quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aécio governou por leis delegadas e agora é contra MPS...

Incrível o que se faz para ocupar algum espaço na mídia, mesmo com uma aparência jovial e o apoio da Globo. Aécio Neves, ex-governador de Minas, fala de corrupção dos outros como se nada tivesse acontecido no seu governo. Fala de pessoas de fichas sujas como se elas não existissem nem no seu governo nem do seu sucessor. E agora quer ser o pai de um projeto que reduz a possibilidade do governo federal usar medidas provisórias. Em Minas, entretanto, não teve o mesmo pudor ao governar através de leis delegadas, similares às MPs. Nem se fala em limitar isso nas gerais no governo do Anastasia.


As medidas provisórias deveriam ser usadas em casos de urgência apenas, mas com a ineficiência e o mercantilismo do Congresso acabaram sendo instrumentos de governo. Quando não é MP forçando os prazos do parlamento, é o judiciário legislando no lugar dele. Se não rolar din-din, se não sair emenda parlamentar, não se vota, é a triste realidade desse poder inchado, caro, lotado de sinecuras. Não está correto o Executivo e o Judiciário atropelarem o poder Legislativo, mas este tem que mostrar para que existe e por que a Constituição lhe dá o mesmo status dos outros dois.

Também não está correto que as MPs carreguem "submarinos", ou "contrabandos", artifícios da malandragem política que permitem colocar numa MP sobre salários de médicos toda uma legislação desreguladora da área de licitações, como se tentou recentemente. Isso tem que acabar. É por essas e outras questões que o Senado aprovou ontem a proposta de fixar prazos para a discussão, dentro do total de 120 dias, para que a Câmara possa analisar o assunto, e os senadores, depois, possam propor alterações. Também fica estabelecido que as medidas passarão pelas Comissões de Constituição e Justiça de ambas as casas legislativas, para ser apreciada a urgência.

Segue um artigo interessante do bloco parlamentar Minas Sem Censura sobre o Aécio senador e candidato da Globo à Presidência que se esqueceu que foi o Aécio governador que calou a oposição, a mídia e os órgãos fiscalizadores nas irregularidades do seu governo e no uso de leis delegadas para impor ao legislativo suas decisões, do mesmo jeito que agora recrimina no governo federal.




Papa vem ao Brasil : quem paga?

Hoje houve protestos na Espanha contra os gastos públicos com a realização de um evento da Igreja Católica. Em meio a uma grave crise econômica, o gasto de 50 milhões de Euros com a visita do Papa soou como um insulto aos milhões que passam necessidade no país.


A Espanha vem sendo pressionada pela Comunidade Européia a cobrar o Imposto de Valor Agregado sobre os bens móveis e imóveis fornecidos à Igreja Católica. Como há um acordo de 1979 com o Vaticano sobre tais isenções de impostos, a Comunidade Européia exige que o governo espanhol denuncie o acordo. Os protestos e as pressões estão levando a Espanha, que é fortemente influenciada pela Igreja Católica, a discutir a laicidade do estado.

No Brasil, as entidades religiosas não pagam nenhum centavo de impostos sobre doações recebidas, embora paguem encargos sociais sobre folhas de funcionários. Também estão isentas, em muitas cidades, de IPTU e IPVA. Devem ter contabilidade de tudo, mas não pagam imposto de renda. Por isso, podem muito bem arrecadar entre seus fiéis os recursos para pagar os custos com a visita da sua autoridade máxima, sem onerar os não-católicos com o uso de dinheiro público na visita papal.

Pelo mesmo princípio, os não-corintianos não deveriam contribuir com a construção do estádio Itaquerão através de renúncias fiscais da prefeitura e de verbas públicas doadas, que são parte dos seus impostos pagos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Fraude : Nota dos delegados da PF adulterada para atingir PT

Uma coisa é os policiais federais criticarem que autoridades desqualifiquem seu trabalho considerando um exagero o uso de algemas na Operação Voucher, aquela que prendeu mais de 30 pessoas envolvidas com irregularidades no Ministério do Turismo. Outra é reclamarem dos cortes nos recursos da Polícia Federal por conta do enxugamento orçamentário do governo federal, faltando pessoal, material, etc. Uma outra é ameaçarem greve porque o governo não está dando atenção à categoria dos policiais federais, e porque consideram o Ministro da Justiça pouco interessado em defender suas reivindicações. Tudo isso cabe numa nota das principais entidades representativas da categoria em defesa dos seus profissionais.


Outra coisa é um sacana qualquer pegar essa nota e acrescentar no segundo parágrafo duas palavras para atingir o PT, em nome dos delegados. Vejam o parágrafo original:

..."A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas."

Como ficou a nota fraudada, distribuída à vontade em listas na internet, mantendo embaixo a assinatura do vice-presidente da ADPF:

..."A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção do PT tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas."

Sugestão à Polícia Federal: correr atrás de quem fez essa fraude, para evitar indisposições desnecessárias com o governo num momento em que se busca abrir canais para negociar verbas, salários, pessoal, etc. Com algemas e tudo. Aí vai a nota verdadeira, divulgada à imprensa em 12 de agosto:

"Nota de Esclarecimento: atuação da Polícia Federal no Brasil

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal vem a público esclarecer que, após ser preso, qualquer criminoso tem como primeira providência tentar desqualificar o trabalho policial. Quando ele não pode fazê-lo pessoalmente, seus amigos ou padrinhos assumem a tarefa em seu lugar.

A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas.

Milhões de reais – dinheiro pertencente ao povo- são desviados diariamente por aproveitadores travestidos de autoridades. E quando esses indivíduos são presos, por ordem judicial, os padrinhos vêm a publico e se dizem “ estarrecidos com a violência da operação da Polícia Federal”. Isto é apenas o início de uma estratégia usada por essas pessoas com o objetivo de desqualificar a correta atuação da polícia. Quando se prende um político ou alguém por ele protegido, é como mexer num vespeiro.

A providência logo adotada visa desviar o foco das investigações e investir contra o trabalho policial. Em tempos recentes, esse método deu tão certo que todo um trabalho investigatório foi anulado. Agora, a tática volta ao cenário.

