quinta-feira, 14 de agosto de 2014

YOUTROUXA 0117 : "Petistas comemoram a morte de Eduardo Campos"

Nota oficial do PT sobre a morte de Eduardo Campos
Um artigo do PT com críticas a Eduardo Campos, datado de 7 de janeiro, além de postagens que dizem ter havido comemorações pela morte do político e outros com insinuações de assassinato por atentado encomendado por Dilma foram espalhados hoje pela direita nas redes sociais, aproveitando-se do momento de comoção para instigar ódio ao partido e a Dilma.

Material de campanha de 7 de janeiro de 2014 espalhado hoje
Teve gente pedindo a morte de todos os petistas e de Dilma. Outros, como Olavo de Carvalho, insinuando atentado. E os canalhas avulsos que distribuíram a nota antiga como uma "homenagem póstuma" a Eduardo Campos tripudiando sobre o seu cadáver. E ainda tem trouxa
que acredita nessas coisas.

A divergência político-eleitoral aparta pessoas mas depois pode haver unidade. Assim foi com Eduardo e Marina, que eram do governo e resolveram partir para formar chapa contra o governo. Legítimo politicamente, mas pelas regras do jogo ao criticarem merecem também ser criticados dentro do respeito e da ética. Nada de excepcional na nota do PT antiga.
Injúria do candidato ao senado aliado do PSDB


A crítica política de campanha eleitoral, sacada do seu contexto e aplicada ao momento da morte para ser divulgada por incautos como nota oficial sobre o falecimento visa exclusivamente criar animosidade contra os apoiadores de Dilma.

O que vale hoje é o respeito às famílias dos mortos, o luto oficial e as declarações das pessoas que conviveram com Eduardo Campos. E ainda assim tem gente sem escrúpulos que quer faturar em cima.



Marina pode ser o novo Collor?

Antes do acidente que matou Eduardo Campos a realidade eleitoral baseada em pesquisas dava Dilma vencendo no primeiro turno com pequena margem. Estávamos a seis dias do início dos programas eleitorais na TV onde Dilma terá o o dobro do tempo de Aécio e poderá confrontar a ofensiva de mídia que não conseguiu tirá-la do patamar de 38%, mas não fez Aécio nem Eduardo subirem.

Com a morte trágica de Eduardo agora se fala na apresentação do nome de Marina Silva como candidata da frente liderada pelo PSB. A decisão do partido não será fácil diante da certeza da migração de Marina para o partido Rede com ou sem vitória. O partido terá que optar entre o oportunismo de ficar refém do grupo de Marina ou lançar um nome mais comprometido com o PSB histórico e entregar a eleição a Dilma no primeiro turno, como o tal "mercado" já pressentiu com a queda da bolsa e subida do dólar especulados ontem.

A mídia patrocinada pela a especulação e o setor financeiro aposta em Marina conseguir o segundo turno mas tem receios  porque não sabe até que ponto poderá crescer em cima da comoção pela a morte de Eduardo. Há três cenários possíveis: . Ontem a Folha nem esperou o luto e já correu atrás de influenciar a decisão PSB com uma pesquisa do Datafolha comunicada ao TSE sobre o segundo turno Marina x Dilma e o que o partido deveria fazer agora.

- Marina escolhida candidata com ruídos no PSB e nos palanques articulados por Eduardo com PSDB e DEM, por representar uma proposta mais à esquerda de Campos que também criará atritos com o agronegócio e outras áreas reacionárias também influentes em mídia. Pode não consegue decolar por falta de apoios, mesmo que se torne mais simpática como "terceira via" que sempre foi a proposta da sua chapa. Parte do eleitorado de Eduardo pode vir a anular votos, apoiar Dilma (tensão que só a presença de Eduardo conseguia combater) ou correr para Aécio, reforçando o atual cenário de vitória do governo no primeiro turno;

- Marina escolhida com todos os problemas do item anterior, mas não decola por falta de sustentação partidária ou eleitoral por desconfianças sobre o que seria o seu governo com o PSB elegendo uma bancada irrisória, tornando-se dependente do PT e/ou da direita (PSDB, DEM). Também pode sofrer por ser identificada com um segmento que confronta com o agronegócio, identificação com o banco Itaú, dificuldade de fazer crível seu discurso como suficiente para governar um país muito mais complexo que a temática ambiental, parecer uma cópia do governo, etc. Cresceria, levaria Aécio ao segundo turno inflada pela "onda verde" midiática que lhe rendeu os 20 milhões de votos na eleição passada. Cenário ideal para a direita que apoía Aécio;

- Marina é escolhida no PSB no embalo da mídia favorável, cresce no "reconhecimento emocional" de Eduardo ter sido uma candidatura alternativa que ganhou visibilidade com o impacto da sua morte e vira uma terceira via entre os desgastados Aécio e Dilma, num movimento viral, e cresce ultrapassando Aécio e indo ao segundo turno com Dilma. Se isso acontecer nada mais é previsível, a não ser o cheque em branco que os derrotados na candidatura Aécio terão que lhe passar para derrotar Dilma no segundo turno. Voltamos a 1989 quando Collor surpreendeu com o discurso moralista do "caçador de marajás" e foi com Lula ao segundo turno. O imponderável servirá de pesadelo a Dilma, porque o massacre midiático pode chegar a limites inimagináveis de desespero, à direita, porque apostaria numa candidatura desagradável na qual teriam que mendigar se virar governo, e à própria Marina, que teria que renegar tudo que disse para fazer um governo "governável" através da composição com um enorme leque de forças à direita, com o PT na oposição e desagradando aos movimentos sociais caso embarque para a direita cedendo às pressões do mercado. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

GOLPE : "Relatório de Investigação e Monitoramento Virtual"

Esse golpe é elaborado especialmente para quem caiu naquela onda de mentiras sobre "censura na internet" pela Dilma, etc. É do padrão Kafka: você sabe que não fez nada errado mas... é bom checar. E aí clica em "BAIXAR PDF", "BAIXAR DOC" ou na barra em "www.dpf.gov.br" e é encaminhado para o link oculto
https://www.sugarsync.com/pf/D3606372_933_788414154?directDownload=true, que não tem nada a ver com a PF nem com governo e sim com um vírus de brinde.

Seria o cúmulo do estado policial, mas tem gente que acha que está devendo porque andou navegando em lugares esquisitos e quer saber o que foi que pegaram. Não pegaram nada: que pegou foi o micro do curioso. Passe anti-vírus, depois de limpo mude senhas e torça para o golpista não ter feito uma festa com teus dados.




EURÁSIA 2014 - 003 : Viajando no tempo na Armênia, Azerbaijão e Geórgia

A parte sul das montanhas do Cáucaso tem sido uma das áreas mais estratégicas do mundo ao longo da história. Espremida a leste e oeste pelos mares Cáspio e Negro, respectivamente, tendo ao norte a Rússia, ao sul o Irã e Turquia, desde os tempos mais primórdios foi palco de interesses geopolíticos próprios além de ficar na Rota da Seda, que ligava a China à Europa. Também é onde a mitologia cristã contribui com Noé e sua arca estacionando no Monte Ararat. Alguns também atribuem ao surgimento na região do grupo étnico "caucasiano", que teria se espalhado para a Europa, sul da Ásia e Norte da África.

