para pagar tudo isso. A arrecadação no período pagou todas as despesas, e ainda sobraram R$ 71,229 bilhões, o tal "superávit primário", que não leva em conta o pagamento de juros. Moral da estória: R$ 128 bi menos R$ 71 bi dão uns R$ 56 bi que precisamos arranjar para fechar a conta. Quem tem essa grana para emprestar? Ora, os mesmos banqueiros e rentistas que sugam o resto.

No esforço de arranjar dinheiro para diminuir o déficit nominal (tudo que se arrecada menos tudo que se paga, inclusive juros), o governo Dilma está apertando do lado dos gastos. Não deu aos servidores públicos nada além da inflação como reajuste salarial para os próximos 3 anos, e deve buscar  a mesma política de arrocho nas empresas estatais (BB, CEF, Petrobrás) para maximizar lucros que irão para o caixa do Tesouro Nacional. Para saúde, educação, investimentos? Não, para pagar juros e mais juros.

Quando os dados de juros são comparados com os do ano passado, há a notícia boa e a ruim. Vamos à melhor: nos primeiros sete meses de 2011 pagamos R$ 138 bi de juros, contra R$ 128 do mesmo período de 2012. Isso vem da redução da SELIC, rolagem de dívidas a juros menores, etc. A parte ruim da coisa é que o déficit nominal está crescendo, porque caiu o total do superávit primário nos 7 meses, em função da crise, gastos do governo, investimentos, etc. No ano passado o déficit nominal foi de R$ 46 bi, e agora, de R$ 57 bi. No mês de julho de 2012 o déficit foi de R$ 12 bi, contra R$ 5 bi no ano passado.

Os números mostram virtudes e pecados do governo Dilma. Apesar de ter ampliado o investimento público com o PAC, Minha Casa, Minha Vida e outros, de estar chamando para o investimento o setor privado através de concessões por prazo determinado (e não torrando estatais), e de até ampliar os programas sociais de transferência de renda (Bolsa Família, etc) e desonerar de impostos alguns setores da economia, de forçar a queda dos juros (ainda não houve maturação do impacto disso nas contas públicas), o fato é que se manteve o déficit nominal nos primeiros sete meses igual ao do ano passado. Ou seja, os números de queda nos juros se igualam aproximadamente á redução do superávit primário.

Onde peca Dilma e antes pecaram governos por décadas e décadas? Na falta do enfrentamento duro com os banqueiros e rentistas, em condições soberanas. O governo teme uma nova enxurrada de dólares chegando ao Brasil a partir do novo pacote de estímulos à economia norte-americana. Se há dinheiro sobrando por lá procurando oportunidades de altos ganhos por aqui, certamente se pode tomar recursos a custos mais baixos, e afundar a SELIC e os juros cobrados às famílias e empresas, baixando a conta de juros a níveis toleráveis com superávit nominal, a partir do qual se poderá falar em mais investimentos, melhores gastos e menos impostos.

Dilma precisa fazer com os banqueiros o mesmo que fez com o setor elétrico, ou seja, baixar o custo da mercadoria através da redução de lucros absurdos de monopólio / oligopólio. O uso dos bancos públicos para baixar juros tem sido pouco eficiente, porque consegue atingir apenas pessoas bancarizadas com bom cadastro.

A grande maioria cai nos juros escorchantes praticados por financeiras no comércio. Ontem vi o anúncio de uma grande varejista de móveis e eletrodomésticos onde o preço à vista seria de R$ 1500 e a prazo, em 18 meses, de R$ 2500. E não é dos piores, considerado o valor em cash, mas até nesse preço há juros embutidos. O mesmo acontece numa grande rede de supermercados, de preços altos nas prateleiras, mas que dá 40 dias para pagar no seu cartão. Cartão para pagar comida já é um absurdo, mas, pior ainda, quem compra à vista leva junto juros por nenhum motivo.

A falta de efeito da redução dos juros para a nova classe média e os mais pobres aparece nos dados do Banco Central de ontem: em junho 22,38% dos ganhos mensais dos brasileiros eram para pagar juros, um recorde histórico. E está aumentando. Destes, 8,01% foram usados para pagamento de juros, abaixo do recorde de 8,13% de outubro de 2011, e 14,37% foram para amortização do principal, que também é um número recorde. Enquanto em junho de 2012 as famílias alcançaram o recorde de 43,94% da sua renda dos últimos 12 meses.