Há de chegar o dia em que a história será contada em seus precisos tempos.

De repente, o uso de algemas em criminosos passa a ser um delito muito maior que o desvio de milhões de reais dos cofres públicos.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal colocará todo o seu empenho para esclarecer o povo brasileiro o que realmente se pretende com tais acusações ao trabalho policial e o que está por trás de toda essa tentativa de desqualificação da atuação da Polícia Federal.

A decisão sobre se um preso deve ser conduzido algemado ou não é tomada pelo policial que o prende e não por quem desfruta do conforto e das mordomias dos gabinetes climatizados de Brasília.

É uma pena que aqueles que se dizem “estarrecidos” com a “violência pelo uso de algemas” não tenham o mesmo sentimento diante dos escândalos que acontecem diariamente no país, que fazem evaporar bilhões de reais dos cofres da nação, deixando milhares de pessoas na miséria, inclusive condenando-as a morte.

No Ministério dos Transportes, toda a cúpula foi afastada. Logo em seguida, estourou o escândalo na Conab e no próprio Ministério da Agricultura. Em decorrência das investigações no Ministério do Turismo, a Justiça Federal determinou a prisão de 38 pessoas de uma só tacada.

Mas a preocupação oficial é com o uso de algemas. Em todos os países do mundo, a doutrina policial ensina que todo preso deve ser conduzido algemado, porque a algema é um instrumento de proteção ao preso e ao policial que o prende.

Quanto às provas da culpabilidade dos envolvidos, cabe esclarecer que serão apresentadas no momento oportuno ao Juiz encarregado do feito, e somente a ele e a mais ninguém. Não cabe à Polícia exibir provas pela imprensa.

A ADPF aproveita para reproduzir o que disse o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos: “a Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos”.

Brasília, 12 de agosto de 2011

Bolivar Steinmetz

Vice-presidente, no exercício da presidência"



Wagner Rossi foi prá roça

Mais um que "pede prá sair" do governo Dilma : o Ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que tem denúncias de irregularidades contra seus auxiliares, e de ter usado avião de empresa fornecedora do ministério, que ele mesmo assumiu como verdadeira.


Michel Temer, do PMDB, irá nomear o sucessor de Rossi. Que seja alguém de ficha limpa, capaz de gerir o setor sem esquemas. Dilma se livra de mais uma mala sem alça. Se continuar assim, vai ouvir eco na Esplanada dos Ministérios...

Por que os brasileiros não reagem à corrupção dos seus políticos?

Reproduzimos abaixo o artigo do jornalista Juan Árias, do jornal espanhol El País, que questiona a passividade do brasileiro diante da corrupção generalizada, enquanto vai às ruas para fazer demonstrações gigantes como a Marcha do Orgulho Gay, a Marcha dos Evangélicos, a Marcha da Maconha e outras.


Um das respostas seria: os movimentos sociais mais atuantes estão na folha de favores do governo. Outra é porque não temos aqui 25% de desempregados como a Espanha, sendo que 40% dos jovens têm que optar entre mostrar a indignação na praça pública ou emigrar, por falta de oportunidades. A principal é a sedução capitalista pelo consumo, associando o "sucesso" ao acúmulo de bens inacessíveis à grande maioria através da acumulação brutal de recursos nas mãos de poucos, seja pela exploração do trabalho não pago ou pelo desvio de verbas públicas.

Por que os brasileiros não se indignam? Este é o eixo do artigo reproduzido abaixo, com a tradução nem sempre fidedigna do Google:

Por que os brasileiros não reagem à corrupção de seus políticos?

JUAN ARIAS - Rio de Janeiro - 2011/07/07



O fato de que em apenas seis meses no cargo, o presidente Rousseff tinha para exigir a renúncia de dois ministros de primordial importância, herdou o gabinete do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, da Casa Civil e da Presidência, Antonio Palocci -uma espécie de primeiro-ministro, e dos Transportes, Alfredo Nascimento, ambos caíram sob os escombros da corrupção política, tem que perguntar por que os sociólogos neste país onde a impunidade de políticos corruptos tem vindo a criar uma verdadeira cultura que "todos são ladrões" e que "ninguém vai para a cadeia", há o fenômeno, agora em voga no mundo, o movimento de indignação.


É que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e falta de ética de muitos daqueles que os governam? Não se importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, Estados ou municípios são sabotagem descarada de dinheiro público? pergunto muitos analistas e blogueiros políticos.

Mesmo jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a menor reação à corrupção daqueles que os governam.Curiosamente, o mais irritado com o assalto aos cofres públicos do Estado parece ser a Dilma presidente, que tem demonstrado publicamente o seu desagrado por o "controle" áreas do governo atual e tem tomado literalmente e seu Executivo, e diz-se Não terminou ainda purgado dois ministros-chave, com o agravante de que foram herdados de seu sucessor, o popular presidente Lula da Silva, que havia pedido a ele para mantê-los em seu governo.

A imprensa brasileira refere-se a Dilma já começou, e o preço que será pago será alto, se livrar de alguns "amaldiçoado herança" hábitos de corrupção do passado. E o povo de rua, por que não aqui também ecos do movimento reviver o indignado? Por que não mobilizar as redes sociais? Brasil, por ocasião da chamada e acionamento direto (uma campanha política realizados no Brasil durante 1984 e 1985, que reivindicou o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto dos eleitores), começou a rua após a ditadura militar para exigir eleições símbolo da democracia, e assim o fez para forçar o presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992) para deixar a Presidência da República antes das acusações de corrupção contra ele hoje está em silêncio sobre a corrupção. As únicas causas capazes de tomar as ruas para dois milhões de pessoas são homossexuais, seguidores de igrejas evangélicas na festa de Jesus e aqueles que pedem a liberalização da maconha.

Será que os jovens, especialmente, não têm nenhuma razão para exigir um Brasil mais rico, não só todos os dias, ou pelo menos menos pobres, mais desenvolvidos a força, mais internacional, mas também uma política menos corrupta no Brasil, mais justa , menos desigual, onde um conselho não ganhar 10 vezes mais do que um professor e um vice 100 vezes, ou sempre que um cidadão comum após 30 anos de aposentadoria, com 650 reais (400 euros) e um funcionário público de 30 mil reais (13.000 euros).

