terça-feira, 10 de junho de 2014

FANOAPÁ 0069 : "Vote em mim porque acabei com a Copa"

Estádios com padrão Brasil de engenharia e arquitetura
Os dias que antecedem o primeiro jogo da Copa do Mundo estão carregados de confusão e tensão porque até há um mês atrás o discurso "#naovaitercopa somado à manipulação sistemática de informações fazia crer que seria um retumbante vexame de infra-estrutura. A incompetência viraláctica (viralatismo com dimensões de Via Láctea) do brasileiro mais uma vez mostraria ao mundo nossa incapacidade de sermos lindos, limpinhos, cheirosos e inteligentes como os gringos. Não ia ter Copa, e pronto.

Campanha da VEJA de descrédito da Copa
De repente a ficha caiu. Aeroportos, portos, centros de comunicação e segurança, estádios, vias de acesso, novos transportes, tudo entregue para funcionamento. Seleção escalada. Amistosos com vitórias do Brasil. Milhares de jornalistas chegando. Seleções estrangeiras recebidas com festa. Turistas se acomodando de todo jeito. Ruas se enfeitando nos bairros populares. Povão comprando TVs, cerveja, carne para o churrasco e fogos para ver os jogos. Empresas acomodando horários para os dias de jogos. Feriados. Vai ter a festa, os convidados estão chegando, o buffet está a postos, o salão enfeitado, o "núcleo pobre" da família já avança nos petiscos mas... "o núcleo riquinho" vai mas não está gostando. Que nem barata, quando não come, bota gosto ruim.

Perfil do senador Álvaro Dias (PSDB) no Facebook 
Ameaça terrorista - 2014
Saindo da analogia, teve gente querendo ganhar com o anti-Copa. Dando nomes aos bois: a Copa foi como um mamute, aquele bicho grande, lento, que era caçado pelos nossos ancestrais com lanças porque não conseguia reagir com velocidade. Durante 7 anos foi incessantemente ferido pela mídia bandida e pelos discursos eleitoreiros dos PS (DB + TU+ OL + B) com a ladainha do "tiraram dinheiro da educação e saúde para dar à FIFA". Ou o mantra "Copa corrupta, superfaturada pelo governo ladrão da Dilma e do Lula) e por atos como ir à "Copa proibida e pecaminosa" vaiar a presidente da República ou ficar de costas para o campo na hora do Hino Nacional. Botaram mais robôs enviando mensagens falsas na internet que todos os que se vê em Star Wars para minar a moral das pessoas, incitar o ódio e deprimi-las. E o exército de mercenários que espalham pela mídia mundial desinformação sobre o Brasil?

Vira-latas do #naovaitercopa
E agora que o povão já "comprou" a Copa e já diz que estádio não é palanque, ou seja, eleição é em outubro, mas agora é hora de futebol, seleção e festa? Como é que fica o discurso do "#naovaitercopa"? Pior: pesquisas recentes mostram que até os candidatos da oposição estão caindo e as pessoas estão cada vez mais refratárias às eleições, aumentando o número de indecisos. Como é que fica a partidarização da Copa, neste exato momento?

Na cabeça da oposição agora é o tudo ou nada: se a Copa der certo, ponto para Dilma e reeleição. Se tudo der errado e puderem botar a culpa nela, vitória da oposição. E não enxergam outro caminho: os estádios têm que virar grandes comícios eleitorais, fora ou dentro, com o apoio de artilharia da mídia bandida apontando aranha em quarto de hotel, vazamento em torneira, ônibus sem bateria, porta sem chave, etc, etc. Além, claro, dos anarco-nazi-fasci-mercenário-coxinhas & CIA, que vão tentar tumultuar tudo para desestabilizar o governo.

Demonstração de ódio ao Brasil e viralatice 
O PSDB foi ao STF pedir para que se permita a entrada com faixas e cartazes nos estádios, contrariando a Lei Geral da Copa que impede manifestações políticas, religiosas, etc, nos ambientes dos jogos. Qual o interesse de gente que sabotou tudo, que não deveria sequer ligar a TV para ver os jogos, de ir ao estádio com o intuito de antecipar a disputa eleitoral? Como é que fica dizer que a comida da festa foi fruto de crimes e todos se banquetearem? Cumplicidade, hipocrisia, falta de caráter ou tudo junto?

Estupidez do #naovaitercopa quase mata família - 2014
Graças à FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País, a oposição ao tentar matar a Copa pode cometer um suicídio. Qualquer grupelho que trave a Copa com finalidades pequenas diante da grandeza planetária do evento (parei a Copa porque não tem asfalto na minha rua...) poderá ser rechaçado com o mesmo ódio que levaram anos inoculando no povo.


Experimentem no dia 12 deixar o metrô de São Paulo parado para sabotar o jogo de abertura... Primeiro será inócuo porque como disse Lula o povo vai a pé, de bicicleta ou de jumento ver o jogo. O hino do Grêmio também diz: "até a pé nós iremos /para o que der e vier /certo e que nós estaremos/ com o Grêmio onde o Grêmio estiver". O Mengão também tem uma música que diz "onde estiver estarei, ó meu Mengo". Torcedor não tem limites para a sua paixão, e se não tiver transporte vai chegar lá. Depois da execração pública da greve pela sabotagem implícita à Copa ficarão o PSTU dizendo que a culpa foi do Alckmin e o PSDB dizendo que foi culpa... da Dilma!

Parece estúpido, mas para quem está se afogando até jacaré parece ser uma boa bóia. Se conseguirem impedir a Copa, como fica o povão que quer circo? E o mundo todo? O que vão dizer no pós-tragédia da Copa? "vote em mim e no meu partido porque nós acabamos com a Copa do crime, da corrupção, do pecado, do PT, da Dilma e do Lula". Não parece uma boa tática, mas o desespero e o ódio cegam e certamente vão tentar politizar a Copa.

Falando nela, claro que ninguém escreverá uma só linha elogiando a sua perseverança e a do Aldo Rabelo, que aguentaram firmes todos os trancos e barrancos para chegar até a grande festa. Dilma estará no Itaquerão com mais de uma dúzia de chefes de estado, incluindo-se o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, Vladimir Putin, Angela Merkel, Joe Biden e muitos outros. Certamente no almoço anterior ao jogo todos serão alertados sobre as vaias que os inimigos da Copa darão quando ela oficialmente abrir os jogos. Essa é a expectativa, mas como a conjuntura está exponencialmente mudando nos momentos anteriores aos jogos, não será surpresa se as pessoas agirem com civilidade e até respeitarem a presidente, cantarem o hino e curtirem a festa.





segunda-feira, 9 de junho de 2014

BRASIL VIRA-LATAS 0027 - A Copa e o Assassinato no Expresso do Oriente

A dois dias da abertura da Copa crescem as expectativas dos brasileiros. A maioria sobre a possibilidade de sermos campeões pela sexta vez, sobre a seleção e a taça, ganhando em casa e espantando 1950.

Outros, sobre a necessidade política de tudo dar certo, já que esse empreendimento, onde para cada R$ 1 gasto pelo poder público envolveu R$ 3,4 do setor privado, teve um custo alto para os governos, em especial o federal, que não gastou nada mas levou toda a culpa pelo que deveria ser um fracasso e uma tragédia.

Um outro grupo, minoritário porém poderoso, foi derrotado pela simples existência da Copa que diziam que não haveria por incompetência de Dilma e Lula. Este ainda insiste na criação de algum fato que possa, ao mesmo tempo, fazer da Copa um fracasso e enterrar as chances eleitorais de Dilma.

São tantos os interesses envolvidos no fracasso da Copa que a imagem mais próxima do que aconteceria caso os inimigos do evento conseguissem seu intento seria a estória de Agatha Christie no seu livro "O Assassinato no Expresso do Oriente". Na ficção, uma pessoa é encontrada morta num trem com doze facadas e a dificuldade do detetive é saber entre os suspeitos quem fez isso. No fim, todos deram suas facadas por razões diversas.