Essa situação me faz lembrar de uma frase muito ouvida na infância, quando algum dos meus antepassados se referia à corrupção política, comparando os políticos com saúvas que destruíam a lavoura : "Ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil". No início do século XX não havia ambientalistas para questionar o sentido genocida da frase contra os pobres insetos, mas no início do século XXI nem no futuro haverá quem defenda o parasitismo dos que praticam altos juros e sugam nações inteiras.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bancos extorquem governos, mesmo pegando dinheiro barato.

Jornalistas da Bloomberg descobriram que o governo norte-americano emprestou 1,2 bilhões de dólares para salvar os bancos na crise de 2008 a juros de 0,01% ao ano. Enquanto isso, na Europa, os países em dificuldades econômicas não conseguem tomar emprestado dinheiro aos bancos por menos de 6,7% ao ano, ou seja, juros 600 vezes mais altos que a filantropia do governo norte-americano.

O ex-primeiro-ministro Michel Rocard (Partido Socialista) e o economista Pierre Larrouturou escreveram o artigo "Por que os Estados pagam 600 vezes mais que os bancos?" olhando só para o lado rico do mundo. No Brasil, o governo paga 11% de SELIC, as empresas pagam juros na base de 30% e os consumidores, especialmente os mais pobres, pagam até 300% ao ano. Nada como a tragédia econômica mundial para termos, afinal, críticas ao sistema financeiro e a denúncia desse escândalo de sucção de riquezas para os cofres do capital rentista. Claro, isso lá na França, porque aqui, além dos juros, temos a mídia na folha de pagamento dos bancos, e é proibido criticá-los.

Segue a tradução do Google Translate, para a qual se pede atenção e paciência porque tem problemas, mas é o que um blog sem recursos pode oferecer. Se preferir, leia o original em http://www.lemonde.fr/idees/article/2012/01/02/pourquoi-faut-il-que-les-etats-payent-600-fois-plus-que-les-banques_1624815_3232.html

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Porque os Estados pagam 600 vezes mais que os bancos? 


Estes números são incríveis. Nós já sabíamos que o fim de 2008, George Bush e Henry Paulson tinham definido a cifra de 700 bilhões de dólares (540 bilhões de euros) para salvar bancos dos EUA. Uma enorme quantidade. Mas um juiz dos EUA recentemente decidiu em favor de repórteres da Bloomberg, que pediu os seus bancos centrais a ser transparente sobre a ajuda que ela havia dado-se ao sistema bancário.

Depois de ter descascado 20 000 páginas de documentos diversos, Bloomberg mostra que a Reserva Federal secretamente emprestado a bancos com problemas a soma de 1 200 mil milhões a uma taxa incrivelmente baixa de 0,01%.

Enquanto isso, em muitos países, as pessoas sofrem planos de austeridade impostas pelos governos que os mercados financeiros não estão mais dispostos a pagar bilhões de dólares em taxas de juros abaixo de 6, 7 ou 9%! Asfixiados pelas taxas de juros, os governos são "forçados" a bloquear pensões, abonos de família ou salários dos funcionários públicos e cortar no investimento, aumento do desemprego e vamos ser mergulhados em uma recessão muito em breve graves.

É normal que numa crise, os bancos privados, que normalmente são financiados em 1% com bancos centrais, poderia beneficiar taxa para 0,01%, mas que em uma crise, alguns estados são obrigados a caso contrário pagam taxas de 600 ou 800 vezes maior? "Ser governado por dinheiro organizado é tão perigoso quanto o crime organizado" , disse Roosevelt. Ele estava certo. Estamos vivendo uma crise do capitalismo desregulado que pode ser suicida para nossa civilização. Como Edgar Morin escreveu e Stephane Hessel, em O Caminho da Esperança (Fayard, 2011), a nossa sociedade deve escolher : a metamorfose ou a morte?

Será que vamos esperar até que seja tarde demais para abrir os olhos? Será que vamos esperar até que seja tarde demais para entender a gravidade da crise eescolher metamorfose inteira antes de desmoronar nossas sociedades? Nós não temos a oportunidade aqui para desenvolver dez ou quinze reformas concretas que permitam essa transformação. Nós apenas queremos mostrar que é possívelpara ferir Paul Krugman quando ele diz que retira a Europa numa "espiral da morte" . Como dar oxigênio para as nossas finanças públicas? Como agir semalterar os tratados, o que exigirá meses de trabalho e será impossível se a Europa é mais odiado pelo povo?

