quarta-feira, 10 de agosto de 2011

HOAX : Projeto que legaliza corrupção é falso

Impressionante a capacidade de inventarem bobagens e espalharem pela internet. Maior que ela, só a capacidade dos crédulos aceitarem qualquer coisa e saírem por aí replicando mentiras, passando por tolos e, pior, correndo o risco de serem responsáveis por passar vírus remetidos por aqueles que falam "mande para toda a sua lista" em nome de algum "dever patriótico".


A besteira da vez é o projeto que legaliza a corrupção, atribuído ao deputado do PSDB baiano Jutahy Magalhães, que já teria sido aprovado no congresso, e proibiria o ministério público de investigar casos suspeitos, etc. A tal mensagem traz também o pedido do jornalista Franklin Martins, suplicando para que se passe o boato (hoax) para toda a lista.

Tudo falso. Aí vai o link do deputado com todas as explicações, inclusive com a nota do Franklin Martins explicando tudo. Se você vir esta minha mensagem, por favor, repasse aos incautos que te repassaram, para fazer a corrente seguir no sentido contrário até atingir o panaca que inventou isso.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mercado muito louco

Daqui a umas duas semanas, quanto alguns economistas começarem a prever o que houve hoje, talvez a gente entenda melhor por que nada mudou e as bolsas subiram, depois do pânico de ontem. Hoje os mercados abriram na expectativa do FED, o banco central americano, tomar alguma providência na reunião ordinária de hoje para injetar mais dinheiro no mercado e aliviar as tensões.


Não só o FED disse que não vai fazer nada, como vai manter os juros como estavam antes, de zero a 0,25% ao ano, por mais dois anos. Segue a lógica do discurso de Obama de ontem, que desprezou o rebaixamento de nota da Standard & Poor's, afirmou ao vento que os Estados Unidos são AAA e apelo ao velho recurso de colocar heroísmo do povo americano para superar a crise. Emendou com o elogio aos soldados que morreram no Afeganistão num helicóptero derrubado. O FED ainda fez algo que seria pior para quem queria boas notícias: disse que o risco vai aumentar. Para bom entendedor, o risco dos outros, porque os EUA não vão pagar nem um centavo a mais de juros por conta da instabilidade.

Mesmo com tudo isso, e com nenhuma ação do Banco Central Europeu, praticamente todas as bolsas da Europa, Estados Unidos e Brasil fecharam em significativa alta, reduzindo os prejuízos de ontem. O que mudou para haver isso? Apenas se descobriu que algumas ações cairam tanto de preço que valeriam a pena ser compradas? A recessão previsível não vai mais acontecer? Os déficits fiscais americano e europeus foram solucionados? As economias reais estão reagindo, aumentando produção, emprego e renda? Acho que perdi alguma parte dessa estória toda, porque está difícil entender.


Dilma e a âncora ética

Interessante a desfaçatez dos corruptos neste país: a Polícia Federal, que não é nenhum ente autônomo, mas ligada ao Ministério da Justiça, vinha investigando e hoje deu um bote em 33 suspeitos de dar sumiço em cerca de R$ 3 milhões do Ministério do Turismo. A reação do PMDB, que é responsável pelo povo acusado, ao invés de ser a de prestar esclarecimentos a Dilma e desmentir tudo, foi de reclamar pela ação da polícia.


Esse valor chega a ser simbólico, perto de outras maracutaias que já foram denunciadas, mas por essa quantia foi criado mais um impasse ético para o governo Dilma. Até o n° 2 do Ministério do Turismo está no rolo. Gente do Amapá, terra eleitoral de Sarney, foi convidada a passar uma temporada na cadeia. A mídia cai de pau, esperando que dessa vez o governo se enfraqueça para tentar alguma manobra que tire a oposição do degredo.

Dilma está num dilema: ou continua acatando as denúncias e fazendo a faxina, sem se importar com danos a aliados, agradando ao eleitorado udenista, em nome da ética, ou deixa a coisa rolar, defendendo o indefensável e a impunidade, botando a culpa na imprensa, etc. Ética é que nem âncora: ou segura para não deixar o governo à deriva, ou pesa tanto que afunda o barco.

A presidente deve aproveitar o bom momento do seu prestígio para seguir Maquiavel : o mal deve ser feito todo de uma vez. Antes que se estabeleça uma retaliação generalizada no Congresso, e o governo comece a perder votações, deve fazer o maior estrago possível e construir um clima de respeito que pelo menos faça as quadrilhas terem maiores pudores na hora das malandragens, para que não sejam pegas facilmente.

Ela não pode parar agora, porque está criada a expectativa de faxina ética. Se vacilar, e trair essa esperança, rapidamente verá o seu prestígio afundar. Denunciou, afasta e apura. Se for inocente, volta. Senão, rua. Isso deveria valer para qualquer um, de qualquer partido e até de nenhum partido, que use da função pública para a locupletação.

Londres : A pólvora social explodiu

Em boa parte da Europa acumulam-se tensões sociais desde a crise de 2008, quando os mais pobres foram chamados a pagar a conta do banquete do mercado financeiro. De lá para cá, só planos de arrocho, FMI, cortes em gastos sociais, aumento de impostos, privatização, desemprego e falta de perspectiva, especialmente para os jovens. Estes têm que optar entre imigrar atrás de uma oportunidade em outro lugar, cada vez mais rara, ou ficar no seu país inchando as estatísticas de exclusão, partindo para ocupar praças, fazer manifestações nem sempre politizadas, querendo que coisas caiam do céu, sem uma direção que faça mudar a realidade.


