terça-feira, 19 de julho de 2011

Monopólio imobiliário encarece preços nos aeroportos

Hoje passou no Bom Dia Brasil uma matéria sobre os altos preços de alimentação cobrados nos aeroportos brasileiros. Uma refeição num aeroporto pode custar o dobro do que se cobra fora dele. Aqui no blog já tínhamos falado da cerveja mais cara do mundo, na Devassa no aeroporto de Guarulhos - SP. No fim da matéria disseram que a INFRAERO que licita os espaços, e que o PROCON diz que o comerciante pode cobrar o que quiser, e o consumidor tem a opção de não comprar.


Aí vêm duas meias verdades: o consumidor, num aeroporto, não tem outras opções a não ser as oferecidas pelas lojas locais. Há algum tempo até tinha (não sei se ainda tem) um restaurante malocado em Congonhas, que era o lugar onde os funcionários comiam, com preços mais "normais". Isso se repete nas paradas de ônibus nas estradas, em especial nas de propriedade das próprias empresas de transporte, quase sempre em lugares ermos, sem qualquer opção. Daquelas com a papeleta que cisma de sumir, obrigando o usuário a pagar multa.

Com os shoppings também acontece algo parecido, mas existe alguma concorrência. Primeiro, porque os shoppings hoje estão em áreas urbanas, onde há lojas de rua próximas. O cliente vai lá pela comodidade, segurança, estacionamento, variedade, e paga um preço por esse diferencial.

Tanto nos aeroportos, onde há o monopólio da INFRAERO de todos os espaços, como nos shoppings, onde há em geral uma só empresa dona de tudo, os preços dos aluguéis comerciais situam-se muito acima do mercado do entorno, quando existe. Essa realidade não mudaria com a privatização de aeroportos. Apenas teríamos um novo algoz monopolista, que poderia cobrar até mais, porque o interesse da mídia termina na privatização. Depois, não interessa mais fazer matérias sobre o assunto.

Alguns exemplos: tive acesso a preços de locação de um shopping em Fortaleza, há uns 6 anos, e o espaço para uma carrocinha de pipoca, daquelas que ficam no meio do corredor, era de R$ 2.500,00. Imagine quanta pipoca terá que ser vendida só para pagar o aluguel. Fora outras despesas condominiais. Ou a que preço um saquinho terá que ser oferecido.

Outro, agora com a INFRAERO, num aeroporto do nordeste, pude ver que qualquer coisa num aeroporto rende receitas para o órgão público, desde as taxas de embarque ao uso dos hangares, e principalmente dos espaços comerciais. Até aqueles totens, mídias verticais que ficam pelos corredores com propaganda, pagam uma boa nota para ficarem ali. E os "slots", que são as autorizações para operação de empresas? Só para ter idéia da fortuna que valem esses direitos, a Gol comprou agora a Webjet nem tanto pelas rotas ou pelos aviões, mas pelos "slots" que tem nos diversos aeroportos.

Como é que os preços de aluguéis sobem num aeroporto? Por serem áreas públicas, tem que haver licitação. OK. Mas qual o preço mínimo, estipulado pela Infraero? O preço de monopólio, ou seja, qualquer preço alto, que varia conforme a atividade que determine no seu "mix". Não se pode botar qualquer coisa em qualquer lugar. Lugar de banco é para alugar a banco. Comida é na praça de alimentação. Sai um, entra outro do mesmo ramo.

Como esses espaços são cada vez mais concorridos, com a crescente demanda por viagens aéreas, os participantes de uma licitação dão lances muito altos para garantir seus espaços. E depois, como fica, se paga por metro quadrado num aeroporto muito mais que numa loja de rua ou shopping, como pagar?

Os preços dos produtos terão que subir, é obvio, porque comerciante não é pródigo, quer lucrar com o seu empreendimento. Ele vai colocar o valor do aluguel e das despesas condominiais junto com as de pessoal, insumos, lançar o seu lucro sobre o capital em cima de tudo e aí vai formular a tabela de preços para ter as margens em cada produto. É por isso que uma loja de uma mesma rede cobra mais barato num bairro onde há imóveis mais baratos que no centro da cidade, e menos que num shopping. Os preços são uma função dos custos e do fluxo de clientes.

É nessa que um refrigerante vai a R$ 5,30, um cafezinho expresso vai a R$ 3, 00, um copo de cerveja de 500 ml vai a R$ 12. E a INFRAERO diz que nada mais faz que licitar, seguindo o mercado, que não existe: ela sabe usar o seu monopólio direitinho para arrecadar. Tem mais "expertise" nisso que em serviços aeroportuários propriamente ditos, cuja qualidade muitos já conhecemos ou ouvimos falar. E não é só a INFRAERO: em todo o mundo, mesmo em aeroportos privatizados, como o gigantesco Heathrow, em Londres, as tarifas de embarque são escorchantes e os preços cobrados nas locações empurram as empresas para aeroportos mais longínquos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A nau sem rumo é do PSDB

Aecinho, aquele menino que mora no Rio e engana os mineiros dizendo que é de lá, depois de cair do cavalo e perder a carteira de motorista ficou nervosinho e, na falta do que dizer, falou que o governo Dilma "é uma nau sem rumo", porque já teve três ministros derrubados, etc.