Essa região viu ao longo dos séculos florescerem povos e ao mesmo tempo presenciou genocídios, limpezas étnicas, migrações forçadas e foi palco para muitas guerras no passado e situações tensas no presente. A Geórgia reivindica as atuais repúblicas da Abkázia e Ossétia do Sul, que têm reconhecimento parcial e apoio militar russo. Armênia e Azerbaijão disputam a região de Nagorno-Karabakh. Armênia e Turquia têm fronteiras fechadas por histórica disputa que culminou com o genocídio de armênios turcos há um século. O Azerbaijão é disputado pela geopolítica da OTAN e russa e tem pretensões expansionistas através da Armênia para unificação com a república autônoma do Naquichevão, interligando os povos turcos desde o Turcomenistão à atual Turquia. Fora dos três países mas na borda norte da Eurásia estão repúblicas que só vemos nos noticiários de guerra, como a Ossétia do Norte, Daguestão, Chechênia, etc.

Tudo que a gente viu de passagem nas aulas de história na escola agora é matéria obrigatória. Por ali passaram impérios de mongóis, persas, hunos, otomanos, bizantinos, gregos, romanos e povos nômades como os alanos que foram até a Península Ibérica a partir da Ásia Central. Fora as guerras civis, a incorporação pela União Soviética e depois as independências que avivaram conflitos étnicos e territoriais.

Planejar viagem nessa área é andar em campo minado, porque dependendo do trajeto pode-se ter surpresas desagradáveis e até ser detido. Ontem fomos em Brasília às embaixadas da Armênia e do Azerbaijão para ter informações mais precisas. Atendimento cordial e afirmações de não haver problemas no trânsito entre os dois países, no entanto, continuam contrastando com os relatos da internet. A rigor a Armênia está em posição de vantagem na questão do Nagorno-Karabakh e a maior disposição bélica partiria do Azerbaijão. Chegar por lá com visto do Nagorno-Karabakh no passaporte é pedir para voltar do aeroporto mesmo. Da Armênia, em tese, não teria problema, mas decidimos não pagar para ver.

O Nagorno-Karabach tem grande maioria da população de armênios e é uma ilha dentro do Azerbaijão. Numa guerra rápida logo após a dissolução da União Soviética conquistaram territórios do Azerbaijão que lhe deram fronteiras com a Armênia e o Irã e de lá para cá houve tréguas e novos conflitos que tornaram a região uma das mais militarizadas do mundo. O acesso é complexo. Tem um aeroporto mas não opera porque as autoridades aeroportuárias do mundo todo só aceitam homologá-lo se houver concordância do governo do Azerbaijão, o que obviamente não terão. O percurso seguro por terra é feito por uma estreita faixa pela Armênia. Avaliamos que o benefício não valeria o custo político e a burocracia e desistimos de ir por lá.

De tudo isso confirmamos nosso roteiro inicial: Baku (Azerbaijão) - Tblisi (Geórgia) e Erevan (Armênia). A Geórgia tem boas relações com o Azerbaijão, Por ela passam uma ferrovia e um gasoduto que chegam à Turquia sem passar por território russo, garantindo à Europa uma fonte segura de energia em caso de represálias russas ao ocidente. Da Geórgia se passa de ônibus, trem e avião, mas os vôos não são diretos e demoram mais em escalas em lugares distantes (Istambul, Moscou, etc), fazendo da opção por ônibus mais rápida. Há também a alternativa das "marshruktas", que são táxis coletivos com roteiros pré-definidos, um misto das nossas vans com lotações. Levam de 4 a 5 horas.

Para a Armênia é exigido visto, mas pode ser conseguido ao chegar ao país em qualquer posto de fronteira e aeroportos. Paga-se uma taxa para ter o carimbo no passaporte. Para o Azerbaijão o processo é mais complicado. No site da embaixada fala-se em ter um convite de alguém de lá como documento necessário. Tipo da coisa sem futuro porque há um mercado de venda de "convites" pela internet. Na embaixada soubemos que isso pode ser substituído por reserva em hotel. O visto é dado a partir da data prevista de chegada ao país. Para a Geórgia não há necessidade de visto.

Em termos de roteiros, a princípio, ficaremos apenas em Baku, capital do Azerbaijão, por 4 noites, podendo num desses dias fazer alguma cidade próxima que espelhe mais a realidade que se esconde por trás dos modernos prédios ocidentais da área nobre da cidade. Sairemos de avião para a Geórgia com previsão de 7 noites no país, sendo 3 na capital Tblisi, duas no litoral em Batumi e duas nas montanhas em Mestia, tendo o carro alugado como transporte para visitar outras cidades e atrações como Mtskheta, Gori, Gudauri, Kutaisi, Zugdidi e Svaneti. Na Armênia, menor dos três países, passaremos 4 noites tendo como foco a capital Erevan fazendo passeios de carro a Khor Virap, onde se vê melhor o Monte Ararat, que apesar de ser o símbolo do país está atualmente na Turquia, e ao Lago Sevan. Dá para ir e voltar no mesmo dia, passando por cidades e vilarejos no caminho. Passaremos para o Irã de avião.

A dificuldade com língua e escrita será maior na Geórgia e Armênia. O Azerbaijão aparenta querer disputar com Dubai uma fatia do turismo de ostentação, embora o fluxo seja pequeno ainda, e aposta na ocidentalização, facilitando ao estrangeiros a comunicação. Em todos os lugares, segundo os relatos, há redes de internet wi-fi de qualidade. Moeda do Azerbaijão é o Manat Azeri, que tem a cotação parecida com a do Euro mas o poder de compra é maior. Na Armênia é o DRAM e na Geórgia o LARI, que podem ser obtidos em casas de câmbio ou no caso de VTM em terminais bancários.

Para conhecer mais sobre o contexto sem muita profundidade o Wikipedia tem materiais nos verbetes:
- Azerbaijão, Abkhazia, Adjara, Batumi, Borjomi, David Gareja Monastery, Geórgia, Marshrutka, Ossétia do Sul, Armenia, Ilkhanate, Khanate, List of Muslim empires and dynasties, Império Mongol, Alexandre O Grande, Império Romano, Império Bizantino, Império Huno, Cáucaso, História do Cáucaso, Conflitos do Cáucaso, Império Otomano, Império Russo e dentro deles os links para outros assuntos correlatos.

No Wikitravel há boas indicações nos verbetes:
- Armenia, Central Armenia, Karki, Nagorno-Karabakh, Nakhcivan, Yerevan, Azerbaijan travel guide, Baku, Batumi, Georgia travel guide, Gori travel guide, Kazbegi, Kutaisi, Mestia, Mtskheta, Svaneti, Tblisi, Ushguli, Vani, Vardzia, Zugdidi, Caucacus travel guide

Há um bom livro do Lonely Planet, em inglês, sobre Armênia, Azerbaijão e Geórgia

Há uma infinidade de vídeos sobre países e cidades no Youtube com cenários, costumes, belezas, aventuras e problemas sociais.

No próximo capítulo abordaremos a Ucrânia e Rússia, encerrando a pesquisa de roteiro.

Capítulo anterior: EURÁSIA 2014 - 002 : Estudando o roteiro da Turquia






domingo, 10 de agosto de 2014

EURÁSIA 2014 - 002 - Estudando o roteiro da Turquia

Roteiro preliminar elaborado com o site Rome2Rio
No capítulo anterior (EURÁSIA 2014 - 001 - Estudando o Irã) fizemos projeto preliminar da etapa iraniana. Mais um dia de estudos e chegamos ao esboço para a Turquia. Fizemos a primeira estimativa de custos, de calendário para cada etapa e a simulação da chegada a Istambul pelas diversas opções de roteiros aéreos. Tudo isso com um olho nas TVs e noticiários de agências estrangeiras sobre a conjuntura na região. Um dos eventos que poderia alterar a viagem seria tumulto nas eleições turcas, que aconteceram hoje e aparentemente não vai haver questionamentos. Assim sendo, a etapa Turquia está garantida.