Brasil em breve será a sexta maior economia do mundo, mas é a cola de desigualdade social, para defender os direitos humanos, onde a mulher não tem o direito ao aborto, o desemprego das pessoas de cor é ainda 20% em comparação a 6% dos brancos, ea polícia é aquele que causa mais mortes no mundo.

Alguns culparam a apatia dos jovens a serem protagonistas de uma renovação ética no país, o fato de que uma propaganda bem concebida teria acreditado que o Brasil agora é invejada por todo o mundo, e é em outros aspectos. Ou sair da pobreza para 30 milhões de cidadãos teria sido levado a acreditar que tudo está bem, sem entender que um cidadão dos montantes classe média europeia para um rico ainda está aqui.

Outros atribuem o fato de que os brasileiros são um povo pacífico, pouco dado aos protestos, que gostam de viver feliz com o muito ou pouco que tem e trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Isto também é verdade, mas não explica que em um mundo globalizado, agora conhecido instantaneamente o que está acontecendo no planeta, começando com os movimentos de protesto de milhões de jovens pedindo democracia ou acusado de ser degenerado, o brasileiros não lutam para que o país além de ser rico é também mais justo, menos corrupto, mais igualitária e menos violenta em todos os níveis.

Esse sonho que deixar o Brasil honesto como herança para seus filhos e, também é verdade, ainda é um país onde seu povo não perdeu o gosto de desfrutar o que eles têm, seria um lugar melhor ainda deve haver um movimento capaz de indignados limpeza da escória de corrupção que agora envolve todas as esferas de poder.



Base aliada : Dinheiro na mão, calcinha no chão!

A presidente Dilma Roussef tem recebido os partidos da base aliada para "afinar o discurso". Ao final desses encontros acontecem duas coisas: é anunciada a liberação de bilhões para as emendas parlamentares, aquelas que os políticos carimbam com os seus nomes como se saíssem dos seus bolsos para os eleitores (mas que eventualmente vão parar neles), e que estão "satisfeitos" após a conversa e agora vão se empenhar para aprovar os projetos do governo, etc.


Na contra-mão, o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) anunciou ontem no senado que seu partido irá deixar todos os cargos do governo e tornar-se independente. A medida é óbvia, depois que Dilma tirou do queijo do Ministério dos Transportes as ratazanas que se fartavam das verbas. De fato, só rebaixa o nível de clientela do PR, que agora entra no mercado de verbas fisiológicas de varejo.

Não vão para a oposição porque lá não tem dinheiro. Um partido solto assim no "mercado" acaba tragado por um novo ente rico, como o PSD de Kassab, que já está tragando partes do PSDB, DEM e PPS, e que no frigir dos ovos será base de apoio do governo federal. Os cofres de São Paulo e Minas, principalmente, já sustentam praticamente todos os demo-tucanos que ficaram à míngua sem suas boquinhas originais:

No fim de tudo, quem paga por esse sistema que para dar governabilidade tem que comprar apoios é a gente, seja na forma de altos impostos, seja na falta de retorno de serviços e amparo do estado pelas quantias pagas. O mensalão petista não é mais "justificável" que o mensalão tucano ou do demo. A compra de base aliada também não é justificável, pois político não deve fazer do cargo uma fonte de riqueza nem de privilégios. O aparelhamento de empresas do governo por indicações de partidários sem qualquer função concreta ou mérito acaba tirando de quem precisa recursos que poderiam estar melhor aplicados em benefício social ou em investimentos.

Na Índia, ontem, foi preso um ativista , Anna Hazare, que anunciou uma greve de fome para forçar o governo a aprovar uma lei anti-corrupção . Quatro mil pessoas foram presas em protestos nacionais. À medida que as pessoas se conscientizam de quanto lhes custa a corrupção de uma minoria que parasita os recursos coletivos, mais protestos poderão tomar as ruas. Isso é em todo o mundo

Quanto ao título da matéria, trata-se de uma música do grupo de forró Saia Rodada que fala do mercenarismo, da troca de favores por dinheiro. Lembra muito essa "fidelização" de aliados pelos governos com o nosso dinheiro.










terça-feira, 16 de agosto de 2011

Professores em greve pelo piso salarial

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação convocou para hoje uma paralisação de professores da rede pública pelo cumprimento da lei que estipula o piso salarial em R$ 1.187 para 2011. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o valor estabelecido pela lei é o vencimento básico, a partir do qual se adicionam gratificações, bônus, etc, derrotando as ações de cinco estados que questionavam a legalidade do piso.


Em onze estados houve assembléias para decidir a adesão ao movimento. Diversas prefeituras negam-se a pagar o piso alegando falta de recursos. O Ministério da Educação prevê ajuda a quem não pode pagar, desde que 25% dos orçamentos municipais e estaduais já estejam comprometidos com o ensino. Basta os gestores darem prioridade à educação. De preferência, parando de embolsar os recursos públicos, prática extremamente comum que exaure os recursos.

O reajuste do piso foi de 15,85% em relação a 2010. O novo piso vale tanto para a rede pública como privada, para jornada de 40 horas semanais.

EUA : Rico confirma que sacrifício é dos pobres

O bilionário norte-americano Warren Buffet fez um declaração bombástica para a classe dos ricaços: enquanto ele paga 17% de impostos, funcionários das suas empresas chegam a pagar 41%!


Suas declarações "heréticas" não param por aí:

"O investidor bilionário Warren Buffett pediu nesta segunda-feira aos congressistas americanos o aumento dos impostos para as pessoas mais ricas, com o objetivo de reduzir o enorme deficit orçamentário do país, afirmando que a medida não afetará os investimentos nem os empregos."

"Nossos líderes pediram 'um sacrifício compartilhado'. Mas quando fizeram este pedido me excluíram. Perguntei a meus amigos mega ricos quais sacrifícios esperavam que fossem impostos a eles. Eles também não foram afetados", escreveu o bilionário.