Sem rumo é o partido dele, que todo dia perde antigos líderes, que se vê a todo momento envolvido em denúncias de corrupção em São Paulo (sem apuração, porque não deixam haver CPI nem saem na Globo), e afunda junto com a extrema-direita do DEM. Isso sem falar no papel de quinta-coluna do Zé Serra, que a todo momento esculhamba os planos da turminha de Aécio.

Nau sem rumo? O governo Dilma continua apresentando os bons resultados em todas as áreas, iniciados no governo Lula: PIB crescendo, pleno emprego, elevação de renda, facilidades para aquisição de bens de consumo e imóveis, classe média crescendo como nunca, economia passando ao largo da crise dos EUA e da Europa, muita gente viajando ao exterior, programa de erradicação da miséria em andamento, obras do PAC bombando. Mesmo com os escândalos recentes, Dilma continua crescendo em popularidade. Qual rumo, Aécio?

O PSDB é que está sem um norte. Não tem mais programa. Não tem mais como mentir milhares de vezes para tentar emplacar que tudo que aí está é herança do FHC, pois a morte de Itamar trouxe à tona a verdadeira autoria do Plano Real. Não tem perspectiva eleitoral, porque o governo e a base aliada dominam todo o espectro, podendo crescer mais ainda em 2012 em cima das ruínas demo-tucanas. Aecinho, arruma uma assessoria melhor, se não tem condições de fazer uma análise mais realista da conjuntura. Ou então pede ajuda ao Ibama, porque o tucanato é que está em extinção.


Brasília : novo calçadão da Asa Norte tem falhas









No extremo da Asa Norte, próximo à Ponte do Bragueto, era comum ver dezenas de pescadores à beira do lago, driblando a falta de local para estacionamento, mais os ratos e cobras das encostas para poderem pescar. Depois de 15 anos que foi concebido o projeto Orla, finalmente se fez algo para qualificar aquele espaço, recentemente inaugurado pelo governador Agnelo Queiroz (PT), mas que tem muitas falhas, tanto de concepção como de obras.


Como é recente, deve estar correndo o prazo para correção de defeitos e imperfeições dos trabalhos executados, por isso a nossa crítica é construtiva no sentido de facilitar o trabalho dos gestores do contrato e da fiscalização de obras até o recebimento definitivo. E fornecer "feedback" aos projetistas para a suplementação dos equipamentos necessários e que fazem falta aos usuários.

O que se vê é um pier em peças de madeira com mais de 700 m, largo, que tem uma grade de metal em todo o seu comprimento para isolar o barranco e o trecho de lago que fica compreendido entre a passarela e a pista de automóveis. Além do acesso pelo estacionamento, há mais duas entradas ao longo da pista, em locais perigosos, onde não há calçada, apenas um alto "guard rail". O calçadão termina no nada, sem um acesso à pista ou calçada.

O estacionamento estava lotado ontem (domingo), apesar de vermos poucas pessoas no complexo. Deve ter umas 100 vagas, muito pouco para o tamanho do espaço público, pois não é fácil chegar lá a pé nem de ônibus. Há dois espaços de convívio, com umas 10 mesas de piquenique e cobertura de palha. Tem também um parquinho infantil e uma área de equipamentos para ginástica. O que existe melhorou muito a área, abrindo-a a outras pessoas além dos corajosos pescadores que se arriscavam por ali.

Nitidamente se notava que o número de pessoas envolvidas na atividade de pesca era menor que o dos demais que ali passeavam, e as dimensões do pier, em especial a largura, demonstram que a intenção do projeto seria de uma ocupação bem mais intensa.

As principais falhas: falta de banheiro, bebedouro, sombras para acomodar todas as famílias que ali faziam piqueniques (recorriam às poucas árvores, improvisadamente), de locais para adquirir água e alimentos (ocupado informalmente por vendedores ambulantes, que sequer traziam suas lixeiras).




Em 700 m de pier, existiam apenas 4 bancos e 7 lixeiras! Mesmo as pessoas mais conscientes, que recolhiam seu lixo em sacos, não tinham onde dispor os resíduos, com as lixeiras entupidas. Acabavam colocando sacos ao lado delas. Ou simplesmente jogando o lixo no lago ou deixando-o nas áreas do parque.

Do lado positivo, o acesso ao pier tem rampa que permite a descida de pessoas com deficiências físicas. Do calçadão se tem uma bela vista do lago e, do outro lado, do bairro Lago Norte, com belas mansões. Falando nelas, muitas ocuparam a orla e anexaram as margens aos seus domínios, que são públicas, mas ainda não nasceu nesta cidade ou nela ocupou cargos de destaque alguém com coragem para mexer com as usurpações desses barões.