Também nos preocupa o desenrolar da violência de guerras, não pela Turquia, pois estaremos bem longe das fronteiras com a Síria e Iraque, mas porque pode respingar no Irã, que tem apoiado o governo do Iraque, e o envolvimento norte-americano, podendo haver uma escalada de terrorismo na região.

A princípio pensamos numa viagem de 60 dias sendo 15 para a Europa Ocidental (Portugal/Espanha, caso fôssemos de TAP, ou Holanda/Bélgica/Luxemburgo, no caso da KLM, que apresentaram melhores preços) e 45 dias para a Eurásia (Turquia, Ucrânia, Rússia, Azerbaijão, Geórgia, Armênia e Irã). Ponderamos que o mínimo em cada país, mesmo que só para visitar uma capital, como Baku, no Azerbaijão, seria de 4 noites (três dias integrais). O roteiro do Irã ficou apertado em 10 dias, como planejado antes. A expectativa para a Turquia era de 12 dias, mas lançados os dados mais detalhados vimos que 18 dias seria um mínimo. Moral da estória: rifamos a parte européia e partimos para a passagem mais barata via Turkish Airlines num vôo que sai de São Paulo e vai direto para Istambul em 12,5h, cruzando a Àfrica. Mesmo com o trecho Brasília / São Paulo / Brasília em vôo doméstico o preço total seria melhor que qualquer proposta pela Europa.

Essa é uma solução incômoda, porque se pode trazer até 64 kg de bagagem por pessoa (2 malas de 32 kg) do exterior, mas como o bilhete não é emitido desde a origem o máximo que se pode carregar sem pagar sobrepeso é 23 kg. Normalmente não trazemos muita coisa, mas vamos ter que resolver isso de alguma forma.

Como o horário de chegada é 21:30h e no Brasil serão 15:30h, tirando o cansaço da viagem não haveria razões para sono, por isso vamos pegar um carro alugado no aeroporto e cair na estrada para algum hotel reservado previamente na região da Trácia, preferencialmente Tekirdag. Vamos fazer a rota no sentido anti-horário do esquema do mapa.

Os pontos turísticos estudados contemplam praticamente tudo que as operadoras de turismo usualmente oferecem: Izmir, Pamukkale, Capadócia, Ancara e Istambul. Quando começamos a ver fotos das praias a coisa mudou. Há um litoral maravilhoso, não apenas pela beleza das praias, mas pelas montanhas, ruínas e muita história de diversas fases da civilização. Resolvemos incluir o que achamos de melhor no litoral: Çesme, Fethiye, Kaputas, Oluzeniz e a vila grega fantasma, Cirali e as praias de Antalya. Por conta desse arranjo a viagem cresceu 4 dias. E a opção pelo carro alugado se tornou uma obrigação.

No total, salvo novas mudanças, o roteiro do interior será de 15 dias percorrendo cerca de 3 mil km, uma média de 200km por dia, o que nossa experiência mostra ser bem razoável sabendo-se que as estradas são boas. Em todos os lugares programados para pernoite há hotéis e apartamento a menos de R$ 200 por dia. A comida parece ser mais barata que aqui. Só a gasolina é que pesa: R$ 5,60 por litro. E ainda dizem que a nossa é a mais cara do mundo...

Para Istambul estamos estimando 4 noites. Esse detalhamento será feito numa etapa posterior. Próximos passos: roteiros da Geórgia, Armênia e Rússia.

Capítulo anterior: EURÁSIA 2014 - 001 - Estudando o Irã)

A quem serve e quanto vale a derrota de Dilma?

Mr Moneybags (fonte: www.politico.com)
Recentemente vimos a escandalosa intromissão do Santander, banco de capital espanhol, na campanha eleitoral brasileira, aterrorizando seus clientes mais ricos sobre os "riscos" da reeleição de Dilma. O mesmo fez a consultoria Empiricus, investindo uma fortuna na promoção de anúncios na internet falando das vantagens econômicas para o capital da vitória de Aécio e da derrota de Dilma. E ainda há o dado no mínimo inusitado da arrecadação da campanha de Aécio ter captado mais doações que a de Dilma, que está no poder e, em tese, deveria captar mais recursos pelo fato de ter movimentado o setor produtivo com obras, compras governamentais, etc. E Aécio ainda diz que precisa de mais, num claro apelo aos setores com interesses que não são os da maioria dos brasileiros.

A quem serve e quanto vale a derrota de Dilma? 

- Aos banqueiros, rentistas e especuladores  quem ter um governo que eleve o patamar de juros reais é fundamental como foi FHC, retirando também a concorrência de bancos públicos oferecendo crédito mais barato?
-  Aos capitalistas ineficientes que procuras aumentar a competitividade através da redução da folha de pagamento também, com um governo que arroche salários e suprima direitos sociais também?
- Às elites rançosas, demofóbicas, que querem acabar com a interlocução com movimentos sociais e retirar "privilégios" dados por Lula e Dilma (Bolsa-Família, Prouni, Mais Médicos, universidades, escolas técnicas, PRONATEC, Farmácia Popular, 192, Brasil sem Fronteiras, cotas, etc) e restaurar a absoluta supremacia dos ricos sobre os pobres?
- Aos neoliberais alinhados com o Consenso de Washington, que consideram o crescimento do PIB e o controle da inflação variáveis superiores ao nível de emprego e aumento real dos salários?
- Aos defensores do "estado mínimo" que propõem o enxugamento do serviço público, redução das despesas com programas sociais e aposentadorias e privatização de empresas como Banco do Brasil e Petrobrás?
- Ao imperialismo tradicional, liderado pelos Estados Unidos, a quem o Brasil incomoda com posições firmes na ONU (condenação a Israel pelo massacre em Gaza, tentativa de acordo nuclear com o Irã, liderança em blocos regionais como o BRICS, G-20, Mercosul, Unasul, unidade com governos anti-imperialistas na América Latina, soberania sobre riquezas naturais)?
- Ao latifúndio e aos desmatadores do agronegócio?
- Aos interessados na mudança do regime de concessão do Pré-Sal para favorecer estrangeiros?
- Às raposas corruptas que saquearam o país por 500 anos e definham a cada eleição?
- À mídia bandida patrocinada por interesses de todos os anteriores que definha por falta de credibilidade e concorrência direta com a Internet, que pretende manter impérios e forçar a censura aos demais?

Fica para reflexão e pode ajudar a entender a campanha bilionária de Aécio, um candidato que não teria votos por representar a minoria, mas é alavancado por todos os setores envolvidos nas questões acima para enganar o povo e ganhar a eleição. Não faltará dinheiro para derrotar Dilma e restaurar a bandalheira que penalizou os trabalhadores até 2002.

sábado, 9 de agosto de 2014

EURÁSIA 2014 - 001 - Estudando o Irã

Avalio o Irã como a etapa mais difícil de planejar dada a pouca informação, muita desinformação e preconceito e principalmente a vida prejudicada por um embargo imposto pelos Estados Unidos via ONU por conta do programa nuclear. A "exclusão" do Irã do "mundo civilizado" aconteceu a partir da revolução iraniana na década de 70, quando o fantoche xá Rehza Pahlevi foi surpreendentemente derrubado mesmo com todo apoio americano e o povo partiu com tudo para a embaixada dos EUA em Tehrã, vasculhando documentos que sequer houve tempo de destruir. Foi um golpe tão grande para os interesses geopolíticos norte-americanos nas áreas petrolíferas que os EUA usaram o fantoche Saddam Hussein para fazer uma guerra de sete anos contra o Irã, que acabou empatada e só custou muito ao povo. Tudo que os EUA podem fazer contra o Irã será feito.