Londres não está fora dessa regra. Custos com educação aumentaram. Mais restrições aos serviços prestados pelo "estado do bem-estar social". Marginalização de minorias. Xenofobia. Opressão dos ricos, fazendo casamentos milionários enquanto a maioria passa necessidades. Polícia que reprime sem critérios e mata (vide o caso do brasileiro Jean Charles), mesmo sendo uma das menos violentas do mundo. De repente, policiais matam um homem. Dizem que foi tiroteio. Testemunhas dizem que foi execução. Manifestação pacífica em protesto contra a violência também é reprimida. Começa a quebradeira. Vândalos e saqueadores aproveitam a oportunidade para saquear, destruir e incendiar. Já morreu mais outro.

O movimento se espalha pelos bairros de Londres e chega a outras cidades. A polícia agora tem permissão de atirar com balas de borracha. Logo, mais mortos. Quando menos esperarem, estarão fazendo que nem o ditador da Síria, matando indiscriminadamente, porque o tecido social está se esgarçando de tal forma que a vida perde valor. Na falta de um eixo claro de luta para combater a tragédia do capitalismo, o que resta é isso aí: a barbárie pura e simples. Os excluídos estão perdendo os canais de comunicação com o poder, e as iniciativas são dispersas, individuais e terminam sendo inócuas. Indignação pura e simples, protesto pelo protesto, nada disso muda o sistema de exploração que causa toda essa situação.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Efeito Tea Party afunda economias liberais

Só a incompetência de Obama no trato político da questão econômica poderá tirar-lhe uma reeleição no ano que vem, com o bônus de fazer pesadas baixas do lado republicano. Para o americano, mesmo o mais despolitizado, ficou clara a maior responsabilidade do Partido Republicano na intransigência da negociação que levou ao acordo de 2 de agosto, de cortes sem elevação aparente de impostos.


Agora deverá ficar mais clara ainda a responsabilidade com o rebaixamento da nota de crédito da dívida americana de AAA para AA+, que está mexendo com a auto-estima da classe política que não quer enxergar o tamanho do estrago que fizeram colocando o mundo à beira do abismo econômico. Basta ver nos telejornais da FOX e da CNN o nervosismo histérico dos apresentadores e dos entrevistados, uns negando a realidade do rebaixamento, colocando a culpa na Standard & Poors porque nos cálculos teve um erro, outros minimizando o erro dos republicanos, em especial do Tea Party, dizendo que a culpa é "dos políticos".

Um paradoxo é visível nessa crise que derruba bolsas e aponta para o aprofundamento da crise mundial: a ultra-direita representada pelo grupo Tea Party, do Partido Republicano, ao defender um programa extremamente liberal de cortes do orçamento e contra a criação de novos impostos, criou o problema que agora leva o mundo todo a tomar medidas intervencionistas dos estados na economia. Hoje o Banco Central Europeu deverá intervir nos mercados para minimizar a sangria do primeiro dia pós-rebaixamento americano.

Tudo que liberal não quer ouvir é de falar em estado intervindo. Para piorar, a mesma Standard & Poors, que deve ter na diretoria o Rambo, o Van Damme, o Schwarzenegger e como presidente o Chuck Norris, porque sua decisão foi de enorme macheza, mesmo depois de descoberto um erro nas contas, já disse que se o programa de equilíbrio orçamentário americano não for bem sucedido, em dois anos rebaixará de novo a nota. Aí entra o Obama com uma nova estaca no coração do vampiro: para equilibrar, tem que aumentar impostos. É a tal da Vitória de Pirro da direita.

Durante a semana vamos ver desesperos em mercados de capitais. Moedas se desvalorizando, ações derretendo, e a busca por ativos mais seguros, como ouro, imóveis, títulos de países ainda sólidos, etc. Uma queima imensa de capitais, como em 2008. Com sorte, isso chegará a um fundo de poço de onde se recomeçará tudo de novo.

Aí vem o paradoxo dois: como levantar economias sem a liderança do estado? Aí Adam Smith vai se revirar na cova e a turma do liberalismo extremista vai urrar, babar e se descabelar. O mundo só saiu da crise de 29 com a intervenção estatal, principalmente nos Estados Unidos, abrindo frentes de trabalho, dando comida e renda mínima. Hoje nos EUA, antes dessa nova fase da crise, 46 milhões de cidadãos dependem do Programa Food Stamp para comer. É uma espécie de Fome Zero, que a nossa mídia esconde para não justificar os programas sociais de Lula, mas é um dos alvos da desumanidade da direita mais rica, que não quer pagar impostos para não bancar esse tipo de "luxo" para os pobres.

Por uma coincidência, os países que estão melhor nesse cenário são os que têm maior presença do estado na economia, como China, Rússia e Brasil. Vão sofrer também as consequências, mas têm mercados internos aquecidos que atenuarão os impactos mais imediatos. Nada se pode dizer no longo prazo. Na Europa a crise ganhará as ruas com mais intensidade. Vários países, já em crise, terão suas situações agravadas com a recessão nos países centrais do capital, levando a mais conflitos sociais. Governos cairão perante povos que lutarão por mais justiça social e por menos privilégios para os ricos. É o Efeito Tea Party. Paradoxo 3: Os próprios liberais sepultarão o liberalismo. Fabricam a corda onde serão enforcados.

Isso era previsível. Mais em:

domingo, 7 de agosto de 2011

Império em declínio : A crise sistêmica do neoliberalismo

Acabou a estória de mão invisível do mercado capitalista: depois da perda da confiança na economia americana, o Banco Central europeu vai intervir mais no mercado, algo impensável dentro da lógica neoliberal. Recomendo a leitura dos textos que a Carta Capital selecionou para ajudar a entender o que está acontecendo e o que vem por aí, no link abaixo:


Mesma foto, diferentes leituras

Ligue a TV, sem som. Aparece uma imagem de um tanque no meio de uma cidade, atirando contra civis. Escombros. Fumaça. Pessoas mortas. Onde será isso?


Pode ser na Libia. Na Síria. Na faixa de Gaza. É tudo igual: força desproporcional contra civis, precariamente armados ou desarmados. Milhares de mortos em chacinas. Centenas de milhares em campos de refugiados. Por que então as notícias são feitas de formas diferentes?