"Enquanto os pobres e a classe média combatem por nós no Afeganistão e enquanto muitos americanos lutam para chegar ao fim do mês, nós, os mega ricos, continuamos nos beneficiando com isenções fiscais extraordinárias", disse. (fonte: Folha 16/08/11)

Seu discurso está na contra-mão dos milionários da extrema-direita que sustentam o movimento Tea Party, do Partido Republicano, que recentemente levaram o mundo à beira do abismo econômico chantageando Obama para reduzir gastos sem aumento de impostos. Buffet disse que investidores querem ter lucros, mas que não fugiriam se tiverem que pagar impostos por isso. E ainda que quando os impostos eram mais altos, havia maior criação de empregos e aumento de renda. Chutou a santa e o pau da barraca de uma vez só.

O que continua intrigando é que os ricos tomam posições políticas, mas a classe média e os mais pobres parecem inexistir como agentes políticos. Não se vê uma greve importante, uma manifestação nacional, um protesto contra o povo pagar a conta da crise. Não há politização aparente disso. Será que vamos ter novas ondas de anarquia como Londres nas terras de Tio Sam, quando a coisa apertar mais? Será que os pobres dependerão de "ricos politicamente corretos" darem migalhas para atenuar a crise? Cadê a coragem que passam ao mundo nos seus filmes épicos? Só existe para trucidarem povos famintos em cantos remotos do mundo?

Dilma e a fixação no superávit nominal

A presidente Dilma vetou 32 pontos da Lei do Orçamento para 2012. O mais importante é o que daria aos aposentados que recebem acima do salário mínimo o mesmo índice de reajuste, da ordem de 14%, o que seria um ganho real no poder aquisitivo depois de muitos anos de arrocho. Teria passado por cima de acordos feitos entre a base aliada e a oposição.


Também vetou despesas que cresçam acima dos investimentos. Todo esse receituário, comum aos países em crise no resto do mundo, parece ter um objetivo: o superávit nominal, que está próximo de ser alcançado, mas nunca se chega lá. Hoje a preocupação tem sido apenas com o superávit primário, garantindo aos banqueiros os recursos para pagamentos de juros escorchantes da dívida pública. O troco fica para despesas correntes, investimentos, etc.

Com a crescente arrecadação de impostos, graças a uma maior eficiência nos controles e no aumento da base de contribuição com o crescimento da economia, a idéia que persegue Mantega & cia é a do equilíbrio fiscal, a partir do qual se reduziria a demanda por novos empréstimos para rolagem de dívidas, se permitiria melhorar o perfil dos empréstimos, alongando os prazos e reduzindo juros, etc. Isso não é uma tarefa fácil, porque quem manda no mundo, e especialmente no Brasil, é a banca rentista, que também controla a mídia. Basta ver quem são os patrocinadores dos principais telejornais e anunciantes em revistas de grande circulação.

Em nome dessa meta, Dilma compra uma nova briga com o Congresso. Hoje já faz jogo duro para liberar os recursos das emendas dos parlamentares, causando tensão na sua base fisiológica. Agora passa por cima de um acordo, e tratora o reajuste inédito dos benefícios dos aposentados, que retornaria à economia com o efeito multiplicador no consumo. Vai ficar com essa carta na manga para barganhar com o Congresso, certamente em troca de reduções de outros gastos.

Pelo visto, a presidente Dilma aprendeu a fazer política com Nicolau Maquiavel, fazendo todo o estrago nos dois primeiros anos de mandato para depois apresentar resultados em doses homeopáticas, destruindo os obstáculos e buscando obter resultados por quaisquer meios que os justifiquem:

"As injúrias devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, saboreando-as menos, ofendam menos: e os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, a fim de que sejam mais bem saboreados."

"Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança."

Corrupção : A crise da vassoura

Quando a presidente Dilma deixou rolar o desgaste do PR no Ministério dos Transportes e saiu demitindo todos os envolvidos em casos de irregularidades, comprou uma briga que esgarça os limites da hipocrisia nacional, pois o combate à corrupção está longe de ser uma unanimidade no meio político e na sociedade.


O fato mais gritante dos últimos dias é que a base fisiologicamente aliada esboça uma rebelião pela postura da presidente, mas tudo que quer é a liberação dos recursos das emendas parlamentares, que tem uma parte já carimbada para pagar a empresas como a do recente escândalo do Ministério do Turismo e outras para irrigar os esquemas de obras arranjadas por empreiteiros com boas comissões para prefeitos e políticos federais.

Ontem os senadores Pedro Simon e Cristóvão Buarque, que se comportam como independentes, propuseram uma frente de apoio a Dilma na faxina da corrupção. Louvável, porém polêmico. O presidente do Senado, Romero Jucá, disse que não precisa de frente nenhuma de apoio, afinal, "todos os senadores são contra a corrupção" e alguns só querem saber de CPI.

Da banda da oposição, também não houve apoio, porque só querem saber de CPI não para apurar, mas para desestabilizar o governo. Se o DEM e o PSDB tivessem compromisso com a transparência, não fariam manobras e mais manobras para impedir investigações nos governo paulista, mineiro e na capital de São Paulo. Álvaro Dias, do PSDB-PR, acha que Dilma só tem discurso moralizante como manobra para impedir a CPI dos Transportes.

Da parte do PT também houve críticas, como a do senador José Pimentel, que enxerga na movimentação pela ética na política a reedição da campanha da campanha de faxina ética da década de 50, que culminou com o suicídio de Vargas e o golpe de 64. Defendeu Lula (que vem sendo colocado como permissivo com a corrupção em oposição à postura ética de Dilma) e disse que certos discursos são golpistas.

Da parte da grande mídia, que é estrategista acima dos partidos da direita, o importante é fortalecer Dilma no sentido de colocá-la numa camisa de força, limitando a sua ação e paralisando o governo. O método é criar a expectativa da faxina na sociedade, dizer que Dilma é comprometida com isso e os políticos em geral são todos corruptos, e que ela só tem uma alternativa: avançar na faxina, sem ligar para o estrago na base de apoio, que retaliará no Congresso na forma de rejeitar projetos de interesse do governo, permitir CPIs da oposição, chantagear em troca de mais espaços no poder, etc. Na hora que Dilma se recusar a investigar algo ou a demitir alguém, cairá em desgraça por causa dessa armadilha.