Sob certos aspectos pode-se dizer que o Irã é a Cuba da Eurásia, aos olhos norte-americanos. Como os muçulmanos persas (não são árabes como muitos pensam) são em maioria da corrente xiita, a mídia pró-americana tratou de tornar o termo "xiita" sinônimo de "radical". Os tempos recentes e mesmo uma leitura mais profunda sobre islamismo, além do legado ocidental do Irã, permitem dizer que são o que há de mais avançado nessa cultura. A eles também foi imposta a pecha de terroristas, embora hoje no mundo os sunitas estejam por trás das maiores atrocidades: talibãs (Afeganistão); Al Qaeda; ISIS, etc. E estão no poder em países que sustentam grupos terroristas mesmo sendo fantoches norte-americanos, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes, Catar e Kwait.

Em 2010 o Brasil e a Turquia costuraram com o Irã de Ahmadinejad um acordo nuclear que a princípio teve o patrocínio de Obama e por ele foi traído em seguida. Aos americanos não interessa uma solução que permita o Irã respirar e se estabelecer como potência regional, já que no tabuleiro do Oriente Médio, para os EUA, só cabem Israel e os países árabes que patrocinam. Os iranianos apoiam os palestinos de Gaza contra Israel e os xiitas do Iraque na luta contra o ISIS sunita, além do Hezbolah libanês, todos grupos de resistência.

Sobre o Islã também há muito preconceito religioso por parte dos ocidentais. Lemos alguma coisa pelo olhar dos iranianos (compramos bons livros em espanhol editados no Irã) e vimos que conjunto de idéias obedece à realidade do século 6 DC e, assim como no cristianismo, há coisas que apesar de anacrônicas são preservadas pela tradição. O que temos a fazer é respeitar, afinal, é a casa deles. Mesmo que isso custe a mulher usar véu (eles são mais liberais nisso) e andar separados em ônibus. Até isso é algo que veremos no local. Não são intolerantes com estrangeiros, nem com os norte-americanos. Pelo contrário, os relatos falam de excelente hospitalidade.

Falando em relatos acho que esses oferecem visões e informações interessantes:

Irã visto, sem intermediários, pelo olhar brasileiro


Iraniano no volante…



COLINAS DO IRÃ

COORDENADA XY - Relatos de uma brasileira pelo mundo


O texto abaixo resume essa realidade do estado islâmico na relação com a sociedade civil e demais crenças. Num dos vídeos que vimos de Diego Buñuel é mostrada a vida de judeus em Tehran , sinagogas e o parlamentar judeu no congresso.

"A pluralidade religiosa é assegurada pela Constituição iraniana. As minorias religiosas possuem, por lei, direito a representantes na Assembléia Legislativa Islâmica. Os fiéis dos diferentes credos podem participar igualmente na política, economia e assuntos sociais do país. A religião predominante é o islamismo, mas é comum encontrar sinagogas, igrejas católicas ortodoxas e, principalmente, templos zoroastras." 

Feito esse entendimento tiramos a conclusão de haver razões para os brasileiros não terem nenhuma restrição por parte do povo iraniano. Vamos ao planejamento com base em pesquisas na internet. Primeiro dado: pelo boicote não há cartões de crédito de bandeiras internacionais disponíveis. É praticamente impossível comprar coisas on line como passagens em linhas domésticas e hotéis por causa da falta dos cartões. Há uma inflação elevada que faz os preços subirem em poucos dias. Mesmo assim os preços são cerca de 30% mais baratos que no Brasil, exceto bebidas e fumo (que têm permissão muito restrita). Já os transportes públicos são na faixa de R$ 0,60 e a gasolina custa uns R$ 0,50 por litro.

O principal eixo turístico fica na direção norte-sul envolvendo as cidades históricas de Isfahan e Shiraz e Yazd. Para o noroeste, em direção à Turquia, o atrativo é Tabriz. Em direção ao Mar Cápio, ao norte, Ramsar é o centro mais importante. A nordeste, Mashhad. No Golfo Pérsico, a ilha de Kish. E Teerã é uma cidade gigante, com mais habitantes que São Paulo, com muitas curiosidades.

Num primeiro giro tentando contemplar tudo chegamos a uma base de 20 dias. Há roteiros oferecidos de 24 dias por operadoras locais e até de 5 dias muito corridos. Baixamos do Wikipedia e do Wikitravel todas as informações das cidades-alvos em formato PDF para serem lidas em qualquer meio (celular, tablet, notebook). Analisamos os padrões e elegemos, por exemplo, as principais obras arquitetônicas e paisagísticas, museus e bazares mais importantes. No roteiro global temos 10 noites para todo o Irã. Isso dá 9 dias líquidos (normalmente consideramos o primeiro e o último dia perdidos por causa da viagem, e o que sobrar é folga). Três dias completos em Teerã e seis no interior. Muito pouco, mas é o que a viagem comporta, a não ser que se tire de outro lugar.

Descartamos as cidades isoladas e consideramos apenas o circuito mais denso, que é o central. Não vimos passeios oferecidos (que são relativamente baratos) com menos de 7 noites que nos atendam. Testamos a hipótese de fazer de carro alugado, onde a vantagem seria a flexibilidade de roteiro, mas seriam cerca de 2,4 mil km em 6 dias. O que é isso? Bom, a gente vive andando do Rio a Brasília, onde uma viagem de ida e volta tem esse tamanho. O aluguel, combustível, seguros, GPS e até uma taxa para devolverem uma garantia depois de 75 dias (para ver se não houve multas) se encaixam no orçamento consideradas duas pessoas (melhor se fossem 4). O problema é o terrorismo sobre o trânsito iraniano.

Nos relatos falam de coisas incríveis que tornam o trânsito de Teerã o terceiro pior do mundo. Excesso de carros antigos, combustível de baixa qualidade poluindo muito, motoristas sem noção são a maioria, desrespeito à sinalização, etc. Até relato de motorista de Moscou achando Teerã barra pesada vi, e o motorista russo é um dos piores do mundo. Mas também vi que as estradas são muito boas, têm controle de velocidade (110 km/h é o limite)  e na região central são praticamente retas e planas. Há placas em alfabeto ocidental nas principais vias e aparentemente não há caminhos de terra a seguir. Já dirigi em lugares absolutamente bizarros, principalmente no Brasil. Não seria esse temor que iria eliminar a hipótese de andar de carro.

Não fechamos a questão, que pode ser resolvida com transportes coletivos em Teerã e carro alugado no interior. A prioridade será para excursões que nos atendam razoavelmente. No mais é encarar logo no primeiro dia chegar ao Irã, pegar o carro no aeroporto (que é fora do centro) e cair na estrada andando o máximo possível para depois vir fazendo trechos de 200-300 km por dia. Na foto está um possível roteiro de 2400 km com um duas noites em Isfahan, duas em Shiraz e duas em Yazd. Deixa-se o carro no aeroporto e passa-se mais 4 noites em Teerã.

Capitulo anterior: EURÁSIA 2014 - 000 - Projetando a viagem 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

EURÁSIA 2014 - 000 - Projetando a viagem

Roteiro macro a ser desenvolvido, orçado, replanejado, detalhado, reorçado, etc, etc. (Google Earth)
Começa aqui a série de artigos sobre a viagem que pretendemos fazer a partir de setembro de 2014 pela região em torno do Mar Negro, abrangendo o Cáucaso e Mar Cáspio. A idéia inicial, há quase um ano, era o Oriente Médio, mas a conjuntura criou riscos que não queremos adicionar a diversas incertezas que podemos prever. Em um ano o Egito teve um golpe de estado, a Líbia voltou a ter confrontos, Israel promove genocídio, a guerra civil da Síria se alastrou pelo Iraque e já chega ao Líbano, a Ucrânia se desintegrou e tem uma guerra civil, etc. Para reduzir riscos resolvemos "empurrar" o roteiro para mais dentro da Ásia.