Pode ter de tudo: ciberterrorismo contra sistemas vitais (água, energia, tráfego, sites do governo, aeroportos, metrô, etc); terrorismo mesmo (malas abandonadas com ou sem explosivos, bombas para causar pânico, sabotagens em transportes, etc); movimentos de vandalismo próximos aos locais de jogos; greves oportunistas de motivação político-eleitoral para impedir a circulação de pessoas ou buscar confrontos com o policiamento; martírio alheiro (como o que vimos com a manipulação dos índios em Brasília, jogados contra o policiamento para criar imagens de "denúncia" mundo afora), em busca de cadáveres midiáticos; bombardeio de desinformação por mídias, etc, etc.

O fato é que a população em geral está se tornando refratária às questões políticas e começando a viver o momento. Acanhadamente bandeirinhas aparecem nos carros e fachadas de prédios. Ruas são pintadas, o comércio vende mais, festinhas juninas mostram bandeirolas verde-amarelas, enfim, está começando o clima de festa que certamente explodirá com uma vitória do Brasil sobre a Croácia no dia 12, coincidentemente dia dos Namorados e véspera de Santo Antônio, ou seja, já tem festa garantida independente do resultado.

O viralatismo desesperado começa a dar espaço à racionalidade. Gringos chegando e gostando. Imprensa em todo o mundo enaltecendo o evento e mostrando belezas do Brasil. Já não são tão fartos em mostrar mazelas porque nos seus países já enxergam as mesmas coisas pela crise continuada. E no Brasil há pleno emprego, ascensão social dos mais pobres e outras realidades que estão entre os sonhos deles.

O jogo virou. O povo quer a Copa. Quem for contra isso será penalizado pelo imaginário popular. Dilma e o governo quiseram a Copa. Isso todo mundo sabe e cobra um preço pela tal falta de prioridades e toda a desinformação que as mídias espalharam. Agora isso não importa. Quem fizer algo contra a Copa terá a inimizade do povo. Isso pode chegar às vias de fato. Nem a mídia apoia mais os #naovaitercopa, porque é hora de faturar. A não ser a Globo com seu distúrbio bipolar, que fala mal no noticiário e fala bem na transmissão do jogo.

Quem dará a primeira facada e pagará o preço? Alckmin é sério candidato. O governo paulista não gastou dinheiro com o Itaquerão, por isso, pode-se pensar, não teria preocupação com o sucesso do evento. A fórmula seria criar um cenário de guerra em uma escalada de violência que chame a atenção do mundo e apavore os torcedores. Há dias a greve do metrô busca espaços de negociação. Tudo que recebem do governo é repressão. O Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) também quer ser atendido. O governo federal negocia com eles. Alckmin bate em todos. 

A greve do metrô continua hoje sem indicativos de negociação. A tensão aumenta e o governo do PSDB parece querer mostrar que com movimento social não se negocia, se reprime, buscando galvanizar setores de direita visando apoio nas eleições. Os grevistas, preocupados com a população, propuseram deixar as catracas livres e os trens funcionando enquanto há negociações. Alckmin não topou. E sabe que sem o metrô o acesso ao Itaquerão será muito prejudicado.

Tomara que o bom-senso prevaleça e nenhuma das possibilidades catastróficas que apresentei ou outras de maior criatividade se realizem e tenhamos sucesso na Copa com a vitória final do Brasil. Em todos os aspectos. 

sábado, 7 de junho de 2014

Renasce o Fascismo - Frei Betto

O fascismo e o nazismo não surgiram por decreto. Foram se alimentando de fontes às vezes isoladas de ódio e descontentamento, que caminharam para levar ao poder Hitler e Mussolini, por exemplo. Como enquanto o processo não mostra claramente onde vai desembocar, as pessoas ficam passivas e quando acordam, já é tarde. O texto abaixo, de autoria de Frei Betto, diagnostica o problema e chama ao combate. Por procedente, relembramos o texto atribuído a Bertold Brecht "No caminho com Maiakóvski", que trata dessa omissão:
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.





Renasce o facismo

Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la...
06/06/2014
Por Frei Betto
Jean-Marie le Pen, líder da direita francesa, sugeriu deter o surto demográfico na África e estancar o fluxo migratório de africanos rumo à Europa enviando, àquele sofrido continente, “o senhor Ebola”, uma referência diabólica ao vírus mais perigoso que a humanidade conhece. Le Pen fez um convite ao extermínio.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy propôs a suspensão do Tratado de Schengen, que defende a livre circulação de pessoas entre trinta países europeus. Já a livre circulação do capital não encontra barreiras no mundo... E nas eleições de 25 de maio a extrema-direita europeia aumentou o número de seus representantes no Parlamento Europeu.
A queda do Muro de Berlim soterrou as utopias libertárias. A esquerda europeia foi cooptada pelo neoliberalismo e, hoje, frente a crise que abate o Velho Mundo, não há nenhuma força política significativa capaz de apresentar uma saída ao capitalismo.
Aqui no Brasil nenhum partido considerado progressista aponta,       hoje, um futuro alternativo a esse sistema que só aprofunda, neste pequeno planeta onde nos é dado desfrutar do milagre da vida, a desigualdade social e a exclusão.
Caminha-se de novo para o fascismo? Luis Britto García, escritor venezuelano, frisa que uma das características marcantes do fascismo é a estreita cumplicidade entre o grande capital e o Estado. Este só deve intervir na economia, como apregoava Margareth Thatcher, quando se trata de favorecer os mais ricos. Aliás, como fazem Obama e o FMI desde 2008, ao se desencadear a crise financeira que condena ao desemprego, atualmente, 26 milhões de europeus, a maioria jovens.
O fascismo nega a luta de classes, mas atua como braço armado da elite. Prova disso foi o golpe militar de 1964 no Brasil. Sua tática consiste em aterrorizar a classe média e induzi-la a trocar a liberdade pela segurança, ansiosa por um “messias” (um exército, um Hitler, um ditador) capaz de salvá-la da ameaça.
A classe média adora curtir a ilusão de que é candidata a integrar a elite embora, por enquanto, viaje na classe executiva. Porém, acredita que, em breve, passará à primeira classe... E repudia a possibilidade de viajar na classe econômica.
Por isso, ela se sente sumamente incomodada ao ver os aeroportos repletos de pessoas das classes C e D, como ocorre hoje no Brasil, e não suporta esbarrar com o pessoal da periferia nos nobres corredores dos shopping-centers. Enfim, odeia se olhar no espelho...
O fascismo é racista. Hitler odiava judeus, comunistas e homossexuais, e defendia a superioridade da “raça ariana”. Mussolini massacrou líbios e abissínios (etíopes), e planejou sacrificar meio milhão de eslavos “bárbaros e inferiores” em favor de cinquenta mil italianos “superiores”...
O fascismo se apresenta como progressista. Mussolini, que chegou a trabalhar com Gramsci, se dizia socialista, e o partido de Hitler se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista (de Nationalsozialist).
Os fascistas se apropriam de símbolos libertários, como a cruz gamada que, no Oriente, representa a vida e a boa fortuna. No Brasil, militares e adeptos da quartelada de 1964 a denominavam “Revolução”.
O fascismo é religioso. Mussolini teve suas tropas abençoadas pelo papa quando enviadas à Segunda Guerra. Pio XII nunca denunciou os crimes de Hitler. Franco, na Espanha, e Pinochet, no Chile, mereceram bênçãos especiais da Igreja Católica.
O fascismo é misógino. O líder fascista jamais aparece ao lado de sua mulher. Como dizia Hitler, às mulheres fica reservado a tríade Kirche, Kuche e Kinder (igreja, cozinha e criança).
O fascismo é anti-intelectual. Odeia a cultura. “Quando ouço falar de cultura, saco a pistola”, dizia Goering, braço direito de Hitler. Quase todas as vanguardas culturais do século XX foram progressistas: expressionismo, dadaísmo, surrealismo, construtivismo, cubismo, existencialismo. Os fascistas as consideravam “arte degenerada”.
O fascismo não cria, recicla. Só se fixa no passado, um passado imaginário, idílico, como as “viúvas” da ditadura do Brasil, que se queixam das manifestações e greves, e exalam nostalgia pelo tempo dos militares, quando “havia ordem e progresso”. Sim, havia a paz dos cemitérios... assegurada pela férrea censura, que impedia a opinião pública de saber o que de fato ocorria no país.
O fascismo é necrófilo. Assassinou Vladimir Herzog e frei Tito de Alencar Lima; encarcerou Gramsci e madre Maurina Borges; repudiou Picasso e os teatros Arena e Oficina; fuzilou García Lorca, Victor Jara, Marighella e Lamarca; e fez desaparecer Walter Benjamin e Tenório Júnior.
Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la...
 Frei Betto é escritor, autor de “Batismo de Sangue” (Rocco), entre outros livros.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Decreto 8243 sim, democracia sim, histeria golpista da direita não!