Dessa forma, restaria a Dilma a opção autoritária, passando por cima de tudo, e por isso mesmo seria combatida com mais vigor pelos aliados, engrossando a oposição para 2014. Numa manobra paralela, o combate a Lula é incessante, para que não apareça como opção nas próximas eleições, no caso do fracasso de Dilma. Não há interesse nobre nessa "cruzada ética" midiática.

Até a coluna de cartas de O Globo está cheia de opiniões favoráveis a Dilma, coisa inédita, que denota o interesse da mídia em promover essa criação de expectativas. Se o combate à corrupção voltar no tempo, os financiamentos públicos a grandes empresas de comunicação deveriam ser trazidos à luz, daí a hipocrisia desses arautos da moralidade.

Dilma não pode ter nas instituições desse sistema intrinsecamente corrupto o suporte para modificar a cultura política e econômica do Brasil. Teria que apostar no povo, na possibilidade de mobilização para pressionar o legislativo e o judiciário a tomar medidas que ultrapassem o fisiologismo e se constituam em avanços tanto nos patamares éticos como sociais.

Não sai reforma política se depender só dos políticos, assim como não teria saído o "impeachment" de Collor se o povo não tivesse ido às ruas pressionar o Congresso. Não se vai baixar os juros que alimentam banqueiros e boa parte da superestrutura do capitalismo brasileiro apenas por vontade do Banco Central. Tem que haver mobilização para isso também, e acabar com a mãe de todas as mamatas, que é o desvio de metade do orçamento federal para pagar rendas ao capital sem qualquer produção em troca.

Quando se fala em movimento organizado, também não se pode dar todo o crédito ao que temos "na praça", já que boa parte deles está dando trégua ao governo em troca dos "jabás" fisiológicos. Isso não é política, porque trai os interesses daqueles que acreditam que essas lideranças estejam defendendo seus interesses acima de tudo, em troca dos "cala-bocas". A sociedade precisa buscar novas formas de organização para defender uma plataforma de transformação social onde seja eliminada, no aprofundamento da democracia, a corrupção que azeita o sistema vigente. Precisamos substituir toda essa cara cadeia de intermediações por mecanismos de democracia direta, de empoderamento da sociedade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Muro de Berlim : 50 anos da construção


O combate à estupidez do nazismo custou ao povo alemão uma derrota sangrenta com grande destruição do país, e m todos os sentidos.Pior: a Alemanha no pós-guerra de 1945 foi fatiada em 4 partes sob controle das potências vencedoras : União Soviética, Inglaterra, Estados Unidos e França. A cada uma coube uma zona de domínio, sendo a maior a da antiga URSS. Esse território se tornou a partir de 1949 a República Democrática da Alemanha (RDA), mais conhecida como Alemanha Oriental. Além disso, perdeu territórios para a Polônia e para a URSS, e teria que pagar reparações de guerra aos vencedores.


Berlim era a capital da Alemanha até a segunda guerra mundial, e capitulou diante das tropas soviéticas e polonesas em 8 de maio de 1945, data que marca o fim da guerra na Europa. A cidade, que era a sede de governo, foi dividida também em quatro partes, mais da metade controlada por forças soviéticas, que não tinham nenhuma barreira, permitindo a livre circulação dos habitantes. Como a cidade estava completamente cercada por territórios dominados pelos soviéticos, o acesso era feito para o lado ocidental por via aérea ou por trens autorizados pela URSS. A idéia inicial era fazer dessa Berlim dividida o embrião de capital da Alemanha pós-nazista.

Veio a Guerra Fria, com a radicalização do confronto diplomático entre os países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e o bloco dito socialista, controlado pela União Soviética de Joseph Stalin. Em 1949, foi criada a República Federal da Alemanha, nos territórios ocupados pelas tropas ocidentais, reunificando essa parte do território. Em contrapartida, foi criada a República Democrática da Alemanha, ou Alemanha Oriental, controlada pelos soviéticos e dirigida pelos comunistas alemães.


Com os financiamentos do Plano Marshall para reconstrução, grandes investimentos foram feitos na Alemanha Ocidental para reerguer-se, inclusive em Berlim Ocidental. Do lado dito socialista, ampliou-se a proteção do estado na forma de serviços de previdência social, saúde e educação públicas, estatização das empresas, etc. O lado ocidental, temendo que essas vantagens sociais se tornassem um atrativo para o crescimento do movimento comunista na Alemanha Ocidental, passaram a fornecer benefícios similares, que foram copiados por toda a Europa como prevenção ao socialismo, o "estado do bem estar social" ou " welfare state".

Os alemães de Berlim passaram a optar entre essas duas realidades, vencendo a do apelo consumista do ocidente, com consequente migração para Berlim Ocidental. Para estancar o fluxo, em 13 de agosto de 1961 a RDA resolveu fechar todos os acessos a Berlim Ocidental, e começou a ser construído um muro em torno de toda a área da cidade dominada pelos ingleses, franceses e americanos. A todo momento o mundo se via diante do perigo de um confronto nuclear entre os blocos capitalista e o dito comunista, com provocações e blefes de lado a lado. Apesar do ocidente ter-se apropriado da idéia do muro ser uma prova da opressão soviética, alguns de seus líderes acharam que era uma boa solução para evitar uma guerra maior, e não se opuseram fortemente à construção, tornando a vergonha consensual:

Reações internacionais, 1961:

  • A solução não é muito linda, mas mil vezes melhor do que uma guerra. John F. Kennedy, presidente dos EUA.
  • Os alemães orientais param o fluxo de refugiados e desculpam-se com uma cortina de ferro ainda mais densa. Isto não é ilegal. Harold Macmillan, primeiro-ministro britânico.

O Muro de Berlim passou a ser o símbolo da divisão geopolítica do mundo entre o ocidente, capitalista, e o oriente dito comunista. Muita gente morreu tentando atravessar de um lado para o outro, pois era uma fortificação com cercas eletrificadas, torres com metralhadoras, cães, soldados, etc. Berlim Ocidental passou a ser uma espécie de oásis para os alemães que queriam migrar. Como era uma área ilhada pelo muro, a única forma de chegar lá era passando por ele.