Ainda há incertezas conjunturais que poderão alterar a rota, por isso na confecção do projeto estamos deixando margem a mudanças rápidas e radicais. O que impede da insânia do governo israelense mandar umas bombas no Irã? Ou haver tumultos na Turquia por causa das eleições de agora? E ampliação da guerra na Ucrânia com o Mar Negro virando teatro de operações bélicas, atingindo até o sul da Rússia ou Kiev? E a guerra entre Armênia e Azerbaijão pela região do Nagorno - Karabachi voltar a esquentar? E os conflitos na Abikásia e Ossétia do Sul, na Geórgia, hoje ocupados pela Rússia? E o embargo ao Irã? Enquanto escrevia este post saiu o banimento da compra de alimentos dos aliados dos EUA pela Rússia em retaliação a outras sanções relativas à Ucrânia. E há uma guerra feroz se expandindo no Iraque onde pode haver envolvimento direto do Irã...

Depois de muitas leituras, vídeos, relatos e informações técnicas chegamos ao primeiro roteiro, que já leva em consideração as restrições regionais. Queríamos ir à Criméia, hoje território russo contestado pela Ucrânia e pelos países da OTAN. Quem vai lá pode ser impedido de ir ao resto da Ucrânia (informações contraditórias sobre isso). Por ora, deixamos de lado, mas ainda é possível. Ir ao Irã pode dificultar entrar um dia em Israel, nos EUA, etc.

Andar pelo Cáucaso e arredores é jogar xadrez. É uma colcha de retalhos de microcivilizações, onde se fala 60 idiomas e existem etnias e religiões variadas. Além disso, disputas milenares entre eles. Enquanto existia a União Soviética essas rivalidades eram abafadas. Depois as energias foram liberadas para a violência mútua. É lá que estão lugares muito falados nos noticiários de guerra como Chechênia, Ossétia, Abikásia, Daguestão, Nagorno-Karabachi, etc. E estamos às vésperas dos 100 anos do genocídio de armênios pelos turcos, em 1915.

Montar um roteiro envolvendo tais países é complicado, por isso deveremos chegar por Istambul, passar uns dias na cidade e seguir para Kiev, na Ucrânia. Apesar da beligerância, ainda há vôos da Ucrãnia para a Rússia, por isso vamos passar bem longe dos mísseis e seguir para Volgogrado (ex-Staliningrado), de lá para Rostov-on-Don e circular na região sul da Rússia por uns dias. De Rostov seguimos para Baku, no Azerbaijão, de onde sairemos para Tblisi, na Geórgia. De ônibus seguiremos para Erevan, na Armênia e de avião para Teerã, no Irã, retornando a Istambul para fazer um roteiro de carro pela Turquia.

Essa é a idéia hoje mas tudo pode mudar dependendo da conjuntura política. Foi o roteiro que contemplou as rivalidades existentes, de modo a evitar traumas ao entrar em qualquer um desses países. Outras cidades serão incorporadas a esse plano macro, respeitados os tempos de permanência pré-determinados.

A necessidade maior de visto será para o Irã. Nos demais, aparentemente, podemos entrar por conta de acordos bilaterais sem vistos, mas por conta dessas diferenças regionais vamos tomar alguns cuidados adicionais, como no caso do Azerbaijão.

Vimos relatos que vão da mais absoluta hospitalidade com brasileiros a tensões que podem fechar o tempo, por exemplo, se na Geórgia se falar bem da Rússia ou elogiar a Armênia no Azerbaijão. E riscos de violência e sequestros em certas áreas que evitaremos. E os inevitáveis terremotos que vez por outra engolem cidades na região.

De concreto mesmo só temos um teto orçamentário que permitirá viajar por até uns 60 dias. A princípio vamos aprofundar o planejamento para caber a Eurásia em 45 dias. Vamos comprar as passagens de ida e volta para Istambul passando por alguma cidade européia ocidental na volta, que pode ser Lisboa ou Amsterdam, para passar uns dias menos tensos. Se algo der errado por problemas conjunturais ou pessoais podemos abreviar tudo ou parte, antecipando, por exemplo, a parte eurasiana e ficando mais tempo na europa ocidental. Ou recalcular a rota partindo para Moldávia, Bielorrússia ou Romênia, que ficam no escopo. Dentro da Eurásia deixaremos para reservar passagens e hotéis ao sabor dos replanejamentos, o que é arriscado pela falta de internet de qualidade que poderemos encarar.

Afinal, por que ir a esse lugar cheio de problemas em vez de fazer como todo mundo que juntou uns trocados e ir ao filé da Europa passear entre jardins maravilhosos com serviços que funcionam e voltar maravilhado? Porque gosto de conhecer as civilizações que explicam o nosso mundo atual. História, arte, costumes, povos, sistemas sociais. Não gasto dinheiro em viagem para ostentar, para ficar de bobeira em hotel cheio de recursos ou indo a lugares da moda, mas para aprender e apreender tudo que puder da experiência, num olhar antropo-sociológico, para entender como a história funciona. É isso que me faz entrar nessa região onde poucos se arriscariam ir. E de tudo isso escrever as impressões. Quem sabe fazer um livro?



GOLPE : Intimação-MPF.pdf

Golpe vagabundo para pegar gente estressada que acha que está devendo algo. Coisa de Kafka, mas com tosqueza ímpar. O procedimento para convocação legal é feito através de oficial de justiça, não por e-mail.

Os autores são tão toscos que no cabeçalho colocaram o nome de um arquivo PDF qualquer. E o que seria "departamento@policia.com.br"? Que polícia? Essas são questões que, a rigor, levantariam suspeitas sobre o e-mail, mas o curioso acaba clicando no tal anexo INTIMAÇÃO-MPF.SCR, que esconde o link http://118personnel.com/images/investigatorio.php de onde sairá alguma maldade como um vírus para roubar senhas, essas coisas.

Caso tenha clicado nisso passe um antivírus atualizado e se tiver usado alguma senha para qualquer finalidade troque-a depois de limpa a máquina. E torça para os golpistas não terem te roubado.


MÍDIA BANDIDA 0067 : Globo tenta golpear Sindicato dos Jornalistas do RIo de Janeiro

O Sindicato dos Jornalistas do RJ levou o jornal O GLOBO à justiça do trabalho por atitude antissindical ao incentivar abaixo-assinado para destituir sua diretoria, por insinuar participação dos dirigentes em ações de vandalismo e por difamações. Ontem deve ter havido a primeira audiência no TRT. Todo apoio e solidariedade ao sindicato e à sua diretoria contra os ataques patronais!