Na Líbia, é a ditadura de Kadafi garantindo seus interesses. Deve ser derrubado. OTAN nele.
Na Síria é a ditadura de Bashar Assad garantindo seus interesses. Deve ser derrubado. Sanções nele.
Na Faixa de Gaza, é Israel garantindo seus interesses. Estão "lutando pela sua segurança". Azar dos palestinos.

Hipocrisia. Do lado dos mortos, sempre estão os mesmos: pessoas que querem viver melhor, e vão às ruas manifestar descontentamento contra os opressores. O morto palestino não é menos morto que o líbio ou o sírio, mas parece que os quase 4.000 mortos pelas forças de repressão de Israel e os 7 milhões de refugiados não chamam muito a atenção, numa mídia preconceituosa em relação aos árabes e islâmicos, que têm o azar de viverem em cima de grandes reservas de petróleo.

Todos cometem crimes contra os povos. Deveriam ser alvo do Tribunal de Haia por crimes contra a humanidade, a exemplo de Kadafi, rapidamente condenado. Por que Israel tem permissão para matar, sem sofrer sanções? Que isso seja levado em consideração pela ONU em setembro, no reconhecimento do Estado Palestino com as fronteiras de 1967.


sábado, 6 de agosto de 2011

EUA : Rebaixamento e sofrimento

O que é que os americanos agora têm em comum com os vascaínos, botafoguenses, tricolores, corintianos, gremistas e atleticanos? Todos já conheceram o rebaixamento, alguma vez na vida.


Primeiro foi a agência de avaliação de risco chinesa, que rebaixou o grau de crédito da economia americana. Ninguém deu bola, porque a China é uma das principais patrocinadoras do déficit americano, pode estar forçando a barra para cobrar mais juros, etc. Agora foi a Standard & Poor's, que tem mais credibilidade no ocidente, que rebaixou a nota da dívida americana do topo da credibilidade, AAA, para AA+, que ainda é muito, mas é menos. Sairam da primeira divisão do capitalismo. Assim como os torcedores do América, os americanos dos EUA agora começam a saber o que é sofrimento.

De nada adiantou Obama ter uma camisa do Mengão e não usar. Não adiantou nada. Seu país acabou indo para a segundona. Uma sugestão ao povo de Tio Sam: fazer que nem o River Plate, que nunca tinha conhecido a segunda divisão, e para que não fique na sua história, em nenhum registro, a sua tradicional camisa em fotos do campeonato da segundona, tiraram a listra vermelha do uniforme e passaram a usar a preta em luto até o dia que voltarem à principal divisão. Coincidentemente, se fizerem isso com a bandeira dos Estados Unidos, ela ficará igualzinha à do Botafogo, só que com 50 estrelas... Alguém com dotes artísticos, por favor, monte essa imagem e me mande para ilustrar a idéia.

O Globo : Bobagens contra o Minha Casa, Minha Vida

No afã de destruir o programa Minha Casa, Minha Vida, que é uma idéia bem sucedida da presidente Dilma, qualquer coisa que se diga contra as construções de habitações viram um estardalhaço em algumas mídias. É certo que em alguns casos a irresponsabilidade de construtores cria problemas estruturais ou estéticos, por falta de bons projetos e boa execução, mas há coisas que a gente não pode deixar de comentar, como uma matéria publicada no site de O Globo hoje:


Residencial entregue por Dilma na Bahia usa tecnologia de alvenaria que impede reformas, pois haveria risco de desabamento

JUAZEIRO (BA) - Os primeiros moradores do Residencial São Francisco, conjunto habitacional do "Minha Casa Minha Vida" inaugurado nesta sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Juazeiro (BA), encontraram na entrada de cada bloco de prédios uma placa advertindo para que não façam reformas, sob risco de "danos à solidez". É que os prédios foram construídos com a tecnologia "alvenaria estrutural", que os levou a serem conhecidos no Nordeste como "prédios-caixão" - sem pilotis e com alicerces em alvenaria, mas de estabilidade discutível.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/05/residencial-entregue-por-dilma-na-bahia-usa-tecnologia-de-alvenaria-que-impede-reformas-pois-haveria-risco-de-desabamento-925076257.asp#ixzz1UGgljrH3
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A construção em alvenaria estrutural é usada no mundo há milênios. O concreto armado veio do século XIX, e assim, boa parte do velho mundo hoje está assentada em prédios de vários andares feitos apenas com tijolos ou pedras, com sistemas de amarração desenvolvidos ao longo de séculos. Grandes pontes e catedrais, milenares, estão lá até hoje, com seus arcos e pedras, obras-primas dos mestres da cantaria. A Europa do pós-guerra foi reconstruída praticamente em alvenaria estrutural.

No Brasil, temos um prédio considerado na época o maior arranha-céus do mundo: O Hotel Excelsior, em Fortaleza, com oito andares. Até hoje o prédio está lá, majestoso, firme e forte na Praça do Ferreira. O problema, ao contrário da matéria de O Globo, não é a técnica, mas os erros que se cometem na execução.

Estabilidade discutível ? Se é assim, não entro mais em nenhum prédio histórico, com mais de 200 anos. Apesar dessa bobagem que demonstra desconhecimento do autor no assunto, a matéria toca num ponto que é vital para quem habita: a impossibilidade de fazer modificações em paredes. É bom falarmos sobre isso, porque os leigos acham que as estruturas aguentam qualquer coisa.

Prédio-caixão, sem pilotis, com apartamentos no térreo, é errado? Também não. Se o programa visa o barateamento da construção para torná-la acessível a pessoas de mais baixa renda, reduzindo a favelização, o projeto é aceitável. Permite que as alvenarias emerjam diretamente das fundações, sem necessitar de concentração de cargas em fundações mais caras, como sapatas e estacas, e com uma laje a menos. Se for bem feita, com fundações diretas adequadas e isolamento da laje de piso com impermeabilizantes, não haverá maiores problemas como fissuramento ou infiltrações por capilaridade.