Apesar do lago ser propício ao remo, não há uma plataforma ou flutuante mais próximo ao nível do Lago Paranoá para colocar um bote ou caiaque na água.


Do lado ambiental, quando o vento sopra da central de tratamento de esgotos da CAESB no sentido do parque, o cheiro é muito desagradável, mas não é sempre que acontece. Não há informações no local sobre a balneabilidade, apesar de várias crianças brincarem na água.

Falando das obras, já encontramos pelo menos 7 peças de grades arrancadas por fixação deficiente, e algumas rachando na solda junto à base. Muitas fixações coincidiram com o aparafusamento do pranchado do pier, havendo bases com apenas 2 dos quatro parafusos previstos. O madeiramento está nitidamente desnivelado. Uma das duas luminárias altas do pier já foi arrancada. As luminárias dos bordos do pier têm fiações expostas. A placa inaugural ou não foi colocada, ou já foi arrancada, pois só há o pedestal, impossibilitando até de dizer o nome do espaço.

Conversamos com algumas pessoas, e o comentário era o mesmo: melhorou bastante, mas o que está feito cria uma expectativa de ocupação para a qual não há infra-estrutura. A falta de policiamento já permite prever a insegurança, em especial à noite. Na inauguração, o governador falou que ainda será feito um posto de policiamento, um quiosque e uma biblioteca, mas a defasagem pode trazer problemas para os usuários. Não falou em banheiros.

No Brasil se faz obras públicas parciais, até sem um plano diretor para orientar o conjunto, e depois se vai fazendo complementos à medida das reclamações. Em geral a culpa é da falta de verbas, e as obras são feitas a toque de caixa quando aparece alguma. O calçadão, no caso, é considerado uma das obras para a Copa de 2014 em Brasília. A cultura da falta de planejamento é a mesma que faz aprovar legislação para licitar obras sem projetos, consolidando mais ainda a imprevisão e abrindo brechas para a má qualidade, superfaturamentos e corrupção.

domingo, 17 de julho de 2011

Time do Mano e da CBF passa vergonha

Motivação supera técnica. É a lição dos paraguaios na desclassificação do Brasil nas quartas de final da Copa América. Cada paraguaio jogou para honrar a camisa, para superar a deficiência técnica individual dos jogadores em relação aos brasileiros. Botaram raça em cada pênalti batido e em cada defesa do excepcional goleiro Villas. Agora é aturar mais Mano dizendo que na próxima melhora, mais Ricardo Teixeira minimizando os prejuízos, e mais afastamento da torcida em relação ao time que deveria representar o país. Essa vergonha tem que ser paga por eles.

Itália : Pacote econômico vai ter reações

Falando em reação, tudo que tenho recebido sobre a Itália é um monte de e-mails de reacionários dizendo que "cresce o movimento para a Itália não participar da Copa de 2014 por causa da não-extradição de Battisti" ou que "Massa vai sair da Ferrari por causa disso", e ainda que há protestos e manifestações contra o Brasil.


Se há isso tudo, não é muito relevante, porque só a nossa mídia colonizada repercute. O importante é o que vem por aí: o governo Berlusconi, rápido como se furta (e como furta!), aprovou um pacote de medidas econômicas com as mesmas maldades do padrão FMI : arrocho salarial, aumento de impostos, corte de despesas sociais, destruição da previdência, privatizações, demissões, etc. A idéia era mostrar ao mundo, antes de chegar à insolvência, que a Itália não é a Grécia.

Só não combinaram com o povo, que logo vai começar a sentir o tamanho da coisa. Nas consultas médicas nos hospitais públicos já vão ser cobradas tarifas, e as pessoas começaram a protestar. Logo teremos na Itália ondas de protestos como na Grécia, contra a população pagar o preço das dívidas armadas pelos governos perdulários de direita em conluio com banqueiros. É só esperar.

DF : Peixe exótico no Lago Paranoá



Conheci hoje o novo parque construído à beira do Lago Paranoá, no extremo da Asa Norte, e achei curioso o fato de duas mulheres, em lados opostos de uma passarela que leva ao cais de barcos, pescarem mais que todos os demais pescadores do local. E só pescavam um peixe que chamava a atenção por ter uma espécie de segundo olho, junto à guelra, preto com uma pestana vermelha.

Perguntei se sabiam qual era o tipo, disseram que não sabiam, um outro pescador também desconhecia, e também não tinha idéia de ser comestível. Os peixes tinham mais ou menos uns 10 cm de comprimento.