Na década de 70, o chanceler alemão ocidental Willy Brandt começou uma política de aproximação entre as duas alemanhas, a "Ostpolitik". Foi o primeiro passo para discutir a reunificação, embora com poucos resultados práticos.

Com o fim da URSS na década de 80 e o afrouxamento do domínio soviético sobre a Alemanha Oriental, debates no interior do próprio partido comunista alemão e mobilizações populares começaram a luta pela flexibilização do regime e da odiada polícia política Stasi. Como a Rússia não se opôs com veemência a essa liberalização, a questão ficou relegada aos próprios alemães. Do lado ocidental, e na Alemanha Oriental como um todo, houve crescentes manifestações contra o governo de Egon Krenz pedindo liberdade para viajar para o lado ocidental. Os alemães já haviam descoberto que podiam sair pela Hungria e outros países do bloco pró-soviético, que flexibilizaram suas fronteiras para o ocidente. Seria uma questão de tempo a perda de função do entulho da guerra fria.

Em 9 de novembro de 1989 foram abertos os postos de controle da cidade, não sem luta: muitos morreram forçando essas passagens, mas num certo momento os soldados da RDA aderiram ao movimento e deixaram acontecer. Pessoas dos dois lados com picaretas e marteletes começaram a quebrar o muro. Em 1990, por um acordo entre os governo ocidental e oriental, a Alemanha começou a ser reunificada. Atraídos pela distribuição de moeda ocidental, os orientais foram ao paraíso do consumo até cairem na realidade da armadilha, que não durou muito. Os direitos sociais conquistados foram removidos com o tempo, e a exploração capitalista apropriou-se de mais-valia inédita com o uso da mão-de-obra qualificada e barata dos orientais.

Alguns consideraram a queda do muro com a vitória final do capitalismo sobre o socialismo. Menos de 20 anos depois, as crises do capital mostram que a coisa não é bem assim, pois o mercado mostra-se incapaz de dar soluções aos problemas da maioria das pessoas no mundo, e terá que ser substituído por um novo modo de produção que não exija a construção de novos muros de exclusão.

Estive em Berlim, por acaso, quando da comemoração dos 20 anos da queda do muro. Na Alexanderplatz havia uma grande exposição de fotos e textos contando a história dos anos de divisão. O Museu do Muro, que fica ao lado do Charlie Checkpoint, uma das passagens entre as duas Berlim, tem uma ala mostrando como as pessoas faziam para burlar a vigilância e passar de um lado a outro. E as tentativas frustradas também. E até a curiosa tentativa de um grupo de ocidentais que subiram no muro para tentar ir no sentido contrário, fugindo da dominação dos ocidentais.

O Muro de Berlim, assim como o muro que os americanos construíram na sua fronteira com o México (estranhamente poucos falam da sua existência...) e o muro que Israel construiu para encarcerar os palestinos são provas cabais da estupidez humana, da intolerância que separa povos em nome dos interesses de alguns poderosos. Separam mundos artificialmente construídos e principalmente as pessoas, famílias, culturas. O Muro de Berlim, também conhecido como Muro da Vergonha, levou a culpa por todos os outros muros que vieram a ser construídos depois, paradoxalmente alicerçados em idéias nazi-fascistas como a xenofobia e a afirmação de "superioridades" de alguns povos. Até dos muros invisíveis da exclusão social.

Paradoxalmente, hoje o que mais os turistas reclamam é da ausência do muro na cidade. Foi praticamente todo destruído, mas sua representação continua no chão e em alguns poucos trechos que funcionam como muro de propriedades. Pedaços do muro até hoje são oferecidos à venda por ambulantes como relíquias (fragmentos de concreto, sabe-se lá de que obra tirados...). Mesmo sem o muro, há duas Berlim, materializadas nos estilos dos prédios e nas soluções urbanísticas. Mais da metade da população é de estrangeiros, e cada vez é mais remota a lembrança da existência do incômodo muro que simbolizava a separação do mundo.

domingo, 14 de agosto de 2011

David Sá Barros : a perda de um guerreiro


" Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis"

(Bertold Brecht)É com profundo pesar que comunico o falecimento do Presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão ew funcionário do Banco do Brasil, David Sá Barros, por um enfarto fulminante nesta madrugada, em São Luiz (MA). Além de rara habilidade política, tratava as pessoas com atenção e tranquilidade que o faziam querido até pelos adversários políticos. Aos familiares, em primeiro lugar, nossos pêsames pela perda irreparável.
O movimento sindical perde uma das suas melhores expressões, num momento em que as lideranças estão se vendendo. No dia 11 de agosto escrevíamos um post no blog sobre a importância do trabalho do Sindicato dos Bancários do Maranhão na luta pelo cumprimento da jornada de seis horas. A vitória do Maranhão nessa luta encorajou milhares de bancários a entrarem com ações trabalhistas reivindicando o comprimento da lei e indenizações pelos valores não pagos. Na próxima terça, David iria a Brasília entregar com outros bancários de luta a pauta de reivindicações da Conlutas ao Banco do Brasil.

David e outros companheiros do SEEB Maranhão foram os responsáveis por uma das mais importantes batalhas na luta pela retomada do movimento sindical autêntico, patrocinando a desfiliação do Sindicato da CUT, que já foi uma central sindical autônoma e independente, e tragicamente foi domesticada e anulada com a chegada de Lula ao governo, continuando com Dilma a subserviência fisiológica ao projeto de controle social dos trabalhadores. Foi um pioneiro nessa nova etapa da luta sindical.

Tinha o dom de escrever, cada vez mais raro no movimento sindical, tanto pela incipiência da formação como na cada vez maior verticalização do pensamento, que fica restrito aos capas-pretas das correntes. Sua contribuição ao movimento merece ser lembrada para sempre. À figura humana e liderança política, o nosso respeito e a mais sincera homenagem à obra da sua vida.

Uma grande perda para todos nós. Segue a matéria do site do Sindicato com os dados do velório e enterro.