Fonte: GGN Jornal
Quando li o Decreto 8.243 de 23/05/14 pensei ter visto aquilo antes. De fato, Lula em 2003 criou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social pela Lei 10.683  de 28/05/03 e o regulamentou pelo  decreto 4744 de 16/06/03, como órgão de assessoramento direto da Presidência da República. Na época a grande imprensa bateu firme dizendo que seria uma forma de passar por cima do Congresso, etc.

Não foi. Lula chamou para o conselho lideranças empresariais, sindicais, movimentos sociais, intelectuais, etc. Convocava o CDES para discutir estratégias e buscar acordos para a governabilidade construindo um novo pacto social para fazer algumas reformas. O que se acordasse no Conselho serviria para a elaboração das políticas de governo, não de estado. Tinha caráter consultivo. Era um mecanismo de consultoria, que qualquer outro que sucedesse Lula poderia alterar ou extinguir.

 Competia ao Conselho:
" I - assessorar o Presidente da República na formulação de políticas e diretrizes específicas, voltadas ao desenvolvimento econômico e social, produzindo indicações normativas, propostas políticas e acordos de procedimento;
II - apreciar propostas de políticas públicas e de reformas estruturais e de desenvolvimento econômico e social que lhe sejam submetidas pelo Presidente da República, com vistas à articulação das relações de governo com representantes da sociedade civil organizada e a concertação entre os diversos setores da sociedade nele representados."

E a presidente Dilma, o que fez? Baseada na mesma lei 10.683 de 28/05/03 e na Constituição Federal, decretou a criação da Política Nacional de Participação Social para assessorar o seu governo. Quem ler o Decreto perceberá que tudo se remete às políticas do governo, não a uma reforma do estado ou da constituição via decreto. No dia que ela sair, quem quiser muda, acaba, bota outro tipo de consultoria, etc. Não precisa de uma Constituinte para isso.

Diz o decreto:

"Art. 1º  Fica instituída a Política Nacional de Participação Social - PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil.
Parágrafo único.  Na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas e no aprimoramento da gestão pública serão considerados os objetivos e as diretrizes da PNPS."

E quem é "sociedade civil"?
"Art. 2º  Para os fins deste Decreto, considera-se:
I - sociedade civil - o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações;"

E qual a finalidade?
"Art. 4º  São objetivos da PNPS, entre outros:
I - consolidar a participação social como método de governo;
II - promover a articulação das instâncias e dos mecanismos de participação social;
III - aprimorar a relação do governo federal com a sociedade civil, respeitando a autonomia das partes;
IV - promover e consolidar a adoção de mecanismos de participação social nas políticas e programas de governo federal;
V - desenvolver mecanismos de participação social nas etapas do ciclo de planejamento e orçamento;
VI - incentivar o uso e o desenvolvimento de metodologias que incorporem múltiplas formas de expressão e linguagens de participação social, por meio da internet, com a adoção de tecnologias livres de comunicação e informação, especialmente, softwares e aplicações, tais como códigos fonte livres e auditáveis, ou os disponíveis no Portal do Software Público Brasileiro;
VII - desenvolver mecanismos de participação social acessíveis aos grupos sociais historicamente excluídos e aos vulneráveis;
VIII - incentivar e promover ações e programas de apoio institucional, formação e qualificação em participação social para agentes públicos e sociedade civil; e
IX - incentivar a participação social nos entes federados."

Como se vê, a presidente buscou criar mecanismos de participação NO SEU GOVERNO para que a sua administração, ao tomar decisões, leve em consideração a opinião das partes interessadas que geralmente não se expressam pelo poder econômico, por força de mídia, etc. Não é "MUDAR A CONSTITUIÇÃO POR DECRETO" nem "VIRAR VENEZUELA" ou "CRIAR SOVIETS" com alardeia a direita. Por sinal, adoram escrever tudo em maiúsculas pois falam gritando como se fossem alertar aos demais de graves perigos, como tutores da sociedade.

Com a inabilidade de sempre, os reacionários, articulados pela imprensa golpista, acabam fazendo estardalhaço e criando a curiosidade para o assunto. Os que foram às ruas no ano passado, acordaram e adormeceram, podem se levantar de novo e dizer: "ei, o que a gente queria quando falava de participação popular começa por aí, vamos defender isso!"

Democracia direta não vem por decreto. É uma luta social. Vem pela vontade do povo mudar suas instituições, não pela caneta da Presidente. Se ela resolveu criar um CDES "de pobre", é um avanço necessário, mas insuficiente. Com a gritaria da direita pode ser que as pessoas despertem e defendam o avanço dessa política, repercutindo nas eleições, onde se coloca em pauta a convocação de uma constituinte soberana para fazer a reforma política.

A que vem o estardalhaço? A despertar os setores mais broncos da sociedade para buscar um eventual impeachment de Dilma, um golpe a frio, como no Paraguai. Nada mais que isso. A minoria elitista quer manter o poder a ferro e fogo, e sabe que nas eleições não se cria mais. Só vai no golpe.





http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,mudanca-de-regime-por-decreto-imp-,1173217
http://www.cartamaior.com.br/?%2FColuna%2FO-Estadao-contra-a-participacao%2F31047

segunda-feira, 2 de junho de 2014

YOUTROUXA 0106 : Falso recibo do Cartão Família Carioca

O programa Bolsa Família cadastrou em todo o país famílias em situação de vulnerabilidade, na miséria. Para as famílias distribui R$ 77 por filho exigindo contrapartidas que vão do acompanhamento escolar ao de saúde. No plano estadual e municipal há outros programas de renda mínima, especialmente onde o custo de vida é mais alto, como o Rio de Janeiro, onde há o Cartão Família Carioca. 
Podem se cadastrar nesse programa famílias com até R$ 108 de renda "per capita". Essa complementação pode variar de R$ 20 a R$ 400 por família. É cumulativo com o Bolsa Família. 
Não há, portanto, quem receba R$ 1802,00 como no recibo fraudado da foto. A origem desse recibo no Facebook é uma pessoa que se diz trabalhar em Loterias da Caixa, ou seja, tecnicamente tem como imprimir um recibo e depois cancelá-lo. Ou alguém mais esperto usar um programa de edição para inventar o valor e enganar os trouxas para criar ódio aos programas sociais. 

Esse absurdo corre solto pelas redes sociais. O Bolsa Família também é vítima desse tipo de acusação com "provas", que induzem gente desinformada a acreditar que "tem mulheres só parindo para receber o dinheiro sem trabalhar", que tem homens que não trabalham mais e vivem disso, etc, etc. Quando receber algo assim, vá atrás da fonte e comente que se trata de uma fraude, que isso é crime de difamação e pode dar cadeia. E que você não é otário (a).