Tirei a foto ao lado, pesquisei na internet, e suponho que seja um peixe americano, de origem no norte do Texas, chamado Redear Sunfish. A espécie gosta de águas mornas, e se reproduz em nichos no fundo de rios e lagos, razão pela qual apenas as duas mulheres conseguiam pescá-los, pois deviam estar bem em cima de um desses locais. O nome científico é Lepomis Microlophus. Cresce até uns 25 cm.

Como é que esse peixe foi parar ali? Certamente não foram as autoridades ambientais que colocaram lá, pois essa espécie alienígena poderia concorrer com espécies nativas. A introdução de animais exóticos nos meios naturais é proibida. O mais provável é que tenha sido aquela ação meio inocente, de gente que precisa viajar e tem que se livrar dos peixes do aquário, e vai com a criança até o lago e transfere os bichos como se fossem se adaptar tranquilamente. Alguém deve ter trazido dos Estados Unidos e assim ele foi parar lá.

Se é comestível, não encontrei nenhuma negação. O fato é que há sites que ensinam como pescá-lo, e por isso mesmo, se alguém pega, é porque come. No Yahoo há essa questão, respondida positivamente por quase todos, mas há quem prefira deixar o peixe como decoração de aquário. Evidentemente que eles falam do peixe adulto, não dessas piabinhas que estão na foto, difíceis de fazer um filé.

Termino esse post lembrando da Rádio Relógio Federal, que funcionava (não sei se ainda tem) informando a hora certa a cada minuto, e entre um e outro rolava um "você sabia?" com informações absolutamente bizarras. Era a chamada "cultura inútil". Já que gastei tempo pesquisando sobre o peixe, seria egoísmo não compartilhar com os meus amigos leitores.



sábado, 16 de julho de 2011

Lucro Brasil encarece veículos e outros bens

Virou um mantra : "os carros brasileiros são dos mais caros do mundo por causa da carga tributária, o tal do Custo Brasil". Não é essa a verdade. Nos últimos anos, houve redução da incidência de impostos sobre os veículos comercializados no Brasil, e mesmo assim pagamos o dobro do preço aqui por um veículo que exportamos para o México. Quem é mesmo o vilão?


Não é a escala de produção. Somos hoje o 4° produtor mundial de automóveis. Não é o salário : temos um dos menores para o setor, no mundo. Não é o imposto, que é alto mas não explica tudo. Sobra para a margem de lucro das montadoras, excessivo em relação ao praticado no resto do mundo. É o tal Lucro Brasil. Um executivo de montadora chegou a questionar : "por que baixar o preço se o brasileiro paga?".

O troco vem da pior maneira possível: os carros chineses estão chegando com boa qualidade, com acessórios e preço baixo. O resultado já é visível: os preços dos automóveis fabricados aqui começaram a cair. No início do ano procurava um carro com air bag, ar condicionado, direção hidráulica, e os preços mais razoáveis apontavam para R$ 40 mil. Hoje já vejo ofertas por R$ 36 mil.

Aí começa a política patronal a fazer os trabalhadores de instrumento para barrar as importações com o discurso da desnacionalização da indústria. Até passeata os operários fizeram noutro dia fechando a via Anchieta, em São Paulo, com o aval dos patrões, que usam como trunfo a ameaça de cortes de empregos e arrocho salarial para garantir seus privilégios. É terrível para o país a compra de veículos, mesmo fabricando similares por aqui e exportando, mas também não se pode fazer reserva de mercado para garantir os lucros escorchantes dos fabricantes, nem manipular trabalhadores para isso.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EUA : China "comunista" quer garantir seu capital...

Mais um desses lances onde o urubu de baixo defeca no de cima: diante da ameaça de calote americano, o governo dito comunista da China exigiu do pessoal de Obama responsabilidade para honrar os títulos da dívida pública e com o déficit público. Quando o comunista começa a cobrar do capitalista que honre as rendas do seu capital, é que a gente vê que o mundo está ficando muito imprevisível.


Há alguns anos, o evento mais badalado para a economia mundial não é mais a reunião do G-8, mas o Congresso do Partido Comunista Chinês. De fábrica a locomotiva do mundo, a China é o grande "player" do capitalismo, tomando o lugar de protagonista dos norte-americanos. O governo chinês controla a maior reserva de mais-valia do planeta, oferecendo mão-de-obra extremamente mais barata que nos países capitalistas para assegurar altos lucros aos investidores, que racham os resultados com o estado dito comunista. O Vietnã também entrou nessa, e Cuba está na fila.

Da parte dos americanos, o que se vê é o habitual desprezo com o que acontece no "resto do mundo". Democratas e republicanos engalfinham-se de olho nas eleições de 2012, e não se importam se o mundo capitalista está de cabelos em pé esperando pelo que vão resolver até o dia 2 de agosto, data programada para começar o calote americano: títulos públicos poderão não ser honrados, funcionários podem perder seus salários, tropas podem ficar sem suprimentos, o pouco de saúde pública pode ficar sem recursos, enfim, o caos.