Presidente do SEEB-MA, David Sá Barros, falece na madrugada deste domingo

O velório será realizado no auditório Che Guevara, na Sede do Sindicato, na Rua do Sol, Centro de São Luís.

14/08/2011 às 07:00 Ascom/SEEB-MA
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David Sá Barros, Presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA)

SÃO LUÍS (MA) - Os diretores e funcionários do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) lamentam com muita tristeza ao mesmo tempo em que se solidarizam com amigos e familiares do presidente do SEEB-MA, David Sá Barros, que faleceu, na madrugada de hoje (14/08), vítima de uma parada cardíaca. De acordo com as primeiras informações, David sentiu-se mal e foi levado ao Hospital São Domingos. No entanto, ele não resistiu e veio a falecer por volta da 1h deste domingo. O velório está sendo realizado no auditório Che Guevera, na sede do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, nº 413/417, no Centro de São Luís. O enterro será no final da tarde, no cemitério do Gavião. David Sá Barros era bancário do Banco do Brasil, tinha 47 anos e deixa uma filha. Sua trajetória no movimento sindical e como presidente do SEEB-MA ficará marcada, para sempre, como a de um homem batalhador e incansável que, jamais, desistiu de lutar pelos direitos e por melhorias para a categoria bancária. A última e grandiosa vitória de David como presidente do SEEB-MA foi a reintegração dos bancários descomissionados injustamente pelo Banco do Brasil no Maranhão, cuja decisão da Justiça saiu no último dia 11/08.











sábado, 13 de agosto de 2011

Imprensa corrompe justiça atrás de notícias

É impressionante como no Brasil se expoem pessoas em processos judiciais, desde a denúncia de fatos potencialmente criminosos a prisões de cidadãos, culpados ou não. E isso tem um efeito devastador: uma imagem percorre o mundo instantaneamente, pelos jornais, TVs e internet, fazendo enorme estrago à vida de eventuais envolvidos depois inocentados.


De um lado, há o interesse espúrio em obter "furos" jornalísticos a qualquer preço, mesmo que seja pago mesmo. Aí entra o favorecimento de servidor público mediante pagamentos irregulares, no popular: corrupção. No caso mais flagrante, as pessoas presas pela Polícia Federal na Operação Voucher, que apura desvios no Ministério do Turismo, tiveram suas fotos que fazem parte da qualificação do processo, sem camisa e segurando um papel com a identificação.

Hoje 16 dos presos foram libertados mediante fiança, e se houver alguém inocente ao final do processo, já terá tido a vida destruída pela ação criminosa da imprensa e dos funcionários públicos corruptos que forneceram documentos para as notícias. Até a presidente Dilma protestou contra o abuso. Isso não é coisa de "paparazzi", fotógrafos "free lancer" (trabalham por conta própria fuçando intimidades alheias para vender suas fotos à imprensa), que furtivamente capturam suas imagens, nem sempre de forma legal.

Apesar de haver predisposição popular contra suspeitos de crimes, e incompreensão cultural do que seja direitos humanos, há mercado para a desgraça alheia, motivo pelo qual a mídia paga propinas para conseguir documentos, o estado deve garantir o direito à dignidade, por mais hediondo que seja o delito. Se os criminosos são cruéis, não cabe ao estado ser também, até porque há a presunção de inocência até que seja transitada em julgado a sentença.

No caso do ex-diretor geral do FMI, Strauss-Kahn, as únicas fotos divulgadas foram as obtidas em lugares públicos. Nos Estados Unidos os tribunais de júri não permitem fazer imagens dos julgamentos. A própria imprensa de lá tem pudor na exibição de fotos tanto de presos como de tragédias. Alguém viu alguma foto de mortos no atentado de 11 de setembro de 2001? Nem de caixões chegados das guerras eram permitidas imagens nos EUA.

Aqui a imprensa já mora nas delegacias e consegue "favores" dos burocratas para entrevistar criminosos, e até mesmo os fazem confessarem diante das câmeras, sem direito a advogado. Também é comum o repórter esculachar o preso com acusações, insinuações e até fazendo os policiais os obrigarem a exibir o rosto. Como o direito à privacidade do cidadão é letra morta para os servidores públicos, por falta de noção ou por ganharem dinheiro com isso, é que temos as centrais de dossiês, patrocinados até pelos governos, como recentemente foi descoberto em São Paulo. Só que essa notícia, a mídia escondeu por respeitar os direitos dos políticos tucanos.

Rio : 21 tiros, uma juíza morta, muitos erros

Depois de uma calmaria de alguns meses, as páginas policiais do Rio de Janeiro voltam a ser preenchidas com mais um crime bárbaro, desta vez contra a juíza Patrícia Acioli, que no exercício da função pública condenou 60 PMs por crimes de formação de grupos de extermínio e milícias. Foi emboscada na porta de casa, levou 21 tiros de calibres de armas usados pela PM.


Uma sucessão de erros e omissões contribuiu para essa execução. Há alguns meses, um criminoso foi preso no Espírito Santo com uma lista de pessoas marcadas para morrer, encabeçada pela juíza. Há 4 anos, Patrícia tinha uma escolta de 3 policiais, pois já estava ameaçada de morte, até que a burocracia da própria justiça mandou que ficasse apenas com 1 segurança. Indignada, a juíza disse que um e nada era a mesma coisa, e passou a andar sem nenhum segurança.

Da comoção geral, por ter sido um crime contra a justiça e contra a democracia, ao escárnio: o deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do polêmico deputado federal homófobo Jair Bolsonaro, ao invés de se juntar ao côro por justiça, preferiu dizer no Twitter que "a juíza humilhava presos". Como quem diz: foi bem feito, afinal, pagou o preço por mexer com gente perigosa!Depois da péssima repercussão das suas palavras, veio desmentir, dizer que não era nada disso, etc e tal.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mídia faz campanha contra aumento do salário mínimo

Não há um só telejornal ou programa de entrevistas, em especial no circuito TV Globo / Globonews, onde não tenha um economista ou similar dizendo que o Brasil vai bem, mas... no ano que vem, terá crise se cumprir a regra de reajuste do salário mínimo. É quase um mantra! Tem que cortar gasto público, tem que arrochar salário, tem que fazer ajuste fiscal, tem que reduzir impostos, tem que cortar gastos sociais, e por aí vai.