Jornal ‘O Globo’ terá que se explicar à Justiça sobre conduta antissindical

 
‘O Globo’ terá que se explicar à Justiça trabalhista sobre acusação de conduta antissindical. A 1ª Vara do Trabalho realiza nesta quinta-feira (07/08) audiência sobre ação movida em março pelo Sindicato contra o jornal por reportagens e editoriais publicados em fevereiro deste ano e que tinham o claro objetivo de criminalizar a entidade de defesa dos jornalistas cariocas. As matérias vieram em resposta à atuação do Sindicato sobre empresas e Estado para garantir a segurança dos profissionais logo após a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade, que foi atingido por um rojão disparado por manifestantes ao registrar um protesto na Central do Brasil. Se for condenado, ‘O Globo’ terá que pagar R$ 100 mil ao Sindicato e publicar um direito de reposta com o mesmo número de linhas e colunas das acusações.
Reportagens do ‘Globo’ à época diziam que o sindicato havia se tornado alvo de críticas da categoria por não condenar o suficiente os culpados pela morte do jornalista e atuar mais na cobrança por segurança e paz. Além disso, o jornal levantou suspeitas sobre a conduta da presidente Paula Máiran, tentando associá-la a manifestantes que acenderam o rojão que matou Santiago. Um editorial chegou ao ponto de, sem apresentar provas, mencionar ‘sindicatos de jornalistas aparelhados e desconectados da profissão’. As matérias sugeriam ainda a destituição da atual diretoria e a criação de um novo sindicato – que não se concretizaram.
De acordo com Cláudia Duranti, advogada do Sindicato e responsável pela ação, as matérias publicadas ferem não só a Constituição, que determina a primazia da liberdade sindical, como também a convenção 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe a criação de organizações de trabalhadores dominadas por um empregador ou por uma organização de empregadores.
“Há toda uma ação discriminatória, intimidatória, difamatória e com a finalidade de obstaculizar a ação sindical, de denegrir a imagem do Sindicato frente aos jornalistas, principalmente no momento em que a campanha salarial se instaurava”, afirma Claudia Duranti.
Condenada por ‘O Globo’, a atuação firme do Sindicato por medidas de segurança para os jornalistas foi uma das poucas ações de entidades representativas da categoria, em nível nacional, a atingir um objetivo concreto. Investigação do Ministério Público do Trabalho, a partir de denúncia do Sindicato, resultou em uma lista com 16 recomendações de segurança a serem seguidas pelas empresas jornalísticas, entre elas o respeito à cláusula de consciência – que garante ao profissional o direito de recusar tarefas em desacordo com o Código de Ética sem sofrer represálias-, a adoção de equipamentos de proteção individual adequados às realidades da cobertura jornalística na cidade e a realização de cursos de capacitação. As 12 recomendações foram enviadas a todas as empresas jornalísticas do Rio em junho.

GOLPE : "Aviso - Urgente de Segurança Sua conta Banco do Brasil sera cancelada"

A bandidagem agora nem se dá mais ao trabalho de tentar imitar materiais das empresas cujas marcas usam para roubar dados ou empurrar vírus para a mesma finalidade. Revisão de texto, nem pensar, coisa de menino ou amador, que sequer acentua ou pontua adequadamente a mensagem, usa maiúsculas em todas as palavras do título, falhas inadmissíveis em textos comerciais de uma grande empresa como o Banco do Brasil.

Empresas têm razão social, por exemplo "Banco do Brasil S/A", e os nomes de fantasia através dos quais criam logomarcas e símbolos a partir dos quais divulgam suas marcas, no caso, "Banco do Brasil" ou "BB". Não usam a razão social em textos publicitários, como seria este da fraude. Quando receber mensagens assim passe o mouse sem clicar sobre os links indicados e verá aberrações como:
- no primeiro "clique aqui" o link é http://taekwondofreital.bplaced.net/images/banners/NC98398483FD/, ou seja, o incauto que clicar levará de brinde um golpe de arte marcial, no mínimo;
- no outro "clique aqui" o link é http://www.clairebeaute.ch/images/banners/NUEIREU854385HF/, ou seja, vai dançar bonitinho e ainda pode ganhar um tratamento de beleza.

Golpistas usam sites hackeados como escravos para desviar a atenção para os verdadeiros sites de coleta de dados ou para expansão de vírus. Não cliquei, mas deve ser caso para preencher cadastro com seus dados ou instalar imediatamente o vírus de pesca de dados. Caso tenha preenchido algo mude suas senhas imediatamente. Se aparentemente nada acontecer ao clicar passe um antivírus atualizado, mude senhas que tenha usado no período e, se tiver fé, reze para que nada tenha acontecido.

Texto do golpe que é apelativo ameaçando o cliente de ter conta encerrada. Segundo a Federação Nacional dos Bancos, os bancos não enviam e-mails aos seus clientes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Até onde os europeus vão seguir ordens americanas na OTAN?

Até onde os europeus vão se submeter aos americanos na camisa-de-força da OTAN? As sanções contra a Rússia por causa da crise ucraniana já foram ruins para empresas européias. Agora vem a retaliação russa: vão deixar de comprar alimentos dos membros da OTAN e outros países que se submeteram aos EUA criando barreiras. Imaginem a Austrália deixando de vender carne para o mercado russo?

Os EUA deixando de vender frangos, a França de vender laticínios e verduras? A Rússia importa 60% da comida. E Putin ameaça mais: se vierem com mais sanções vai impedir o tráfego aéreo desses países sobre o território russo. Fora a torneira do gás. Acho que vai ter aliado americano roendo a corda, afinal, tem países combalidos pela crise que podem quebrar de vez. Tudo por causa do interesse americano de colocar mísseis na Ucrânia.

Há capitais europeus investindo na Rússia que estão em risco, como grandes montadoras que exploram a mão-de-obra barata russa. Há investimentos russos na Europa que também sofrerão com os embargos e sanções. O mesmo para os próprios americanos. A OTAN, que até poucos meses era uma herança da Guerra Fria, voltou a dar cartas sob comando americano pela política externa desastrosa do "democrata" e Nobel da Paz Barack Obama.

Em menos de seis meses a OTAN conseguiu adicionar imenso risco ao capital europeu em negócios que seriam feitos com a Ucrânia através da Comunidade Européia, jogou o país no caos apoiando neonazistas que derrubaram o governo, levaram à tomada da Criméia pelos russos, á guerra separatista no leste, à deterioração maior da economia do país e à ascensão de Putin e da Rússia como pólo de poder. Ressuscitaram a Guerra Fria. Putin, que de socialista ou democrata não tem nada, passou a ter elevada aceitação do povo russo com o nacionalismo exacerbado e saudosismo de potência do tempo da URSS.

As sanções anteriores, que partiram do pré-julgamento americano de culpa russa na queda do jato da Malaysian Air, devem custar à Europa 25 mil empregos. A retaliação russa agora atinge principalmente à Alemanha. Putin quer forçar Angela Merkel a negociar em separado e deixar os Estados Unidos de fora dos entendimentos sobre a Ucrânia. Já nos Estados Unidos o discurso da mídia diz que Putin deu um tiro no pé porque terá que importar alimentos mais caros em outras partes do mundo, sendo previsíveis aumentos de preços e falta de produtos. Apostam até que isso poderá enfraquecer  Putin junto ao povo russo.

Em meio a tudo isso já devem ter capitalistas brasileiros pensando em vender mais à Rússia. E outros em comprar barato os excedentes europeus. Vamos ver o que acontece nos próximos dias. 

GOLPE : "Mastercard Surpreenda - Você foi indicado - Participe"

Esse e-mail que aparece como enviado de você para você é mais um golpe para roubar dados através de um "cadastro". Além de não conter nenhum elemento gráfico que caracterize uma propaganda ou promoção do Mastercard, não há acentuação em nenhuma palavra, erro que certamente uma mensagem da conceituada operadora não cometeria em seus textos comerciais. 

Sob as palavras em destaque "diversos parceiros" e "cadastre-se agora" está um link http://cup2014p.1gb.ru/213221/21312/, um site russo descaracterizado de qualquer vínculo com o Mastercard. E ainda deve ter sido aproveitado de golpes praticados durante a Copa, embora o texto não se refira ao evento. Não cliquei porque essa simples ação pode trazer vírus para o meu computador. Caso tenha caído nesse golpe mude imediatamente as senhas que tiver colocado no cadastro ou usado no processo de cadastramento e passe um antivírus atualizado na sua máquina. E reze, se tiver fé. 

Texto do golpe:

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

YOUTROUXA 0116 : "Não voto na Dilma porque sou contra a corrupção!"