FANOAPÁ 0068 : Estatística aplicada a ignorantes

Perfil "Admiradores da Sheherazade" no Facebook
A Falta de Noção que Assola o País (FANOAPÁ) engorda com gráficos e estatísticas passadas pelas redes sociais para "provar" "fatos" ou "tendências". Os sem-noção acham tudo bonito, repassam nas redes sociais, sem sequer entender o que estão fazendo, e acham tudo lindo. O importante é esculachar o governo, repassar sem piedade, etc.

Vamos a mais um caso. Um site (http://sbt-canal.blogspot.com.br/), que não existe mais,  apresentou uma "pesquisa de opinião eleitoral" atribuída à emissora  SBT onde Aécio Neves ganha disparado, ficando Dilma Roussef em terceiro lugar. Outra "pesquisa" atribuída ao Ibope postada no lixão "Admiradores da Sheherazade" chega a ser bisonha como mostra a foto e explico adiante.

A figura do Admiradores Sheherazade questiona a pesquisa do Ibope que mostra Dilma na frente da corrida eleitoral. Aliás, todas as que foram regularmente registradas nos tribunais eleitorais, como manda a lei, registram o mesmo resultado com Aécio em segundo e Eduardo Campos em terceiro, variando os percentuais, e critica o fato do Ibope ter ouvido 2.000  pessoas como se fosse pouco para captar a verdade.

Do site falso SBT-Canal, tirado do ar 
Por que os institutos de pesquisa trabalham como números na faixa dos 2 a 4 mil entrevistados? Porque usam a ciência estatística, que consegue obter com certa margem de erro uma informação de uma população sem ter que perguntar a todos, usando uma amostra, ou seja, uma parte da população que seja representativa. Como assim? Se tenho "X"% de mulheres no Brasil, "Y"% de eleitores no Nordeste, "Z"% com renda abaixo de "N" salários mínimos, "K"% de jovens, isso tem que aparecer nos dados coletados para que a amostra corresponda, numa escala menor, ao conjunto dos eleitores. Os pesquisadores coletam mais que o número de dados efetivamente considerados para que se faça aleatoriamente a composição desse perfil.

Contraditoriamente afirma-se que "aqui não conta voto do bolsa-família nem daqueles que não têm internet nem rede social", ou seja, limita a pesquisa a quem tem mais dinheiro, que é uma minoria na sociedade. E em tese vê o SBT, outra minoria. E tem mais: "Dilma em terceiro lugar brigando com Denise do PEN". Quem lê isso acha que estão ali por diferença de décimos. Nada disso. Na "pesquisa com 152 mil amostras" Dilma tem 12,63% e Denise apenas 5,8%.

Aí o esperto resolve fazer uma pesquisa num estádio dentro de uma certa torcida perguntando "qual é o melhor time do universo?" . Ou numa igreja católica perguntando "você é favorável ao aborto?". Ou na igreja do pastor Feliciano: "você é a favor do casamento gay"? Ou entre leitores da VEJA, do Globo, pessoas que curtem a Sheherazade perguntando: "você é a favor do Bolsa-Família?". As respostas são óbvias, e esse tipo de "pesquisa" só pode ser aceito por absolutos sem noção. Se a "amostra" já é viciada, manipulação é dizer que "em pesquisa o povo brasileiro disse que é contra o aborto, o casamento gay, o time X é o melhor e a grande maioria é contra o bolsa-família".

Aqui no Blog fiz uma pesquisa que mostrou que somente pessoas inteligentes conseguem ler os posts do início ao fim e entender tudo. 

domingo, 1 de junho de 2014

BRASIL VIRA-LATAS 0026 : FHC e a entrega da soberania na Base de Alcântara

Fonte: Agência Espacial Brasileira
Em 2000 o Brasil estava falido. Nas mãos do FMI. Aproveitando a oportunidade de barganha em troca de tostões, o governo norte-americano propôs ao governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso um acordo de uso da base de lançamentos espaciais de Alcântara, no Maranhão. Sua localização é uma das melhores do mundo, por ficar na linha do Equador, bem melhor que Cabo Canaveral, na Flórida, por não oferecer risco de furacões e ter clima praticamente estável o ano todo.

O acordo foi assinado pelo governo brasileiro em 2001 e levado à ratificação pelo Congresso, sendo rejeitado por 23 dos 25 integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. De lá para cá não se falou mais nisso, afinal, Lula e Dilma não concordam com a entrega do território nacional que o acordo previa. Simplesmente perderíamos o acesso ao local, e os Estados Unidos teriam o poder de veto sobre o nosso programa espacial.

Em 2003 houve um misterioso acidente no Centro de Lançamentos de Alcântara onde o acionamento prematuro dos foguetes do Veículo Lançador de Satélites provocou a morte de 21 cientistas da Agência Espacial Brasileira, atrasando o programa espacial em mais de uma década. Está previsto para julho o lançamento do VLS-1, retomando o projeto. Enquanto isso o Brasil, em associação com a Ucrânia, China e Rússia, tem mandado ao espaço equipamentos para colocação em órbita.

O site Carta Capital publicou nesta semana a matéria "A diplomacia da sabujice contra-ataca", onde cita uma entrevista de ex-embaixador com possibilidade de participar de eventual governo Aécio Neves em um jornal de grande circulação criticando a recusa do Congresso Nacional em ratificar o acordo firmado entre o governo FHC e os EUA para a cessão de parte da soberania brasileira sobre o território de Alcântara, no Maranhão, para a instalação de uma base de lançamentos de foguetes. A matéria destaca os seguintes pontos lesivos do acordo:

..."O acordo leonino previa a possibilidade de veto político (sem necessidade de justificativa) dos EUA a lançamentos, brasileiros ou não, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, empreendimento brasileiro em território brasileiro, hoje uma base da Força Aérea Brasileira (art.III, A); proibia nosso país de cooperar (entenda-se como tal aceitar ingresso de equipamentos, tecnologias, mão-de-obra ou recursos financeiros) com países não membros do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis – Missile Techonology Control Regime-MTCR (art. III, B); proibia o Brasil de incorporar ao seu patrimônio ‘quaisquer equipamento ou tecnologia que tenham sido importados para apoiar Atividades de Lançamento’ (art. III, C); proibia o Brasil de utilizar recursos decorrentes dos lançamentos no desenvolvimento de seus próprios lançadores (artigo III, E); obrigava o Brasil a assinar novos acordos de salvaguardas com outros países, de modo a obstaculizar a cooperação tecnológica (art.III, F); proibia os participantes norte-americanos de prestarem qualquer assistência aos representantes brasileiros no concernente ao projeto, desenvolvimento, produção, operação, manutenção, modificação, aprimoramento, modernização ou reparo de Veículos de Lançamento, Espaçonaves e/ou Equipamentos Afins (art. V, 1); concedia a pessoas indicadas pelo governo dos EUA  a exclusividade do controle, vinte e quatro horas por dia, do acesso a Veículos de Lançamento, Espaçonaves, Equipamentos Afins, dados Técnicos e ainda o acesso às áreas restritas referidas no artigo IV, parágrafo 3, bem como do transporte de equipamentos/componentes, construção/instalação, conexão/desconexão, teste e verificação, preparação para lançamento, lançamento de Veículos de Lançamento/Espaçonaves, e do retorno dos equipamentos e dos dados Técnicos (art.VI, 2);  negava aos brasileiros e fazia concessão exclusiva aos servidores dos EUA do  livre acesso, a qualquer tempo, ao Centro de Lançamento para inspecionar Veículos etc. (art.VI, 3); exigia do governo brasileiro a garantia de que todos os representantes brasileiros portariam, de forma visível, crachás de identificação enquanto estiverem cumprindo atribuições relacionadas com Atividades de Lançamento; referidos crachás, porém,  seriam emitidos unicamente pelo governo dos EUA, ou por Licenciados Norte-Americanos (art. VI, 5)."...