Aposto que não chegarão a isso, mas irresponsavelmente levarão os mercados à loucura, pensando apenas no umbigo deles. Será que ainda veremos os americanos expropriando o capital chinês? Marx, Engels, Lenin e outros devem estar se levantando das covas com um paradoxo desses. Bem que os republicanos dizem que o Obama é meio comunista. Pelo visto, mais à esquerda que os chineses.

O último Harry Potter


Estréia hoje em lançamento mundial o último filme da franquia Harry Potter, com milhões de fãs se amontoando para ver em pré-estréia. "Harry Potter e as relíquias da morte - parte 2" promete engordar mais um pouco os bolsos da autora J.K. Rowlings e dos produtores. Em 10 anos, foram mais de US$ 20 bi em faturamento.


Assisti todos e gostei, principalmente dos efeitos. Fantasia não tem idade. Fanatismo é outra coisa. A Universal Studios em Orlando criou um parque temático de Harry Potter. Adolescentes faziam filas para comprar os livros até em inglês nas livrarias brasileiras. De tudo isso, uma coisa muito positiva: o hábito de ler entre os jovens teve sua vez com os livros da saga.

Em Londres, na estação ferroviária King Cross, Harry Potter foi materializado com a representação da Plataforma 9 3/4, que no filme era o ponto de passagem da cidade real para o mundo da fantasia, onde se pegava o trem para a escola de bruxaria e magia de Hogwarts. Os personagens tinham que entrar por uma parede para chegar lá. Quem quiser conhecer o local, vai ter que ralar, porque fica escondido e as pessoas têm dificuldade para indicar onde é.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Risco cambial - BC previne novos casos "Sadia"

O noticiário dos últimos dias fala da operação de fusão entre as duas maiores beneficiadoras de alimentos do país - Sadia e Perdigão - aprovada pelo CADE com restrições. O que poucos se lembram é de como começou o processo. A Sadia apostou no câmbio baixo, mas com a crise americana, em setembro de 2008, o dólar disparou e a empresa teve que registrar pesados prejuízos no seu balanço, fazendo o preço das suas ações derreter. A saída para não quebrar foi a proposta de fusão com a sua maior concorrente, a Perdigão, esse processo que agora está terminando.


Outras empresas quase quebraram quando o dólar subiu. A Aracruz Celulose foi outra que entrou na jogatina do mercado de derivativos de câmbio, apostando na valorização do real ante o dólar. Ao contrário da expectativa, o dólar subiu 18% em setembro de 2008, trazendo prejuízos. Podemos ter o mesmo, de novo? Sim, e o Banco Central já trabalha com essa possibilidade, restringindo as apostas dos bancos na queda do dólar. Limitou o volume de depósito compulsório sobre os bancos que ultrapassem R$ 1 bi em posição vendida, ou seja, que aposta na continuidade da apreciação (valorização) do Real.

Essa sinalização do Bacen vem de análises de cenários que apontam para mais turbulências nos mercados internacionais a curto prazo. A enxurrada de dólares que chega por aqui tem a ver com a baixa atratividade das taxas de juros praticadas nos países capitalistas centrais - na base de 1%. No Brasil esses capitais encontram maiores retornos tanto na atividade produtiva como na especulação do mercado financeiro, por isso há excesso de oferta e a queda do preço do dólar no mercado flutuante. A crise na zona do Euro aumentará as taxas de juros em vários países, podendo haver reversão de fluxo e consequente desvalorização do Real.

Além disso, há uma bomba-relógio ativada no mercado. Se até 2 de agosto o congresso norte-americano não aumentar o teto da dívida pública, títulos emitidos pelo governo americano deixarão de ser honrados, ou seja, moratória ou calote. Para atrair novos recursos para financiar seus déficits, os americanos serão forçados a aumentar as taxas de juros, mesmo que as agências classificadoras de risco mantenham o maior nível de investimento. Como os títulos americanos são considerados os mais seguros do mundo, capitais em busca de tranquilidade em meio às incertezas dos próximos anos certamente optarão por migrar para lá.

Caso tenhamos esse cenário, o Brasil também terá problemas para financiar suas dívidas, e o governo poderá aumentar as taxas de juros, freando a economia. Outra razão para esse movimento seria a inflação, que viria pela perda de competitividade dos produtos estrangeiros no mercado brasileiro, deixando os produtores nacionais à vontade para aumentarem seus preços.

Além disso, haveria uma inflação de custos em diversos setores, pois muitos insumos importados ficariam mais caros. Com a fuga de capitais a partir de melhores oportunidades externas, as bolsas também sofreriam impactos. Do lado positivo, as exportações brasileiras teriam mais competitividade mas, com uma eventual recessão americana, nossos clientes também diminuiriam suas compras. O Banco Central está dando o recado para que depois não haja choradeira.