A corrupção é alma gêmea do privilégio. Se tudo for democrático, ninguém poderá levar vantagem, a não ser que se distorça a equidade. No sistema político isso acontece todo o tempo, pois há uma minoria rica que não representa 5% dos habitantes que quer se perpetuar sobre os outros 95%. Acontece que se apenas os ricos votarem nos ricos jamais aprovarão uma lei ou elegerão um prefeito ou presidente, daí para se manter os privilégios vem o processo de corrupção do sistema de poder. 


Para eleger uma maioria que não representa o povo os ricos compram votos, usam mídias para iludir a respeito de candidatos populares que lhes serão fiéis ou compram parlamentares eleitos para ter governabilidade. Fazem leis que garantem seus privilégios. 

 Para garantir votações precisam distribuir favores a partidos da tal "base aliada" que vão de recursos orçamentários para obras que serão dilapidadas por desvios ou cargos de mando sobre recursos que também serão dilapidados em secretarias, ministérios, etc. 

Devido a essa distorção temos políticos que governam para os ricos. E partidos representativos da maioria da população que não elegem bancadas suficientes para fazer valer a vontade popular. No caso de Lula e Dilma houve divisão de espaços no poder e de cooptação de base aliada para fazer passar alguns projetos de interesse da maioria. Isso explica mas não justifica Sarneys e Collors. 
Em todos os governos estaduais e na grande maioria das prefeituras o sistema funciona assim. Os ricos serão sempre contra medidas em favor do povo, defendendo para si a concentração de riquezas. Serão contra a democratização do sistema político, a participação social, etc. Além disso querem ter o controle do núcleo de poder do Estado (forças armadas, judiciário, polícias, ministério público), não importa qual seja o governo. 

Votar contra a corrupção, portanto, é querer mudar o sistema político pela raiz. Não dá para deixar um congresso cheio de vícios fazer isso, nem para ter presidente e governadores contra as mudanças. Quem hoje defende uma constituinte soberana especialmente eleita para mudar o sistema político é Dilma e os partidos de esquerda que a apoiam. São os parlamentares desses partidos. O PSDB, o DEM, Aécio e Eduardo Campos não têm compromissos com a mudança do sistema político. 

Para acabar com a corrupção só tornando o Brasil democrático. A cada cidadão corresponder um voto nos candidatos que o representam, sem pirotecnias de mídia dos ricos. Com participação direta propondo e fiscalizando. Com mandatos que possam ser revogados. 

Aí fica a questão: a corrupção é do sistema, não do PT ou de Dilma, que querem mudar a forma de fazer política e favorecer a participação popular. Os ricos, representados nas candidaturas de Aécio e Eduardo, jamais mudarão uma regra que os favorece. Se o eleitor, a rigor, não aceita a corrupção, deve anular seu voto como protesto, e deixar de dizer que "não é de direita mas vota na direita corrupta contra a "corrupção do PT". 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

MÍDIA BANDIDA 0066 : Perfumando o passado para iludir sobre o futuro.

No dia 19 de agosto terá início a propaganda eleitoral gratuita pelos meios de comunicação. Como Dilma terá mais tempo por conta das alianças eleitorais, a vantagem atual da oposição será perdida, já que haverá espaço para divulgar o que foi feito e desmentir as armações que vemos todo dia na mídia bandida.

Abusando da falta de conhecimento do passado circula pela internet uma foto com a imagem do cineasta Arnaldo Jabor afirmando que foi o Plano Real que tirou 28 milhões de pessoas da miséria. Quem não sabe e só tem preconceito contra Lula e Dilma não aceitará que isso só aconteceu 10 anos depois que FHC saiu do governo, quando o Plano Real já tinha quebrado várias vezes.







Sem entrar na informação verdadeira sobre o período FHC, mostrada com jornais da época no vídeo, caberia argumentar: "peraí, se o FHC tirou 28 milhões da miséria porque seu candidato perdeu para o Lula em 2002"? Eles vivem reclamando que os programas sociais são para ganhar votos e não ganharam? Além de inventarem um passado glorioso, também carimbam a própria incompetência porque não fizeram votos dos tais benefícios que trouxeram aos pobres.

E o que chamaria de "PAC imaginário"? O país cresceu sem apagão porque temos novas usinas elétricas do PAC. Mais de 3 milhões de famílias têm casas próprias via PAC. Estaleiros estão crescendo, aeroportos ampliados pelo PAC. Esquizofrenia, aposta na estupidez das pessoas ou simplesmente desespero?


domingo, 3 de agosto de 2014

VIAGEM : Caldas Novas (GO) - a maior estância termal do mundo

Rio Quente - Rio Quente (GO)
No post anterior descrevemos Rio Quente, município vizinho a Caldas Novas, que circundam um platô que se destaca na região e é de onde saem as águas quentes. Antes de deixar o hotel aproveitamos para tomar um banho no Rio Quente. Fantástico um rio onde se pode numa pequena barragem tomar uma hidromassagem de água a uns 30 graus.

Saímos do hotel e pegamos a GO-507 rumo ao sul seguindo orientação do Google Earth para o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas. Seriam 17 km, mas no caminho, já na estrada de terra, havia uma passagem de gado numa porteira em barras de metal deformada a ponto de impedir nosso carro de passar. Retornamos, continuamos a GO-507 para o sul e contornamos o platô.

Paisagem próxima à Hidrelétrica de Corumbá
Já do outro lado, no sentido norte, vimos a indicação de uma estrada para a Hidrelétrica de Corumbá, da CHESF. Pegamos esse caminho exclusivo e ao final não conseguimos passar de um portão longe da barragem e do lago por falta de autorização para entrar. Voltamos os 20 km até a estrada principal e seguimos rumo norte para Caldas Novas. Antes de entrar na cidade havia outra entrada para o Parque Estadual, pelo outro lado do platô, e bem mais confortável, com pavimentação em asfalto. Ao chegar à entrada fomos informados que a cachoeira do Paredão e a Cascatinha, duas principais atrações, estavam sem água. Restava o mirante, que deveria ser caminhado a pé, mas o dia muito seco e quente nos fizeram mudar de idéia.
Caldas Novas (GO) - hotéis têm parques de piscinas termais

 Entramos na cidade, conseguimos um hotel com facilidade, equipado com piscinas termais, como quase todos os hotéis de Caldas Novas. Cerca de 1 milhão de pessoas passam pela cidade todo ano. Bastante organizada, com aparência de prosperidade, é uma cidade onde aparentemente tem de tudo. Principalmente hotéis e restaurantes.




Praia no Lago Corumbá
Além do Parque Estadual uma outra atração da cidade está no Lago Corumbá, que fica a uns 25 km do centro. No local praticamente não há opções para chegar à beira do lago que não a de se hospedar em um dos muitos resorts ou clubes. O lago está cerca de 4m abaixo do nível normal, uma bela paisagem. Na volta resolvemos entrar numa estrada para um restaurante que oferecia peixe. Na verdade, um pesque-e-pague com vários lagos, muitas famílias, pagode tocando e tilápia pescada na hora.

Pesque-e-pague junto ao Lago Corumbá
Passamos mais um tempo no hotel nas piscinas quentes, muito mais quentes que as de Rio Quente. Acredito que a mais quente na faixa dos 35 graus. Beirando o limite do suportável. Isso porque fomos à noite, e vi gente dizendo que de dia não dá para encarar, a não ser nas piscinas mais abaixo com temperaturas na faixa dos 28 graus.