Os interesses que cercam a eleição de Aécio Neves vão muito além do Pré-Sal ou da implosão dos BRICS, do Mercosul e do alinhamento automático com a política externa norte-americana. Também abre a perspectiva de criação de "guantânamos" no nosso território. Para conhecer o acordo feito de calças arriadas na íntegra, segue o link do site Defesanet :

CLA - INTEGRA DO ACORDO DE SALVAGUARDAS BRASIL - EUA (2000)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

YOUTROUXA 0105 : "Governo é contra o projeto de Aécio para melhorar o Bolsa Família"

Na periferia do Facebook encontrei um lixão chamando "É mentira do PT", especializado em caluniar, difamar, manipular e mentir como tantos outros onde desinformados buscam assunto para compartilhar estupidez nas redes sociais, onde tinha essa figurinha aí.

O mais interessante é que a mentira já está explícita: Aécio querer melhorar o Bolsa Família. Peraí: eles não são contra o programa, que chamam de Bolsa-Esmola, de Bolsa-Vagabundo, que serve para sustentar mulheres parideiras que não querem trabalhar? Que desestimula as pessoas a buscarem emprego? Que não ensinam a pescar e ficam dando peixes? Como é que agora passaram a ter amor pelo programa que é referência mundial no combate à miséria?

Aécio mente e faz demagogia. Chega a ponto de dizer que o programa foi criado pelo FHC. Só se for como o Plano Real, criado no governo Itamar pelo ministro Ricúpero.

O desespero em tentar surfar no Bolsa Família é tal que um deputado do PSDB chegou a propor um projeto de lei criando o 13o "salário" do programa. Foi rejeitado numa comissão da Câmara, mas se aprovado daria cada vez mais cara de emprego aos beneficiários do programa, que não foi feito para ser eterno. À medida que as pessoas deixam a linha da miséria o programa cessa. Mais de 1,6 milhão de pessoas já saiu do programa. Incorporamos o vídeo da ministra Tereza Campelo falando do Projeto de Lei aprovado no senado, que deturpa o programa.

Pelo projeto de Aécio os maiores de idade seriam forçados a fazer um curso profissionalizante senão perderiam o emprego. E onde não há oferta? E se só tiver vagas para profissões que não interessam aos que já trabalham. E que papo é esse, Aécio, de profissionalizante se o governo FHC fez até uma lei para impedir a criação de novas escolas técnicas, derrubada no governo Lula. Desde então foram instaladas 214 escolas técnicas e criado o Pronatec, que já matricula 8 milhões de pessoas. Mais demagogia para engana otários.

Agora não tem mais direitista inimigo do Bolsa Família? Até os mais radicais  saem em defesa do "bolsa família criado pelo fhc" e do projeto do Aécio de transformar o programa em emprego. E o PT é o bandido porque vetou essa deturpação de propósitos do programa? Ah, e quando o projeto for vetado por Dilma a mídia dirá que o PT quer acabar com o Bolsa Família criado pelo FHC. É esperar para ver. São profissionais da enganação, e só os trouxas não enxergam isso.

E todos os que disseram que o programa é eleitoreiro? Se fosse assim, no governo FHC ele teria eleito o José Serra. Ou não é eleitoreiro, ou não havia nada. ou os dois. Fazendo os outros de trouxas pela desinformação. Bonito, né? Como tem gente que de uma hora prá outra resolveu gostar de pobres...


quinta-feira, 29 de maio de 2014

YOUTROUXA 0104 : "7 países da América Latina crescem o dobro do Brasil"

Na classe média brasileira há um grande contingente que teve incipiente formação em matemática, em economia e principalmente política, e se submete a manipulações com números de fazer corar a qualquer um que tenha mais noção. Aí proliferam os "matemágicos" que fazem as pessoas acreditarem em versões como ilusionistas enganam suas platéias. Outros, por interesses políticos ou má-fé, pegam os dados e escrevem suas visões em cima, sempre negativas quando se trata de economia brasileira. Vamos a mais um desses exemplos. 
Essa figura ao lado atribuída à revista Exame da Globo afirma que 7 países da América Latina crescem o dobro do Brasil, com base nos seus PIBs. O que é PIB? Uma medição da riqueza do país, composta de diversos fatores econômicos. Um deles, por exemplo, é o investimento em novas construções como prédios, portos, estradas, portos, aeroportos, etc. Ao se comparar, por exemplo, quanto significaria em termos de percentual do PIB uma Copa do Mundo, estimada em 10 bilhões de dólares (R$ 25 bi) considerados estádios (R$ 8 bi), portos, aeroportos, estradas, mobilidade urbana, segurança, etc, veremos na tabela elaborada pelo Blog do Branquinho (valores em bilhões de dólares) que isso significa 0,46% da nossa riqueza. Se o investimento fosse feito na Bolívia representaria 33,33% do seu PIB. Trocando em míúdos: não dá para comparar PIBs sem considerar o tamanho da economia. 
O que o gráfico fez foi comparar time de terceira divisão com outro da primeira divisão.
Em 2013 o PIB brasileiro cresceu 2,3% (não 2% como diz o gráfico) . Isso multiplicado por 1327 bilhões de dólares resulta em US$ 50,37 bilhões, o equivalente, em apenas um ano, a 1,5 vezes o PIB da Bolívia, 90% do PIB Uruguai ou o PIB inteiro da Costa Rica. O Peru, que cresceu 6,56%, acrescentou à sua riqueza US$ 14,24 bilhões, menos de 1/3 que o Brasil.
Colocamos na tabela o México, queridinho da mídia econômica mundial, segunda economia da América Latina, que equivale a 60% do PIB do Brasil, para fazer uma comparação com um país mais parecido em tamanho. Eles cresceram em 2013 menos que o Brasil: 1,2%. Mesmo assim produziram o mesmo volume de riquezas que o Peru ou o Chile. 

Países com baixo PIB por habitante precisam crescer rápido para superar a miséria. E há países com população reduzida e bem educada que recebem grandes investimentos por oferecer melhor mão-de-obra, como no caso do Chile e Uruguai. A taxa de crescimento do Brasil não é nenhum "pibinho" como a mídia quer retratar. Foi a terceira maior do mundo. E os que decresceram, com redução do PIB? 
Só mais uma comparação com base na tabela: o Brasil tem o dobro do PIB desses sete países somados (US$ 1327 bi), mas tem menos do dobro da população deles somada (125 milhões), ou seja, temos um PIB "per capita" superior ao da média dos demais. 

Mais um gráfico para pegar trouxas. Peguei esse no site do senador Álvaro Dias com comentários de assessor que também entende muito de manipular números para dizer que o Brasil não cresce nada, ou seja, não prestamos, somos os vira-latas da América Latina. 


quarta-feira, 28 de maio de 2014

FANOAPÁ 0067 : Luta anti-Copa perde eixos e incita o martírio alheio

Foto do blog Tijolaço
Surgido no ano passado no rastro das mobilizações contra o aumento de passagens de ônibus, o movimento #naovaitercopa era afirmativo, ou seja, não iria haver o evento e ponto. Colocaram um grupo de falsos condicionantes como "não vai ter Copa se não tiver saúde, educação, transporte, segurança, reforma do sistema político, fim da corrupção" e tudo mais que fosse ao encontro da insatisfação popular multissecular. Com o apoio da mídia interessada em desestabilizar o governo Dilma buscando golpear ou facilitar a vida eleitoral da oposição em 2014, a adesão ao movimento foi grande, levada a todo o país por transmissões de TV ao vivo mostrando confrontos. E uma ofensiva por redes sociais e todos os demais meios de comunicação contra o governo, incitando o ódio e fazendo até esquecer os motivos da luta.