A reportagem fala dos avisos em destaque alertando para os moradores não fazerem modificações. Está correta a construtura porque procura evitar problemas estruturais futuros. Responde pela solidez estrutural por 20 anos, pela lei. Quem compra tem que saber da limitação, que também tem que constar na convenção de condomínio. Isso não quer dizer que a obra pronta apresente fragilidades. Elas virão de duas fontes: de falhas no projeto/execução, e de modificações posteriores.

Nos prédios de concreto armado, até pelos vãos maiores e pela existência de pilares e vigas expostos, as pessoas respeitam mais antes de pensar em demolir uma dessas peças. Deveriam ter, em lugares públicos do condomínio, avisos quanto á capacidade de suporte das lajes, normalmente de 100kg/m² em pavimentos residenciais (em prédios mais antigos, e 150 kg/m² em prédios mais novos, de acordo com a norma mais recente), para salas, cozinhas, banheiros e dormitórios. As lajes de cobertura têm menos resistência às sobrecargas, nos prédios regularmente construídos, pois não têm funcão de receber cargas além do peso de telhados.

Aí é que mora o perigo: vai o técnico da TV a cabo, mete a broca de vídia sem piedade em pilares e vigas para passar o fio, e tudo bem. Depois, vai o "técnico" de informática e quebra o pilar e expõe a ferragem para fazer um aterramento para o computador. Aí vem o decorador e mete um lustre pesado no meio da sala, ancorado no teto. Na reforma, quebra-se todos os pisos e acomoda-se uma pilha de 2m de entulho no meio da laje da sala, no maior vão. Na reforma do banheiro, rasga-se uma viga para acomodar uma tubulação de 100mm vinda do novo local do vaso sanitário.

E tome rasgo em laje para acomodar ralos. E tirar paredes em prédios de estrutura mista, com função estrutural. E corte em vigotas de lajes pré-moldadas. E furos em laje atingindo cabeações de lajes protendidas. E passar caminhonetes de mais de uma tonelada em rampas e lajes de prédios antigos, projetadas para carros de menor sobrecarga. E guardar todo o mármore que chegou para trocar o piso da casa empilhado até o teto no meio da sala. E o cofre de uma tonelada andando pelo elevador, corredores e pela casa toda. Como toque final, na laje de coberta, uma piscina plástica de 6.000 litros em cima do piso, ou um deck com piscina em fibra de mesma capacidade ou maior.

Aí vêm os "entendidos", que bradam aos ventos: se em favela o povo faz um andar em cima do outro na maior tosqueza, e não cai, por que num prédio de bacanas haveria de cair? Para começar, caem edificações em favelas e prédios de classe média também. Nem tudo consegue resistir à Lei da Gravidade. Nas favelas, há pessoas que, prevendo a construção de andares nas lajes, colocam concreto e aço demais nas peças estruturais, conseguindo empiricamente uma maior resistência.

Aço e concreto demais, de forma errada, podem também fazer ruir as construções, e esse excesso não garante maior estabilidade. Basta não combater as tensões corretamente. Além disso, há a fundação, que precisa aguentar o todo, e nem sempre é considerada importante pelos leigos nas construções. E tome rachadura...

É por essas e outras que se diz que o concreto armado é o melhor amigo do homem. As construções mais antigas até resistem, porque as normas eram bem mais conservadoras em termos de fatores de segurança, que aumentavam muito as cargas e sobrecargas no cálculo, exigindo estruturas mais robustas. Mesmo assim racham, o aço entra em deformação e pode haver rupturas. Ao contrário dos prédios em alvenaria estrutural, geralmente há algum abalo ou rachadura que avisa o desastre iminente, mediante sobrecargas. Mas nem sempre.

O fato é que toda construção tem limites para alterações, e para fazê-las é indispensável a consulta a um profissional de engenharia ou arquitetura com capacitação no assunto. E o devido projeto de modificação com anotação de responsabilidade técnica no CREA.

Dilma precisa de apoio para sanear governo

A morte anunciada de Nelson Jobim como ministro serviu de mote para os políticos que estão apavorados com a possibilidade da presidente Dilma arrochar a corrupção irem à imprensa usar o surrado argumento : "os militares estão inquietos com o Amorim, não gostaram, isso é perigoso, tem que parar com essas mudanças, etc".


Na normalidade democrática as regras são claras, e até prova em contrário estamos num estado de direito. Para abater esse tipo de jogada, de usar os militares para limpar os focos de corrupção, Lula foi direto ao ponto com a seguinte declaração, que serve também, por analogia, para os partidos da base aliada que estão vendo seus feudos de corrupção ruírem:

"Não sei se cabe aos militares gostar ou não gostar. Quando a presidente indica uma pessoa, ela está indicada. Ela é chefe das Forças Armadas, indicou o ministro e acabou. Não se discute, sabe?"

Pela primeira vez na história o Brasil tem um Plano Nacional de Defesa, que não é plataforma de um governo, mas uma política de estado. Aos poucos as forças armadas, que foram destroçadas desde o governo Collor, estão recuperando sua capacidade operacional. Soldos foram aumentados, embora insuficiente, e a carreira será reestruturada, com novos valores até 2014. O país vai começar a produzir submarinos, inclusive nucleares. Está previsto maior controle da Amazõnia e do pré-sal. Novos aviões deverão armar a defesa aérea. Blindados e helicópteros estão sendo comprados.