Angela Merkel é direito de dizer que nada deve encorajar os governos a continuar avançando. Mas a maioria de nossos estados estão a tomar emprestado nos mercados financeiros de dívidas antigas. Em 2012, a França deve tomar uma 400 000 000 000: 100 000 000 000 correspondente ao défice orçamental (que seria quase zero, se cancelou a cortes de impostos concedidos por dez anos) e 300 bilhões correspondentes a dívidas antigas, que são capazes de maturidade e que somos incapazes de pagar se não emprestar para a mesma quantidade poucas horas antes de reembolso .

Para pagar as taxas de juros enormes para dívidas acumuladas há cinco ou dez anos não está envolvida em capacitar os governos, mas para sufocar as nossas economias para o benefício exclusivo de alguns bancos privados: o pretexto de que há um risco, eles se prestam a taxas muito elevadas, sabendo que provavelmente não há risco real, como o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) está lá para garantir a solvência dos Estados devedores ...

Devemos acabar com dois pesos, duas medidas: inspirando-se que são os EUA do banco central para salvar o sistema financeiro, propomos que a "dívida velha" de nossos estados pode ser refinanciada a taxas próximas de 0%.

Não há necessidade de modificar os tratados da UE para levar esta idéia: enquanto o Banco Central Europeu (BCE) não tem permissão para emprestar aos Estados membros, mas pode dar nenhum limite para as agências de crédito ( artigo 21.3 do Estatuto do Banco Central Europeu) e as organizações internacionais (artigo 23 do Estatuto). Ela pode pagar para 0,01% no Banco Europeu de Investimento (BEI) ou o depósito, que eles podem emprestar a 0,02% nos estados se endividar parapagar suas dívidas antigas.

Nada nos impede de colocar -se tais fundos em janeiro! Ela não diz o suficiente: o orçamento da Itália tem um superávit primário. Seria, portanto, em equilíbrio se a Itália não deve pagar encargos financeiros cada vez maiores. Devemos deixar Itáliaafundando em recessão e crise política, ou não tomar para colocar um fim às pensões dos bancos privados? A resposta deveria ser óbvia para agir para o bem comum.

O papel que os tratados dão ao BCE é garantir a estabilidade dos preços. Como ela pode ficar sem reagir quando alguns países estão vendo o preço das suas T-bills dupla ou tripla em alguns meses? O BCE também deve garantir a estabilidade de nossas economias. Como pode permanecer livre para agir quando o preço da dívida ameaça ser cair em uma recessão "mais grave do que a de 1930" , de acordo com o governador do Banco da Inglaterra ?

Se mantivermos a tratados, nada impede que o BCE a agir com força para fazerdescer o preço da dívida. Não só não ser proibidos de atuar , mas o incentivo parafazê-lo . Se o BCE é fiel aos tratados, tudo deve ser reduzido para o preço da dívida pública. A opinião geral é a inflação mais preocupante!

Em 1989, após a queda do Muro, demorou um mês para Helmut Kohl , François Mitterrand, e outros chefes de estado europeus para decidir a criação da moeda única. Após quatro anos de crise, ainda esperamos que nossos líderes parafornecer oxigênio para as nossas finanças públicas? O mecanismo que propomos poderia s ' se aplica de imediato, tanto para reduzir o custo da dívida velha parafundo de investimento fundamental para o nosso futuro como uma economia de energia europeu.

Os requerentes a negociação de um novo Tratado da UE têm razão: com os países que querem, temos que construir uma Europa política, capaz de agir sobre a globalização, uma Europa verdadeiramente democrática já como proposto porWolfgang Schäuble e Karl Lamers no 1994 ou Joschka Fischer em 2000. Deve ser um tratado de convergência social e governação económica real.

Tudo isso é essencial. Mas nenhum novo tratado vai ser adoptado se o nosso continente está afundando em um "espiral da morte" e que os cidadãos vir a odiartudo o que vem de Bruxelas. A urgência é para enviar as pessoas um sinal muito claro: a Europa não está nas mãos de lobbies financeiros. Serve os cidadãos.

(Michel Rocard é também o presidente da orientação científica da Terra Nova desde 2008. Pierre Larrouturou é também o autor de "Para evitar a queda final "(Edições Nova, 256 pp, € 15))