Pôr-do-sol - Lago Corumbá
Empadão goiano
Feira do Luar - Caldas Novas
Outra atração da cidade no sábado e domingo é a Feira do Luar, no centro, próxima à Praça da Matriz e ao parque de diversões. Roupas, artesanato e muita comida da culinária goiana. Provei o pequi, fruto com gosto que lembra o cajá e mesmo a a seriguela. Comemos o curioso carimbó, uma espécie de cesto com purê de mandioca e complemento que vai da carne de sol ao camarão ou frango com queijo. Havia também galinhada, arroz de pequi, a famosa "jantinha", que vimos em toda parte sem saber o que era, mas trata-se de acompanhamentos para comer carnes (arroz, feijão, etc), empadão goiano, etc. .

Notamos que os preços são menores que os de Rio Quente, mas ainda altos em relação a Brasília, que é uma cidade cara. Impressionante como R$ 10 virou uma espécie de valor-padrão pedido para qualquer coisa de comidas. Outra coisa impressionante na região é a quantidade de famílias com filhos pequenos, recém-nascidos ou gestantes passeando. Deve estar havendo um "baby-boom" na região.


Igreja Matriz - Caldas Novas
 Moral da estória: depois de algumas ciladas em busca de alternativas a ficar tomando banho quente a conclusão é que praticamente não há outra escolha. Se é assim, então ao visitar a região o melhor seria ficar em Caldas Novas (tem até um setor hoteleiro) e visitar o Hot Park por um dia (das 9 às 17h) em Rio Quente e passar o resto do tempo de molho. É muito bom, relaxante e ótimo para descansar. 

VIAGEM : Rio Quente (GO) - o paraíso das piscinas termais

Rio Quente - Chapada de Caldas Novas
Tiramos de Brasília a Rio Quente (GO) em quase 5 horas. Pegamos a BR 040 até pouco antes da entrada de Luziânia e de lá a GO-010, estrada de mão-dupla recentemente renovada com asfalto bom mas sem sinalização vertical (placas). Em Vianópolis (GO) derivamos para a rodovia GO-139, de pavimento com descamações mas sem buracos, também sem muita sinalização. Chegamos a nos perder passando por essa cidade e nem o GPS do celular ajudou muito. Por sinal, sinal de dados é raridade em todo o percurso, sendo recomendável baixar os mapas enquanto tiver rede de boa qualidade. Por via das dúvidas, siga a sinalização indicativa de Caldas Novas.


Centro de Rio Quente - GO
Há poucos postos de gasolina, alguns com combustível mais barato, de bandeiras pouco conhecidas. Adequado sair de tanque cheio. Na altura de Cristianópolis há uma parada muito boa, com preços honestos, limpeza e bom atendimento. Tem um monumento com uma cachoeira no estacionamento. Pouco antes da chegada a Caldas Novas pegamos à direita a GO-490 e alguns quilômetros à esquerda a GO-570, que leva direto a Rio Quente. No nosso caso, pegamos a entrada para "setor residencial". A outra opção é para os resorts Rio Quente, que ficam junto ao Hot Park. No total, 340 km desde a Asa Norte, em Brasília.
Praia do Cerrado - piscina com ondas. 
X - Pirado
Alugamos um flat no IMG Águas da Serra por R$ 150 a diária. Espaçoso com boa sala, cozinha sem fogão mas com frigobar, microondas, boa mesa, sofá e sofá cama, televisões na sala e no quarto e banheiro espaçoso. No complexo há uma grande piscina com bar molhado, sauna e acesso ao Rio Quente, onde se pode tomar banho tomando-se cuidado com a correnteza. Essa água passa primeiro por todos os resorts e pelo Hot Park. Esses flats geralmente não têm roupa de cama e banho. Trouxemos tudo, até travesseiros, pratos, garfos, etc, o que no nosso caso não seria necessário. Trouxemos isopor com comidas refrigeradas, refrigerantes, artigos para café (não incluso na diária). O hotel tem um restaurante com buffet de R$ 35.

A piscina fica aberta até as 23h. A água deve ficar a uns 30 graus. Esquisito é ficar um tempão de molho e ao sair da piscina com a musculatura toda relaxada achar que a gravidade ficou maior, porque parece que o peso aumentou. Demos uma passada na feirinha no centro do vilarejo à noite (sexta), onde a rua principal de comércio fica fechada por barraquinhas vendendo comida. Aí começamos a ver os preços surreais praticados, tipo churrasquinho a R$ 7, refrigerante em lata R$ 5, caldos a R$ 9, empadão goiano R$ 10, etc. Foi bom ter trazido comida.

Half Pipe
No sábado fomos para o Hot Park, segundo eles o maior parque aquático da América do Sul. É um complexo integrado a uns 7 hotéis de padrão médio-alto a muito alto, e diárias que começam a R$ 400. A eles é restrito o acesso ao Parque das Fontes, onde se encontram as nascentes de 17 riachos de onde se originam as águas do Rio Quente. O ingresso básico para 1 dia (das 9 às 17) no Hot Park é de R$ 128. Aposentados, idosos com mais de 60 anos e outros pagam metade. No caso de aposentados tem que trazer um contracheque ou documento comprobatório da aposentadoria.

Entrando no parque, que é muito bom, tivemos o primeiro choque de preço: o aluguel de um armário de guarda-volumes por R$ 17! Paga-se tudo com um smart card que é fornecido na entrada e vem com algum crédito. Como andar com coisas nas mãos e até com chinelo é complicado porque nos brinquedos não se pode levar nada, demos logo uma passada geral no parque para tirar fotos e deixar o tempo passar um pouco para deixar as filas diminuirem nas atrações. Já tínhamos ido ao parque há 8 anos e a grande novidade foi a Praia do Cerrado, com ondas artificiais, águas transparentes e fundo branco imitando areia. Também tem o X-Pirado, um tobogã muito alto para quem tem muita coragem e pouco amor à vida; o sobrevôo de helicóptero, caiaque, tirolesa, mergulho, todas atividades pagas (e bem pagas) à parte.

Os preços praticados são de primeiro mundo. Para ser mais exato, noruegueses. O ingresso a R$ 128 (pagamos meia por sermos aposentados) é barato comparado ao Beach Park, em Fortaleza, de R$ 170 ou ao Magic Kingdom, na Disney em Orlando, na faixa dos R$ 240. Já os preços das coisas, desde as lojinhas às comidas, são mais que os surreais praticados no Rio na época da Copa do Mundo. Cheguei a ver na praia de Copacabana cerveja de garrafa a R$ 7 em quiosque. No Hot Park vimos coisas como:
- cerveja Budweiser lata - R$ 7,90
- cerveja Liber sem álcool - R$ 7,50
- refrigerante lata - R$ 5,90
- caneca de cerveja 500 ml - R$ 13,50
- sandálias havaianas - R$ 48 o par
- churrasquinho - R$ 9.90
- água 500 ml - R$ 4,50
- picolés - R$ 7,00
- biquini - R$ 190

Uma opção é o almoço de R$ 33 em buffet. Uma alternativa é tomar um bom café da manhã e segurar a barra. Embora seja proibido entrar com comida e bebidas havia muitas pessoas com pacotes de biscoitos e tira-gostos discretamente colocados em bolsas.

Tirando esse problema dos preços, o parque é ótimo. Há atrações que não são recomendadas a quem tem problemas de coluna e até claustrofobia, como uns escorregas onde tudo é fechado, no escuro, e você sacoleja de um lado para o outro sendo jogado contra as paredes sem saber o que acontece depois. A praia de ondas é curiosíssima, nunca tinha visto uma. Vale a pena conhecer.

À noite encontramos uma outra feirinha na rua do hotel com preços de comidas mais normais que as da feira do centro. Também vimos dois grandes empreendimentos residenciais / hoteleiros com obras avançadas mas parados. Do jeito que estão cruzando a tênue linha entre explorar o turismo e explorar o turista, toda essa inflação pode afastar as pessoas, que têm na vizinha Caldas Novas uma opção menos cara e mais estruturada.