De Lula para cá, o Brasil considera que uma potência soberana tem que ter uma defesa forte, atuante, e que tem que participar do tabuleiro de jogo mundial. Quem melhor expressou essa nova visão, que rompe com a do Brasil submisso, quintal dos Estados Unidos, foi o novo ministro da Defesa, Celso Amorim. Suas posições, que desagradaram a direita e a mídia colonizadas, têm conformidade com a estratégia de pensarmos com as nossas próprias cabeças, sem tutela. Do que eles não gostaram?
- De priorizarmos a integração econômica regional fortalecendo o Mercosul e detonando a ALCA imposta pelos americanos.
- De consolidar o bloco com China, Rússia, India e África do Sul como líder dos emergentes.
- De termos tropas no Haiti participando do processo de reconstrução do país mais pobre das Américas.
- De tentarmos uma solução negociada para as crises do Irã e da Palestina, desagradando as potências militares que precisam manter esses conflitos para manter a hegemonia na região. De defendermos os alvos mais diretos do capital americano, Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina, tornando o Brasil reconhecido como liderança continental comprometida com a integração.
- De termos a Embrapa, Senai e outras empresas atuando em diversos países da África, em convênios para aprimoramento técnico.
- De exportarmos soluções como o Bolsa Família, para atenuar problemas em países pobres.
- De termos na FAO como diretor-geral o ex-ministro José Graziano, que implantou o Fome Zero no governo Lula.
- De reduzirmos a dependência econômica em relação aos Estados Unidos, pulverizando as parcerias com diversos outros países, minimizando os riscos em caso de crise como a atual.
- Do Brasil liderar um movimento pela reestruturação do FMI e do Banco Mundial, para que se tornem instrumentos de distribuição de riquezas e justiça social.

Por trás de toda essas ações, estava a figura de Celso Amorim, auxiliando Lula no projeto de afirmação do Brasil como nação soberana, independente dos grandes. Seria, portanto, o cara certo no lugar certo para tratar de problemas de controle de fronteiras, de integração militar pela paz continental e outras questões geopolíticas.

Os militares, olhando por esse ângulo, deveriam estar contentes com governos que afirmam a soberania e consideram as forças de defesa como estratégicas para o projeto enquanto potência mundial. E nada melhor que um estrategista internacional, com habilidades diplomáticas, prestigiado pela Presidente, para exercer a coordenação dessas ações.

Aí vêm de novo os insatisfeitos botando pilha nos militares: "Celso Amorim vai criar um verdadeiro Tribunal de Nuremberg nas forças armadas, com a Comissão da Verdade". Que cada um seja responsabilizado pelos seus atos criminosos. Não serão muitos, e a grande maioria já não está na ativa. Deve ser trazida a cruel verdade para que esses crimes nunca mais se repitam, e para que as forças armadas enterrem de vez esses esqueletos, partindo definitivamente para uma visão de século XXI.

A mídia que aterroriza com isso é a mesma que apoiou as atrocidades cometidas por criminosos travestidos de militares no golpe militar, e que não quer respingos da apuração dos fatos. A mesma que tem medo de termos, como na Argentina e no Uruguai, a verdade incômoda aflorando, mesmo que os que participaram de atrocidades não venham a ser condenados por força da Lei da Anistia.

Não querem, principalmente, dar margem à discussão sobre a regulamentação dos meios de comunicação, que existe nos Estados Unidos e em quase todos os países desenvolvidos, e proíbe a criação de propriedades cruzadas dos meios e oligopólios, como hoje tem a Globo (jornal, tv, internet, rádio, etc). Para isso manipulam essas questões envolvendo os militares, como forma de puxá-los para os seus interesses.

Dilma agiu bem tirando Jobim, que já queria sair, mas não teve a decência de dizer que queria ser substituído, cavando a expulsão. Militar que é militar sabe que o que ele fez foi insubordinação, e não pode condenar sua saída da forma como foi. A presidente, simultaneamente, nomeou para diretor-geral do DNIT um general que é responsável pela área de construções do Exército, reconhecendo os méritos das forças armadas na condução de empreitadas de interesse nacional.

No Nordeste as obras feitas pelos Batalhões de Engenharia e Construção chamam a atenção pela qualidade e durabilidade. Agora mesmo, na reconstrução da BR-101 entre Recife e Natal, os militares mostram extrema competência. A nomeação do general é uma forma de reconhecer a qualidade e a confiança nos militares. Para completar, nomeou um outro diretor oriundo da Controladoria Geral da União, um auditor, mais um reforço técnico para garantir a qualidade das licitações.

Apoiar as ações saneadoras de Dilma deveria ser uma unanimidade entre os que querem moralizar este país, mas, definitivamente, há quem queira que tudo continue como está para ficar discursando por decência enquanto pratica a bandalheira.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Herrar é umano (0005) - Exibidos se dão mal no Rio

Já vi gente fazer muita besteira saindo embriagado de festa, mas tinha o álcool para justificar. A internet está cheia de fotos de bêbados em situações inusitadas. No Rio, entretanto, uns caras sem nada no juízo (nem álcool) resolveram fazer uma gracinha e se deram mal: tiraram fotos arriando as calças em frente a uma cabine da polícia. Sorrindo, claro, para botar na internet o ato de coragem. Só que o policial que deveria estar na cabine, aparentemente vazia, tinha ido ao banheiro e retornou para dar o flagrante no trio.


Já houve tempo que se dizia que fazer cinema era ter uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Hoje, com a perigosa mistura de celular com câmera e internet, basta ter o aparelho, e absolutamente nada na cabeça para buscar fazer sucesso postando as gracinhas na rede.

O policial não sabia o que dizer da situação inusitada. Os caras podem pegar de um a três meses de cadeia por gesto obsceno. É que falta de noção ainda não é crime, daí a pena tão leve, que pode ser comutada para prestação de serviços. Queria ver os três, numa cela de delegacia carioca, fazerem esse tipo de exibicionismo...

DF : De quem é esse lixo?





Brasília é uma grande cidade, mas tem horas que a gente pensa que é só mais uma cidade grande, cheia de problemas. Entre eles, o de civilidade, numa das poucas cidades que têm na sua cultura os motoristas pararem para dar passagem aos pedestres em faixas, bastando que esses façam gesto com a mão. Com o metro quadrado edificado mais caro do Brasil, em muitas das suas áreas, ainda tem falhas de serviços públicos que podem ser pontuais, mas desgastam a imagem da cidade.


