segunda-feira, 9 de março de 2009

DEMagogia da miséria

Na TV estão passando os anúncios eleitorais do ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL e atual DEM. Democratas, no entender dos coronéis e da direita que nele se abrigam. Demagogos, no discurso. Mostram nos programas o governo Lula como o causador do desemprego e da crise, como preguiçoso, como mentiroso, o de sempre dessa laia. E o governo Arruda, no DF, como a grande vitrine. Aliás, a única de peso, depois das sucessivas surras eleitorais que vêm levando.

No DF-Maravilha, como quer colocar o programa, as coisas não vão tão bem assim. Graças a recursos federais, Arruda tem conseguido fazer algumas obras. Bem mais obras faz o seu vide, Paulo Octávio, que disputa com o próprio governo distrital o título de maior especulador do DF. Hoje nos noticiários estava uma manifestação de trabalhadores de uma empresa terceirizada que quebrou por falta de pagamentos pelo GDF, exigindo seus direitos trabalhistas. E pode estourar nesta semana a greve dos professores, pelo cumprimento de um acordo que virou lei, desde o ano passado, concedendo reajuste de 19,8% à categoria.

A direita, usando seu Correio Braziliense, chama a possível greve de "crime de lesa-futuro", e diz que os professores daqui têm os maiores salários iniciais e finais da carreira no Brasil. Diz que 88% dos professores do DF recebem salários de R$ 4.857. E chora miséria, dizendo que haverá queda de arrecadação, que o GDF não vai conseguir pagar, etc e tal. Nem precisa de jornalista, já que a matéria parece um "release" do governo Arruda. O DEM não gosta de governo pagando bem, porque não gosta de servidor, porque não gosta de pobre. Dinheiro público é para sustentar o capital, no entender dele. Bolsa-família é coisa de comunista, que vicia o trabalhador a não trabalhar, etc e tal.

Educação não é o forte do DEM, que vive historicamente como abutre bicando a miséria, especialmente no nordeste. Arrotam liberalismo, pregando a redução dos impostos, mas em Brasília a carga tributária é violenta. César Maia, no Rio, fez o mesmo e não concluiu suas obras faraônicas. Nem o seu deputado que construiu o castelo mineiro o concluiu com os recursos de fontes duvidosas. No congresso, ora agem demagogicamente, propondo reajustes muito altos do salário mínimo para fazer o governo vetá-lo, ora empacando a aprovação do piso salarial do magistério em quase R$ 1.000,00.

Jogam a população contra os professores, mas a greve, se houver, será poderosa. O custo de vida é o principal motor da mobilização. Em Brasília, com R$ 4 mil de renda a família é obrigada a viver na periferia. No sábado passado, o Sindicato dos Professores trouxe milhares de professores a um show, e hoje faz atos preparatórios para a luta. Arruda vai ter que ser mais vaselina que o usual para se sair dessa sem cumprir a lei que assinou. Ou aplicar a violência, método usual dos coronéis do DEM, para não pagar o que deve. Onde fica a coerência com o discurso de cumprimento de contratos que fazem quando é para sangrarem o Estado no favorecimento ao capital?

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