Dilma no ano passado virou o jogo. Ou ganhou tempo. Com o povo que estava nas ruas aproveitou para aprovar verbas do pré-sal para saúde e educação, liberar recursos para mobilidade urbana e o xeque-mate: propôs um plebiscito para decidir se haveria uma constituinte sobre o sistema político. Nesse ponto a mídia recuou e a violência fascista passou a aparelhar os movimentos, e as pessoas se dispersaram. Nenhum movimento convocado pelo #naovaitercopa conseguiu mais que a adesão de uns gatos pingados a partir dali. E os seus líderes passaram a aparelhar tudo que outros juntassem gente para jogar contra a Copa.

Nesse meio tempo a verdade foi aparecendo. Até a grande imprensa admite que o dinheiro gasto com os estádios não foi do governo Dilma, que emprestou aos estados, portanto não tirou as verbas existentes no orçamento de saúde e educação. E que o valor dos estádios não seria mais que uma quinzena do orçamento da educação. Só de impostos o evento Copa já arrecadou o dobro do valor dos estádios. E se tudo der certo o Brasil terá criado um volume de benefícios à economia da ordem de R$ 140 bilhões, com geração de emprego, elevação do PIB, etc.

Junto com a mídia apostaram que seria fácil não ter Copa a partir da presumida incompetência do governo em terminar os estádios, aeroportos e outras obras de grande porte. Perderam. O que não foi feito não era para a Copa, mas eventos de longo prazo do PAC que foram antecipados. O que temos dá tranquilamente para fazer a Copa das Copas, como anuncia o governo. Como o fracasso anunciado não aconteceu, o jeito é partir para a radicalização, no entender deles.

Sem analisar a conjuntura, vão ficar cada vez mais isolados. Como o movimento minguou nem o governo nem o Congresso se animaram a aprovar uma lei antiterrorismo que criminalizasse os as lutas sociais, o que seria um imenso retrocesso democrático. O forte aparato de segurança será disponibilizado para garantir a realizaçãodo evento a ferro e fogo. Entende o governo que a sabotagem à Copa e o impedimento de qualquer parte da programação custaria alto à imagem do Brasil no exterior. Por isso mesmo as proximidades do evento serão como uma cerca elétrica: chegou perto, vai dar choque.

Outra mudança conjuntural foi a postura da mídia. Se em junho passado propagandeavam os eventos de lutas e transmitiam ao vivo, depois passaram ao apoio sistemático mas discreto (desde que causasse estragos ao governo Dilma) e agora... hora de faturar! O que era um evento criminoso e pecaminoso porque roubaria dinheiro da saúde e educação das crianças, na mídia agora virou uma imensa festa, onde cada estádio contra o qual lutaram virará a Meca para onde se dirigirão os fiéis do futebol.

A Globo não pode mais dar destaque ao anticopa. Ela agora é a Copa! Geradora oficial de imagens que serão vendidas a todo o mundo. Precisa que o povo mude de atitude para melhorar a imagem dos seus anunciantes e de seus produtos. Vão passar da oposição à trégua e ao ufanismo em poucos dias. Por essas e outras o Jornal Nacional de ontem não deu mais que 15 minutos de espaço para mostrar um índio numa manifestação em Brasília flechando um policial.

Quem só viu essa imagem e não a história toda vai criminalizar os índios. O que a mídia não mostrou foi a manifestação dos povos indígenas no Congresso Nacional contra uma PEC que os prejudica na demarcação de terras e por garantia de vagas para representantes indígenas no Congresso Nacional. Faz parte da semana de mobilização que fazem todo ano. Não houve nenhuma repressão a isso. O que fez uma manifestação pacífica e justa dos indígenas por reivindicações virar uma batalha campal? Os índios são contra a Copa? A lógica diz que não deveriam ser, já que os 500 mil gringos que virão poderão comprar artesanato indígena e será uma oportunidade de faturar mais e levar ao mundo a arte nativa.

No meu entender, o movimento contra a Copa entrou num momento de desespero. As pessoas, o povo em geral, querem a Copa. 77% acreditam que o Brasil vai levantar a taça pela sexta vez. Aos poucos o clima de festa vai deixando sem margem de ação as oposições. De repente as pessoas estão saindo da depressão, deixando de lado a lavagem cerebral que incutiu por motivos políticos que a Copa seria algo criminoso ou pecaminoso e começam a enfeitar ruas, trocar figurinhas, fazer bolões, e até os "contra" mais abastados, os tais "coxinhas", já estão com ingressos nos bolsos, dinheiro para pagar os altos preços de bebidas e comidas nos belíssimos estádios sem chiar e mandar "selfies" para as redes sociais. Como quem diz: "estou aqui neste estádio construído pela miséria do povo num evento que boicotei, sabotei e falei mal, para vaiar a presidente que fez isso acontecer porque nunca gostei dela".

Com a perda dos eixos, do apoio de mídia e popular, e principalmente tendo alimentado ódio à Copa nas mentes de alguns militantes, a eles não cabe analisar a conjuntura e reformular as ações. É possível criar fatos políticos para denúncias ou reivindicações aproveitando os 14 mil jornalistas que estarão nos eventos. Exemplo: na greve dos professores no Rio aparelhada pelo "#naovaitercopa" uma professora com um cartaz em inglês mostrando em dólares quanto era um ingresso de jogo e o salário de professor circulou pelo mundo através da BBC inglesa. Há motivos de sobra para protestar, como por exemplo a PEC 65, que poderá aumentar os salários de juízes, e depois do legislativo e executivo em cadeia, em 35%.

A radicalização poderá acontecer, associada a interesses em detonar no exterior a imagem do Brasil. Greenpeace banca a vinda de instrutores de manifestações às vésperas da Copa. Entidades internacionais de direitos humanos estão de olhos atentos no Brasil. Em julho as 5 potências emergentes criarão o Banco dos BRICS acertando negociações sem dólares que tiram poder dos EUA. Temos uma fortuna inestimável de petróleo que causa a cobiça dos Estados Unidos e outras potências. E um governo que se coloca como obstáculo a todos esses interesses e que vai ser combatido com tudo. Um desastre na Copa repercutindo pelo mundo, entendem eles, seria a bala de prata para matar o vampiro brasileiro.

Se o povo não está nem aí mais para as questões políticas, se a mídia agora só quer faturar, se não conseguem mais juntar gente para lutar contra a Copa uma forma perigosa de criar fatos midiáticos pode ser a incitação ao martírio. Dos outros. Empurrar para a cerca elétrica os movimentos sociais justos que reivindicam em meio à Copa, sem se preocuparem se haverá cadáveres midiáticos a serem explorados pelos  que patrocinam outros interesses. Isso não é mais ação de movimento social, já é coisa de seita extremista.

Todo apoio aos povos indígenas, aos rodoviários, aos professores e a todos os que lutam por uma vida melhor é o correto, com ou sem Copa.  O #naovaitercopa perdeu o sentido e os militantes sérios que insistirem nisso passarão por pastores que pregam o apocalipse, virando motivo de escárnio pelo povo. 

sábado, 24 de maio de 2014

COPA : Novos paradigmas de qualidade para o movimento social

Quando era criança ouvia dizer que os serviços públicos só iriam melhorar no dia que os mais ricos os usassem. Faz sentido. O miserável tende a achar qualquer migalha que prolongue sua vida por mais um dia como dádiva, sem questionar qualidade. O que vier está bom, como nas propagandas eleitorais onde a pessoa está num lugar deplorável mas agora tem pavimentação na rua, e diz sorrindo : "agora melhorou 100%". Se a rua se acabar na primeira chuva e tudo voltar ao que era antes ninguém ouvirá a chiadeira, afinal, para muitos aquilo foi uma concessão, ninguém lutou para merecer o benefício, etc.