Na contramão, assim como Lula fez na crise de 2008, a presidente Dilma incentiva o consumo, ainda mais agora que as economias deverão reduzir de ritmo de crescimento com a nova crise, sobrando mercadorias cujos preços cairão, e as matérias primas cairão de preços, afastando a ameaça de inflação. Contra tudo e contra todos, felizmente, a presidente Dilma diz que vai pagar os cerca de R$ 616 em 2012, justificando:

“Nós queremos é continuar a valorização do salário mínimo para gerar riquezas e para fazer a roda da economia girar com vigor, porque o salário mínimo tem impacto direto na vida das pessoas e na economia do país”

Vejam a campanha sistemática da mídia dos ricos contra o reajuste de quase 14%, que fará os mais pobres terem um ganho real de quase 7%:






quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Bancários em luta pela jornada de seis horas

O dia de luta pela jornada de seis horas no BB começou com uma notícia muito boa: a Justiça do Trabalho no Maranhão derrotou novamente o Banco do Brasil, e mandou reintegrar às comissões os funcionários arbitrariamente descomissionados por terem reconhecido pela justiça o direito à jornada de seis horas. O Sindicato dos Bancários do Maranhão está de parabéns por essa consolidação da vitória contra o abuso patronal.


A categoria bancária está sujeita a legislação trabalhista especial dado o elevado risco de doenças cardíacas e mentais. Sua jornada de trabalho é de seis horas diárias. A aposentadoria também é especial, de 30 anos. Se o argumento do estresse já valia há várias décadas para dar aos bancários esses "privilégios", agora teríamos razões mais que suficientes para reduzir ainda mais a jornada, porque os bancos estão tirando sem dó o sangue dos trabalhadores, escravizando-os com metas, para aumentar seus lucros.

Os funcionários do Banco do Brasil resolverem que em 2011 vão focar a campanha salarial no respeito à jornada legal de trabalho. O desrespeito pela empresa tem rendido a ela muitas derrotas nos tribunais, multas por descumprimento de jornada e indenizações aos funcionários pelas horas adicionais trabalhadas e não pagas. Seguindo o calendário da campanha, hoje, 11 de agosto, foi o dia de luta pela jornada de seis horas. Em Brasília houve um protesto que retardou a entrada no Edifício Sede I, no Setor Bancário Sul. Pela manhã, o Eixão, principal acesso ao Plano Piloto, havia várias faixas alusivas à campanha pela jornada de seis horas.

Corrupção : Dilma apura e pune; Minas abafa

O Movimento Minas sem Censura, bloco político que tenta furar o bloqueio da santa aliança governo tucano + mídia mineira, traz a seguinte estatística: nos 8 anos de governo de Aécio Neves e mais o atual de Anastasia, houve menos apurações de casos de desvios de dinheiro público e superfaturamento que em toda a ditadura militar. No governo tucano de São Paulo acontece o mesmo "fenômeno" de abafamento. CPI? Só se for no governo federal!


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Londres : Rebeldia sem causa?

Está bombando na internet um vídeo com cenas de uma moradora negra do bairro de Hackney, em Londres, que passa um sermão nos jovens, em boa parte negros, que estão enfrentando a polícia e saqueando lojas. Em resumo, ela diz que não se pode usar o fato gerador do conflito, que foi a morte de um homem baleado pela polícia, para saírem quebrando tudo, anarquicamente, como que se divertindo. O mais importante: ela pede que se juntem para lutar por uma causa, e não para ficar roubando e incendiando. O link do vídeo é http://www.youtube.com/watch?v=QK3Q2Lcysw4&feature=related


Apesar da simplicidade da moradora de Hackney, bairro pobre com o qual se identifica e por isso mesmo no vídeo diz que tem vergonha disso acontecer por lá, a mensagem é profunda: está fazendo falta no mundo um partido, uma ideologia, um projeto de transformação para trazer todos os indignados, insatisfeitos e incomodados para lutar por algo que faça avançar a justiça social. Falta algo pelo que se possa lutar para mudar para melhor.

Esse protesto violento pode até denunciar que o sistema capitalista não consegue dar soluções a todos, deixando uma boa parte sem esperanças, alijada das conquistas materiais, como subproduto do processo de acumulação de riquezas nas mãos de uma minoria, desde que se diga que o objetivo é esse. O que se vê, entretanto, é o cada um por si, saqueando lojas para levar televisores de primeira geração e tocando fogo em carros, casas e lojas dos próprios vizinhos. Eliminando os locais de trabalho dos próprios moradores.

Tais iniciativas, rebeldias aparentemente sem causa, confundem as pessoas e sujeitam os movimentos de insatisfação a ganhar o rótulo de crime de vandalismo e roubo, pura e simplesmente. É assim que o governo inglês vem encarando o movimento, jogando polícia, sem nenhuma ação para reduzir os impactos dos planos de austeridade sobre os mais pobres. Toda revolta tem que ter uma bandeira de luta, de denúncia. Pelo menos uma faixa ou cartaz dizendo o que se quer. Nesse movimento não há nada disso. É uma válvula de escape das pressões sobre os pobres. Vem, é reprimido e depois passa. Agora, com a recessão se aprofundando, a frequência de distúrbios deve aumentar.

Herrar é umano (0006) - Mulher tira empréstimo em nome de Lula

Com tanto número de pessoas desconhecidas para usar em fraude dando sopa por aí, uma funcionária do Banco Panamericano em Uruguaiana (RS) foi denunciada pelo Ministério Público por supostamente usar o número de benefício previdenciário do ex-presidente Lula para fazer dois empréstimos consignados em nome de terceiros, totalizando mais de R$ 5 mil. As parcelas eram debitadas do benefício de Lula na previdência social.


Será que usou o número aleatoriamente, sem olhar quem era o titular? Será que quis fazer justiça social expropriando Lula? Será que não sabia que isso iria dar uma m... federal (literalmente)? A cana por estelionato é de um a cinco anos. Devia ter um agravante por falta de noção.