Há muitos anos passo a pé pela 716 N, na calçada do Banco do Brasil, e tenho notado uma gradativa degeneração do espaço público pela colocação de lixo espalhado pelo pavimento e pelo gramado. Pombos já fazem do lugar seu restaurante, com tudo de doente que o animal possa significar, já que restaurantes colocam sacos e mais sacos de resíduos orgânicos mal acondicionados na calçada. À noite os ratos fazem a festa, rasgando os sacos e espalhando tudo. Nada de caçamba, como noutros condomínios da mesma quadra: é bandalha mesmo.

Organização do lixo para coleta seletiva? Nem pensar! As pessoas dos prédios simplesmente atravessam a rua e colocam longe de suas casas e comércios seu lixo, afinal, nem eles nem seus clientes transitam por ali.

Como a coleta de lixo é incerta, tudo se estraga por até uns dois dias, trazendo mau cheiro. Há quase uma semana, colocaram um colchão velho em meio ao lixo. A coleta pública lixou-se para esse tipo de lixo, e o deixou lá. E vai ficando. Já tem pombo morto em cima.

A tradição da falta de educação nacional diz que, se alguém botou um entulho e ele ficou, outras podem botar também. É o princípio gerador das rampas de lixo ou entulho em lugares públicos.

Alguém pode até dizer que isso acontece em todo o país, que é "normal", que as pessoas não têm educação, etc, e não deveria esquentar com isso, porque ninguém vai mudar nada, etc. Não comungo com esse pensamento. A rua é pública, e isso não significa que não é de ninguém, e por isso se pode fazer o que quiser. Ao contrário, a rua é pública por que é de todos, e reclamar para que seja preservada faz parte da cidadania. Ficar só indignado não resolve nada.

Essa mensagem vai ser mandada para os órgãos de fiscalização do GDF. Aqui vão os canais para denunciar casos da espécie:

Atualmente, a Ouvidoria atende pelos seguintes meios:
1) Na sede do próprio SLU, no horário de 8 às 12h e de 14 às 18h;
2) Pelos telefones (61) 3213 0153 ou 3325 1531;
3) Pela Ouvidoria Geral do DF no telefone 156.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Obama : Presente de grego aos 50 anos

Obama tem aparecido em festinhas de aniversário dos seus correligionários e babões para comemorar seus 50 anos ainda com o sorriso amarelo do desgaste que sofreu nas mãos a organização extremista Tea Party (ou seria Tea Qaeda ou All Party?), e por ter assinado medidas suicidas para a América e arrasadoras para o resto do mundo.


O presente que ganhou, sem trocadilho, é de grego, não o da história de Tróia, mas o da atualidade grega: um país em vias de ter uma profunda recessão, duradoura, que engolirá o resto do seu mandato e poderá mandá-lo para os livros escolares como o coveiro da América. Hoje as bolsas despencaram em todo o mundo, e também por lá, em patamares que lembram a crise de 2008. Na Europa a crise se agravou, não apenas na falida Grécia, mas agora chega à Itália e Espanha. No Brasil, as bolsas chegaram a cair 6%, com as perdas atingindo todos os papéis. Tudo por causa do pacote de recessão americano.

Obama pensa em reeleição. Seu discurso agora é que as mudanças que se propôs a fazer levam tempo, e ele não teve como concluí-las neste mandato. Se conseguir carimbar nos republicanos o rótulo de responsáveis pela crise, irá vencer as eleições, mas terá de brinde um país em franca decadência para governar. Aparentemente, foi esse o jogo que estimulou nos recentes impasses: sair de vítima da direita irresponsável.

Com o povo do Tea Party querendo fazer do 11 de setembro e da crise de 29 coisas de amadores, em termos de destruição dos Estados Unidos, Obama vai precisar de muita saúde, paciência e força para não envelhecer em menos de um ano e meio mais que nos anos que a vida lhe reserva.

Jobim desafinou mais para ser demitido

Depois de várias declarações de inconformismo com o governo Dilma, finalmente o ministro da Defesa Nelson Jobim vai conseguir o que quer: sair como vítima da presidente. Se pretende criar uma zona de atrito entre as forças armadas e a ex-guerrilheira é coisa para especular. O fato é que ele cavou a própria sepultura com grande esmero.


Disse que no governo tinha que aguentar idiotas, na festa de aniversário de FHC; ainda no governo Lula, andou falando demais para a embaixada americana, como o Wikileaks depois dedurou. Na semana passada disse que votou em Serra, para deixar o PT indignado, pedindo a sua cabeça. Agora esculhambou Ideli Salvati, que chamou de "fraquinha" na entrevista à revista Piauí, que sairá amanhã.

Como a Ideli não tem nada de fraquinha, faz parte da tropa de choque de Dilma e antes que as suas provocações atinjam a própria presidente, a carta de demissão já está sendo batida. Não pediu para sair, mas pediu para mandarem embora. Será que tem os 40% do FGTS para receber para cavar uma demissão assim? Se é por falta de adeus, tchau! Menos um para apunhalar o governo pelas costas.

Políticos : Além da corrupção, as mordomias

Vendo a votação do tal acordo americano para elevar o teto da dívida, dois dados chamaram a atenção:

- A Câmara de Representantes, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, tem 435 membros, eleitos de acordo com distritos eleitorais;
- O Senado tem 100 membros, dois por estado (lá são 50 estados).

A população norte-americana é de 309 milhões de habitantes. Como as câmaras geralmente representam a proporção das populações, lá, como aqui, há números diferentes de deputados para cada unidade federativa. Para eles, há um deputado federal para cada 710 mil habitantes, aproximadamente.