Aeroporto de Brasília - novo terminal
Do outro lado, alguém que tenha tido o melhor resistirá a descer para o pior. Quem já foi a um país estrangeiro mais equilibrado socialmente e vê a sociedade com alto nível de organização fica indignado ao voltar ao Brasil, porque não entende como somos tão "atrasados". E quase todos os dessa condição pregam pela melhoria da sua vida, do seu bairro, numa perspectiva egoísta. "Quero o padrão americano para mim, e dane-se o resto", é o discurso.

Terminada a ditadura, onde não se podia reclamar e o judiciário era inexistente, criaram-se instrumentos para a exigência de qualidade, como o Código do Consumidor, os juizados, Procons, etc. A mídia também dedica espaços a denúncias e muitas pessoas ficaram mais exigentes. Hoje o comerciante já sabe que poderá ter prejuízos se vender má qualidade.

Nossos carros, por exemplo, foram chamados de carroças pelo Collor, que gostava de esbanjar tecnologia. Aí abriu a importação e o que chegou foram os Ladas russos, muito rudimentares, por causa do preço. Hoje o governo impõe cada vez mais requisitos para nivelar os veículos fabricados por aqui com os feitos no exterior. Recentemente foi imposto o airbag. Houve chiadeira, disseram que os carros iam ficar mais caros mas aparentemente isso não aconteceu. Saiu por conta do "lucro Brasil", aquela parcela de sobrelucro dos fabricantes.

Estádio Mané Garrincha - Brasília - Copa das Confederações
E a Copa com isso? Acredito que o tal Padrão FIFA tenha sido um motivador de insatisfações que levaram as pessoas às ruas e ao descontentamento que vemos agora às vésperas dos jogos, à medida que as obras e serviços vão sendo entregues. Quem faz estádios e aeroportos de padrão de primeiro mundo também faz casas populares, escolas e hospitais assim, protestam alguns. Por que o esquema de segurança da Copa não é feito o tempo todo em todo lugar? Por que o país todo não tem os BRTs, a telefonia 4G, que algumas cidades ganharam para a Copa?

Considero que um dos legados da Copa foi o estabelecimento de novos paradigmas, novos referenciais. O discurso da classe média que sequer usa hospitais ou escolas públicas denunciando que o que existe não presta alcançou os setores emergentes da nova classe média e mesmo os excluídos. Há um ódio generalizado à Copa como se algo lhes tivesse sido arrancado, como se coisas mais importantes fossem preteridas, o que é uma meia verdade. O que foi gasto e que deixará legados materiais por muitos anos não custou nem um mês do que se gasta com educação.

Uma outra consequência esperada veio da exclusão da maioria do povo do processo de decisão dos eventos de preparação da Copa. As remoções de favelas ganharam visibilidade bem como os dramas dos atingidos, incluindo os esquecidos na luta cidadã. A implantação de Unidades de Polícia Pacificadora no Rio, por exemplo, ao mesmo tempo que abriram uma nova perspectiva para a maioria das pessoas das comunidades que eram oprimidas pelo tráfico também trouxe à luz as atrocidades policiais que eram ocultas antes dos holofotes dos movimentos anti-Copa. Até os traçados de obras de mobilidade passaram a ser questionados. Tudo isso, infelizmente, muito depois das obras já estarem em andamento. Mesmo assim a manifestação popular passou aos políticos a reprovação pelo autoritarismo decisório.

A realização da Copa também é um tapa na cara dos que apostaram na incompetência do Brasil em todos os sentidos. Infundiram pela mídia nacional e estrangeira a idéia do "desastre" ou "vexame" do Brasil diante do desafio de organizar um evento dessa magnitude, por sermos uma nação de "vira-latas" que só aprecia o que fazem no exterior e se sente incapaz de fazer algo do padrão do "primeiro mundo". Esse paradigma também foi destruído. Fomos capazes de organizar uma coisa complexa como a Copa, o mundo todo vai ver isso, apesar de sermos um país com problemas sociais, etc, etc. Se podemos fazer isso, podemos mais.

Se fizemos tudo isso para um evento como a Copa, imaginem como pode ser depois da Copa?

Historiadores colocarão a Copa com uma espécie de fato gerador de mudanças que durarão por anos. Se o povo não fosse para as ruas, independentemente dos interesses envolvidos, o Congresso não dedicaria os recursos do pré-sal para a saúde e educação. A maioria queria entregar os royalties a todas as prefeituras e governos estaduais, sem "carimbar" as verbas com obrigações de uso. Com a mobilização Dilma conseguiu passar sua proposta de reserva de recursos para a educação e saúde. Mais ainda: conseguiu apoio para a aprovação do programa Mais Médicos, que hoje já cobre uma população de quase 50 milhões de pessoas.

Nas próximas lutas oriundas do "efeito Copa" estão o planejamento do uso dos recursos do pré-sal destinados à saúde e educação. O que queremos? Fazer mais do mesmo? Claro que não. Precisamos de um projeto que em poucos anos eleve a qualidade de saúde e educação, e, sem utopia, um dia elimine a mercantilização desses setores, com escolas, professores, hospitais e médicos qualificados, valorizados, com recursos materiais suficientes para desestimular a existência de planos de saúde ou escolas privadas.

O principal paradigma pulverizado foi o da submissão ao estado, aos políticos, à repressão e às máfias da mídia. Mostrou-se que dá para encarar o sistema, e a consequência que não foi completada será a radical mudança do sistema político. Nestas eleições a pauta de uma Constituinte Soberana deve segregar o joio do trigo na hora de escolher candidatos. Quem for a favor poderá ter o voto. Os contra, fora.


Talvez Blatter, Walcker e a FIFA jamais pensassem que a arrogância imperial deles pudesse trazer tantos desdobramentos na história do Brasil. Os governantes que conseguiram a Copa e a viabilizaram também devem ter percebido que se fossem começar hoje todo o processo não seria mais a mesma coisa. O povo mudou, o país mudou, e as futuras decisões terão que contar com mais participação social.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

COPA : Dilma vira o jogo e pode atrair mais ódio e terror.

Quando Felipão levou a escalação da seleção aos 800 jornalistas de todo o mundo presentes ao evento acabou a dúvida sobre a realização da Copa. A partir de então tudo o que foi dito contra ela tirará audiência do espetáculo, o que não é bom para meios de comunicação, patrocinadores e a própria FIFA.

No front político, a oposição agendou para maio a "tempestade perfeita", conjugação de fatores que levariam Dilma ao aniquilamento em plena Copa. Pesquisas maceteadas chegaram a apontar até que haveria segundo turno. CPI da Petrobrás bombando na mídia. Promessa de grande caos às vésperas da Copa. Ofensiva de ódio pelas redes sociais. Escalação de intelectuais para denegrir o governo aqui e no exterior. Propaganda de inflação em descontrole, pibinho. Campanha difamatória de Dilma nos programas eleitorais da oposição chamando-a de incompetente. E tome mentiras sobre os gastos da Copa.

Hoje a Folha fez uma conta básica e deve ter murchado muita gente que até ontem jogou pedras no governo por ter "gastado o dinheiro da saúde e educação com a Copa". Simplesmente todo o gasto com o evento, inclusive as benfeitorias de aeroportos, portos, BRTs, comunicações, segurança, tudo junto, chega ao equivalente a um mês do que se gasta com educação. Se considerarmos só os estádios, são 10 dias de orçamento. Mesmo assim, não houve um só centavo gasto pelo governo Dilma com os estádios, que tiveram empréstimos do BNDES para clubes e governos estaduais que serão pagos. Isso também já começa a ser mostrado nas redes sociais e muita gente começa a perceber que foi enganada o tempo todo.