EUA : O calote é possível

Se até o dia 2 de agosto não houver acordo entre o governo e a oposição para elevação do teto da dívida americana, pagamentos poderão deixar de ser honrados. No popular: a nação mais rica do mundo pode dar um calote! O governo Obama apresenta como solução criar novas receitas a partir da cobrança de impostos dos ricos (que pagam muito pouco) e das empresas de petróleo. A oposição quer que o governo corte gastos sociais para não aumentar impostos.


Diante do risco de moratória americana (quem diria!), a agência de classificação de riscos Moody's pôs a nota dos EUA em revisão, e pode baixá-la. O governo Obama considera que se a autorização para gastar mais que o estimado no orçamento não vier, o país entrará em nova recessão, haverá aumento dos juros e consequente dificuldade na rolagem da imensa dívida pública. Uma recessão americana significará redução de compras no exterior, com impacto duplo sobre o Brasil, nas importações diretas e na queda de produção chinesa, com reflexos nas exportações brasileiras de minérios e alimentos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

River Plate vai usar camiseta digna de segunda divisão

O tradicional clube argentino, rebaixado neste ano para a segundona do campeonato nacional de lá, apresenta como plano para evitar que a história registre sua camisa durante o rebaixamento, usando uma faixa de luto em vez da diagonal vermelha. Tudo a ver. Fica igual à de um time carioca de segunda categoria. Só vai faltar a cruz de malta.


O ditador da CBF que faz o Brasil de refém

O time de Mano Menezes tem bons craques mas não tem tática. Jogadores parecem fazer parte de uma vitrine para valorização de seus passes, sem muita ligação com a camisa verde-amarela que ostentam, e que representa uma nação de 200 milhões de pessoas. Escândalos de compra de votos na FIFA. Copa do Mundo com imensas suspeitas de corrupção. A torcida brasileira cada vez mais clubista, perde identidade com o que já foi a Seleção Canarinho. Cada vez mais o esporte que já foi a paixão nacional vira negócio onde alguns poucos ganham, usando os brasileiros como tolos espectadores pagantes. Quem explica isso?


Ricardo Teixeira, o ditador da CBF, é a resposta. Sua entrevista na revista Piauí n° 58 mostra do que já foi, é e será capaz. O pior de tudo é que todos nós, que pagaremos a conta da Copa e poderemos ter novos fracassos em campo com seleções cada vez mais orientadas a atender patrocinadores de passes e mídia televisiva, não temos como mudar nada disso, de forma democrática. Aqui vão algumas das suas declarações da entrevista, só para termos idéia de como estamos virando reféns da tirania dos cartolas do futebol:

AS DECLARAÇÕES DE RICARDO TEIXEIRA

"Caguei montão [para as denúncias da imprensa]. O neguinho do Harlem olha para o carrão do branco e fala: ?quero um igual?. O negro não quer que o branco se f... e perca o carro. Mas no Brasil não é assim. É essa coisa de quinta categoria"
"Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou"
"Esse UOL só dá traço. Quem lê o Lance? Oitenta mil pessoas? Traço. Quem vê essa ESPN? Traço"
"Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional"

Fusão Pão de Açúcar / Carrefour já era

Tem horas que o BNDES parece mais um desses bancos comerciais privados, que entram em qualquer jogada para ganhar dinheiro, não se importando com outros aspectos da transação. O importante é emprestar e receber com segurança, não importa o que o empreendedor venha a fazer com o dinheiro. Assim parece ter sido o apoio ao empresário Abílio Diniz na sua proposta de compra do Carrefour pelo grupo Pão de Açúcar.


Que duas empresas privadas queiram se fundir, tudo bem, os ônus e bônus serão delas. Se um sócio não concorda e começa a denunciar o outro por rompimento de contrato e postura anti-ética, o contribuinte não tem nada a ver com isso. Agora, quando a viabilidade da transação só aconteceria pela participação de um banco público, que certamente tem outras prioridades de financiamento, a coisa pega.

Além do mais, patrocinar a concentração do ramo de varejo de alimentos, num país onde a coisa que mais rapidamente se organiza, sem burocracia, é quadrilha, oligopólio ou cartel de qualquer coisa, é jogar contra o interesse público. O BNDES deveria, ao contrário, financiar novas redes de supermercados, ampliando a concorrência.

Durante semanas o BNDES foi fritado por causa da participação nesse negócio nebuloso, até que a presidente Dilma bateu na mesa e mandou que Luciano Coutinho retirasse o banco da jogada, alegando que o negócio só contaria com o apoio do BNDES se fosse pacífica a transação entre os sócios do Pão de Açúcar. Uma boa desculpa para cair fora.

Transportes : Dilma esculacha PR

Ponto para a presidente Dilma no caso da corrupção do Ministério dos Transportes: apesar do chororô do Partido da República, que seria beneficiário de um "pedágio" de 4% nos contratos do ministério, nomeou o secretário executivo do órgão, filiado ao PT "pero no mucho", pois arrasta a asa para o PT. A direção do PR chiou, dizendo que Paulo Sérgio Passos não contempla o partido, mas no final entubou, para não sair muito mal do episódio. O fato é que Dilma esculachou o PR pela bandalheira e, para manter as aparências e não criar tensão na base aliada, manteve alguém do PR que não representa sua cúpula.