Se usássemos os mesmos critérios dos Estados Unidos, nossas representações cairiam de 81 para 54 senadores, e de 513 para 272 deputados federais. Bem menos gente para pagarmos os salários e condições de trabalho do mandato. Bem menos assessores, bem menos gabinetes custosos. Por que não? Se os Estados Unidos têm mais território, mais estados e são a principal potência mundial (ainda) na economia, no poder militar e se intitulam a nação mais democrática do mundo, por que temos bem mais representantes no Congresso? O mesmo se aplica aos legislativos estaduais e municipais.

Quanto a mordomias, os países mais sérios do mundo não dão nenhuma aos parlamentares e membros dos executivos. A idéia é que o representante continue sendo a mesma pessoa do povo que era antes de estar no poder. Paga-se o equivalente ao salário recebido, por exemplo, em Cuba, a cada um, mais um alojamento na capital, e passagens para ir às bases. Ninguém é obrigado a pagar para trabalhar, mas ninguém deve receber mais por ter sido eleito.

Tem um filme bem interessante sobre a Suécia, mostrando a quase total inexistência de mordomias. O político tem que se virar sem um séquito de servidores pagos pelos cidadãos para assessorá-lo. Não tem carro oficial, secretária, assessor disso ou daquilo. Até há algum tempo, ficavam hospedados nos próprios gabinetes, dormindo em sofás-camas. Agora ficam em quitinetes. O vídeo é repassado em e-mails com o adereço de "censurado no Brasil", dessas bobagens conspiratórias. Foi matéria produzida para algum canal de televisão daqui.

Em 2007 fui a Montevidéu, no Uruguai, e peguei uma van que fazia city-tour. Numa certa rua, a guia disse que não poderíamos fotografar, porque ali morava o presidente, em sua própria casa. Não havia nenhum aparato de segurança visível. Quando passamos em frente à casa, a moça falou : aquele homem ali botando o lixo para fora é o presidente!

Por que aqui a gente paga cada vez mais a políticos cada vez mais autônomos, que aumentam os próprios salários e criam o próprio cardápio de mordomias? Isso é representação, ou locupletação dos mandatos concedidos pelo povo? Quem deveria fiscalizar isso, e dar um basta aos excessos é o eleitor, mas não se consegue muita coisa porque os mandados são balcões de negócios de onde saem recursos que colocam os eleitos em vantagem para as eleições seguintes, e as coisas não mudam. Esperar que eles mudem isso é ilusão.

Em vez de simplesmente ficar reclamando, falta a gente botar a mão na massa e construir um movimento contra as mordomias de políticos. Eleito é para trabalhar para nós, não o contrário.

Dólar furado : Pacote cambial à vista?

O dólar barato subiu no telhado. Ontem a Suíça e o Japão tomaram medidas para proteger suas moedas da supervalorização em relação ao dólar. O episódio insano do quase-calote americano serviu para mostrar que os Estados Unidos não são um país sério em relação aos efeitos das suas políticas econômicas para o resto do mundo. Ontem as bolsas americanas fecharam em alta, mas no resto do mundo despencaram. O que pode ser menos ruim para os americanos está sendo péssimo para nós outros.


Como a luta interna vai continuar por lá, e a maquininha de imprimir dólares vai continuar à toda, os governos dos demais paises ficam à vontade para tomar medidas de proteção de suas moedas.

Por que no Brasil seria diferente? Há alguns dias, o Banco Central mandou um recado ao mercado para não especular com dólares em mercados de derivativos. Pouco depois, baixou medida aumentando o IOF sobre essas operações. Hoje o presidente do BACEN, Alexandre Tombini, declarou que deve-se ter cautela ao assumir dívidas em dólares. Traduzindo: vem aí algum tipo de medida para proteger o Real de mais apreciação, com possibilidade de desvalorização do Real até um patamar que reequilibre as exportações.

Não deve ser nada radical, talvez algo em torno de R$ 1,80, mas o recado está dado. Não dá para subir muito, nem rápido, senão a inflação dispara, já que os preços internos estão sendo mantidos pela concorrência predatória dos importados. Se você pensa em viajar ao exterior ou já está por lá, gastando em cartão de crédito, é bom tomar cuidado para depois não chorar na hora da fatura. Para empresas que estão assumindo compras com base em dólares, idem.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Boato : Sandy vai gravar funk

Corre por aí que a cantora de música sertaneja e romântica Sandy vai variar os estilos musicais e gravar também funk. Deve começar pelo sucesso "Dako é bom", de Tati Quebra Barraco. Não entendeu? Veja aqui. De garota-propaganda de cerveja Devassa a promotora de eletrodomésticos é um pulo. Deve ser boato.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Escândalo : Polícia civil tucana espionou o PT até 1999!

Segundo documentos secretos disponibilizados ao Arquivo Público de São Paulo pelo Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil, o PT foi espionado até 1999, no segundo governo de Mário Covas (PSDB), em São Paulo. Infiltraram agentes em assembléias e eventos ligados ao PT para fazer relatórios sobre as atividades. Mais detalhes neste link.


O mais escandaloso é que Covas se colocava no rol dos políticos mais democráticos, que combateu a ditadura. No entanto, a polícia política, encarnada no DOPS da ditadura, que já havia sido desmantelada no início em São Paulo em 1983, ainda no governo do general Figueiredo, continuou ativa inclusive nos governos "democráticos" tucanos. E oficialmente a DSC só foi extinta em 1999, em pleno governo FHC II!

A bisbilhotice começou no governo de Franco Montoro (PMDB), que criou o DCS. A arapongatem não tinha limite: outros partidos políticos, além do PT, CUT, Arquidiocese de São Paulo, MST, UNE e Força Sindical . A espionagem não respeitava nem os superiores hierárquicos dos policiais. Montavam dossiês de qualquer um. Tancredo, Collor, FHC, Lula, Ulysses Guimarães, Maluf, José Dirceu, Brizola, Miguel Arraes, José Serra, Chico Buarque, Fafá de Belém, Dom Paulo Evaristo Arns, Edir Macedo, entre outros, mereceram anotações nos arquivos policiais. Como no tempo da ditadura e do DOPS. Mais detalhes na página do IG Notícias.