As fichas estão caindo. Todo o terror feito começa a ser questionado. A inflação recuou e está sob controle. Os estádios ficaram prontos. Obras de grande porte de aeroportos e acessibilidade estão sendo entregues. O povo desconsidera tudo o que foi dito de negativo até aqui e coloca suas bandeirinhas e pinta ruas de verde-amarelo. A CPI da Petrobrás esvaziou-se no eleitoreirismo da oposição. Os movimentos prometidos para criar clima de convulsão não estão rendendo o esperado, já tendo sido queimados cartuchos em transportes e polícias. Até a tentativa de se apropriar do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST - como tentaram fazer no ano passado com o Movimento Passe Livre, já foi rechaçada pelos organizadores. 

Vai ter Copa. Quem diz o contrário agora é antipatizado pelos milhões que já trocam figurinhas de álbuns da Copa em qualquer esquina, local de trabalho, shopping. E até pelos hipócritas que fizeram de tudo para dar errado e já estão com os ingressos nos bolsos, esperando a hora de mandar seus selfies para as redes sociais esnobando por estar num estádio maravilhoso na Copa.

Até a Globo vai ter que suspender a campanha negativa por absoluta incompatibilidade ética com os interesses econômicos da FIFA e dos patrocinadores, que querem a imagem mais positiva possível para agregar valor a marcas e produtos. Isso, claro, se entender que cumprir suas obrigações é mais importante que sangrar o governo e estabelecer o clima golpista que cultivou até aqui. Quando acabar a Copa, em julho, estaremos às portas da eleição. E bastará botar Dilma falando das realizações e dos fantasmas do passado que uma definição no primeiro turno estará cada vez mais próxima.

E aí, o que pode fazer a oposição para evitar o "desastre" de tudo dar certo, da imagem do Brasil perante o seu povo e no mundo ser enaltecida, das pessoas ficarem felizes e desfazerem o clima de negatividade que leva ao ódio?  As pessoas sabem que o governo já fez a sua parte, e a cada dia se percebe que fez muito bem. Estão ficando orgulhosas dos seus estádios, dos novos aeroportos, das novas alternativas de transportes. Tudo de ruim que se disse está se dissipando. Só restará à oposição a radicalização.

De que forma vão fazer isso? Vaiando Dilma no estádio? Amplificar críticas no exterior via mídia bandida aliada? Botar mais famosos para falar mal da Copa? Recorrer aos mercenários para tensionar o clima com ataques a alvos que possam impedir a Copa? Terrorismo tipo sabotagem de transmissão de imagens, apagão elétrico, fechamento de estradas e avenidas impedindo a circulação de pessoas e mercadorias? Tudo junto?

Como a direita é normalmente focada nos seus mais mesquinhos objetivos e não tem muita noção de conjuntura, são capazes de tudo isso. E se conseguirem, por exemplo, impedir a realização de um jogo, essa conta vai para o o governo ou para os contra a Copa? Com o clima de contagem regressiva fazendo as pessoas gostarem do evento ou reduzirem restrições diante do inevitável, um ato terrorista teria o efeito do atentado do Riocentro: a bomba explodiria no colo da oposição. Isso seria Dilma na TV repudiando o crime, a população revoltada e a cobrança por responsáveis chamando ao linchamento político de quem fosse responsabilizado.

Ao meu ver, Dilma virou o jogo. Teve muita sorte, porque o inimigo usou de tudo e não descansou na tentativa de inviabilizar não só a Copa, mas a economia e a realização de qualquer coisa positiva. Vão continuar tentando, porque são estúpidos e incontroláveis. Cabe a todo mundo evitar essa tragédia em todos os sentidos, porque não vai ser bom para ninguém. 

MÍDIA BANDIDA 0059 : Espalhar depressão para promover a estagnação econômica e o ódio

Não há uma notícia boa para o país que a mídia bandida, partidária e dolosamente, não acrescente elementos com a clara intenção de negativar, de reduzir, de incitar a indecisão nos agentes econômicos e ao mesmo tempo fazer a pressão sanguínea dos espectadores subir.

Imagine o sujeito indo para o trabalho já na 3a condução, atrasado, indo ganhar uma merreca e ouvir esculachos o dia todo, ouve no rádio uma manchete de jornal que diz que "governo prevê que inflação ficará acima do previsto". Qual a reação esperada? "Essa porra desse governo está me lascando com essa inflação descontrolada". Já o empresário no seu carro, que saiu de casa pensando na conjuntura e decidindo sobre investimentos e estoques, ouve a notícia e  pensa logo: "vou segurar as compras, adiar a ampliação e aumentar os preços".

A manipulação do consórcio chamado PIG - Partido da Imprensa Golpista - incide diretamente sobre a Pesquisa Focus, do Banco Central, que afere as expectativas dos agentes econômicos. Em abril a pesquisa apontou que, no entender do mercado, a inflação passaria do teto da meta até o fim do ano, atingindo 6,51%. E não havia nenhum indicador forte da economia para essa opinião negativa. Desde então a inflação foi caindo e a expectativa do governo para 2014 passou a ser de 5,30%. Ontem o governo atualizou a expectativa para 5,6%, ou seja, dentro da meta, menor que a de 2013. Normal, controlado, deveria ser algo tranquilo.

Destaque de hoje vai para o Diário do Comércio com a seguinte pérola do dia: "Governo admite : Inflação será maior em 2014". Será que isso é o mesmo que o que diz a matéria:
 "O governo elevou as projeções de inflação neste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,30% para 5,60%. O novo índice consta do segundo relatório bimestral sobre as receitas e despesas da União, divulgado ontem pelo Ministério do Planejamento"

 Inflação maior que o que? Que a de 2013, que foi de 5,91%, segundo o IBGE? Como hoje as pessoas só enxergam manchetes sem ler matérias, o coitado que passar na banca e vir esse título irá xingar Dilma e se tornar receptivo a outra matéria de hoje: "Aécio sobe 6% no Ibope", notícia onde a novidade seria "Dilma interrompe queda e volta a crescer em pesquisa Ibope". Pode ser que tudo isso somado leve a uma outra manchete insólita de hoje: "Dilma sobe entre os mais ricos e Aécio melhora entre os mais pobres" .


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Manifestação de rua vende produtos?

No ano passado a fabricante de automóveis Fiat estava com uma campanha de marketing poderosa, tendo a música #vemprarua como facilitadora em meio à imagem dos veículos anunciados. Eis que, de repente, a música é apropriada por manifestações de rua e vira o hino de milhões de pessoas.

Sem ser anunciante na Copa da Fifa, contra a qual a fúria de uma parte dos protestos se focou, aparentemente teria a simpatia de um amplo setor de classe média que também se juntou ao movimento. Enquanto isso a Hyundai, patrocinadora oficial, via suas lojas sendo quebradas por ser patrocinadora.

Agora a Fiat lança nova campanha da sua linha 2015 com outra música que parece encaixar-se com o contexto de protestos, mais uma vez convocando à rua. A questão que levanto é se houve realmente ganhos no ano passado para a Fiat e perdas para a Hyundai. Os números da ANFAVEA não mostram isso:

CARROJANEIROFEVEREIROMARÇOABRILMAIOJUNHOJULHOAGOSTOSETEMBROOUTUBRONOVEMBRODEZEMBROTOTAL
1VW Gol223371571519227215811995522541221222262022060217202036124828255067
2Fiat Uno180241110915235174631835216325158781407914528144101585213114184369
3Fiat Palio173581313014041166541547414086167191516712896133141386614319177024
4Ford Fiesta Hatch72155550913983191139512994143751354111992132641264216299136725
5VW Fox/CrossFox12436859597281197910626138061102910439964310372939811887129938
6Fiat Siena98506820855810405107489580108341268612647123781157913747129832
7Fiat Strada10204821990031174511081117641089311657112178822695011313122868
8Hyundai HB209029101781253612118963184081042895378671104681006611318122388