O novo ministro disse que agora vão fazer licitações com projetos executivos para minimizar erros de orçamento e irregularidades nas obras. Nada mais óbvio, normal, dentro do espírito público: realizar licitações com objetos claramente definidos, para obter orçamentos feitos em bases isonômicas, mas no Brasil isso parece uma grande novidade frente à "normalidade" de comprar obras e serviços sem projetos. Seria um avanço.

No seu discurso, Passos também falou em adotar o regime de empreitada por preço global para as obras, acreditando que o preço se tornaria imutável a partir da contratação. Com projetos executivos bem claros, e o risco de eventuais alterações não previstas assumidos pelo empreiteiro, isso seria razoável. A questão é que as licitações têm projetos mal feitos, rascunhos de fato, que não permitem a boa quantificação nem a verificação da adequação das soluções técnicas, criando omissões ou demandas de alterações que depois serão cobradas pelos construtores na forma de serviços extra-contratuais.

O que precisa acabar é com o regime de empreitada administrada que existe na prática, que não é previsto na lei 8666 e portanto, irregular, que faz com que as obras sejam pagas por medições a partir de preços unitários. Aí é que a corrupção tem terreno fértil para prosperar, porque tais acréscimos são de difícil verificação pelos órgãos fiscalizadores.

Passos foi ministro interino por um ano, no governo Lula, sem mudar nada do que havia antes. Talvez agora, com Dilma na sua cola, faça algo que mude a tradição de corrupção no ministério e faça as obras saírem em preços normais e nos prazos acertados.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Trem-bala : Nova licitação pode minar cartel de empreiteiras

Ontem nenhuma empreiteira apresentou proposta para a construção da linha de trem de alta velocidade que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas. Dias antes, as principais empreiteiras do país exigiram que o governo aumente sua parte no investimento, ou boicotariam o leilão. Querem que o governo entre com R$ 30 bi, e as empreiteiras, apenas R$ 3 bi, mesmo com direitos à operação do sistema, etc.


O governo federal parece não ter se intimidado com o cartel. Realizou o leilão, que não teve proposta, e agora fará novo edital, dividindo o certame em duas etapas: na primeira será escolhida a tecnologia do sistema ferroviário e a operação do trem por . Na segunda etapa, serão licitados trechos de obras de infra-estrutura, o que estimulará a competitividade com a redução dos valores envolvidos em cada trecho.

A maior vantagem desse novo formato deve ser a apresentação de propostas de projetos mais consistentes e detalhadas que os rascunhos até aqui usados nas licitações, que não permitem a orçamentação precisa. Com projetos em mãos, licitar a infra-estrutura terá menos risco de dispersão de preços por indefinições orçamentárias e coibirá a formação de sobrepreços a partir de jogadas de cartel.

Hoje já se estima que o trem-bala levará seis anos para ser construído, a um custo de R$ 35 bi, nas contas do governo, e de R$ 55 bi, na conta dos empreiteiros. É dinheiro demais para uma obra não tão prioritária ser licitada em cima de rabiscos feitos em papel de pão. A mídia dos empreiteiros (a mesma dos banqueiros e dos endinheirados em geral) destaca que sem o governo ceder, "ajudando" o cartel, não haverá trem-bala.

Se deixarem também com uma galera da área de transportes que gosta de cobrar um pedágio (não o da estrada, mas percentual para partido), teremos o aumento de preços e um "trem-bola" saindo do tesouro nacional direto e rápido para alguns bolsos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Passagens aéreas baratas com dias contados

Vem aí a compra da Webjet pela Gol. A Gol passa a ter 42% do mercado, que já tem a TAM com 44%, ou seja, , um telefonema entre executivos pode determinar os patamares mínimos para a concorrência. No popular: oligopólio, quase cartel.


Como o CADE é dessas estruturas como as agências reguladoras, que ninguém sabe exatamente para que serve, porque não atua contra a concentração dos mercados, em breve teremos passagens mais caras, pois as empresas restantes não têm acesso a boa parte dos aeroportos, nem redes em todo o país e no exterior.

Talvez agora acabe o "caos aéreo", com preços proibitivos das passagens. As rodoviárias devem voltar a ter movimento, as empresas de ônibus interestaduais vão poder melhorar suas margens de lucro, a TAM e a GOL não vão mais precisar fazer ofertas e a culpa será da Dilma. As obras de ampliação dos aeroportos poderão gerar elefantes brancos, e a culpa será também da Dilma.