Se fosse o contrário, as revistas semanais e a grande mídia estaria pedindo cabeças, fechamento do PT e o escambau. Como pecado tucano é sempre perdoável para eles, o assunto não deverá ter tanta repercussão quanto a demissão de um aspone no governo federal. Que se pronunciem o PT e todos os demais atingidos por essa espionagem ilegal e de forte conteúdo político.


EUA : A vitória de Pirro do Tea Party

Ontem as TVs americanas mostravam entrevistas com alguns deputados republicanos, em especial os da extrema-direita, do Tea Party, comemorando a "vitória" sobre o governo na questão da elevação do teto da dívida. Faziam crer que o acordo seria uma capitulação democrata, ao aceitar cortes orçamentários e deixar para depois a elevação de impostos. Cacarejaram, mas depois, na hora de selar o acordo, votaram contra... Para eles, o acordo é apenas um primeiro passo na direção certa, mas como não é o que querem, letra por letra, eles são contra. Uma vitória obtida a um custo muito elevado para os Estados Unidos, a tal da "vitória de Pirro"


Do outro lado, os democratas buscavam justificar seus votos nesse acordo, que apesar de preservar alguns programas sociais essenciais, como o Medicare, o Medicaid e o Social Security (previdência), permitirá cortes em setores do serviço público como educação, pesquisa, obras públicas, etc. Positivo também para os democratas é a imposição de cortes de 50% no orçamento de defesa, o que pode significar um recuo no belicismo americano no mundo. Ruim para os republicanos, em especial os mais tradicionais, que não são os cachorros doidos do Tea Party, porque da indústria bélica vem boa parte dos financiamentos de suas campanhas.

O fato é que o acordo foi ruim para os dois lados. Na votação da Câmara, a maioria dos democratas foi contra, e expressiva também foi a votação contrária dos republicanos. Então, porque a ênfase do Tea Party em cantar vitória? A dissonância vem da sensibilidade das pessoas comuns, já que 52% discordam do acordo. A popularidade de Obama praticamente ficou inalterada, enquanto pesquisas atribuem aos republicanos a atitude insana de jogar o país à beira do abismo para auferir dividendos políticos.

Para completar, no discurso de Obama agora há pouco, promulgando o acordo, ficou claro que essa "vitória" terá um custo muito alto para a direita. Ele disse que não se pode equilibrar orçamento apenas cortando gastos, sem mexer nos impostos, e principalmente estendendo à classe média os cortes de impostos que os ricos tiveram. A palavra "jobs" junto com "work" foram as que mais pronunciou, principalmente referindo-se ao processo de recuperação econômica que vinha acontecendo, a duras penas, e que agora será enfraquecido, com a necessidade de cortar obras, pesquisas e outros investimentos, demitindo gente, etc. Sua fala empurrou a conta dos problemas econômicos para os republicanos.

O Tea Party parece muito com um pessoal daqui do Brasil, que só quer saber de detonar tudo para ver se, das ruínas, consegue ganhar algum. Chantagearam o governo, com o prazo limite. Ficou patente que não tinham qualquer preocupação com o país, nem com as repercussões internacionais. Apenas queriam atacar Obama e ter uma vitória, mais como torcida que como partido.

Se dependesse deles, os Estados Unidos estariam agora dando o calote, tendo que pagar mais juros pela rolagem de dívidas, fechando as repartições públicas, deixando de pagar salários. Isso não é problema deles. São a pior expressão do individualismo americano, a voz do liberalismo extremo dentro do liberalismo geral. Nada de impostos, nada de esmolas para pobres. Quero o meu e que se dane o resto.

Dentro do próprio partido deve ter gente querendo ver a caveira deles, porque essa chantagem no fio da navalha terá um preço. Os velhos republicanos perderam muitas cadeiras no congresso para essa turma mais radical, e vão continuar perdendo, porque o discurso da xenofobia, da plutocracia, do belicismo e racista tem seu público nos Estados Unidos, em especial nas crises. A tendência é do crescimento do Tea Party dentro do Partido Republicano, mesmo que esse venha a definhar eleitoralmente.

Por mais que o americano médio seja uma caricatura dos Simpsons, dos Jetsons e dos Flintstones, preocupados apenas com o consumo e a competitividade sem qualquer entendimento sistêmico, em algum momento cometerão o deslize de pensar e descobrir que essa turma da extrema-direita é nociva a cada um deles. Como a relação do cidadão com o estado é quase no nível pessoal, sem articulações fortes em movimentos sociais, o máximo que fazem é votar no outro lado nas eleições seguintes, seja ele quem for. Quem disser que vai dar mais uma merreca ou um emprego, mesmo mentindo, terá o voto do cidadão mediano. Ideologia de classe só quem tem é o rico.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PSDB filia líderes da Força Sindical em Minas

Apesar do PDT fazer parte da base de apoio do governo Dilma e do ex-presidente da Força Sindical, o deputado Paulinho da Força, ter sido condenado por improbidade administrativa e dever ao governo Lula a fidelidade que manteve na sua defesa no caso de desvio de verbas do BNDES, em Minas o PSDB passou a rede e vai filiar as principais lideranças da central. O gesto deve acontecer em outros estados. A idéia do PSDB é ter um pé no movimento sindical e base para apoiar Aécio em 2014.


Não fosse o peso do fisiologismo nesse tipo de virada de casaca, já que não existem almoços gratuitos, dificilmente um sindicalista iria para o lado dos algozes ideológicos dos trabalhadores. Como em política também não existem espaços vazios, porque alguém ocupa, logo os partidos da base aliada e centrais sindicais se digladiarão para forçar o governo Dilma a dividir as vaguinhas do fisiologismo que comprou, até aqui, essa base sindical.