Rio : Engenhão não tem manutenção adequada



O estádio do Engenhão é municipal. Foi construído para os Jogos Panamericanos de 2007, e posteriormente arrendado ao Botafogo por 20 anos (até 2027), a quem cabe manter o patrimônio público em perfeitas condições de uso. Não é o que está acontecendo. Nos últimos jogos noturnos, houve faltas de energia, apagando tudo e interrompendo as partidas. Por conta desse desleixo e de súmulas de jogos indicando as falhas, o estádio esteve a ponto de ser interditado pelos apagões.


O CREA-RJ questiona a administração do estádio até por não ter responsáveis técnicos pela manutenção dos sistemas e equipamentos.

O resultado é que agora resolveram antecipar os jogos para as 16h, reduzindo o risco de apagões. Esse paliativo obriga uma das torcidas a ficar com o sol na cara até a metade do segundo tempo, porque uma de suas arquibancadas laterais fica diretamente voltada para o poente. Mesmo num dia frio como ontem, o calor era considerável. E também traz economias para o Botafogo, com o menor uso de energia para os holofotes.

Outros sinais de desleixo são visíveis. O placar, que já é péssimo, sem uma informação preciosa que é o tempo de jogo ou simplesmente a hora (o velho Maracanã, nos tempos primórdios, tinha um relógio), está com falhas no display. Um dos telões já tem um dos seus painéis com defeito. Será que vão consertar essas "pequenas coisas" até os Jogos Mundiais Militares, que começam em poucos dias, o terceiro maior evento esportivo do mundo?

Rio : Ingressos somem no Engenhão




Felizmente já tinha ingresso para ver o Fla x Flu de ontem, no Engenhão, porque um amigo correu atrás com antecipação. Nas bilheterias do estádio havia pessoas da organização do jogo dizendo que não haveria mais nenhum lote para vender, deixando muita gente de fora. Havia vários cambistas, mesmo assim, vimos uma mulher ser presa vendendo ingressos com ágio acintosamente em frete às bilheterias, onde as pessoas ainda tinham esperança de ver ingressos à venda (foto).


Os nossos ingressos sequer tinham a numeração de fileiras e cadeiras, só indicando o setor. Dois setores do estádio estão fechados, os que ficam atrás dos gols, já sendo preparados para a abertura dos Jogos Mundiais Militares que acontecerão no Rio nos próximos dias. Setores de baixa capacidade. A grande quantidade de pessoas fica alojada nas arquibancadas laterais, inferiores e superiores.

Quando os telões anunciaram o público e renda, veio aquela gargalhada irônica geral: 18 mil e poucos pagantes, e 25 mil e poucos presentes. Cadê o resto? Do lado da torcida do Mengão ainda se viam, nas extremidades, alguns lugares vazios, cerca de 10% do total. Do lado do Fluminense, as extremidades estavam praticamente vazias, com concentração de público no centro, como mostra a foto.

Essa bandalheira com ingressos não é nova. O mando do jogo era do Fluminense, cuja torcida já havia denunciado, em outras oportunidades, a bandalheira com ingressos adquiridos por cambistas em lojas, para revenda com ágio na internet. O esquema envolve até policiais e dirigentes, além dos cambistas. Com o esgotamento dos ingressos normalmente vendidos em poucas horas, e a reserva de boa parte para venda por cambistas, os preços sobem muito, garantindo bons lucros a toda a quadrilha. E prejuízos aos torcedores.

Segurança : Farmácia não é banco!

Em São Paulo 222 farmácias foram assaltadas em 2010, e a tendência é de crescimento desses números. A principal motivação é o cofre cheio de dinheiro, não da venda de remédios, boa parte paga em cartões de crédito, mas de pagamentos de contas feitos nos seus caixas. Também levam remédios de fácil revenda, como anticoncepcionais, estimulantes sexuais e "bombas" para a galera da malhação.


Assim como nas loterias, os riscos de transações de natureza bancária estão sendo repassados, ao arrepio de toda a legislação do setor, seja de segurança ou trabalhista, para as farmácias. E também para os lojistas que aceitam nos seus estabelecimentos os caixas eletrônicos, que quando são explodidos levam também os arredores dos seus pontos, com grandes prejuízos.

E a solução? Aí aparece a mídia dizendo que está no maior policiamento ostensivo, na colocação de câmeras de segurança, de contratação de vigilantes, ou seja, custos para a sociedade, na forma de alocação de recursos de segurança pública para reduzir riscos de natureza bancária, ou nos gastos pelas empresas onde os serviços são feitos.

Coincidência: praticamente todos os telejornais têm patrocínios de bancos. As revistas de grande circulação também têm recheio de propaganda bancária. Com a terceirização do risco, os banqueiros conseguem reduzir seus custos com segurança e requalificam suas agências, reduzindo as áreas necessárias para filas, jogando fora o que chamam de "lixo bancário" (pessoas que não são clientes e vão lá só pagar contas, sem dar muito lucro), e apresentar fachada de escritório aos seus clientes.